Kyuuketsuki no Fukushuu

2 Capitulo 01 - Vagando sem Rumo


Notas iniciais
O Capitulo 00 - Prólogo ~ Contem informações úteis a respeito do mundo onde se passa a historia ~ *Palavras entre [ São pensamentos. ] *Palavras com - No começo são falas. *Palavras sem ambos são ações, explicações sobre arredores ou acontecimentos.

Em uma estrada de terra que aparentemente não era usada por ninguém a muito tempo, parecia haver um vulto escuro em meio a ela.

Parecia ser alguém caminhando..

Ao contrario da estrada que era bem inóspita, a área ao seu redor se mostrava bem vivida e verde, parecia ser um lugar agradável.

— Ahhhh...

Respirei fundo enquanto andava, já fazia bastante tempo desde que estava viajando para chegar ao lugar da minha próxima entrega.

— Realmente, essa vila fica bem longe da ultima cidade em que eu estava, já se passaram 17 dias.. ahh..

Era um jovem garoto com um manto escuro que cobria todo seu corpo, dos pés até sua cabeça, parecia estar murmurando para si mesmo, como se estivesse arrependido de estar ali.

— Bem, ao menos havia outro pedido de entrega para uma cidade próxima a esse vilarejo.

Enquanto eu caminhava por essa estrada, alguns pensamentos passavam pela minha cabeça.

[ Mais devo dizer.. Essa região.. É realmente vivida, não esperava ver tantos animais nessa região, não mostraram sinais de acuamento, já que estão circulando pela região sem se preocupar, acho que não vou ter muitos problemas aqui. ]

— Hmmm..

[ Me parece que aqui vou conseguir fazer minha entrega sem me preocupar muito, bem, tirando todo o tempo de viagem para chegar a esse lugar, acho que o pagamento pelas duas entregas vai fazer tudo ter valido a pena. ]

Me referia ao ponto de que, quanto menor a atividade de animais em uma área, maiores seriam as chances de haver algum tipo de monstro por essa região.

[ Eu não sou forte e não tenho nenhum tipo de habilidade, não tenho talento para nada que eu já tenha tentado antes, se eu precisasse lutar com alguém ou com qualquer tipo de monstro, por mais fraco que ele fosse, eu definitivamente morreria. ]

— Sim, é justamente por isso que eu fico mais tranquilo ao ver esses tipos de regiões, onde as chances de encontrar algum monstro é praticamente nula.

[ Há alguns entre nós entregadores que já foram soldados, cavaleiros, magos ou até mesmo aqueles que apenas tem algum certo talento para o combate, a taxa de sobrevivência deles são as maiores, claro que isso não os impedi de morrer a qualquer momento e eles estão bem cientes disso. Mais, se forem comparar logicamente as chances de sobrevivência desses tipos de pessoas e pessoas normais como eu, é óbvio quem morreria primeiro. ]

Olhando para o auto do morro enquanto pensava nisso, me deixava frustrado, o simples fato de ver uma área assim, me tranquilizava, quer dizer que eu já estava acostumado a essa situação.

Eu comecei a sorrir apesar disso e acabei rindo um pouco.

[ A única coisa que tenho ao meu lado é o conhecimento que adquiri dos registros e relatórios nas Sedes Postais em que estive. Foi o que me manteve vivo até hoje, a informação sobre monstros vistos, como são, seus tipos, como eles agem, como a região em que foram avistados estava, tudo que conseguiram lembrar após o encontro com esses monstros foram registradas nos mínimos detalhes em cada Sede Postal. ]

[ E eu me esforcei ao máximo para me lembrar de cada um desses mínimos detalhes, foi usando toda essa informação que eles adquiriram que eu sobrevivi até agora. ]

— Sim, eu não ligo de ser um inútil qualquer, tudo que importa é sobreviver, quando você morre é o fim de tudo, não há nada depois disso.

[ Por isso eu vou usar tudo que tenho, qualquer coisa ao meu alcance para sobreviver, vou abandonar tudo e qualquer coisa, para me agarrar a essa vida medíocre, enganarei qualquer um e o usarei se isso for o necessário para sobreviver, eu já vi incontáveis pessoas morrendo e isso não me incomoda nem um pouco. ]

— O fato é que alguém como eu só conseguiu sobreviver até hoje, fugindo e abandonando tudo e a todos, eu realmente sou horrível.

Mesmo pensando nessas coisas eu não parava de sorrir, mais era um sorriso um pouco triste.

[ Sim, enquanto não alcançar meu objetivo eu não vou parar, essa é a única coisa que me mantém seguindo em frente todos esses anos. ]

[ Por isso estou nesse trabalho, por isso me tornei um entregador mesmo com a grande taxa de mortes e alto risco, mesmo os pagamentos pelos trabalhos sendo altos, quase ninguém quer esse trabalho, apenas pessoas desesperadas que precisam muito de dinheiro ou aqueles que não tem mais pra onde ir ou o que fazer, acabam pegando esse trabalho, claro há exceções como aqueles que já foram soldados, mercenários, magos e outros que vieram tentar ficar ricos com esse trabalho. ]

— Achei que estando nesse trabalho e indo para varias cidades e vilarejos diferentes eu iria alcançar meu objetivo.

Chegando ao topo do morro finalmente tenho uma visão do vilarejo, mais olho com desapontamento para ele.

Removo a parte do manto que cobria meu rosto, meus cabelos e olhos negros ficaram evidentes, olhando novamente para o vilarejo, minha expressão obvia era a de raiva.

Enquanto descia o morro em direção ao vilarejo rangia os dentes.

— Espero encontrar algo nessas entregas, já estou farto de tudo isso, mesmo sobrevivendo não encontrar nada até agora é frustrante.

Ao me aproximar da entrada do vilarejo vejo que na entrada havia um homem com um corpo robusto, estava empunhando um garfo forcado, provavelmente era um vigia para alertar sobre possíveis invasores.

Quando me avistou logo apontou sua arma para mim como se estivesse pronto pra me atacar.

— Alto lá! Quem é você? E o que quer em nosso vilarejo?

Com uma expressão de desapontamento encaro ele enquanto ponho a mão direita na cintura e olho novamente para ele sorrindo.

— Eu sou um entregador vindo da Sede Postal da Cidade de Avarias, vim fazer uma entrega.

— Eh? Um entregador aqui!?

[ Hmm, ele ficou realmente surpreso, é engraçado mais não posso culpá-lo por agir assim, afinal bandidos saqueando vilarejos não é muito incomum e um entregador vindo aqui realmente é difícil de acreditar. ]

— Aqui, veja meu código de registro.

Enquanto dizia isso mostrei as costas da minha mão direita para ele.

— J286!? Esse é o seu código como entregador?

— Bem, então vai me deixar passar?

— Sim, claro! Me desculpe por antes, eu fui um tanto rude.

Ele estava totalmente alarmado e não sabia bem como reagir.

— Tudo bem, não se preocupe, você estava apenas fazendo seu trabalho.

— Realmente eu sinto muito, eu me chamo Dylan, é um prazer conhecê-lo e você como se chama?

Enquanto me perguntava isso mostrava um sorriso no rosto, parecia estar feliz de ver algum viajante por aqui, mais eu não ligava muito para isso.

— Isso não é tão importante, estou com um pouco de pressa, gostaria de acabar isso antes de anoitecer.

E ele logo notou minha expressão de desinteresse em sua pergunta e ficou um pouco desanimado.

— Você está certo, vamos, vou lhe levar a casa do líder do vilarejo.

— Ah, na verdade, eu gostaria de ir procurar pela pessoa a quem devo entregar essa carta primeiro.

— Oh, Claro! Não há problema algum, eu posso ajudá-lo também se você quiser.

— Sim, vai ser de grande ajuda, obrigado.

Ao ouvir isso ele voltou a sorrir e recuperou o animo rapidamente estava bem fácil de notar.

[ Isso não é algo ruim, ele é um cara bem sincero. ]

— Bem, então como se chama a pessoa a quem ela está destinada?

— Rean Vasse

— Rean!!? Eu o conheço!

— Então sabe aonde ele mora?

— Sim, na verdade todos aqui o conhecem, ele é o único comerciante daqui.

— Entendo, isso deixa tudo mais fácil, já que não precisamos procurar por ele, é algo raro mais acontece as vezes.

— Vou guiá-lo até ele, seu armazém fica no meio do vilarejo, é bem perto da casa do líder também.

— Obrigado.

Enquanto andávamos acabei sorrindo um pouco, tendo em vista que esse estava sendo o trabalho mais fácil em tempos, eu estava feliz, a longa viagem tinha realmente valido a pena.

— Por que escolheu esse trabalho?

— Hm?

— Quero dizer, por que alguém tão jovem como você iria se arriscar nesse trabalho tão perigoso? Afinal de contas você pode morrer a qualquer momento! E quanto a seus pais? Sua família?

Me olhando com um olhar tão sério assim, eu acabei me lembrando do porque de estar ali e acabei perdendo o animo de agora a pouco, ficando um pouco triste e acabei direcionando o olhar para a estrada a nossa frente.

— Sabe, essas suas perguntas são irritantes.

— Ah.. Desculpe, eu não devia me meter na vida dos outros, eu sinto muito por perguntar essas coisas.

Ele se mostrava desapontado com minha resposta, tão simples de se notar, acabei achando engraçado enquanto olhava sua cara e acabei sorrindo um pouco.

— Não tem ninguém.

— Huh?

— A resposta para todas as perguntas que me fez até agora é só uma, eu não tenho nada.

— Não tem nada? Como assim?

— Não tem ninguém esperando por mim quando eu voltar e eu não tenho um lugar para onde voltar.

— O que quer dizer com isso? que eles já estão..

— Mortos? Sim, provavelmente, na verdade eu não sei ao certo.

— Não sabe?

— Sabe quando me perguntou meu nome?

— A verdade é que eu não lembro do meu nome, não me lembro de nada.

— Não se lembra de nada? Como isso aconteceu com você?

— É uma boa pergunta, um dia eu simplesmente acordei quase soterrado pela neve perto de uma cidade ao norte do continente, quando me levantei vi que minhas roupas estavam cobertas de sangue e percebi que não me lembrava do meu nome, na verdade eu não me lembrava de nada, da minha família, parentes, amigos ou qualquer outra coisa.

— Isso é...

Dylan parecia estar triste ao ouvir o que eu dizia, deve estar arrependido de ter me perguntado essas coisas.

— Não se preocupe, eu meio que já sei o que houve comigo, é algo bem comum sabe?

— O que houve?

— Bem, a julgar pelo estado das minhas roupas e de onde eu estava, provavelmente eu estava a caminho daquela cidade e com certeza eu não estava só, outras pessoas deveriam estar me acompanhando nessa viagem também, conhecidos, amigos, muito provavelmente minha família também.

— Mais se estavam com você o que aconteceu com eles?

— Foram todos mortos

— Mortos!?

— Sim, algum monstro deve ter nos atacado enquanto estávamos a caminho da cidade, você sabe, isso é bem comum quando se viaja sem qualquer tipo de proteção, em uma caravana grande.

— Sabe? Caravanas inteiras já foram massacradas por um único monstro, não me surpreenderia termos sido atacados por um, o fato é que todos foram mortos e se minha família estava lá devem ter morrido também.

— Provavelmente o monstro deve ter me acertado e eu devo ter caído inconsciente, o que explicava o sangue em minhas roupas, depois de ele devorar todos que matou não deve ter conseguido me encontrar por causa da neve, então desistiu de procurar pelo meu corpo e foi embora.

— Eu estava quase soterrado quando acordei e ainda estava nevando, então acho que estava tendo alguma nevasca naquela hora, minha cabeça ainda latejava e doía muito quando acordei. Só depois de sair da neve e olhar ao meu redor que me dei conta que eu não me lembrava de nada. Resumindo eu sobrevivi por pura sorte.

— Mais! Mais se você acha que passaram por tudo isso para chegarem lá! Por que arriscaria sua vida nesse trabalho?

Dylan parou de andar enquanto me olhava com frustração e raiva.

— Você mesmo disse que sobreviveu por sorte! Então por que?

— Por que?

Olhei para o céu e sorri um pouco.

— Por que eu precisava ir para lugares diferentes em outras regiões, ver outros lugares, outras cidades.

— Ir para outras regiões? Cidades?

— Mais como eu poderia ir para tantos lugares assim? Viajar assim, isso custaria muito dinheiro e eu não tinha dinheiro, sequer tinha roupas, como iria comprar suprimentos para essas viagens?

— Se era isso, então você não poderia arrumar um emprego normal na cidade?

— Eu também pensei nisso no começo... Mais como eu não possuía passado e muito menos um nome, ninguém na cidade queria me contratar, eu era repudiado, eu era um estorvo para todos, todos me viam como lixo e me tratavam como um.

— Isso é...

— Foi então que me deparei com a Sede Postal daquela cidade e vi que aquele lugar era a solução para todos os problemas que eu tinha naquele momento, você sabe como funciona o trabalho dos entregadores?

— É.. Eu sei como funciona o sistema...

— Bem, então você sabe que a Sede Postal não liga para quem você é ou quem era antes de chegar lá, seu nome, passado, todas essas coisas não importam, afinal eles te registram por códigos e números, a taxa de mortes deles são tão grandes que todos os dias precisam de novos entregadores.

— Sim eu sei disso...

— E quando você pega algum trabalho de entrega para fazer, você já recebe 10% do pagamento da entrega adiantado, é como um adiantamento para o encorajar por a maioria sabe que pode morrer no caminho, então como não existe classificação de entregas por dificuldade ou pelo valor do oferecido pela entrega, qualquer um pode pegar qualquer entrega que quiser, então eu simplesmente peguei a entrega que teria um valor de 10% que conseguiria suprir todas as minhas necessidades para aquele momento, roupas, comida, um lugar para passar a noite e mantimentos, para conseguir fazer a viagem e chegar ao destino daquela entrega.

— Isso é incrível.. Você conseguiu pensar em todas essas coisas, mesmo estando naquela situação... Mais por que queria viajar para regiões e cidades diferentes?

— Porque... mesmo que seja só um pouco, apenas um pouco, qualquer coisa, eu gostaria de me lembrar de algo, eu não consigo simplesmente ignorar o fato de não saber quem eu sou ou qual era o meu nome, se eu tinha família ou não e se eu tinha, como eram?

— Eu achei que se fosse a algum lugar diferente e visse algo familiar durante essas viagens eu poderia me lembrar de algo, achei que se lembrasse de algo, qualquer coisa... Eu poderia finalmente seguir em frente, talvez viver por aqueles que não conseguiram chegar naquela cidade.. Mais... Até que me senti feliz as vezes, vendo coisas novas e vários lugares incríveis.. Não era tão ruim..

— Se isso é verdade, então por que você parece tão triste? Por que está chorando?

— O que?..

As lágrimas estavam escorrendo pelo meu rosto sem eu perceber.. Enquanto olhava para minha mão as lágrimas caiam sobre ela.

[ Ah.. Já fazia tanto tempo que eu não me sentia assim... ]

— Mesmo após sobreviver nesse trabalho por tanto tempo... Eu não encontrei uma pista sequer até hoje, não importa pra onde eu vá, não encontro nada, tudo que fiz para sobreviver até hoje não valeu de nada? tudo que fiz durante todos esses anos foi em vão? Já se passaram 10 anos desde que acordei em meio aquela neve.. E nada mudou desde então... Esse vazio que sinto por não saber de nada continua igual, por que isso dói tanto? Por que essa dor nunca passa... Por que eu não consigo me lembrar de nada?..

Enquanto dizia isso, voltei a caminhar enquanto as lágrimas continuavam a cair.

— O que eu deveria fazer para acabar com essa dor?

— Eu não tenho nada..

— Mesmo após tanto tempo nada mudou..

— Eu continuo vazio..

— Por que isso dói tanto?

Mesmo agora, as lágrimas não param.

[ Essa dor, não para.. ]

Notas finais
Vocês podem ver aparência (Design) de Personagens aqui ~ Pagina Oficial de Kyuuketsuki No Fukushuu www.facebook.com/KyuuketsukiNoFukushuu/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.