Notas iniciais
Aqui estou mais uma vez.
Aproveitem :3

7

- Diga ao garotão que está tudo bem.

- Mas quem é o garotão?

- Você sabe.

Blaine não parava de rir de minha frustração. O homem que aparecia no meio da noite ainda não havia se explicado. Passei a pesquisar sobre alguma morte de um senhor de idade que deixou um filho. O resultado foi que milhares de senhores de idade deixaram seus filhos pequenos, maioria deles servia ao exército.

Não achei nenhuma foto compatível com o homem que atormentava minhas noites. E pelo visto ele não iria dizer mais do que essas poucas palavras. E Blaine não iria parar de rir de mim.

Eu não contei a ele sobre as cartas de Tina que achamos no quintal. Eu li todas e me senti culpado. Era muita invasão de privacidade. Porém, as cartas não continham nada demais. Era apenas Tina contando os vestidos novos que havia ganhado. Os sapatos que ela mais adorava e as amigas que mal podiam esperar para vê-la em um vestido de noiva.

Não havia as respostas de Blaine. E as cartas não tocavam muito no assunto casamento. Apenas como o pai de Tina estava ansioso e de como todos estavam animados. Mas Tina não demonstrava tal entusiasmo.

A última carta antecede a data de morte de Blaine. E foi a que mais chamou a atenção:

Você não pode simplesmente sair. Terá de arcar com suas consequências. Terá de ser um cavalheiro, Sr. Anderson. Meu pai lhe escolheu e será assim. Não há como mudar.

Passei horas pensando sobre esse trecho. Ele indicava que Blaine não queria mais se casar? Mas por quê?

Desci as escadas, era sábado e todos estavam em casa. Carole estava pondo algumas fotos em porta retratos. Resolvi tomar um suco. Fui até a cozinha, me servi e voltei à sala.

Carole estava pendurando um retrato de minha mãe, o que era novidade. E logo após pendurou o retrato de um homem, com uniforme militar e um bebê ao colo. Sentados em uma poltrona velha.

Eu quase cuspi o suco quando olhei mais atento para a foto.

Era o homem que me acordava todas às noites. Então Girafa era o garotão. Por isso que ele disse que eu sabia quem era. Eu não durmo há semanas, e só o que eu precisava fazer era dizer a Girafa que seu pai estava bem e que lhe amava.

Carole notou minha surpresa e sorriu.

- Sua mãe era muito bonita. – Ela passou um pano sobre o retrato.

- É, ela era. – Sorri de volta e corri as escadas acima.

Entrei no quarto um pouco ofegante e com metade do suco fora do copo. Um pouco ficou no caminho e outra parte estava em minha roupa. Larguei o copo em cima do criado mudo e sentei na cama.

Blaine franziu o cenho para mim e largou seu livro lentamente sobre a cadeira e veio em minha direção. Ele se sentou ao meu lado e me encarou por um tempo.

- O que aconteceu, ma belle? – Ele deu um pequeno sorriso.

- Eu descobri que o homem que vem todas ás noites é o pai do Gira... do Finn. – Olhei para baixo tentando esconder o rubor em minhas bochechas.

- Então está feito. Você precisa apenas dizer ao Finn o recado e terá suas noites de sono de volta.

- Duvido. – Suspirei.

- Não é só isso que está te incomodando, o que foi? – Ele se virou para mim.

- É só que... – Lhe encarei. Seus olhos dourados e a pele pálida, sem vida.

Eu devia contar a ele tudo o que havia acontecido? De que eu li as cartas e de que Tina tinha vindo me ameaçar, de que se eu não parar com a escavação no quintal eu vou me arrepender. Será?

Antes que eu me desse conta tudo já tinha saído da minha boca como um sopro.

- Ma belle, - Ele sorriu. – Fale mais devagar.

- Algumas noites atrás, — Suspirei – a tua noiva veio me fazer uma visita. Ela me ameaçou. Disse para que eu parasse as escavações no quintal. E o Girafa achou algumas cartas dela direcionadas a você, e eu li. – Mirei o chão.

- Você leu minha correspondência? – Ele arqueou uma sobrancelha.

- Sei que é invasão de privacidade, desculpe. – Ele riu.

Não um sorriso, mas sim uma gargalhada. Eu olhei pasmo para ele. Ele estava rindo de mim. Do meu medo.

- Mon Dieu, Kurt. – E ele continuava rindo.

- Não vejo a graça em sua noiva me ameaçar.

- Ela não é minha noiva, é minha prima, não nos casamos, e nem iríamos. Estava indo para a casa dela dizer isso. Que não queria me casar com ela. – Ele sorriu.

- E por quê? – Arqueei uma sobrancelha.

- Porque ela amava outro, e não era justo com ambos. – Ele deu de ombros.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Apenas sentados um do lado do outro, olhando o teto, ou o chão. Então ele falou:

- Era só isso? Se for, não precisa mais se preocupar. Vou manter guarda á noite e Tina não vai mais te incomodar. – Ele pegou minha mão e sorriu doce.

- Não é só isso. – Senti a garganta apertar. – Blaine, e se acharem o teu corpo, você vai embora. É isso que te prende aqui.

Quando dei por mim meus olhos estavam cheios de lágrimas e evitei o olhar dele. Já seria ruim dizer isso, chorando, pior ainda.

- E se eu for embora, que mal tem? – Ele largou minha mão. – Não era isso que você queria?

- Não mais. – Finalmente lhe olhei nos olhos. – Eu vou sentir a sua falta. – Sussurrei.

Ele sorriu e passou a mão sobre a minha bochecha. O toque era frio, assim como o de minha mãe.

- Eu não vou embora. – Ele disse finalmente.

- Promete?

- Prometo. – Sorri e senti um alivio enorme.

- Eu preciso ir falar com o Finn, sabe, dizer o que o pai dele pediu. – Fiquei de pé.

- Tudo bem, ma belle.

Saí do quarto logo em direção ao quarto de Finn, ficava uma porta à direita do meu. Tudo que eu precisava fazer era entrar, dizer que o pai dele lhe amava e pronto.

Assim que bati na porta e ele a abriu vi que era o tempo perfeito.

Uma foto idêntica a que estava ao lado da de minha mãe estava em suas mãos. Os olhos estavam vermelhos.

- O que você quer? – Ele falou grosso.

- Queria falar com você. – Lhe empurrei para o lado e entrei no quarto.

Já estive ali antes, mas desta vez estava mais bagunçado que o normal.

- Fala logo. – Ele sentou na cama.

- Sei que sente falta do seu pai, assim como sinto da minha mãe. Mas ficar chorando pelos cantos sozinho não ajuda. – Sentei em uma cadeira próxima a cama.

- O que quer que eu faça? Sorria por não ter uma lembrança do meu pai? – Ele soou irônico.

- Não. Mas vocês já pensou que seu pai pode não estar em paz por isso. – Ele arqueou as sobrancelhas. – Já pensou que ele não pode ter o descanso eterno porque você não está bem com isso?

- Ele morreu tem dezoito anos. – Ele se endireitou na cama.

- Eu sei, mas isso não impede de ele se preocupar com você.

- Isso é ridículo. – Ele se levantou e começou a caminhar em direção a porta.

- Só se lembre de que ele te ama, Finn. Você sempre será o garotão dele, e ele se importa com isso. – Levantei da cadeira, passei por ele e saí do quarto.

Carole estava preparando o jantar e mais uma vez eu estava em sua companhia. Girafa tinha voltado para a escavação, porém estava mais sério. Não sei se fiz meu trabalho direito.

Em nenhum momento Carole solicitava minha ajuda na cozinha, eu apenas ficava lá admirando ela cozinhar as maravilhas do jantar e conversávamos sobre tudo.

Ela disse que já tinha em mente alguns estágios de verão que Girafa e eu podíamos fazer. Perguntou como estava indo na escola e se já tinha amigos. Se tinha alguma menina que me interessasse.

Oh pobre Carole, não sabe que não jogo nesse time.

Quando ela terminou de cozinhar pediu que eu chamasse meu pai e Girafa para o jantar. Eu saí da casa em direção ao quintal e notei que os dois estavam dentro do buraco.

Quando cheguei, meu pai me olhou, sua expressão séria e confusa.

- Kurt, ligue para a policia. – Ele saiu do buraco todo sujo de terra.

- Por quê? – Arqueei uma sobrancelha.

- Tem um corpo aqui. – Ele passou a mão sobre a testa.

- U-Um corpo? – Gaguejei e comecei a tremer.

- Tudo bem, pelo estado do esqueleto não é recente. Vá, Kurt. Rápido.

Saí correndo e entrei na casa. Passei reto pela cozinha e pela sala. Subi as escadas e dois em dois degraus. Eu sabia que estava tudo bem, mas precisava me certificar. E a policia podia esperar.

Abri a porta do quarto e estava tudo escuro.

- Blaine? – Dei mais alguns passos na escuridão.

Nada aconteceu e o nervosismo tomou conta de mim.

- Blaine?

Minha voz falhou, e mais uma vez, tudo o que vi foi escuridão.

Notas finais
Onde será que o Blaine tá?
Mereço Reviews?
Té o próximo. xoxo'