Kuro Tenshi no Densetsu - Jigoku no Mae Ni
4 Fúria da Fome
Notas iniciais
— Bom... Deixe-me ver aqui... Alguns anos atrás a anja e eu éramos prisioneiras junto com mais algumas pessoas de nossa idade — No tempo, 16,17 — A única coisa que nós sabíamos era que nenhum de nós era humano puro ou sequer humano... As pessoas que nos aprisionavam e faziam experiências conosco diziam que nós não nascemos na terra e paramos aqui por “destino”...— Soli deu uma parada, e mudou a expressão de seus olhos. Neoteni mudou igualmente.— Mas as experiências eram muito dolorosas. Para nós, era melhor a morte do que sofrer isso todos os dias... Até que...
Flashback
Nas montanhas Yamaga havia um castelo em perfeitas condições. Era bonito, as pedras estavam perfeitamente bem colocadas, Se Alguma pessoa passava por lá, diria que era um castelo de uma princesa... Porém, por dentro, as celas gradeadas, e superlotadas existiam aos montes. Dentro de uma das últimas celas, haviam duas meninas aparentemente com medo dos gritos e barulhos oriundos do laboratório no andar de cima do castelo.
— Não... Eu não quero!!!! – Neoteni gritava tampando os ouvidos e chorando de medo.
— Calma anjinha... – Soli tentava consolá-la — Vai dar tudo certo... Não vamos passar por isso de novo. Não se esqueça... Temos um plano.
— Mas seu plano é loucura! Eu nem sei que “Transformação” é essa.
— Vai por mim, é só esperar...
Neoteni, por mais que confiasse na única pessoa que viveu sua vida junto a ela, não levava fé no plano louco dela.
E a hora havia chegado. A anja estava para ser levada, mas Soli de imediato parou o guarda.
— Hey, senhor guarda – ela chamou. Quando o guarda virou seu rosto, viu Soli completamente nua e de costas na frente dele. — Sei que você é louco por uma menina mais nova... Venha até aqui... Venha...— E com sua voz sedutora, Soli hipnotizou o guarda, literalmente. Apesar das grandes marcas do passado cravadas em seu corpo, a ruiva era bela, e jovem. Neoteni aproveitou a distração e roubou a chave que estava na jaqueta, que ele tirou logo depois.
Neoteni libertava silenciosamente os outros presos enquanto Soli usava seu corpo como isca ao guarda. Todos estavam soltos... Contando com a dupla de garotas, seis jovens: Três meninos e mais uma garota. Dois garotos eram irmãos anjos celestiais, ou seja, com o poder liberado, eles podiam fazer coisas incríveis. Coisas divinas juntos. E em questão de segundos, o guarda estava caído no chão.
O que os esperavam mais a frente não eram apenas guardas... Eram armadilhas poderosas e mortais... Eles não tinham muito tempo... Precisavam correr.
Enquanto eles corriam às cegas tentando achar a saída, um alarme começou a soar e o chão começou a tremer.
E as armadilhas começaram a ser liberadas. Enquanto eles corriam, parte do chão se abriu e quase levou uma das garotas para a morte. Lanças atravessavam as paredes, assim como grandes foices. Mas tudo era ineficaz. Até surgir um lugar onde havia uma trifurcação. Todos seguiram seus instintos e se separaram. Soli e Neoteni ficaram sozinhas. E por sorte delas, o caminho que seguiam era o correto... Mas, tinham que passar pela parte mais difícil: O laboratório. Lá, as pessoas que realizavam as “experiências dolorosas” esperavam por elas, lá havia cinco pessoas. Todas preparadas para lutar. Antes de entrarem na sala, a anja se ajoelhou de medo e chorou silenciosamente...
— Anjinha – Soli chamou, Neoteni olhou bem dentro dos olhos dela — Deixe comigo...
— Mas, Soli... Você vai morrer assim. E-Eu não quero... – Neoteni foi interrompida por um forte abraço, e um sorriso de sua amiga.
— Deixe comigo – a ruiva repetiu — Confie e mim... Eu voltarei pra ver você. – a ruiva tornou a fitar novamente os olhos da Anja, que deu um sorriso e se escondeu debaixo da cama de cirurgia que havia na sala assim que Soli se apresentou para um duelo.
Sendo todos da mesma família, os cinco tinham golpes e ataques iguais. E eles eram bastante rápidos no ataque, mas Soli também era. Tinha grande habilidade em combate corpo a corpo, e logo acertou um deles — que por sinal, era mulher — com um soco no rosto seguido de um chute na altura dos seios. A mulher caiu desacordada. A partir dali apenas inimigos homens. E eles pareciam ser mais habilidosos do que a mulher. Soli tinha muita dificuldade para se defender dos ataques, e logo cedeu sua defesa e levou diversos golpes.
Mas Soli tinha algo a mais. Ela chamava a si mesma de “Maga Escarlate”. Isso por que, quando precisava, Entrava neste “modo mágico” no qual seu cabelo e olhos ficavam com a cor mais intensa.
— Malditos Humanos! Fizeram-me usar esse modo... Vocês não têm sorte mesmo.
Mas os “humanos” também tinham poderes. Eles estalaram seus dedos, e a partir disso, uma luz branca envolveu a todos. Logo após a luz se dissipar, notava-se cada um com um par de manoplas brancas. E não era só isso... A roupa deles mudou também. Era uma malha negra com detalhes dourados. Eles mais pareciam lutadores profissionais.
Mesmo assim, Soli ainda tinha vantagem: Além de poder voar, o combate dela passou a ser de longa distância. A ruiva pegou um cajado que ninguém viu de onde ela conjurou e atacou os homens com uma magia estranha. Do cajado havia saído um monte de estrelas em chamas, que atingiram dois dos homens. Uma enorme poeira se levantou e apenas um estava de pé na frente dela.
— Só falta um... – ela disse confiante, com um sorriso no rosto.
— Cadela do demônio... – o homem ofendeu
Soli atacou de novo com o mesmo golpe, mas ele desviou do ataque facilmente e foi pra cima dela se apoiando nas paredes com os pés. Ele socou e a ruiva defendeu o golpe com o cajado, mas ele atacou de novo, porém ela se defendeu facilmente e empurrou o homem para o chão.
Depois, a maga deu um rasante, e atacou por cima. Ela destruiu o telhado com apenas um movimento, e o homem apenas com os braços e as pernas tirava as pedras que caíam em sua direção, e acidentalmente acertou o braço de Soli com uma delas. Foi puro golpe de sorte ela ser acertada pela pedra, mas foi o suficiente para ele atacar com a mesma estratégia de antes. E dessa vez ele acertou. Ambos caíram em pé no chão. E Neoteni, só de espectadora, olhava o esforço de sua amiga.
Ambos estavam ofegantes. Soli bem menos do que o homem. Ela começou a girar seu cajado numa velocidade incrível, e daí saiu uma enorme rajada de vento, O homem ficou temporariamente cego com a poeira da destruição do telhado. E foi assim que ela deu o golpe final, atacando o homem com seu melhor golpe. Aquele que derrubou dois homens de uma vez. E com as estrelas em chamas perfurando o homem, ele sucumbiu a morte.
— Venha anjinha! estamos... – Soli não conseguiu terminar sua frase. Arregalou os olhos, vendo seu sangue jorrar ao chão.
Quando ela olhou para o lado, viu um homem em pé. A ruiva notou o seu vacilo... Tinha percebido que havia derrubado dois e só um estava de pé. Como eram cinco, e antes do ataque, ela havia derrubado apenas a mulher...
— Cadela maldita... Deu trabalho... — disse chutando e pisando Soli ainda no chão.
— Soli!! – gritou Neoteni saindo debaixo da cama cirúrgica.
— Ora... Você estava aqui... Que traidora. Deixando tudo pra cadelinha ruiva. Isso foi medo? Seu lixo! Vocês duas vão a caminho da morte.
A fúria já havia dominado o espírito de Neoteni. E suas asas começaram a crescer em suas costas. Seu belo vestido preto já havia coberto seu corpo, e ela rapidamente ficou de frente para o homem, que tentou se defender do ataque mágico da menina, mas o mesmo era tão furioso que seu corpo quebrou a parede do lugar tamanha a força da magia. Logo ela voltou sua atenção à sua amiga.
— Soli... Me desculpe. Soli... Eu... Vou tirar você daqui. – Neoteni pegou a ruiva no colo e saiu pelo telhado.
A anja escondeu Soli e ela numa casa que ela, forçadamente, tirou os moradores.
Algumas semanas depois e a ruiva estava completamente curada. Elas duas se refugiaram naquela casa por algum tempo.
Um dia, quando ambas estavam dormindo, a casa foi invadida e o quarto onde elas dormiam foi invadido por um homem. Essa pessoa não deu nem tempo de reação. Quando Soli percebeu, ele já estava levando Neoteni pelos cabelos.
Soli correu pra cima dele, mas errou o ataque. Ela acabou acertando a anja, que acabou sendo arremessada para janela, que se quebrou. Depois disso, Soli foi fortemente agarrada, e logo impedida de atacar o inimigo. Mas no fim, ela deu um pequeno sorriso por saber que Neoteni ainda estava livre.
Neoteni havia caído numa grande caçamba de lixo desmaiada, e por lá ficou até acordar de madrugada e não perceber mais a presença de Soli.
Quando não viu a ruiva no apartamento, pensou em ir atrás dela, mas mudou de ideia. Ela iria ser apenas mais um alvo fácil.
E a partir dali, Neoteni se tornou uma fugitiva. Ela via cartazes com o rosto dela e uma recompensa abaixo. Vivia perigosamente, até conhecer Takashi e sair daquela cidade.
Mas... E Soli?
Soli foi levada a um lugar completamente diferente de onde elas estavam da última vez. Dessa vez era uma sala totalmente branca, onde suas mãos eram presas em duas extremidades, deixando seus braços arqueados até o limite de seus músculos. A frente dela havia apenas uma tela de vidro, no qual dava para ver a sala onde eram realizadas as pesquisas sobre ela.
Soli ficou bom tempo sem comer e sem beber nada... E esse foi o grande erro das pessoas que lhe fizeram prisioneira.
A maga não estava sendo alimentada, e seu corpo precisava de comida para sobreviver... E já que ela não comia nada, seu cérebro começou a imaginar comida – ou melhor — começou a imaginar carne. E nas horas que ela via pessoas, ficava com uma fome insaciável. Seus olhos ficavam vermelhos e ela ficava fora de si. Tentava de todos os jeitos tirar suas mãos das algemas, mas com sua magia anulada nada poderia fazer...
Isso era o que os pesquisadores pensavam.
Nunca se passou isso na cabeça deles, mas Soli fora de si e com fome faria de tudo por comida. Até "Autocanibalismo". Ela começou a morder seus braços numa tentativa desesperada de se soltar das algemas. A ruiva arrancou seus pulsos ficando completamente livre... Sem mãos.
Mas a fome de Soli não a deixava sentir dor. A maga arremessou-se contra o vidro e ficou livre daquele lugar. Sua magia havia voltado ao normal, assim, suas mãos foram instantaneamente regeneradas.
Ela corria pelo lugar. Seus olhos estavam completamente vermelhos e com aspectos demoníacos. Ela não procurava a saída, procurava comida. Seu olfato sentia cheiro de carne. Ela foi correndo sem rumo, deu de cara com um garoto e ambos caíram no chão. Ela se levantou e começou a enforcar o rapaz, querendo matá-lo para comer sua carne.
— Comida... Você será minha comida – ela dizia rindo
— S-Se você quiser comida... Eu tenho isso... T-Tome – o garoto deu uma bolsa que dentro continha seu almoço. Minutos após comer, Soli finalmente se acalmou, e em instantes, ela foi voltando a si. Ao voltar completamente ao normal, a ruiva viu as marcas no pescoço do garoto e passou a lacrimejar copiosamente. O garoto tentou consolá-la. Por algum motivo, ele olhava para ela com certa curiosidade. Como se a conhecesse antes.
— H-Hey... Não chore... O que houve... A comida estava ruim, Me desculpe, fui eu que fiz e... – Soli o cortou antes de ele terminar a frase.
— Não... Eu... Machuquei você... Desculpe-me... Eu não queria... – desculpava-se ainda na condição chorosa.
Na mente de Soli não se passava a hipótese de ele alimentá-la para salvar sua pele, e depois prendê-la de novo... Era gentil demais.
— Não foi nada – ele riu. — Você é uma prisioneira, certo? – perguntou curioso
—S-Sim – respondeu se levantando — Vai tentar me prender de novo? – perguntou meio assustada. A hipótese só foi mencionada ali para Soli.
— Não... Eu acho isso uma idiotice com as pessoas daqui. Se eu fosse dono disso aqui, Eu soltaria todos. Sou apenas um estagiário. – o garoto respondeu
— Então eu irei embora – disse Soli.
— E–Espere! Você nunca conseguirá sair assim. Eu te ajudarei.
— Por quê? Por que se arrisca tanto por uma garota que você nem conhece?
— Por que... Sabe... Eu não tenho bem um por que... Mas meu coração diz para eu ajudar você. Meu coração diz que eu devo ajudar você. – Soli corou quando o garoto disse isso. Se bem que na verdade, ele estava mentindo. O garoto a conhecia há tempos, entretanto, só descobriria isso depois. — Prazer! Watanuki Koroshi. – disse revelando seu nome
— S–Soli... Soli Mizuno... – respondeu
—“Achei você!” — ele pensou sorrindo
Depois disso, Watanuki deu roupas para ela se trocar e ambos escaparam pelos fundos. E como Neoteni, Soli fugiu para uma cidade bem longe de onde ela estava presa.
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— Ta bom... Você falou sobre a sua história, até que enfim acabou o maldito Flashback. Mas... E Agora? – Takashi perguntou impaciente.
— Ara... Eu chamei vocês por que eu queria fazer algo para ajudar a anjinha. – respondeu Soli com um sorriso.
—“Ara”? — o moreno pensou confuso — E por que nós tivemos que vir junto?
— Sua empregada veio por que quis, e eu garanto que você não deixaria a anjinha sozinha com uma pessoa que não conhece não é?
— Se você se refere ao malditinho do Watanuki que explodiu meu carro, você está certa... Se você se refere a você mesma, também está certa. Eu ainda não confio em vocês. E o que você vai fazer para ajudá-la? – perguntou ainda impaciente
— Ara! O que há com você? – Perguntou Soli
— Eu não to bem hoje, só isso... Tem algum banheiro aí? Eu quero cagar!— mentiu
— Na primeira porta a esquerda. – disse Watanuki, também mentindo
— Obrigado, estranho. – Takashi foi em direção a porta e a abriu – AH!!!!!!!!!!!— essa foi à reação depois que o garoto abriu a porta e pisou no nada quase caindo num buraco. Quando ele voltou à sala foi na direção do Watanuki e o segurou pela gola da camisa
— Um belo filho de uma bela cadela você é! – ele iria socar o garoto, mas mudou de ideia e voltou a sentar-se no sofá.
— Ué, não iria ao banheiro? – perguntou Watanuki em tom sarcástico
— Já me caguei depois daquilo... – depois disso todos riram sem exceção — Bom, Ruivinha, Você não me respondeu sua pergunta. O que fará pra ajudar minha anja?
— S-Sua anja? – Neoteni perguntou
— Sem mais interrupções... – Takashi cortou
— Bom... Vamos ajudá-la a lutar. – a ruiva disse
— Ah... Bom... O que???
— Quatro cabeças pensam melhor que duas, não é? – ela perguntou
— É impressão minha, ou você me tirou da estatística? — perguntou Neoteni, claramente brava.
Continua
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