Lágrimas de Sophia

1 I Parte - Capítulo 1


Notas iniciais
Gente, esta é a primeira fic que eu posto. Espero que gostem! Aceito comentários e críticas construtivas! História de minha autoria!

Levantei da cama e olhei para o relógio, 7:30, eles já devem ter saído. Fui para o banheiro tomar meu banho e escovar meus dentes, fiquei um bom tempo me olhando no espelho, observando o semblante de uma mulher jovem porém vencida pelo cansaço. Abri o armário que fica próximo a pia e olhei a quantidade de remédios que eu precisava tomar e que já não o fazia a 2 dias, fechei a porta do armário, voltei para o closet e arrastei uma pequena cômoda, abrindo um alçapão improvisado que eu mesma fiz.

Retirei de lá uma pequena caixa e a coloquei no chão, levantei e peguei de dentro de uma das minhas botas um saco de farmácia, me abaixei de novo e coloquei o último frasco dentro da caixa. Fiquei olhando atentamente para os 10 frascos de Rivotril¹ que eu comprei aos poucos com o receituário azul que roubei do consultório do meu marido, fiquei por um tempo pensando quando eu colocaria o meu plano em prática. Tirei a ideia de suicídio temporariamente da cabeça colocando a caixa de volta no alçapão. Voltei para o meu quarto e me arrumei, peguei a chave do carro e fui em direção ao meu hotel. Entrei no Hall principal e cumprimentei Shirley, uma das minhas recepcionistas, andei pelos corredores e entrei no elevador, apertei o botão 17 e o elevador subiu parando no andar indicado. Sai do elevador e fui andando pelo corredor até chegar em uma sala sem letreiro, abri a porta e joguei a minha bolsa em uma poltrona de frente para uma estante cheia de livros, me joguei na cadeira e comecei a analisar a papelada que estava na minha frente. Olhei para o relógio e este marcava 9:03, não deu nem 5 minutos e bateram na minha porta.

—Entra!

—Senhora, seu cappuccino.

—Pode deixar ai. Milena, pega os relatórios que eu concluí ontem e entregue nas mãos do André.

—Sim, Senhora. Mais alguma coisa?

—Não. Pode ir.

Ela me deu as costas e fechou a porta, peguei o meu cappuccino e beberiquei enquanto olhava aquele monte de papel na minha mesa. O meu celular tocou e eu antendi.

—Alô?

—Senhora O'Hara?

—Sim. Quem deseja?

—Sou Matheus. Estou ligando em nome doutor Claudio para saber se está tudo bem.

—Á sim. Está sim, Matheus.

—Tudo bem então. Só mais uma coisinha, sua consulta foi adiada para a próxima semana, mesmo dia, mesma hora. Tudo bem?

—Pode ser. Obrigada Matheus.

—Nada. Tenha um bom dia.

—O mesmo.

Desliguei o telefone e abri minha agenda no computador, vi que o dia em que ele remarcou a minha consulta era o dia em que eu tinha uma reunião muito importante com os meus acionistas, pelo menos terei uma desculpa para não ir a consulta. Fechei a agenda e voltei para a papelada que estava, coloquei os olhos e comecei a ler um prontuário que haviam me enviado no nome do Ruan, um dos meus acionistas, comecei a me sentir tonta e um pouco ansiosa por não estar conseguindo prestar atenção no relatório e acabava tendo que ler tudo de novo. Me levantei da cadeira e fui até o banheiro lavar meu rosto. Senti uma ânsia de vômito muito forte e resolvi tomar um efervescente, voltei para a sala e peguei a minha bolsa jogando-a em um canto qualquer e sentei na poltrona, comecei a me sentir sufocada, minhas mãos e meus pés estavam frios e suados, tirei um pouco a minha blusa para ver se eu me refrescava um pouco, minha tontura e ânsia de vômito foram aumentando cada vez mais. me levantei e fui e sai da sala.

—Milena, chama um táxi para mim, não estou me sentindo muito bem!

Ela se levantou da cadeira e deixou que eu sentasse, pegou o telefone e fez pedido de um táxi para mim, em seguida entrou na minha sala e trouxe para mim a minha bolsa e, para a minha surpresa, a minha blusa.

—Desculpa Milena. Nem percebi que...

—Tudo bem, Senhora. Quer ajuda para descer?

—Vou querer sim!

Coloquei a minha blusa e pendurei minha bolsa no ombro, descemos juntas até o Hall. Minutos depois o táxi chegou, entrei e fui direto para casa.

Cheguei em casa e fui direto tomar um copo d'água, joguei minha bolsa no sofá e deitei no chão da sala. Acordei ouvindo o barulho do telefone tocar, levantei lentamente esperando a tontura passar e sentei no sofá atendendo o telefone.

—Alô?

—Mô? Está tudo bem?

—Sim. Por que?

—Fiquei preocupado. Liguei para o seu celular e está dando desligado, em seguida liguei para a Milena e ela disse que você havia voltado para casa porque passou mal.

—Atá. Foi um mal estar que eu tive. Já estou melhor, um pouco tonta, mas estou melhor.

—Que bom. Fiz uma reserva para a gente almoçar no Katsuo². O que acha?

—Pode ser. Vou me arrumar então.

—Ok. Esteja linda para mim.

—Pode deixar. Beijos, te amo.

—Também te amo.

Desliguei o telefone e me deitei no sofá, depois de um tempinho levantei e fui para o quarto, liguei o ar condicionado, pois estava me sentindo abafada, e fui para o closet separar minha roupa. Peguei um vestido de seda preto, um cinto azul celeste e um saltinho, levei a roupa para o quarto e fui para o banheiro. Enchi a banheira e fiz um coque bagunçado em mim. Entrei na banheira e deixei a água bater no meu pescoço, relaxei o meu corpo e tirei um cochilo só acordei quando percebi que as bolhas acabaram, saí da banheira e vesti meu roupão. Olhei para o relógio e vi que já era 11:39, calcei o chinelo e fui para o quarto me arrumar, sentei na penteadeira e escovei o meu cabelo deixando ele de lado, me maquilei, peguei a minha bolsa e fui para a sala. Sentei no sofá e fiquei esperando meu marido, ouvi um barulho de chave na porta e em seguida vi a figura de um homem com porte atlético, de cabelos negros e olhos de um azul quase cinza usando calça jeans e blusa social com um sapa tênis usando um perfume com cheiro inconfundível da CK.

—Está linda!

—Obrigada.

—Trouxe uma coisa para você.

Olhei para ele atentamente e o vi tirar da bolsa de couro que carregava na mão uma caixa cinza de veludo com um formato retangular, ele pôs a bolsa na mesa de centro e segurou a caixa com as duas mãos. Olhei curiosa pegando a caixa na minha mão. Abri a caixa e vi um par de brincos e uma gargantilha.

—Safiras?!

—Sim. Para combinar com os seus olhos!

—Obrigada, meu amor.

—Vem cá, deixa eu por para você

Eu me virei e ele colocou a gargantilha e os brincos em mim, me voltei para ele e o beijei.

—Você está linda!

Inclinei a cabeça e dei um leve sorriso para ele, por sua vez ele elevou a mão até o meu rosto e me deu um beijo.

—Vamos? Minha bela dama.

Saímos de casa e entramos no carro. Chegamos no restaurante 12:58, sentamos a mesa que estava reservada para nós e fizemos o pedido de 2 conjuntos de sushi. Enquanto o pedido não chegava, ficamos conversando.

—Cadê o Pedro?

—Deixei ele na casa do Lucas. Algum problema?

—Não, tudo bem.

—Vou te levar a um lugar essa noite, para nós dois relaxarmos.

—Vou gostar disso. Mas com quem o Pedro vai ficar?

—Com a Camila. Ela disse que não se importa.

—Tudo bem então.

Comecei a sentir uma forte tontura, me levantei com a intenção de ir ao banheiro, mas acabei caindo no chão. Meu desespero começou a crescer e uma sensação de pânico começou a me invadir. Olhei ao meu redor e vi as pessoas olhando para mim. Meu coração começou a acelerar, já não conseguia ouvir mais nada, a sensação de pânico e morte neste momento andavam juntas, minha visão foi enturvando, comecei a achar que iria morrer ali, naquele momento, vi o rosto de pânico do meu marido muito rápido, sentia vontade de gritar mas não conseguia, meu coração estava apertado, senti uma mão me segurando pelo braço e a outra afagando o meu rosto, em seguida ouvi a voz do meu marido a gritar.

—Tragam água para cá!

Foi só isso que eu consegui ouvir naquele momento, senti algo molhado escorrendo pela minha testa e mais uma vez ouvi alguém falar.

—Ela está assim a quase 10 minutos, será que vai ficar bem?

Meu coração foi apertando cada vez mais, comecei a ficar sem ar. Senti que naquele momento eu ia morrer, e de fato eu estava morrendo. Senti algo gelado na minha testa escorrendo pelo meu corpo. Senti uma agitação dentro de mim, a agonia, e as diversas sensações foram amenizando. Meus sentidos começaram a voltar, mas a tremedeira e o pânico continuaram.

Notas finais
¹Rivotril - Remédio controlado (acalmante) indicado por psiquiatras. Seu uso exagerado pode levar ao coma e/ou até mesmo a morte. ²Katsuo - Restaurante japonês.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.