Lápide [Poemas]
4 Cidade Inóspita
Notas iniciais
Mergulho na pacificidade desta noite mortis.
Deitado eu vejo a janela.
Minha mente voa afora, a fim de lhe buscar por entre os pensamentos.
Não sei o que falar aqui,
mas sei que quero.
Fecharei estes olhos e enganarei minha mente.
Direi a ela que você me faz companhia esta madrugada.
Benquista longínqua...
Minha vida errava por ruas desertas.
La, com a ausência de forma, existia o nada.
E um nada jamais poderia abalá-la.
Ela continuou caminhando sozinha e cômoda.
....Até que você surgiu...
Uma única existência além da minha nesta rua inóspita.
Você já havia me visto há tempos, tentava me chamar, mas eu, perdido em mim mesmo, não conseguia ouvir.
Mas você não parou de caminhar, não é?
Me perdeu de vista naquela cidade espiritual.
Seguiu meus passos e me caçou.
Me achou parado em um canto frio.
Começara a chover e você me estendeu um guarda-chuva.
Olhei para você sem dizer nada, e você me abraçou.
Foi quando eu entendi, que aquela garota de pele tão branca, sabia me tocar!
Mas era estranho pra mim.
Minha pele morena não era mais intangível?
Eu desaparecia,
Me escondia em becos sem fim,
Atravessava paredes sólidas...
E foi quando eu não conseguia mais correr do que sentia por ti....
...que você é quem sumiu!
Agora é minha vez de lhe caçar. De lhe gritar o nome, de te procurar em becos até o fim das energias.
E eu juro que quando lhe encontrar...
Seremos juntos o rei e a rainha daquela cidade fantasma.
Onde só exista nós dois.
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