Kupidon
87 Capítulo Sessenta e Cinco
Notas iniciais

Oliver havia tentado demasiadamente convencer a esposa a ir com ele a mansão de seus pais; durante todo um dia e algumas horas do dia seguinte, ele tentou, mas foi sem sucesso. Ela não estava se sentindo muito bem para sair, e ele a compreendia apesar de querer muito que ela o acompanhasse junto das gêmeas. Seus pais esperavam pelos quatro, mas sabiam que a nora poderia não aparecer. O dia do parto estava chegando, e descobriram que ela estava muito nervosa, além disso, ainda tinha o fato de que nunca sabiam o dia em que ela tinha uma crise de ansiedade por conta do que houve entre ela e seu perseguidor. Eles queriam poder fazer mais pela antiga Smoak, assim como o pai, a madrasta, os irmãos e os amigos dela, mas tudo que podiam fazer para tentar amenizar um pouco de tudo que ela sentia, era estar presente e oferecer seu apoio, seu carinho, e claro, um pouco de distração, que era o que as crianças faziam a todo momento.
As gêmeas não haviam ficado chateadas, mas realmente gostariam de ter a companhia da mãe até a mansão dos avós, mesmo assim, não a pressionaram, assim como o pai havia instruído. Era pior quando tentavam pressioná-la demais, e tudo que eles não queriam era que ela tivesse mais crises naquela semana, que não havia sido nada fácil, por conta dos insistentes pesadelos que começaram a atormentá-la mais vezes na noite. Aquela havia sido a primeira semana, depois de quase três semanas, que ela tinha pesadelos frequentes, mais vezes na noite e que a deixavam sem reação por vários minutos, mesmo que tivesse os braços do marido ao redor dela. Ela acordava suada, tremendo, respirando de forma irregular, e gritava tanto que o marido ficava com o coração na mão por vê-la tão quebrada durante um “sonho”. Ele só queria que aquelas lembranças a deixassem de uma vez.
Felicity foi a primeira a acordar, sentindo os músculos de seu corpo reclamarem, principalmente por conta da noite mal dormida. Não sabia o que a deixava mais tensa, se era a chegada de seus bebês ou os malditos pesadelos que estavam voltando a ser mais frequentes, e ela sabia o porquê, só não havia dito ao marido ainda. Em sua mente, passava os horrores que passou nas mãos de Cooper, mas também se lembrava de ele ameaçando seus filhos, de ele dizendo que teriam um filho juntos, e durante todo o momento em que ouvia sua voz repetindo e repetindo isso em seu ouvido, ela sentia as mãos dele sobre seu corpo. Durante todo o momento, ela temia por ela mesma e por seus bebês, mas mais que isso, tinha o pavor de acordar no hospital e encontrar aquele que mais lhe fez mal. E aquele pesadelo era o mais frequente de todos, muito mais do que os dele lhe tocando, e isso a apavorava de tal forma que mal conseguia respirar.
Tentava dizer a si mesma que estava tudo bem, que ele estava em coma e que nada aconteceria aos seus filhos, mas não conseguia se convencer. Seu corpo se arrepiava completamente só de imaginar ele abrindo a porta, sorrindo como um maldito lunático e dizendo: nossos filhos são lindos, Felicity. Era seu pior pesadelo com toda a certeza, ela não conseguia parar de pensar naquela cena acontecendo, e mesmo que sua mente soubesse que era impossível, seu corpo não conseguia sentir o mesmo.
Oliver se mexeu na cama e trouxe o corpo da esposa para mais junto de si, e então sentiu os bebês se mexeram. Ele não pode deixar de sorrir, começando a abrir os olhos devagar; o sorrido desmanchou completamente ao perceber os esverdeados da esposa completamente angustiados; e ele soube que ela não estava bem.
Suspirou pesaroso.
— Quer me contar o que a angustia? — Pergunta, tocando seu rosto com uma das mãos, vendo-a fechar os olhos, tentando se concentrar apenas naquele toque carinhoso e suave. – Você prometeu não me esconder o que estava sentindo.
Ela abriu os olhos, sabendo que não poderia retrucar, afinal era a verdade.
— Eu temo dizer, e acabar vendo acontecer. – Confessou em sussurro.
— Eu vou te proteger, meu amor, não tem porque ficar tão temerosa.
Respirou fundo, soltando devagar, e só então abriu a boca para contar o que estava a angustiando.
— Meus pesadelos, não são como antes.
— Como assim?
Mais que curioso, ele sentia-se confuso.
— Primeiro eu estou naquele lugar horrível, com ele me dizendo sobre termos filhos e sermos uma família... – Se interrompeu, se negando dizer em quais condições estava enquanto essa cena acontecia. – E então, estou em um quarto de hospital, com os bebês e... – Se arrepiou por inteira. – E ele entra de repente. Ele estava lá, não você. Ele quem pegava nossos filhos, Oliver, não você. – Diz praticamente em desespero a última frase.
— Foi só um sonho, meu amor. – Diz devagar, acariciando seu rosto. – Esse pesadelo está ocasionado com o fato de que está chegando o dia do parto, é só isso. Ele está em coma, está longe, não pode fazer mais nada a você ou aos nossos filhos, Felicity.
— Então por que meu corpo inteiro sente que ele vai voltar? – Frisou a palavra “inteiro”.
— Tudo que você passou com aquele homem, todas as coisas que ele disse a você naquela época, ainda está cravado em você, querida, você ainda não superou e com a chegada do parto, todos os seus sentimentos se intensificaram. É isso que está ocasionando esse pesadelo.
— E se acontecer?
— Com Gregory, Mike, Collin e Tyler de olho nele o tempo todo? – Balançou a cabeça. – É impossível. Eu já disse, ele está sendo monitorado, e se ele acordar, nós ficaremos sabendo. – Beijou sua testa, abraçando-a mais forte ao sentir seu corpo tremer mais do que antes. – Você e os bebês estão bem e continuarão bem.
— Tenho medo.
— Não precisa.
Ela o afastou para poder olhar em seus olhos.
— Tenho medo do parto, medo de não ver você ao meu lado, medo de encontrá-lo segurando os trigêmeos, Oliver. É um medo que me sufoca.
— Não deveria guardar esse medo para você, deveria me dizer. – Não estava irritado ou mesmo magoado, mas muito preocupado; aqueles sentimentos não faziam bem nem a ela e muito menos aos filhos deles.
— Parece bobagem, mas era como se eu colocasse em palavras tudo que estava sentindo... – Fez uma pausa, mas o marido esperou que ela continuasse, oque não demorou tanto. – E pudesse se tornar real. – Completou com os olhos lacrimejados. – Eu não estava apenas vendo a cena, Oliver, eu estava sentindo tudo. O medo, a boca seca, o ar que parecia faltar, o terror por vê-lo com um dos bebês em seu colo...
— Nada disso vai acontecer. – Diz com firmeza, tocando agora seu rosto com ambas as mãos. – Está me escutando? – Ela balançou a cabeça e ele continuou. – Nada que você viu e sentiu nesse maldito pesadelo, vai acontecer. Não será ele a estar lá com você, meu amor, será eu. Não será ele a pegar nossos filhos nos braços, será eu. Nem por um segundo eu a deixarei sozinha, ou nossos bebês, então você não tem que se preocupar com o que viu, porque não vou deixar que aconteça.
A mulher de longos cabelos negros o abraçou forte, tentando se convencer das palavras do amado. Não que não acreditasse nele, que não confiasse de que ele protegeria a ela e aos bebês, mas o medo de todo aquele pesadelo se tornar real era maior do que tudo, e isso a deixava angustiada.
Ela não soube por quanto tempo ficou ali, nos braços do homem que amava, que a acariciava nas costas com uma das mãos enquanto que a outra afagava suas madeixas, mas ouviu a voz do amado dizendo que precisava se arrumar para poder seguir para a mansão Queen – mesmo que tudo que quisesse era ficar mais algumas horas abraçada a amada, até que ela estivesse enfim tranquilizada –, e Felicity apenas assentiu, vendo-o se levantar. Por mais que não fosse com ele, o seguiu para o banho, principalmente porque não gostaria de ficar a sós no quarto, não quando não se sentia nenhum pouco segura com seus pensamentos. E quando Oliver percebeu que ela o seguia, a esperou na porta do cômodo, pegando em sua mão e a ajudando a retirar a camisola que vestia.
Ele estava preocupado em deixá-la, mesmo que soubesse que ela não ficaria sozinha. Seus amigos, cada um deles, se prontificaram em distraí-la até que ele chegasse. As crianças também estariam presentes, o que era muito bom, pois sabia o quanto eles ajudavam sua esposa quando ela estava triste ou angustiada como naquele dia. Eles não precisariam perguntar como ela se sentia, tinha certeza absoluta de que perceberiam no instante em que seus olhinhos encontrassem a tia preferida deles; cada um deles eram bastante observadores e era esse o motivo de os mais velhos estarem sempre tomando cuidado com o que conversavam quando estavam por perto, pois mesmo que falassem baixinho e tentassem a todo custo evitarem que os pequenos ouvissem quando falavam sobre o estado de Felicity ou qualquer outra coisa que não quisessem que ficassem sabendo, mesmo assim, eles conseguiam descobrir o que estava preocupando os pais e os tios.
O silêncio no banho não era constrangedor, mas incomodava o Queen mais do que ele gostaria. Odiava vê-la tão tristinha, tão angustiada, tão apavorada. Ela tocava a barriga, sentindo os bebês mexerem de forma agitada, indicando que sentiam sua angústia, e mesmo assim não conseguia deixar de pensar em todos os sentimentos ruins que sentiu durante aquele pesadelo, mesmo que tivesse confessado com todas as palavras para o marido, mesmo que soubesse que ele estava certo ao dizer que era bobagem, que não tinha necessidade em se preocupar.
Por que seu corpo insistia em dizer que deveria se preocupar, quando sabia que o culpado por sua angústia e medo estava em coma, hospitalizado a mais de três horas de onde morava? Ela não conseguia compreender e ao mesmo tempo, sabia que tinha motivos para acreditar que ele poderia acordar e aparecer no dia em que tivesse seus bebês em seus braços, finalmente, e novamente ela quis que eles ficassem mais um pouquinho ali dentro, protegidos.
Mesmo que soubesse que a resposta dela seria a mesma, Oliver não conseguiu deixar de tentar mais uma vez, convencê-la em ir com ele.
— Você tem certeza de que não quer ir comigo e nossas filhas?
— Eu não gosto de estar sem você, mas não me sinto bem saindo hoje.
Oliver balançou a cabeça, compreendendo, enquanto a ajudava a vestir o vestido de mangas longas, de tecido leve e levemente rodado.
— Eu posso pedir para que Thea busque as gêmeas para eu poder ficar com você.
— Não, seus pais vão viajar e querem um almoço em família antes de irem, então você deve ir. – Por mais que quisesse e muito aceitar a ideia do amado, ela não pode fazê-lo.
— Posso pedir aos meus pais que venham para cá.
— Eu não seria uma boa companhia.
E ele sabia que era a verdade, principalmente por vê-la voltar para a cama e se colocar debaixo do edredom ainda muito angustiada. Não queria ter que deixá-la, mesmo que por algumas poucas horas, mas havia prometido aos seus pais que estaria na mansão e apenas por sua palavra e a pedido de sua amada, ele iria.
— Eu tentarei não me demorar tanto, está bem?
— Mande lembranças a seus pais, e diga que lhes desejo uma boa viagem. – Diz, após assentir.
— Papai, os tios já chegaram. – As gêmeas gritam.
— Já vou descer. – Gritou de volta, terminando de vestir a camisa. – Você pode me ligar, caso precise de mim. – Tocou seu rosto quando se aproximou da cama. – E por favor, não esconda as coisas dos nossos amigos, se sentir-se mal, avise a eles.
— Não se preocupe comigo.
— Não me peça o impossível, meu amor. – Pede carinhosamente. – Ficará lá em baixo com eles?
A mulher suspirou.
— Eu gostaria de ficar aqui, mas eles vieram apenas para que eu não ficasse sozinha... – Suspirou mais uma vez, tocando a barriga por cima do edredom, já sentada sobre o colchão. – Além disso, gosto de estar com as crianças.
Ele sorriu, sabendo que era a mais pura verdade.
— Pode me trazer aquele macarrão do La Crown?
— Com certeza.
— E também gostaria de uma porção de nuggets com bastante molho verde e barbecue.
— Apenas se você caprichar na salada e na verdura durante o almoço.
— Eu prometo.
— Eu vou verificar com nossos amigos.
E ela revirou os olhos enquanto o ouvia rir.
— Venha. – Pega em sua mão e com sua ajuda, ela desce da cama; no instante seguinte seus olhos se encontram. – Vai ficar bem?
— Vou. – Ela não parecia certa de suas palavras, e percebendo isso, Oliver tocou o ventre avantajado de sua amada.
— Cuidem da mamãe, está bem, filhotes? – Mesmo que não estivesse olhando no belo rosto de sua esposa, ele sabia que ela sorria. – Voltarei em breve, então até lá, deixo a mamãe sobre seus cuidados. – Sorriu ladino ao sentir os três se mexerem. – Vou ficar com saudades também.
— Você os acalma... – Comenta, ganhando a atenção do amado. – E me acalma também.
O Queen a beija lenta e delicadamente, segurando seu rosto com ambas as mãos.
— Volto logo para vocês. – Vendo-a assentir, a beija novamente logo em seguida. – Eu te amo.
— Também te amo.
E então pegando na mão pequena de sua esposa, ele a leva para fora do quarto, sentindo o peito apertar por ter de deixá-la, sabendo que mesmo com aquele belo sorriso, ainda assim, ela não se sentia bem ficando sem a sua presença.
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Felicity sentia que deveria ter ido com o marido e suas filhas até a casa de seus sogros, por mais que soubesse que não seria uma boa companhia naquele dia, por mais que seu corpo e coração lhe dissesse que não era um bom dia para sair. Ela odiava não ter a presença do marido, ou mesmo das filhas, principalmente quando sentia aquela angústia que não parecia deixá-la nem por um instante. Havia percebido que assim como gostaria de estar com seu amado, ele também gostaria de estar com ela; ele se preocupava com ela e a compreendia, principalmente quando sabia que não estava em um bom dia. Pôde ver o quanto ele resistiu para ir para a mansão Queen, mas sabia que deveria, principalmente por ter dado sua palavra, e por isso, depois de mais alguns minutos se despedindo carinhosamente, demonstrando todo seu cuidado, toda sua preocupação e todo seu carinho para com a mulher que amava, ele seguiu com suas garotinhas para a casa dos pais.
No instante em que seus olhos não mais enxergavam o carro de seu marido, adentrou a casa junto de Caitlin que estava ao seu lado, pensando no quanto seria difícil não ter o marido por perto, mesmo que por poucas horas, por mais que gostasse da presença dos amigos. Ela sentia-se sozinha e desprotegida sem o amado, mesmo que tivesse com os amigos e o super protetor de seu irmão; ainda assim, ela não conseguia deixar de sentir aquele temor que crescia em seu peito. E ela não conseguia compreender por que ainda se sentia daquela forma sabendo que estava protegida, que nenhum deles deixariam que algo lhe acontecesse. Era como se não confiasse neles, por mais que soubesse que eles não viam daquela forma.
Queria ter dito ao marido que precisava dele com ela, em casa, mas não poderia ser egoísta. Robert e Moira iriam viajar por uma semana, e por terem marcado para o dia seguinte, pediram para que a família estivesse naquele almoço, em especial as netas, nas quais eles queriam muito ver, e apenas por isso ela tentou se convencer e convencer ao marido de que ficaria bem sem ele. Por mais que soubesse que não era verdade. Quando achava que estava superando, vinha outra onda de sentimentos conturbadores para trazê-la para sua angústia e agonia novamente.
Todas as vezes nas quais ficava sozinha com os amigos, cunhado e irmãos, ela se lembrava do dia no qual seu amado viajou e infelizmente acabou caindo na armadilha de Cooper. Aquele dia havia sido seu pior pesadelo, e a lembrança lhe causava um temor indescritível, principalmente quando olhava para Lyon, afinal, ele estava junto dela; ele havia presenciado Tyler levar um tiro, havia sido ameaçado e ficado a mercê de seu perseguidor por tempo suficiente para fazê-la pensar em tudo que poderia acontecer a ele, porque ela sabia, aquele homem seria capaz de machucá-lo para tê-la de volta. Aquela era uma imagem na qual insistia em passar e repassar em sua mente toda vez que seu marido não estava presente na casa junto dela, ou seja onde estivesse.
Ela tentava se convencer de que estava tudo bem, mas era inútil.
Os amigos lhe davam segurança, principalmente por ter os olhos presos nela a todo instante, mas não era como se sentia com Oliver, e tinha certeza de que jamais seria. Ela não sentia seu corpo tenso quando seu marido estava presente, não sentia como se tudo poderia desabar em qualquer momento, não andava de um lado para o outro, tentando se distrair, o que acontecia raramente quando os amigos estavam, afinal, as crianças eram seu maior ponto de distração. E desde que os amigos descobriram que ela conseguia se acalmar com as brincadeiras e risadas das crianças, além de ter Kitty e Natty perto dela, eles passaram a deixar as bebês sobre seus cuidados, apesar de ser o contrário, e pedir para que os maiores estivessem sempre ao redor da tia preferida deles quando o tio Oliver não estivesse, para que pudessem ajudá-la a se distrair.
Naquele momento ela se encontrava sobre o tapete felpudo da sala de TV com as pequenas irmãs Allen sobre seu colo, enquanto que as outras crianças se divertiam com um desenho animado, no qual a tia deles também adorava. Eles não saíram de perto dela desde que ela havia se sentado na sala, e os amigos também estiveram por perto, mantendo-a distraída com conversas animadas, mesmo que seus olhos esverdeados estivessem focados nas afilhadas.
Natty era a mais agitada das irmãs, mas Kitty não ficava para trás, apesar de ser com muito menos frequência. A mais nova não parava de andar nem por um segundo, mexendo em tudo que encontrava, sobre os olhares cuidadosos de Felicity, e claro, Lyon, seu irmão mais velho. Desde que a mais nova descobriu que podia fazer o que quisesse usando ambas as pernas e as mãozinhas que já tinham bastante força, ela não queria mais ajuda para nada, seja para mamar, comer, beber água ou mesmo para perambular pela casa. A grávida se divertia em ver a pequena agitada afilhada andar de um lado por outro no primeiro andar de sua casa, mexer em seus livros na prateleira debaixo no qual ficavam o DVD e o Home Teather, tirar todos seus filmes e séries de onde estavam arrumados, jogando-os no chão – mesmo que o pai e a mãe a repreendesse por tal.
Um pouco mais tarde, alguns minutos depois do almoço, Felicity acabou adormecendo com as bebês ao seu lado, em sua enorme cama box; ela havia percebido o soninho das afilhadas e subiu com ambas, deixando seus sobrinhos com o videogame e os amigos os acompanhando. Nem mesmo percebeu que havia acabado por adormecer; estava cansada, por conta da noite mal dormida.
Os outros não se importavam em ficar sem a companhia da Smoak-Queen por algumas horas, principalmente sabendo que ela estava adormecida e não tinha os malditos pesadelos. Ninguém ali mais suportava a forma na qual as crises deixavam a morena, nem mesmo as crianças; o que lhes deixava triste e irritados era o fato de ela ainda ficar mexida com tudo que houve, apesar de não ter se passado mais de três meses desde que ela voltou.
Tommy se sentiria muito mais aliviado se não tivesse visto ela descer alguns minutos depois, com o rosto e os olhos vermelhos e um moletom lilás, caminhando em direção a cozinha. Ele soube quando a viu, que ela havia não só tomado banho como também havia chorado, e isso lhe deixou com o coração na mão, além de sentir-se um completo inútil por não poder ajudá-la de alguma forma.
Agradeceu imensamente pelas crianças não terem percebido o mesmo que ele e seus amigos; não queria vê-los ainda mais preocupados com a tia amada.
O primeiro pensamento que apareceu em sua mente quando a viu tão angustiada foi: droga. E em seguida xingou todas as reencarnações de Cooper Sheldon, antes de seguir em direção a cozinha, encontrando sua irmãzinha com um copo em mãos.
— Lis?
— Estou bem. – Diz rapidamente. – Precisava de um banho.
— Quer que eu ligue para o Oliver?
— Não. – Negou, mesmo que quisesse fazer o contrário. – Robert e Moira ficarão oito dias fora.
— Felicity...
— Eu estou bem. – O interrompeu, deixando o cômodo, seguindo novamente para o segundo andar, explicando que as meninas estavam na cama e que ficaria de olho nelas, e por todo o momento no qual ela subia as escadas, os olhos de cada um dos amigos e do Merlyn, que havia a seguido até o hall da escada, estavam cravados nela.
Cada um deles trocaram um olhar preocupado com o irmão da grávida, que suspirou.
Tommy poderia deixar de lado o fato de a irmã estar tremendo a pouco, poderia fazer como ela pediu e não ligar para seu amigo, poderia fingir que acreditou em suas palavras quando ela disse que estava bem e esperar pela chegada do único homem que poderia fazer com que sua irmãzinha querida se acalmasse prontamente e sentir-se melhor após o provável pesadelo que havia a acordado, mas não era de seu feitio fazer isso. E por esse motivo ele pegou seu celular, sobre os olhos da esposa e de cada um de seus amigos, e enviou uma mensagem rapidamente; se ligasse sua irmã com toda a certeza ouviria sua voz e desconfiaria de com quem estava conversando.
Felicity ficou deitada na cama, com o edredom por cima de metade de seu corpo, tentando não pensar no angustiante pesadelo que havia tido a pouco. O mesmo de antes, o mesmo que vinha acontecendo a quase dez dias.
Seus olhos esverdeados não se desviavam das irmãs Allen nem por um segundo, principalmente porque observar as garotinhas a acalmava, a fazia sentir seu corpo parar de tremer, por mais que sua mente a levasse para o maldito pesadelo, de novo e de novo, e por estar focada nas pequenas, pode presenciar o exato momento em que elas começaram a se mexer, indicando que logo acordariam. Não pôde deixar de sorrir — fraco — por ver que ambas faziam o mesmo gesto; tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão iguais. Se não fosse pela cor dos cabelos, a idade e o fato de elas não terem a mesma mãe, podia jurar que eram gêmeas. Ambas eram extremamente parecidas com o pai, e por isso, se não fosse por aqueles pequenos detalhes, daria para confundi-las.
A mulher de longos cabelos negros não percebeu o momento em que o pai de ambas as garotinhas apareceram. Ele pareceu perceber o mesmo que ela, pois se aproximou no instante em que os olhinhos claros se abriram; elas bocejaram, se viraram na cama e espreguiçaram antes de enfim se sentarem, coçando os olhinhos. Foi a cena mais fofa que a grávida já viu, principalmente por terem feito ao mesmo tempo. Barry então pediu para que ela descansasse e não se preocupasse com ele e os outros, que ficaria com as pequenas no andar de baixo junto dos amigos e então desceu com ambas em seu colo, ainda sonolentas demais para perceberem que a madrinha não descia junto delas; se tivessem percebido, com certeza teriam chamado por ela incessantemente.
Se fosse em outro momento, Felicity desceria junto ao amigo, mas ela precisava mesmo de um tempinho a sós.
No momento em que Barry saiu do quarto, ela desceu da cama e correu para o banho; o terceiro desde que havia acordado.
O que ela não sabia era que Tommy estava no corredor, encostado na parede, e por isso pôde ver o momento em que ela entrou no banheiro em passos apressados. Ele não comentou nada, mas ficou pensando sobre; ainda se preocupava com aqueles banhos em excesso da irmã.
Saiu do banho com os cabelos molhados e diferente de a pouco, escolheu um vestido azul-bebê de alça grossa, levemente rodado, com algumas flores pouco mais escura que o vestido em si, no qual batia nos joelhos e abaixo dele, tampando suas coxas fartas, uma calça legging no mesmo tom do vestido. Deixou seus cabelos soltos depois de enxugar bastante com a toalha e voltou a deitar na cama, dessa vez com o edredom cobrindo todo seu corpo.
Pensativa, completamente pensativa; era assim como estava.
Tentava pensar nas meninas que davam gargalhadas no andar debaixo, tentava se concentrar nas vozes dos sobrinhos que pareciam se divertir, tentava pensar nos seus bebês que se mexiam por demasiado, tentava pensar que o marido logo estaria de voltar, e mais que tudo, tentava não pensar no que passou nas mãos de Cooper, nem mesmo nas palavras dele com relação a filhos.
A voz das gêmeas soou pela casa e foi isso que fez com que a mãe das meninas se voltasse de seus pensamentos – a maioria ruins –, sentando-se no instante em que ambas apareciam em seu campo de visão, pulando em sua cama de forma agitada, completamente elétricas – o que a fez imaginar a quantidade de doce que seus sogros deram a ambas –, lhe abraçando, começando a contar como havia sido nos avós.
— Nós brincamos com a Shasta, ela estava com muitas saudades do jardim da mansão.
April e Amily haviam insistido tanto para que o pai aceitasse levar a amiguinha delas para a mansão Queen, que a mãe delas acabou por convencer o marido. A cadela ficava agitada sem a presença das gêmeas, além disso, não teria tempo para alimentá-la ou cuidá-la mesmo que por poucos minutos que eles estivessem fora, e sabendo que a amada estava tentando mais ajudar as filhas do que qualquer outra coisa, acabou por arrumar tudo para que o Rusk Siberiano pudesse ir no porta-malas de seu carro; o que ele usava para sair, não o que ele usava para ir trabalhar e levar as gêmeas para a escola, claro.
— Eu imagino, querida. – Sorriu para April.
— E nós tomamos tanto sorvete, mamãe, que a vovó disse que vamos fazer xixi gelado.
A mulher riu.
— O vovô comprou um monte de sabores.
— Ele gosta de mimar vocês.
Oliver entrou no quarto no instante em que ela murmurava.
— Com toda a certeza.
Seus olhos se encontraram.
— Como está, meu amor? – Beijou seus cabelos, depois de perguntar, mesmo que já soubesse a resposta.
— Bem.
E ele sabia que não era verdade, principalmente porque havia ficado lá embaixo ouvindo seu melhor amigo e cunhado contar sobre tudo o que houve com a amada naquelas poucas horas que ficaram longe um do outro. E realmente não foi surpresa alguma descobrir que ela havia tido mais um pesadelo, apesar de que não era normal acontecer durante a tarde, mas como ele não estava presente, imaginou que isso tivesse ocasionado o pesadelo em um horário que normalmente não acontecia.
E apesar de querer dizer que não acreditava, não o fez, não queria fazer a mulher que amava ficar angustiada. Naquele momento ela se encontrava leve, de uma forma que não achou que a encontraria, e teve a certeza de que a sua chegada e a das filhas tivesse acarretado a isso.
— Hum. – Cruzou os braços. – E dormiu bem agora a tarde? – Perguntou apesar de saber a resposta.
— Uhum. – Não conseguiria dizer em palavras, e por isso apenas assentiu, fazendo um som com a garganta.
Queria argumentar, queria pedir que ela se abrisse, mas não podia; não com as gêmeas por perto.
— E os outros?
— Já se foram. – A viu abrir a boca, surpresa, mas rapidamente a cortou. – Eles te mandaram um beijo, disseram que não precisa se preocupar e que a verão na sexta-feira, no almoço aqui em casa.
— Eu sinto que fui uma péssima anfitriã.
O marido balançou a cabeça, mas não pode dizer uma palavra, pois ela foi mais rápida.
— Eu deveria ter descido quando Barry veio buscar as nossas afilhadas.
— Eles perceberam que não estava se sentindo muito bem, Felicity, e por isso compreenderam completamente.
A mulher suspirou; o marido sabia que ainda não estava bem – o que não era uma grande novidade – e havia deixado não só ele preocupado, mas os amigos também, inclusive seu irmão mais velho.
— Eles te amam, meu amor, não ficariam chateados por essa bobagem.
— Não fique pensando nisso, não, mamãe, tem coisas mais importantes.
A atenção do casal se voltou para Amily que tinha um sorriso no rosto.
— A vovó e o vovô disseram que sentem saudades, pediram para se cuidar e mandou um beijo para vocês quatro. – Completou.
— E a tia Thea ordenou que a mamãe ligasse para ela se precisasse.
E ao olhar para o marido, soube que aquelas haviam sido palavras, não de suas garotinhas, mas de sua irmã.
— E Roy avisou que vai te enviar chocolate antes do fim de semana. – Diz rindo. – Disse que isso vai te animar e aos bebês, e eu não duvido.
— Engraçadinho. – Murmurou. – Mas eu não vou negar.
— Eu imaginei que não. – Diz, sorrindo ladino.
— Mamãe, nós trouxemos torta de chocolate que a vovó fez.
— Ela guardou o melhor pedaço para você. – Amily completou depois da irmã.
— Que delícia. – Diz, realmente verdadeira. – Então vocês se divertiram muito.
Ambas balançaram a cabeça.
— O vovô até mesmo brincou com nós duas no jardim. – Contaram, juntas.
— E ele ficou tão sujo quanto elas.
Felicity riu ao ouvir o marido.
— E o vovô diz que não tem mais pique para brincar comigo e a Amy, não é?
A irmã concordou no mesmo instante em que ambos os pais riam.
— Vai ser muito pior com os trigêmeos. – Amily comentou em seguida.
— Você acha, meu amor?
Ambas as garotinhas assentiram à pergunta da mãe.
— Bom, sendo filhos de quem são, realmente eu tenho que concordar.
— Por que você sempre tem que se lembrar de que eu era um verdadeiro pestinha quando criança?
Dessa vez as garotinhas acompanharam a mãe nas gargalhadas; e Oliver se sentiu bem em ouvir aquele som.
— Mamãe, posso fazer uma pergunta? – April se pronuncia de repente.
— Claro.
— Marcas vermelhas são perigosas?
— Como assim, filha? – Franziu o cenho.
— O que a Apple quer perguntar mamãe, é se tem alguma marca vermelha que pode ser doença.
— Depende. De que tipo estão curiosas?
Oliver engoliu em seco.
Não, não podia ser o que ele estava pensando. Suas garotinhas não podiam estar falando sobre o que passava em sua mente naquele momento. Elas não estiveram tão perto da avó, apesar do abraço gostoso que a mulher havia dado nelas assim que chegaram, para terem percebido o que ele percebeu no instante em que seus olhos bateram em sua mãe.
— A vovó estava com uma marca vermelha, bem aqui. – Amy apontou para o pescoço.
Felicity arregalou os olhos ao mesmo tempo em que Oliver colocava a mão direita no rosto, completamente envergonhado e indignado que suas garotinhas tivessem visto o mesmo que ele. E mais, que tivessem perguntando sobre algo tão constrangedor, para sua esposa em frente a ele, que era filho da mulher.
— Muito, muito vermelha. – A irmã completou.
A mãe das meninas abriu a boca vária e várias vezes, tentando responder, tentando encontrar algo para lhes falar, mas não conseguia; primeiro porque era algo muito constrangedor e segundo porque era sobre seus sogros. Nem por um segundo ela pensou que em algum momento passaria por tal situação, apesar das vezes nas quais quase foi flagrada em um momento íntimo com o marido por ambas as filhas.
Oliver se encontrava muito pior que ela.
Ele havia percebido quando chegou na mansão, já que o cabelo de sua mãe, agora mais curto, mal cobria a área. Quase não acreditou quando encontrou a marca avermelhada na curva direita de seu pescoço, e não sabia se desviava os olhos ou se encontrava um buraco para se esconder. Havia sido constrangedor e muito, muito difícil de olhar para ela e seu pai e não pensar em coisas que o faziam estremecer – de um modo muito ruim.
Tentou não ficar olhando, tentou esquecer aquela marca pelas próximas horas, mas não conseguiu; a mãe estava perto demais o tempo todo. E ele estava surtando porque jamais imaginou que veria tal coisa, não depois de tantos anos, quando pela primeira vez, pegou seus pais em um momento muito íntimo na cozinha. Tinha apenas quinze anos; ficou estancado na porta do cômodo por um momento, quando finalmente gritou por eles, dizendo que estava traumatizado e que ambos pagariam por sua terapia.
É, havia sido memorável, tanto para ele quanto para os pais; em especial para ele, que não conseguia olhar para os pais pelos próximos dias sem se lembrar da cena horripilante que presenciou.
— Mamãe?
— Meninas... – Se interrompeu olhando para o marido que ao ouvir sua voz acabou por arregalar os olhos. – Hum... – Se interrompeu novamente, passando a mão no próprio pescoço de forma nervosa, não sabendo como explicar. – Sabe, isso é...
— April, Amily! – Oliver interrompeu a esposa rapidamente, praticamente em desespero, já que percebeu que, assim como ele, ela estava constrangida, chamando ambas as filhas. – Vão para o banho.
— Papai. – Reclamam juntas.
— Sem reclamar. – Diz de forma séria, praticamente implorando para que elas obedecessem de uma vez. – Vocês apenas trocaram de roupa, precisam de um banho, estão imundas.
Elas fizeram um biquinho, não podendo contestar.
— E com toda a certeza devem estar com pelo da Shasta até dentro do ouvido. – Tentou brincar.
— Papai, não seja exagerado.
E por um momento a grávida se esqueceu da pergunta das filhas, e segurou uma risada ao ouvir a resposta de April.
— Banho! – Apontou para a porta. – Agora!
Ambas pularam da cama, ainda com um bico nos lábios, e seguiram para fora do quarto, não sem antes puxar a porta, fechando-a com um baque – mesmo que não fosse de propósito.
— Consigo respirar agora. – Confessou, sentando-se ao lado da amada, dando um longo suspiro.
A esposa riu, vendo o olhar indignado do marido sobre ela.
— Isso não tem graça.
— Sua mãe tinha um chupão no pescoço?
— Minha mãe tinha um chupão no pescoço. – Afirmou, ouvindo-a rir ao vê-lo fazer uma careta. – Um chupão! – Bufou, se jogando no colchão, ao lado da esposa. – Meu Deus, eu nem imaginava que meus pais ainda... – Estremeceu. – Urg!
A mulher ao lado dele gargalhou.
— Você está rindo? – A olhou de forma indignada. – Isso não tem graça, Felicity.
— Ah, tem... – Diz ainda rindo. – E como tem.
De repente ela solta um gritinho ao ser puxada pelo marido, para se deitar na cama, e no instante seguinte, voltou com as gargalhadas, mas dessa vez, ocasionadas pelas cócegas que ele fazia.
— Vou te castigar por rir de mim.
— Oliver! – Deu um gritinho em meio as gargalhadas.
— Vai voltar a rir de mim?
— Eu não tenho culpa se você... – Se interrompeu, tentando se soltar das mãos ágeis do marido. – Imaginou seus pais tran...
— Não se atreva. – Ele parou no mesmo instante levando uma das mãos a sua boca, ouvindo-a rir de forma abafada. – Já é difícil pensar, imagina ouvir você dizer?
Felicity ri ainda mais, já com a boca livre da mão do amado.
— Nem dá para acreditar que eles... – Estremece novamente. – Urg! – Se joga na cama ao lado dela, depois de soltá-la, ainda ouvindo-a rir.
— Tudo bem, tudo bem...
Se virou, ficando de lado, encostando o próprio corpo no dele, sendo que uma de suas pernas se encontrava entre as dele; suas mãos estavam apoiadas no peito largo que era coberta por uma camisa azul-escura sem mangas, e seu queixo por cima delas, de uma forma que seus olhos pudessem olhar nos olhos azuis do marido.
— Não precisa ficar tão encucado com isso.
— Como é que não?
Ela volta a rir pela forma que ele diz, de forma indignada, mais uma vez.
— Não vou esquecer aquela cena tão cedo.
— Claro que vai, meu amor.
A voz dela estava tão calma e tão gentil, que ele não conseguiu deixar de pensar no quanto ela estava mais leve naquele momento, e se sentiu bem por vê-la com aquele sorriso e aquela alegria contagiante; os olhos brilhando de uma forma que acontecia em raras ocasiões desde que voltou de seu inferno particular, no qual ele se negava a pensar, principalmente estando naquele momento tranquilo com a esposa.
— Você fica fofo quando está desse jeito, todo resmungão.
— Resmungão? – Seu cenho estava franzido e a palavra saiu de sua boca bem devagar, demonstrando mais uma vez naquele dia, sua indignação.
Ela volta a rir de forma divertida.
— Você ouviu eu dizer que fica fofo?
E foi a vez de ele rir, e ela o acompanhou.
— Eu te amo, sabia disso?
— Sabia, mas é sempre bom ouvir.
— Bom, eu te amo. – Repete. – Te amo muito... – Um de seus dedos da mão direita levou uma mecha do cabelo dela para trás da orelha. – Não vivo sem você.
— Eu também te amo.
— Eu sei que as vezes você sente que não merece, Felicity, mas você merece tudo.
Ela se emocionou.
— Você é linda, é a mulher da minha vida e eu não teria escolhido outra pessoa para ser minha esposa. Teria escolhido você mil vezes, Felicity. E se existisse reencarnação ou mesmo se eu acreditasse nisso, ainda assim, eu seria seu e você seria minha.
Ela mordeu o lábio devagar.
— Apenas minha. – Sussurrou, tocando seu rosto de leve.
De repente Felicity se move, aproximando o rosto do dele, beijando seus lábios; e isso foi uma surpresa para Oliver.
Desde que a amada voltou, era sempre ele quem beijava os lábios dela, era sempre ele quem se aproximava primeiro, era sempre ele quem a abraçava quando acordavam, ou quando estavam sozinhos na cama; com exceção de quando ela tinha pesadelos; talvez porque ela se lembrava do tormento com o Sheldon e quisesse ter a certeza de que era ele ali, ao lado dela.
E por isso, naquele momento, ele se sentiu tão nervoso.
Correspondeu o beijo da mesma forma calma e apaixonada que ela, levando gentilmente a mão que estava no rosto corado até os cabelos negros, enquanto que sua outra mão se encontrava na cintura, não mais tão fina, por conta da barriga avantajada.
Ele se lembrou dos filhos e por isso se mexeu, de uma forma que ele sentia que não estava machucando-os, ainda a beijando, agora colocando mais urgência. E surpreendentemente, ela não o afastou, não estremeceu, não fez nada que ele imaginou que ela faria para que ele deixasse de beijá-la daquela forma.
O ar faltou.
E ele xingou o mundo inteiro por isso; em sua mente, claro.
Seus olhos se encontraram, e mais uma vez, se viu surpreso por não ver medo, pavor, dúvida, naqueles lindos olhos esverdeados dela.
Por um momento se lembrou da porta, e só por isso se afastou, vendo por um instante – porque ele logo se virou para caminhar em direção a porta do quarto – a confusão nos olhos claros de sua esposa.
— As gêmeas com toda a certeza vão demorar no banho... – Girou a chave. – Você sabe como elas adoram um banho de banheira. – Caminhou de volta para ela, se colocando de joelho na cama, antes de enfim se deitar, ao lado dela novamente, lentamente.
— Oliver...
— Você confia em mim, certo? – Perguntou já com o rosto colocado no dela e sua mão esquerda tocando a cintura por cima do tecido do vestido.
— Com a minha vida.
— Então... – Tocou o rosto corado com as pontas dos dedos. – Não pense em mais nada, só em mim. – Pediu em sussurro. – Pode fazer isso?
Ela balançou a cabeça, devagar.
— E se quiser que eu pare... – Subiu o vestido que ela vestia, vagarosamente, até a altura dos seios, sentindo a textura da pele leitosa – ela estava sem sutiã – e ouviu um suspirar vindo de sua esposa. – É só dizer. – Completou, sem deixar de olhar em seus olhos claros. – Combinado?
Ela soltou o ar que segurava por estar sentindo a mão dele contra seu seio, e finalmente respondeu.
— Combinado.
E então ele a beijou, de forma gentil, calma e apaixonante como da primeira vez; não queria fazer nada que pudesse fazê-la se afastar, desistir, muito menos se assustar, e por esse motivo foi tão calmo com os toques e o beijo; tocava a língua dela tão lentamente, que sentia seu membro incomodar, e se perguntava se era pelo tempo de estar longe daquele corpo que ele sentiu tanta falta. O nervoso que sentia, era por estar finalmente tocando-a como gostaria de ter feito tantas e tantas vezes, mas que não pôde pelo bem da amada; se controlar havia sido tão difícil, e mesmo assim, por saber que ela não estava pronta, se esforçou para esperar o tempo dela.
Sua outra mão seguiu para o meio das pernas da amada, tocando lentamente com as pontas dos dedos, ainda por cima da calça, subindo pela coxa grossa, antes de realmente chegar até lá e finalmente tocar de forma tão lenta quanto sua mão que a tocava no seio e seus lábios que tocavam os lábios carnudos.
Felicity não conseguiu conter um gemido baixinho ao sentir os dedos dele tocarem seu íntimo, e por isso levou sua mão direita ao braço forte, apertando com as unhas.
O ar novamente faltou, e dessa vez, Oliver não foi o único a reclamar mentalmente.
Desceu os lábios pelo pescoço quando retirou uma parte dos cabelos negros que o tampava, mordiscou o lóbulo da orelha, mordiscou o pescoço quando se voltou para ele, descendo um pouco mais, encontrando o colo exposto.
Seus olhos se encontram.
— Posso?
A ouviu respirar fundo antes de se sentar e deixá-lo retirar seu vestido completamente de forma lenta e cuidadosa, jogando-a em algum canto do quarto. A mulher voltou a se deitar, agora de frente, diferente de seu marido que voltou a se deitar de lado – ao seu lado – depois de retirar a própria camisa.
Carinhosamente, tocou os lábios dela novamente, com os próprios lábios.
Sua mão que tocava o íntimo, ajudava a outra a descer a calça que ela vestia; e Felicity nem mesmo percebeu quando ela foi retirada de seu corpo, como Oliver queria ao beijá-la; havia sido uma distração.
Se colocou mais por cima do corpo pequeno, tomando cuidado com a barriga que carregava seus filhos, tocando-a de forma carinhosa, subindo lentamente até chegar ao seio que havia sido tocado a pouco, ouvindo-a suspirar em seus lábios.
Sorriu ao perceber que ela estava realmente gostando.
Era a primeira vez que a tocava de forma tão íntima e que ela não corria para longe, assustada, completamente apavorada. E por esse motivo, ele continuou a tocá-la tão cuidadosa e lentamente, mesmo que sua vontade era de tocá-la como antes; ela precisava que ele fosse o mais carinhoso possível, então ele o seria.
Fazia qualquer coisa por ela, afinal de contas.
Seus dedos se voltaram para o íntimo, tão suavemente que ela só percebeu quando o um dos dedos dele já tocava o clítoris por cima da calcinha preta de renda que vestia. O gemido havia sido abafado pelo beijo; o dos dois, por conta do contato da mão dela em seu membro; mesmo que tivesse sido um leve passar de mão; provavelmente sem a real intenção, já que ela estava completamente focada em travar uma batalha – mesmo que lentamente – contra sua língua.
Sem mais suportar, se afastou, ainda a tocando, vendo-a fechar os olhos e arquear o corpo. Ele não queria que ela voltasse a si em algum momento e acabasse desistindo; não só por ele, mas também porque não gostaria de ver o pavor nos olhos esverdeados novamente.
Agradeceu mentalmente por ter retirado os tênis no instante em que chegou em casa e por isso não precisou afastar seus dedos para por se livrar dele. Começou a retirar a bermuda que vestia, começando pelo cinto, que havia sido jogado em algum canto do enorme quarto; desabotoou a bermuda, com apenas uma mão e só então parou de trabalhar com seus dedos, ouvindo o respirar ofegante da esposa, que ainda se encontrava de olhos fechados, deitada na cama com seus cabelos espalhados pelo colchão.
Rapidamente se livrou da bermuda e da boxer, se colocando ao lado dela mais uma vez, encontrando os olhos verdes e brilhantes quando a virou para ele.
— Eu te amo. – Beijou os lábios lentamente. – E preciso tanto, tanto de você. – Sussurrou, tocando o rosto com gentileza, enquanto afastava a única peça que ela vestia, beijando-a no rosto, no pescoço, distraindo-a do que estava fazendo; ouvindo o gemido baixinho. – Estava com saudades de ficar assim com você... – Beijou os lábios, mordiscando em forma de provocação – mas que não era realmente sua intenção. – Preciso de sentir... – Ouviu o arfar dela ao tocar de leve no sexo, com seus dedos, por trás, já que seu braço enlaçava a cintura dela. – Sentir que é minha... – Afastou as pernas dela com calma e gentileza, ainda a distraindo com seus beijos. – Minha novamente. – Completou beijando os lábios, sentindo o toque da língua quente, gemendo com o toque de seus sexos; junto a ela, mesmo que tivessem saído de forma abafada.
— Minha. – Repetiu em meio ao beijo.
— Oliver.
Ele se sentiu melhor ainda ouvindo-a gemer novamente.
As unhas dela agarraram seu braço esquerdo, mas ele não se importou.
— Fe-li-ci-ty. – Gemeu em meio ao beijo, mais uma vez, adentrando com seu membro que latejava, para dentro da cavidade dela, devagar; de forma carinhosa.
A ouviu gemer e apertar ainda mais seu braço.
E ele sentiu a emoção por estar dentro dela novamente; sentindo o contato das paredes dela contra seu membro, sentindo-a apertada como sempre, e completamente molhada, fazendo com que seu membro sentisse o líquido quente mesmo que tivesse começado com os lentos movimentos.
— Eu te amo. – Diz quando o ar faltou. – Eu te amo tanto. – Diz, passando a beijar o pescoço, retirando uma parte do cabelo que o atrapalhava.
— O-oliver.
Ele queria poder aumentar o ritmo, mas não o fez; por ela, por sua mulher. Mesmo assim, ele não reclamaria, nunca; havia sido tantos dias querendo ter aquele contato com ela...
E finalmente podia ter por completo.
Felicity gemeu baixinho, apertando mais o braço do marido, antes de abrir os olhos, encontrando os azuis.
Era os olhos que ela tanto amava; sempre amou e sempre amaria.
Oliver tocou os lábios carnudos lentamente, ainda que seus olhos não deixassem os dela.
— Não volte a fechar os olhos. – Pede, beijando-a novamente, da mesma forma. – Por favor. – Completa, lentamente. – Quero que me veja tocando-a... – Empurrou o membro novamente, sentindo as paredes o apertando mais e mais. – Beijando-a, me empurrando... – Seu gemido o interrompeu. – Para dentro de você... – Foi a vez de ela gemer, mesmo que mordiscasse os lábios dela. – Tão gostoso. – Gemeu novamente. – Lhe fazendo minha... – Roçou os lábios no dela. – Mais uma vez.
A beijou, finalmente, mas para sua total surpresa – mais uma naquele dia – ela quem deu urgência. E ele acatou, claro, porque era o que queria desde que começaram aquele momento gostoso que ele desejou por todos aquelas semanas que se passaram.
Mordeu o lábio inferior, sem conseguir se conter, quando finalmente se derramou dentro da esposa, ao mesmo tempo em que ela também gozava.
Seus olhos se encontraram, quando os lábios deixaram um do outro.
Ambos respiravam de forma ofegante, ambos sentiam o corpo mole, e nenhum dos dois disseram uma palavra nos minutos seguintes.
— Eu te amo.
O Queen sorriu ao ouvir a voz dela.
— Eu te amo muito mais. – Tocou o rosto dela com as pontas dos dedos.
Ficaram em silêncio, apenas olhando um para o outro, sem desviar dos olhos claros um do outro, tocando um ao outro; Felicity tocava o braço esquerdo dele com as pontas dos dedos enquanto que Oliver tocava o rosto dela da mesma forma, com a mão direita, enquanto que o esquerdo tocava as costas, também com as pontas dos dedos, subindo e descendo, lentamente.
A grávida mordeu o lábio de repente e o fez com que o marido ficasse curioso.
— O que foi? – Percebeu que ela estava incomodada com algo.
— Nada. – Balançou a cabeça, devagar.
— Eu sei que não é verdade. – Diz carinhosamente. – Me diga, por favor..., foi algo que eu fiz?
— Não, claro não. – Se apressou em dizer. – Quer dizer...
Ele franziu o cenho, confuso.
— Eu só queria saber porque estava tão..., diferente de você mesmo.
— Diferente de mim?
Ela não respondeu.
Oliver que continuou fitando os olhos claros da esposa, finalmente, depois um tempo – curto – entendeu o que queria dizer, principalmente ao perceber o leve rubor no rosto da amada.
— Eu não queria te machucar. – Diz, voltando a passar as ponta dos dedos nas costas nuas.
Ela se surpreendeu com a revelação; não esperava que ele fosse entender o que queria dizer e não tinha certeza se conseguiria dizer em voz alta.
— Eu não queria que de alguma forma, você... – Se interrompeu, não tendo coragem de dizer o que poderia faze-la se lembrar daquele homem. – Queria que fosse perfeito. Para você.
E ela não pode deixar de sorrir, antes de abraçá-lo, encostando o rosto no peito nu.
— Foi perfeito para mim. – Diz um tempo depois, fazendo-o sorrir – mesmo que não tivesse visto isso acontecer.
Oliver beijou os cabelos negros, abraçando-a um pouco mais forte, mas de uma forma que não machucasse a ela e aos bebês que ela carregava.
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Haviam ficado no quarto por mais um tempo, mesmo que soubesse que em breve seriam chamados pelas gêmeas por conta da demora. Eles haviam tomado um banho junto, depois de bastante tempo, e voltaram a se deitar, juntinhos novamente, acabando por adormecer. Acordaram não muito depois, se lembrando das filhas no instante em que um deles comentou sobre as pequenas. E então se apressaram em descer, afinal, elas não haviam batido na porta ou mesmo gritado por ambos. Isso era algo que acontecia sempre, desde que o casal começou a namorar, e desde então acontecia sempre que se escondiam no quarto de casal, afim de aproveitar um ao outro. E aquele era um daqueles dias. E que inacreditavelmente não havia acontecido o que já era o esperado, o que fez com que se preocupassem imediatamente. Elas tinham oito anos, eram inteligentes, obedientes, sabiam que jamais deveriam sair de casa sozinhas, muito menos mexer em algo que pudesse lhes machucar, incluindo o fogão, e mesmo assim, se preocuparam quando elas não os chamaram quando acabaram por adormecer e não as encontraram em seu quarto. Quando estavam nos degraus, ouviram suas risadas, o que os alivou por saber que ambas estavam bem. Caminharam na direção de onde vinha aquele som agradável, principalmente por saber seja o que fosse que estivessem fazendo, estavam as divertindo. Ao chegarem a cozinha, arregalaram os olhos, trocando um olhar, ainda com os olhos do tamanho da semana, antes de se voltarem para ambas e o ao redor do cômodo onde estavam a poucos passos de adentrar.
O piso do lado no qual as meninas estavam, que era do lado de fora da ilha, estava quase completamente em branco, por conta da farinha e provavelmente do açúcar, havia leite sobre a mesa de mármore, além de chocolate em pó, fermento e essência baunilha. Dentro de uma vasilha redonda e de plástico, haviam ovos, e um pouco de cada um daqueles ingredientes, além da margarina e do sal. Desviaram os olhos, bem devagar, para as crianças em cima das cadeiras de ferro até um momento atrás, encontrando-as sujas dos pés a cabeça, jogando alguns dos ingredientes que usavam uma na outra, correndo pela cozinha, gargalhando enquanto brincavam de guerra de comida, algo que faziam junto a mãe algumas vezes naqueles anos em que se passaram.
De repente, Oliver se vê em um déjà-vu, pois uma de suas garotinhas havia jogado a farinha em sua direção, sem intenção, claro, mas mesmo assim, o fez passar a mão no rosto, enquanto ouvia a gargalhada de sua esposa, que provavelmente estava tendo o mesmo déjà-vu que ele.
— Oh, eu estou tendo um déjà-vu.
A confissão dela em meio as gargalhadas o fez ter aquela certeza.
— Desculpe, papai. — April pediu, rapidamente.
— Ah, querida, o papai já está vacinado.
E o loiro olhou para a amada de forma indignada.
— Que engraçado, querida. Que bom que te divirto.
E isso foi o bastante para fazê-la rir ainda mais.
— Não seja tão mal-humorado. – Beijou sua bochecha, ao se colocar nas pontas dos pés. – Quem quer jogar mais um pouquinho?
— Felicity!
E a morena riu junto das filhas, fazendo-o ver que ela estava brincando.
— O que estão fazendo, minhas pequenas?
— Cookies.
— De chocolate. – Amy completou. – Sabemos que gosta muito, mamãe, e por isso estávamos preparando.
— Mas aí, minha irmã deixou a farinha cair no chão, explodindo em nós duas.
— Explodindo? – Oliver pergunta, divertido.
— É, fazendo... – Mexeram os dedos de ambas as mãos. – PUF!
E os pais riram pela forma que ambas demonstraram o que queriam dizer com a palavra “explodindo”.
— E agora sua mãe ficou sem os cookies.
— Não ficou não, papai, ainda tem ingredientes dentro da vasilha. – Amy retrucou.
O pai riu, balançando a cabeça enquanto se aproximava com sua esposa ao seu lado.
— Bom, então, mãos na massa. – A Smoak-Queen diz rindo. – Literalmente.
— Nós vamos pôr a mão na massa, mamãe.
— É, nós quem queremos fazer os cookies para você. – April completa.
— Tudo bem. – Diz de forma cantarolada, sentando-se do outro lado da ilha, observando-as se colocar dianta da vasilha.
— Vou ajudá-las a modelar, porque a mamãe deve estar faminta.
— Eu estou mesmo.
— Ih, então precisamos de mais ingredientes para a massa, papai.
— É, porque os bebês fazem a mamãe comer muito. – Amy completou.
— Verdade, provavelmente não sobrará para nós.
— Como estão engraçadinhos. – Diz, ouvindo-os gargalhar, principalmente porque naquele momento fazia um biquinho.
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Quando os Merlyn e os Queen chegaram ao apartamento, foram recebidos pelas gêmeas e por Oliver, com sorrisos e abraços. Como um dos casais esteve viajando por dez dias, eles mal tiveram noticiais dos filhos, inclusive da nora, que estava no final da gravidez. Havia sido uma lua-de-mel rápida, principalmente porque não gostariam de perder a chegada dos netos, e por isso deram a ideia do almoço em família, no qual todos estariam reunidos na casa do filho mais velho de Robert e Moira. Eles sabiam que seria melhor para a nora, principalmente por se lembrarem de ela não aparecer no almoço antes de viajarem. Tanto Malcom e Rebecca quanto Moira e Robert estavam muito preocupados com a situação de Felicity; eles estavam sabendo de tudo, inclusive do medo dela com relação a chegada dos trigêmeos. Eles pediam para que estivessem sendo atualizados sempre, principalmente por não poderem estar visitando-os sempre. Sabiam o quão difícil estava sendo para a moreninha, ainda mais por ter passado tudo que passou com seu perseguidor, e isso os deixava de mãos atadas; não podiam fazer nada para fazê-la sentir-se melhor, mas nem por isso deixavam de estar presente sempre que podiam e dar toda a assistência, o apoio e o carinho que ela precisava naquele momento. E eles não eram os únicos; cada um dos amigos, o que incluía os irmãos e os cunhados da antiga Smoak faziam o mesmo.
Malcom foi o primeiro a perguntar pela filha; ele havia percebido que ela não estava no andar debaixo quando foi puxado até a sala pelas “netas” e não pode deixar de se preocupar. Quando seu genro contou que ela estava sentindo-se um pouco cansada naquele dia, com dores nas pernas e levemente enjoada, ele entendeu o porquê de ela estar naquele momento deitada, descansando. Ele sabia que deveria mesmo ir visitá-la; por algum motivo sentiu que ela não estava bem naquele dia, e se surpreendeu quando descobriu estar certo. Pensou em pedir para subir afim de vê-la, mas foi interrompido pela campainha. Lyon correu para seus braços no instante em que o viu, após abraçar o padrinho bem forte. Não pode deixar de sorrir; seu garotinho sempre foi extremamente carinhoso com todos, e isso o encantava profundamente. Não só a ele, como a sua esposa, que havia se abaixado na altura do pequeno para poder corresponder ao abraço carinhoso. Quando Kitty correu para o Merlyn mais velho, ele então percebeu que os amigos de seus filhos haviam chego. Apesar de a garotinha não ser sua neta de sangue, ele não via diferença entre ela e Lyon, principalmente quando ela o chamava encantadoramente de vovô Malcom; de forma embaralhada, mas o chamava. Outra que havia corrido para ele, quase ao mesmo tempo que a ruivinha, havia sido sua irmã mais nova; elas faziam tudo juntas, então não foi surpreendente receber o abraço de ambas. Rebecca, Moira e Robert receberam o mesmo abraço carinhoso das pequeninas, que rapidamente perceberam a falta da madrinha e perguntaram por ela.
— A dinda está descansando, mas eu vou chamá-la. – Diz para as pequeninas com um sorriso, abaixado diante delas.
— Não é necessário, Oliver, se ela não estiver bem... – Tommy começa, mas é rapidamente interrompido.
— Ela está descansando desde manhã, nem mesmo se levantou para o café da manhã apenas para poder fazer companhia a vocês.
— Levamos café-da-manhã na cama para ela. – As irmãs completam com um sorriso.
— A tia não está bem?
Se virou para o afilhado, enquanto as garotinhas pulavam no sofá sobre os olhares de seus pais; Tommy e Barry.
— Ela está cansada, apenas, não se preocupe.
— A mamãe está com dores nas pernas porque os bebês estão muito pesados.
— Mas ela está bem, estava até tentando ganhar de mim e da Amy no videogame.
— Imagino que estejam tentando distraí-la.
— Ela ainda está pensando bobagens, estão sim, Barry.
— Ainda com aquele medo que nos contou, filho? – Moira pergunta, preocupada.
— Ela tenta evitar, mas é mais forte que ela. – Murmurou a última frase, um pouco incomodado com o fato de não poder fazer nada para ajudá-la com aquele medo. – Ainda tem tido os pesadelos, e tem se sentido angustiada com a chegada dos bebês.
— É normal, depois de tudo que ela passou e agora, com o final da gravidez...
— Eu sei, Cait, eu falei com a psicóloga.
— Mesmo assim, a mamãe está se esforçando, e isso é bom.
Os outros sorriram diante a fofura de April.
— Sim, querida, isso é muito bom. – Laurel diz, beijando seus cabelos longos e lisos, após abraçá-la. – Felicity é forte, e enquanto ela tiver a todos nós para apoiá-la, ela vai ficar bem.
— O que me preocupa é ela estar com todos esses sentimentos agora, nesse final de gravidez. – Robert comenta. – Têm de ficar de olho, filho.
— Eu estou, pai. – Desviou os olhos para suas garotinhas, lhes sorrindo. – E as gêmeas tem me ajudado muito também. – Ambas lhes devolveu o sorriso imediatamente, e então completou. – Tem sido uma bênção, até porque nem sempre consigo distrair Felicity desses pensamentos. Infelizmente, tem sido muito mais difícil de uns dias para cá, e por isso tenho evitado sair de casa.
— Nós temos nos reunido aqui. – Tommy contou. – Por ela. Sabemos que ela se sente melhor aqui, além disso, ela está com aquele barrigão, né? É melhor que ela fique onde está mais confortável.
— Bom, eu posso ir até lá, para chamá-la? – Rebecca perguntou, de repente, chamando a atenção dos outros para si.
— Claro.
E a nova grávida da família não se demorou em subir as escadas ao ouvir a resposta do marido de sua enteada. Apesar de não ter passado pelo mesmo que a mais nova, era sabia bem como era estar grávida de primeira viagem e não ter uma mãe por perto para poder ouvir conselhos, conversar sobre a gestação, conversar sobre os medos e as inseguranças que uma primeira gravidez dava a toda mulher, e por esse motivo ela havia pedido para subir. Não queria substituir Donna, nunca o faria, mas a jovem era filha de seu marido e tinha um carinho muito especial por ela, então porque não ajudá-la nesse momento no qual ela também passou quando ficou grávida de Tommy? Na época, ela havia se casado cedo demais, principalmente por seu pai ser bastante complicado, e quando engravidou, apenas dois anos depois, tinha apesar 21 anos; não sabia se seria uma boa mãe, sentiu-se sozinha por não ter a mulher que amava por perto, sentiu ainda mais saudades dela e a cada dia que passava, cada vez que percebia que a barriga crescia, cada vez que sentia seu filho se mexer, ela pensava no quanto precisava de sua mãe por perto para aconselhá-la ou mesmo conversar sobre aquela experiência nova e amedrontadora, e mesmo assim maravilhosa.
Felicity deveria estar sentindo ainda mais falta da mãe, e aquele medo, mesmo que justificável e um pouco diferente do medo que sentiu, era completamente normal, mais ainda por ela estar na fase final da gravidez; sentiu-se da mesma forma quando estava prestes a ganhar Tommy, mais ainda por estar em uma fase um pouco ruim com o marido por conta de seus ciúmes desenfreados; tentava culpar os hormônios, mas sabia que não era de todo verdade. Podia imaginar como aquele medo deveria estar consumindo sua enteada, e compreendia muito bem o fato de ela demorar tanto tempo para se abrir com o marido sobre ele, ela mesma só contou sobre seu medo ao amado quando estava prestes a dar à luz.
Apesar de não ser um corredor muito longo para chegar ao quarto de casal no qual a mulher de longos cabelos negros estava, ela sentiu que o fosse por estar tão pensativa durante todo o caminho. Ela revivia tudo que passou com o marido, era impossível não se lembrar de tudo que passou com ele, os bons e os maus momentos, principalmente por estar mais uma vez grávida. Claro que ela tinha um pouquinho de medo de perder aquele bebê, afinal, não era mais tão nova e já havia acontecido antes, pouco depois de Tommy completar dez anos, mas ela não se focava nos sentimentos ruins, sabia que não seria bom em para ela e muito menos para o filho ou filha que ela esperava; e ela tinha de confessar, gostaria de ser mãe de uma garotinha.
Quando chegou ao quarto, Felicity escrevia no diário que havia ganhado de Moira, estava tão concentrada que nem mesmo percebeu a presença de Rebecca, apenas após a mulher bater na porta que não estava de toda aberta, duas vezes.
— Rebecca. – Diz com um sorriso ao encontrá-la.
— Espero não estar atrapalhando-a.
— Não... – Balançou a cabeça, já soltando o diário e a caneta colorida em suas mãos. – Estava apenas escrevendo sobre meu dia. – Completou, se arrumando na cama, pedindo para que ela entrasse em seguida. – Eu não sabia que já haviam chego, estava tão concentrada...
— Imaginei que esse fosse o motivo para você não ouvir as filhas de Barry fazendo a festa no seu sofá. – Conta, sentando-se ao seu lado, rindo junto a outra.
— Então esse é o motivo desses gritinhos? – Pergunta, ouvindo ambas as Allen dando vários gritos finos e animados.
— Bom, era, quando saí elas pulavam no sofá, mas como elas são agitadas, pode ser outra coisa neste momento.
E novamente a moreninha riu.
— Eu só preciso trocar de roupa para descermos. – Comentou, jogando o edredom para o lado.
— Oliver disse que não estava se sentindo muito bem hoje.
E então a mais velha ouviu um longo suspiro, e se preocupou por um momento por ter dito algo que não deveria.
— É, não tem sido uma boa semana para mim... – Se corrigiu rapidamente. –Semanas, na verdade. – Suspirou novamente. – Eu tenho me sentido..., tão assustada, Rebecca. E eu não sei controlar isso, mesmo que eu queira muito. – Fez uma pequena pausa. – Eu sei que já está sabendo sobre meus pesadelos.
— Seu pai pediu para que seu marido o mantivesse informado.
— Eu sei, e eu já sabia que ele diria a todos sobre isso quando eu revelasse a ele, mesmo que ele não tenha dito que o faria. – A outra apenas balançou a cabeça e então Felicity continuou. – Eu mal posso respirar quando penso no que pode acontecer comigo e com os bebês no dia do parto... Oliver diz que é bobagem, e eu sei que ele está certo, mas meu corpo não sente, muito menos meu cérebro. Eu estou tendo lembranças daquele maldito falar sobre filhos, filhos meus e dele, entende? – Seus olhos lacrimejaram. – Tenho pesadelos de ele entrando no quarto do hospital, de ele pegando meus bebês no colo..., é como se eu estivesse realmente passando por isso, porque eu sinto tudo que o meu eu que está na cama hospitalar está sentindo. Tudo tão intenso e ruim.
— Felicity... – Pegou em suas mãos. – O que está sentindo é tudo resultado de uma só coisa. – Lhe sorriu. – A gravidez. Significa que você está mais sensível, muito mais sensível, mais emotiva..., nesse período, nós, grávidas, vemos tudo com outros olhos..., olhos de espectativa do fato de estarmos colocando no mundo mais um ser humano sobre a nossa responsabilidade, sobre os nossos cuidados. – Sorriu mais abertamente. – Nos primeiros meses, você pôde perceber isso, você sentiu novas e diferentes emoções, certo? E isso é até o fim. – Levou a mão até o rosto da enteada, enxugando uma das lágrimas que havia descido por ele com o dedo indicador. – É normal sentir tudo isso, viver tudo isso, sentir-se amedrontada, é a sua primeira gestação, querida.
— Acha que é apenas isso? O fato de que é a minha primeira gravidez?
— Eu tenho certeza de que sim. – Diz com firmeza, mas sem tirar o sorriso dos lábios. – Eu me senti da mesma forma quando me descobri grávida de Tommy.
— De verdade? – Pergunta, um pouco surpresa, mas também melhor por saber que mais alguém se sentiu como ela estava se sentindo.
— Eu não tinha minha mãe por perto..., como você não está tendo. Ela morreu quando eu terminei o colegial.
— Sinto muito.
— Mas eu consegui superar tudo, apesar das dificuldades. E você, diferente de mim, apesar de não ter sua mãe por perto, o que é muito triste... – E a outra concordou, balançando a cabeça, com tristeza no olhar, mas não deixou de continuar. – Tem seu marido, seus amigos, seus sogros, a mim e ao seu pai para te apoiar a todo momento. – Suspirou pesarosamente. – Naquela época eu e Malcom estávamos em um período difícil de nossas vidas. Eu tinha muitos ciúmes e não sabia controlar isso.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Bom, mas tinha motivos, certo?
— Mesmo assim, eu retribuí para isso. – Deu de ombros. – Não estou dizendo que ele não foi culpado, estou dizendo que nós dois fomos.
A Smoak-Queen novamente balançou a cabeça, compreendendo o que a madrasta queria dizer com aquelas palavras.
— Eu não quero substituir sua mãe, Felicity, mas eu já disse, pode desabafar comigo sempre que precisar. Vou estar aqui para te apoiar, aconselhar, ou para apenas ouvir.
— Obrigada, Rebecca. – Sorriu fraco, apertando suas mãos. – Eu sinto muita falta da minha mãe, principalmente agora, no final da gravidez, mas é bom saber que eu tenho alguém que possa preencher pelo menos um pouco do vazio que sinto por não ter a minha mãe perto de mim.
— Pode sempre contar comigo, Felicity. – Sorriu. – Sempre.
— Eu ainda tenho medo, mas o que disse me aliviou um pouquinho.
— Você vai ser mãe, Felicity, e quando finalmente tiver esses três lindos bebês em seus braços, você vai sentir que tudo isso que sentiu durante todo esse tempo... – Frisou as três últimas palavras. – Foi uma grande bobagem.
**--** **--**
Felicity se sentia mais leve na presença de todos, se sentia feliz em ouvir aquelas conversas animadas, as risadas gostosas das crianças, os gritinhos das pequeninas, que estavam mais elétricas que o normal. Aquele sentimento angustiante de que vinha vez ou outra sobre si, por conta dos pesadelos horríveis causados pelo fato de que o parto estava próximo, não estava tomando conta dela, como aconteceu a uma semana atrás quando estava na presença dos amigos. Ela não entendia o porquê, mas vinha tendo cada vez menos pesadelo, o que ela agradecia aos céus por isso, mesmo que o motivo dele acontecer ainda estivesse a aterrorizando. O medo ainda estava ali, mas não naquele momento, o que era simplesmente aliviante. Ter todos ao seu redor era maravilhoso, e por isso ela se arrependia por ter deixado de visitar seu pai e sua madrasta, seus amigos e seus sogros mais vezes. Talvez, se tivesse se esforçado mais, não teria seus pensamentos focados em algo que a fazia tão mal, e pior, poderia fazer mal a seus bebês também, afinal, eles estavam sentindo tudo que ela sentia. Deveria ter ouvido os conselhos do marido sobre sair mais de casa, sobre não deixar que o medo daqueles pesadelos que a atormentavam, sugar sua felicidade, seu modo de viver. Ela sabia que ele estava certo, mas toda vez que achava que estava conseguindo seguir em frente, algo a fazia dar dez passos para trás, a fazendo reviver mais um tormento. A Smoak-Queen sabia que era um processo longo até conseguir se livrar de tudo que passou, se livrar daquela marca que havia deixada cravada em seu corpo, em sua mente, em seu coração. E era por isso que mesmo que a deixasse triste com suas “recaídas”, que ela não se deixava abater, não deixava que aquele momento de fraqueza a fizesse desistir de lutar, principalmente porque não era apenas por ela que ela lutava, mas por todos que a amam e que ela ama.
Naquele momento ela estava na cozinha observando as amigas prepararem a refeição junto de seus maridos, com o pai ao seu lado, que tinha um dos braços por cima de seus ombros. Ele a beijava na têmpora e em seus cabelos vez ou outra, mostrando todo seu carinho e seu amor, sobre os olhos cuidadosos de seu marido que fazia a sobremesa preferida de sua amada. Ele a via leve, com um sorriso contagiante nos lábios enquanto tocava a barriga saliente, e isso o fazia sentir-se bem, principalmente porque já fazia mais de três horas que se encontravam reunidos, conversando animadamente e ela não havia subido para tomar um banho sequer, o que era um grande alívio. Não sabia o que havia mudado nela, mas sentia que algo havia acontecido, porque sua garota estava diferente da que estava na cama deles poucas horas antes de todos chegarem. Aquele olhar, aquele sorriso, aquela leveza, não estava nela quando ela acordou, principalmente porque ela havia acordada um pouco angustiada por conta do mesmo pesadelo de sempre. Não que ela havia ficado ainda entristecida após o banho, ou não havia lhe devolvido o sorriso quando a beijou nos lábios e disse que a ama enquanto a abraçava, mas o humor dela estava totalmente diferente de antes. E por isso pensava se não havia sido a conversa que ela teve com a madrasta. Elas haviam ficado um tempo considerável sozinhas em seu quarto, e por isso imaginou que esse fosse o motivo de sua mulher estar tão diferente da mulher que deixou no quarto quando foi abrir a porta para sua família.
— Eu devo ter feito algo na minha vida passada, eu só posso pensar que esse seja o motivo para eu receber na minha vida três irmãs. — Ouviu as risadas dos que estavam ao seu redor, com exceção das citadas. – Três. – Mostrou os dedos da mão direita. – Duas não era o bastante, eu tinha que receber mais uma.
— E duas filhas. – Barry diz.
— E cinco sobrinhas. – Oliver completa.
— É, eu fiz alguma merda na minha vida passada.
As mulheres o fuzilaram com os olhos por conta de uma das palavras que ele havia dito em meio a frase.
— Que palavra feia, tio Tommy. – April diz.
— Desculpe. – Murmurou.
— O que tem contra ter três irmãs, tio Tommy? – Andrew pergunta, confuso.
— É que elas são todas problemáticas.
— Sua língua. – Ambas as irmãs dele dizem juntas, fazendo os outros rirem, inclusive as crianças, que se divertiam.
— E respeite a que ainda não nasceu, por favor. – A mãe pede, fazendo um biquinho.
— Uns amores, mãe, elas são uns amores.
— Falso. – Os amigos dizem juntos, percebendo no instante seguinte o seu fuzilar com os olhos.
— Por quanto tempo você vai reclamar sobre isso?
— Não estou reclamando, pai. Eu amo minhas irmãs, até a pequenininha que está aí dentro da minha mãe, do tamanho de uma laranja.
E os outros riram da forma que ele disse, até mesmo os adultos, mesmo que eles balançassem a cabeça.
— Mas meninas são mais complicadas.
— Sua filha ruiva, inclusive? – Oliver provoca.
— Ela tem todo o DNA do Allen, infelizmente.
— Vai se ferrar!
— Ah, mas hoje é dia, né?! – Laurel diz, irritada ao lado do marido.
— Me desculpe. – Murmurou.
— Adultos são todos malucos. – Adam comenta com os outros menores, que concordaram prontamente.
— Vovô, quando é que nós vamos saber o nome da minha tia? – Franziu o cenho de repente. – É tão estranho ter uma tia que nem nasceu ainda.
E os outros riram.
— É verdade, muito estranho. – April concordou.
— Eu não vou pedir a benção para ela não. – A irmã gêmea comenta, balançando a cabeça, fazendo os outros novamente a rir.
— Seria bem estranho se fizesse isso. – Andrew diz com o cenho franzido, ouvindo o Killian rir em seguida.
— Eu acharia bem engraçado.
E novamente todos estavam rindo junto ao pequeno, inclusive seus amigos e irmãos.
— Mas responde, vovô Malcom, já escolheram um nome? – O filho mais velho de Ray e Helena pergunta, tendo o apoio de todos, inclusive dos pais e tios.
— Na verdade, nós escolhemos sim.
— E estão escondendo isso por quê? – Diz de forma indignada. – Eu sou o irmão, tenho o direito de receber essa notícia de primeira.
— Dessa vez estou com o Tommy, papai. – Thea o apoia completamente.
— Até eu estou curiosa, apesar de não insistir, porque eu mesma estou escondendo os nomes dos meus filhos.
— Ah, não me lembre disso, não, que eu volto a ficar revoltada.
Todos os presentes riram ao ouvirem Laurel.
— É muito injusto isso, viu!
— Amor, vamos nos focar no que podemos ter.
E novamente mais risadas, enquanto a mulher do Allen fazia um biquinho.
— É isso aí, até eu estou curioso.
— Ele não contou até para o senhor, pai?
— Então é porque estava mesmo escondendo, Oliver.
O outro concordou com o “irmão”.
— Quanto sentimentalismo.
Os outros dois fuzilaram o Palmer com os olhos, e ele apenas riu.
— E depois somos nós mulheres, as sentimentais.
E todas elas concordaram com Helena.
— Nós quem deveríamos reclamar dos homens. Todos molengas.
Cada um deles olhou de forma indignada para Caitlin.
— Vovó, pode contar logo? – Lyon pede, ansioso. – Eles vão se provocar mais e aí eu não vou descobrir hoje.
— Lyon!
— Ele está certo, tia Laurel. – Amily diz, mesmo que ainda olhasse para os avós, que sorriam.
— Bom, não é um segredo, então...
— Não é o que parece, pai.
— Tio Tommy... – Os filhos do Palmer o chamam. – Shiii.
E os adultos riram, mesmo que surpresos por verem os pequenos levarem o dedo aos lábios de praticamente mandar o tio calar a boca com o gesto que fizeram.
— Diz rápido, vovô. – April pede, fazendo os outros sorrirem.
— Rosalie. – Diz com um sorriso.
— Ah, papai, eu amei esse nome. – Felicity é a primeira a se pronunciar, encantada, se virando para ele mesmo que ainda estivesse em seus braços.
— Eu também, encantador. — Thea concordar com a irmã.
— É um nome muito bonito mesmo, mas seria muito melhor se fizessem uma homenagem a mim.
— O que?
Os outros riram, apesar de apenas Oliver se pronunciar.
— Por favor, Tommy, por que eles fariam isso?
— Porque eu sou o irmão mais velho.
— Eu e Thea também somos as irmãs mais velhas dela.
— Mas eu sou mais velho que vocês.
Ambas as mulheres bufaram enquanto reviravam os olhos.
— Ignorem ele. – Roy diz. – Ainda bem que não virá outro Tommy, ou estaríamos perdidos.
— Me respeita, que sou seu cunhado.
— Mas o meu preferido continua sendo o Queen.
E então no instante seguindo as crianças estavam rindo por ver o Merlyn jogar um pacote de macarrão contra o cunhado, que havia conseguido desviar em meio a risadas. Adorava provocar o outro, mesmo que no final acabasse por ter coisas jogadas contra si. Não uma grande surpresa ver aquela cena, pois sempre que o Harper fazia algum comentário no qual o cunhado mais novo desgostava, uma cena semelhante acontecia, o que era simplesmente a verdadeira diversão para as crianças quando estavam junto aos adultos.
Felicity não conteve a vontade gigantesca em comer do bolo recheado que Caitlin havia feito. Estava faminta, mesmo que tivesse almoçado a menos de duas horas atrás, mas não era uma surpresa, afinal, a gravidez podia estar no final, mas ela continuava com aquela fome monstra, como o cunhado dizia apenas para pegar em seu pé. Ela não se importava. Estava carregando três bebês, tendo cada um deles parte do DNA de seu amado, o que a fazia ter motivos de sobra para comer o que quiser, quanto quiser, na hora que quiser, apesar de ser impedida por várias vezes por seu marido e melhores amigos. Ainda tinha seu pai ao seu lado, mas também seu marido, de forma que ficou entre ambos. Mesmo que dissesse a todo momento que estava bem e que não precisava se preocupar, ainda assim seu pai continuava com aquele olhar cuidadoso para si, o que a fazia sentir-se como uma criança novamente e consequentemente, lembrar-se de sua mãe, que era igualmente a ele, quando estava doente e então melhorava após algumas doses de um remédio ruim que até então ela tinha horror. Era bom ter aquela sensação de déjà-vu que sentia na presença de seu pai.
Infelizmente, após o lanche da tarde teve de se despedir dele e de sua madrasta. Eles haviam combinado um jantar com um casal de amigos que estavam na cidade por pouco tempo, mas nem por isso deixou de ouvir de ambos para que ela se cuidasse e que ligasse caso qualquer coisa acontecesse. A moreninha prometeu, claro, principalmente porque dessa forma os tranquilizaria. Não gostava de preocupar ninguém, muito menos seu pai e seu marido, algo que era quase impossível de acontecer desde que começou a ter pesadelos, crises de ansiedade, pavor de sair de casa. Já dentro do carro, prometeram que voltariam ainda naquela semana para vê-la e então após um sorriso da parte da grávida e algumas palavras carinhosas, ambos deixaram todos, inclusive os mais velhos Queen e seguiram para seu destino.
Sentiu falta do pai e de seu carinho, mas não esperou muito para sentir os mesmos gestos, ainda mais quentes, vindo de seu marido, que esteve ao seu lado o tempo todo. Ele tocava em sua barriga, vez ou outra, sentindo os filhos se mexerem agitadamente, o que o fazia sorrir junto a esposa. Quando se sentiu cansada, finalmente sentou-se, quase ao mesmo tempo em que via os pequenos, que brincavam no jardim de correr, seguir para o andar de cima. Eles tomariam um banho e então aproveitariam o restante das horas que tinham juntos jogando videogame. Estava começando a sentir uma sonolência, mas não dormiria, não quando tinha as duas criaturinhas mais lindas daquele mundo sobre ela, completamente adormecidas. Passava as mãos nos cabelos lisos e de cores diferentes uma da outra. Em alguns anos estaria ela fazendo com os próprios filhos, aquela mesma ação, provavelmente naquele mesmo lugar, além de estar cantarolando a música que havia feito para os três.
Quando Barry e Tommy se aproximaram para buscá-las, sentiu-se sozinha. Suas amigas estavam finalizando o jantar no qual ela ajudaria se não estivesse extremamente cansada naquele momento, seu marido havia ido ajudar as crianças no andar de cima e seus outros amigos estavam a poucos passos de si, conversas e rindo sobre algo que ela não conseguia acompanhar. E ficou ainda pior quando ficou pensativa de repente, ao ver a caixinha de música que havia ganho do amado a poucos centímetros. Sorriu, pegando-o e colocando sobre seu colo, segurando-o com ambas as mãos, abrindo-o e logo em seguida ouvindo a melodia tocar. Adorava aquela caixinha não só por ter sido um presente especial que ganhou logo que começou a namorar Oliver, mas também por se parecer muito com a que havia ganho de sua mãe, em seu aniversário de sete anos.
De repente, algo a incomodou, e por isso imediatamente soltou a caixinha ao seu lado, em cima do sofá. Olhou para baixo, mais especificamente o meio de suas pernas, percebendo que estava extremamente molhado e que aparecia a mancha em seu vestido florido. Quase não acreditou quando viu, sentiu-se até mesmo envergonhada, mas logo expulsou isso de sua mente, por descobrir o motivo de aquilo ter acontecido. Ficou tão surpresa, tão assustada, que não conseguiu dizer uma palavra pelos próximos minutos, o que a fez se recriminar pouco depois, ao sentir uma dor horrível, tanto que teve de segurar com força no sofá e impedir-se — com muito custo – de gemer. Mal podia acreditar no que estava acontecendo naquele exato momento.
Estava entrando em trabalho de parto!
PS: Estou com um novo cronograma, no qual estarei colocando os dias de atualização de cada história na qual escrevo
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