Notas iniciais
No último capítulo tivemos mais uma morte. E nela, Dhuly se superou. O que os esperam agora? Espero que gostem. =3 Boa leitura!

Depois de limparmos bem a sala, Dhuly foi brincar com Tutu e eu fui ver o jornal. Sinceramente não estava querendo pensar no que tinha acontecido. Preferia mesmo apagar aquilo da minha mente. Eu estava feliz em saber que Dhuly tinha feito aquilo por mim, mas ela era minha mãe... E se ela não tivesse culpa, ou se eu ainda a amasse? Nunca perdoaria Dhuly. Seria uma erro terrível. Por sorte, eu não sentiria falta dela.

A noticia da explosão já estava saindo na mídia. Ninguém havia descoberto quem era o culpado, e só apareceria na TV novamente quando algo novo acontecesse. Eu comecei a pensar que pudesse ter sido minha mãe. Ela adorava causar um caos. Era bem a sua cara uma explosão no meio da cidade.

Sem mais o que fazer, fui ver o que Dhuly estava fazendo. Antes de subir, fui deixar meus óculos na gaveta do meu quarto, pois se deixasse em outro lugar, acabava os perdendo.

Guardei junto aos outros pares que raramente eram usados. Me virando, vi Dhuly de costas, sentada no chão de seu quarto. Resolvi fazer uma brincadeira e dar um susto nela. Fui devagar, na ponta dos pés para ela não ouvir, porque aquele ouvido conseguia escutar até o barulho do meu carro chegando em casa com comida. Sorrateiramente, fui chegando mais perto até que a vi um rato na sua frente.

– Você tem família? — Ela perguntou ao rato e esperou resposta. — Que bom.

Eu não sabia que Dhuly era capaz de ler mente de animais. De pessoas ela não lia... Eu acho.

– Você está sendo sufocado. — Ela disse baixinho.

O rato começou a se contorcer no chão como se estivesse mesmo sendo sufocado.

– E agora, você está sendo morto de dentro pra fora.

Após essa frase, o rato começou a vomitar todo o seu interior. Foi sangue, gordura, carne, comida, pulmão...

– Você vai sobreviver até vomitar seu coração. Vomite-o pra mim!

E o rato fez. Segundos depois podia-se ver um pequeno coraçãozinho no meio de seus órgãos no chão do quarto de Dhuly. Ela, começou a rir desesperadamente, comendo tudo o que o ratinho vomitou e depois, ele mesmo.

Fiquei apavorado com aquela cena. Nem mesmo eu podia fazer aquilo. Eu podia entrar na mente das pessoas. Controlá-las não. Muito menos fazê-las se matarem daquela forma.

Voltei para a sala e fingi que nada tinha acontecido. Fui até o elevador e apertei o botão para chamá-la, fingindo que eu não fazia ideia de onde ela estava. Sentei no sofá e esperei. Vi o elevador descendo, como se alguém estivesse vindo de cima. Se ela estava no quarto, como desceria pelo elevador?

– Oi, papai. Chamou? -Ela apareceu com o rosto e as roupas sujas de tinta. Fiquei a encarando, sem entender o que tinha acontecido.

– O-onde você estava agora?

– Na Sala de Jogos. Estava brincando com Tutu de jogar tinta um no outro.

Corri até seu quarto para confirmar. Ele estava normal. Não havia tripas de rato no chão, nem mesmo o cheiro. Não havia nada que me provasse de que ela esteve ali.

– Ah! É... — Gaguejei quando voltei até ela. Não sabia o que dizer. — Vá tomar um banho. Vamos fazer algo diferente hoje.

Ela balançou a cabeça e sorriu. Pude ver pequenas covinhas em suas bochechas. Nunca tinha reparado aquilo nela. Eram covinhas que deixavam seu rosto mais lindo e fofo.

Sentei no sofá enquanto a esperava. Voltei até o quarto dela para confirmar de que não havia nada. Nem uma gotinha de sangue. Olhei em todos os cantos do quarto e nada. Comecei a pensar que estava ficando louco.

Quando ela voltou, limpinha e cheirosa, a chamei até meu quarto.

– O que vamos fazer?

Eu abri uma gaveta e de lá, tirei uma caixa devidamente fechada, que nunca tinha sido aberta. Dhuly olhava atentamente para a caixa, curiosa com o que teria dentro.

– Vamos sair.

– Sair?!

Abri a caixa e ela pode ver uma grande quantidade e variedade de lentes. Lentes de cores "normais" para que pudéssemos sair sem que nos estranhassem.

– Nossa!

– Escolha uma. Vamos fazer um passeio.

Eu pensei muito bem no que estaria prestes a fazer. Se Dhuly estivesse mesmo se tornando maligna, se eu a tirasse de casa, algo incomum aconteceria na cidade durante ou depois do passeio. Era tudo um plano, só para acabar com minha preocupação.

Ela escolheu as lentes pretas. Disse que combinava bastante com seus longos cabelos negros. Eu concordei e peguei a minha verde, a que mais usava.

Segurando a mão de Dhuly, fomos até a porta da garagem, que ficava do outro lado da sala. Chegando lá, ela entrou no carro do meu lado e pôs o cinto. Parecia saber como se comportar no carro.

– Muito bem! — Sorri para ela por ter posto o sinto sem eu pedir. E então fomos.

– Com certeza vai ser inesquecível! — Ela disse sorrindo, deixando a mostra suas lindas covinhas.