Lágrimas e Lágrimas.
21 O novo Matt
Notas iniciais
Matt se levantou, ainda enxergando embaçado, olhou para o guardião e disse, lentamente:
– Pare. Vamos fazer isso logo, com calma.
– Não, você me irrita seu idiota! Eu quero matar você! Ou melhor, eu vou matar ela, assim você vai sofrer mais! Depois eu mato sua família, e então e-
– Pare com isso, você é estúpido!
O guardião bufou, e fechou os olhos por um instante. O silêncio pairou por aquele cenário horrível. Phantom machucado, Anne ensanguentada, chegava a ser enjoativo o mal cheiro do guardião. Depois ele abriu os olhos e disse:
– Alguém vai pagar por isso, eu não me irrito e deixo todos impunes.
O guardião tirou uma pedra azul-claro do bolso novamente, limpou-a e olhou para Matt. "Ele não merece ser um deles... mas acho que será divertido" pensou o guardião. A criatura estendeu a pedra para Matt, que recuou um pouco, mas depois fechou os olhos e tocou-a. Sentiu uma leve dor tomar seu corpo, e alguns segundos depois, sentiu seu sangue acelerar-se, o coração pareceu parar. Ele sentiu a visão embaçar um pouco, e depois a visão ficou muito nítida, além do normal. Sentia uma força enorme, e aos poucos sentiu a pele esfriar e seu corpo morrer. Foi uma sensação um pouco desagradável, mas depois ele se sentia bem.
– Pronto, agora faça o que tem de fazer. Phantom lhe explicará o que fazer. Ele é seu novo irmão agora – o guardião riu maldosamente, e Matt sentiu medo que aquela risada assustasse Anne, que estava com uma aparência horrível.
E ele desapareceu.
– Está se sentindo bem, Matt? – disse Phantom indiferente, levantando, já parecendo bem novamente.
– Me sinto muito bem – ele virou-se e acertou um soco na barriga de Phantom.
– Agora dói, desgraçado?
– Você está forte hein? – ele disse ainda sufocado pelo golpe.
– Não sei, preciso testar toda minha força, e você me parece uma boa vitima.
Matt avançou na direção de Phantom e acertou-lhe a cara. Ele revidou, e acertou um chute na barriga de Matt, que com reflexos rápidos, derrubou-o no chão.
– Parem com isso, idiotas! – Anne pareceu usar todas as suas forças para gritar desesperadamente.
– Anne! – Matt correu e abraçou-a. Ela se afastou um pouco, mas percebeu algo diferente. Olhou ao redor, o sangue espalhado e se sentiu um pouco enjoada.
– Amor? –ela disse suavemente, abraçando-o novamente.
A palavra soou como uma facada no peito de Phantom. Ele se levantou e arrumou-se, saindo furiosamente dali.
– Você... não sente dores?
– Eu sou como você agora, meu amor. Não sinto mais dores. Mas vamos cuidar desses ferimentos, você mal se curou e esse idiota veio te machucar. Isso é intolerável...
- Você o quê?!? — Anne gritou.
- Agora não tem volta meu amor.
Ela ficou furiosa no momento. Mas não tinha forças pra iniciar uma discussão ali, e então ficou calada. Depois de algum tempo comtemplando Matt, ela disse num tom agradável e gentil:
– Seus cabelos... estão... como você está lindo, meu amor.
Ele se levantou e correu ao espelho do banheiro.
– Que porra é essa? – Matt disse bruscamente.
Anne riu. Os cabelos estavam azuis, um tom bem escuro. Depois, ela acariciou os fios e levemente beijou os lábios de Matt. Ela já estava sentada no chão, e os ferimentos já não eram tão ruins. Mas ela ainda ficaria cheia de hematomas, e o sangramento que escorria do canto da boca ainda era bem visível. Maldito guardião.
– Está azul, e está lindo amor. Eu gosto, só que essa cor será um problema para andar normalmente na rua, concorda?
Ele sorriu e concordou balançando a cabeça positivamente.
Matt fez alguns curativos nela, e se sentaram no sofá da sala, depois de limpar o chão da cozinha, que havia ficado um sujo de sangue.
– Amor... precisamos conversar, e isso é importante.
– Voltei – disse Phantom amargamente.
– É melhor todos nós conversamos, não acha? – Anne disse suavemente para Phantom. O rosto dele se iluminou instantaneamente, ele sentou ao sofá e começaram a conversar.
Basicamente, o objetivo era único para todos: matar. É uma missão fria e assassina, mas era para o bem de todos. Ao matar uma pessoa, de algum modo, seria entregue um número para o assassino. Apenas na prática era possível entender como esse número seria obtido.
– Acho melhor eu começar – disse Phantom.
Anne concordou, e Matt também. Depois que os todos os números fossem obtidos, era simples: decifrar a mensagem e livrar-se da maldição. Bom, parecia simples, mas não era bem assim. Então, naquela noite, Phantom sairia e Matt e Anne ficaram sozinhos na casa sombria, onde todos morariam juntos dali em diante.
– Estou indo – Phantom sussurrou para Anne, enquanto Matt estava na cozinha preparando o jantar.
– Eu gostaria que soubesse Anne...
– O quê? – ela disse suave.
– Eu não estou fazendo isso para me livrar da maldição.
– Como assim?
Ele suspirou.
– Eu amo você. Eu serei esquecido depois que isso acabar, por isso não queria que acabasse.
– É uma pena Phantom. Se pudéssemos voltar a alguns anos atrás, nós nunca precisaríamos ter nos separado. Mas o mundo dá voltas, e acho que o destino não quis assim...
Ele chegou mais próximo, e segurou-a pela cintura.
– Não podemos mudar isso Anne? – seus olhos verdes pareciam implorar por uma resposta positiva.
– Não – ela o afastou. – Phantom, eu amo o Matt. Isso jamais vai mudar, mesmo que eu quisesse, nunca deixaria de amá-lo. Ele tem coisas que eu não consigo ver em mais ninguém.
– Por exemplo? – ele disse de cabeça baixa.
– Ele me pertence, e sei que se algo acontecesse a mim, ele morreria. Ele me ama incondicionalmente, coisa que você jamais faria. Além do mais, o jeito dele é único, e sua companhia é insubstituível.
– Já entendi – Phantom disse ignorante e suspirou.
– Desculpe.
– Tudo bem – ele disse cabisbaixo – só estou com medo de que algo aconteça a você. O guardião disse que alguém pagaria por ele ter se irritado... tenho medo que ele mate você, Anne. Ele disse ao Matt que alguém iria pagar, e na carta dele, há algo relacionado com “atingir as pessoas que você ama”... eu – ele fez uma pausa, e consertou – nós, vamos cuidar de você.
Ela apenas assentiu, e ele saiu.
O relógio marcava exatas 8 horas da noite. Quanto tempo ele demoraria até achar uma vítima? Anne sabia que não iria demorar a achar alguém, mas mesmo assim ele voltaria tarde. Ele estava magoado. Provavelmente andaria por aí sozinho por um longo tempo, e voltaria só depois da meia noite. “É uma pena”, pensou ela.
– Querida! Me ajude aqui! Eu sou um péssimo cozinheiro, isso está uma droga.
Ela correu para a cozinha para ajudá-lo, e ela o ajudou a fazer uma bela macarronada. Eles sentaram juntos no sofá e comeram macarrão até cansarem. Assistiram filmes e viram as desgraças no jornal. O relógio já marcava 11 horas quando Anne percebeu, mas nenhum dos dois tinha sono. Matt brincava com os cabelos vermelhos dela, e ela acariciava o rosto gelado dele, cada vez mais lindo, a transformação realmente deixara ele perfeitamente bonito.
– Amor, o que você acha de tudo isso?
– Eu não sei Matt. Somos imortais. Poderíamos simplesmente parar pro aqui, e viver eternamente juntos. Mas seria melhor ter uma vida normal, e chegar até o fim juntos?
– Querida, não importa pra mim.
– Como assim não importa? Você não se importa comigo? – as lagrimas afloraram nos olhos dela, e Anne fez uma pequena força para não deixá-las cair.
– Nada disso me importa , eu ficarei com você até o fim. E se não houver um fim, eu ficarei com você para sempre. Não importa o que você escolha, eu estarei sempre com você. Eu te amo, minha pequena.
As lagrimas caíram. Mas não de tristeza, eram de pura alegria. Matt a completava e fazia tudo aquilo ter sentido, por mais louco que fosse.
– Eu te amo também, e ficaremos juntos até o fim.
Ele beijou o pescoço de Anne, que arranhava levemente suas costas. Os beijos leves se transformavam em pequenas mordidas, e Matt descobriu-se apertando-a nos seios. Ele se afastou rapidamente, arrumando a camisa e contemplado Anne, por um instante. Ele percebeu que ela estava um pouco constrangida, e acrescentou logo em seguida:
– Me perdoe meu amor, eu não tive a intenção, eu... desculpa!
– A-amor – ela sussurrou.
– Me desculpe, me perdoe, eu...
– Eu não me importo. Amor, eu... amor acho que podemos fazer isso.
– Eu sempre fui muito respeitoso com você, me perdoe. Isso foi um erro meu. Sempre cuidei de você com todo amor do mundo, e nunca fiz nada que pudesse magoá-la. Me desculpe novamente, eu sou mesmo um idiota.
Ela se levantou e beijou ele intensamente, colocando suas mãos por dentro da camisa, e foi tirando aos poucos, enquanto ele parecia ainda um pouco constrangido.
– Amor... tem certeza que quer isso? – ele dizia em um tom sério.
– Porque não podemos?
Ele parou pensativo e hesitou a princípio. “Não quero magoá-la”... mas não havia problemas.
– Eu te amo Anne.
– Eu te amo muito Matt, não importa quanto t-
– Tempo passe, eu sempre vou te amar, te cuidar e te proteger para sempre.
– Eu diria isso, mas alguém cortou minha fala – ela sorriu.
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