Kupidon
48 Capítulo Trinta
Notas iniciais

Laurel fechou os olhos quando sentiu uma pontada forte. Ela ouvia os amigos conversarem e rirem de algo, mas não conseguia acompanhar a conversa, estava ocupada com o que acontecia consigo mesma Respirou fundo, pedindo, não, implorando, para que aquilo não acontecesse naquele momento. Ela abriu os olhos, quando sentiu a dor passar, mas não demorou muito para ela sentir outra pontada, e ainda mais forte. Ela olhou para fora, e quase chorou quando percebeu que a chuva ainda caia como antes. Forte. Muito forte. Não conseguiriam sair daquela casa, não com aquela tempestade insuportável. Seria muito perigoso, além de que provavelmente, não conseguiriam chegar a tempo no hospital. A respiração dela ficou descompassada, ofegante.
Laurel? – Felicity percebeu que a amiga estava estranha. Elas se olharam e logo depois Felicity arregalou os olhos ao ver a roupa "molhada" da amiga. – Laurel..., sua bolsa rompeu. – Ela grita, chamando a atenção de todos.
O que? – Barry se aproximou correndo, assustado. Ele olhava abismado para o líquido amniótico no chão.
Ah, mas essa é uma ótima hora, não é? – Todos olharam para Tommy, recriminando-o pelo comentário. – Gente, olha o temporal. Não dá para sair. – Laurel gemeu.
Okay. Fique calma, Laurel. – Caitlin se aproximou, se abaixando. – Posso examinar seu cérvix? – Em resposta, Laurel afastou as pernas uma da outra.
Não olhem. – Ela praticamente gritou com os rapazes que se viraram logo em seguida, exceto Barry, que continuava assustado.
Isso está mesmo acontecendo, Cait? – Barry consegue dizer.
De acordo com a dilatação, sim. – Cait diz, surpresa. – Nós precisamos ir para um hospital urgente.
Como, meu amor? Olha essa tempestade. – Volta a lembrar. – Não tem como sairmos de casa, seria muito perigoso.
Além de que não conseguiríamos chegar até lá. – Roy completa.
Não... – Laurel resmungou. – Por favor não... – Ela estava quase chorando.
O que fazemos? – Felicity pergunta, olhando para a amiga. Estava nervosa, era isso que ela temia desde que o dia começou, e como ela estava pressentindo... Já deveria saber que seu pressentimento estava certo.
Vocês são mulheres, não sabem o que fazer? – Roy pergunta, recebendo em seguida o fuzilamento de todas elas.
Respira fundo, amor. De vagar. – Barry que estava sentado ao lado da noiva, diz. – Vai ficar tudo bem. – Olhou para Cait. – Vai ficar tudo bem. – Ela sabia que ele estava "perguntando" para ela. Ela estava nervosa, mas tinha que se concentrar, e pensar.
Me deixem pensar. – Saiu do cômodo.
Está doendo. – Laurel geme, aperta uma das mãos do noivo. – Por que tem que doer tanto? – Ela resmunga, mas todos ouvem. Felicity senta-se do outro lado, passando uma das mãos nas costas da amiga.
Bem que eu estava pressentindo isso. – Todos olham para ela, inclusive o casal que estava prestes a ser pai. – Por que acham que eu estava tão nervosa?
Eu vou começar a prestar mais atenção nas suas premonições. – Oliver socou o amigo. – O que? Você não? Da última vez você quase levou um tiro.
Precisa nos lembrar disso? – Ele rosna. Tommy joga os braços para o alto, em rendição. Oliver balança a cabeça, se voltando para a amiga que respirava ofegante.
Laurel, toma um pouco de água.
Thea, água não vai me ajudar nesse momento. – Thea não se importou com a grosseria, sabia que ela estava sentindo dor.
É água com açúcar, vai te acalmar pelo menos um pouco. – Barry pegou o copo e levou aos lábios da noiva, ela bebeu um pouco, mas logo sentiu uma dor forte e empurrou o copo, gemendo alto, por causa da dor. Os homens arregalaram os olhos. Barry não estava sabendo o que fazer, e ele se sentia impotente, vendo a mulher que amava sofrer e não poder fazer nada. Não tinha ideia do que fazer para ajuda-la.
Fica calma, Laurel. – Tommy pede. Ele também estava nervoso.
É. você precisa se acalmar. – Roy concordou.
A Cait já deve voltar com uma solução, então..., respira fundo, e se acalme. – Oliver completou. Laurel se virou para os três que estavam em frente á ela.
SEM ÚTERO, SEM OPINIÃO. – Ela grita raivosamente. Os homens, com exceção de Barry, dão dois passos para trás. – NÃO ME MANDEM FICAR CALMA, OLHEM PARA OS SEUS... – Ela se interrompeu, gemendo mais uma vez, bem alto. Thea segurou uma risada. – OLHEM PARA OS SEUS PÊNIS E CALEM A BOCA. – E então Thea não mais conseguiu segurar a risada. Ela gargalhou enquanto os homens davam mais dois passos para trás, sabendo que Laurel estava nervosa demais. Eles, que já estavam pálidos, ficaram ainda pior.
Thea, não é hora de rir. – Felicity diz. Thea assente, tentando parar de rir.
Você não ficou assim quando teve o Lyon.
Não tinha uma tempestade me atrapalhando... – Ela gemeu mais uma vez, interrompendo o que ia dizer. – A chegar ao hospital, Thea. – Ela assentiu.
Okay. Cadêa Cait? – Barry pergunta, desesperado.
Barry... – Ele a olhou. – Me leva para uma cama. – Ele olhou para Felicity, não sabendo se aquele pedido era uma boa ideia. – Barry. Eu estou mandando... – Ela se interrompeu, para novamente gemer, dessa vez mais baixo. Quando a dor passou, ela apertou a mão do noivo, bem forte, fazendo-o a olhar. – Preciso ir para uma cama.
Tudo bem. – Ele se levantou, pegando-a no colo em seguida.
Mandona até quando está parindo. – Roy e Oliver reprimiram uma risada.
Coitado do Barry. – Tommy e Oliver assentiram.
Tudo bem. Vocês vão fazer tudo o que eu mandar. – Cait, que tinha ido á cozinha, voltou. – Não façam perguntas, apenas façam o que eu ordenar.
Barry acabou de levar a Laurel para o quarto deles.
Ótimo. Ela vai precisar estar lá.
Por que? – Os homens perguntam. Cait respira fundo.
Nós vamos fazer o parto da Laurel.
Como é? – Eles gritam.
Não sejam covardes. – Revirou os olhos. – Oliver, vou precisar de você. Eu vou estar ocupada, então...
E por que ele?
Porque é capaz de você desmaiar, meu amor. – Debochou. Tommy cruzou os braços, sem poder contestar. – E o Roy deve começar a rir, ou fazer cara de nojo.
Eu? Que calúnia.
Thea, você e Roy vão preparar uma água morna para mim. E trazer panos, muitos panos. Depois disso, vocês ficam com as crianças. – Eles assentiram e saíram para fazer como "ordenado".
Não sei como eles não ouviram os gritos da Laurel.
Ainda bem que não ouviram. – Felicity diz, aliviada, olhando para o noivo.
Tommy, procure por uma tesoura. E eu também vou precisar..., da minha maleta. – Ele assentiu e saiu para fazer como a noiva mandou. – Venham comigo. – Oliver e Felicity subiram com ela para o segundo andar.
Fique calma, amor. – Eles ouvem.
Não me peça calma, Barry. Nossa filha..., vai nascer aqui. – Diz, desesperada.
Está tudo bem. Caitlin é médica, ela vai saber o que fazer – Ele diz isso tanto para ela quanto para ele mesmo. A porta é aberta e eles olham para ver quem entrava. – Cait.
Fiquem calmos. – Olhou para Laurel. – Eu sei que já disseram isso para você, e sei que deve estar sentindo muita dor, mas... É sério, Laurel. Você precisa se acalmar. Lembre-se da sua pressão. – Ela respirou fundo e assentiu.
Cait. – Ela olhou para a porta, vendo o noivo. – Sua maleta. – Oliver pegou e o entregou á amiga. – E as tesouras, ainda não encontrei, mas você tem uma aí dentro, deve servir, certo?
Sim, ela vai servir. – Se virou para os amigos. – Felicity, você se lembra de como se mede a pressão, certo?
Claro. Muito fácil. – Ela pegou o aparelho das mãos da amiga.
Monitore o tempo todo. – Ela assentiu, indo para o outro lado da amiga, já que Barry estava sentado do lado direito da noiva. – Barry, você tem certeza de que...
Não vou sair daqui. – Ele a corta. Cait apenas assente.
Oliver, caso as coisas compliquem... – Ela sussurrou. – Você vai assumir meu lugar, para eu poder controlar a pressão da Laurel.
Eu? – Olhou abismado para a amiga. – Cait, eu não sei...
É fácil. Ela vai empurrar, e você vai estar ali para "amparar" o bebê. Só. – Ele respirou fundo, olhou para os amigos, e então assentiu. – Vamos começar.
**--** **--**
Cadê a minha mãe? – Lyon pergunta para a tia.
E a minha? Isso está estranho.
Eu sei, querida, mas... – Thea suspirou. – Olha, é muito importante que fiquemos aqui.
Por que?
Porque... Porque a tia Cait está trazendo a sua irmãzinha ao mundo.
Ela está vindo? – Sorriu animado.
Está, Lyon. E logo, logo, você poderá ir vê-la.
Minha mãe não vai para um hospital?
Não dá. O temporal é perigoso. – Ele abaixou o olhar. – Sua mãe ficará bem.
A tia Cait é médica, Lyon. – Killian diz, olhando para o amigo.
É. a Tia Laurel vai ficar bem, e a Naty também. – As duas garotinhas e Killian sorriram para o pequeno Merlyn. Thea sorriu também ao ver aquela cena.
Kitty demorou, mas dormiu. – Entrou no quarto com a pequena nos braços. – É realmente complicado quando você não está perto, não é?
Eu disse. – Lyon diz, cruzando os braços.
Mas agora ela já dormiu. – Roy diz, levando-a até o berço. – Ainda bem que você me deu a ideia de entregar aquele seu ursinho para ela.
Tem meu cheiro. Ela fica com ele quando eu estou na escola. – O casal sorriu. Eles ouvem um grito. – É a minha mãe? – As crianças ficam assustadas.
Por que a tia Laurel tá gritando?
Que tal assistirmos um filme? – Roy liga a TV.
Kitty vai acordar.
Amor, se ela não acordou com o grito da Laurel, acha que ela vai acordar com isso? – Sussurrou. – Eles precisam disso. A Laurel vai gritar ainda mais.
Verdade. É muito trauma para uma criança.
O que querem assistir? – Os quatro deram de ombros. – Vamos lá. Escolham um filme.
Uhmmm... – Eles se olharam. – O Rei Leão. – As gêmeas concordaram com o primo, assim como Killian. Roy ligou na netflix e colocou o filme, aumentando consideravelmente, pedindo para que a garotinha não acordasse, e que Laurel não gritasse mais que o volume do filme.
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Isso está demorando muito. – Cait comenta, em sussurro. Estava preocupada. Laurel estava mais pálida do que o normal, e perdia muito sangue.
Tem algo errado, não é? – Laurel consegue dizer, assustada, com medo, sentindo-se fraca. Barry a olha, preocupado.
Não. Não tem nada de errado.
Não minta para mim, Cait. Eu sei que tem algo de errado, estou sentindo. – Diz com a voz embargada.
A Naty está demorando demais para nascer..., e apesar de isso ser normal em alguns casos, eu sei que ela já deveria estar pelo menos com a cabeça para fora.
E o que vamos fazer? – Barry pergunta, desesperado.
E se ela não estiver virada? Ela pode se machucar.
Eu vi com a ultrassom portátil. Ela está virada, Laurel..., o problema não é esse. Você está muito pálida.
Cait. – Ela olhou para Felicity. – A pressão dela. 14 por 9. E subindo.
Droga. – Caitlin sussurra.
Cait. – Ela ouve Barry. – Cait, e agora? – A voz dele demonstrava o quanto estava com medo. Bom, ela também estava. Um trovão soou alto. Duas vezes.
Oliver. – Ele praticamente tremeu. – Fique no meu lugar.
O que? – Laurel e Barry gritaram juntos. Felicity arregalou os olhos.
Eu preciso cuidar da sua pressão, Laurel, ou... Ou isso não vai acabar bem, okay? – Ela engoliu um choro, e se jogou de volta na cama, gemendo de dor logo em seguida. – Você só vai precisar empurrar. Só isso. Confia em mim. – Elas se olharam.
Okay. – Ela diz, em sussurro. Oliver ficou no lugar de Caitlin, e então, Laurel gritou, empurrando, enquanto apertava a mão de Barry. Caitlin pegou uma seringa, colocando um medicamento dentro.
Felicity pega o soro. – Caitlin, olhou para a Laurel. Ela não vai sentir a picada, ela pensou. Se voltou para o braço da amiga, enfiando, lentamente, a agulha fina. – Me dá esse fio transparente. – Enroscou a ponta do fio no ligamento da agulha. – Agora liga essa outra ponta no soro, e segure ele. O soro, eu quero dizer. – Felicity assentiu, ficando em pé logo depois de fazer como a amiga pediu. Caitlin aplicava o medicamento pela veia, ao mesmo tempo em que ouve a voz de Barry soar, preocupado.
Ela está perdendo muito sangue. – Barry diz para Caitlin, que respira fundo, fechando os olhos. – O que faremos?
Vocês têm tanta sorte... – Ela diz, correndo para fora do quarto.
O que ela quis dizer com isso? – A resposta não veio, e sim um grito alto de Laurel. Felicity olha para o marido.
Como está? – Laurel se jogou na cama, ofegante. Oliver balançou a cabeça.
Laurel, você precisa respirar fundo, e fazer novamente.
Estou cansada. – Barry olha com desespero para Felicity que coloca a mão livre no ombro dele, confortando-o.
Você consegue. Vamos lá. – Oliver olha para Barry.
Vamos, amor. Você não quer ver nossa filha? – E isso foi incentivo o suficiente para que ela voltasse a empurrar. Caitlin entrou no quarto segundos depois.
Sangue?
É o tipo sanguíneo da Laurel.
Caitlin, eu amo você. – Ela sorriu para Barry.
Eu vou fazer a transfusão, e vai ficar tudo bem. – Ela diz, pegando as coisas na mochila que ela tinha colocado no chão.
Laurel, ela está bem aqui. – Oliver diz, fazendo Barry e Felicity olharem para ele. Laurel estava de olhos fechados, tentando controlar a respiração. Oliver estava tremendo? Estava. Mas sabia que tinha que fazer aquilo, pelo bem de Laurel e Nathalie. – Só mais um pouco. – A mulher respirava ofegante, sentindo-se cansada, mas quando sentiu outra contração, empurrou. Ao mesmo tempo que a transfusão era começada, eles ouvem um choro. Todos sorriram. Laurel se jogou na cama, respirando ofegante. – Ela nasceu. – Cait pegou a tesoura e se aproximou.
Segure-a firme. – Cortou o cordão umbilical. – Oliver, olhe se a água ainda está morna. – Ele assente e corre para o banheiro, depois de entregar Naty para Caitlin.
Eu posso pega-la agora? – A voz de Laurel saiu, fraca.
Eu só vou dar um banho nela e trago ela para vocês. – Eles assentiram.
Nossa filha nasceu. – Barry sorriu, e beijou os lábios da noiva.
Sim. Ela nasceu. E você está bem. – Ele estava aliviado. Tinha ficado muito assustado com a situação da noiva, principalmente quando ela começou a perder sangue demais. Graças a Deus eles tinham Caitlin ali.
Oliver, consegue dar banho nela? – Eles ouvem Caitlin dizer de dentro do banheiro.
Acho que sim.
Vou cuidar da Laurel agora. – Ele assentiu e ela saiu do cômodo. Ela ficou entre as pernas da amiga, trazendo a maleta para perto dela.
Ela está bem, né?
Está sim. Daqui a pouco vou verificar sua pressão novamente. – Olhou para a amiga. – Por isso fique calma. Sua filha já está nesse mundo, não tem mais porquê ficar nervosa. – Laurel assentiu.
Obrigada, Cait. – Elas sorriram.
Não foi nada. Oliver quem terminou de fazer seu parto, então...
Mesmo assim. Se você não estivesse aqui... – Se interrompeu, mas ela não precisava terminar a frase para cada um presente saber o resto da frase.
Ei. – Eles olham para Oliver que se aproximava. – Querem pegar a filha de vocês?
Eu quero. – Laurel estendeu os braços, e Oliver colocou a pequena nos braços dela. – Ela é tão linda. Ela tem seus olhos, Bar.
E a cor dos seus cabelos. – Barry completa. A pequena segurou um dos dedos do pai.
Ela é perfeita, Laurel. – Felicity diz, sentando-se ao lado da amiga.
**--** **--**
Lyon. – Oliver apareceu no quarto onde as crianças estavam. O garotinho olhou para o tio. – Quer conhecer sua irmãzinha?
Sério? – Oliver assentiu, com um sorriso. – Quero. Com certeza, tio Ollie.
Elas estão bem, Ollie?
Sim. Cait cuidou das duas. Ambas estão ótimas. – Ele estava agradecendo muito por isso. Foi uma situação complicada que ele não esperava passar.
Podemos ir também, papai?
Claro. – Lyon correu para o quarto de seus "pais". Oliver abriu a porta e o menino entrou, lentamente, não querendo fazer barulho. Laurel e Barry olharam para ele.
Oi, amor. – Ela sussurrou, ainda estava um pouco fraca. – Vem ver sua irmãzinha. – Ele se aproximou da cama, e subindo nela, ficou ao lado do "pai".
Cuidado, sua mãe está recebendo sangue.
Por que?
Porque ela perdeu bastante...
Cadê o Tommy? – Oliver perguntou para Thea.
Ele disse que ficaria com Kitty. – Poucos minutos depois que o filme começou, Tommy apareceu no quarto dizendo que ficaria com a filha, e a levou, adormecida, do quarto. – Está no quarto que ele divide com a Cait. – Oliver assentiu.
Eu vou busca-lo. – Eles assentem, e então Oliver se afasta para fora do quarto.
Ela é tão linda, tia Laurel. – April comenta do outro lado, perto da mãe.
Ela é tão pequena. – Lyon sussurra. – Como a Kitty era.
Sim, amor. Mas ela vai crescer tão rápido quando Kitty cresceu. – Os olhos dele brilharam. – Oh, ela abriu os olhos de novo.
Ela tem os olhos do papai, igual a Kitty. – Laurel, Felicity e Barry sorriram.
Sim. Ela tem.
E a cor dos seus cabelos, mamãe.
Então vamos torcer para ela não ser "peralta" como você, né? – Laurel olhou para Thea e Roy, quem havia feito o comentário.
Hahahaha. – Fingiu rir. – Que engraçado, Roy. – Ele riu.
O que ele quis dizer? – Lyon se vira para Killian, e dá de ombros.
Ela é tão linda. – Thea diz, ao se aproximar.
Cait fez um ótimo trabalho. Vocês duas estão bem.
Apesar de que... – Felicty se pronunciou. – Foi Oliver quem fez o parto da Laurel.
O que? – O casal olha para os amigos, surpresos.
Caitlin precisava cuidar da pressão dela, então... – Felicity explica. A porta se abre.
Tommy.
Acho que "alguém" soube que a irmãzinha nasceu e acordou. – Kitty coçava os olhinhos. – Não é, princesa? – Barry sorriu e se afastou só um pouco da esposa, para poder pegar a filha no colo. – Parabéns aos dois. – Diz, sorrindo. Os novos papais, sorriram, agradecendo.
Olha, princesa... Essa é sua irmãzinha. – A menina olhou para a bebê.
Imazina?
É. Sua irmãzinha.
Olha, Kitty, ela é um bebê que nem você.
Nenémpabincá? – Os adultos sorriram.
Sim, querida. Vocês vão brincar muito juntas. – O pai da ruivinha respondeu.
Já imagino elas nos deixando de cabelos em pé. – Barry sorriu, concordando com o amigo.
A Naty mal nasceu e vocês já estão pensando nisso? – Oliver se pronuncia. – Se bem que... A Naty tem o DNA da Laurel, então...
Até você, Ollie? – Os homens riram. – Você também não era um santo.
Na verdade, pelo que eu fiquei sabendo, você era uma peste. – Felicity completa. Oliver beija a bochecha dela. Caitlin abre a porta e todos olham para ela.
Eu peguei isso do hall, Oliver. Tem problema? – Ele negou. Cait colocou o mancebo de madeira clara, que estava no hall da porta de entrada, perto da cama de casal.
Mamã. – Cait sorriu para a filha.
Oi, amor. Você conheceu sua irmãzinha? – A garotinha balançou a cabeça. – Felicity coloca o soro aqui.
Você deve estar cansada... – Tommy comenta.
Um pouco. – As crianças não desviavam os olhos da nova integrante da "família". – Mas vou ficar bem.
Claro que vai. – Cait sorriu. – Está sentindo dor? – Ela negou. – Me diga, caso sinta.
Pode deixar, Cait.
Eu já posso tirar isso? – Apontou para o fio conectado á sua veia.
O soro vai continuar aí. – Caitlin diz, começando a retirar o fio que estava conectado ao sangue. – Mas isso eu já posso retirar. Você não está mais tão pálida, e se sente bem, certo? – Ela assentiu.
Eu acho que podemos deixá-los a sós um pouco. – Felicity diz.
Isso é ótimo. Laurel está cansada, e também, logo ela vai precisar amamentar a Naty. – Cait diz, concordando com a amiga.
Vê se não vai sair dessa cama antes do tempo, Laurel. – Oliver diz.
Barry, ela vai precisar de um banho, consegue sozinho?
Deixa comigo. – Cait assentiu.
Qualquer coisa é só chamar. – Felicity diz. – Vamos crianças? – Elas assentem, e logo todos, com exceção do Lyon e da Kitty, saíram para fora do quarto.
**--**
Felicity foi a primeira a acordar novamente. Ela ouviu o choro estridente da bebê, e por isso acabou por acordando. Se sentou e olhou para a sacada que estava tampada por uma cortina escura. Se levantou e se aproximou, olhando pelo vidro, percebendo que a tempestade tinha passado, e que agora apenas garoava. Isso era bom, pois eles iriam para casa. Com o nascimento da pequena Allen, eles teriam que voltar mais cedo. A garotinha precisava ser examinada assim como Laurel, mesmo que estivessem ambas bem. Olhou para o noivo que ainda dormia, mesmo com o choro da nova bebê naquela casa. Sorriu, se aproximando devagar, colocando um dos joelhos na cama, aproximando seu rosto do dele.
Meu amor. – Ele nem mesmo se mexeu quando sussurrou. – Meu amor. – Chama novamente, colocando uma das mãos no peito dele. Ele resmungou, e ela sorriu. – Já passa das 9h, precisamos nos arrumar para irmos para casa.
Ainda está cedo.
Oliver, Naty precisa ser examinada assim como a Laurel. – Ele respirou fundo, antes de abrir os olhos vagarosamente.
Tudo bem, você está certa. Não dormi muito bem, Naty chorou a madrugada inteira. – Felicity riu. – Essa criança vai ser cantora de ópera. – E a esposa voltou a rir. Ele sorriu. – Amo ouvir sua risada.
Vou tomar um banho, e vou ajudar a fazer o café da manhã.
Quer companhia? – Pergunta maliciosamente.
Eu adoraria, mas temos pressa.
Que pena. – Ela sorriu. – Vamos só tomar banho, então.
Nunca só tomamos banho, quando entramos juntos no chuveiro.
Prometo me controlar. – Diz antes de puxá-la para um beijo. Felicity apertou a mão esquerda no braço dele, enquanto correspondia o beijo calmo. – Te amo.
Também te amo. – Se afasta. – Agora vamos nos arrumar. – Ele se senta, de vagar. Felicity caminhou até o banheiro, retirando a camisola curta de seda.
Isso é provocação. – Ela o olhou. Ele se levantava da cama. – Como eu vou suportar, com você me provocando desse jeito?
Eu não fiz nada. – Ela diz rindo. – Eu vou ficar nua lá dentro, qual a diferença? Se não vai suportar é melhor tomarmos banho sozinhos. – Ele passou os braços em volta dela, puxando-a para colar o corpo ao dele.
De jeito nenhum.
Então terá que se controlar, meu amor, porque eu tenho que ajudar Caitlin e Thea com o café da manhã.
Eu vou me esforçar. – Diz beijando-a em seguida, levando-a para o banho em seguida.
**--** **--**
Bom dia. – O casal diz juntos para os presentes na cozinha.
Bom dia. – Caitlin, Tommy, Thea e Roy respondem.
Quem dormiu bem essa noite? – E todos riram ao ouvir o deboche de Roy.
Você é insuportável.
Eu só estou dizendo a verdade. Nathalie acordou a cada uma hora, tenho certeza disso. – E os outros não puderam descordar.
Eu e Barry conversamos ontem no jantar, e eu e Tommy ficaremos com Kitty, até a Naty estiver maiorzinha e não acordar tantas horas á noite.
Isso é o melhor que fazem. – Oiver diz, sentando-se ao lado da esposa. – Naty é muito pequena, e Barry e Laurel terão que dar muita atenção á ela. Não sei se Kitty vai entender isso, principalmente por ser tão pequena.
Você está certo, e foi por isso que nós decidimos assim.
Cait, me desculpe por não vir te ajudar com o café da manhã. – Fuzilou o noivo que não se importou.
Tudo bem, Lis. Não foi um problema para mim. Tommy e Thea me ajudaram.
Você não? – Questiona o cunhado.
Eu estava dormindo, assim como você.
E quem disse que eu estava dormindo?
Oliver. – Felicity o repreende, não acreditando no que tinha ouvido. Os outros riram.
Oh, então foi por isso que vocês se atrasaram. – Tommy provocou.
Por isso que eu digo que a próxima grávida vai ser a Felicity. – Ela corou.
Não seja inconveniente, Roy. – Ele riu. – E quem disse que eu vou ficar grávida? Eu tomo os remédios. – Oliver a olhou. Ele sabia que ela tinha voltado a tomar os remédios, só achou estranho que aquele comentário tenha a deixado desconfortável.
E daí? A Laurel também tomava. – Tommy responde. – Maninha, mesmo que eu não gosto de imaginar... Isso... – Fez uma careta, fazendo Roy rir. Caitlin olhou para a amiga, percebendo o desconforto dela. – Eu sei que é possível acontecer.
Eu vou amar ser tia novamente. – Thea diz, animada, com um sorriso enorme no rosto. – E eu quero ser a madrinha.
Você é doidinha demais para ser madrinha. – Tommy diz, levando um tapa em seguida, vindo da irmã.
Caitlin e Laurel vão ser as escolhidas. Aposto que vem gêmeos de novo.
Aposto o mesmo. – Oliver desvia os olhos para os amigos, franzindo o cenho.
Vocês estão apostando... – Ele estava incrédulo. – Inacreditável. – Eles deram de ombros. – Vão cuidar de suas vidas.
Só estamos dizendo o que pode acontecer.
E em breve. – Roy completou.
Se Deus quiser. – Thea diz em seguida, e Roy e Tommy riram. – Estou querendo sobrinhos de cabelos loiros e olhos verdes á muito tempo. – Felicity desviou os olhos, desconfortável com o assunto. Ela começou a passar os dedos nas palmas das mãos, agoniada, e além de Oliver e Caitlin, mais ninguém percebeu.
Oliver foi o único doido a colocar você como madrinha...
Eu sou a melhor madrinha do mundo.
Descordo. – Tommy diz.
Gente, podemos mudar de assunto, por favor? – Felicity, não aguentando, pede. Eles olham para ela. – Não tem filho, e pelo que eu sei, nunca vai ter. – Oliver franziu o cenho. – Então para que ficar planejando?
Sério? – Thea pergunta, estranhando a irmã.
Por que não poderia acontecer? – Felicity respira fundo, não queria falar sobre aquilo. Oliver e Caitlin se olham por breves minutos antes de se voltar para Felicity.
É. Do jeito que você e meu cunhado estão, não acho que essa seja uma afirmação.
Isso não é pra mim. – Ela diz, e os amigos se olham.
Como assim, Lis? Não entendo...
Thea, eu não quero falar sobre isso, podemos mudar de assunto?
Eu acho que você está um pouco inconformada com o que houve..., das outras vezes, mas isso não quer dizer...
Eu não quero ter filhos. – Ela corta o irmão, se levantando, falando um pouco alto. Ela percebe o que fez, e olha para o noivo. Ela respirou fundo, fechando os olhos, antes de sair do cômodo, passando por Laurel e Barry.
O que foi isso?
Ela não está confortável, Thea. – Caitlin responde. – Já tem algum tempo que eu e Laurel temos percebido o desconforto dela ao falar sobre bebês.
Ela não falou nada sobre isso para mim. – Elas olham para Oliver.
Ela tem medo, Oliver. Só isso. Ela teve dois abortos, e acha que por isso ter acontecido, não é para ela ser mãe. – Laurel explica. – Ela ficou traumatizada com o que aconteceu. Não é porque ela não quer ter filhos... Mas porque ela tem medo de engravidar e dar o mesmo de antes. – Oliver compreendeu.
Eu entendo porque ela pensa assim. Eu não tinha percebido o desconforto dela, e nem imaginei o porque de ela ficar daquele jeito...
Thea, você não é culpada..., vocês estavam conversando sobre algo normal, mas para ela não era.
Eu acho que deveria ir falar com ela, Oliver. – Barry diz, olhando-o.
Eu concordo. Ela não queria ter dito daquele jeito, mas o desconforto falou mais alto. – Caitlin diz. – Vai atrás dela, e conversem. – Oliver se levantou, e saiu do cômodo.
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Felicity estava sentada na cama, com as costas encostadas na cabeceira. Ela estava se recriminando por ter dito aquelas coisas, com Oliver ao seu lado. Ela deveria ter dito á ele, quando estivessem sozinhos, mas tinha sido mais forte que ela. Ela abraçou as pernas, apoiando o queixo no meio dos joelhos. Eles estavam noivos, e com certeza ele queria ter mais filhos, mas ela não. E por isso estava se sentindo mal. Ele merecia saber sobre aquilo primeiro que todos os outros, deveria ter dito á ele quando estavam sozinhos, antes de ele lhe pedir em casamento, de preferência. Aquilo mudava tudo. Ela tinha certeza disso. Como que eles seriam felizes, com Oliver querendo algo que ela nunca poderia dar á ele? Ela ouviu a porta se abrir, mas nem se mexeu. Ela ouviu um suspiro alto, e passos. Sabia que Oliver se aproximava, mas não tinha coragem de olhar para ele. Covarde, seu subconsciente gritou. Ela o sentiu se sentar á sua frente, mas como seus olhos estavam para baixo, no edredom, ela não viu isso acontecer.
Felicity... – Ele se pronuncia em fim. – Por que não me disse antes? Podia ter confiado em mim e dito seu receio em se tornar mãe. – Ela sentiu o choro vir, mas o segurou na garganta.
Me desculpa.
Não tem que me pedir desculpa. – Ele aproximou o corpo do dela, pegando em seu queixo, fazendo-a olhá-lo. – Está tudo bem, de verdade.
Como pode me dizer isso? Você quer ser pai de novo, você me disse isso uma vez.
Eu quero. Mas eu quero com você, e se você acha que não consegue..., está tudo bem. Eu amo você, não me importo se não me der filhos.
Eu seria uma egoísta se pedisse para você desistir disso.
Meu amor...
E eu não posso te pedir isso. – Ela o corta. – Eu não posso, Oliver. Eu não posso deixar que você desista desse sonho. E eu não posso te dar o que você quer.
Felicity, o que aconteceu á um tempo atrás, foi uma fatalidade. Você estava frágil, com tudo que estava acontecendo com você. Com agente. Isso não quer dizer que se engravidar novamente, você vá perder o bebê.
Quem me garante? – Ela gesticula. – Quem, Oliver? Eu sofri quando perdi o primeiro bebê, e eu nem mesmo sabia dele. Sofri quando perdi o segundo... Por descuido.
Não foi descuido. Você não estava bem. Nós não estávamos bem..., você passou por muitas coisas, Felicity, era impossível um feto aguentar naquelas condições.
Não importa. Eu podia ter dito antes, e tudo poderia ter sido diferente.
Meu amor, não podemos voltar no tempo.
Eu sei disso. E é por isso que eu não posso passar por outra gravidez.
Tudo bem. Eu entendo, e te apoio. Vai ficar tudo bem entre nós.
Não, não vai. Você vai se arrepender mais pra frente.
Eu não vou. E você pode mudar de ideia mais pra frente...
Eu não vou conseguir, Oliver. – Ele balançou a cabeça. – Eu deveria ter dito isso antes... Não é pra mim. – Ela sussurra, com os olhos lacrimejados. – Me desculpa.
Não peça desculpas, okay? Está tudo bem.
Não, não está.
Se eu estou dizendo que está, porque está falando o contrário? Eu faço qualquer coisa por você. Eu te amo.
Eu sinto muito, Oliver. – Ela passou as duas mãos para trás do pescoço, retirando a corrente, retirando dela, o anel de noivado. – Eu não posso fazer isso.
Felicity... – Ele começou a ficar desesperado.
Eu te amo. Mais que tudo. – As lágrimas que antes ela tentava segurar, começou a descer. – Mas eu não posso ser egoísta com você. – Felicity pegou a mão de Oliver, colocando o anel na mão dele. – Eu não posso te dar um filho, Oliver, e eu não posso te deixar desistir desse sonho por mim.
E é por isso que eu não posso me casar com você.
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