Kuro Tenshi no Densetsu - Jigoku no Mae Ni
16 Talvez Eterno
Notas iniciais
[...]
No mesmo instante, Yui corria cegamente pelos corredores sendo perseguida por Amanda e Watanuki, aparentemente hipnotizados por algum feitiço estranho de Usk. A morena praticamente não tinha mais visão. O local perdeu a luz e a primeira coisa que ela pensou foi em praguejar Usk por ter dificultado ainda mais sua luta. Yui tinha que pensar em como lutar contra eles e em como fazer para torná-los lúcidos novamente. Mas primeiro pensou em como despistá-los.
A menina então virou em um corredor e entrou na primeira porta a sua frente. Pensou em procurar a saída, mas era arriscado. Para isso ela precisava atrair Amanda e Watanuki para a saída também. Ela estava às cegas. Qualquer erro seria fatal. A morena ainda ouvia passos dos dois que a perseguiam, porém estava inerte e lotada de pensamentos:
–Droga... O que eu faço? Eu não tenho senso de direção nesse local escuro...
Yui fechou seus olhos e ficou completamente imóvel. Logo após isso, imagens do local tomaram seu cérebro. A morena conseguia imagens de todo o lugar, buscando uma saída. O que ela está fazendo é algo complicado. Ficar imóvel e deixar a mente “andar” por um lugar estranho é algo de extremo desgaste. Mas, o lado bom disso é que a pessoa nunca esquece do que está vendo.
A morena voltou ao seu estado normal muito cansada. Estava prestes a desmaiar, mas lutou contra o subconsciente e continuou acordada. Ela não ouvia mais os passos de seus inimigos e abriu a porta. No mesmo instante, Amanda e Watanuki a chutaram para dentro do local onde a menina estava novamente.
– Eles ainda estavam aqui? Mas que droga! – Yui tentou se levantar, mas Watanuki a pegou pelos cabelos e a jogou contra a parede e a chutou seguidamente. O loiro a agarrou novamente e ficou segurando-a para Amanda socá-la inúmeras vezes seu abdômen. Yui foi jogada longe e caiu se contorcendo de dor.
Amanda e Watanuki foram se aproximando da menina, e a mesma passou a pensar em várias coisas. Algumas até estranhas.
– Eu sou tão fraca assim? A ponto de perder uma luta por causa de uma habilidade que ainda não dominei? Sou uma inútil mesmo... Ah... Se eu desaparecesse logo, acho que iria poupar muita gente de problemas... Desculpe Soli. Não pude nem sequer tirá-los daqui. – pensou Yui
Yui fechou os olhos esperando o ataque dos dois, A frase “Se eu desaparecesse logo” ficou ecoando em sua mente. A morena notou que Amanda e Watanuki estavam demorando muito para atacá-la, e abriu os olhos em consequência disso. Ficou sem entender absolutamente nada. Seus dois inimigos estavam andando pelo corredor procurando por ela...
Mas a menina estava no mesmo local. “O que deveria ter acontecido?” ela se perguntava em pensamento.
Yui levantou-se do local e caminhou lentamente. Havia percebido que Watanuki e Amanda estavam andando em direções opostas. Supostamente para procurá-la. Yui foi andando tentando seguir um deles, já que tinha os perdido de vista. A menina ia caminhando lentamente, mas sem nenhum erro devido à habilidade que a mesma executara minutos antes.
A morena escutou alguns passos apressados vindo em sua direção. Era Watanuki. Ela percebia pelo seu cabelo loiro. A menina ficou parada em guarda, mas o loiro passou direto dela. Isso a fez continuar sem entender nada.
Yui chamou a atenção do menino fazendo barulho no chão. Watanuki se virou, mas depois voltou a andar para longe da morena.
– Ei, você... Eu estou aqui! – gritou Yui – Droga. Não podia ter feito isso.
Watanuki voltou, ficou a meio metro da menina e se virou de novo. Yui se assustou com a volta do menino, mas aliviou-se pelo fato do menino ter regressado a procura. Mas, isso não mudou o que a morena pensava. Ela colocou a mão num vidro de uma janela. E por estar escuro, não estava vendo seu reflexo.
Daí foi à vez de Amanda entrar no corredor. Ela passou por Yui sem perceber nada. Yui por sua vez, estava olhando a janela e percebeu o vulto passar pela janela como se a morena não estivesse lá. Yui não acreditava no que estava acontecendo, mas era verdade. A menina estava completamente invisível.
Ela notou que sua saia, que era branca, como flocos puros de neve, não dava para ser vista. Podia estar escuro, mas não a ponto de não perceber de perto que havia alguém junto a você. Foi então que Yui teve uma ideia.
A Morena fez vozes e barulhos para chamar atenção de seus dois inimigos. E foi assim que ela foi levando-os para a saída. Ela foi os chamando, como se fosse um fantasma...
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No lado de fora, Neoteni, Takashi e Haruna Fitavam seriamente o semblante loiro a frente deles. Um vento forte vindo do norte anunciava que uma tempestade estava para chegar. Alguns trovões já davam para ser ouvidos.
Um trovão estrondoso assustou Haruna, fazendo com que a menina fechasse os olhos. Quando os abriu, Neoteni já não estava lá. A anja fez um vôo tão rápido, que ultrapassara a velocidade do som. Mas nem isso era suficiente para parar Yuki. A loira sumiu do local e apareceu atrás da Anja novamente. No mesmo instante lhe deu um empurrão.
Haruna foi logo depois e seu punho colidiu-se com o punho de sua inimiga, que logo depois se teletransportou para as costas de Takashi. No meio dos estrondos e dos trovões, o moreno nem percebeu que ela estava atrás dele. Neoteni gritou para ele. E foi assim que ela salvou o menino da morte. Yuki sacou uma faca e investiu tentando acertar o pescoço de Takashi, porém, quando a anja gritou para ele, o mesmo virou o pescoço no mesmo instante, fazendo com que Yuki errasse o alvo. Mesmo assim, o golpe pegou de raspão.
Takashi sentiu a faca passando e aproveitou para pegar o braço de Yuki e jogá-la seguidamente ao chão. Takashi pode ouvir algumas costelas da loira se partindo enquanto atacava. Logo depois ele deu um último arremesso ao chão e chutou o rosto da menina em seguida.
Haruna e Neoteni foram para encontro dela e a viram. Desacordada. O trio estava aliviado. Tudo havia enfim terminado.
– Cara... Eu estou exausto. – disse Takashi suspirando. – Vamos terminar isso logo.
Takashi virou as costas para Yuki e foi embora seguido por Haruna e Neoteni. Takashi então se virou para as duas e começou a falar novamente.
– Bom... Quando terminarmos, vamos comer algo... To morrendo de fome. – logo depois de dizer, abriu um sorriso.
– Vai ser ração? Eu adoro ração – disse Haruna com certo entusiasmo
– Ração? – perguntou o menino
– É a única coisa que eles dão... Não me lembro de ter comido há tempos...
Takashi notou Neoteni cerrar seus punhos. Sua face estava inconformada. A anja achava isso uma covardia.
O moreno estava andando de costas e começou a notar a beleza de Neoteni com aquele rosto sério. Era diferente de quando era o recipiente... Completamente diferente. Era a anja original que estava na frente dele dessa vez. Takashi estava deixando se levar por seus devaneios, quando olhou para o que estava atrás dela. Logo notou que Yuki não estava mais lá. No mesmo instante, a loira apareceu por de trás da Anja com um facão nas mãos para matá-la. O moreno deu um pulo por cima da menina e foi atingido bem no pescoço. O golpe não foi em cheio, porém acabou perfurando uma artéria. Ele perdeu os sentidos segundos depois.
– Hã? Takashi? Takashi? – chamou Neoteni. Em sua voz se percebia um leve tom de desespero. O menino não respondia. – Takashi... Acorde... Takashi! Takashi!!! – gritava. Mas sem resposta.
Neoteni viu Yuki a uns trinta metros. Quando a faca acertou o moreno, ela se teletransportou para longe. Neoteni olhava para o semblante do menino desacordado e a poça de sangue que manchava suas roupas e também “manchava” seu auto controle. Ela não conseguia mais se segurar. A anja deixou suas lágrimas novamente rolarem por seu rosto por causa dele. Seu coração doía e batia mais forte e mais triste.
– Haruna... Pegue o Takashi e entre na fábrica de novo. Só saia quando eu chamar. E não veja o que eu estou a ponto de fazer. – pediu a Anja com um tom sério apontando para a sede da HATE. A menina fez o que lhe foi pedido. Quando ia tirá-lo dos braços de Neoteni, a mesma a parou e antes de largá-lo, acariciou seu rosto e tomou seus lábios para si. Queria que esse beijo fosse em outro dia, em outro lugar, mas com que Neoteni tinha em mente, era impossível.
Neoteni Largou o menino e Haruna voou para dentro da HATE. Antes de entrar, Haruna questionou:
– O que você vai fazer?
– Dar minha vida na terra a Takashi! – foi essa a resposta. Haruna não entendeu bem, mas adentrou no local sem questionar nada.
Neoteni virou-se para Yuki, que aparentemente estava apenas assistindo a cena. Depois de uma longa risada, Ela se levantou do chão e fez posição de batalha.
– Gostei da cena. Foi engraçado. Queria matar você primeiro... Mas, não deu. Bom... É melhor que assim eu brinco mais. – disse ironicamente – Seja mais interessante dessa vez.
– Me desculpe por não entretê-la. – retrucou Neoteni
Yuki apareceu na frente de Neoteni mais uma vez, tentando seu ataque, porém a anja bateu suas asas e voou de costas para o alto. Porém a loira também podia se teleportar para o céu, o que assustou a anja no primeiro momento, Porém, não podia voar. Os ataques de Yuki no céu eram ruins.
Neoteni voltou ao chão logo depois, seus olhos estavam fechados. Seu corpo e mente estavam aparentemente calmos. Yuki Se teleportou para atacar Neoteni novamente, mas seu golpe super veloz foi parado completamente por apenas uma das mãos da Anja.
– Poder... Total...! – cochichou Neoteni. Em seguida abriu seus olhos e seu sorriso demoníaco. Seus globos oculares estavam vermelhos. Os olhos penetrantes da menina assustaram Yuki. A Anja apertou mais seu braço e virou para o lado oposto, fazendo a loira gritar de dor.
Logo depois, ela virou o corpo de Yuki, fazendo os ossos de seu braço quebrarem completamente. A loira ficou ajoelhada gritando de dor
– Pare de choramingar... Eu não senti nada – debochou Neoteni rindo
– Maldita. – Neoteni deu uma joelhada no nariz da menina, e logo depois pisou no rosto de Yuki.
– Você é a maldita aqui! – gritou – Por sua culpa, eu não tive a chance de dizer pra ele que eu o amo... Por sua culpa, nós, mesmo sabendo que ele poderá viver novamente, não iremos viver juntos novamente... Eu posso salvar a vida dele de novo! Mas por sua causa isso terá consequência. Por sua causa... – Neoteni num modo de tentar descarregar sua raiva começou a chutá-la incessantemente – Eu... Voltarei... A aquele maldito lugar.
Neoteni não parou de chutar a menina, que já estava desacordada. A fúria da Anja dominou a menina completamente dessa vez. Ela esmagava a cabeça da menina contra o chão. Arrancou o braço que havia quebrado e continuava batendo, até que foi parada por uma menina que segurava um guarda-chuva. Logo atrás dela estava Johanna. Haruna havia saído da fábrica e avistou a cena. Todas tentando conter Neoteni. Haruna a abraçou e a anja desabou em lágrimas.
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Dentro da HATE, Soli e Usk ainda lutavam de igual para igual. Ambos já estavam ofegantes e sem paciência para pensar em alguma estratégia. Ambos iam com tudo o que tinham.
Os raios de Usk já eram mais intensos, assim como as chamas de Soli. Em longa distancia ambos se colidiam e faziam uma grande fumaça sempre. Quando a menina tentava encurtar, o moreno não deixava.
– Droga! Morra Logo! – gritou Soli furiosa.
– Eu vou morrer um dia né? – ironizou rindo
– Tá fazendo graça? Ok... Vou te destruir de uma vez.
– Você sempre diz isso... Cumprir que é bom...
Soli correu para um lado diferente de onde estava indo antes. Sempre que tentava atacá-lo, ia sempre em sua direção. Ela deu um salto e pôs os dois pés na parede. Logo depois impulsionou seu corpo e no ar projetou três lanças e jogou contra o menino, que se defendeu fazendo uma tela de raios que o protegia feito um escudo.
A menina não parou de atacar. Depois de começar a levitar até chegar ao teto, quebrou o chão com o poder de suas chamas. Usk não havia entendido o que Soli tramava. Segundos depois, um terremoto foi ouvido e as chamas voltaram. Porém voltaram para onde o garoto estava. O golpe acertou Usk de surpresa.
Logo depois, Soli aproveitou e acertou seguidas lanças de fogo em seu inimigo.
– Venci? – perguntou Soli para si mesma.
– A resposta é não. — Usk se levantou logo depois com cara de bravo. — Você nem chegou perto disso...
Soli investiu para um golpe direto, porém quando estava bem perto de Usk, o mesmo segurou o braço dela, lhe retirou seu cajado e a eletrificou. Quando a soltou, Soli cambaleou e caiu. As chamas dos seus cabelos se apagaram e o tom vermelho voltou.
– Consegui! Ha! Eu consegui! – comemorou Usk rindo – A cada vez que recebo dano, minha eletricidade fica mais densa... Você deve ter tomado um choque de mais ou menos 9000 Volts. Nem você sobrevive a isso. Agora... Vamos terminar de vez... Vai que está viva ainda?
Usk pegou o rosto da ruiva para lhe quebrar o pescoço. Quando começou a virá-lo, viu que duas sombras se aproximavam por trás e deu um salto. Ao olhar para trás, viu que alguém tentou atacá-lo, pois um estrondo havia acontecido e uma fumaça subiu. Quando se dissipou, Usk notou que eram Amanda e Watanuki. Aparentemente voltaram ao normal. Mas, o garoto percebeu que Yui não estava lá. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, Watanuki, num piscar de olhos, apareceu na frente do garoto e lhe acertou um soco que fez quebrar a parede.
– Você pode mandar em mim, pode me torturar, pode fazer o que quiser comigo. Mas se você tocar na Soli mais uma vez, eu juro que te mando pro outro mundo. – Apesar da fúria que sentia por dentro, o loiro falou tão naturalmente que chegou a assustar Amanda.
– Tarde demais pra dizer isso, camaleão. A vida dela está acabada. – disse Usk com certa arrogância
– Você não sabe mesmo do que eu sou capaz... Quando descobrir sobre mim, será tarde demais, Usk... Dessa vez não me pegará desprevenido – Watanuki estalou os dedos e Usk desapareceu do local.
Usk abriu os olhos e se levantou de onde estava. Percebeu que estava difícil andar no local, que era verde e as árvores eram tão gigantes que quase não dava para ver seu final. Ao dar alguns passos com muita dificuldade, pisou em falso e caiu em uma armadilha. Minutos depois, alguns monstros humanóides alaranjados, e com quatro braços chegaram e pegaram Usk.
– Conseguimos o café da manhã, gente – disse um dos monstros.
– Vamos abatê-lo antes que fuja de nós! – disse outro com um machado na mão.
– Camaleão Maldito – gritou Usk com todas as suas forças
Logo depois, Usk gritou em desespero, mas em vão... Ninguém ia ajudá-lo naquele lugar.
– Eu disse que iria mandá-lo para o outro mundo. – Disse Watanuki, com os olhos fechados e rindo.
Amanda estava sentada com o rosto cheio de preocupação. O coração de Soli parou de bater, porém seu corpo ainda se movia.
– Que sorte. Yui conseguiu a tempo. Se não fosse ela, Usk teria conseguido matá-la. – disse Watanuki
– Como assim? – perguntou Amanda.
– Eu tenho um encantamento que pode fazê-la voltar ao normal. Ela está num modo que não a permite morrer facilmente
– E como funciona?
– É só eu beijar ela. Mas tenho que beijar alguém vivo antes... – Watanuki passou a fitar Amanda que corou e recuou um pouco.
– D–De jeito nenhum! – respondeu corada
– Você... Não me diga que... Nunca beijou ninguém? – perguntou com um rosto meio malicioso.
– N – Não te interessa... De qualquer jeito, não vou beijar você!
– Sabe... Eu também não desejo isso, mas não tenho escolha.
– Não!
– Então eu peço a Yui... Ela tem mais utilidade do que você. – provocou
– O que você disse? – Amanda havia caído na provocação
– E tem mais... Tenho certeza que os lábios dela são mais macios! – Watanuki se levantou e foi em direção ao o que seria a porta.
– Pare já! – Amanda caiu fortemente na provocação do loiro – Tá... Eu faço! Seu grande idiota. – Watanuki riu e sentou perto de Amanda novamente. Ela estava nervosa demais.
– Humanos são tão interessantes... – comentou o loiro
– E–E... Espere... Deixa eu me preparar para isso.
Watanuki se aproximou cada vez mais da menina. Amanda olhou nos olhos do loiro e se sentiu hipnotizada pela beleza deles.
– Vá... Devagar... – pediu Amanda. Watanuki, então, foi lentamente ao encontro dos lábios de Amanda. Logo seus lábios se tocaram. A menina foi pondo suas duas mãos no rosto de Watanuki. Mesmo não sendo um casal, o beijo acabou sendo bem apaixonado, pelo menos no lado de Amanda. Um tempo depois, ambos se separaram.
Watanuki virou as costas para a menina, que ficou com o dedo indicador no lábio inferior de sua boca. Seu rosto mostrava um tom forte rubro. O menino então disse algo que a menina não entendeu e beijou os lábios de Soli. Alguns minutos depois, Soli acordou. No mesmo instante, Amanda sentiu seu corpo pesar.
– Ótimo... — disse Watanuki aliviado.
– Wata... Nuki? – começou Soli – Você está bem...?
– É claro... Não dá pra ficar melhor.
– E... E o Usk?
– O mandei para um planeta fora dessa e de nossa galáxia. Provavelmente já morreu!
– Obrigada...
Ambos ficaram se entreolhando, até que Watanuki lembrou.
– E o Takashi?
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Neoteni já estava mais calma. Ainda chorava, estava meio confusa, pois não fazia ideia de quem era à menina com o guarda chuva e também por que Johanna estava no local. Todas estavam em volta de Takashi. Haruna percebeu que o coração do menino ainda batia. Mas, ainda não entendia o porquê de Neoteni ainda estar em lágrimas. Na verdade, ninguém entendia.
– Tá... Explica aí. Por que você tá chorando? – perguntou Johanna.
– O Takashi... Ele está morto... – começou. – Eu posso salvá-lo, mas eu não vou poder ficar com ele de hoje em diante.
– Por quê? – perguntou Haruna
– Existe uma espécie de regra para eu viver neste mundo... Eu não pertenço a esse lugar, e nunca pertencerei. Porém, me permitiram que eu vivesse nesse mundo, para que eu visse como esse mundo é ruim. Quando eu nasci, jogaram-me uma maldição. E se eu trouxesse um morto de volta a vida mais de uma vez, eu voltaria para onde eu nunca deveria ter saído. Resumindo: Se eu reviver Takashi, voltarei ao inferno e ficarei lá pelo resto da vida. – Terminou
– E por que ainda insiste? – perguntou Johanna
– Por que eu o amo, é claro! Daria minha vida a ele... Mesmo com ela não valendo nada. – respondeu Neoteni com um sorriso feliz. Apesar de tudo isso ter acontecido, o filme de sua vida com o garoto passava em sua mente da forma mais clara possível. Johanna parecia não ter entendido. Isso por que nunca se apaixonou em sua vida.
Neoteni tomou a frente, ficou de joelhos, juntou as mãos e começou a rezar novamente. Lentamente suas asas foram ficando cada vez mais escuras e seus olhos tomaram um vermelho intenso, logo depois, uma espécie de coleira surgiu no pescoço dela.
– Quando ele acordar, digam que eu não posso ser procurada. Digam também que eu vou estar sempre com ele. Digam adeus A Soli, Watanuki e Yui por mim... Adeus... – depois disso, Neoteni o beijou mais uma vez. – Eu te amo, Takashi...
Depois disso, desapareceu completamente, sorrindo.
– Ela sumiu... – disse a menina com o guarda chuva na mão.
Alguns minutos depois, Quando, Amanda, Soli, Watanuki e Yui, que havia chegado depois, já tinham saído da HATE, Takashi acordou. Todos sorriram ao ver seus olhos se abrirem, exceto Johanna.
– O... O que houve? – perguntou o moreno.
– Acabou. – respondeu Soli sorrindo – Acabou tudo.
– Acabou mesmo? Não vão ir mais atrás de você? – perguntou Takashi levantando o tronco do chão e ficando sentado
– Sim... Ninguém nos procurará novamente – Soli abaixou a cabeça tentando conter a emoção.
– Cadê a Neoteni? – perguntou olhando em volta.
– Er... Ela saiu. Disse que você não precisava procurá-la por que voltaria. – mentiu a menina com o guarda chuva
– Idiota. Ela não disse que iria voltar... – começou Johanna – Ela disse que vocês não podem procurá-la. Disse também que ela está sempre com você... E também lhes mandou um até mais.
– Que direta. – comentou Haruna.
– Ela morreu...? – perguntou o moreno mudando completamente sua face.
– Quase isso. Ela foi pro inferno – respondeu Johanna – Mas foi como uma escrava, provavelmente... Parece que esse negócio de anjos é mais complicado do que eu pensei.
Takashi ficou de pé e olhou para cima. Fechou seus punhos e sorriu
– Bom... Isso quer dizer que eu tenho que buscá-la?! Interessante... – falou com confiança.
– Takashi... Ficou louco? – perguntou Soli em um tom alto – Nem eu conseguiria sair de lá viva.
– E você acha que eu vou ficar aqui sabendo que Neoteni está sendo usada como uma ferramenta no inferno? – retrucou Takashi. Soli ficou preocupada, assim como todos os outros presentes. – Eu vou... De algum jeito.
– Não vejo problema em te ajudar. – disse Watanuki – Tenho que guardar o mínimo de dignidade que me resta
– Watanuki... Você – Soli foi cortada pelo loiro.
– Não se preocupe... Eu sou bem mais do que todos pensam que eu realmente sou... Esse tempo passado na terra sozinho não foi em vão.
– Watanuki... Então... Eu também vou... Não posso deixar minha amiga sozinha novamente. Ou meu nome não é Soli Mizuno.
– Er... Eu to te devendo uma... – disse a menina com o guarda chuva.
– Espere... Eu já te vi antes. – disse Takashi. Um filme se passou na cabeça dele, fazendo se lembrar de quando eles se encontraram pela primeira vez. Perto da praça onde Takashi e Selion lutaram. – Cara... Quem é você? – perguntou
– M – Me desculpe por não ter me apresentado antes... Eu sou Kinomori Misaka. Prazer. – cumprimentou se curvando logo depois.
– Cara... Por que você não conseguia falar comigo naquele dia, e o que você queria?
– É que... Eu queria que você salvasse minha irmã... Aconteceu uma coisa antes, mas ela está melhor.
– Espere... Quem é sua irmã?
– Eu! — disse Johanna entrando na conversa.
– V – Você? Logo ela... Você queria que eu a salvasse?! – perguntou Takashi indignado.
– Você acha que eu também fiquei feliz quando ouvi isso dela? – retrucou Johanna
– É por isso que eu não falei nada. – comentou a menina – Mas, eu vou com você. Já disse que te devo uma. Você abriu os olhos de minha irmã. – concluiu.
– Eu não entendi.
– Um dia entende.
– Droga... Eu não tenho escolha. Eu também vou. Ela é muito teimosa e tão forte quanto eu. Ela decide o que ela quer... – disse Johanna
– Eu vou onde o Takashi for – disse Yui pulando nas costas do moreno
– Eu... Eu posso ir também? – perguntou Haruna
– É claro. – respondeu Takashi.
– Só falta você... Vem com a gente? – perguntou Yui a Amanda
Amanda olhou para todos até finalmente encontrar Watanuki. O Beijo entre eles realmente mexeu com ela.
– S–Sim... — respondeu
– Desculpe por meter todos vocês nessa... Mas eu não poderia estar mais grato a todos vocês... – Disse Takashi.
Todos se entreolharam sorrindo.
– Ela de algum jeito também faz parte de nossa vida. – disse Soli.
– Partiremos no outono. – disse Takashi
Takashi e os outros não tinham ideia do que viria pela frente. Eles iriam entrar no lugar mais hostil de todos os universos para resgatar uma pessoa importante. Novos perigos, Novos inimigos, novos amores. Tudo os aguarda no outono...
Fim?
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