Lápide [Poemas]

11 Deuses do espaço frio


No vácuo você consegue ouvir os ecos da batalha
Enquanto passam o universo chacoalha

São aqueles dois novamente,
os dois deuses do espaço
Inimigos em uma só vertente.
Dobram as leis até o estilhaço

Os dois buracos negros não se tocam no céu
mas fazem tempestades no azul-turquesa

Dois irmãos de natureza
distintos na pureza
Dois seres da realeza
rebeldes à sutileza

Os dois buracos negros não se tocam no céu
não por falta de destreza

Pobre das estrelas
sorvem em atrações irresistíveis
Sem alguém pra advertê-las
aqueles são limbos submergíveis

Dançam há séculos em infinita órbita
Afastam-se por anos, em caminhar solitário
Reencontram-se na aproximação hipócrita
para jogarem-se novamente ao relento centenário

Por quê não se unem em uma existência ainda mais esplendorosa?
Ou por quê não fogem desta gravitação teimosa?
Assim como eles, a astrofísica não explica
Acho que é amor, que não se retifica

Os dois buracos negros não se tocam no céu
mas fazem tempestades no azul-turquesa

Eu sei com certeza
É um ataque da defesa

Os dois buracos negros não se tocam no céu
Eles preferem a tristeza

No vácuo, mais uma vez, ouvimos o abalo daqueles dois,
mas ninguém sabe o que vem depois.