Kuro no Yuki Hana
1 Red Blood on the White Snow
2017... Em algum lugar na Rússia...
Era uma noite fria, como de comum naquele país. Fora, nada mais do que o branco infinito da neve, e alguns pedaços de concreto e ferro para cima. Em meio a essa destruição, um lugar se mantinha inteiro. Ou quase inteiro. Parecia uma pequena casa de madeira, rachada e suja. Era um bar para viajantes. Por dentro, lembrava os bares antigos, do século passado. Era bem rústico. As mesas ficavam pessimamente distribuídas pelo lugar, junto com as cadeiras. O balcão era um tanto rachado, e bem sujo. Os copos que eram colocados de pé ali ficavam “grudados” no balcão, devido o pó. E bem... Os copos era amarelados, devido a sujeira. Ao fundo do balcão, várias estantes atrás do barman. Todas com garrafas de vários tipos de bebidas. Todas também, amareladas devido a sujeira, e com muito pó grudado. Não tinha música. Apenas o som das conversas e risadas exageradas. Todos os homens ali eram enormes, fedidos e com roupas horríveis. Parecia um bando de vikings nojentos. Em meio aos brutamontes, um rapaz não tão grande se destacava. Ele estava sentado num dos bancos à frente do balcão. Com uma garrafa de vodka na mão esquerda, bebendo-a pouco a pouco. Ele estava com o tronco curvado para frente, de cabeça baixa, olhando a garrafa e o balcão. Era ruivo e tinha o cabelo liso, até mais ou menos a linha do peitoral. Mal dava para ver os olhos dele. Vestia uma jaqueta de couro preta, mal dava pra ver os detalhes. E nem tinha muitos detalhes. Era bem simples. Era aberta. Por baixo, uma camiseta preta, simples, também sem detalhes, que ia até um pouco abaixo da cintura. Tinha dois bolsos embaixo, por fora, para as mãos, como típico. E dois bolsos em cada lado, mais ou menos no peito. Por dentro, um bolso de cada lado. Nas calças, jeans azul, desbotada e rasgada em alguns pontos. Do cinto negro com detalhes prateados da calça, saía uma corrente de cada lado da frente, logo ao lado da “linha do umbigo”. Essas correntes iam até atrás, prendendo ambas no mesmo ponto, numa simetria perfeita. Nos pés, coturnos negros, sem muitos detalhes. Nas mãos, uma simples luva negra, com abertura para os dedos, que ficavam para fora. O bar nunca ficava em silêncio. Sempre sussurros, risadas, gritos e vozes. Então... Umas risadas. E alguns olhares se focaram no rapaz diferente que bebia no balcão. Então... Um dos homens se levantou. Ele tinha uns 2 metros de altura, tinha braços enormes. Tinha um longo cabelo loiro crespo, completamente embaraçado. A barba era enorme também. Vestia um casaco de pele marrom de algum animal, que cobria todo o tronco, e uma simples calça preta rasgada. Nos pés, uma bota marrom rasgada. Ele era completamente sujo e fedido, e o casaco estava sujo, com manchas amarelas, vermelhas, e de várias outras cores... Ele chega atrás do ruivo. Todos fazem silêncio, observando os dois ali.
- Ei... O que você faz aqui, garotinho? Esse lugar não é para gente como você. Se você sair agora, prometo que deixo um dos braços inteiros. – Dizia o grandalhão, já fechando os punhos.
- O que eu faço aqui? Ah... Vá se foder, cara. Enche o saco de outro.
- OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOH! – Gritou todo o bar, empolgado. Uma briga iria começar.
- Ah? Você não faz idéia quem eu sou... MAS EU VOU FAZER VOCÊ ENTENDER! – Disse o loiro, já com o punho no ar, quase voando com força na direção da cabeça do rapaz de cabelo liso.
Foi rápido. Quando o soco chegou perto da cabeça, o rapaz moveu-a para o lado esquerdo. Quase ao mesmo tempo, levou a mão esquerda aberta, segurando o grande punho. Como se estivesse debochando, continuou com a garrafa de vodka na mão direita, terminou os últimos goles... E disse:
- Você é chatinho, hein? – Disse, enquanto girou a mão, fazendo com que o braço do brutamonte virasse também, ficando para cima, com o cotovelo para baixo. Rapidamente, o rapaz levou a mão direita para o cotovelo, forçando para cima. Um urro de dor do grandalhão... Estava com o braço quebrado. Mas não tinha acabado. Ele se levantou com um passo para trás. A mão direita escorregou até colocar o cotovelo na axila dali. A mão esquerda moveu-se, segurando o pulso agora. Forçou o braço direito para fora, assim como fez com a mão esquerda, que segurava o pulso. Ele arrancou o antebraço, fazendo com que uma boa quantidade de sangue fosse atirada no chão e na roupa de ambos. Ele berrou de dor, e caiu no chão, levando a outra mão até a parte amputada.
- WAAAH! MEU BRAÇO! MEU BRAÇO!!! FILHO DA PUTA... O QUÊ... O QUÊ É VOCÊ?!
- Já disse. Vá se foder e cala a boca, isso não é do seu interesse.
O silêncio. Apenas o grito do homem sem braço no chão. O ruivo segurava o antebraço firme que pingava sangue no chão. Ele estava parado, sério, olhando para a multidão que olhava para os dois. Estavam perplexos. Que tipo de pessoa era ele?!
- O... O QUE PENSAM QUE ESTÃO FAZENDO? MATEM ESSE DESGRAÇADO...! ARGH! – Gritou o loiro amputado no chão. Envolta dele, já ia se formando uma poça de sangue. E assim começou a briga. Mais que rapidamente, o barman se escondeu embaixo do balcão. Um dos homens correu primeiro. Ele era quase igual ao anterior. Se não fosse o fato da barba ter uma espécie de trança, e ser ruivo. Ele corria, gritando, com uma cadeira nas mãos. Quando se aproximou, o rapaz com aparência de motoqueiro resmungou:
- Ah... Que merda. Por quê eu não trouxe minhas armas?
Ele estava perto. Era hora do ataque. Rapidamente, golpeou o grandalhão no rosto, usando o antebraço do outro. Quando acertou, soltou. Saltou... E deu um chute com força no joelho da perna direita, quebrando-a. Ele urrou de dor... Mas mal teve tempo de pensar na dor, e o rapaz já lhe desferia um forte chute no rosto. Praticamente girava no ar. Esse caiu para trás, gritando de dor. Ele ficava parado agora, suspirando... Enquanto isso, três dos “gigantes” tinham o cercado. Um deles usava um cutelo bem grande, o outro, um porrete com pregos. E o terceiro... Uma mesa. Os três atacaram simultaneamente... Como ele não era idiota, e era melhor que os outros, já havia saltado para cima do balcão. Ele abriu os braços, e num tom irônico e debochado, disse:
- Ah... Vocês são um bando de cabeça-de-merda, viu. Com esse tamanho, não conseguem acertar alguém pequeno como eu? Tsc tsc tsc...
O objetivo era irritar. E deu certo. Eles correram, quebrando tudo. O rapaz rapidamente saltou contra o armário das bebidas, colocando os dois pés ali... Mas a gravidade e leis da física ainda funcionavam. Rapidamente, ele saltou para cima, em sincronia exata. Saltou na hora que os brutamontes acertaram o armário, e ficaram sujos de bebida, e um pouco machucados, devido os vidros. Parado encima de uma mesa, num canto isolado do bar, ele sacou de dentro do casaco um maço de cigarros, e colocou na boca. Acendeu-o com um isqueiro de ferro, também retirado do bolso de dentro... Guardou o isqueiro e o maço... Lentamente, deu uma tragada, e segurou o cigarro com a mão direita. Soltou a fumaça lentamente...
- Vocês ainda não me acertaram. – Disse, provocando mais ainda. Mas agora, os insultos acertaram mais dois, que estavam ali. Dos outros dois, um deles tinha uma espada de duas mãos, que para ele, era só uma mão. E o outro, um machado pesado. O da espada avançou contra o rapaz ruivo, realizando um golpe na horizontal. Rapidamente, ele saltou para trás, parando numa mesa. Quando tocou a mesa, o do machado realizou um golpe na vertical. Mas ele deu um pequeno salto para o lado, esquivando-se. Saltou encima do cabo, já que machado estava preso no chão. Rapidamente, quando o pé tocou o cabo, saltou de novo, girando no ar, realizando um poderoso chute na horizontal, acertando em cheio no rosto do grandalhão, fazendo-o largar o machado, cuspir alguns dentes e cair no chão, tonto. Os três molhados de bebida e o da espada gigante se irritaram, e resolveram avançar. O rapaz ruivo riu... Quando eles chegaram perto, ele saltou para cima antes que os golpes o acertassem, e ficou lá, parado, sentado em uma das vigas. Disse, debochado:
- Vocês são lentos pra cacete, viu.
Eles, assustados, olharam para cima... E viram a sombra do jovem no teto. Mas algo brilhante vermelho descia rapidamente... Era... O cigarro! O cigarro tocou em um deles, e logo, o fogo tomou conta de todo o corpo... E o fogo passou para o outro, e para o outro, por estarem próximos e o fogo ser alto. Eles gritaram de dor e desespero. Um deles se atirou no chão, e ficou girando numa tentativa inútil de apagar o fogo. Outro, correu, se atirou contra a parede, tirou as roupas... Ficou pelado e saiu correndo como um idiota pelo frio. Ele tropeçou, caiu no chão e ficou rolando tentando apagar o fogo. O fogo apagou. Mas era frio demais. E ele morreu. O outro correu, e colocou as mãos nos ombros do da espada de duas mãos, e gritou:
- IRMÃO! IRMÃO! ME AJUDE! AAAAAAAAAAARGH! – O irmão “muy amigo”, realizou uma estocada no peito, matando-o. Ficaram algumas queimaduras, que doíam. E o que rolava no chão? Bom... Ele morreu. E ateou fogo no bar. Só sobrou um, aquele da espada de duas mãos. Tinham mais homens? É... Até tinham. Mas correram de medo. O grandalhão da espada esticou-se e correndo, tentou realizar um golpe na viga... Acertou, quebrando-a. Mas quando a espada desceu ao chão, ela cravou ali. Ele puxou com força, para retirá-la... Mas enquanto puxava, o rapaz ruivo pulou contra ele, realizando uma voadora épica e forte no rosto, atirando-o para fora do lugar. A espada ficou ali dentro, em meio ao fogo.
- P... P... Por favor, não me mate! Por favor, tenha piedade, tenha piedade!! – Disse o homem, deitado na neve, implorando pela vida.
- Piedade? Vocês chegam, estragam minha noite e querem piedade? Ah... Vai se foder. – Disse o ruivo, rapidamente ajoelhando-se encima do brutamonte. Colocou ambas mãos na cabeça dele e... Girou-a, matando. O rapaz voltou ao bar, agora que já estava em chamas. O barman levantou-se do balcão, e viu o cara que começou toda aquela confusão, numa boa, indo em direção ao balcão. Embaixo do balcão, desesperado, o barman gritou:
- O... O QUE VOCÊ QUER? SEU LOUCO! LOUCO!
- Ah, cala a boca. Vim só pagar a bebida. E se eu fosse você, eu corria, ou você vai morrer aqui. – Disse, sério, enquanto deixou algumas notas verdes no balcão. Ele saiu pelo buraco na parede de madeira, e seguiu caminhando para o branco infinito... O barman pegou o dinheiro e correu até o rombo na parede, saindo dali. Ele gritou:
- EI! RAPAZ! QUAL O SEU NOME?! QUEM É VOCÊ?!
O ruivo parou, e virou a cabeça, fitando-o de relance.
- Meu nome... É Edward Winterlock. Mas pode me chamar só de Eddie. E quem eu sou? Pf. Nem eu sei responder essa, amigo.
E assim ele seguiu caminhando, com as mãos nos bolsos da jaqueta.
Dois dias depois...
- O QUÊ?! VOCÊ É RETARDADO, EDWARD?! EU MANDEI VOCÊ INVESTIGAR, E NÃO MATAR UM BANDO DE BRUTAMONTES E ATEAR FOGO NUM BAR! – Gritava a mulher, irritada.
- Ah, qual é, Dandan... Pelo menos eu paguei bebida.
- E VOCÊ AINDA BEBEU LÁ??!! MAS QUE MERDA! VOCÊ SÓ FODE AS INVESTIGAÇÕES! E NÃO ME CHAME DE DANDAN! – Disse , colocando ambas mãos no rosto, balançando a cabeça negativamente.
- Uh... Com licensa... – Disse uma voz masculina, enquanto a porta da pequena sala escura abria.
- Ah... É você, Antoine... Entre.
- Oh... Você está aí. Olá, Edwarrd.
“Era só o que me faltava... O francesinho veado...” Pensou Edward, enquanto cruzou os braços, bufando. Estavam todos numa pequena sala escura, com apenas uma lâmpada amarela, piscando no centro. A mesa era comprida. Numa ponta, sentava Daniela Rodrigues, a cabeça da organização. Num lugar perto dela, à direita, sentava-se Edward. E à frente de Edward, Antoine. Daniela era uma mulher bonita, devia ter uns 26 anos e era da Espanha. Tinha lábios carnudos, olhos verdes e um belo cabelo negro que ia até um pouco acima da cintura. Ela vestia uma simples blusa de algodão, bordada na gola e nas mangas. Calça preta e um sapato de salto não muito grande, preto. Antoine era loiro, tinha o cabelo curto e bagunçado. Vestia uma camiseta lisa e sem nada de diferente, branca. Por cima, um colete azul. Calça azul e um tênis preto com alguns detalhes em branco. Parecia ter 23 anos. Edward? Bom... A mesma roupa de antes.
- Então, Antoine. Descobriu algo? – Perguntou Daniela.
- Sim, descobrri sim... Aquele conhecido como “Desesperro da Noite” fica nas ruínas de um prrédio, a norrte de onde Edwarrd estava. – Respondeu Antoine, o francês.
- Ah, qual é! Eu me ferro, perco uma semana, sou atacado por um bando de retardados num bar e esse veadinho consegue a localização exata?! – Diz Edward, quase gritando, enquanto coloca a as mãos na mesa, fitando Antoine, parecendo que ia matá-lo.
- A culpa não é minha se você é um incompetente. – Rebateu Antoine.
- Você vai ver se não amasso essa sua cara, seu francês de merda! – Disse o ruivo, irritado, já preparando para dar um soco no rosto do rapaz à sua frente.
- Já chega, vocês dois! – Disse Daniela, desferindo um soco na mesa. Antoine exibiu um sorriso debochado pra cima de Edward. O francês era mais controlado... Já o outro... – Não é hora de discutirmos. É hora de planejarmos. – Prosseguiu ela... – Edward. Conseguiu alguma informação?
- Óbvio? Acha que fui lá só pra bater em alguns retardados? Descobri que o psicopata que estamos procurando, além de atacar sempre à noite, mata crianças de 11 anos ou menos. Mas já matou gente maior, devido a aparência... – Respondeu o ruivo.
- Ok. E você, Antoine?
- Nada demais, madame. Apenas a localização.
- Certo... Edward. Você vai lá e vai matar ele.
- WHAT?! Por quê sempre eu?!
- Você é o único aqui que pode lutar contra esses psicopatas, e você sabe disso. Uma prova foi aquela matança no bar.
- Que droga, viu? Eu preferia ter morrido quando o vírus se espalhou. – Resmungou Edward, colocando a mão direita no rosto e o cotovelo apoiado na mesa, olhando para o lado contrário da mulher.
- ...Cala a boca, Eddie, e vá pegar suas coisas.
- Vadia... – Resmungou, levantando-se.
- O QUÊ VOCÊ DISSE, SEU MERDA?
- Ah, nada, nada. Desculpe... Senhorita Daniela. – Disse o ruivo, num tom de deboche.
- Bem melhor assim. Agora vá, vá!
Ele saiu da sala. Batendo a porta. Estava irritado. Mas precisava fazer aquilo.
- ...Com essa perrsonalidade... Você não acha que ele um dia vá se irritar e sair da organização, Daniela? – Indagou Antoine.
- Não... Ele não pode. Ele precisa salvar a irmã... Lembra? Depois do incidente causado pelo governo dos Estados Unidos da América, a irmã dele não chegou a morrer... Mas ficou doente. Os pais dele, e o resto da família... Todos morreram. Ele foi afetado, mas o organismo dele agiu diferente. Por isso ele tem esse poder... E por isso ele é desse jeito... Mas ele não vai sair, enquanto não encontrar a cura pra sua irmã.
- Eu esperro... — Disse Antoine, colocando a mão direita no queixo, pensativo.
- Bom. Vamos lá. Temos coisas a fazer.
- Sim... Vamos.
E assim, ambos se levantaram, e se retiraram da sala.
Minutos depois, no quarto de Edward...
- Edwarrd... Posso entrrar? – Disse uma voz feminina, atrás da porta.
- Ah. Claro. Entre, Alexia. – Respondeu Edward, como se não fizesse diferença. Ele estava preparando a colocando nas costas a bainha de sua espada. Ela entrou... Alexia era uma mulher não muito atraente, mas bem tímida. Tinha belos cabelos lisos e negros, que se estendiam até o meio das costas dela. Ela vestia, como sempre, um vestido negro, com alças. Descia até um pouco abaixo do joelho, e do lado direito era aberto até um pouco abaixo da cintura, para dar mobilidade aos movimentos. Nos pés, sapato negro de salto alto. Nas pernas, uma meia calça simples, lisa e preta.
- Eu soube da discussão que você e Antoine tiverram... Eu sinto muito pelo meu irrmão.
- Ah, é? Sério. Que se foda ele. Eu não ligo praquele veadinho francês. Nada contra franceses. Mas ele é um merda.
- N... Não fale assim dele, Edwarrd!
- Por quê? Só porque ele é seu irmãozinho? Ah. Vai se foder você também, Alexia.
-...Grroso. – Disse ela, saindo rapidamente do quarto, e batendo a porta. Ele realmente não ligava. Terminou de colocar o cinto. Atrás do cinto, deixou o facão, e aos lados, as pistolas. Na bainha das costas, sua espada longa, que devia ter uns 1,10m de comprimento, só na lâmina. E assim ele foi... Desceu as escadas, e abriu a porta do esconderijo temporário... Ao sair, fechou-a. Estava coberto pela neve... Alguém de fora nunca imaginaria que aquilo era um esconderijo. Então, agora, preparado, Edward segue caminhando pela neve, em direção ao seu primeiro alvo: O Desespero da Noite.
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