Kuroi Neko
1 oneshot
Era noite, um jovem vagava pelas ruas de carro, em busca de diversão para aquela entediante noite de sexta-feira fria. Vagou por umas duas horas e não encontrou nada, viu na esquina a sua frente uma mulher, tinha os cabelos curtos e pretos, usava um vesti preto sem mangas, curto e colado ao corpo em sua cabeça tinham o que pareciam ser orelhas de gato, e balançando junto as suas costas havia uma cauda de gato.
“Ótimo! Uma garota de programa!” pensou o rapaz, acelerou na rua vazia e parou na esquina onde estava a garota, mas quando olhou pra fora do carro e para sua surpresa não havia nada lá, olhou na esquina mais a frente ela estava lá, com os braços cruzados em frente ao peito.
Ficou perplexo, como ela correu toda essa distancia de uma esquina a outra em segundos? E não parecia cansada ou ofegante, ficou com a própria conclusão de que ele havia calculado a distancia de forma errada.
Acelerou novamente, dessa vez mantendo os olhos fixos na garota. Parou o carro ao lado dela e abaixou o vidro.
-Pss Pss Pss!- disse ele, da mesma forma que chamam os gatos
Ela olhou para ele com desprezo, seus olhos vermelhos cintilaram de ódio
-Quanto é a hora?- perguntou ele
Ela não disse nada, somente se virou e foi embora.
Desapontado, o jovem decidiu ir para alguma balada, foi até a danceteria mais próxima.
Chegando lá ele parou no bar e pediu um drinque e ficou ali, bebendo o drinque ao poucos e olhando o movimento.
De repente ele a viu, estava no meio das pessoas tentando passar no meio da multidão que dançava, era a menina gata que viu na rua minutos antes. Largou o drinque no balcão e foi até ela, pegou seu pulso com firmeza e a arrastou até um canto mais isolado, encontrou uma salinha isolada, abriu a porta, lá dentro havia um sofá, somente isso. Ele a jogou violentamente no sofá e foi para cima dela, colocou um joelho de cada lado e segurou os pulsos dela, prensando-a contra o encosto do sofá
-Quanto é a hora?- disse ele novamente
Ela não disse nada, somente soltou um chiado semelhante ao que os gatos soltam quando de irritam, mostrando seus caninos mais pontudos que o normal.
-Vai bancar a gatinha é?- disse ele
Em um rápido movimento ela cravou os dentes em seu ombro, ele berrou de dor e a soltou, ela tentou escapar, mas ele havia trancado a porta.
Ele se levantou com a mão no ombro e tentou segura-la de novo.
Ela foi mais rápida e o jogou no chão, pisando em suas costas com suas botas de salto pretas.
-Mas que diabos é você?!- disse ele
Ela riu, em seguida disse
-Eu sou um gato preto e imundo que vaga pelas ruas em busca de comida, sem casa ou família vivo apenas de favores dos outros
-Então você se prostitui? Por que eu pagaria uma nota preta pelos seus serviços- disse ele rindo
Ela pisou com ainda mais força, arrancando um gemido do rapaz
-Eu não desprezo nenhum ser mais que o próprio ser humano, um ser inteligente, mas ao mesmo tempo estúpido, se achando inteligente o suficiente para julgar os outros sem ter conhecimento- disse ela, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha com a longa unha preta do indicador
-Mas você é humana também! Você se despreza?
-O que?! Humana? Eu?! Conta outra vai!
Ela saiu de cima dele e andou pelo quarto, colocou uma cadeira na frente da porta e se sentou nela, o jovem se afastou dela, encostando-se à parede
Ela mexeu um pouco as orelhas felinas e balançou um pouco a cauda
-Vou te contar uma história, uma história triste, porém com um final feliz. Era uma vez uma garotinha apaixonada, que amava muito um cara desprezível, ela não sabia que ele era tão idiota, estava cega pelo amor, um dia o rapaz disse que queria fazer sexo com ela, só que a pobre virgenzinha, com apenas 15 anos de idade aceitou, o rato imundo de 27 anos de idade a corrompeu de forma violenta, em seguida a abandonou em um hotel barato e imundo, antes de partir ele a disse “Vou embora, não espere que eu volte, afinal você nem é tão gostosa quanto parece, ah e também espero que você tenha dinheiro, por que eu não vou pagar esse hotel nojento sendo que eu não tive um segundo sequer de prazer”. A jovenzinha corrompida fugiu, sentindo muita dor. Ela voltou para casa e viveu aos olhos dos outros como se nada tivesse acontecido, a família não sabia que ela havia sido corrompida, achavam que ela tinha ido dormir na casa da amiga. Cerca de seis meses depois se descobriu que ela estava grávida, foi expulsa de casa e teve de morar na rua. Na rua ela encontrou um novo amigo, um gato preto que conversava com ela sempre “Qual a coisa que você mais deseja?” perguntava ele “Queria ser virgem, queria que aquele idiota pagasse pelo que vez, queria não estar grávida” disse ela “Eu posso fazer isso para você, mas em troca disso você terá que me dar mil almas, incluindo a sua e a do seu bebê, não se preocupe, eu fico com sua alma, mas te dou outro corpo, este será virgem e jovem para sempre” e assim a tola jovem aceitou, perdendo sua alma e seu futuro filho. Ela descobriu onde o idiota que a corrompeu morava e o matou da forma mais cruel que alguém se pode morrer. E assim ela seguiu, se arrependendo do que fez e recolhendo as almas para seu amigo gato, que era o demônio, mas ela não sabia, sabendo que assim que a 999° alma for para o inferno, ela irá para lá também, contando como a alma numero 1000- terminou ela, sorrindo insanamente
-Então por que continua matando as pessoas?! Você vai para o inferno no final!- disse o jovem assustado, sabendo que o pior podia acontecer
-Eu sei que cada alma é um passo a menos para ir para o inferno, mas também sei que cada alma é um passo a menos para passar a eternidade junto do meu amado, e do nosso filho- disse ela tirando algo de trás das costas
-O-o que você tem ai?- perguntou ele tentando ver o que ela tinha atrás das costas
-Sabe e uma coisa curiosa? Você é a única pessoa que sabe da minha história, estranho né? Alma numero 999?- disse ela andando na direção dele com as mãos ainda nas costas
O jovem não deve tempo de gritar, chorar ou falar, só viu o punhal reluzir na luz amarelada que iluminava o quarto, antes dele ser cravado em seu peito.
O corpo jazia no chão, com os olhos arregalados, fitando o teto, o sangue ainda quente escorria de seu peito. E assim a gata preta se ajoelhou no chão, miou por alguns minutos enquanto tirava a faca do corpo do rapaz e lambia seu sangue, continuou miando enquanto levava o punhal até a garganta, finalmente a cortando.
E assim o corpo caiu no chão se incendiando, sumindo em meio às chamas, tudo ficou escuro para ela.
“Bem-vinda novamente” foi o que ela ouviu em meio a escuridão.
Fale com o autor