Kyomu Densen

1 Mou hitori boku ga ite


O dedilhar do piano, os acordes produzidos lentamente. O som de cada tecla sendo tocado por seus miúdos dedos. Eu podia escutar aquela melodia nitidamente em minha mente. Reproduzia os movimentos com meus dedos, Como se tocasse um piano invisível. E na verdade era invisível certo¿ Eu estava em meu quarto em pé, próximo a janela do mesmo. Observava os pingos de chuvas escorrerem pela janela de vidro. Fazendo caminhos com suas gotículas. Estava caindo uma chuva muito forte, meu quarto se iluminava a cada relâmpago. E eu apenas observava com um olhar perdido e catatônico.

porque¿ porque¿” eu só conseguia pensar nisso.

A noite... Com nuvens sombrias, Nada melhor do que esse cenário horripilante para conciliar com meu humor maculado.

“ Ah! o passado deve morrer!

Não importa o quanto você se apaixone, as pessoas sempre terão o fio da vida cortado pela ponta da tesoura das “ três destinos”. Eu simplesmente estou acostumado com um funeral. Durante toda a minha infância presenciei vários. Das minhas tias, alguns primos, meus avôs. Mas o dela¿ “ porque¿ porque eu tinha que abraçar essa solidão mais uma vez¿” Chegava a ser irritante o seu vício ilimitado pelo piano, vivia sempre treinando como se não houvesse o amanhã. Nenhum dia poderia ser desperdiçado, ela tinha que treinar sempre! Seus acordes tinham que ser impecáveis, tinha que fazer cada nota com perfeição. E aquela noite... Aquela noite foi seu último concerto.

Como a boneca nasceu, Do caixão sombrio.Seu corpo está vermelho e congelado. E seu coração se acalmou e foi criado pela escuridão.”

Existia outro eu, sim... Existia outro eu que estava cansado desse vazio. Queria preenchê-lo, mas como¿ Arrancaria minhas pernas e braços para cessar essa dor! Arrancaria meu coração e meus olhos. Para não mais ver e não mais sentir!

Você pode me ver? Com o frio junto a nossas mãos sentimos,
Eu estou afundando minhas unhas cheias de sangue em você. E assim me desaprovam

Eu fui caminhando para perto da minha mesinha e peguei uma cadeira. A coloquei no centro do meu quarto. Aliviei o nó da minha gravata. Sim... eu estava com uma gravata e uma camisa branca social. Para ser mais claro, estava com roupas de um enterro! Sentei na cadeira e comecei a escrever ali

O que é mais horripilante que um grito intenso¿ É um sussurro entre as pessoas¿ Nada menos que o poder de palavras do mal. Manipula corações e se espalha. Mesmo quando todo mundo desaparecer, Será que eu vou me apaixonar por sua mentira? Vamos trocar a esperança que seria criada algum dia, Se eu me apaixonasse por você. Mesmo se ele estiver manchado em sangue e lágrimas, O que está esperando não é o desespero. Em vez de morrer todos vazios,
Com as minhas asas e pernas arrancadas, Nós estamos aqui.
A verdade é que nós queremos viver tanto. E isso dói! Mas por um longo tempo você, Já sabia a resposta, certo? Existe outro eu. Que ama tanto alguém que isso dói!

Terminei de escrever esse pequeno bilhete e o soltei no chão para quem for ver. Não esperava que ninguém entendesse o que eu queria dizer. Mas sim, doía amar alguém, Ainda mais alguém que não mais reside no mesmo mundo que você. Então, se era para doer tanto, que fosse ao menos ao lado dela. Eu sabia a agonia que ela passou, seu coração parando de bombear aos poucos, sua corrente sanguínea parando. Como uma máquina que acabara de ser desligada e os motores parassem lentamente, até o fim chegar. Um escuro eterno e nada gentil esperava por ela, e agora eu queria compartilhar esse mesmo escuro.

Levantei da cadeira e subi. Fiquei em pé na mesma. Para a minha sorte havia cabos de madeira por todo o teto. Eu só precisava escolher o melhor ângulo e mandar ver. A minha gravata era grande e forte o suficiente, consegui passar o tecido liso da gravata por um dos cabos e amarrei firme. Puxei forte para arrochar ainda mais o nó que havia depositado na madeira com a gravata. Eu estava arfando muito. Meu coração estava acelerado, podia sentir uma energia sombria invadir aquele recinto. Talvez o meu quarto estivesse a um passo da morte. Gostaria de saber se a morte era aquilo que sempre fantasiamos. Um grande esqueleto com manta preta e uma foice gigantesca esperando pela sua vitima.

Bom, se ela fosse assim ou não eu estava a poucos segundos de descobrir. Afastei a cadeira e apenas senti um aperto em meu pescoço, e uma enorme concentração de sangue em minha cabeça. Sim, o escuro não é nada gentil, talvez um pouco doloroso e rude com você. A sensação não é boa, sinto um desconforto enorme e cada vez que tento respirar o meu ar é reprimido pelo nó. Minha cabeça parece que vai explodir. E aos poucos eu me deleitava na eterna escuridão...

o passado deve morrer. Você vai abraçar a solidão, mais uma vez.
Abra suas pálpebras que cobriam as luzes.Você não deve tremer as sombras do mal presságio
.”

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!