Os dias se passavam e Astréia chegou a conclusão de que era hora de visitar Atena e seus cavaleiros.


Sentiauma sensação estranha quanto a rever o sexto guardião.


- E ainda não percebeu que sensação é essa?


- Eros! O que faz ouvindo meus pensamentos? Este é meu Santuário, no qual foi proibido pelo próprio Zeus de entrar!


-Minha ausência não faz bem a este lugar.


- Muita prepotência de sua parte dizer isso.


- Ora, sem mim você não existiria. Sua fama é de ter fugido de mim.


- De ter fugido de tudo...


- Não seja dura... –ele cantarolou- Nem mesmo seu seguidor existiria, Shaka não é mesmo?


- Não com essa marca... –ela ignorou a pergunta dele.


- Me despreza por ser filho de quem sou? Da luxuria e da guerra?


- Sua mãe não tem esse encargo...


-Está cada vez mais perto dele, se eu disser a verdade a você. E seu pai também não é nenhum santo.


- Eu sei. –ela acariciou as tulipas eternas que foram plantadas em seu jardim por Hypnos, um presente de Perséfone, a quem reclamara certa vez da efemeridade das flores que tanto gostava-Você é fiel, pelo menos.


- Psiquê não pode reclamar. Percebe? Como precisa de mim? Como não sou horrível como pensa? Me deixe te tocar...


- Está tentando me persuadir? –ela adotou uma postura ofensiva rapidamente ao perceber as segundas intenções nas palavras melodiosas dele- Sabe quem sou?


As flores que estavam próximas a ela morreram quando ela se voltou para Eros.


- Saia daqui!


- Pense no que te disse Astréia.


Quando ele saiu, ela caminhou ate um banco e se sentou. Porque estava se tornando tão difícil?


E não podia recorrer a sua mãe, Têmis fora bem clara...


“- Está cometendo um erro filha.


- Eles precisam de nossa ajuda mãe!E se deu certo com Ceres...


- Ceres pagou o preço.


- O que aconteceu com Coré...


- Perséfone.


- Que seja! Foi lamentável, mas não tem nenhuma relação quanto a Ceres auxiliar a criação de Prometeu!


- Seu pai os odeia!


- Não! Se assim fosse, jamais mandaria Atena, ela é sua filha favorita.


- Não mandaria Pandora também...


- Mãe... Estou decidida, você não vai me impedir.


Atravessou o portal, não sem antes olhar para trás.”


Apesar de, na época, ter se arrependido da própria escolha, tinha feito o certo.


Seu pedido de algum tempo atrás só fora atendido pois Atena precisava de seus cavaleiros, e nisso Têmis concordava com ela.


Era melhor falar com Atena primeiro, concluiu.


- Pode me ajudar?


- O que há Astreia?


- Não... Estou ficando sem forças para lutar contra Eros.


- A luta eterna de vocês está terminando.


- Eu não vou ceder!


- A justiça tem de ser flexível como o junco Astréia, e ceder ao impulso da tempestade.


- A tempestade vai passar!


- Se desde seu nascimento ele te persegue, o que a faz pensar que ele desistirá agora?


- Ahh, não agüento mais isso!


- Ouça as palavras de quem se permitiu tocar Astréia...


- Você...?


- Os homens são seres muito especiais e há muito que me percebi amando um cavaleiro mais do que os outros...


- Quem...? – Astréia estava mortificada.


- Seiya. –ela olhou para o horizonte pensativa e Astréia sentiu uma pontada de nojo.


- Ele está mesmo me cercando mais do que nunca.


- Pela regra você não pode ficar aqui –continuou Saori, ainda sem se voltar para Astréia- A não ser que fique em Virgo, com seu discípulo.


O semblante de Astréia se modificou levemente, como se... Não, pensou Saori, Eros era terrivelmente inteligente, mas não a esse ponto. Ela o deixara a tocar,mas Astréia e Vesta eram esguias e sempre se mostravam atentas as artimanhas do amor, com a obvia ajuda das moiras, entra as quais Cloto se revelava uma aliada muito útil.


- Atena?


- Sim?


- Ficou distante por um momento...


- Está tudo bem. Agora vá.


- Não vai ser por muito tempo...


- Astréia!


- Sim?


- Muito obrigada.


- ...?


- Foi citado a interferência dos regentes, e sei que isso é coisa sua.


- Ah... Não foi nada.


- Mas eles não eram sua responsabilidade e... –Saori estremeceu- E pensei que nunca voltaria a ajudar os humanos.


Astréia assentiu e saiu, silenciosa.


Camuflou o próprio cosmo e atravessou as doze casas, ate chegar a sexta.


- Olá Astréia.


- Shaka...


- Creio que demorou para tomar essa decisão,não é?


- Hã...?


- Está fugindo de Eros de novo? Sente-se.


- Vou ficar um pouco aqui, está bem?


- Claro.


- Sabia que estaria...


- Está com sede? Não tenho néctar, mas posso oferecer vinho e mel.


- Pode ser.


- Estava te esperando.


- Estava?


- O ultimo elo da trindade. –disse ele entregando a taça- Vesta veio aqui faz dois dias.


- Estou atrasada? – ela questionou.


- Não, os outros estavam adiantados.


Eles riram.


- Shaka, quero te pedir um favor.


- Existe uma condição...


- Que não prejudique Atena...


- Caso o contrario, o que você quiser.


Ela sorriu. Ouve isso dele desde que veio ao Santuário e conheceu sua missão, mesmo antes de Atena reencarnar.


- Deixe-me ver seus olhos.


- O que...?


- Me desculpe, mas eu...


- Não precisa se justificar. –ele se aproximou e fitou as feições delicadas da deusa de mechas loiras.


- Faziam exatamente treze anos que eu não olhava em seus olhos. – ela comentou, bebendo mais um gole de vinho.


- Agora eles carregam mais historias, mais pesar e bem menos inocência. Foi a ultima vez que veio a Terra não foi? Me acompanhou quando cheguei ao Santuário.


- Não me lembre de coisas que eu poderia ter evitado. –ela fechou novamente os olhos dele.


-Ah, eu também deixei de evitar muita coisa. –ele resmungou.


- Podíamos nos parecer em algo melhor... Minha mãe tem ótimas lembranças do outro regente, Asmita, mas sempre achou que você gostava de contradizer nossos princípios.


- E o que você acha?


- Asmita era ótimo... Mas vocês são pessoas diferentes, tem todo direito... De qualquer forma, a culpa é minha, eu fugi.


- Mas já superou isso. Eu também superei meus erros e estou certo de que não vou os cometer novamente senhora. E isso nos faz iguais.


- ...Fala com tanta segurança que eu quase acredito. –ela zombou.


- É porque estou ao seu lado.


- Shaka, a gente tá descendo pra...


Milo e Aiolos invadiram a sala, de peito aberto, e Astréia corou até a raiz dos cabelos.


- Astréia, venha comigo, vou mostrar onde vai ficar por enquanto. Desculpe a situação, não estão acostumados...


Shaka mostrou para Astréia um quarto da casa que estava desocupado e voltou para a sala.


- O que...?


- Vocês deveriam tomar mais cuidado. Estão indo treinar?


- Sim, o Aiolos queria aproveitar pra conversar com o Saga... A propósito, quem era aquela?


- Minha regente, Astréia.


- Ela é linda.


Milo e Shaka se voltaram para Aiolos, que até então estava calado.


- É um elo da trindade. O Shaka sempre tem esse tipo de visita.


- O que quer dizer com isso Dohko? – Milo indagou ao recém chegado.


- Nada de significativo. –retalhou Shaka.


-Que não é a primeira deusa a visitar Shaka essa semana... –riu o libriano.


- É a trindade de Virgem, Astréia, Atena e Vesta? As que juraram nunca se aproximar de Eros?


- Sim. –Shaka assentiu.


- Ah, então era Vesta aqui, a dois dias atrás?


- Não acham que essa conversa já se prolongou demais?


- Que conversa?


- Não sei Afrodite, mas Shaka acaba de encerrar o assunto. –Camus interferiu e Shaka se lembrou de agradecê-lo depois.


- Eu vou trocar de roupa, logo alcanço vocês.


- Está bem.