Eu acordei muito cedo. Acho que ninguém estava de pé ainda. Acho que perdi o sono por ter dormido à tarde ontem. Bem que meu pai falava que esse negócio de dormir à tarde não dava certo. Mas não me incomodei, afinal estava de férias. Resolvi levantar. Não queria ficar na cama. Se eu ficasse, com certeza, ia ficar pensando naquela ideia do meu pai de adotar outra filha. Cara, eu estava revoltado com aquilo! Eu não queria mais uma irmã. Aquela casa já estava muito cheia pro meu gosto. Claro que eu adorava ter irmão e agora eu tinha ganhado uma companheira, mas eu não podia dizer que não sentia falta do tempo que era só eu e o Carlisle. Ele me dava muito mais atenção, muito mais carinho. Talvez eu estivesse sendo um pouco egoísta... Ok! Eu estava sendo muito egoísta! Mas eu não conseguia evitar. Carlisle me salvou! Mesmo que eu tenha me tornado uma criatura pavorosa e indigna, Carlisle me mostrou um caminho onde eu poderia continuar vivendo sem que a essência de vampiro me corrompesse. Eu devia muito a ele! O admirava de várias maneiras. Ele era meu pai! Não importava que fosse adotivo, era meu pai! E eu gostava de ser mimado por ele, gostava quando ele mostrava que eu era especial, gostava quando sua atenção se voltava completamente para mim. Claro que se alguém desconfiasse que eu penso assim, eu negaria até a morte. Mas como só eu sabia daquela verdade, não me importava. A questão é que se existe algo que eu não sei esconder é ciúme. Até mesmo quando sinto ciúmes da Rose, que é alguém por quem não tenho o hábito de demonstrar sentimentos, eu não consigo esconder. E eu não preciso nem dizer o quanto eu estava enciumado daquela pirralha. Ela seria a caçula! E do jeito que meu pai estava obcecado, provavelmente ficaria cheio de mimos com ela. E sim, aquilo me deixava fulo! Como se já não bastasse a Alice, agora mais uma. Fala sério!

Resolvi tomar um banho para esfriar a cabeça. Continuar pensando naquilo só me deixava com mais raiva. E pensar que eu utilizei um argumento tão bom e não serviu pra nada. Às vezes me irritava quando meu pai usava meus próprios argumentos contra mim. Eu sabia muito bem que poderíamos conviver com aquela garota mesmo ela tendo um poder diferente. Lembro que quando percebi o meu dom, tive sérios problemas para aprender a controlá-lo. E mesmo assim meu pai teve a maior paciência do mundo para me ajudar. Claro que ele sabia quando era falta de controle e quando eu realmente escutava, intencionalmente, o que não devia. Mas em momento nenhum ele me recriminou ou desistiu de mim por conta dessa habilidade “especial”. E eu sabia, melhor do que ninguém, a importância de se ter alguém compreensivo ao seu lado quando se é diferente de alguma maneira. Mas a questão não era essa! A questão é que eu precisava de uma boa desculpa para não ter mais uma irmã. Mas como sempre meu pai conseguiu desmantelar minha linha de raciocínio. Saco!

Terminei meu banho, troquei de roupa e desci para tomar sangue. Eu acordei mal humorado e provavelmente meu dia seria insuportável. Tudo por conta daquela maldita notícia de adoção. Mais tarde eu tocaria piano, isso sempre me acalmava. Entrei na cozinha e dei de cara com meu pai, sentado à mesa lendo jornal. Não era estranho vê-lo acordado tão cedo, mas ainda sim me surpreendi.

– Bom dia Edward. – disse meu pai tirando os olhos do jornal e olhando para mim.

– Bom dia pai. – respondi seco.

Dirigi-me para a geladeira e tirei um pacote de sangue.

– Quer mesmo esse sangue? – meu pai perguntou.

– Posso ficar sem tomar?

– Não.

– Então vai ter que ser esse mesmo. – respondi ainda seco.

– Acho que você não entendeu o que eu quis dizer. – disse meu pai sorrindo.

Fiquei olhando confuso para ele. Ele começou a rir, levantou-se e veio em minha direção.

– Que tal se a gente aproveitasse que todo mundo ainda está dormindo e fossemos caçar?! Só nós dois, como há muito não fazemos.

Eu olhei incrédulo para meu pai. Ele estava mesmo me propondo aquilo? Eu nem lembrava mais quando foi a última vez que caçamos, só nós dois. Sempre íamos com mais alguém da família, o que nos limitava muito. Eu nunca podia correr o quanto eu queria, sempre tinha que acompanhar o ritmo dos outros e isso era um saco. Mas quando era só eu e o meu pai, cara, era o máximo. Ele não tinha problemas em acompanhar minha velocidade e me deixava mais solto. Claro que ainda assim eu não podia fazer tudo que eu queria, mas quando era só com ele era mais fácil conseguir o que queria. Acho que por ele não ter que se preocupar em estar me dando mais do que aos outros filhos, não sei. Só sabia que era bem mais fácil dobrá-lo quando estávamos só nós.

Pela maneira que meu pai gargalhou, provavelmente eu devo ter feito aquela expressão de criança ansiosa para ir ao parque de diversões. Realmente, eu podia sentir que meus olhos brilharam de excitação.

– Sério mesmo? Podemos? – perguntei, ainda sem acreditar.

– Claro, meu filho. Vá colocar uma roupa mais apropriada. E seja rápido, pois se alguém acordar não poderemos...

Nem esperei meu pai terminar de falar, já subi correndo para trocar de roupa. Fui o mais rápido que pude e antes que meu pai pudesse desistir eu já estava pronto. Meu pai abriu um sorriso quando me viu na cozinha, pronto para caçar.

– Ótimo. Vamos pela porta dos fundos, quem sabe não damos uma passada na cachoeira.

Cara! Que bicho tinha mordido meu pai hoje? Se eu já não me lembrava da última vez que caçamos só nós dois, imagina então a última vez que fomos à cachoeira? Aquele lugar era muito especial pra gente. Nós íamos muito lá quando éramos só eu e ele. Não ficava muito longe da nossa casa e era um lugar super agradável. Quase não aparecia humanos por lá, pois havia muitos animais selvagens por ali. Mas para a gente não era problema. E isso nos dava uma liberdade incrível. Podíamos ficar ao sol, nadar à vontade e fazer qualquer outra coisa que na presença de humanos não poderíamos. A melhor coisa era pular da cachoeira. Como aquilo era divertido! E pensar que poderíamos fazer aquilo de novo, fiquei extremamente feliz.

– Vamos? – disse meu pai se dirigindo para a porta dos fundos.

– Só se for agora!

Comecei a correr o mais rápido que podia. Não demorou muito e senti meu pai atrás de mim. Ficava impressionado com o quanto ele era rápido. Na velocidade que eu estava, nenhum dos meus irmãos conseguiria me pegar. Só meu pai conseguia aquilo. Claro que por um lado isso era péssimo, afinal eu nunca conseguiria fugir dele. Mas naqueles momentos isso era extraordinário. Corríamos pela floresta, passando por várias árvores gigantescas. Senti a brisa em meu rosto e sorri. Cara, aquela sensação de liberdade era a melhor! Sensação de que eu podia fazer o que quisesse, qualquer coisa. E saber que meu pai estava comigo me dava a maior segurança do mundo. Não tinha como eu estar mais feliz.

– “Ei garotão! Vai com calma, precisamos procurar nossas presas.” – meu pai pensou para mim.

Parei por um instante e meu pai parou também. Fechei meus olhos e me concentrei no olfato e na audição. Não era difícil achar uma presa em um lugar daqueles, mas era difícil se concentrar. Era tão fácil se perder no som das águas correndo, das folhas se mexendo com o vento, dos pássaros cantando. Era magnífico! Mas precisava me concentrar em achar uma presa. Senti que meu pai se moveu e rapidamente agarrou sua presa. Era um cervo relativamente grande, daria muito sangue. Pensei que meu pai estava fazendo aquilo por mim, eu realmente detestava quando eu sugava o sangue do animal já morto. Era realmente chato. Não que fosse ruim, só que matar o animal era o mais emocionante.

– Você não vai caçar? – meu pai me perguntou, surpreendendo-me.

– Ah... Vou sim.

Sorri. Tentei me concentrar novamente e não foi difícil encontrar uma presa. Era um veado. Pequeno, mas extremamente divertido de abater. Por quê? Ele corria! Corria como se pudesse ser mais rápido. Eu deixava que ele corresse por um tempo, só para não perder a graça. Não demorei muito e cravei minhas presas naquele pescoço. Senti aquele gosto descendo pela minha garganta. Que delícia! Eu não estava exatamente com sede, mas bebi como se estivesse sedento. Não me demorei muito e terminei com aquilo. Seria o suficiente. Virei para meu pai, que me olhava com um sorriso no rosto. Também sorri pra ele.

– Só vai tomar isso? Tem certeza que não quer mais? – ele me perguntou.

– Acho que já está bom. Estou satisfeito. – respondi limpando um pouco do sangue que escorria nos cantos dos meus lábios.

– Então vamos até a cachoeira. Ainda temos tempo.

– Podemos nadar? – perguntei, receoso em receber uma resposta negativa.

Meu pai olhou em seu relógio e ficou um tempo refletindo.

– Acho que não tem problema. Seus irmãos devem demorar mais um pouco a acordar. – corri para abraçar meu pai.

– Valeu.

– De nada, meu filho. Acho que estava te devendo isso. Faz tempo que não fazemos algo assim, não é?

Eu não conseguia me conter, tamanha alegria que estava sentindo. Parecia que meu pai é quem tinha o dom de ler pensamentos. Era justamente o que eu mais queria! Só eu e ele naquela cachoeira, nadando. Era como nos velhos tempos. Será que ele sabia o quanto eu sentia falta daquilo? Provavelmente sim, afinal era meu pai. Ele sempre sabia tudo da gente. Em certos momentos, como aquele, isso era bom, mas em outros era uma tremenda falta de privacidade. Se bem que naquela casa o que não existe é privacidade. Mas a gente acabava se acostumando, pois criava um clima e um sentimento de união muito fortes.

Soltei meu pai e olhei para ele divertido. Uma ideia me passou pela cabeça.

– Que tal apostarmos uma corrida? O primeiro a chegar pula da cachoeira primeiro. – falei animado.

– Fechado.

Assim que meu pai terminou de falar, saiu correndo. Trapaceiro! Corri logo em seguida. Como tínhamos uma velocidade parecida, era difícil alcançar meu pai depois que ele já tinha tomado distância. Então tive que dobrar minha velocidade para alcançá-lo. Como a cachoeira não era tão longe, não demoramos muito para chegar. E, por incrível que fosse parecer, eu ganhei. Nem sequer vi quando eu tinha ultrapassado meu pai, só sei que cheguei poucos milésimos de segundo antes dele. Se eu pudesse suar, com certeza estaria todo molhado e ofegante. Não me lembrava de ter corrido tanto assim.

– Mesmo tentando trapacear você não conseguiu. – disse me gabando.

– Eu deixei você ganhar. – meu pai respondeu sorrindo arrogantemente.

– Não deixou nada!

Meu pai gargalhou e eu acabei fazendo bico. Claro que não fiquei emburrado com aquilo, sabia que ele estava só brincando. Mas tinha se tornado um hábito meu fazer bico quando contrariado. Talvez fosse por isso que minha mãe vivia me chamando de bebê. Sim, eu gostava desse mimo, apesar de ser completamente constrangedor. Outra coisa que jamais admitiria. Acabei sorrindo também.

– Bom, agora vou aproveitar meu prêmio. – falei já tirando a blusa.

– Espera. Antes da gente nadar, será que podemos conversar um pouco? – meu pai perguntou.

Eu sabia que toda aquela gentileza tinha algum significado. Não que meu pai não fosse gentil, só que hoje ele estava demais.

– Tudo bem. – respondi um pouco desanimado.

Meu pai me encaminhou pra uma grande pedra que tinha próximo ao rio. Sentamos sobre ela e ficamos um tempo em silêncio, apenas aproveitando a linda vista. O dia estava bonito, o sol brilhava no céu. Como não tinha nem sinal de humanos por perto, não tinha problemas ficarmos sob a luz. Olhei para meu pai, que até então estava calado e com o semblante mais sério que o necessário. O que será que ele queria falar? Para ser em particular, provavelmente não era um assunto qualquer.

– Filho, eu vou começar dizendo o quanto você me deixou orgulhoso ontem. – ele disse calmo e eu olhei para ele ainda mais confuso. — Fiquei feliz ao ver que você se importa com a segurança e o bem-estar da nossa família, mesmo que indiretamente.

Ainda estava confuso. Do que raios ele estava falando? E onde ele queria chegar com aquela conversa? Desconfiava que aquele assunto seria extremamente chato. Ele olhou para mim e, como se percebesse minha confusão, sorriu e continuou.

– Estou falando do que disse a respeito da adoção da garota.

Ah! Então era sobre isso que ele queria falar! Saco! Estava bom demais para ser verdade. Eu tinha até me esquecido daquele assunto. Por que ele queria conversar sobre aquilo? E por que comigo em particular? E o que ele quis dizer com “se importa com a segurança e o bem-estar da nossa família, mesmo que indiretamente”?

– Pai, não entendo. Aonde quer chegar? – perguntei já começando a ficar impaciente.

– Só queria dizer que me agradou muito que você tenha usado aquele argumento. Devo dizer que não esperava.

– Como assim? – aquela conversa estava começando a me irritar.

– Pensei que teria mais problemas com você do que com a Bella. Afinal, você sempre foi o mais ciumento.

– Paaaiii, não é essa a questão! – reclamei. Sabia que ia acabar chegando nesse ponto.

– Essa é a questão sim, Edward. Você sempre fez show quando alguém entrava para a família. – ele falava divertido, o que me deixava ainda com mais raiva.

– Não é verdade. – fiz bico.

– Você sabe que é, bebê. E eu até acho fofo isso em você. – meu pai começou a rir e eu fiquei extremamente sem graça.

Ok! Eu gosto de ser mimado, mas em certos momentos eu realmente detestava quando meu pai me tratava como se eu tivesse cinco aninhos. Era realmente irritante!

– Sei que ontem você queria dar seu showzinho de ciúmes, mas fiquei feliz de você usar um argumento como aquele.

– Mas eu realmente penso daquele jeito pai.

– E sabemos que não é por conta exclusivamente daquilo que você não quer ter mais uma irmã.

– Pai, não é isso! É só que...

Nesse momento algo me interrompeu. Alguma coisa caiu no rio. Tanto eu quanto meu pai nos surpreendemos, pois estávamos distraídos com o assunto. Esperamos que algo aparecesse e qual não foi a nossa surpresa ao ver aquela garota. Ela tinha pulado da cachoeira! Saco, eu queria ter feito aquilo, mas meu pai tinha que começar com aquele assunto. E o pior, a gente tinha que ser interrompido justo por ela. Droga! Ela já estava começando a me irritar! Nem tinha entrado pra família ainda e já estava atrapalhando um momento meu e do meu pai. Isso definitivamente não acabaria bem.

Olhei para meu pai e ele estava surpreso e feliz ao mesmo tempo. Irritei-me ainda mais. Voltei-me para a garota. Ela ainda estava no rio, olhando para nós sem nenhuma expressão no rosto.

– Estou começando a achar que você está me perseguindo. – ela disse para meu pai.

– Eu já disse que o destino não te quer longe de mim.

– E eu já disse que faço questão que esse destino seja mudado.

Ela começou a nadar em nossa direção. Por que raios ela estava vindo até nós? Ela não poderia fazer como da última vez e fugir?

Quando ela saiu da água, fiquei um tanto quanto boquiaberto. Ela usava apenas uma lingerie preta. Seus cabelos brancos estavam grudados no corpo. Ela era muito magra! Tinha curvas bem definidas, mas parecia até desnutrida. E em seu corpo havia diversas cicatrizes, provavelmente adquiridas quando ainda era humana, afinal é difícil deixar marcas em um corpo de vampiro. Fiquei me perguntando que tipo de vida humana ela deve ter tido para conseguir tantas cicatrizes.

– “Meu Deus! Quantas cicatrizes! Essa garota precisa de mim!” – ouvi meu pai pensando.

Saco! Quanto mais ela aparecia, mais meu pai ficava obcecado com aquilo. Eu tinha que dar um jeito dessa pirralha sumir.

– Você considerou minha proposta? – perguntou meu pai, me tirando de meu devaneio.

– Eu pensei que já tinha respondido. – ela respondeu de maneira bem atrevida.

– Você fugiu!

– Por que eu fugiria de alguém como você? – a maneira dela de falar era muito irritante, tamanha a arrogância que ela parecia ter.

– Porque você tem medo de ser amada.

Ela gargalhou alto e de um jeito bem debochado. Qualquer um dos filhos de Carlisle Cullen que ousasse rir daquela maneira, com certeza estaria encrencado. Fiquei me perguntando se meu pai estava se segurando para não dar uma bronca naquela garota. Ela nitidamente o estava desafiando.

– Essa foi a coisa mais estúpida que eu já ouvi. Medo de ser amada?! Só pode estar brincando. – ela disse, agora séria.

– Você acha que eu não percebi seus olhos cheios de veneno quando eu te abracei? – agora meu pai levantou uma sobrancelha, como se também desafiasse a garota.

– Você não sabe de nada! – ela falou firme e revoltada.

– Tem razão! Eu não sei de nada... Ainda. Quero que me dê a oportunidade de saber e poder fazer algo por você.

Meu pai continuava insistindo. Olhei para a garota e vi que ela estava começando a ficar balançada. Se meu pai continuasse demonstrando aquele carinho e determinação, provavelmente ela cederia. Eu não podia permitir.

– Pai, para com isso! Eu já te disse que ela não é uma vampira qualquer! Pare de tomar decisões sem pensar! – disse bem sério, queria deixar claras as minhas intenções.

– Edward, eu já disse que só pelo fato de você não conseguir ler a mente dela não significa que ela seja diferente. – meu olhou severamente para mim.

– Seu filho tem razão. Eu não sou uma vampira qualquer, embora o fato dele não conseguir ler minha mente não tenha nada a ver com isso. – a fala dela me irritou de uma maneira impressionante.

– Você acha que pode bloquear meus poderes assim, do nada? Quem você pensa que é? – respondi meio que rosnando.

– Não me leve a mal. Sei controlar muito bem minha mente. – ela falava sem nenhuma emoção.

– Acha que vou acreditar nisso?

– Quer mesmo que eu te prove? Não será nada agradável.

– Não preciso da sua compaixão.

Ela fez uma cara de “não reclame depois” e ficou em silêncio. Eu realmente me arrependi de ter duvidado. Ela liberou sua mente para que eu pudesse ler e, como ela mesma disse, não foi nada agradável. As cenas que se passavam em sua mente eram pavorosas. Eu via pessoas gritando, vampiros a atacando, ela sendo torturada. Era horrível! A maior parte das imagens era de lutas que ela travou com vampiros. No fundo eu ouvia uma voz dizendo desesperadamente: “Chega! Para! Eu não quero mais isso! Apenas me mate! Por que não consegue me matar? Se você não consegue, então eu te matarei!”. Parecia completamente contraditório. Se ela queria morrer, por que simplesmente não deixava que a matassem? Por que ela lutava? As imagens não paravam. Vi cenas de quando ela ainda era pequena, provavelmente ainda humana. Que horrível! Ela apanhava quase que o tempo todo de um homem bastante musculoso e com uma cara assustadora. Ele batia nela sem a menor piedade. E ela parecia lutar com ele algumas vezes, como se estivessem treinando. O que aquilo queria dizer? Quem era ela? Por que quando humana ela teria uma vida daquelas? E as cenas não paravam. Passavam rapidamente, mas eu consegui ver perfeitamente cada situação. Cenas em que ela se queimava usando seu dom. Em uma ela chegou a queimar quase que o corpo todo, provavelmente quando ainda não tinha controle sobre o dom. Era muito sofrimento! Não havia uma imagem sequer dela sorrindo ou em uma situação de paz. Tudo que eu via era luta, sangue, gritos, desespero, sofrimento. Aquilo era perturbador! Será que ela pensava naquilo o tempo todo? Será que aquelas lembranças a perseguiam 24 horas por dia? Quem aguenta viver daquele jeito? A última cena que eu vi foi de uma garota, que reconheci sendo ela, sentada sozinha na chuva chorando. Ela ainda era humana e um de seus olhos sangrava. Depois disso eu parei de ver. Senti que ela bloqueou sua mente de novo.

– E então? Satisfeito? – ouvi-a falando.

Eu fiquei estático, olhando para o nada. Senti uma única lágrima escorrer do meu olho direito. Eu estava chocado. Eu não esperava ver aquilo. Eu queria não ter visto aquilo. Era realmente muito triste. Não podia acreditar que ela realmente não tivera um mínimo de carinho e afeto! Era muito surreal! Depois de ver aquilo, algo mudou em mim. Senti um sentimento de compadecimento nascer.

– Edward! Edward, meu filho! Está me ouvindo? – meu pai me sacudia e falava em tom preocupado.

Provavelmente eu devia estar com uma expressão bem estranha para que meu pai estivesse preocupado daquela maneira. Eu ainda estava paralisado.

– O que você fez com ele? – meu pai perguntou bastante sério.

– Sinto muito, não achei que seria tão chocante. – ela respondeu agora em um tom bem melancólico. – Será que agora você entende porque não posso aceitar sua proposta? Eu não sou uma vampira qualquer! Vocês não me conhecem! Só trarei problemas. Por favor, me deixem em paz!

Eu senti uma pontada no peito quando a ouvi falando. O que era aquilo? O que era aquele desejo que eu estava sentindo? Eu queria proteger aquela garota? Eu mudei minha maneira de pensar só por ter visto aquelas lembranças? Pra onde foi o ciúmes que eu estava sentindo? Será que eu estava considerando o fato dela precisar mais do amor e carinho do meu pai do que eu? Eu ainda não entendia, mas ver que ela se virou para ir embora me deixou aflito.

– Espera! – eu disse, surpreendendo não só ela como também meu pai. – Fica com a gente. Você precisa de nós. – não sabia por que estava dizendo aquilo, apenas senti que precisava dizer.

– Você tem problema? Você acabou de ver as coisas pelas quais eu passo! E ainda sim me quer em sua família? – ela parecia incrédula.

– Tem certeza, Edward? – meu pai me perguntou, como se quisesse confirmar algo.

– Pai, eu era contra. Mas depois do que eu vi, não sei. Eu acho que entendi o que a Lice e o Jasper queriam dizer com “não tem ninguém melhor que você para ajudá-la”.

Meu pai sorriu para mim e beijou o topo da minha cabeça.

– Você ouviu, não é? Queremos você com a gente! – disse meu pai à garota.

– Vocês são loucos! Só pode ser isso! – ela ria nervosamente.

– Não somos loucos. Só queremos te dar a chance de ser feliz. – meu pai insistiu.

– Você não tem nada a perder com isso. – eu disse tentando reforçar.

Ela passou a mão pelos cabelos molhados. Aquele gesto lembrou muito meu pai. Sorri, ela já parecia filha dele.

– Venha. – meu pai sorriu para ela e lhe estendeu a mão.

Ela agora parecia com medo. Eu não conseguia entender sua relutância. Apesar de ter visto aquelas lembranças, não entendia o que ela estava sentindo. Por que ela não queria se dar a chance de ter uma vida tranquila? Ela nos olhava de maneira desconfiada, mas percebi que ela estava cedendo. Ela fechou os olhos e ficou um tempo em silêncio. Como sua mente estava bloqueada, não tinha como saber o que ela estava pensando. Fiquei ansioso.

– Eu não quero! Mas já que vocês não vão desistir, pelo que estou vendo, tenho uma proposta a fazer. – ela disse.

– Qualquer coisa. – disse meu pai.

– Uma semana. Vou passar uma semana com vocês. Se até o final vocês não desistirem, eu aceito entrar para a família.

Meu pai sorriu e eu também. Se tinha uma coisa que nós sabíamos era ser persistentes. Já podia considerá-la minha irmã.

– Pode nos dizer seu nome agora? – perguntou meu pai.

– Sophie. Sophie Charlote Deneuve.

– Sophie. – meu pai repetiu, mais para si mesmo. – Seja bem vinda a família Cullen.

Continua...

Notas finais
Yoo pessoas ^^/ Finalmente a garota se revelou XD!! E aí? Gostaram? Consegui deixar vcs curiosos com o passado dela? Nyah... Digam-me XD!! Espero realmente estar conseguindo corresponder às expectativas ^^!! Qria deixar um agradecimento especial à Sarinha Miyuki q tem me motivado de uma maneira mto forte XD!! Mto obrigada msmo XD!! Bom... Não tenho muito mais a dizer XD!! Enton, até o próximo o/