Notas iniciais
Olá. Espero que curta o segundo capítulo desta estranha fanfic, rs. Boa leitura!

O sol se despedia encoberto por nuvens cinzas e densas e, aos poucos, os lampiões ao longo da Rua do Outono eram acesos, iluminando as gotículas do intenso chuvisco e os veículos em movimento na via. O vento, fresco e cortante, apressava os pedestres para os seus destinos e, aos poucos, as calçadas se tornavam desertas.

Oposto ao cenário cinzento escuro de fora, o recinto, de poltronas confortáveis e mesinhas de madeira maciça, estava caloroso e movimentado. O aroma de dangos e café era característico da loja de dangos e, junto ao ambiente rústico e ao cardápio diversificado, convidativo aos clientes de todas as idades e com diferentes gostos.

— Café puro sem açúcar e baunilha latte — a moça de cabelos e olhos castanhos, atrás do balcão, avisou aos clientes a espera de seus pedidos.

Sasuke a respondeu com um aceno e se aproximou para pegar as bebidas.

— Arigato — ele disse, segurando as duas canecas de vidro sobre o balcão.

— Arigato você pela preferência e volte sempre — ela o observou bem, antes de soltar de vez as canecas. — O meu nome é Emi.

— Sasuke — ele a respondeu, indiferente e, sem delongas, se dirigiu às poltronas perto da vitrine.

“Garota de sorte” pensava Emi ao ver o sério e bonitão, Sasuke, se sentar ao lado de uma jovem de olhos claros na poltrona de dois lugares encostada na parede de tijolos expostos.

— Emi…

— Oi? — Emi virou-se para o seu colega de trabalho, Iori.

— O pedido — Iori a entregou o próximo pedido pronto e, depois, disse em sussurro. — Eu queria que esse sorriso encantador fosse para mim.

— Iori! — Emi o repreendeu, também, entre sussurros. — Estamos trabalhando.

Iori não incomodou-se com os olhares dos clientes, ao aguardo dos pedidos.

— Ele não deixa de ser encantador…

— Ah… — Emi sentiu-se sem jeito ante ao elogio. Mas, admitia que, no fundo, gostava do galanteador de meia tigela. — Cappuccino com adoçante e três dangos.

— Ichiraku amanhã? — ele a convidou, esperançoso. Era o quarto convite, desde que a conhecera, no mês passado.

Emi olhou mais uma vez para o casal, o bonitão e a sortuda, próximo à vitrine. Era mesmo um belo casal e, pelo visto, recente. “Arrisque-se, Emi! Arrisque-se!”, aconselhou a si mesma e observou os olhos dourados de Iori, ansiosos. Ela sorriu antes de o responder.

— Por que não?


— Depois de dois dangos… — Sasuke declarou, ao se sentar e oferecer a caneca de líquido claro para Hinata — você ainda pede uma bebida doce?

— Ela não é tão doce — Hinata defendeu-se, tímida. — Gostaria de provar? — o ofereceu — Você pode gostar e, da próxima vez, nós dois pedimos baunilha latte.

— Eu não troco o meu café…

— Puro e sem açúcar — gracejou da preferência dele pelo amargo — você é muito estranho, Sasuke-kun….

— O Dobe me disse a mesma coisa hoje, mais cedo — Sasuke observou a coincidência. — Eu sou mesmo estranho? — perguntou curioso.

— Bem… — diante dos olhos negros e intensos, ela o respondeu, sentindo o seu rosto aquecer. — Você é intrigante, Sasuke-kun… Eu o conheço desde quando éramos crianças, mas você sempre me surpreende de alguma forma…

— Eu sempre te surpreendo, Hyuuga? — ele a perguntou com a sobrancelha arqueada, estava agradado com a descoberta.

— Si-sim, você…

O distante relâmpago clareou a rua e o interior da loja. E o trovão, alto e estrondoso, fez os presentes olharem com atenção o chuvisco agitar-se conforme o vento. O suave uivo e o som das folhas balançando apregoavam a todos a chegada de uma tempestade, típica dos verões.

— É melhor irmos, Hyuuga — propôs Sasuke, observando o vento sobre as árvores e as nuvens carregadas.

— Sim... — ela o respondeu, em acordo.

Com as duas bebidas consumidas, os dois ergueram-se da poltrona e apressaram-se em direção ao Ford F100 1956 preto estacionado a dois quarteirões acima da Rua do Outono. Durante o percurso, o braço esquerdo de Sasuke envolvia a cintura de Hinata, a conduzindo e a abrigando, como podia, do frio e dos pingos.

Seguros, dentro do veículo, eles viram o chuvisco denso tornar-se tempestade.

— Está com frio, Hyuuga? — preocupou-se Sasuke ao observar os braços de Hinata descobertos e úmidos.

— Só um pouco, Sasuke-kun — disse Hinata, se abraçando. — Mas, não se preocupe. Logo, estarei em casa e...

— Eu tenho um casaco por aqui — Sasuke inclinou-se em direção a sua bolsa de treino perto dos pés da passageira e, ao encostar-se novamente no banco do motorista, possuía em mãos uma jaqueta preta de detalhes laranja, escrita “Uchiha, 7” em suas costas. Ele a ofereceu. — Pode vestir.

— Você tem certeza? — ela o perguntou, incerta.

O seu nii-san Neji, goleiro do time de handebol da universidade, tinha também a jaqueta destinada aos jogadores e ele era muito zeloso com a sua, usando-a apenas em eventos do time ou festas promovidas pelos próprios jogadores.

— Sim, você está com frio, Hyuuga, e pode também ficar resfriada.

— Arigato… — disse Hinata, aceitando o empréstimo e vestindo-se com o coração eufórico. Era como se ele estivesse envolvendo-a nos braços. — Eu não sinto mais frio. — o informou com as maçãs do rosto ruborizadas.

O casaco era grande e cobria o corpo curvilíneo até o início das pernas, estas delineadas pelo peso do úmido vestido, bem como, todo o belo físico. E, mesmo os seios fartos e a cintura fina protegidos de seus olhos negros, para Sasuke, ela estava irresistível. O seu nome atrás das costas dela ampliava, ainda mais, o prazer de seu íntimo possessivo. Diabos. Por que ela ficava tão linda com sua a jaqueta do time?

— Então, vamos — propôs Sasuke com a voz rouca e, ao mesmo tempo, irritadiça, findando o rumo de seus pensamentos. — Estou cansado.

— Cla-claro… — Hinata concordou, colocando o cinto de segurança. O seu rosto estava quente devido ao constrangimento e os seus olhos claríssimos, como duas pérolas, inseguros. Havia feito algo de errado?

O trajeto para o casarão Hyuuga ocorrera somente ao som de AC/DC. Sem conversas ou risadas, o contrário ao sucedido na loja de dangos. O silêncio entre os dois era, pela primeira vez, incômodo e embaraçoso, como se não fossem chegados. O culpado? Era o confuso e crescente sentimento, presente nos dois, que criava o receio de afetar a amizade tão quista ao ser revelado ou descoberto.

— Arigato pela carona, Sasuke-kun — ela o agradeceu, assim que a picape estacionou.

— Não tire a jaqueta — Sasuke fez o pedido, antes de Hinata pensar em devolver o casaco. Como ele a conhecia bem... — A chuva está forte, depois você me devolve.

— Está bem — o respondeu, confusa. Por que ele não olhava para ela? — Eu irei lavar antes de entregar amanhã mesmo — o avisou, abrindo a porta para se retirar.

“Inferno...”, pensou Sasuke. O dia não poderia se encerrar deste modo, não depois da tarde agradável entre café sem açúcar, dangos, olhares cúmplices e sorrisos.

— Hyuuga…

— Sim?

Hinata virou em sua direção e, finalmente, ele a fitou nos olhos.

— Não precisa — Sasuke avisou com a voz serena. E realmente não precisava, afinal, não se incomodaria de sentir o perfume dela em sua jaqueta. O perfume doce amadeirado que ele apreciava.

— Eu insisto, Sasuke-kun... — ela o respondeu, firme.

— Como você é teimosa, Hyuuga — disse Sasuke, em crítica e admiração. As sensações eram sempre contraditórias e intensas ao lado dela. — Você pode lavar, mas não há pressa em devolver.

— Está bem.

Os olhos negros instigantes, o perfume singular, o sorriso de canto e o rosto próximo ao seu… eram demais para ela, sentia as borboletas em seu estômago agitarem-se mais e mais.

— Hyuuga...

— Eu, eu preciso ir — Hinata se despediu e, seguidamente, se retirou do veículo.

Sasuke a viu percorrer o caminho de pedras do jardim da frente sob a tempestade e fechar a porta de entrada, sem acenar ou olhar para o Ford F100.

— Inferno! — Ele socou o volante da picape, frustrado pela breve ousadia de se aproximar do belo rosto.— Controle-se, porra — olhou para a porta de entrada, em lamento. — Você só iria magoá-la.


— Quatro dias … — dizia Naruto, andando em círculos dentro da suíte — Quatros dias!? — Sentou-se na cama. — O beijo pode até acontecer, o Teme disse uma vez que achava a Hinata gostosa. Mas as confissões… — bagunçou os seus cabelos loiros — Como fazer o Teme se apaixonar em quatros dias?!

— Acalme-se, pequeno — a raposa olhava entediada para o alvoroço. — Os dois se gostam e faz um bom tempo.

— Certeza?!

— Sim…, um amigo me contou — se espreguiçou no colchão macio — qual o plano?

— O que?! — “Só pode ser brincadeira!”, pensou Naruto encostando a cabeça nas almofadas. — Questões amorosas não são a minha praia. Se estou com a Sakura-chan hoje, é porque eu tive muito apoio, muito mesmo, principalmente da Hinata.

— Precisa se esforçar, fedelho — a raposa o advertiu, séria — você fez uma promessa em nosso nome, e promessa é um compromisso…

— Sério e mágico — acrescentou Naruto. — Já sei! Ou melhor, não sei… Por que promessas são tão sérias e mágicas?

A raposa endireitou-se e inspirou profundamente antes de iniciar o discurso. O assunto era delicado e sigiloso entre os amigos imaginários, e não poderia esclarecer plenamente as dúvidas do pequeno a sua frente.

— Promessas são elos encantados quando feitas pelas criaturas mágicas.

— Criaturas mágicas! — Naruto o interrompeu, fascinado.

— Silêncio, criança! — ela jogou as noves caudas no rosto do jovem a sua frente, em repreensão. — Quando você fez a promessa, o seu coração era inocente e puro. A sua vontade de ajudar a pequena Hyuuga era genuína. Logo, com a bondade do seu coração como entremeio, a promessa tornou-se realmente minha.

— Gomen, Kurama — desculpou-se Naruto, pesaroso. — Você era o meu melhor amigo na época e eu estava tão contente…

— Como você poderia saber, criança? — Kurama o interrompeu, descontraindo o clima. — Situações assim são raras, mas podem ocorrer.

— Certo — assentiu — mas, por que quatros dias?

A raposa suspirou, azeda.

— Ordens da chefe. Fique feliz por eu conseguir voltar para cumprir a promessa.

— Chefe? — indagou Naruto, curioso.

— Isso eu não posso responder — a raposa o informou, deitando-se novamente.

— Kurama… — Naruto se sentou, temeroso com a resposta à sua pergunta. — O que acontece se não conseguirmos o beijo e as confissões?

— Os próximos dois descendentes da família Uzumaki não terão um amigo imaginário na infância.

— Caralho! — surpreendeu-se Naruto, ficando de pé. — Seriam os meus futuros filhos com a Sakura-chan?!

— Infelizmente, sim, pequeno. — a raposa mostrava-se triste com a possibilidade. — Eu e meus irmãos não nos apresentaríamos como amigos aos seus filhos. Esse é o castigo para um amigo imaginário que promete algo às crianças e não cumpre.

— Eu não aceito isso! — declarou Naruto, decisivo, e, em pé, adotou uma postura confiante e positiva. — Nós vamos conseguir unir o Teme e a Hinata! Com promessa ou não, eu quero os dois felizes!

— Essa é a criança que eu conhecia! — elogiou Kurama. — Escandalosa e otimista!

— Isso aí, porra!

— Só que agora muito boca suja! — olhou para o jovem loiro, em repreensão. — Precisa falar tantos palavrões, pirralho?

— Ah… — Naruto refletiu por uns instantes — eu não as uso para ofender as pessoas. Bem, as vezes sim. Mas essas palavras “sujas” são apenas expressões hoje em dia.

“Could you whisper in my ear the things you wanna feel. I'd give you anythin' to feel it comin’… ”.

O toque e a vibração do celular repercutiram na suíte. Naruto apressou-se para pegar o celular no bolso externo de sua mochila. A canção era uma de suas favoritas e destinada apenas a um de seus contatos salvos.

— Linda?

Ele atendeu animado, estava com muitas saudades dela.

— Oi! — Sakura o respondeu, feliz. — Como foi o seu dia, meu baka lindo? Gostou da aula da Tsunade-sama? Ela não ensina bem?

— Ah, claro! Muito bem — disse Naruto, desconversando. — Como foi o congresso hoje?

— Eu gostei das apresentações e dos estandes. Eu e a Ino-porca pegamos diversos brindes! Eu peguei alguns para você! Acho que irá gostar.

— Que isso, linda, não precisava…

— Pode só agradecer? — Sakura o pediu, geniosa.

— Arigato, linda — ele agradeceu sorrindo de canto, obediente. — Vem cá…, o que você acha do Teme ficar com a Hinata?

— Oh, não! O Sasuke finalmente aceitou os seus sentimento pela Hina?! — A voz dela estava alta e alegre. — Pode contar tu…

— O que? — surpreendeu-se Naruto — Você sabia?

— Faz tempo…

— Como?

— Bem… — Sakura estava sem jeito em iniciar o assunto — quando eu gostava do Sasuke, eu percebi que ele era diferente com ela. Ele era mais gentil — interrompeu — digo, menos rude e protetor do jeito dele. Sem contar nos olhares e nos sorrisos direcionados a ela.

— Então… — Naruto olhava para os próprios pés descalços — eu queria juntar os dois. Eu estava pensando em criar uma situação que o Teme sentisse ciúmes e ...

— Não! — Ela o advertiu. — Isso só pioraria tudo! O Sasuke não sabe lidar com o ciúmes.

— Então o que faço? — ele a perguntou quase em desespero.

— Faça eles sempre estarem juntos, mais do eles já ficam. — aconselhou —Acredite, uma hora ou outra, o sentimento falará mais alto.

— Entendi… E você acha que isso aconteceria, sei lá…, em quatro dias?

— Por que, lindo? — interessou-se Sakura.

— Eu… prometi ajudar a Hinata no amor e seria legal sairmos com outros casais… — disse Naruto com sinceridade, seria mesmo divertido.

— Convença a Hina a ir na pizzaria com vocês amanhã, depois do treino. Ah! — lembrou-se Sakura — tem a festa na casa do Kiba, quinta. Faça os dois irem, festas são lugares perfeitos para juntar pessoas que se gostam.

— Caralho, linda, você é demais! — festejou Naruto, olhando confiante para a raposa atenta à conversa.

— O que seria de você sem mim, baka lindo? — ela o perguntou, meiga — Preciso ir, a Ino-porca quer treinar para a apresentação dela, que será amanhã.

— Claro! Divirta-se, mas descanse. Eu amo você, linda. — despediu-se Naruto.

— Eu amo você, baka. Beijos.

Os dois encerraram a ligação juntos.

— Nós temos um plano, Kurama! — Naruto festejou, novamente, com direito a uma dança esquisita.

—Muito bem, pequeno — parabenizou a raposa, as suas caudas agitavam-se com ânimo.

— Estou com fome… — disse Naruto, enquanto o seu estômago pronunciava-se pela terceira vez hoje.

— Acredito que seja Kushina — atentou-se Kurama ao som metálico do trinco da porta de entrada.

— Naruto! — a voz feminina o gritou. Era mesmo Kushina Uzumaki, oka-san de Naruto. — Eu comprei ramen para a janta!

— Eu te amo, ‘ka-san! — Naruto e o seu estômago animaram-se — Já estou descendo! — a avisou, em voz alta, e sorriu para a raposa em sua cama — Quer que eu separe um pouco e coloque em baixo da mesa como nos velhos tempos?

— Precisava perguntar, pequeno? — a raposa de porte pequeno o respondeu, pulando da cama e correndo em direção às escadas, como se apostasse uma corrida.

Naruto se apressou logo depois, em direção à cozinha.

— Não estamos tão ferrados, assim... — disse a si mesmo, descendo os degraus.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.