Kupidon
83 Capítulo Sessenta e Um
Notas iniciais

A dor, você simplesmente tem que sobreviver a ela, esperar que ela vá embora sozinha, esperar que a ferida que a causou, sare — Grey’sAnatomy.
Passava das 2h da manhã quando Oliver finalmente sentiu que apenas ele estava na cama, e que sua linda esposa não se encontrada em seus braços.
Suspirou alto, antes de olhar para o cômodo a frente, no qual havia uma luz acesa.
Instantaneamente ele se lembrou da primeira vez que acordou no meio da noite e não encontrou Felicity ao seu lado; pensou na época em que ela acordava para comer doces, lembrou-se de que havia achado que ela estava com verme – e seria engraçado, se a situação do momento não fosse tão preocupante –, se lembrou de que na verdade, tudo era ocasionado a desejos de grávida.
Mas daquela vez era diferente.
Daquela vez, era muito diferente.
Sua esposa não estava com desejos e muito menos grávida, ela apenas estava tomando o primeiro banho do dia – sem contar os dez do dia anterior.
Quando isso havia começado?
Ele se lembrava como se fosse ontem.
Havia sido exatamente no dia seguinte que ela havia tentado se entregar para ele pela primeira vez desde a sua volta, mas se negou, pensando no bem-estar dela, pensando na saúde mental dela.
Primeiro ele ficou extremamente curioso a respeito de todos aqueles banhos, quase um atrás do outro, depois, se sentiu preocupado, extremamente preocupado, quando ela passou a fazer isso a cada quinze minutos, depois, não conseguiu conter o desespero de saber o porquê de ela tomar tantos banhos em apenas um dia.
E ele questionou, demonstrando sua aflição; no momento em que ela saiu do banho apenas de toalha.
Ele a viu se envergonhar, viu os olhos marejares, viu as mãos passarem nos braços de forma que poderia machucá-la.
Seu coração apertou ao vê-la mais uma vez com os olhos tristes, ao vê-la mais uma vez, chorar em angustia – mesmo que as lágrimas ainda não tenha caído pelo rosto corado.
Mas o que sentiu ao ouvir a resposta, foi muito pior.
Seu coração se quebrou em caquinhos, sua garganta se fechou, suas mãos tremiam, mas não por conta da angustia que sentiu ao ouvir a voz embargada da mulher que ama, e sim de raiva; aquele sentimento que ele sempre sentia e dedicava completamente a Cooper Sheldon.
"Eu me sinto tão suja"
"E eu não consigo tirar toda essa sujeira, mesmo com meus banhos"
"A voz dele não sai dos meus ouvidos..."
"E as mãos dele passando por todo meu corpo, não sai da minha mente"
Aquelas frases ficaram em sua mente por dias e dias; repetindo, sempre que a via ir em direção ao banho.
Se remoía, por saber que nada que fizesse, parecia ajudá-la a esquecer tudo que passou, a superar, tudo que aquele homem a fez, e pior, por ele ainda fazer parte da vida dela, mesmo que esteja em coma.
Se fizesse alguma diferença, ele mesmo o mataria.
Se fizesse alguma diferença, ele iria até Central City, e tiraria a vida do miserável.
Mas sabia que não faria; poderia melhorar, mas as lembranças continuariam a atormentar a mulher que amava.
Suspirando longamente, Oliver se sentou, encostando as costas na cabeceira da cama, esperando que Felicity saísse enfim do banho.
Mas os minutos se passavam – vários minutos – e nada de ela sair.
Começava a se preocupar.
Ela precisava de espaço, precisava de tempo, precisava de lidar com tudo aquilo que sentia sozinha.
E mesmo sabendo disso, mesmo que aquelas palavras tivessem saído da boca da psicóloga, ele não conseguia ficar sentado, por quase uma hora, sem fazer nada.
Olhava no relógio que estava na parede no lado onde a esposa dormir; desde que tudo aconteceu, ela não mais dormia do lado da porta, por medo, então desde então, aquele era seu lado.
Esperou, esperou e nada.
Tentou mais um pouco, e quando sua preocupação falou mais alto, decidiu sair do banho, e no instante seguinte, a porta se abriu.
Felicity deu um pulinho por conta do susto, levando a mão direita em direção ao peito.
Os olhos dela demonstravam o pavor que ela sentiu; pois esperava vê-lo ainda adormecido, e ele inevitavelmente se culpou por não ter seguido a voz em sua cabeça ao invés de seu instinto e ficado na cama, esperando-a, sem fazer algum alarde.
— Me desculpa, baby. – Diz, aproximando vagarosamente.
— Não faça isso, Oliver. – Pede quase em desespero.
— Eu estava preocupado, você ficou mais de uma hora no banho. – A viu desviar os olhos. – Fala comigo.
Felicity balança a cabeça, ainda sem olhar nos olhos claros do marido.
— Eu sei que me disse como se sente, mas eu preciso que me diga o que posso fazer para ajudar.
Imediatamente o olhou.
— Nada. – Suspirou. – Nada que faça pode me ajudar a me sintir menos suja.
— Você não é suja, meu amor.
— É como eu me sinto.
Oliver pegou nas mãos dela.
— Está errada. – Diz devagar. – Você é linda, é perfeita... – Aproximou o corpo de ambos. – É muito mais do que acredita ser.
— Eu não consigo... – Fechou os olhos por um momento. – Não consigo... – Outra pausa, mas o outro esperou. – Mal posso respirar quando me lembro das mãos dele me tocando, da voz dele em meus ouvidos, dos lábios dele...
— Pare. – A chacoalhou, fazendo-a olhar em seus olhos novamente. – Ele está em coma, Felicity! – Lembra. – Está em coma a mais de três horas daqui, não pode mais te fazer mal, não pode mais te machucar ou te tocar, seja como for. Nunca mais.
— Ele não está morto. – Murmurou com a voz embargada.
E Oliver trincou os dentes, pensando mais uma vez em realmente ir até aquele maldito hospital, para realmente matar o maldito, desgraçado, que fez sua mulher se apavorar com tudo a sua volta.
— Mas é como se estivesse! – Retrucou. – Gregory, Collin e Dyllan estão observando pessoalmente aquele maldito. Se ele sobreviver, não vai conseguir ficar vivo por muito tempo, acredite em mim.
— Eu queria tanto, tanto... – As lágrimas desceram pelo rosto dela. – Que ele estivesse morto agora.
Oliver tocou o rosto dela com delicadeza.
— Imagine que ele esteja. – Pede. – Imagine que ele está no quinto dos infernos finalmente. – Aproximou o rosto do dela. – Porque é para lá que ele realmente irá caso acorde, Felicity, eu juro.
Ela soluçou e ele sentiu o peito apertar.
— Venha comigo.
A puxou em direção da cama e ela o seguiu, sem questionar.
— Você não tem mais que pensar naquele homem. – A deitou de forma cuidadosa. – Não é ele que está aqui com você... – Se deitou por cima dela. – Não é ele que a toca dessa maneira... – Seus dedos brincavam para cima e para baixo, em ambas as coxas fartas. – Não é ele que sussurra em seus ouvidos.
Ela apertou ambas as mãos nos braços fortes, não esperando pelo beijo no pescoço.
— Não é ele que te faz isso, meu amor.
O corpo dela tremia, e pela primeira vez, Oliver não soube dizer o porquê.
Seus olhos se encontraram.
— Não é ele que vai te beijar agora. – Diz antes de enfim fazê-lo, de forma calma e carinhosa.
Felicity o correspondeu, no mesmo ritmo, se esquecendo momentaneamente, o que fazia a pouco, ou mesmo os pensamentos que passava em sua mente quando estava no banho.
Pela primeira vez, ela não estremeceu de um modo ruim ao sentir as mãos do marido a tocando suas coxas, cintura, barriga – avantajada; aquele mesmo toque, carinhoso, que havia sentido tantas outras vezes, antes de depois do que houve quando foi sequestrada, que a deixava apavorada quando foi resgatada, que a fazia se lembrar de todo o horror que passou, a deixava ansiosa, de uma forma que não sentia a meses.
O ar faltou.
Oliver mordiscou o lábio antes de encostar sua testa na dela, ainda que suas mãos continuassem a acariciá-la.
A saudade era tanta que ele mal conseguia se conter; e ele desejava muito possuí-la, mas temia acabar pressionando a esposa.
E então ele percebeu, olhando nos olhos lindos e verdes da mulher que amava, que ela não se encontrava apavorada como todas as outras vezes que tiveram um contato mais íntimo, que ela não se encontrava pressionada a tentar se entregar para ele; os olhos dela não se desviaram nem por um segundos dos seus, como havia acontecido tantas vezes.
— Oliver...
O gemido de sua esposa saiu quase ao mesmo tempo que outra voz; mais alta e muito mais fina.
— Papai!
A interrupção de sua filha não poderia ser menos inoportuna, em sua opinião.
Ele esperava por uma aprovação de Felicity, esperava que finalmente ela se entregasse, que finalmente pudesse sentir o corpo dela junto ao seu, que pudesse beijá-la completamente, como desejava a meses.
Com um longo suspiro, ele se afasta, mas não sem dar um beijo na testa da esposa, dizendo que já voltava.
Não era a primeira vez que ouvia o grito de uma de suas princesas – ou ambas – no meio da noite; mas aquela era uma das raras vezes que Amily não gritava em conjunto com a mãe; e não era surpresa que April não estivesse gritando em conjunto da irmã. Desde que Felicity havia sido sequestrada, ambas as filhas tinham pesadelos, mas diferente de Amily, que havia parado no momento em que soube que o maldito homem que a aterrorizava já não era um problema, April vez ou outra tinha um pesadelo; e era sempre o mesmo; sua mãe era sequestrada e não voltava para casa.
O mesmo tempo que sua querida esposa precisava para superar tudo o que houve, sua princesinha também precisava. E sabia que não seria tão fácil, principalmente para uma criança; ela tinha oito anos e já havia passado por muitas coisas.
Felicity suspirou e se virou, se colocando de lado; sua mão esquerda estava debaixo do travesseiro enquanto que a outra pousava ao lado de seu rosto; e ela tentava a todo custo, não surtar por estar mesmo que poucos minutos sozinha; odiava quando seu marido precisava deixá-la sozinha.
Não sabia por quanto tempo ficou, ali, encarando a parede, no qual já havia três berços lindos e luxuosos, idênticos, com exceção das cores que os enfeitava; berço em madeira branca, um protetor de cabeceira e um protetor de lateral com espuma no formato Slim, sendo mais fino, deixando o berço mais leve e a estampa – rosa, verde-água e azul – de nuvens brancas, o que dava um ar mais angelical; um protetor de lateral – branco, rosa e cinza, no da garotinha, e nos dos outros garotinhos, branco, cinza e as cores das estampas laterais de seus berços – em formato de rolinho com estampa Chevron zig-zag, que por ser mais baixo que os convencionais, permite a melhor circulação de ar dentro do móvel, e também para os papais corujas que adoram ver seus pequenos anjos dormirem; um jogo de lençol com três peças sendo: um lençol de cima, um lençol de baixo com elástico que se prende melhor ao colchão, evitando que o mesmo se desprenda com facilidade e uma fronha – e um edredom – nas cores que haviam escolhido para cada um dos bebês – pantografado, e para completar, duas almofadas decorativas: uma branca com rostinho com formato de nuvem e uma com formato de gotinha.
Diferente dos berços que se encontravam no quarto dos trigêmeos, aqueles haviam sido presente do casal Merlyn.
Estava tão concentrada em qualquer som que viesse do quarto, que pode ouvir o momento em que a porta se abriu e se fechou, vagarosamente, ouviu os passos de seu marido e em seguida, sentiu o colchão se afundar atrás de si, indicando que seu marido havia se deitado; o braço dele não se demorou a passar por sua cintura, não mais tão fina, sentiu a mão dele tocando sua barriga de forma cuidadosa, como se ele não quisesse acordá-la.
— Eu sei que não está dormindo.
Se surpreendeu com sua voz – que saiu em sussurro em seu ouvido – e mais ainda com sua revelação.
Os bebês chutaram de repente, interrompendo sua resposta, e por isso sorriu; era como se tivessem ouvido a voz do pai; sempre que ele estava por perto, sempre que ouviam a voz de seu marido, os três chutavam como se estivessem jogando futebol.
Felicity dizia isso sempre, com uma risada gostosa que deixava o marido mais bobo que já é; era rara as vezes que ela dava aquelas risadas, e quando isso acontecia, ele sentia seu corpo se aliviar e seu coração sentir a alegria dela.
— Estava esperando por você.
Oliver não respondeu, principalmente porque ele odiava o que aquela simples resposta queria dizer; se fosse em outros tempos, ele teria sorrido.
— Você está mais calma?
— Hum.
Ele não se convenceu, principalmente porque não foi uma resposta positiva; não para ele.
— Vamos dormir, está bem? – Beijou sua bochecha.
— Se tiver que sair do quarto novamente... – Deu uma pausa, olhando-o pelo canto do olho. – Vai me acordar, certo?
— Sempre.
E ele pode sentir ela se aliviar, ao ver a respiração dela mudar.
Os olhos dela se fecharam, mas os dele ficaram observando-a por mais algumas horas, enquanto tocava e falava com seus filhotes.
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As crianças brincavam de videogame enquanto seus pais conversavam de forma divertida no primeiro andar.
Tommy comentava sobre como a garotinha que naquele momento estava nos braços de sua irmã, era peralta; e isso era língua grande, como ele mesmo havia dito ao pai de Nathalie.
A pequena Allen mesmo com tão pouco idade, já andava para cima e para baixo com a irmã mais velha, jogava os brinquedos no chão, tentava ler livros e os deixava jogados pelo seu quartinho, e a alguns dias, para o desespero de ambos seus pais, havia entrado na banheira e tentava ligar a torneira; enquanto o Merlyn ria sem parar enquanto conta sobre isso aos amigos, os outros ficavam extremamente surpresos.
Kitty nunca havia feito tal coisa; ela era quietinha demais para sua idade, gostava de ficar no colo – diferente da irmã –, e nunca, jamais, deixou os pais desesperados como a irmã mais nova fazia. Além disso, ela havia demorado muito para dar seus primeiros passinhos.
Nathalie Sara Allen era uma garotinha elétrica, e que estava levando a irmã a ser do mesmo jeito; agora a pequena ruivinha deixava os pais – e isso incluía Tommy – de cabelos em pé, mesmo quando não estava com a irmãzinha.
— E isso é tudo culpa da filha espoleta do Barry e da Laurel.
— Tommy, lembra-se que você terá filhos.
Os outros riram ao ouvir Ray.
— E que assim como reclama de mim, não deveria falar sobre os defeitos da minha filha, ou pagará língua.
Novamente as risadas.
— E isso é verdade.
— Droga, me esqueci disso. – Diz depois da esposa, em murmúrio, fazendo novamente, os amigos rirem.
— Você é muito comédia. – Oliver diz, balançando a cabeça.
— Natty, você está muito esperta para uma garotinha de dez meses.
— Quer ficar com ela por uma semana?
Os outros riram ao ouvir Barry, e mais ainda ao verem a feição de indignação de sua esposa.
— Barry!
Ele apenas deu de ombros, olhando nos olhos claros dela.
— Eu iria adorar ter a companhia dessa pequena. – Diz sorrindo. – Mas da forma como andam as coisas, acho melhor não..., pelo menos por enquanto.
Oliver odiou que ela novamente se lembrasse dos pesadelos que andam ainda constantes.
— Se ficar com Natty também tem que aceitar ficar com a Kitty. – Tommy diz, fazendo a irmã sorrir, assim como queria; e Oliver o agradeceu com os olhos.
— Por mim tudo bem.
De repente ela passa a pequena em seus braços para o colo da mãe; a menina reclama enquanto os outros olhavam para ela de forma confusa.
— Eu já volto. – Avisa, subindo as escadas.
Oliver não precisava perguntar para onde ela estava indo naquele momento; sabia exatamente para qual cômodo ela se dirigia.
Suspirou.
Outro banho.
Era o quarto daquele dia, e o primeiro desde que os amigos chegaram; e isso já fazia vinte minutos.
Havia se passado cinco minuto a mais; desde que aqueles banhos haviam começado, ele contou, ela seguia para o banho de quinze em quinze minutos; ficava meia-hora e voltava para junto dele, das crianças, ou seja para onde estava antes de entrar no banho.
Gostaria de poder fazer algo sobre aquilo, mas não sabia o quê.
Seus amigos ficaram confusos, pode perceber, mas não disseram nada.
Quando a loira voltou, meia-hora depois, ela estava com um moletom cor-de-rosa, seus cabelos estavam molhados e já não havia maquiagem alguma, nem mesmo o blush de mais cedo em seu rosto.
Ninguém comentou sobre quando ela voltou, e o Queen se perguntou por quanto tempo isso iria durar.
Felicity se sentou no chão junto das pequenas Allen, que riam das cócegas que a madrinha fazia vez ou outra.
Por um momento, Oliver se sentiu aliviado por ela estar divertindo com as garotinhas, e não estarem se sentindo mal como estaria caso estivesse apenas eles dois; pois os sentimentos que ela sentia depois do banho, eram todos ruins.
As garotinhas gargalhavam com as cócegas que a madrinhas lhes faziam vez ou outra, fazendo com que cada um dos adultos sorrisse; era um momento tão descontraído, que eles mal podiam acreditar que aquela linda cena estava acontecendo.
Kitty, a mais velha, colocava a cabeça na barriga da madrinha vez ou outra, para sentir os bebês; ela achava incrível.
"Os piminhos tão mexendo, padinho"
Ela dizia sempre que sentia os bebês; com um sorriso no rosto, completamente animada e claro, errando as mesmas palavras, sempre, antes de voltar a colocar a cabeça na barriga de Felicity, para poder mais uma vez, sentir os bebês.
Natty, que entendia muito pouco, queria fazer o mesmo que a irmã; ela estava sempre imitando a mais velha, querendo fazer tudo que ela fazia.
E quando a menor fazia alguma peraltice, como Tommy comentava sempre, a outra a acompanhava, sempre, como as cúmplices irmãs que eram.
Na hora do almoço, cada um dos presentes, inclusive as crianças, observaram Felicity Smoak-Queen voltar a subir as escadas, pela terceira vez em menos de uma hora e meia; e novamente Oliver percebeu que o tempo para o banho estava diminuindo; se antes era de quinze em quinze, agora estava de dize em doze; isso desde que os amigos chegaram.
Enqaunto Oliver se preocupava cada vez mais, os outros começavam a não só sentir-se da mesma forma, como também a ficar curiosos – com exceção de Caitlin, que já podia imaginar o que estava acontecendo.
Ela, como médica, já havia lido muito sobre pessoas que passaram pelo trauma que a amiga passou, e por esse motivo, ela sabia que em algum momento Felicity passaria a tomar vários banhos durante o dia, para poder tirar a marca que o maldito Cooper havia lhe deixado.
— Oliver.
Seus olhos se encontraram com os de Tommy, no instante em que sua esposa sumiu de seu campo de visão.
— O que é isso?
Já esperava por perguntas.
— Eu nem sei quantos banhos foram desde que chegamos...
— Foram oito. – Laurel diz. – Oito. – Diz mais devagar. – O que está acontecendo?
— A mamãe está tomando vários banhos durante o dia, já tem mais de uma semana...
Todos olharam para April.
— Não é, papai? – Olhou para o mais velho, que estava do outro lado da mesa, a sua frente.
E então os olhos dos outros se dirigiram para o Queen, que suspirou.
— Ela não anda se sentindo bem. – Respondeu, fazendo os outros franzirem o cenho. – O banho..., é uma forma de ela tentar... – Fez uma pausa ao frisar a última palavra. – Tentar fazer com que ela não sinta mais o trauma.
Havia crianças no cômodo.
Como diria, na frente dela, que sua esposa tomava todos aqueles banhos para que não sentisse em seu corpo, as mãos do homem que a abusou por vários dias?
Como diria, que era dessa forma, que ela tentava deixar de ouvir seus sussurros e seus beijos?
Diferente das crianças, que estavam confusas, os amigos haviam compreendido no mesmo instante.
— Só não comentem, por favor. – Olhou para as crianças. – Não falem nada sobre isso com a tia de vocês, está bem?
Cada uma delas assentiram rapidamente.
— A tia ainda tem pesadelos, tio Ollie? – A pergunta de Lyon estava carregada de preocupação.
— Infelizmente.
— Eu também. – Confessou. – Aquele dia não sai da minha cabeça.
— É normal, querido, mas isso vai passar. – Laurel diz, sentindo os olhos lacrimejar.
— Tudo é questão de tempo. – Caitlin se pronuncia. – Vai ter um momento em que vocês nem mesmo vão se sentir mal ou sentir medo do que passaram. Aquela cena, será apenas isso, uma cena. Um acontecimento ruim, apenas isso.
— Para a tia Lis também? – Killian Perguntou.
Os outros engoliram em seco.
— Para a... – Lena fez uma pausa. – A sua tia, filho, é um pouco complicado, mas sim, ela vai..., se sentir melhor em algum momento.
— Por que mais complicado? – Dessa vez, foi Adam quem perguntou.
— Porque ela... – Foi a vez de Oliver fazer uma pausa, e diferente da amiga, não soube como continuar.
— A tia de vocês passou por um tempo longe, machucaram ela..., de uma forma diferente do que machucaram você, filho, e por isso, para ela é mais complicado.
Oliver se sentiu agradecido ao ouvir Barry.
— Mas a mamãe vai ficar bem logo, não é?
— Vai voltar a ser a mesma? – Amily completou depois da irmã.
— É como a tia Cait disse, ela vai precisar de tempo para se curar. – Dessa vez, foi Tommy quem respondeu.
— E esse tempo... – Ray se pronuncia, chamando a atenção das crianças. – Esse tempo é dela. Não tem como sabermos quando ela voltar a se sentir bem.
— Então pode levar anos, pai? – Andrew perguntou.
— Sim, pode. – Respondeu.
Eles se entristeceram, em especial as gêmeas.
Eles odiavam ver a tia ficar triste de repente, ficar estranha e começar a chorar.
Cada um deles já haviam pego ela acordando aos gritos, por conta dos pesadelos, e eles se sentiam completamente assustados, principalmente por não saber como ajudar; as gêmeas em especial.
Tudo que faziam quando a encontravam tão mal, era abraçá-la, e fazer com que de alguma forma, ela se esquecesse dos pesadelos, pelo menos por um tempinho; e geralmente conseguiam, mesmo que pode algumas poucas horas.
De repente ouviram passos.
— Mudamos de assunto. – Caitlin pede rapidamente, olhando para cada uma das crianças no instante seguinte.
Elas assentirem, como resposta ao pedido mudo da tia.
Mas antes que alguém pudesse sequer pensar em algo, a loirinha chega ao cômodo, chamando a atenção de todos, inclusive do marido, principalmente quando ela o chama.
— Oliver. – Jogou os cabelos molhados para o lado. – Há uma mensagem do Diggle no seu celular.
Cada um dos presentes observou atentamente a mulher andar até o marido.
Ela vestia um moletom na cor vinho, de capuz, com listras brancas nas laterais de fora da calça e das mangas da blusa.
Mesmo que ela entregasse o aparelho para Oliver, eles não prestavam atenção nisso, ao contrário das crianças; Felicity tinha marcas vermelhas no pescoço, nas mãos, nós pés e no rosto; principalmente no rosto.
E os outros se perguntavam se estava igualmente no resto do corpo da mulher.
— Ele está voltando. – Sorriu.
— Finalmente. – A mulher também sorriu, sentando-se ao seu lado.
Caitlin foi a primeira a voltar a si.
— Por falar nele... – Todos olharam para a Merlyn. – Onde ele estava esse tempo todo, hein?
— Verdade. A última vez que o vimos foi a alguns meses atrás. – Helena não quis citar a época, afinal, foi quando a amiga havia sido sequestrada.
— Houve um problema com a família dele.
— Problema? – A loirinha se sentir curiosa.
— Eu soube que a esposa dele estava escondendo algo dele, sobre o trabalho.
— Sim, Tommy, e ele descobriu sobre.
— Eu queria muito acompanhar você e os agentes, Oliver, mas...
Oliver pode sentir o amigo tenso, pode perceber a raiva no olhar escuro dele, e por isso se perguntava o que havia acontecido para que ele estivesse tão furioso.
Não era fácil irritar aquele homem, muito menos deixar em um estado de ira tão grande que ele não consegue conter nem mesmo seus sentimentos.
Havia percebido a tenso no instante em que o encontrou, quando ele apareceu para ajudá-lo nas buscas, junto a equipe que havia escolhido para cuidar de sua esposa; e tinha certeza de que não era apenas por Felicity estar desaparecida e nas mãos de um completo psicopata.
— Eu preciso resolver algo importante.
— Tudo bem, mas... – Fez uma pausa. – É algo que eu possa ajudar?
— Você pode me ajudar a entender porque raios... – Rosnou a última palavra. – Minha esposa voltaria ao maldito trabalho dela, quando ela havia me prometido não o fazer?
Oliver então entendeu tudo.
— Ela estava escondendo de mim esse tempo todo, que a exatamente dois anos, havia voltado para a maldita equipe dela. – Bagunçou os capítulos. – Quando ela ficou grávida, prometeu que não se colocaria em perigo, que deixaria a agência, pelas crianças. E não foi eu quem pediu, apesar de estar aliviado, porque basta um dos pais se colocando em perigo todos os dias.
— Eu me lembro de que me contou sobre isso.
— E ao invés de conversar comigo, ao invés de falar que gostaria de voltar para a agência... – Passou as mãos no rosto, demonstrando sua irritação. – Ela escondeu de mim. E sabe como eu descobri? – Riu. – Ela estava à procura de Cooper. E eu estava...
— A procura de Cooper. – Balançou a cabeça, pensando na coincidência.
— Maldição, Oliver! – Praticamente rosnou. – Ela procurando o mesmo maldito que eu, e eu não me liguei das saídas estranhas, dos telefonemas no meio da noite, do fato de nunca ter conhecido o chefe dela, do programa de IT.
Oliver o compreendia completamente; em especial sua ira.
— Podíamos ter conversado e ao invés disso... – Fez uma pausa.
— Você teria aceitado?
— Eu teria largado meu trabalho, Oliver. Eu teria procurado por algo que não me colocasse em perigo constante, e feito um acordo para que ela continuasse na agência, trabalhando em outra área, uma na qual ela não precisasse ir a campo.
— Vocês já conversaram?
— Ela não voltou da maldita missão. E meus filhos estão a semanas com os avós, que são verdadeiros demônios. Os pais dela. – Balançou a cabeça. – Por isso eu prefiro buscar meus filhos, passar esses dias com eles até que minha querida esposa volte... – Debochou ao dizer o "querida". – E deixar meus dois pequenos filhos com alguém que não vá fazer da vida deles, um verdadeiro inferno, para que eu me resolva com Layla.
— Cuide de tudo, sem pensar no tempo de voltar.
O outro balançou a cabeça.
— Sua família é prioridade.
— Meus filhos são prioridade. – Corrigiu. – Eu tenho filhos que precisam de mim, e quando eu voltar, ainda terei filhos, só não digo o mesmo de esposa.
— E?
Voltou a si ao ouvir seu melhor amigo.
— Não seja tão curioso, Tommy. – A esposa o repreendeu.
— Todos aqui estamos. – Retrucou. – Minha irmã principalmente.
— Não fale por mim. – Murmurou. – Oliver?
Os outros riram ao ouvir o pedido da mulher.
— Antes de eles se casarem ela trabalhava em uma agencia que recebiam para encontrar os piores criminosos. – Começou. – E ela estava em uma das melhores equipes, como a líder. Quando se casaram, ela havia decidido deixar a agência, principalmente porque ela se encontrava grávida, e Digg a fez prometer que não voltaria.
— Não deve ter sido fácil para ela, aceitar.
— Lena, ela é mãe, deveria fazer o que fosse melhor para os filhos.
— Claro, eu entendo.
— E ela voltou, mesmo depois da promessa. – Barry diz, já imaginando o final da história.
— Sim. Estava trabalhando as escondidas.
— Por que as pessoas insistem em esconder coisas das pessoas que ama? – Felicity pergunta, indignada.
— Eu ficaria puto. – Tommy diz, se esquecendo momentaneamente das crianças.
— Papai, falou uma palavra feia.
Percebeu então, não só a presença do filho e dos sobrinhos, como também o olhar fuzilador de cada uma das mulheres ao seu redor.
— Foi mal.
— A sua sorte, é que as pequenas dormem nesse momento. – Laurel diz, tão revoltada quanto Caitlin.
— Eu ouvi o papai falar isso a alguns dias.
Ray levou a mão ao rosto no instante em que Andrew abre a boca.
— Como é? – A morena praticamente rosnou.
— Desculpa, pai. – Encolheu os ombros.
O outro balança a cabeça, como um incentivo para ele não se preocupar.
— Por que não vão jogar videogame? – Barry sugere.
— Viu, Killian? Eles sempre nos tiram de cena na melhor parte.
— É tão injusto. – Diz após o amigo.
— Sala. Agora. – Laurel apontou para fora do cômodo.
— O videogame está no quarto das gêmeas.
— Lyon...
— Está bem, mamãe, não precisa ficar tão irritada. – Se levantou no mesmo instante.
— Sou o primeiro a jogar. – Andrew diz.
— Eu escolho o jogo dessa vez. – Adam diz, se levantando junto aos irmãos e primos.
— Vocês não são justos. – Amily diz.
— É, nós ainda não escolhemos nenhum. – April completa.
— Tudo bem, tudo bem, vocês escolhem. – Killian diz, saindo do cômodo junto aos primos.
— Eu juro que não sei o que está acontecendo com meu filho.
— Laurel, ele tem oito anos, é isso que está acontecendo. – Felicity diz, rindo.
— E ele sabe que fazendo isso, é uma forma de te provocar.
— E a culpa é sua!
Barry jogou as mãos para o alto.
— Eu disse.
— Calado, Thomas. – A esposa o repreende por se envolver na conversa dos outros dois, e foi a vez dele de jogar as mãos para o alto.
— É coisa de idade. – Lena diz, dando de ombros. – Ele não faz para te peitar, ele faz para te provocar... – Riu. – Como seu marido mesmo disse.
— Killian está assim também. – Ray diz. – E os gêmeos estão indo para o mesmo caminho. – Deu de ombros. – Mas eles não fazem com a Lena, fazem comigo.
— Eu não tenho muita paciência.
— Claro, você está grávida. – Tommy diz, fazendo os outros rirem, com exceção da Allen. – Na gravidez da Natty você estava terrível, não quero nem pensar como deve estar nessa.
— Muito pior. – Oliver foi o único a ouvir Barry, e por isso riu.
— Tem que se controlar, amiga. – Felicity diz.
— Devo dizer o mesmo da sua fome descontrolada?
— Ei!
Os outros riram.
— Está falando do meu descontrole na irritação... – Cruzou os braços, parecendo uma criança.
— Como eu disse, muito pior. – Barry sussurra para Oliver que segura uma risada.
— Voltando ao assunto, meu amor... – Se virou para o marido. – Diggle se resolveu com a esposa?
— Depois o curioso sou eu.
Os outros riram, principalmente quando a loira o fuzilou com os olhos.
— Não acho. – Balançou a cabeça, ao responder. – Ele ainda estava bastante irado quando nos falamos a uma semana. E até onde ele disse, estão fazendo terapia de casal. Pelas crianças.
— Filhos não segura casamento.
— Com certeza não. – Laurel concordou com Caitlin, se lembrando de seu próprio casamento com Tommy.
— Ele disse o mesmo, mas ela pediu por isso, e ele achou que devia, pelos filhos.
— Mas se ele está voltando a rotina de sempre... – Felicity volta a se pronunciar.
— Ou eles se entenderam, ou se separaram de vez.
— Eu voto na segunda opção. – Tommy diz após Oliver.
— Não deveria estar votando em nada, senhor inconveniente.
O outro bufou ao ouvir Ray.
As bebês começam a chorar de repente, e a Smoak-Queen, que já se encontrava agoniada, mesmo com sua curiosidade em relação ao amigo, se levanta, dizendo que olharia ambas.
Oliver, conhecendo a esposa, sabia que aquela havia sido apenas uma desculpa para que ela pudesse novamente, ir para o banheiro do quarto deles, tomar o nono banho daquele dia.
A seguiu com os olhos, até que a loirinha sumisse de seu campo de visão.
Cada um dos amigos perceberam os olhos preocupados do amigo sobre a esposa, e no instante seguinte, souberam que a amiga estava seguindo para mais um banho.
— Então... – Se volta para os amigos. – Alguém quer sobremesa?
Todos perceberam que o Queen não gostaria de falar sobre o que estava acontecendo com a esposa, então apenas assentiram.
Enquanto as mulheres colocavam do sorvete para as crianças, Tommy pensava que o pai iria ficar completamente agoniado ao descobrir sobre aquela nova forma de Felicity lidar com o trauma; ele como irmão, sentia-se um inútil – provavelmente da mesma forma que o marido dela se sentia –, então ele imaginava que o pai deles, se sentia ainda pior.
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— Diggle.
Oliver sorriu ao ver o amigo sair do elevador.
Havia se surpreendido quando o interfone tocou e avisaram que seu amigo estava subindo; eles já o conheciam, por isso deixaram-no subir mesmo antes de avisá-lo.
Não esperava por ele, mesmo depois de descobrir que ele estava de volta na cidade.
Pensou imediatamente na família dele; se perguntava se ele havia se resolvido com a esposa. Não era de sua conta, e mesmo assim, se preocupava, da mesma forma que o outro sempre se preocupou com a sua; em especial Felicity.
Por falar em sua esposa, ela estava no banho a quase quarenta minutos – mais uma vez se surpreendeu por ela ficar mais tempo que das outras vezes –, e por isso não se encontrava junto a ele e seus outros amigos quando Jhon Diggle deu as caras.
— Não esperava por você, muito menos hoje. – Apertaram as mãos um do outro.
— Eu estava querendo ver Felicity.
E Oliver o compreendeu completamente.
— Você disse que ela ainda está lidando com tudo...
— Sim.
— Espero que isso passe logo.
— Queria que fosse mais fácil.
O outro apenas assentiu, percebendo o quão tudo aquilo estava fazendo mal ao seu amigo; ele se sentiria da mesma forma.
— E vocês? – Olhou para os outros que estavam atrás do amigo. – Eu soube que todas estão grávidas. – Diz sorrindo.
— Todas virgula! – A Palmer diz rapidamente. – Eu não estou grávida.
— Isso, é o que ela acha.
Os outros riram, em especial o moreno que acabou de chegar.
— Você continua implicante, Tommy?
— Sempre. – Dizem todos juntos.
— E agora eu sou o maior alvo dele. – Revirou os olhos.
— Por que, Lena?
— Porque ele insiste em dizer que eu vou ficar grávida.
— E você acha que não? Com essa epidemia?
Os outros riram novamente.
— Devo colocar sua irmã nessa conta?
O outro fechou o semblante, fazendo cada um dos amigos, inclusive a esposa, rirem.
— Minha irmãzinha está fora dessa contagem.
— Tem certeza? – Laurel provocou.
— Por favor, ela também é minha irmã, vamos mudar de assunto?
E novamente, mais gargalhadas.
— Onde ela está, por falar nisso?
— Está viajando com o namorado. – Oliver murmurou, um pouco desgostoso.
O moreno riu.
— Sozinhos? E você acha que eles estão brincando de baralho?
As garotas foram as primeiras a gargalharem, logo em seguida, Barry e Ray.
— Não acredito que ouvi isso. – Tommy murmurou.
— Diggle, você é meu amigo, mas vou te chutar daqui se você falar da minha irmã novamente.
Novas risadas, inclusive do moreno alto a frente deles.
— Não está aqui mais quem falou. – Diz rindo.
— Diggle.
Todos se viraram, encontrando Felicity com o mesmo moletom de mais cedo, os cabelos soltos e molhados, e um sorriso lindo nos lábios.
— Ei, loirinha.
Correspondeu ao abraço carinhoso da mulher de seu amigo.
— Senti sua falta.
— Eu também. – O sorriso se desmanchou de repente. – Mas tive de cuidar de algumas coisas.
— Eu entendo.
— E como estão esses bebês?
— Agitados. Agora principalmente.
Oliver se aproximou no mesmo instante em que a mão grande do amigo tocava a barriga avantajada de sua esposa.
— Eles parecem estar lutando MMA. – Brincou, fazendo-a rir, junto dos amigos e Oliver.
— Eles estão sempre lutando MMA, amigo, e fica pior a noite.
— Principalmente quando ouvem a voz de Oliver. – Toca a barriga, descendo o olhar para ela. – Eles gostam de ouvir ele falar.
— Só eles. – Tommy provocou.
— Meus bebês me ouvem, então eu vou soletrar... – Olhou nos olhos do amigo. – Vai se f-e-r-r-a-r.
Os amigos riram, inclusive o Merlyn.
— Está de quanto tempo mesmo?
— Quase sete meses.
— Uou! – Riu. – Está chegando. – Olhou para o amigo ao lado da loirinha. – Preparado?
— Nenhum pouco.
O outro sorriu.
— Vai ser moleza.
— Moleza? – A mulher franziu o cenho, falando a palavra bem devagar. – Eu não acho. Eu vou sentir uma dor infernal, vou estar completamente exposta para um monte de médicos que mal conheço, e..., vai levar algumas boas horas para que eu possa tê-los em meus braços, então não, não vai ser moleza. – Frisou a última palavra, e antes do final de seu monólogo, todos já riam.
— Meu amor, vai se sair bem.
— A Meredith disse que está tudo certo, então não se preocupe tanto.
— Talvez nem sinta tanta dor. – Laurel diz após Caitlin.
— Tenho uma amiga que ela teve o bebê dela dentro de um carro e que ela nem mesmo sentiu dor.
— Lena... – Felicity a olhou de forma apavorada. – Isso não me ajudou.
— Foi mal. – Deu de ombros.
— E vai ser normal?
— Vai sim, Meredith me prometeu.
— Ela disse que se não tivesse complicações, poderia ser normal, sem problemas. – Corrigiu a esposa.
— E não terá. – Barry piscou para a amiga, que sorriu. – Vai dar tudo certo.
— Vocês estão surtando antes da hora.
— Quando você estiver no meu lugar, conversamos.
Ray riu, não se importando com a forma que o Queen lhe falou.
— Você quer ver o quarto dos bebês que Oliver montou? – Pergunta de forma animada, para o homem grande e negro a frente dela.
— Só o Oliver? – Tommy pergunta de forma indignado. – Eu suei para fazer aquele quarto ficar perfeito como ficou, irmãzinha.
— E você se ferrou com um martelo em mãos. – Barry o dedurou.
— Poucas vezes. – Retrucou, fazendo os outros rirem. – O importante, é que eu consegui fazer as prateleiras.
— Depois de Barry te ensinar a como pegar em um...
— São detalhes. – Interrompeu o melhor amigo, gesticulando, fazendo novamente, os amigos rirem.
— Eu gravei, Diggle, vou mostrar depois. – Ray conta.
— Seu veado.
Novamente as gargalhadas.
— Vocês são comédia demais.
— Parecem crianças, não parecem, Dig?
E ele não pode deixar de sorrir por ver a mulher à frente dele com mais um sorriso estampado em seu rosto.
— Por falar em crianças... – Olhou ao redor. – Cadê os pestinhas?
— Poderia não chamar nossos filhos de pestinhas? – Lena foi em defesa de cada uma das crianças.
— Falo de forma carinhosa.
Os homens riram.
— Eu já não sei se quero deixar você ver o quarto dos trigêmeos.
E novamente as risadas preenchem o cômodo.
— Não seja má, meu amor.
— Quando você foi comigo, quando só me deixou ver o quarto apenas depois de eu completar quarto mês?
Por um momento, ele achou que ela fosse ficar estranha, por esse tempo, ser praticamente o mesmo que ela voltou do inferno que passou com Cooper.
— Eu queria lhe fazer uma surpresa.
— E me deixar louca.
Os amigos riram, principalmente ao verem-na fazer um biquinho fofo.
— Tenho certeza de que ele não teve essa intenção.
— Não fique do lado dele não. – Apontou para o amigo, que jogou as mãos para o alto.
— Se eu ficar do seu lado, vou poder ver a obra de arte que seu marido e amigos fizeram?
E junto de Felicity, cada um dos presentes, riram.
— Você tem sorte de eu ter ficado com saudades.
E cada um dos que estavam em volta da loirinha se sentiram aliviados, mais uma vez, por vê-la tão leve naquele momento; com um sorriso verdadeiro no rosto, de como mostrava sempre que estava com as crianças, em especial as pequenas.
Oliver, que a abraçava pela cintura, lhe deu um beijo na têmpora, pedindo para que ela não tivesse mais banhos nos próximos minutos – por mais que sentisse que seria impossível –, além de que ela tivesse aquele lindo e encantador sorriso nos lábios pelas próximas horas.
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