Kümby
1 Dia de Trabalho
Ellyon PDV
Dia de Trabalho
Estava frio. O sol ainda não havia levantado.
Levantei da cama, resistindo e querendo, a qualquer custo, continuar lá por pelo menos, alguns míseros minutos a mais. Mas já havia prometido a Sra.Duffy que faria minhas tarefas antes do almoço. Estendi a coberta sobre a cama, para dar a impressão de arrumada, e olhei para a cama ao meu lado: Fred estava dormindo, num sono profundo e barulhento. Tentei ser delicada, mas estava com inveja dele por ainda estar dormindo. Chacoalhei seu ombro – nada – um pouco mais forte – nada! – quase gritei por seu nome e arranquei-lhe as cobertas.
POW!
_Aiiiiii!!! você é louco Fred? Por que me bateu?!?!
_ Reflexo...- falou, com a maior cara de pau – mas me diz: por que você me chamou?? Que horas... – pegou o despertador e viu – 5:30?!?!?! Você é maluca??? Por que me chamou tão cedo assim???
_ Ai meu Deus!! Você já esqueceu das tarefas da Sra. Duffy???
Ele resmungou alguma coisa inaudível, provavelmente xingando a coitada da nossa madrinha.
Desci as escadas, o cheiro de torradas invadindo minha cabeça, eu estava faminta. Me surpreendi ao ver o Fred já na mesa, devorando quase tudo. Desta vez ele se superou! Já estava até trocado e de tênis. Meu irmão gêmeo não era um menino de 16 anos muito comum. Era mais espontâneo, animado e com um apetite de avestruz!
_Por que você esta me encarando? – disse ele com a boca cheia de torradas.
_Por nada. Nós vamos começar por qual tarefa hoje?
_ Isso realmente tem importância? Eu so quero voltar a dormir depois que acabar!- disse ele, grosso como sempre.
_Tudo bem. Então sou eu quem vai decidir: vamos pegar os ovos no galinheiro, depois pegar água, ordenhar a Molly e por fim colher algumas frutas.
. . .
Pegar os ovos no galinheiro não é tão fácil quando se tem uma galinha assassina. Uma das doze galinhas que temos no sitio não fica nada contente quando tocamos em seus futuros filhos. É a galinha mais escandalosa que eu já vi. Grita, bica, sapateia, faz tentativa de vôo. É um pesadelo.
Mas conseguimos pegar uns trinta ovos, ao todo, no mínimo.
Enquanto eu ia carregando os ovos para Fred levar a água para dentro do chalé, ele acabou escorregando e caindo no brejo. Deus! Sorte que não era ele que estava com a cesta de ovos!Que menino desastrado! Lá se vai pras cucuias o seu planinho de dormir após as tarefas. Pelo menos ia ter que tomar um banho bem caprichado antes!
Ri alto dele, que me xingou. Senhor, por que tanta violência verbal?!? Depois que ele saiu do brejo, todo molhado e cheio de terra, me abraçou! Agora eu também teria que tomar banho antes do almoço!
Chegamos no poço e eu coloquei a cestinha de ovos no chão, ao lado da muretinha do poço.
_Ellyon! — ouvi meu irmão me chamar e, estranhei na hora, sua voz não era brava nem alegre, mas curiosa.
_ O que foi Fred?
_ Qual o problema desse poço? – seus lhos estavam fixos dentro do buraco, mas estava ocupada em manter a cesta bem longe de seus pés, para evitar futuros acidentes. – Acabou a água?
_ O que?! Mas o que... – foi ai que eu vi: o imenso redondo vazio, sem nenhuma gota de água ou de um liquido qualquer. Não havia nada lá dentro, a não ser... – O que é aquilo no fundo?
Quase na mesma fração de tempo, nós nos debruçamos sob os tijolos gelados com o sereno e nos inclinamos para frente vendo do que se tratava aquela estranha e misteriosa luz, fina e intensa no fundo do poço.
Como se algo estivesse nos puxando para dentro, fomos caindo, lentamente para dentro do buraco comprido... Comprido mesmo! Não acabávamos mais de cair... a sensação de leveza e liberdade tomavam conta de mim, ate que senti um estalo em minha mente, me fazendo voltar a realidade. Comecei a entrar em pânico, pois agora que havia passado pela minha cabeça como é que iríamos cair em segurança. Percebi uns berros, olhei para o lado: típico, era Fred se esgoelando, já com a voz falhando de tanto berrar.
A luz foi se aproximando de nós e depois de certa distancia, percebi que a luz era uma espécie de entrada subterrânea.
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