Notas iniciais
Olá, pessoal! Aqui vem mais um capítulo de Kurohanayome como o prometido!
Aliás, creio eu que vocês devem estar se perguntando o que levaria uma pessoa a dar esse título para uma fanfic. Eu posso responder: um dia, eu estava com vontade de escrever uma fanfic (esta -Q) e queria dar um nome que se enquadrasse com o anime, não apenas no enredo, mas também no nome. Então, com a ajuda de minha mamis japa (Akemi-chan ♥ -rs), descobri que "hanayome" significa "noiva" em japonês. Portanto, "Kurohanayome" significa "noiva de negro" assim como "Kuroshitsuji" é "mordomo de negro".
Enfim, boa leitura. ^^

Logo bateram à porta. Deixei o livro escapar de minhas mãos e cair aberto no chão sem querer. Olhei para a entrada e, repentinamente, me pus a ofegar e sentir meu coração pulsar mais rápido do que o normal. Por que eu estava tão tensa assim?

Um dos criados se aproximou e a abriu. Eu fui pé ante pé na direção das costas dele, respirando fundo com o nariz e soltando suavemente com a boca, tentando manter a calma. Porém, isso se tornou inútil após eu fixar meus olhos em Sebastian, que abordou o servo da casa.

-Jim, deixe que eu mesmo falo com eles. – escutei a voz de meu pai logo atrás de mim.

Sob essa ordem, Jim retirou-se e assim pude ver Ciel, que estava ao lado de seu mordomo com seu conhecido ar de impaciência. Porém, dessa vez aquela impaciência não tinha um jeito de criança mimada, mas de uma pessoa preocupada.

Ele olhou para mim e antes que pudesse esboçar alguma expressão, teve sua atenção voltada a papai quando este disse abrindo mais a porta e sorrindo:

-Seja bem-vindo novamente à Inglaterra, Conde.

-Obrigado, Marquês Middleford. – Ciel sorriu.

-Ah, por favor, já lhe disse que pode me chamar somente de Victor. – papai balançou a cabeça. Olhou para Sebastian e disse: — Obrigado por virem nos visitar. Entrem, por favor.

Sebastian entrou logo após Ciel, que era, praticamente, puxado pelo meu pai até o escritório. Logo fiquei sozinha com o demônio, que olhou para mim e perguntou:

-Por acaso, você não contou a eles sobre aquela noite, não?

-Claro que não. – franzi as sobrancelhas, sentindo que aquilo foi tão pesado quando uma acusação de morte. – Primeiramente, ninguém iria acreditar e depois esse assunto tem que ficar secreto tanto quanto o resto do que está acontecendo.

-Exatamente. Portanto, continue guardando sua língua, sim? – ele deu um meio sorriso. Acho que foi para suavizar as palavras que acabara de me dizer.

Sebastian, como você podia ser tão rude e carismático ao mesmo tempo?

-Não precisam se preocupar. – eu garanti. – Afinal, essa luta também tem a ver comigo.

Ele fez uma expressão de desdém e voltou os olhos para a escada, de onde vinham mamãe e Paula. Ciciou para mim:

-Você pensa que tem a ver contigo, lady Elizabeth.

-Eu não sei o que está acontecendo com você, Sebastian... – eu murmurei a resposta com sinceridade – Mas, a partir do momento que me tornei noiva dele, quando ele era humano, a proteção do reino também virou minha sina.

-Elizabeth, onde estão seu pai e Ciel? – mamãe se aproximou.

Eu e Sebastian suavizamos nossas expressões de seriedade. Respondi a ela:

-Devem estar no escritório.

-Vamos lá, então. – ela parecia ansiosa. Virou-se para o mordomo: — Ah, olá, Sebastian.

-É um prazer revê-la novamente, Marquesa Middleford. – Sebastian fez uma reverência.

Olhei para Paula e reparei que ela tinha a face corada. Realmente, Sebastian era de seduzir qualquer mulher, embora aquela última conversa estranha me fez perder parte do encanto.

Chegamos ao escritório, que estava com a porta aberta. Ciel e papai estavam sentados nas poltronas que ficavam próximas à janela. Meu pai fumava um charuto enquanto meu primo bebia uma xícara de chá.

Ao ver minha mãe, Ciel deixou a xícara de lado e a cumprimentou:

-Há quanto tempo, tia Frances...

-Ah, meu pequeno Ciel! – mamãe não deixou de demonstrar emoção, o abraçando fortemente e depois apalpando seu rosto. – Como é bom vê-lo voltar da morte! Está tão bonito! Parece tanto com seu pai quando ele tinha essa idade. Aliás, quantos anos você tem? Dezenove ou vinte? Meu Deus, Victor, ele realmente tem a cara de Vincent!

Eu apertava as minhas mãos diante daquela cena e concordava internamente com o que mamãe dizia: Ciel era a cópia quase perfeita do pai, com exceção de que seus olhos haviam sido herdados do belo par de safiras que a mãe carregava no rosto. Aquele dia ele usava um casaco azul marinho muito escuro, combinando perfeitamente com eles e o anel – aquele bendito anel! – encaixado em seu dedo mínimo.

-Elizabeth, fale alguma coisa! – mamãe cutucou meu ombro ao reparar que eu estava com os pensamentos distantes. Senti meu rosto queimar nesse momento.

-Ah... Faz muito tempo, não é mesmo? – eu tentava me integrar àquela atmosfera eufórica entre as pessoas de meu lar.

-Que isso, minha filha, você nem parece feliz com o retorno de seu primo. E pensar que ontem você quase chorou ao se lembrar dele... – mamãe disse brincando.

Meu rosto queimou mais ainda. Ciel, rindo suavemente, respondeu por mim:

-Na verdade, nós já nos falamos antes... – suspendeu a frase e olhou para mim. –... Quando eu cheguei aqui.

Reparei que aquilo havia sido uma omissão de fatos: meus pais pensavam que ele se referia há alguns minutos antes, mas a verdade é que nos encontramos no dia que quase fui sequestrada.

-Então, meu jovem, o que realmente aconteceu? – meu pai perguntou entre as baforadas do charuto.

Ciel voltou-se para ele e disse franco:

-Pressuponho que essa minha “morte” trouxe muitas inquietações desde que retornei. – sentou-se na poltrona novamente e cruzou as pernas. Suspirou: — Mas, tudo isso teve um grande motivo.

-Conte-nos. – papai pediu.

Eu voltei toda minha atenção a Ciel aquele momento. Queria guardar todas as palavras da história para depois evitar a exposição dos verdadeiros fatos sobre no que o Conde Phantomhive havia se transformado e qual era a sua missão.

-Tudo começou no fim. – ele riu. – Eu e Sebastian estávamos a caminho de Paris, a fim de visitar um antigo conhecido da família que estava em estado terminal. Porém, em meio à viagem, ocorreu uma nevasca muito forte e não tínhamos onde nos abrigarmos: ao redor tudo era gelo e à direita do tílburi só tinha uma grande descida íngreme até um rio quase congelado. Para nosso azar, a diligência tombou e eu fui arremessado para fora de maneira que caí no rio. Enquanto estive consciente, e isso foi por pouco tempo, lutei para me segurar nas margens congeladas, porém quase nem sentia o movimento de minhas mãos devido ao frio. Logo me deixei ser levado pela correnteza gélida.

-Essa versão não foi a que a polícia formulou. – meu coração bateu rápido ao escutar meu pai murmurar isso. Ele continuou: — De acordo com eles, você havia sido sequestrado e depois morto no caminho entre a Inglaterra e França.

-Se considerarmos que Sebastian me arrastou até lá, talvez possa ser considerado um sequestro. – meu primo fez uma leve piada, lançando seu olhar para o discreto mordomo.

-Na verdade, sugeri algo que confortaria o coração desolado da família daquele senhor.

-Realmente. – Ciel balançou a cabeça com seriedade. Voltou-se para papai: — Ainda há coisas que eu não consigo entender de como aconteceram. Acho que alguém preveu que eu padeceria com esse incidente e tiraria proveito.

-Como é possível prever a morte de alguém? Meu Deus... – minha mãe murmurou.

Ciel voltou aos seus relatos:

-Eu fiquei totalmente inconsciente depois disso. Anos depois, Sebastian me contou que ele, o cão dinamarquês do dono do tílburi e o auxiliar percorreram por toda extensão do rio me procurando até chegarem numa parte onde ele se dividia em dois. Eu fui arrastado justamente para o lado mais estreito e eles não podiam mais avançar. Enfim, dias depois de cair e ficar inconsciente, acordei numa pequena choupana na floresta. Minha cabeça doía muito e eu estava assustado. Para piorar, não me recordava de absolutamente nada.

-Amnésia? – papai perguntou.

-Sim. – Ciel balançou a cabeça. – Devo ter batido com força em alguma pedra ou tronco de árvore. Aquele rio ainda não havia se congelado inteiro, mas a água estava extremamente fria. Continuando: acordei na choupana tão assustado quanto um coelho e logo me apareceu uma senhora com uma bacia de água quente. O nome dela era Abigail e era uma viúva que morava ali com a filha, que se chamava Laura. Elas haviam me visto desacordado na margem perto da casa dela um dia antes e me arrastaram pra lá. Até hoje sou extremamente agradecido por terem me ajudado.

A história de Ciel soava tão fantástica, que eu tentava imaginar qual seria a minha reação se eu não soubesse da verdade: com certeza ficaria com os olhos brilhantes e balbuciando “Isso foi um milagre” assim como mamãe.

-Passei por muito tempo inconsciente do meu passado e me pus a aprender a cortar lenha e pescar para ajudar aquela senhora, que logo se tornou uma mãe para mim. Laura era mais nova do que eu três anos e todo dia nós cuidávamos também do pequeno rebanho de ovelhas da família. Ela tinha o cabelo dourado puxado levemente para o castanho e os olhos bem verdes. Pareciam com os de certa pessoa... – olhou para mim.

Sorri de lado. Meu pai soltou uma baforada intensa de fumaça e deixou o charuto no cinzeiro, perguntando:

-Por quanto tempo você ficou sem se recordar de sua origem?

-Não me recordo direito. Mas, foi o suficiente para ver três primaveras passarem. Quando faltava pouco para eu completar dezesseis anos, tive uma recaída numa madrugada: me recordei de tudo até o momento que caí no rio. Na manhã seguinte, contei isso a Abigail e ela demonstrou satisfação ao ver que eu já me recordava de onde eu havia vindo. Porém, para voltar para casa, eu precisava achar Sebastian para me ajudar a preparar meu caminho, afinal qualquer impostor poderia querer se passar por mim, não?

-Foi difícil de vocês se reencontrarem? – mamãe virou-se para o mordomo.

-Na verdade, acho que estava apenas faltando a “hora certa” para eu acha-lo. – Sebastian respondeu. – O jovem mestre colocou cartazes de procura com meu nome e um desenho de meu perfil que ele tinha guardado na memória. Desenho mais perfeito que aquele não existe.

-Pare de puxar o saco. – Ciel bufou.

Eu ri. Sebastian sorriu:

-Mas, isso é um grande fato, jovem mestre. O senhor tem talento incrível para várias áreas da arte.

-Então, vocês se encontraram logo? Por que demoraram tantos anos para retornar para casa? – eu fingi curiosidade.

-Como eu disse anteriormente, precisava de uma pequena preparação. – Ciel me respondeu. — Retomar hábitos antigos e outras coisas para autenticar minha nobreza ainda viva. Desculpem por todo constrangimento e lágrimas arrancadas em vão. Se soubesse que meu desaparecimento tinha acarretado tantos impasses, teria retornado bem mais cedo.

Meu coração se apertou e abaixei a cabeça naquele momento, me recordando dos dias que eu sorria na frente das pessoas e, à noite, abafava o som do choro com meu travesseiro. Apesar de que aquilo não foi em vão, de certa forma: diante de nós não estava mais o Ciel humano, mas o Ciel que tinha uma natureza sobre-humana.

-Fatalidades da vida. – meu pai resmungou. Tocou no ombro de Ciel e o confortou: — Não precisa se culpar, essas coisas não acontecem por quê escolhemos. Apesar de que... – olhou para mim e hesitou em continuar a frase.

Eu deduzi o que era. Cruzei os braços e senti minha expressão endurecer de raiva. Ciel nos olhou de modo confuso e papai voltou a falar com ele em tom manso:

-Estamos tentando convencer Elizabeth a se casar com outra pessoa... Quer dizer, estávamos.

-Por que “estavam”? – Ciel perguntou com naturalidade. – Se há alguma coisa a ser feita, que seja realizada logo, não é?

Eu me senti abandonada nesse momento: como ele podia falar daquele jeito?

Amanda – nossa governanta – bateu à porta nessa hora. Todos voltamos nossa atenção a ela, que falou:

-Com licença, meus senhores, mas o almoço já está servido.

Após o almoço, outra visita ilustre chegou a nossa casa e, por se tratar de negócios, papai pediu desculpas a Ciel pela indelicadeza de deixá-lo de lado por enquanto, mas garantiu que logo voltariam a se falar – embora, eu tinha certeza de que nosso outro visitante não iria embora tão cedo. Aproveitei que mamãe fazia sua sesta e fui ao jardim onde mordomo e senhor estavam parados, observando o verde das folhas e colorido das flores reaparecer aos poucos com a lenta dissipação da neve de inverno.

Me aproximei de Ciel pelas costas e disse com ar de empolgação:

-Bela atuação de vocês hoje! Parabéns!

-Obrigado. – ele virou-se para mim com um sorriso.

Cruzei os braços e olhei para as botas dele. Depois levantei a cabeça e mudei bruscamente a expressão feliz para uma preocupada:

-Mas, é sério mesmo que você não se importa de estarem querendo me arranjar casamento com outra pessoa?

-Jovem mestre... – Sebastian olhou para Ciel de forma enigmática.

Ciel o encarou de volta e apenas fez um sinal com a cabeça. Sebastian ainda permaneceu por perto durante alguns segundos e depois se retirou obedientemente com a expressão nervosa. Deduzi que tinha sido por minha causa e murmurei:

-Desculpe.

-Pelo o quê? – Ciel me perguntou.

-Sebastian deve estar zangado pelo fato de eu estar me aproximando demais de você.

Meu primo passou a mão pelos cabelos acinzentados e suspirou:

-Aquele idiota fica assim com qualquer pessoa que se aproxima demais de mim. – disse à parte: — Embora, com você seja mais difícil...

-Ele sempre teve ciúmes de você? – me senti envergonhada ao reparar que até o mordomo tinha ciúmes dele, enquanto eu nunca senti isso em questão a Ciel se relacionar com outras pessoas.

-Na verdade, ele tem ciúmes da alma que ele nunca irá tocar. – ele sorriu obscuro. Depois, voltou para uma expressão mais doce: — Porém, vamos deixá-lo para lá. Ele é apenas um velho de trezentos anos... – o Phantomhive me ofereceu o braço e eu enlacei minhas mãos nele.

Percorrendo pelo jardim, que agora era um misto de verde e branco, eu pensava no que poderia dizer e que não soasse constrangedor, embora ainda ecoava dentro de mim a pergunta de que se Ciel realmente não se importava em ver que minha vida estava começando a ser traçada para viver ao lado de outro alguém.

De repente, ele parou de andar e eu o acompanhei. Sem olhar em meus olhos, o escutei:

-Desculpe por ter te feito chorar naquela época. Aliás, também peço desculpas por não poder te ajudar, mas eu não sou mais o mesmo de antes, Lizzy. Muita coisa mudou desde que eu larguei minha condição humana.

Eu inclinava o meu corpo para o lado dele aos poucos, sempre segurando aquele braço com firmeza como se aquilo garantisse de que Ciel não ia me escapar das mãos como a água escorre dentre os dedos.

-Aos poucos, eu estou perdendo minha essência humana e me tornando uma criatura fria. Os sentimentos estão abrindo espaço para as piores coisas que nem os humanos deveriam ter como a ganância, vaidade e orgulho. – ele continuou. – Demônios são muito vingativos. O que a igreja mostra não chega a ser nem um terço do que eles são na realidade... E do que eu estou me tornando. – olhou para mim. Alisou minha mão e continuou: — Eu realmente não quero te assustar ou machucar, mas te peço uma coisa, Lizzy, e espero que você a cumpra.

-O quê? – minha voz saiu involuntariamente num tom de anseio.

Ele ficou em silêncio. O vento soprava fortemente contra nós, fazendo meu cabelo e vestido serem sacudidos com veemência, porém não me importei em tê-los bagunçado e amassado. Ciel disse num suspiro:

-Não se envolva nessa batalha. Apenas fique sã e salva. Eu sei o que você me disse naquela noite, mas isso é arriscado demais e nem de longe está em proporções humanas.

-Não! – eu protestei, algo previsível. – Eu já disse que não me importo! Mesmo que você esteja se transformando em algo diferente do que você era antes, isso não impede o fato de que você é um Phantomhive que não morreu e, considerando isso, meu destino de proteger o reino ao seu lado ainda existe.

Ele soltou-se de mim e me encarou sério:

-Elizabeth, isso não é um jogo, muito menos uma peça teatral onde se escutam palavras bonitas e atos heroicos acontecem naturalmente. Isso aqui é a vida real. Nosso destino se partiu a partir do momento que eu deixei de ser alguém como você. Elizabeth, eu não vou mais envelhecer! Enquanto você viverá sua vida e irá partir dela farta de dias, eu viverei agonizando pela eternidade e devorando almas! Aliás, se você quer saber... – ele diminuiu o tom de voz, ficando ameaçador. – A Laura da minha história existiu... Era uma criança de oito anos que queria vingança pela morte do pai e fizemos um trato. Logo após eu matar todos os assassinos, devorei a alma dela.

Eu estava atônita. Conseguia escutar tudo com clareza e minha mente se abriu para compreender a realidade, porém eu ainda não aceitava isso. Eu ainda não acreditava que mesmo que pudesse vê-lo, tocá-lo e escutá-lo, estávamos separados pelo maldito destino. Maldita vida que nos separa das pessoas que amamos!

Por mais que Ciel se demonstrasse agressivo e irritado, eu senti a dor ocultada por aqueles gestos. Logo ele abaixou a cabeça e falou em tom pesaroso:

-Eu não me orgulho do que eu fiz com ela e com outras pessoas que vieram até mim. Sebastian disse que, um dia, eu acostumarei. Mas, vendo os outros fazendo a mesma coisa que fiz quando criança, desejar a vingança e viver praticamente por ela, me fez reparar o quanto fui imbecil e agora estou pagando o preço pelo resto da eternidade. Porém, apesar de tudo isso, eu ainda quero defender o reino que me foi destinado a cuidar, um dia. Acredito que ele nunca vá ruir ou demorará muitos anos.

Parou de ventar. Eu relaxei minha postura e respirei fundo: realmente, a situação era mais complexa do que imaginei. Toquei na cabeça dele e disse:

-Sabe... Mesmo que você me repita isso por várias e várias vezes, eu sempre irei responder muito mais vezes que quero ficar ao seu lado e proteger o que a rainha Victoria e seus antepassados deixaram. Mesmo que nossa ligação tenha desaparecido quando seu “eu” humano partiu, mesmo que você se transforme numa criatura horrível, mesmo que, um dia, meus cabelos fiquem brancos e a pele enrugada... Enquanto eu tiver voz e forças, quero lutar com você. De fato, a realidade não é uma peça de teatro e isso que torna as coisas mais emocionantes. – eu sorri e, nesse momento, ele me olhou com expressão confusa. Eu balancei a cabeça: — Sim, emocionantes: dar a minha vida por algo que realmente valha a pena está na lista de coisas a se fazer, afinal corre um pouco do sangue Phantomhive em minhas veias também graças ao parentesco entre nossos pais, não é? Ajuda nunca é demais, Ciel...

Ele me abraçou. Aquilo foi repentino e fiquei um pouco encabulada, mas retribuí o abraço.

Naquele momento, juro que senti outro coração além do meu pulsando.

-Sua persistência é puramente de família. – ele murmurou afagando meu cabelo. Afastou-se de mim e recompondo-se disse: — Então, vamos lá. Esse é um caminho sem volta.

-Sim. – eu sorri e ergui a mão para o alto em sinal de felicidade ao reparar que ele se convenceu de fato.

Mas, sempre lembre-se disso, Ciel: pra mim, sempre serei a esposa do Cão de Guarda da Rainha, não importa aonde eu vá e o que digam. Defenderei seu sorriso, enquanto ele existir, e o bem de todos até eu ser reduzida a pó. Eu prometo.

Notas finais
E aqui terminamos mais um capítulo. Obrigada a todos que estão lendo e, por favor, se gostaram da história ou acham que tem algo que precisa melhorar, me avisem! Adoraria saber a opinião de vocês, que vale muito para mim. ♥333
Até a próxima semana, pessoal! o/