Lágrimas De Sangue

3 Capítulo Dois- Alma determinada


Notas iniciais
Mais um capítulo pronto, boa leitura!

Todos estavam degustando o espaguete que acabamos por ter que fazer por nós mesmos, já que Papyrus nunca chegava, provavelmente ocupado com seus treinamentos para entrar na guarda real. Senti que não estava mais aquele clima pesado entre eu e Sans. Fazer uma bagunça na cozinha para obter aquele espaguete fez bem para nós dois. Demos algumas risadas, e ele pareceu se esquecer das dívidas que eu tinha com seus amigos e com ele próprio, bem, pelo menos temporariamente. Sans até retornara com sua personalidade de comediante, fez algumas piadas inconvenientes com ossos e espaguete, e até sujou eu e Frisk com molho de tomate enquanto estávamos distraídas.

—Esse espaguete tá SANSacional, não acham?

Frisk caiu na gargalhada. Eu apenas dei um sorriso de leve, não queria que ele pensasse que eu era fácil de ser entretida, nem que suas piadas ridículas me interessavam de alguma maneira, apenas queria mostrar que eu estava ali, e queria ser amiga dele.

Sans pegou um vidro de mostarda e tomou metade em um gole só, confesso que me assustei, mas logo me lembrei de que no mundo dos monstros era muito comum mostarda ser comparada com uma bebida alcóolica humana, ficava feliz com aquilo, visto que álcool me enojava. Beber mostarda não parecia nada nocivo, eu até tentaria tomar algum dia desses.

—Quantos anos vocês tem aproximadamente?

Poderia ser uma pergunta inconveniente, mas eu gostaria de saber em que fase da vida eles estavam, vê-los novamente tão mudados me fazia crer que estavam bem mais velhos do que quando os conheci no outro mundo.

(Frisk)—Nossa, faz muito tempo que não conto, viu? Aqui não nos importamos muito com a idade, nem se quer temos documentos, mas acho que posso ter uns quinze anos, mais ou menos.

Sans pensou muito antes de responder, até demais. Imagino que por ser um ser mais antigo, talvez seja muito mais velho do que aparenta, mas isso é apenas uma teoria minha, que pode ser quebrada visto que aquele mundo não tinha nada a ver com as outras linhas do tempo.

(Sans)—Como Frisk disse, não contamos idade, mas digamos que eu tenha por volta de vinte e dois anos, Papyrus é meu irmão mais novo, então ele deve ter vinte, mais ou menos.

Quem conhecia Papyrus com certeza não daria mais de doze anos para ele. Tinha a alma de uma criança, apesar de ser muito egocêntrico e presunçoso. Sua estrutura também não condizia com a de uma criança, ele era bem mais alto que Sans, e com certeza em sua forma humana suas expressões são de uma pessoa mais velha.

(Sans)—Mas por que perguntou isso?

O rapaz pareceu ficar alerta por um tempo, ele me fitava com um olhar desconfiado, ouvi Frisk sussurrar para que se comportasse, dizendo que foi apenas uma pergunta normal.

(Frisk)—Nós deveríamos dar uma visitinha pra rainha, ela vai adorar saber que tem alguém novo no vilarejo, você irá amar ela Clara! Ela é muito fofa, carinhosa, amável, ela é tudo!

(Chara)—Eu adoraria. Algo me diz que até já conheci ela em outra vida.

Acabei me empolgando demais e soltando o que não devia, fiz com que Sans ficasse ainda mais desconfiado, ou que apenas se lembrasse do rancor que sentia por mim.

(Sans)—Vamos, Papyrus deve estar lá também, em mais um de seus treinamentos inúteis com Undyne. Não sei quando ele irá aprender que aquela estranha está apenas brincando com os sentimentos dele.

(Chara)—Sentimentos? É por ela que ele está apaixonado?

—Ficou maluca? Além de psicopata é retardada? Eu nunca deixaria meu irmão se apaixonar por um projeto de assassina.

Era verdade que Sans nunca gostou de Undyne, pelo fato de seu irmão sempre tentar se espelhar na mulher, pelo motivo de ela ser vista com muita honra no reino por ser a encarregada da guarda real, pelo menos na outra realidade.

—Há muito tempo venho tentando guardar a pureza de Papyrus, mas agora que estamos nesse mundo humano, está se tornando uma tarefa difícil.

O rapaz parecia murmurar consigo mesmo, apenas pensando alto. Frisk não pareceu ouvir, visto que naquele momento ela parecia estar ocupada fazendo um chá, mas graças aos meus ouvidos consegui escutar por mais inaudível que fosse.

—Como? Vocês não nasceram aqui?

—Seus ouvidos te ajudaram muito para matar seres inocentes também?

Fui cortada com agressividade. Resolvi ficar quieta e não incomodá-lo por enquanto com perguntas ousadas. Frisk aparentava estar desligada do mundo ao redor enquanto fazia o chá, algo que Sans agradeceu, pois a intromissão da amiga não o agradava.

—A verdade é que Undyne encoraja muito meu irmão para ser como ela, sempre contando mentiras de como ele será o próximo sucessor da guarda real, entre outras loucuras, mas todos sabemos que não é verdade, Papyrus não serve para isso, ele é inocente demais para machucar alguém em troca da proteção de todos.

Decidi não dar opinião alguma, qualquer coisa que falasse poderia irritar Sans, e com certeza não era isso que eu queria, mas em partes, eu concordava com ele, Papyrus sempre fora muito bobo-alegre, definitivamente não servia para ser um guarda sanguinário em busca de almas ruins.

(Frisk)—Fiz um chá de boas-vindas! Gosta de hortelã Clara?

(Sans)—Por que está tentando encher ela de chá? Sabe que quando chegarmos ao reino o rei irá oferecer chá de flor dourada, que é muito melhor que o seu.

Os dois trocaram olhares desafiadores, algo que eu francamente não entendi. Apenas busquei tomar um pouco do chá de Frisk, enquanto fazia minha melhor cara de quem estava gostando do sabor.

Após eu e Sans sermos obrigados a tomar no mínimo quatro xícaras de chá, saímos do vilarejo e fomos em direção ao castelo do reino, que ficava muito mais longe do que eu imaginava. Algo que me chamou muito a atenção foi os lugares em que passamos, que lembravam muito os locais do subsolo, como Snowdin, Waterfall ou Teraquente, a única diferença é que as estações não mudavam conforme andávamos, apenas o cenário, que aparentava ser uma cópia perfeita do underground.

Em certo local, percebi alguns telescópios e deduzi que fosse aquele lugar em Waterfall onde o teto era adornado por estrelas artificiais. Agora todos os “monstros” podiam ver estrelas de verdade e até o universo em primeira mão. Por estar claro, não havia ninguém ali, mas eu já imaginava que quando anoitecia os aldeões faziam filas para ter seu pequeno pedaço de céu.

(Chara)—Aqui deve ficar muito lindo quando anoitece. Muitas famílias devem se reunir para ver o céu de pertinho, nem me recordo de como eram as estrelas...

(Frisk)—Elas são realmente lindas, mas como assim, não se recorda? Pensei que o céu podia ser visto em todos os lugares do mundo. Enfim, em alguma noite podemos vir aqui para apreciar as estrelas!

A última vez que eu havia visto as estrelas foi há muito tempo atrás, para falar a verdade, há muitas linhas do tempo atrás, muito antes de conhecer meus amigos e família monstro, quando eu ainda morava em uma vila parecida com a que Frisk e Sans vivem. Já não me recordava mais nem o que era noite, tudo o que havia em minha memória eram fragmentos perdidos das linhas do tempo anteriores, mas nada da minha antiga vida humana.

Continuamos o caminho e chegamos ao que parecia ser Teraquente em uma versão humana, o local parecia bem quente, mas não havia lava e nem mesmo algo perigoso que pudesse queimar alguém vivo, apenas um solo seco e nenhuma vegetação presente. Alguns aldeões passeavam pelo terreno e olhavam em algumas crateras. Senti-me curiosa e tive que olhar também, para ver o que havia dentro daquelas escavações.

(Frisk)—Cuidado Chara, esses lagos tem uma temperatura muito elevada e podem queimar a pele.

Apesar da repreensão de Frisk, fiquei encantada em chegar cada vez mais perto de um lago verde fluorescente, que apesar de aparentar ferver a ponto de quase sair fogo do mesmo, havia alguns pequenos peixes habitando ali.

(Sans)—Deixe-a Kiddo, se morrer será um favor para mim.

(Frisk)—Sans! Dá para ficar quieto como esteve o percurso todo?

Sans calou-se como um cachorrinho obedece a seu dono. Ele parecia respeitar até demais a pequena Frisk, eu suspeitava desde o inicio que os dois sentiam algo um pelo outro. A mais jovem nunca fora tão simpática, tão extrovertida, minha suspeita era que a presença do mais velho libertava nela uma personalidade especial, sempre buscando ser gentil e sociável.

Caminhamos até chegarmos a uma árvore gigantesca, pela primeira vez, algo diferente do subsolo, não entendi o porquê da planta possuir uma porta de aproximadamente dois metros, mas achei melhor não fazer perguntas àquele ponto.

(Frisk)—Você se lembra dos poderes de Sans, Clara? Digamos que nosso mundo humano é um pouco diferente dos outros, nesse possuímos magia, mas ela somente é vista por criaturas mágicas como Sans, eu e você, e alguns outros humanos especiais. O reino está a uma distancia incalculável daqui, então usamos esse lindo transporte para chegar até lá. Não me pergunte como uma árvore pode nos transportar, apenas entenda que ela é um bom disfarce repleto de magia.

(Sans)—Grande coisa, como se eu não conseguisse me transportar sozinho sem a ajuda de uma árvore idiota.

(Frisk)—Seu modo é muito perigoso.

(Sans)—Apenas causa umas tonturas, nada muito osso duro.

Piadas com osso não, por favor. Frisk sorriu por um momento, mas voltou a ficar séria. Minha expressão não se alterou nem um milímetro, adorava poder mostrar que meu humor era dificílimo de ser conquistado.

(Frisk)—Não estava falando das tonturas.

Frisk apertou um botão escondido e a grande porta se abriu. Após todos nós estrarmos na estrutura, percebi que nada mais era do que uma simples árvore com um espaço no meio, com exceção de uma luz vermelha que emergia da madeira.

(Frisk)—Todos os humanos que possuem poderes tem uma cor própria para sua magia, Sans tem a cor azul, a minha é a vermelha, dizem também que essa cor corresponde também ao tom da alma do humano. Apesar de ser um desses casos especiais, meus poderes não tem nada de tão impressionantes quanto os de Sans, eu apenas tenho a força da determinação.

(Chara)—Eu entendo um pouco sobre determinação... Em alguns tempos atrás já fui muito atrás dela.

(Sans)—E pense em uma criatura que fez de TUDO para consegui-la.

Eu já estava cansada de Sans me mandando indiretas sobre meu passado. Ele não conseguia entender que antes eu era uma criatura vazia e sem alma, assim como Asriel que foi aprisionado em uma flor. Minha Alma nunca foi má, apenas minha essência, e eu queria mudar aquilo, queria poder ser amiga de todos novamente e não deixar aquele ódio me dominar.

Frisk parecia confusa com essas indiretas, visto que ela não era capaz de saber o que havia acontecido nas outras linhas do tempo, e era melhor assim, saber que a pessoa que estava acolhendo com tanta gentileza um dia havia a matado, não seria nada agradável. No inicio pensei que Frisk podia se lembrar do passado, sendo que algumas linhas do tempo ela mesma havia resetado, mas com todos os erros excluídos, a memória dela parecia ter sido apagada também.

Pudemos ouvir um som suave, indicando que havíamos chegado ao destino. Saber que eu encontraria meus pais e consequentemente Asriel era algo incrível, e estava consumindo minha alma com DETERMINAÇÃO.

Notas finais
Obrigada por lerem, por favor deixem comentários e digam o que acham da fanfic! Ficarei mais feliz e determinada em continuar. Até o próximo capítulo!