Kupidon
17 Capítulo Onze
Notas iniciais
**Felicity**
Meu corpo estava dolorido. Tentei abrir meus olhos, mas a luz me incomodou, por isso o fechei, eu sabia que tinha alguém comigo, mas não sabia quem, não conseguia distinguir a voz. Não conseguia nem me lembrar do que tinha me acontecido, tentei mexer meu corpo, mas senti dor.
Temos que falar com o Ollie.— Não conseguia saber quem falava.
Ele vai ficar preocupado.
Eu estou preocupada, Cait.— Cait? Ah, ela estava comigo. O que aconteceu comigo? Era o que eu queria perguntar, mas minha boca não se mexia.
Eu também, Laurel. Eu podia ter chamado o Tommy, mas ele surtaria.— Laurel? Então eram as duas que estavam ali comigo. Senti uma pontada de dor.
Eu fico feliz que tenha me ligado.— Suspirou. — O que fazemos?
Vamos esperar ela acordar.— Ouvi a outra pigarreando. — Vai ficar tudo bem, amiga.— Foi a última coisa que ouvi antes da escuridão onde não tinha dor, me levar.
**--** **--**
Percebi que estava novamente despertando, mas novamente a dor não me deixou me mexer. Meus olhos? Não conseguia abri-los, a luz ainda me atrapalhava. Não sei por quanto tempo eu adormeci. Esperava que acabasse logo aquelas dores. Eu quero saber o que houve e não consigo me lembrar. Senti uma mão me tocar na testa.
Vai ficar tudo bem.— Eu me lembro dessa voz. Agora sei que é a Cait. — Acorda logo amiga ou terei que ligar para o Oliver.— Oliver! Por que ela ainda não ligou? Não entendo nada.
Já deveríamos ter feito isso.— Eu também sabia de quem era essa voz, era a Laurel. — Ela perdeu sangue demais.
Eu sei, mas...— Senti outra mão me tocar. — Estou com medo da reação dela...
Ela vai se sentir mal por algum tempo.— Sua voz era pesada. — Mas não se preocupe, estamos juntas nessa.
Eu sei. Obrigada mesmo Laurel.— Sussurrou. — Amiga, você está me ouvindo?Você precisa acordar Felicity.
Por que não ligamos para o Oliver e inventamos alguma coisa? Ele tem que saber que ela está aqui.
Não sei. Ela deveria saber primeiro.— O que eu deveria saber? Diz, por favor. Eu queria falar, mas não conseguia.
Cait, ela é a namorada de Oliver Queen. Todos sabem.— Queria tanto saber o por que de elas esconderem de Oliver que eu estou aqui. — As pessoas daqui podem comentar com algum repórter.
A médica disse que não vai contar á ninguém.— Meu corpo começou a doer, mais e mais, sabia que perderia a consciência logo.
Ela não vai dizer o por que de Felicity estar aqui. Mas e se outra pessoa disser que a viu aqui? "Namorada de Oliver Queen está na UTI".
Pelo menos não será "Felicity Smoak, namorada de Oliver Queen, perde bebê."— O que? Tentei me mexer, mas a dor veio mais forte ainda e isso me fez perder a consciência.
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AI. Meu corpo ainda dói, mas as pontadas pelo menos pararam. Por quanto tempo devo ter dormido? Tentei abrir meus olhos e dessa vez consegui. A luz já não me incomodava tanto, fechei e abri os olhos mais duas vezes, para conseguir visualizar alguma coisa e encontrei Cait do meu lado, sentada na cadeira, segurando minha mão. Olhei pelo quarto e vi Laurel sentada no sofá do outro lado do quarto, ela tinha os olhos fachados.
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Cait. — Minha voz saiu fraca e seca. Ela me olhou espantada.
Ei, você acordou! — Se levantou. — Laurel. — Vi que ela apertou alguma coisa atrás de mim. Deve ter sido para chamar a médica.
Ei. — Laurel sorriu. — Você está sentindo dor?
Um pouco. — A boca seca me incomodou novamente. — Água. — Laurel se aproximou de uma jarra que estava na mesa de cabeceira, colocou num copo de canudinho e me ajudou a beber.
Você se lembra do que houve? — Cait, perguntou assim que terminei de beber a água. — Sobre o que houve quando estávamos no seu apartamento?
Lembro que depois do almoço... Você foi ver Kitty, quando ela começou a chorar... — Forcei minha mente mais um pouco. — Lembro de vocês ficarem conversando aqui. — Elas se olharam.
Estava nos ouvindo? — Laurel perguntou e eu assentiu. — Mais alguma coisa?
Não. Que horas são?
18h. — Elas se olharam novamente. — Olha, Lis... Eu não queria, mas você não acordava, então... — Arqueei as sobrancelhas. — Tive que ligar para o Oliver. Ele deve estar chegando.
Não entendo. — Minha voz saiu baixa novamente. — Por que não ligou antes?
Lis, você... Não se lembra de mais nada, mesmo? — Neguei novamente para Laurel. — Eu não sei como te dizer isso, mas... Você perdeu muito sangue... — Imagens vieram á minha mente. O sangue descendo por minhas pernas, a voz de Cait, mais sangue...
Sangue. — Sussurrei. — Me lembro de muito sangue.
Você perdeu bastante. A ambulância conseguiu te trazer antes que algo pior acontecesse e cuidaram de você direitinho, mas... — Arqueei as sobrancelhas.
Uma outra coisa aconteceu. — Laurel começou. — Você... — Não consegui ouvir o resto, umas vozes vieram á minha mente, eram Laurel e Cait. Elas discutiam sobre ligar ou não para Oliver, não me lembrava dessa conversa e agora vinha como enxurrada.
Não vai dizer o por que de ela estar aqui. Mas e se alguém disser que a viu aqui? "Pessoa vê namorada de Oliver Queen em UTI".
Pelo menos não será "Felicity Smoak, namorada de Oliver Queen, perde bebê." — O que? Tentei me mexer, mas a dor veio mais forte ainda e isso me fez perder a consciência.
Não! Não pode ser verdade. Ouvia minhas amigas me chamarem, mas estava incapacitada de lhes dar ouvido agora, meu corpo tremeu, meus olhos enxeram de lágrimas e então percebi que elas desciam pelo meu rosto.
Lis? — Disseram juntas.
Me lembro... — Sussurrei. — Eu perdi... — O soluço veio.
Sinto muito. — Disseram juntas novamente. Se sentaram na cama cada uma de um lado e começaram a passar as mãos no meu cabelo, enquanto eu continuava a chorar. — Vai ficar tudo bem.
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Você está melhor? — Laurel perguntou.
Não. — Sussurrei. — Mas vou ficar.
Lis, o que você vai fazer? — Eu a olhei. — Oliver está chegando.
Não precisam dizer nada. — Elas arquearam as sobrancelhas. — Isso ficará entre nós três. Ele não precisa saber.
Mas... — Laurel começou. — Por que?
Para que falar nisso? Não tem bebê algum aqui... Não mais. — Elas se olharam. — Por favor, não digam nada.
Tudo bem. — Disseram juntas.
Obrigada. — A porta foi aberta com brusquidão. Olhei para a mesma e vi Oliver com a preocupação estampada em seu rosto. Laurel me olhou e se levantou, Cait fez o mesmo.
O que houve? — Estava respirando ofegante.
Ela está bem. Foi um susto apenas. — Laurel me olhou e eu assenti.
Vamos deixa-los sozinhos. — Cait se pronunciou e saiu com Laurel.
Tem certeza de que está bem? — Ele se aproximou quando as garotas saíram. — Lis? — O olhei quando me chamou.
Estou, não se preocupe. — Consegui dizer sem gaguejar.
Não me peça para não me preocupar. — Se sentou na cama. — O que houve? O que a médica disse?
Não foi nada. Eu senti... — Imagens do que houve no apartamento me veio á mente. A imagem do feto descendo pelas minhas pernas, me fizeram arrepiar, engoli o choro e o olhei. — Eu não tenho comido bem por... Meu estômago não tem estado bem. — Não era totalmente uma mentira. — E eu desmaiei.
Você não pode ficar sem comer. — Me repreendeu. — Você comeu hoje?
Sim. Cait fez o almoço... — Ele pegou em minhas mãos.
Fiquei preocupado quando Cait me ligou. — Me sentei. — Não faça isso...
Estou bem. — Apertei uma das minhas mãos na dele. — A médica disse que vou passar a noite aqui.
Mas se você está bem, por que passar a noite aqui? — Arqueou as sobrancelhas.
Ela me quer em observação. Amanhã ela vai me dar alta. — Ele assentiu. — Laurel disse que fica comigo.
Não. Eu peço para Thea ficar com nossas filhas... — O interrompi.
Oliver, quero que fique com elas. — Respirei fundo. — Amanhã, você vem me buscar. — Ele não estava gostando. — Por favor, prefiro que fique com as gêmeas.
Tudo bem. — Suspirou. Ouvimos a porta e a médica entrou.
Boa noite Sr. Queen. — Ele a olhou.
Boa noite.
Sou a Dra. Meredith. Estou cuidando do caso da sua noiva. — Pensei em dizer que não eramos noivos, mas Oliver me interrompeu.
Ela realmente está bem? — Ele não a corrigiu.
Sim. Não se preocupe. — Me olhou. — Posso falar com ela um instante? — Ele arqueou as sobrancelhas.
Oliver. — Ele me olhou. — Por favor? — Suspirando, ele se aproximou, beijou minha testa a saiu do quarto. — Obrigada por não dizer nada.
Eu entendo. Isso ficará entre nós. — Assenti. — Você queria saber quanto tempo... — A olhei. — 3 semanas, um pouco mais.
Humm. — Meu olhos lacrimejaram. — Como eu não pude perceber?
A culpa não foi sua. Isso poderia ter acontecido com qualquer um... — Assenti, mesmo que não tivesse conformada. — Isso não te impedi de ficar grávida novamente, Srta. Smoak.
Talvez não era para ser. — Sussurrei.
Amanhã ás 8h virei dar mais uma olhada em você. — Assenti novamente. — Te liberarei logo depois. — Assenti. — Eu te prescreverei uns exames que fará daqui alguns dias... — Arqueei as sobrancelhas. — Coisa de rotina. — Eu assenti novamente. — Você não tem que se preocupar com nada. Você está completamente bem... E vamos ficar de olho, para que nada de errado aconteça. Nos vemos amanhã. — Se despediu de mim e saiu. Alguns segundos depois Oliver entra.
Você tem certeza que não quer que eu fique? — Perguntou quando se sentou ao meu lado, na cama.
Tenho. — Tentei sorrir. — Fique com nossas filhas. — Pensar nelas me faz pensar no meu bebê. Não vou consegui me esquecer daquela cena por muito tempo.
Tudo bem. — Laurel entrou com Cait e Tommy.
Eu vim assim que soube. — Ele me abraçou. — Como você está?
Estou bem, não se preocupe.
Nosso pai queria vir, mas eu disse que você estava bem e que seria liberada amanhã. — Suspirei. Mais um para me visitar não seria uma boa. — Você tem certeza de que está bem?
Tenho Tommy. Só estou cansada...
É o efeito dos remédios. — Cait respondeu e ele assentiu.
Laurel, qualquer coisa você me liga. — Ela sorriu para os homens.
Não se preocupem. Cuidarei muito bem dela. — Cait se aproximou, me abraçando e meu irmão me deu um beijo na testa e saiu com a namorada.
Venho te buscar amanhã cedo. — O olhei. — A médica disse que horas vai te liberar?
Ela vem me examinar ás 8h. Então ela deve me liberar meia hora depois... — Ele assentiu, me deu um beijo e saiu. — Laurel, obrigada por ficar comigo.
Não é nada. — Se sentou na poltrona do lado da minha cama.
Lyon está com quem?
Barry. — Assenti olhando para minhas mãos. — Eu o avisei e tudo mais. Ficou preocupado com você.
Vocês se entenderam então? — Ela arqueou as sobrancelhas.
Você está falando isso por causa da tal Iris? — Assenti. — Mesmo que eu tenha ficado irritada... Sim, nos entendemos.
Eu fico feliz. — Sorri. — Ele gosta de você, Laurel.
E eu dele. — Suspirou. — Fico pensando... Se ele não foi ao casamento dela...
Ah não pense nisso. Eddie era realmente podre. Ele não era o único a não gostar do homem. — Ela me olhou. — Vai por mim, ele não gosta mais dela. Iris é um pouco... Nojenta, entende? Insuportável. Só ele que não percebia... Mas tenho certeza absoluta, que ele não sente mais nada por ela.
Ele falava dela como se fosse... — A interrompi.
Deus no Céu e Iris na terra. — Ela riu. — Mas não é? — Também ri.
Fico feliz por te ver rindo.
Não vou poder chorar pra sempre.
Bom, quando quiser desabafar...
Obrigada. — Sorri. — Digo o mesmo para você.
**--**
***Uma Semana Depois***
Mamãe, o papai disse que você tem que descansar. — Sorri. Já tinha se passado cinco dias desde aquele dia. Ainda doía muito pensar no meu bebê, mas como disse á Laurel, eu não podia chorar para sempre. Mesmo depois do que houve e mesmo depois de Oliver tentar me convencer a ficar mais alguns dias no apartamento dele, eu voltei para o meu.
Eu já estou bem, querida. — Elas cruzaram os braços e eu ri.
Vou chamar o papai. — Apple disse.
Não precisa, estou terminando e já vou me deitar. — Não deu tempo, Oliver apareceu quando terminei de falar.
O que está fazendo em pé? — Arqueou as sobrancelhas.
Terminando de fazer o almoço.
Fe-li-ci-ty! — Me arrepiei. — Deveria estar deitada.
Eu já vou. — Desliguei a chama do arroz. — Não sei para que isso tudo. Já estou bem. — Ele bufou. Fui para a sala e os três me seguiram.
Eu podia muito bem ter feito o almoço. — Eu sorri.
Eu sei disso, mas estou cansada de ficar deitada. — Ele revirou os olhos. Me deitei no sofá e ele se sentou, colocando minhas pernas no colo dele.
Você é muito teimosa, mamãe. — Eu e Oliver rimos. — Não é de rir. — Amy cruzou os braços e fez um biquinho.
Mamãe, agente pode jogar lutinha? — Arqueei as sobrancelhas.
Por que não? — Oliver quem respondeu e se levantou para ligar o vídeo-game.
Eu e você, a Amy e o papai. — Gritou animada.
Papai, você perdeu do tio Barry. — Amy reclamou.
Ora, sua pestinha... — Pegou ela no colo e a jogou nos ombros jogando-a no outro sofá. Ela ria.
Mamãe, você sabe jogar?
Mais ou menos. — Ela se sentou do meu lado, quando eu me sentei.
Lyon vai ensinar você depois mamãe. Ele é demais! — Oliver arqueou as sobrancelhas. Eu ri.
Então, vocês duas começam. — Elas pegaram os controles em cima da mesa de centro. — Quem perder entra o adversário.
**--** **--**
Tem certeza que não quer ir com agente? — Oliver tentava mais uma vez me convencer a ir com eles para o apartamento deles.
Tenho. Vou ficar bem aqui. — Ele assentiu, mas eu sabia que ele não estava gostando. Meus olhos pararam nas gêmeas e isso me fez pensar no meu bebê, novamente. — Nos vemos amanhã, okay? — Ela estavam emburradas.
Mamãe, você vai ficar aqui sozinha. Quem vai cuidar de você? — Sorri.
Amy, eu vou ficar bem. Prometo que vou direto para a cama.
Tio Tommy disse que a mamãe é teimosa. E que quase nunca ouve ele, o tio Barry e o papai.
Principalmente eu. — Revirei os olhos. — Você tem que tomar o remédio daqui a pouco, não se esqueça. — Assenti.
Meu celular vai tocar, não se preocupe. — Me abaixei na altura das minhas filhas. — Quando chegarem me liguem que eu canto para vocês dormirem.
Mas tem que ser duas vezes, mamãe. — Eu e Oliver rimos.
Tudo bem. Duas vezes. — Abracei ambas e beijei cada uma no rosto. Me levantei. — Você vai passar aqui no mesmo horário? — Ele arqueou as sobrancelhas e eu não entendi.
Felicity você ainda está de repouso. — Bufei.
Já estou bem para ir trabalhar...
Nem pensar. Vou levar as gêmeas na escola, vou no trabalho, busco elas e as deixo aqui com você... Vou ter aquela reunião mensal com Bruce Wayne, mas não deve demorar.
Eu posso ajudar, Oliver.
Não. Você fica aqui... — Me abraçou. — Quietinha. Minha governanta vai vir aqui para te fazer o almoço.
Não é preciso isso tudo.
Não reclame, Lis. — Me beijou. — Te vejo amanhã, okay? — Assenti. Ele me beijou novamente. — Já pegaram a mochila? — Elas foram na sala e voltaram rapidamente com as mochilas.
Boa noite. — Abri a porta.
Boa noite, mamãe. — Eu dei um beijo em cada uma.
Qualquer coisa me liga, okay? — Assenti, sorrindo. Fechei a porta quando os vi entrar no elevador.
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Acordei cedo. O céu estava azul, nem parecia que até ontem estava com o tempo frio e chuvoso. Fiquei alguns minutos tomando sol na sacada do meu apartamento. Algumas horas depois o tempo mudou. De repente mudou de azul para negro. Como tinha que começar a preparar o almoço, entrei para dentro, tomei um banho e me vesti. Oliver tinha me ligado mais cedo, as gêmeas teriam gincana hoje na escola e só sairia ás 15h. A chuva começou a cair quando me terminei de preparar meu almoço. A lembrança sobre "aquele dia" ainda estava fresca em minha mente, não entendia como eu podia me sentir tão mal. Eu não sabia do bebê. Eu não o senti dentro de mim... E mesmo assim, aquela vontade de chorar vinha toda vez que eu estava sozinha ou quando eu olhava para as gêmeas e me lembrava do bebê que eu tinha perdido. Meu celular tocou, fazendo com que as lembranças se dispersasse.
Cait! — Atendi. — Cait, aconteceu alguma coisa?
Não. Eu só liguei para saber se está bem.
Cait, eu estou bem, não se preocupe. — Ouvi a voz de Kitty pedindo mamá. Era a única coisa que ela conseguia falar que nós conseguíamos entender.
Você não falou com o Oliver, mesmo?— Suspirei.
Não. E nem vou, já disse. — Ouvi um barulho.
Eu sei que você disse... Mas não acha que o melhor é contar o que houve? Contar que...— A interrompi.
Por favor, não quero fala sobre aquilo. — Ouvi Cait suspirar. Ela com certeza não estava gostando da minha decisão.
Tudo bem. Você é quem sabe.
Eu sei que está preocupada e eu agradeço por todo o carinho que você e Laurel tem me dado... Mas eu estou bem. Me lembrar ainda dói, mas não tenho chorado mais.
Eu vou ver se da para ir te ver.
Cait, você tem que cuidar dessa princesinha. — Sorri quando ouvi sua voz. — Ela está pedindo atenção, então não se preocupe comigo e cuide dessa coisa fofa.
Ela está agoniada hoje. Achei que era o calor... Mas o calor passou e ela continua agitada.
Talvez ela só queira brincar com a mamãe. — Cait riu.
Promete que liga se sentir alguma coisa?
Sim. Eu prometo. — E então nos despedimos e desligamos. Eu e Cait sempre tivemos uma a outra, é difícil ter essa distância entre nós. Agora ela mora com o namorado e eu moro sozinha. Suspirei. A governanta de Oliver não apareceu no final das contas e eu agradeci aos Céus! Era meio dia quando eu terminei de comer. Tomei o remédio que a médica mandou e me deitei no sofá. Eu quase não sinto mais dores, o remédio ajuda e melhor, me ajuda a dormir. Arqueei as sobrancelhas quando o telefone do meu apartamento tocou. Era raro alguém me ligar por ele, me levantei, fui até ele que se encontrava entre a sala e a cozinha e então o atendi.
Alô.
Olá, princesa.— Meu coração pulou repetidas vezes, mais e mais forte e eu pensei que ele sairia pela minha boca. Minhas mãos tremiam... Não, meu corpo inteiro tremia com o simples tom daquela voz. Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Ela me aterrorizou por anos.
Oh... Você reconheceu a minha voz, querida? Está emocionada?— Ele disse cínico. — Não se preocupe, amor, logo nos veremos.— A ligação foi cortada e eu fiquei estática com as mãos ainda segurando aquele telefone. Ele sabia onde eu estava, sabia o andar... O prédio... Mas como? Consegui colocar o telefone no gancho e corri para meu celular.
**Felicity**
**--** **--**
Ela estava sentada no sofá, abraçando as pernas, seu corpo não tinha parado de tremer e chorava silenciosamente enquanto o esperava chegar. Assim que conseguiu voltar a si, depois da ligação, pegou o celular e ligou para a única pessoa que lhe dava segurança, Oliver Queen. Ela não contou muito. Disse apenas que "ele" lhe tinha ligado e ele apenas respondeu "Chego em 15 minutos". Ela não sabia se estava fazendo o certo, mas sabia de "uma" coisa, quem ela precisava naquele momento, era sem dúvidas, seu namorado. Quando ele abriu a porta, Felicity correu até ele e o abraçou, forte, enterrado o rosto em seu peito. Ele a abraçou de volta.
Shiiiiii... — Ele fechou a porta. Ele sentia ela tremer em seus braços. — Está tudo bem. Estou aqui. — Ela o apertou ainda mais forte. — Estou aqui... — Tentava tranquiliza-la, enquanto sussurrava e afagava suas costas. Impulsionando o corpo dela para cima, Felicity rodeou as pernas em sua cintura e ele andou com ela até o sofá. Se sentou com ela em seu colo. Seu rosto estava, agora, enterrado na curvatura do pescoço de Oliver, apesar das lágrimas terem secado á alguns minutos, seu corpo ainda tremia. Se ele não sentisse a respiração dela em seu pescoço, acharia que ela não estava o fazendo, de tão fraca que ela estava. Quebrada em seus braços. Ele fez com que ela o fitasse. Ela apertou as mãos em seus ombros. Aqueles olhos lhe revelava muita coisa, ele sempre soube lê-la só de olhar em seus olhos verdes. Ela estava amedrontada. Seus olhos estavam lacrimejados, mas desde que ele chegou não deixou mais nenhuma lágrima descer. Ele nunca pensou que o desgraçado se atreveria a ligar para ela. Um telefonema e já a deixou assim. Seu corpo tremia de raiva... Vê-la assim, o fazia se lembrar do que ela contou. Imaginava ele tocando-a, forçando-a... Machucando ela de todas as maneiras e isso fazia seu sangue ferver.
Oliver... — Ela sussurrou. Sua voz saiu fraca, tremida. Ouvi-la fez com que seus pensamentos fossem dispersos.
Está tudo bem. — Disse mais uma vez, tentando tranquiliza-la. — Foi só um telefonema. Ele não vai tocar em você.
Mas... — Ela abaixou o olhar. Ele pegou em seu queixo, fazendo-a olha-lo.
Você confia em mim? — Ele perguntou.
Sim... — Sussurrou mais uma vez. — Mas ele... Ele sabe onde eu moro...
Não se preocupe com isso. Não vou deixar que ele se aproxime de você.
Mas e você? — Ele arqueou as sobrancelhas. — Quem vai proteger você? E as gêmeas? — Ele deu meio sorriso.
Não tem que se preocupar comigo, sei me defender. — Ela assentiu olhando naquele mar azul, que era seus olhos. — E as gêmeas estão seguras.
Ele disse... — Se interrompeu por alguns segundos. — Ele disse que logo nos veríamos. — Apertou as mãos em seus ombros mais uma vez, deixando um soluço escapar de seus lábios.
Ele que tente. — Rosnou. — Vou destruir esse desgraçado.
Por favor, não o enfrente Oliver. — Ouvir ele dizer aquilo fez com que ela temesse por ele.
Ele que me enfrentou quando teve a audácia de ligar pra você... — Oliver passou uma das mãos no rosto da namorada, ela fechou os olhos por alguns instantes, sentindo o carinho. — Vou cuidar de você. Não vou deixar ninguém te machucar novamente. Muito menos ele. — Ela abriu os olhos. Ela estava mais calma.
Oliver, eu te amo.
Eu te amo mais. — Beijou os lábios carnudos. — Não sei mais viver sem você. — Beijou novamente, mas dessa vez foi mais longo, ele queria demonstrar tudo o que sentia por ela. Passou suas mãos por baixo da blusa, apertando certos lugares. — Eu te amo. — Voltou a atacar os lábios dela. Ele morde levemente o lábio dela e ela geme, aquele som o fez aquecer.
Oliver! — Gemeu. Ele apertou seu seio direito por baixo da blusa. — Oliver... — Se mexeu no colo dele e foi a vez dele gemer. Com uma mão, segurou sua cintura, forte, com certeza ficaria marca, mas ela não se importava. — Não acho que seja a hora. — Disse quando ele largou seus lábios e passou a mordiscar seu pescoço.
Eu acho... Que é uma ótima hora. — Disse com a boca ainda em seu pescoço. Felicity se mexeu novamente em seu colo e ele trincou os dentes e atacou os lábios dela novamente. Ele era viciado naquele gosto.
Oliver! — Gemeu em meio ao beijo. Eles ouviram o celular tocar. — Oliver! — Ele apertou sua cintura, largando seus lábios para trincar os destes novamente, dessa vez em irritação. Não era o celular que tocava, era o telefone. Sentiu ela estremecer ao olhar para o aparelho.
Está tudo bem. — Ele disse olhando-a. Pegando em sua cintura, a tirou de seu colo e a colocou sentada no sofá enquanto ia até o telefone. — Alô. — Disse grosso. Felicity o olhava apreensiva. — Tommy. — A voz dele amansou. Ela arqueou as sobrancelhas. — Ela está bem, estamos indo para o meu apartamento. — Ela se levantou. — Não se preocupe, conversamos sobre isso mais tarde. — Ele desligou depois de se despedir e Felicity se aproximou.
O que ele queria?
Ele foi na empresa, perguntou por mim, a secretária que está me ajudando, enquanto você está de atestado, o avisou que eu saí apressado. Que algo tinha acontecido com você... — Ela suspirou. — Temos que contar á ele.
Eu sei. — Ele a abraçou. — Você não tinha uma reunião?
Meu pai está cuidando disso para mim. Eu disse que tinha acontecido uma coisa com você. — Ela assentiu. — Pega algumas coisas. Você vai ficar no meu apartamento por alguns dias...
Oliver. — Ele a olhou nos olhos. — Toma cuidado, por favor.
Não se preocupe comigo. — Sorriu. — Vem. Vou te ajudar... — Subiram as escadas e entraram no quarto.
**--** **--**
**Oliver**
Eu estava com um ódio tão grande... Nunca pensei que sentiria algo tão ruim por alguém. Enquanto observava minha namorada dormir, um pouco mais tranquilo, pensava em um jeito de pegar esse cara. Sabia que ele estava á espreita, mas não imaginava que ele "ligaria" para ela. Eu a abracei quando ela se remexeu. Só o que eu queria era matar aquele desgraçado. Meu celular tocou e antes que pudesse acorda-la, o peguei e atendi.
Alô. — Nem tinha olhado na tela para saber quem era.
Oliver, que bom que atendeu.
Diggle. Aconteceu alguma coisa? — A voz de meu amigo e segurança me preocupou.
Sim. Mas antes... Felicity? Como ela está?
Está melhor. — Suspirei enquanto a olhava. — Aquele cara é um desgraçado. Conseguiu tirar a "segurança" que Felicity sentia. Ela estava tremendo nos meus braços. E toda a história que ela me contou fica repassando á minha mente.
Não gostaria de ver o estado de Felicity. Ela é uma amiga muito especial.— Sorri fraco. — Minha vontade é de matar esse filho de uma mãe.
Não é só você. — Fechou as mãos em punhos. — Ver ela toda quebrada em meus braços, por causa de uma simples ligação... Só me deixa com mais ódio dele.
Ele vai pagar, Oliver.
Ah, eu sei disso. Porque quando eu por minhas mãos nele... — Fechei os olhos. — Não vai ter ninguém que vá me parar de enforca-lo.
Dá para entende-lo. Acho que Tommy, Barry e Malcom sentem o mesmo.
Mudando de assunto... — Saí do quarto, indo para a sala. — O que você ia me dizer antes, Dig?
Ah. Cara, aconteceu uma tragédia.— Arqueei as sobrancelhas. — Nathan Baker. Lembra-se desse nome?
Como não me lembrar?— Bufei. — O que tem esse infeliz?
Ele foi assassinado, Oliver.— Eu me levantei do sofá surpreso. Como assim? Mas o que raios tinha acontecido?
Como assim assassinado? — Minha voz saiu um pouco alterada.
Não sabemos ainda por quem, mas... Oliver, ele estava em casa, sozinho. Tinha garrafas de bebida por todas as partes e muito sangue. Objetos quebrados por toda a casa. Ele com certeza tentou lutar, mas foi em vão. A garganta e os pulsos, estavam cortados, marcas de cigarro no peito e na barriga...— Baguncei meus cabelos. Quem iria fazer tal atrocidade? Tudo bem, estava com raiva do cara, mas também não queria que ele fosse torturado. — Ele foi torturado.
E vocês não sabem quem foi?
Não. As câmeras de segurança da casa estavam todas desligadas.— Suspirei. — Mas eu estava pensando... Se Cooper está observando Felicity de longe... E soube do que Nathan tentou fazer á ela...— Se interrompeu. E ele nem precisava continuar, eu sabia qual a conclusão. O filho da puta do Sheldon matou o Baker. Torturou o cara até a morte. Se Felicity souber disso... Ela não vai mais ter paz. Esse cara está mesmo querendo morrer.
Filho da puta. — Rosnei. — Ele matou o Baker.
Mike e Killian estão tentando descobrir se alguém viu um homem entrar na casa. Mas até agora, ninguém viu nada.
Deixe que outros façam o trabalho de investigação. Preciso que Mike e Killian fiquem aqui na "Scalla".
Vou manda-los para aí imediatamente.
E Dig... — Ele disse um "hum". — Obrigado por me avisar.
Você precisava saber disso.— Nos despedimos.
Esse cara é mais louco do que eu tinha imaginado. — Sussurrei voltando para meu quarto, Felicity poderia acordar sozinha e se assustar.
**--**
**Oliver**
Não acredito que ele teve a audácia de ligar para ela. — Tommy rosnou. Ele, Oliver, Barry e Roy conversavam, estavam todos no apartamento do Merlyn. As garotas tinham saído com as crianças até ao supermercado, iriam fazer um almoço em "família".
Ele a encontrou. — Barry sussurrou. — Então ele sabe onde ela mora. E é mais que possível que o cara que vem seguindo-a é ele!
Agora os seguranças estão em dez. — Os amigos o olharam surpresos. — Ele está por aí, pronto pra pega-la. Não vou dar chance alguma á ele. — Eles assentiram.
Ela não deve ter gostado.
Ela não reclamou dessa vez. — Eles entendiam o porque. — Só de imaginar todas as coisas que ele fez a ela... — Fechou as mãos em punhos. Tommy fez o mesmo. — Meu sangue esquenta.
Não é o único que fica assim. — Tommy disse.
Ele deve estar esperando o melhor momento para pega-la. — Roy nos chamou a atenção. — E com certeza é quando você não estiver por perto.
Roy está certo, Oliver. Não é bom ela andar por aí sozinha.
Como se eu precisasse pedir. — Suspirou. — Ela não tem ficado nem no apartamento sozinha... Teve pesadelos nesses três dias a noite toda...
Esse cara merece o pior. — Roy rosnou. Oliver se lembrou de Felicity dizer que Helena tinha dito algo parecido, sobre o próprio pai. Agora, ele tinha que concordar, Helena não estava de toda errada.
Eu não poderia concordar menos. — Bagunçou os cabelos. — E vocês não sabem do pior... Nathan Baker, se lembram dele?
Claro. — Tommy bufou. — Como não lembrar?
O cara que era chefe da Felicity? — Oliver assentiu á pergunta de Barry. — O que têm ele?
Ele foi assassinado. — Todos o olharam surpresos.
Como é? — Tommy foi o primeiro a se pronunciar.
Como isso aconteceu, Oliver? — Tudo o que Dig contou, Oliver contou aos amigos.
Que louco. — Roy diz. — Ele torturou o cara. Isso já não é mais apenas obsessão.
Concordo. — Barry bagunçou os cabelos. — Ele matou uma pessoa. Nathan foi um filho da puta, mas também não merecia morrer, muito menos do jeito que morreu.
Esse cara não vai parar. — Tommy fechou as mãos em punhos. — Ele vai matar quem estiver no caminho dele. Oliver, é melhor você tomar cuidado também.
Não se preocupe comigo.
Como não? — Barry concordou com Tommy. — Ele matou o Baker, pode fazer algo com você também.
Já disse, não precisam se preocupar comigo. Estou com quatro seguranças na minha cola, sem contar Dig... Vou ficar bem. — Os três ficaram preocupados. Oliver não parecia temer o que o Sheldon poderia fazer, mas eles sim temiam.
Felicity Sabe?
Não, Roy. E prefiro que continue assim.
Ela vai descobrir uma hora ou outra. — Barry não concordava com o Queen. — Precisa dizer á ela.
Ollie, eu concordo com Barry. Vai ser pior se Felicity descobrir isso sozinha. — Oliver desviou os olhos por alguns minutos.
Tudo bem. — Suspirou. — Vou contar á ela quando chegarmos em casa. — Ouviram a porta ser aberta. — Não vamos mais falar sobre isso. — Todos assentiram.
PAPAI! — Ouviram Lyon gritar e logo aparecer na sala com as gêmeas. — A mamãe vai fazer aquele pavê que ela fazia quando morávamos juntos. — Tommy sorriu enquanto se levantava e se aproximou pegando-o no colo, indo em direção á cozinha. Os outros três se levantaram, o acompanhando e ajudando as garotas com as compras.
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Felicity encostou a porta do quarto das filhas e caminhou para o que ela dividia com o namorado. Ele estava estranho desde que tinha voltado do supermercado com as garotas. Disse que contaria tudo quando chegassem em casa. Estava preocupada, alguma coisa lhe dizia que algo ruim tinha acontecido. Entrou no quarto encontrando o namorado deitado na cama, parecia pensativo.
Oliver. — Sentou na cama, olhando-o. — Quero saber o que aconteceu. — Ele se sentou. — Eu sei que aconteceu alguma coisa, está estranho...
Eu sei. Me desculpa, não queria te preocupar. — Pegou em sua mão.
Disse que me contaria quando chegássemos... — Se aproximou do namorado.
Aconteceu uma coisa... — Suspirou. Não sabia como contar á ela. — Dig me ligou, disse que Nathan Baker tinha sido assassinado. — Ela arfou em surpresa.
O que? — Seus olhos lacrimejaram. — Assassinado? Como assim?
Calma. — Aconchegou o corpo dela ao próprio. — Encontraram-no em casa... — E ele decidiu contar tudo á ela. Todos os detalhes, mesmo que isso a machucasse, ela precisava saber.
Não acredito. — Sussurrou. — Foi ele. — Seu corpo tremia. — Foi ele. Foi ele, não foi? — Olhou nos olhos azuis. — Não foi?
Felicity, se acalme, por favor.
Ele matou uma pessoa. — Oliver não sabia como fazê-la se acalmar. — Matou. Como ele pôde fazer isso? Ele torturou uma pessoa.
Eu não devia ter te contado isso. — Sussurrou enquanto beijava os cabelos loiros. — Me desculpa, amor. — Ele ouvia o choro dela e isso o despedaçava. Odiava vê-la daquele jeito. Destruída. Com medo. Ela sussurrava "ele o matou" e "ele o torturou" muitas vezes enquanto chorava em seus braços. Oliver a entendia, não era porque Baker tinha tentado "machuca-la", que ele merecia morrer. Felicity dormiu nos braços dele, chorando, enquanto Oliver a acariciava, tentando acalma-la.
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Estávamos na mansão dos pais de Oliver. Lyon estava conosco. Como ele não teve aula hoje, pedi para Laurel que ele ficasse comigo e ela aceitou, mas eu tinha que falar com Tommy, pois o final de semana era dele. Liguei para meu irmão, ele disse que por ele tudo bem e antes de desligar disse: "Depois não diga que eu não avisei". Estava com ele desde manhã. Ele era bem elétrico, mas nada que eu não pudesse aguentar. Oliver disse "É só o primeiro dia, amor" revirei os olhos á essa frase. Quando chegamos, Moira nos fez prometer que ficaríamos para o jantar e meu namorado não pôde negar. Ele não ia muito ver a mãe, não com tanta frequência e isso era parte minha culpa. Desde o dia em que Cooper me ligou, eu não tenho tido vontade de sair de dentro do apartamento. E ainda tinha o que Cooper tinha feito á Nathan, eu não tinha me conformado com aquilo. Nathan tinha sido um animal comigo, mas não merecia ser torturado, não merecia ser morto. Não queria me lembrar das atrocidades que Cooper tinha feito á uma pessoa, por isso não questionei quando Moira pediu que ficássemos para jantar. Estava sendo divertido afinal de contas. Thea dizia que logo ela também iria morar sozinha, seus pais não gostavam muito dessa ideia, mas não ouvi nenhuma reclamação enquanto conversávamos. Já passava das 20h quando eu olhei para meu namorado pedindo com os olhos para irmos embora.
Bom, nós temos que ir. — April e Lyon pegaram na minha mão enquanto Amily estava abraçada á tia.
Por que não ficam aqui essa noite? — Oliver me olhou. — Vocês não trabalham amanhã e eu passaria um pouco mais de tempo com você filho. E com minhas netas. — Ambas as meninas olharam para a mãe.
Mamãe, por favor? — Amily quem fez o pedido.
Você não iria para o seu apartamento mesmo. — Oliver olhou para Thea, repreendendo-a. — O que eu disse de errado?
Podemos ter um almoço em família.
Eu fiquei de visitar a Cait amanhã.
Vocês podem ir depois do almoço. — Olhei para Moira. — Por favor?
Tudo bem. — Concordei e ela se animou.
Ótimo. — Olhei para a governanta, que entrava no cômodo. — O quarto do meu filho está pronto? — Ela assentiu.
Sim, senhora. Como havia me pedido.
A senhora já tinha isso em mente, certo? — Moira sorriu e eu não pude deixar sorrir de volta. Lyon me chamou.
Tia e minhas coisas? — Arqueei as sobrancelhas.
A sua mochila está dentro do carro. — Oliver disse. — Eu peguei algumas coisas quando estávamos saindo...
Já que está tudo combinado, se me derem licença irei me retirar. — Robert se despediu. — Fique á vontade Felicity. — Eu assenti em agradecimento.
Eu também já irei me deitar. — Olhei para minha irmã/cunhada. — Vocês não se importam, certo?
Não. Pode ir Thea. — Sorri e ela subiu as escadas. — Vamos também? — Olhava para minhas filhas e meu sobrinho.
Não estamos cansados... — E logo veio um bocejo de cada um.
Não? Então o que foi isso? — Oliver disse com um sorriso. — Vamos subir, eu e Felicity colocaremos vocês na cama.
Assim que chegamos ao quarto colocamos o colchão delas no chão e pegamos um outro no quarto de hóspedes e fizemos o mesmo. Arrumei ambos e eles se deitaram, me sentei junto de Oliver e comecei a cantarolar a musica que ouvia quando criança. Virou rotina fazer isso sempre que as coloco para dormir e mesmo quando elas não estão com sono, não demora muito a acontecer quando começo a cantar. E foi o que aconteceu novamente, alguns minutos depois que comecei a cantar, seus olhos azuis começaram a se fechar bem de vagar. E Lyon, que nunca tinha ouvido a música, caiu num sono tão profundo quanto das primas. Eu e Oliver nos levantamos sem fazer barulho, deixei a luz do abajur acesa e apaguei a do quarto, antes de sairmos deixei a porta encostada.
E novamente não dormi no meu apartamento. — Comentei assim que entrei no quarto do meu namorado. Se bem, que depois do que houve, não sei se eu gostaria de voltar a dormir lá. Desde aquele dia estava no apartamento do Oliver e eu me sentia mais protegida dormindo com ele.
Sabia que alguma hora você reclamaria. — Ele sorria enquanto retirava a camisa de mangas longas. O segui até o closet e ele me emprestou uma camisa dele, já que eu não tinha o que vestir para dormir. — Ficou melhor em você que em mim. — Ele riu quando eu corei. Me deitei na cama onde ele já se encontrava. — Lis, quero te fazer um pedido... — O olhei nos olhos. — Gostaria que morasse comigo. Definitivamente. — Me lembrei que era a segunda vez que me pedia aquilo. Na primeira vez eu não achei que estava na hora, mas agora, depois do Cooper conseguir falar comigo pelo telefone do meu apartamento, eu não acho que conseguiria ficar sozinha novamente. Me sentia segura com Oliver.
Morar com você? — Ele assentiu, mesmo sem precisar. — Por que tão rápido?
Já disse. Não quero passar mais nenhum minuto longe de você... — Não pude deixar de sorrir. Ficamos nos encarando por alguns minutos antes de eu resolver falar.
Depois do que houve... — Ele me apertou entre seus braços. — Não sei se conseguiria ficar no meu apartamento... Sozinha. — O olhei nos olhos.
Eu ainda tenho raiva só de pensar. Ele teve a audácia de te ligar... — Rosnou.
Ele queria me colocar medo, Oliver. — Estremeci. E ele conseguiu. Não falei em voz alta, pelo menos eu achei que não, até ele me apertar mais e se pronunciar.
Você não precisa temer. Não vou deixar que ele encoste em você. — Eu sei que ele diz isso sempre, mas não tenho certeza se ele pode manter a promessa. Por isso decidi voltar ao assunto de ir morar com ele.
Eu acho... — Me virei para ficar de frente para ele e ele fez o mesmo. — Acho que vou precisar pegar minhas coisas... — Ele sorriu animado.
Então no domingo pegamos suas coisas. — Eu assenti. Eu já estava completamente rendida á Oliver Queen. — Eu te amo.
Também te amo. — Disse o abraçando, colocando minha cabeça em seu peito. Ele apertou com seu braço direito, minha cintura e logo depois senti o sono me levar.

CONTINUE...
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