Kupidon
35 Extra Treze
Notas iniciais

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Laurel se perguntava se tinha sido mesmo, uma boa ideia ir até Central City naquele dia. Já estava noiva a uma semana. Como não tinha ido com o noivo no dia seguinte do natal, os dois resolveram ir para o ano novo. No dia seguinte, especificamente. Daquela vez, Lyon tinha ficado com o pai.
Você está nervosa?
Um pouco. – Murmurou. – Eu só... Não estou afim de ver aquela garota.
Ah. O problema então não são meus pais... – Ela o olhou, ele continuava com os olhos na estrada. – Você não tem que se importar com o que Iris diz.
Não me importo. – Bufou. – Só não a suporto.
Achei que iria querer esfregar a aliança na cara dela. – Laurel o olhou, incrédula.
Eu? Eu não preciso fazer isso. Seria infantil da minha parte. – Ela o ouviu dizer “hum”. – A presença dela me irrita. Os olhares mais ainda...
Deixe que olhe, não é como se isso fizesse alguma diferença para mim. – Deu de ombros. – Meus pais vão ficar decepcionados por Kitty e Lyon não estarem presentes dessa vez. – Mudou de assunto.
É? – Ele assentiu. – Achei que não seria uma boa ideia trazer Lyon, caso “ela” apareça e faça uma cena.
Infelizmente... – Suspirou. – Você está certa. Lyon se assustou da última vez.
Eu não entendo, Barry. – Ele a olhou rapidamente, para logo voltar os olhos para a estrada. – Ela se casou com aquele cara estranho. – Barry sorriu pelo modo que ela falou do marido de Iris. – Então por que fica dando em cima de você?
Eu e Iris sempre fomos muito unidos. Os pais dela viajavam muito, e ela passou a maior parte da infância e adolescência na minha casa. Moramos juntos, praticamente... Eu, nunca a vi como uma amiga, apenas. – Olhou para a noiva quando parou no sinal. – Eu a amava. Mas ela nunca tinha me visto do mesmo jeito... Bom, até o dia em que eu a beijei. Por impulso. – Revirou os olhos. – Não devia ter feito aquilo, magoou a Cait, e ainda por cima, me machucou também. Precisou eu beija-la, para ela começar a correr atrás de mim.
E mesmo assim, ela se casou com aquele cara.
Eu fugi dela por algumas semanas. Tinha prometido á Cait que não me aproximaria novamente, que nunca mais eu beijaria Iris. Que o que aconteceu... Nunca mais voltaria a acontecer. Mas um dia, meus pais viajaram, então Iris apareceu lá em casa.
E você não pôde fugir dela novamente.
Decidi dizer tudo de uma vez, para que ela me deixasse em paz. De uma vez por todas. Eu disse a ela que iria esquece-la. Que eu me casaria com a Cait. – Voltou os olhos para a estrada quando o sinal abriu. – Ela disse para eu não o fazer. Que me amava. Mas eu já tinha me decidido.
Ela disse que te amava? É isso mesmo? – Riu debochadamente. – E depois diz que o vê como "irmão".
Ela ficou irritada quando eu disse que não desistiria da Cait. Saiu da minha casa batendo a porta. – Apertou as mãos no volante. – Cait chegou alguns dias depois, dizendo que estava grávida. E que queria terminar o noivado. Disse que tinha se apaixonado. – Sorriu. – Eu tinha visto isso nos olhos dela.
Eu me lembro que você me contou isso. Você ficou triste, mas entendeu que era o melhor a se fazer.
É. Eu ainda amava Iris, e não queria magoar a Cait, mais do que já tinha feito. Então disse que tudo bem. A libertei.
E Iris? Vocês brigaram antes de você se mudar para Star City.
Eu expliquei tudo aos meus pais. E disse que me mudaria para Star, para ficar perto do meu filho... Eles entenderam e me apoiaram. Iris soube pelos pais o que tinha acontecido, e foi atrás de mim no aeroporto. Meus pais decidiram nos deixar sozinhos... – Laurel esperou que ele continuasse, o que não demorou muito. – Ela perguntou se eu tinha mentido sobre não acabar o noivado com Cait, e eu disse que não. Disse que quem tinha terminado tudo tinha sido a Cait. Então ela perguntou se ficaríamos juntos, agora que tudo tinha se resolvido... – Riu balançando a cabeça. – Eu disse a ela que não ficaria com ela.
E ela não gostou.
Não. Ela ficou irritada. Disse que Cait estava armando um golpe para que eu ficasse com pena dela. Que o filho que ela esperava provavelmente não era meu... Me disse coisas que me magoaram de verdade. Me irritei e mandei ela ficar longe de mim.
Depois disso, vocês se viram pela primeira vez...
Naquele dia que ela apareceu no apartamento do Oliver e da Felicity.
Por que nunca me contou isso?
Eu achei que não precisaria saber dessas coisas. Não é algo que me incomoda. Não mais, pelo menos. – Deu de ombros.
Ela vai ser um problema, não vai? – Ele desligou o carro ao estacionar.
Talvez. Mas quem se importa? – Ela sorriu. Ele a beijou, colocando uma das mãos no rosto dela, pedindo passagem com a língua, que foi prontamente atendida. Barry se afastou quando o ar faltou. – Vamos?
Chegamos? Já?
Sim. – Desceu do carro, e deu a volta, abrindo a porta do carro da noiva. – E meus pais estão com visita. – Revirou os olhos. – Pedi tanto para não chamar ninguém.
Talvez não tenham chamado. É quem eu estou pensando, não é?
Sim. E os pais dela. – Pegou na mão da noiva caminhando até a porta.
Quer que eu esconda o anel até estarmos sozinhos com seus pais? – Barry a olhou. – Eu realmente não me importo.
Laurel, meus pais vão contar de qualquer jeito.
Ainda tem a gravidez. Eles ainda não sabem. – Ele sorriu.
Não se preocupe com isso. – A beijou. – Eu não estou. – Tocou a campainha, e não demorou muito para que alguém abrisse a porta.
Barry.
Oi, mãe. – A abraçou de volta.
Pensei que não viria mais. – Olhou para Laurel, que estava ao lado do filho dela. – Fico muito feliz por ter vindo, querida.
Obrigada.
Entrem. – Ela fechou a porta quando o filho e a nora entraram.
Ora. Eu não esperava por você hoje, filho. – Barry observou o pai se aproximar. – Como vai, Laurel?
Bem. E o senhor?
Senhor, não. Você, por favor. – Barry foi abraçado pelo pai.
Os West estão aqui?
Sim. Vieram nos visitar. Eu esqueci completamente de avisar seu pai de que você viria. – Barry balançou a cabeça, sorrindo.
Não acredito, mãe...
Ele tinha saído quando você ligou. – Sorriu. – O almoço está quase pronto.
Ótimo. Porque eu estou morrendo de fome, mãe. – Laurel nem percebeu quando começou a passar um dos dedos no anel de noivado.
Agora entendi porque sua mãe preparou o guisado de frango.
Faz bastante tempo que eu não como.
Por isso eu fiz. – Ela olhou para a nora. – Eu espero que goste.
Laurel anda comendo coisas que até Deus duvida. – Laurel o socou, e ele riu.
Como assim, filho? – Os pais arquearam as sobrancelhas.
Oh! – Nora exclamou, segundos depois, chamando a atenção dos outros para ela. – Não acredito... Meu sonho realizado. – Ela diz, e Barry e Laurel se olham, se perguntando se ela tinha entendido o que o filho quis dizer com o comentário, mas então, ela pega não mão de Laurel. – Vocês vão se casar.
Ah. – Barry sorriu. – Sim. Eu fiz o pedido no natal. – Henry sorriu. – Viemos até aqui para comunicarmos sobre isso.
Por isso você não quis passar o natal comigo e seu pai. – Ela tinha um sorriso enorme no rosto.
Ficamos felizes por vocês. – Henry abraçou Laurel. – Bem-vinda a família.
Obrigada. – Ela sorriu.
Eu quero saber de tudo.
Foi uma surpresa para mim.
Imagino, querida. E como foi?
Por incrível que pareça, ele fez o pedido na frente de todos.
Ora, não imaginei que isso poderia ser possível. – Barry revirou os olhos, seu pai riu.
Nora. – Eles olharam para trás, encontrando os West, Iris e o marido.
Barry. Veio visitar seus pais?
Olá, Joe. Francine. – Eles se aproximaram.
É um prazer vê-la novamente, Laurel.
Digo o mesmo. – Ela responde aos West.
Olá, Bar. – Ele não respondeu, apenas anuiu.
Francine, Joe... – Nora chama os amigos, com um sorriso. – Barry pediu Laurel em casamento. – Ele a olham surpresos e Iris, olhava para Barry, incrédula.
Meus parabéns, aos dois. – Eles sorriram para os West. – Quando fez o pedido, Barry?
No natal, Joe. Eu queria que meus pais estivessem lá, mas como não deu...
Ele fez o pedido na frente de todos.
Inacreditável. – Joe riu, e Henry o acompanhou. – Nunca imaginei isso acontecendo.
Eu disse o mesmo, amigo.
Foi bastante problemático.
É. Ele não gosta de ser o centro das atenções, então imagine a minha surpresa ao vê-lo fazendo o pedido na frente de todos.
Vocês... Estão falando sério? – Eles olharam para Iris.
Por que não estaríamos, querida?
Porque isso é totalmente... – Se interrompeu propositalmente. – Impulsivo. Á pouco tempo você estava noivo da Snow, começou a namorar essa daí a menos de um ano...
Por que eu deveria esperar para me casar com ela, se eu a amo? – Laurel sorriu.
Mesmo? – Pergunta descrente.
Iris, o que está acontecendo com você, minha filha?
Eu gostaria de saber também, meu sogro. – Eddie se pronunciou, apesar de não ter a face irritada, para a surpresa de Laurel. Quando ele voltou os olhos para ela, Laurel arqueou as sobrancelhas, não gostava do olhar do outro, lhe dava arrepios.
Só estou dizendo que... Ele poderia se casar com alguém melhor. – Laurel apertou a mão de Barry.
Como você? – Quando Laurel percebeu, a provocação já tinha saído de sua boca.
O que disse? – Iris fechou as mãos em punhos, fingindo-se de indignada.
Iris, o que eu faço da minha vida não é da sua conta. Eu e Laurel vamos nos casar. Aceite de uma vez.
Eu ainda não entendo. O que... – Se interrompeu novamente, e então mostrou um sorriso debochado. – Ela te deu o golpe da barriga?
Iris. – Os pais a repreenderam.
Ela não precisa me dar um golpe. – Ele retrucou. – Apesar de que, sim, ela está grávida. – Nora, Henry, Joe e Francine olham para o casal, surpresos.
Não acredito. – Nora aumentou o sorriso. Eles ouvem uma gargalhada.
Claro que está. É claro que ela está grávida. Percebeu que o filho dela não seguraria você por muito tempo, afinal ele não é seu, então ficou grávida.
Iris, você está passando dos limites.
Estou dizendo a verdade, mãe. Ela é tão golpista quanto a outra que foi noiva do Barry por quinze minutos. – Todos estavam horrorizados pelo comportamento da Thawne. – O moleque que ela chama de filho não seguraria o Barry por muito tempo.
Iris. – Os pais dela a repreendem, e logo depois, um som ecoa pelo cômodo.
Você me bateu? – Ela rosnou, indo para cima de Laurel, mas Barry entrou na frente.
Você pode dizer o que quiser de mim. Não me importo. – Deu um passo, para ficar ao lado do noivo. – Mas não se atreva a colocar meu filho no meio da sua loucura. – Sua voz saiu perigosa.
E mesmo que Lyon não tenha meu sangue, Iris, eu o vejo como meu filho. Eu passo tempo suficiente com ele, para ter esse sentimento. Então não ouse dizer que ele não tem importância para mim.
Eu acho que... Devemos nos acalmar. – Henry se pronuncia.
Nós vamos deixá-los, Nora, Henry. – Joe diz, envergonhado pela cena da filha, assim como a esposa.
Eu sinto muito, Barry, Laurel.
Pois eu não. Tudo que eu disse é verdade. – Deu um passo para frente, e Barry se colocou na frente da noiva, mais uma vez. – Você vai se arrepender.
Não ouse ameaça-la, Iris. – Ela olhou irritada para Laurel e saiu batendo a porta, o marido a seguiu.
Me desculpem mais uma vez. – E então o casal West saiu. Laurel suspirou. Colocou uma das mãos na testa.
Está bem? – Barry a olhou, preocupado.
Estou.
Isso não faz bem ao bebê. – Henry diz, também preocupado. – Tem certeza de que está bem? – Laurel assentiu. – O que deu na Iris?
Não é a primeira vez que ela insulta Laurel, Caitlin e Lyon, pai. Até Felicity levou, na última vez.
Que horror. – Barry tinha o braço em volta da noiva.
Isso não importa no momento. – Eles olham para Nora. – Eu vou ter outro neto. – Diz animada, e então os outros riram.
Neta. – Laurel corrigiu. – É uma menina.
Outra menina? – O casal assentiu.
Barry, você está tão ferrado, filho. – Barry revirou os olhos.
Eu ouvi algo semelhante de Tommy, Oliver e Roy.
E minha neta já tem nome?
Sim. – Eles começaram a andar para a sala de estar. – Nathalie Sarah Allen.
Colocou o nome da sua irmã.
Sim. É uma homenagem.
Muito bonita, por sinal. – Laurel sorriu.
E de quantos meses está?
Estou entrando no quinto.
Já? – Os pais de Barry arquearam as sobrancelhas.
Ela descobriu a pouco, mãe. Naquele dia em que ela veio aqui... Bom, ela já sabia, mas estava com medo.
Medo? Mas por que? – Olhou para a nora, confusa.
Eu tenho um filho de seis anos. Barry e eu não esperávamos uma gravidez agora... Me assustei quando descobri que estava grávida. Precisava pensar, então, quando voltamos para casa, eu contei para ele.
E eu surtei, um pouco. – Henry riu. – Kitty tem quase um ano, ela é tão pequena...
Suas filhas vão crescer juntas. Isso vai ser ótimo para elas. – Sorriu. – E por que não trouxeram as crianças?
Laurel imaginou que Iris fizesse uma cena, como aconteceu.
Sinto muito mesmo, querida. O que ela disse foi...
Eu já esperava. Ela nunca gostou de mim. – Olhou para Barry. – E eu sempre achei que ela fosse apaixonada por Barry.
Mesmo assim. Ela está casada. Não tem o direito de fazer a cena que fez.
Não precisamos falar sobre isso, Nora. – Henry interviu. – O que seus pais estão achando sobre o noivado e o bebê?
Estão adorando. Eles gostam muito do Barry. Principalmente meu pai. – Riu. – Ele nunca tinha se conformado com meu casamento com Tommy. Eles não se davam tão bem, apesar de se respeitar.
E por que?
Meu pai é complicado. – Deu de ombros. – Ele nunca confiou no Tommy, mesmo antes de começarmos a namorar.
Isso é ciúmes de pai. – Sorriu. – Eu também teria se tivesse filhas. Mas o que realmente importa... É que vocês estão felizes. Não concordam? – O casal sorriu. Barry pegou na mão de Laurel, olhando nos olhos dela.
Concordo, pai.
Vamos comer? – Nora se levantou. – Francine tinha ficado de desligar o forno, ela deve ter feito isso. – Caminhou até a cozinha.
Ainda bem que a senhora falou sobre a comida mãe, porque estou morrendo de fome. – Se levantou com a noiva. Seu pai riu.
Você também deve estar com fome, Laurel.
Na verdade, estou um pouco enjoada.
Eu faço um suco de limão para você. – Ela agradeceu ao noivo.
Suco de limão?
É o que está ajudando-a nos enjoos, pai. – Entraram na sala de jantar, e viram a Nora colocar o guisado no meio da mesa, em cima de uma taboa de madeira.
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