Kyoya! Enzo Adoeceu!
1 OneShot
Notas iniciais
Escrevi essa fic faz um tempinho e ficou bem engraçadinha e original. Desde já, peço desculpas pelos prováveis erros que encontrarão.
Espero que gostem!
Ouviu novamente um suspiro profundo e desviou o olhar da página do livro que lia em direção à pessoa que se encontrava a seu lado. Dino nada falava, apenas suspirava enquanto encarava o teto com um olhar de “peixe morto”. Aquilo estava o irritando. Era noite de primavera, a temperatura estava agradável e os dois estavam sentados, aconchegados em travesseiros grandes e fofos que os apoiava contra a cabeceira da cama king size. A brisa fresca invadia o quarto pelas grandes janelas, totalmente abertas. Lençóis brancos e finos, meia luz provinda de dois pequenos abajures que ficavam sobre criados-mudos, um de cada lado da cama. Estava tudo perfeito, estava tudo como Dino gostava: clima ameno e Kyoya a seu lado. Era de se estranhar que Cavallone não o atormentasse ou o conduzisse a amá-lo horas seguidas. O Guardião da Nuvem supôs que provavelmente era mais alguma manha inútil do loiro. Pensando em ignorá-lo, retornou sua atenção ao livro.
Em vão. Alguns minutos depois o som de um novo suspiro ainda mais profundo chegou até seus ouvidos, o fazendo franzir o cenho, irritado.
– Você está atrapalhando minha leitura. – reclamou, direcionando a Dino um olhar repreensivo.
Cavallone o encarou com um par de belos olhos dourados marejado, mas não disse nada.
Kyoya o encarou por um momento. Irritou-se consigo mesmo por se deixar abalar e permitir seu coração amolecer só de olhar para aquelas expressões fáceis, sinceras e espontâneas que o italiano era capaz de fazer.
– Vai dizer o que está acontecendo ou vai ficar suspirando e fazendo essa cara ridícula e irritante? – finalmente perguntou. Estava mais curioso para saber o porquê daquela situação do que preocupado.
– Kyoya... – a voz de Dino ecoou manhosa e baixa. O italiano encarou seu amado com um olhar pesaroso e molhado, calando-se novamente. Não conseguia dizer nada, o nó em sua garganta o emudecia. Arrastou-se um pouco sobre a cama até encostar seu corpo ao do Vongola e em seguida, debruçou a cabeça delicadamente sobre o ombro do mesmo, buscando nele um pouco de consolo.
Kyoya aguardava. Fechou o livro e o pousou sobre seu próprio colo, voltando em seguida toda a atenção para sua companhia. Dino se preparava para dizer o que tanto o incomodava. O japonês tinha certeza que não era sobre a relação de ambos, pois ela estava indo bem. Há um tempo não brigavam e as discussões tornaram-se menos frequentes. Provavelmente era algo relacionado a alguém importante para o italiano, pois só nesses dois casos ele ficava tão abatido assim. Cavallone agia totalmente diferente quando se tratava de trabalho. Kyoya poderia dizer que aquele homem tinha duas personalidades, mas seria mentira. O verdadeiro Dino era o que estava ali, com a cabeça deitada sobre seu ombro, prestes a chorar.
– Kyoya... – a voz ouvida era baixa e trêmula e o moreno sabia que o italiano não ia aguentar segurar o choro por muito mais tempo. Esperava que de fato a coisa fosse séria ou caso contrário o morderia até a morte. Todo esse suspense despertara no japonês ligeira preocupação. – É o Enzo, ele está muito doente. O que eu faço? E se ele morrer? – o chefe Cavallone parecia realmente desesperado e finalmente as lágrimas lhe fugiram dos olhos.
O Vongola respirou fundo, novamente seria um teste para sua paciência. De certa forma já estava acostumado, há onze anos vivia com aquele homem e o conhecia o suficiente para saber. Não adiantaria discutir, não adiantaria nada. No começo Kyoya brigava, mas desistiu ao perceber que era em vão. Dino era assim e ponto, e assim ele o amava. “Mesmo que às vezes me tire do sério... Esse idiota.” Vez ou outra Cavallone agia de forma exagerada e nem parecia um poderoso chefe da máfia. Não o culpava, sabia que o mesmo era muito apegado a tudo o que considerava precioso. Sentiu o pijama em seu ombro começar a umedecer. Deixou que ele chorasse.
– Haneuma, você está agindo como um bebê porque Enzo está doente? Que exagero, você já tem trinta e dois anos. – precisava manter a postura, pois quanto mais se mima uma criança, mais mal acostumada ela fica.
O italiano desencostou a cabeça do ombro do amado e o encarou com os olhos e as bochechas molhadas.
– Não diga isso como se não fosse nada. Se fosse o Hibird você ficaria feliz? – irritou-se um pouco, mas disse tudo em tom choroso. – Enzo não tem comido direito tem três dias. Ele também não bebe nada e fica me olhando com carinha de dó. Hoje o encontrei imóvel, parecia que estava morto, mas graças a Deus ele só estava dormindo. Fiquei assustado... Falo com ele e pergunto se está com alguma dor, mas ele não responde.
“Obviamente ele não te responderia, você é retardado?” – pensou enquanto uma gota de suor lhe escorreu pelo canto da testa.
– Bem, pare de agir como uma criancinha. Amanhã o levaremos até um veterinário e não será nada de mais. – decidiu, sua voz soara suave, e ele tentou ser o mais compreensível possível. – Você deveria se portar como um adulto, não poderá agir assim para o resto da vida. Pessoas ficam doentes, pessoas melhoram, pessoas morrem... Assim é a vida e você precisa estar preparado para tudo. – deslizou a palma da mão pela grande franja dourada do amado, a afastando e revelando sua testa. Em seguida, beijou o local com carinho, talvez isso o acalmasse.
Às vezes o italiano estranhava tais atos vindos do amado, mas hoje em dia os carinhos de Kyoya se tornaram mais espontâneos e frequentes. E o moreno também havia parado de tentar se regular com severidade, afinal ele gostava de ver Dino feliz, sorridente e satisfeito.
– x –
– ... ya ... Kyo...ya. – uma voz distante o chamava e ao mesmo tempo sentiu um toque agradável sobre sua cabeça. Abriu os olhos. Dino acariciava seus cabelos e o encarava com um olhar sereno, mas não sorria como costumava sorrir ao acordá-lo. – Bom dia. – a voz do italiano chegara à seus ouvidos num sussurro e ele sentiu as carícias que recebia em seus cabelos descerem, lentamente, até seu rosto. Com as costas da mão, Dino acariciava a pele lisa e macia da bochecha de Kyoya.Seu lindo Kyoya.
– Bom dia... – sonolento e ainda sobre a cama, Kyoya bocejou e arrastou o corpo para cima, sentando-se. Encarou o relógio que estava sobre o pequeno criado-mudo a seu lado e o aparelho marcava cinco e quarenta da manhã. Estranhou. Dino era bom de cama. “Literalmente ele é.” – pensou com malícia, recompondo-se no instante seguinte. Pensando bem, Cavallone quase sempre acordava depois dele. O Vongola gostava ser desperto pelos carinhos e pela voz rouca e suave do italiano. Gostava de abrir os olhos e se deparar com aquele sorriso ensolarado que aquecia seu coração e o amolecia mais e mais, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Hibari tentava aproveitar ao máximo essas poucas oportunidades, mas hoje ele tinha uma pequena noção do por que Dino havia o chamado tão cedo, e não era para acordá-lo com mimos e beijos. – Ainda é cedo. – o encarou sério, coçando um dos olhos em seguida.
– Eu sei, me desculpe por acordá-lo... – beijou o rosto do amado e depois o abraçou. – Mas é que o Enzo parece pior, fui vê-lo durante a noite e não consegui dormir mais... E então eu fiquei olhando você dormir o resto da noite. Tão lindo! – afastou-se do abraço e sorriu singelo. – Ficar te olhando me acalmou um pouco. – fez uma breve pausa, parecia ponderar se continuava com o que queria dizer ou não. — Será que poderíamos levar Enzo para o veterinário o mais rápido possível? – pediu com a voz baixa. Sentia receio, talvez seu amado estivesse irritado por ter sido acordado tão cedo.
O Guardião da Nuvem encarava seu amante com um misto de irritação e pena. Cavallone estava realmente abatido. Suspirou, e sem respondê-lo, levantou-se. Era hora de escovar os dentes, lavar o rosto e preparar-se para o longo dia que viria. Fechou os olhos e desejou que Enzo não estivesse com algum problema grave, caso contrário o sorriso de Dino não brilharia por um bom tempo, o sorriso que o egoísta Kyoya gostaria de monopolizar.
Cavallone observava calado o amado se levantar. Kyoya realmente estava bravo... Onde estava com a cabeça para acordá-lo assim a essas horas da manhã? O sol ainda nem nascera. Sentiu-se culpado e desejou um dia poder controlar sua terrível ansiedade e impaciência.
– Vai ficar sentado aí até que horas? Vá preparar o café da manhã, logo descerei. Você está muito mole para um homem de um metro e oitenta e três de altura. – de costas para o italiano, resmungou, mas não estava realmente bravo.
Dino concordou, descendo e pedindo para que seus amigos – ele não tratava ninguém que trabalhava em sua casa como “empregado” – servissem o café como Kyoya gostava. Sempre que o Guardião da Nuvem vinha para a Itália passar um tempo em sua casa, Cavallone queria mimá-lo de todas as formas possíveis, por isso tudo era sempre “à gosto de Kyoya”.
Terminando de se vestir, o japonês desceu e se dirigiu até a sala de jantar. Encontrou o italiano sentado, olhando para uma cesta de pães que estava sobre a vasta mesa repleta de opções de pães, chás, sucos, bolachas, geleias, queijos, era tanta coisa que o Vongola não conseguia listar tudo só com uma olhada. Típico de refeições de pessoas ricas. “Um exagero.” – pensava.
– Se está com tanta vontade, coma. – disse, despertando sua companhia e o trazendo de volta para a realidade.
– Não estou com muita fome... – sem graça, levou o olhar até o amado, que sentava-se educadamente junto à mesa.
– Fazer greve de fome não vai curar Enzo, a realidade é essa, então não seja patético. – a voz soara áspera, rude. O Guardião da Nuvem ainda não havia colocado sua personalidade dentro de um saco plástico e a lançado dentro da lata de lixo. Kyoya ainda era Kyoya. Mas era o Kyoya que amava um inútil herbívoro.
Dino nada respondeu, e sem graça apenas coçou os cabelos da nuca. Esperou Kyoya tomar seu café até ficar satisfeito. Não que o amado comesse muito, mas com o tempo deixara de ser regulado e da xícara de chá, passou aos pães, aos croissants e às bolachas com geléia.
– Obrigado pela comida. – agradeceu como bom japonês que era. — Onde está Enzo? — questionou. Ele ainda não havia visto o pequenino animal, e a julgar pela preocupação de Dino, provavelmente o bichinho realmente deveria estar em mal estado.
– Eu já vou buscá-lo, me espere no carro. Pedi para Romario deixá-lo próximo à entrada. – informou, levantando-se em seguida. Finalmente fora buscar sua tartaruga.
Hibari levantou-se em seguida e pôs-se a caminho da saída. Como o italiano havia pedido, o aguardou dentro do carro, sentando-se no lugar do motorista. Dessa vez quem dirigiria seria ele, embora isso não o agradasse muito. Hoje seria uma exceção e só o faria por que Dino estava muito distraído e preocupado. Deixá-lo com a tarefa de conduzi-los até o consultório veterinário seria perigoso.
Depois de cinco minutos o italiano finalmente aparecera, saindo da mansão segurando uma caixa em mãos. O Guardião da Nuvem assistia Cavallone descer a escadaria com todo o cuidado do mundo, como se a tartaruga fosse seu maior tesouro. Sentiu-se um herbívoro patético ao se pegar com um ligeiro ciúme daquilo.
Quando Dino finalmente entrou no carro e ajeitou-se, fechando a porta em seguida, o Vongola deu partida na Ferrari FF de cor vermelha, uma das preferidas de Cavallone.
– Tem certeza que não quer que eu dirija? – Haneuma questionou, pois sabia o quanto seu amado odiava dirigir.
– Não, apenas cuide de seu animal. – respondendo de forma direta para que Dino não insistisse na pergunta, o japonês engatou a primeira marcha e o conduziu o veículo pelo jardim, até os portões de saída. Discretamente, levou o olhar até a caixa que Cavallone segurava. Dentro dela havia um Enzo encolhido, amuado e estranhamente mais magro. “Como pode uma tartaruga parecer mais magra?” – pensou. Mas sim, estava.
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Chegaram ao consultório por volta das oito e cinquenta. A secretária não permitiu que Enzo fosse atendido na frente, pois haviam outros pacientes igualmente doentes. Dino se aborrecera. Geralmente ser da máfia o beneficiava, mas numa situação realmente necessária como aquela seu status fora totalmente irrelevante.
Sem alternativa, sentou-se sobre o sofá de espera com a caixa que abrigava Enzo nas mãos. A seu lado, um mal humorado Kyoya batia o pé de forma incessante. O consultório estava cheio e o Vongola ainda odiava lugares cheios, pessoas e grupos.
– Se quiser, pode me esperar no carro... – disse baixo. O italiano estava sem jeito, desconfortável com aquela situação. Tudo o que ele menos queria era que Kyoya fizesse coisas que não gostasse e pior, as fizesse por obrigação e não por realmente querer.
– Não. Aqui está bom. Quero saber o que Enzo tem. – não diria que estava ali porque queria ficar ao lado do amado. Caso a notícia fosse ruim o Guardião da Nuvem sabia que Dino ficaria desolado.
A irritação do Vongola se dava porque as pessoas na sala de espera o encaravam como se ele fosse anormal. Em resposta, ele as encarava ameaçador e com ódio. Logo, todos ali evitavam à todo custo olhar ou sentar-se perto do casal.
– Haha. – uma risada conhecida, porém breve, lhe chamou a atenção. Esqueceu-se das pessoas insignificantes que ali estavam e olhou para o preocupado Dino. – Kyoya é muito lindo, todo mundo não para de olhar pra você. Mas Kyoya é só meu, não é? – questionou com a voz mansa. O italiano sabia que o amado não entendia porque todos ali o encaravam, principalmente as mulheres. A resposta era por ele ter uma beleza exótica, olhos negros e brilhantes combinados com um olhar desafiador, ameaçador e determinado. Traços finos, delicados e marcantes. Magro e esbelto. Cabelos negros contrastantes com a pele lisa e clara. Aquele tipo de beleza era novidade para as pessoas que ali estavam. Era algo que elas não estavam acostumadas a ver todo dia. Sorriu apaixonado, sabia que seu Kyoya entendia à isso tudo de forma totalmente diferente, e se o amado fosse aquele garotinho de onze anos atrás, com certeza ele já teria causado um grande alvoroço naquela sala de espera.
– Parece que você só sabe abrir a boca pra dizer besteira. – corou sutilmente com o “elogio”, mas irritou-se ao mesmo tempo. Que tipo de pergunta inútil era aquela? “Kyoya é só meu, não é?” Por que alguém perguntaria algo que já sabia a resposta?
Kyoya era de Dino, e isso era óbvio.
– Nee, Kyoya. O que será que o Enzo tem? – Cavallone acariciava a cabecinha do animalzinho que estava dentro da caixa, retomando sua tristeza anterior. De repente o singelo e breve sorriso apagou-se e um olhar baixo e enfraquecido tomara a luz dos belos olhos dourados que o Vongola tanto apreciava.
– Não faço ideia. Não sei que tipo de doença uma tartaruga pode ter, nem sabia que tartarugas ficavam doentes. – dissera com certo desdém. Mas ao ver a tristeza tomar ainda mais a face do italiano ao ouvir tal resposta, percebeu que havia sido estúpido demais. – Não se preocupe, não deve ser nada sério. – levou sua mão até à que Dino acariciava a cabeça de Enzo, fazendo o mesmo, num gesto de discreto carinho.
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O doutor examinava Enzo de forma minuciosa. Dino e Kyoya aguardavam enquanto o mesmo fazia alguns exames no animal. Haneuma estava inquieto e ansioso. Tomara uma das mãos de seu precioso amante, apertando-a tanto que Hibari a sentia adormecida.
Depois de quase uma hora e meia o doutor retornou, devolvendo com cuidado o animal ao dono. Em seguida tomou seu lugar, a cadeira atrás de sua grande mesa de madeira escura, cheia de papéis, canetas, fichas e um notebook.
Hibari esticou os dedos, numa forma de alívio.
– Bem, Don Cavallone. Fiz alguns exames e todos não acusaram nada. Pensei que Enzo estivesse com alguma fratura que estava causando à ele dor, mas os Raios X não mostraram nada. O exame de sangue está ok também.
– Então por que ele está tão abatido? — sentia-se aliviado, mas ainda achava que Enzo tinha algo, o estado de seu amiguinho não era normal.
– Bem, você tem cuidado bem dele? Tem dado atenção? Ele me parece estar meio depressivo apenas. O senhor sabia que animais também tem esse tipo de problema, certo? – o doutor questionou.
– Hum... – Dino parou um pouco para pensar. No último mês havia cuidado de Enzo normalmente, o alimentando nas horas corretas e pedindo para alguém o fazer caso ele não estivesse em casa. Porém não teve tempo para brincar com ele. Também não o levou pra passear, não conversou com ele e nem o levou em nenhuma das suas últimas viagens. Não por que não queria, ele havia simplesmente o esquecido em casa.
– Doutor, ele deixou o animal completamente abandonado. – Kyoya prontificou-se a responder enquanto Dino pensava. Sabia que o italiano havia deixado Enzo de lado esses últimos meses, não por maldade ou falta de amor, simplesmente por ele ser distraído e tapado.
– Kyoya! Não diga coisas cruéis, eu nunca abandonaria Enzo! – resmungou, não gostando do que o amado dissera.
– Mas abandonou. – retrucou calmo.
– Eu jamais faria isso! Eu apenas estava trabalhando muito! Enzo entende isso. – respondeu birrento.
– E esse último mês que esteve em casa? – questionou sínico.
– Eu estava matando a saudade de você! Fazia quase dois meses que não te beijava, Kyoya! – sincero sempre.
Kyoya corou. Dizer aquelas coisas na frente dos outros era constrangedor, mas Dino não media palavras e quem se envergonhava no final era ele: o alvo dos elogios, cantadas e comentários não apropriados para determinadas ocasiões.
– Vou te morder até a morte, idiota! – Kyoya levantou-se, cerrou o cenho e o punho. Queria morder Cavallone até a morte ali mesmo.
Dino colocou as mãos contra o rosto se protegendo.
Enzo parecia tonto ouvindo aquelas vozes altas e alteradas. O veterinário assistia à tudo achando engraçado.
...
– E então, entenderam tudo? Don Cavallone, apenas dê esse medicamento para Enzo. Misture dez gotas com a água que ele bebe e faça companhia para ele alguns minutos todos os dias. Não o deixe mais em casa sozinho, seu animal sente sua falta.
– Ok doutor. Eu fui um péssimo dono, me desculpe e obrigado. – o italiano agradeceu, envergonhado.
– Não peça desculpas para mim, e sim à Enzo. Espero que eu tenha os ajudado, voltem se precisar. – o veterinário apertou a mão de Dino. Hibari apenas meneou com a cabeça e finalmente eles saíram do consultório.
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– Desde quando você se tornou um cara tão DESATENCIOSO assim, Don Cavallone? — perguntou com um uma voz sínica e um olhar provocativo e debochador. Era começo de noite e o Guardião da Nuvem havia acabado de sair do banho. Sentou-se sobre a cama enquanto secava o cabelo com uma toalha azul marinho.
– Ora, você sabe melhor que ninguém que é o contrário. Na verdade eu sou muito atencioso. – aproximou-se lentamente, e seus feromônios foram facilmente farejados pelo bom olfato de Hibari, que se arrastou sobre a cama, deitando-se sobre ela. Cavallone também foi para cima da mesma, arrastando seu corpo sobre o do amado como um predador pronto para dar o bote. – Eu sempre te tratei como um tesouro, cuidei de você até quando você não queria, apanhei de você tantas vezes que já perdi a conta, te beijei como se fosse o primeiro beijo... – arrastou seu corpo mais pra cima, até que seu rosto ficasse próximo ao do Vongola. – Te beijei como se fosse o último beijo... – sussurrou, tocando os lábios suavemente sobre os dele – Te amei gostoso. – finalmente o beijou, faminto. Estava com vontade de saborear Kyoya agora mesmo. – Vou te recompensar por ter me ajudado com Enzo. – sussurrou entre o beijo.
– Realmente, eu mereço uma recompensa. – o Guardião da Nuvem respondeu com a voz cheia de malícia, mordendo o lábio inferior de Cavallone sensualmente. – Mas... Agora é a hora do remédio de Enzo, lembre-se que não pode deixá-lo sozinho por muito tempo. – tocou o peito do italiano com uma das mãos e o afastou de si. Haneuma o fitou por um minuto, depois sorriu e levantou-se, recompondo-se.
– Também não posso deixar de lado meu pequeno ouriço! Certo? – sorriu, e ao ver seu amante franzir o cenho nervoso, porém envergonhado, gargalhou. Kyoya era adorável. – Voltarei logo, me espere.
– Volte mesmo, se demorar muito vou me entediar e dormir.
“Trocado por uma tartaruga...” – pensou emburrado, enquanto assistia o homem de costas largas deixar o quarto apressado. Era bom vê-lo sorrindo novamente e não importaria o quê, para ver aquele sorriso sincero estampado no rosto de Cavallone, o Guardião da Nuvem faria qualquer coisa, fosse acompanhá-lo ao veterinário, fosse matar por ele. Aquele sorriso era seu único e mais precioso tesouro e ele o protegeria. Sempre.
FIM!
Notas finais
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Beijos.
. Mah
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