Kuroshitsuji III
10 Explanations
Notas iniciais

_Então, pirralho, desembucha logo. Por que nos chamou aqui?
_Eu chamei o Undertaker e ninguém mais. Você veio porque quis. — O jovem conde lançou um olhar mortal ao shinigami ruivo atracado ao braço de seu mordomo.
_Embora o palavreado do senhor Sutcliff seja repreensível, creio que sua pergunta seja válida. Já está na hora de sabermos todos o motivo de tal... reunião.
_Não contou nem mesmo ao seu mordomo o quão insatisfeito está com as habilidades dele, conde?... É verdade que foi derrotado por seu amo? — o funerário voltou-se para Sebastian com um sorriso sinistro.
_Isso é... — foi interrompido por Mendy.
_Verdade! Por isso estou aqui, esse selo sob meu olho é a prova de que Ciel realmente o feriu, seja como for...
_Selo? Que tipo de selo? — questionou o shinigami mais velho.
_Não vem a …
_Um selo contratante. — A garota apontou para a marca sob seu olho esquerdo – Quando os ferimentos de Sebastian são demasiado graves para que ele se cure sozinho em uma velocidade normal, sou obrigada a ir até ele e ceder-lhe minha força vital para auxiliá-lo.
_Interessante... faz um certo tempo desde a última vez que vi um contrato desse tipo...
_Mendy, isso significa...
_Que não sou subordinada dele, sou presa por um maldito contrato de séculos atrás, o obedeço por obrigação pois minha lealdade lhe pertence.
_Foi você quem pediu pelo contrato, e não tinha lhe ouvido reclamar até hoje.
_Isso foi antes de descobrir seu gosto um tanto peculiar para parceiros e de seu mestre em tão pouco tempo se mostrar bem mais eficiente que você!
_Como ousa comparar-nos?
_Você sempre me atraiu, mas não me fez perder o controle. Assim não serve!
_Você...
_Sim! Estou de fora, você não me interessa mais.
O demônio mais velho ficou contrariado, levando poucos segundos para chegar até a garota e puxar-lhe pela cintura.
_Sebas-chan!
_Isso vai ficar interessante... Rhum, rhum, rhum.
_Você realmente está dizendo que esse anão de circo é melhor do que eu? — curvou-se para beijá-la, surpreendendo-se com a reação.
Mendy não mediu esforços e com toda a força estapeou o rosto do outro demônio e logo em seguida afastou-se.
_Minha lealdade é sua, mas eu não lhe pertenço, não me toque novamente ou será ainda pior. — sentiu Ciel puxar-lhe de modo a pô-la atrás de si, como se previsse algo e tentasse protegê-la. Mendy segurou-se em seus ombros e tremeu, o olhar que o mordomo lhe lançava era vazio e mortal.
Os olhos do demônio estavam amedrontadores, brilhando em um vermelho tão vivo quanto sangue. Ele andou em direção à garota.
_Você irá se arrepender... Sua va...
Ciel arrancou seu tapa olho e mostrou ao seu mordomo o pior dos olhares, que em escarlate cintilava.
_Nem pense nessa baixaria, não permitirei tais modos. Espero que não pense em se vingar da senhorita Lindsey, pois está proibido. Você é meu mordomo e como tal me deve obediência. Fique longe de Mendy e trate-a como uma senhora Phantomhive. Sebastian, isso é uma ordem.
_He, he, tais habilidades te tornarão um grande demônio conde Phantomhive! Por que não me disse que era diferente? Teria vindo melhor preparado... Rhum, rhum, rhum.
Sutcliff olhou para Mendy por cima do ombro de Michaelis.
_Você realmente acha que meu Sebas-chan daria seu melhor para alguém como você? — o ruivo envolveu os ombros do mordomo com seus braços ainda olhando raivosamente para a garota. — Pirralha inexperiente... vocês dois realmente se merecem!
Mendy sorriu maldosa olhando Grell com desprezo. Saiu de trás do conde e disse-lhe:
_Perdoe as palavras que sairão de minha boca Ciel, mas elas são necessárias. — voltou-se para Grell.
_Querido, você não passa de uma tentativa inútil de ser uma vadiazinha qualquer, que nem para isso você serve! Você é uma vira-latazinha de dar dó, esse outro aí, só te comeu em busca de retratação, você foi usado e nem se tocou! Você me dá pena! — sorriu sincera.
_Pena? Olha só quem fala... Você só diz isso porque meu Sebas-chan não quis te fuder e agora fica tentando disfarçar rejeitando ele, mas aposto que se esse pigmeu não estivesse aqui, você não teria recusado aquele beijo agora a pouco... e outras coisas também...
_Pelo menos não sou quem estou sendo rejeitada a tanto tempo ao ponto de dar pro primeiro interessado que apareça.
_Você não precisa ser rejeitada pra fazer isso. Já é parte da sua natureza, vagabunda. E você não desmentiu o que eu disse.
_Não é necessário desmentir algo tão obviamente falso, sua putinha barata!
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– Falas censuradas devido à sua classificação indicativa (+21) não condizer com a classificação da fanfic --
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_Não faça com que eu lhe desmembre, sua cadela mal comida!
_Ah, é? Quero ver você tentar, queridinho... Como se fosse páreo para mim...
O barulho da serra do shinigami alertou o conde, que olhou para o funerário.
_Undertaker!
O funerário sorriu de ponta a ponta aprovando e aproveitando a chance que o conde lhe dera. Agiu com tal rapidez que os olhos dos outros ali presentes não puderam acompanhar. Em segundos Grell estava no chão com um dos pés do outro shinigami sobre suas costas e o braço direito do funerário envolvia toda a cintura de Mendy.
_He, he... — observou que o conde estava com a serra em uma das mãos e que a outra estava desocupada – Essa beldade lhe pertence conde. — continuou ao jogar Mendy para Ciel, que pegou a garota ainda de costas para ele pelo pescoço suavemente.
_Calma, Mendy. Não precisa perder o controle... Não vale a pena! — sussurrou a última frase.
_“Não vale a pena” é teu... — começou o ruivo antes que o shinigami mais velho o jogasse para Sebastian, que imediatamente cobriu a boca de Sutcliff, bloqueando o resto da frase.
_Quem diria que você não seria o primeiro a perder a linha... Boa menina! — elogiou o Michaelis, pousando uma mão no quadril esquerdo de Grell.
_Mereço uma recompensa, então? — indagou ansiosamente, afastando a mão do demônio de sua boca.
_Veremos... — o mordomo então voltou sua atenção para o funerário – Diferente? Como assim diferente? E como isso interfere em quão preparado você está?
_Isso aguçou-lhe a curiosidade? — sorriu em malícia. — Não é que não esteja preparado, mas sim o tipo de treinamento que ele precisa. Digamos que seja bem mais rigoroso que o normal, dada a suprema habilidade que trás sua natureza.
_Suprema habilidade? — questionou Lindsey
_Esse pirralho? Impossível! Ele não sabe nem se vestir sozinho!
_Esse fato é compreensível dado que é consequência de sua vida humana como conde.
_Treinamento? — estranhou o mordomo.
_Eu o chamei qui para isso. Depois de descobrir sobre sua real identidade, acho que ele é a melhor pessoa para me treinar, já que lhe derrotei Sebastian... — voltou-se para Undertaker e continuou – Mas como assim minha natureza trás consigo uma “suprema” habilidade?
_Já deve ter percebido a essa altura, conde, que existem várias diferenças de um demônio para outro. Algumas, relacionadas a idade e experiência, são comuns também entre humanos, shinigamis e anjos. Mas algumas são mais peculiares... A mais conhecida, temos um exemplo bem aqui. Seu mordomo, por ser um anjo caído, é considerado um demônio superior, já que seu poder e seus conhecimentos prévios o auxiliaram. Sua adorável noiva, no entanto, era uma humana que foi transformada em demônio, tornando-se inferior por sua ignorância e fragilidade herdadas de sua vida anterior.
_Então eu deveria ser um demônio inferior, certo?!
_Tecnicamente, de acordo com tal classificação, sim. Contudo, existem outras categorias ainda mais peculiares. O fato do conde ter sido transformado quando ainda era tão jovem, seendo possuidor de uma alma tão pura apesar de tudo, como seu mordomo pode dizer muito bem, acabou fazendo com que adquirisse um potencial muito maior do que deveria... Diga-me, conde Phantomhive, alguma outra característica estranha manifestou-se? Talvez um gosto incomum por sangue demoníaco?
O garoto sorriu ao ver que estivera certo em convidar o funerário.
_Precisamente. Existem outros demônios como eu, então?
_Raros, embora não tão raros quanto demônios serpente, mas ainda assim. Essa é a terceira vez que encontro um demônio Beliel...
Michaelis surpreendeu-se ao ouvir aquele nome familiar. Nem como anjo nem como demônio conhecera Beliel, mas ouvira sobre ele antes e depois de sua queda, e a ideia de que Ciel tivesse potencial para tornar-se tão poderoso quanto aquele demônio legendário não o agradava nem um pouco...
_Beliel? O que isso significa exatamente? — indagou o jovem demônio.
_Significa, meu caro conde, que com treinamento apropriado sua força poderá crescer ainda mais... Beliel, assim como seu mordomo, foi um anjo que caiu das graças divinas. Só que ele não era um anjo qualquer, e certamente não se tornou um demônio qualquer. A extensão de seus poderes chegou a ser comparada com a do próprio Lúcifer, que não gostou nem um pouco dessa história... — Undertaker riu sinistramente.
_Ah sim... As guerras infernais são bem mais numerosas que as humanas... Bem mais violentas... E mesmo assim não causam tantas mortes... — Sebastian também riu – E depois somos nós quem prejudicamos os “amados filhos de Deus”...
_Eu ainda não era viva naqueles tempos, mas ouvi falar... Foi um dos maiores conflitos que já tivemos...
_Talvez você fosse viva naqueles tempos, minha cara. Reencarnação é algo bem comum, então as possibilidades são altas.
_Então eu nunca fui boa o suficiente para ir pro Paraíso nem má o suficiente para ser destruída?
_Quem se importa, o gnomo de jardim não pode ser tão poderoso assim!
_Acho que devo concordar com isso... Creio que suas suspeitas sobre meu mestre estejam erradas Undertaker, o último Beliel não é visto a vários milênios e acho que só um deles poderia realmente reconhecer o outro.
_Eu não diriam serem suspeitas, e sim uma certeza. E assim como não é necessário ser um demônio para reconhecer um, não precisa-se ser um Beliel para ver que seu jovem mestre é um deles, especialmente quando se tem o conhecimento e o domínio sobre a Morte há tanto tempo... Não é nada surpreendente que não o tenham visto, no entanto, sendo tão... jovens.
Sebastian sentiu-se contrariado com aquelas palavras, chegando a deixar que uma expressão de raiva toldasse seu semblante.
_Isso é impossível... — resmungou o demônio, mesmo que soubesse estar soando um pouco como uma criança birrenta.
_Na verdade, não... Não só é possível, como é verdade! Ciel Phantomhive é um demônio Beliel, aquele que trará várias mudanças aos dois mundos, vivos e opostos. Ele poderá ser a causa das piores catástrofes ou das melhores evoluções. Ciel, o antigo anjo humano, agora um príncipe entre os demônios, fará tal decisão quando sua real missão enfim for completada. Tal escolha afetará os dois reinos. O que ele irá decidir?
Ao voltar seu olhar para Mendy, flagrou uma expressão que lhe era familiar. Seus olhos agora estavam branco prateados, quase no mesmo tom que seus cabelos, que agora flutuavam sobre seu rosto com o soprar do vento vindo das janelas abertas, insistindo em rondá-la.
_Que espírito baixou nessa puta?
_Mendy? — Os olhos de Ciel, assim como os de todos que estavam ali, observavam a garota. A surpresa do jovem conde com aquelas palavras fez com que mal percebesse o insulto que o ruivo lançara a sua noiva.
_Interessante... — comentou o funerário. Por trás da franja, uma certa curiosidade cintilava em seus olhos.
Os olhos de Lindsey voltaram ao normal e ela cambaleou um pouco, antes que seus olhos fechassem novamente e ela começasse a cair desmaiada.
_Mendy! — O garoto segurou-a antes que ela atingisse o chão, passando uma mão pela pele delicada de seu rosto com preocupação. Ele posicionou-a melhor em seus braços, sem desviar o olhar de sua face, mais pálida do que de costume.
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