Kupidon

82 Capítulo Sessenta


Notas iniciais
Finalmente consegui vir postar! Quem estava com saudades? Eu estava, e muita. Culpem minha falta de inspiração, pessoinhas lindas, ela me deixou. Que vontade de chorar. Mas pelo menos consegui terminar esse capítulo, e espero conseguir escrever o próximo logo. Mas deixando isso de lado... Vamos ao capítulo? Boa Leitura, estrelinhas.

Felicity ouvia Oliver falar pelo celular, com alguém que ela identificou ser da empresa. Não estava curiosa como das outras vezes, ou preocupada, naquele momento, tudo que ela pensava e desejava era de algo que não conseguia identificar. Estava com desejo, ela conhecia bem aquela sensação, mas não conseguia definir de quê. Abriu a geladeira pela enésima vez em menos de uma hora, pegando um pote de doce de leite e uma travessa de vidro com alguns pedaços de frangos, colocando perto do fogão. Se voltou para a geladeira, pegando uma jarra de suco de laranja e para completar, abriu o congelador, pegando um pote de sorvete de Sensation. Fez um biquinho, inclinando a cabeça, não sabendo se aquilo iria ajudá-la com o desejo insistente. Colocou as últimas coisas na bancada, ligou a chama para fritar o frango, e colocou a mão direita na barriga, perguntando aos filhos o que eles queriam. Ela precisava de uma resposta, ou enlouqueceria. Balançou a cabeça, decidida a se voltar para o que fazia antes. Jogou dois pedaços de frango dentro da panela, e enquanto o fritava, colocou na boca, uma colher generosa de doce de leite. Não pode deixar de gemer, deliciada, mas ainda assim, não era aquilo que seus filhos queriam.

Ela ainda ouvia o som da voz do marido, e a risada das filhas na sala; elas assistiam a um filme que naquele momento, a loira não conseguia se lembrar qual era. Sentou à mesa, com todas as coisas que havia tirado da geladeira a sua frente, comendo o frango frito com as mãos. Estava delicioso, ela não podia negar, mas ainda assim, continuava com aquele desejo insistente e irritante; irritante porque começava a deixá-la agoniada. Retirou uma "lasca" do frango e levou a boca, mastigando vagarosamente, sentindo o gosto delicioso da comida, olhou para o doce de leite, e levou o dedo indicador até o pequeno pote, molhando-o e levando a boca – imaginou o que seu marido diria sobre aquele ato e sorriu; ele com certeza diria que era um nojo. Sorriu, pegando mais um pouco do doce e do frango, levando a boca, levando a mão esquerda a barriga – depois de limpá-la em um pano-de-prato ao seu lado – entendendo o porquê de seus bebês não estarem se mexendo tanto naquele momento. Suspirou. Não era o que eles queriam, ela sabia disso porque o desejo continuava forte, e deixando-a incomodada. Tomou do restante do suco, quando terminou de comer, e pegou mais uma colher, dessa vez com pouco menos que da primeira vez, de doce de leite, levando a boca. Abriu a pequena lata de sorvete, colocando M&M dentro dele, levando uma colherada exorbitante a boca; começava a se irritar por não conseguir descobrir o que tanto desejava.

— Felicity. – A voz de seu marido a vez esquecer – momentaneamente, vale ressaltar – do desejo insistente no qual sentia. – Você já comeu?

— Sim, apesar de não estar satisfeita. – Murmurou, incomodada.

— Por que? – Olhou para as coisas que haviam em cima da mesa. – O pote de sorvete está vazio?

— Não, mas posso terminá-lo a qualquer momento, se eu não conseguir descobrir o que raios desejo comer. – Ele segurou uma risada ao vê-la irritada com algo tão "banal". – Eu comi um cacho de uva, alguns morangos, metade de um leite condensado, duas colheres do brigadeiro que fez para mim na noite anterior, uma caneca de chocolate-quente, cereal...

— Okay. – A interrompeu, surpreso. – Você realmente comeu tudo isso?

— E eu não falei sobre isso... – Apontou para o que havia na mesa. – Dois pedaços de frango, suco, sorvete e o doce de leite. Estava tudo realmente uma delícia... – Voltou-se para o marido, com os olhos lacrimejados. – Mas eu não estou satisfeita.

— V-você..., está chorando? – Já deveria estar acostumado com os humores inconstantes da esposa grávida.

— Eu estou revoltada. – Diz, gesticulando; as lágrimas acumulando mais e mais nos olhos claros. – Estou com desejo, mas não sei de quê. Não passa, nunca. – Ele suspirou, se aproximando, percebendo o quanto aquilo estava incomodando-a.

— Meu amor, vamos pensar com calma, está bem? – A abraçou. – Você quer algo doce, salgado, azedo?

— Um pouco de tudo. – Ele riu. – Não ria, Oliver, estou muito agoniada.

— Tudo bem, tudo bem, deixa eu ver o que posso fazer para aplacar essa sua vontade. – Pegou o celular que estava no bolso direito da bermuda marrom claro, fazendo-a se sentar, antes de procurar na internet algo que pudesse ajudar sua esposa grávida. – O que acha de batatas fritas caramelizadas? Posso espremer um limão em cima, se quiser. – Mostrou a imagem, e no instante seguinte, viu os olhos dela brilharem.

— Temos Nutella? – Ele fez uma careta.

— Sim. – Murmurou, imaginando a cena na qual sua esposa o fez imaginar.

— E você faria um suco de tomate?

— Suco de tomate? – Estremeceu. – Tem certeza disso?

— Sim, estou imaginando e está me dando água na boca, agora.

— E meu estômago está revirando. – Volta a murmurar. – O que mais está imaginando agora?

— Hum... – Ele teve medo quando viu os olhos dela ficarem ainda mais brilhantes. – Hamburger com calda de chocolate e pasta de amendoim.

— Você não estava sabendo o que queria a pouco, e agora já tem tudo detalhado.

— Você ajudou. – Sorriu. – Eu quero agora. – O ouviu suspirar. – O que?

— É muita coisa nojenta em um dia só.

— Para mim vai ser delicioso. – Retrucou, voltando a cruzar os braços, se levantando. – Vai negar isso a sua mulher e aos seus filhos? Sabe a quanto tempo estou tentando descobrir sobre meu desejo?

— Não precisa usar nossos filhos, Felicity, eu vou pedir essa noj... – Se interrompeu ao ver a cara nada agradável que ela havia feito. – O que está desejando comer.

— Obrigada.

— O que eu não faço por você e nossos filhos? – Diz ligando para a única pessoa – que tinha uma hamburgueria – conhecida, no qual faria seu pedido sem maiores problemas.

— Pode pedir uma porção de batata normal com todos aqueles molhos deliciosos e bastante limão?

— Não é bastante coisa para você, apenas?

— Oliver.

Ele suspirou.

— Estou vendo que você vai passar as últimas horas vomitando tudo isso. – Murmurou, se afastando, na intenção de impedi-la de ouvi-lo. – E eu em sua companhia.

— Eu escutei. – Exclamou, fazendo-o rir.

**--** **--**

Enquanto Oliver tomava seu banho, Felicity se encontrava no quarto das filhas, colocando-as para dormir, pela primeira vez, desde que voltou; ela queria ter feito isso antes, mas se sentia tão triste, tão incomodada com seus próprios pesadelos, agoniada com a situação que passou, e que parecia não deixar seus pensamentos, que ela nem mesmo conseguiu cantar para as filhas, na intenção de fazê-las adormecer. Naquele dia, ela se sentia forte; não que ela não estivesse temerosa com o que viria a seguir; a noite chegava, e ela estremecia só de pensar em mais uma noite com sonhos ruins, mais uma noite mal dormida, tanto para ela quanto para o marido; mas ela se sentia bem para colocar suas pequenas na cama, era algo que ela sonhava em fazer, mesmo quando estava nas mãos do pior homem que já conheceu, em toda sua vida. Ela odiava pensar nele, mas era impossível não o fazer, quando seus sonhos eram repletos de memórias que passou com ele. Felicity odiava a situação na qual estava passando, e pior, fazendo a família que amava passar; deixava Oliver e as crianças preocupadas, e isso a deixava muito incomodada; um estorvo.

Enquanto observava suas pequenas colocarem a roupa de dormir, sozinhas, ela percebeu o quanto as meninas haviam mudado naqueles dias em que se passaram; estavam mais fortes do que nunca, lhe davam apoio, quando deveria ser o contrário; ela era a adulta. A loira se lembrava como se fosse ontem, a primeira vez que as gêmeas correram para seu quarto, ao ouvirem os gritos de pavor; suas garotinhas subiram na cama, e abraçaram-na, mesmo que o pai fizesse o mesmo, dizendo que estava tudo bem, que ela estava em casa, e Oliver as apoiava. Felicity nunca se sentiu tão impotente, naquele momento, além do pavor que acabara de sentir por conta de mais um de seus pesadelos; April e Amily estavam tentando tranquilizá-la, quando deveria ser o contrário. Isso a deixava extremamente triste, porque não esteve com elas quando elas tiveram os pesadelos, não esteve com elas quando estavam aterrorizadas, não pode dizer “tudo bem, meus amores, vai ficar tudo bem” quando elas acordavam desesperadas, procurando pela mãe que havia sido sequestrada. Felicity queria poder dizer “foi só um terrível pesadelo”, mas havia sido real, cada detalhe, cada dia em que passou por aquele tormento, e infelizmente, ela havia sido a causadora do sofrimento de suas filhas e sobrinhos. Ela ainda pensava no quanto Lyon havia ficado traumatizado.

— Tia. – Os olhos dele lacrimejaram.

Ele havia sido o primeiro a entrar no quarto de hospital, e Felicity não só ficou surpresa, como muito, muito emocionada, afinal, ele tinha sido a última pessoa a ver, quando tudo aconteceu. Quando Oliver havia dito que naquele dia, ainda, veria cada uma das crianças, ela ficou nervosa, porque imaginou o quanto elas deveriam estar traumatizadas com tudo, ainda. Imaginar o quanto sofreram, naqueles dez dias, em todos os pesadelos que tiveram, não foi fácil, doeu, como se estivesse sendo perfurada no peito. Seus olhos lacrimejaram ao verem que assim como ela, ele estava emocionado por vê-la, e ela sentiu ainda mais vonta de chorar. Era apenas uma criança, e ele havia visto não só as duas tias serem capturadas, como também uma pessoa atirar em outra.

— Lyon. – Sua voz embargou. O viu correr para ela, subindo na cama, abraçando-a, e a loira o correspondeu de imediato. – Sinto muito, querido, sinto muito pelo que houve. – Sussurrou em seu ouvido, mesmo que soubesse que o marido estivesse ouvindo; ele estava na poltrona, observando-os.

— Eu estava preocupado com você, tia. – Se afastou para olhá-la nos olhos. – Estava preocupado com o que aconteceria com você.

— E eu com você. – Passou os dedos no rosto infantil. – Eu sinto muito que tenha visto Tyler ser baleado, amor.

— Está tudo bem, tia, você não tem culpa. – Ela balançou a cabeça, deixando as lágrimas descerem; era sim culpa dela, todo dela. – Não chora tia, Lissy. – Passou os dedos no rosto dela, limpando as lágrimas, mesmo que mais delas descessem.

— Me preocupei em como você estaria depois de tudo.

— Felicity, ele está bem. – Finalmente Oliver se pronunciou. – Ele não a culpa, ninguém a culpa.

— Eu não sei quem era aquele homem, mas eu sei que não teve culpa, tia Lissy. – Felicity volta seus olhos para o sobrinho. – Eu sei que não queria que nada daquilo tivesse acontecido.

— Eu faria qualquer coisa para voltar atrás e impedir que tivesse presenciado tudo que presenciou. Você, as gêmeas... – Fungou. – Eu nunca quis que os meus problemas recaíssem sobre vocês.

— Meu amor, por favor, não vamos falar novamente sobre isso.

— Por que diz isso, tia? Seus problemas? – Felicity o fitou por um tempo, sem dizer uma palavra. – Aquele homem te conhecia, não é? Ele sabia quem era você.

— Lyon, sua tia passou por algo muito ruim, vai machucá-la se falarmos sobre aquele homem. – O menino o olhou, por um determinado tempo, antes de se voltar para a tia.

— Me desculpa, tia Lissy.

— Não... – Balançou a cabeça. – É normal ficar curioso, depois de tudo... – Sussurrou a última palavra. – Ele me conhecia. Infelizmente, eu o conhecia. – Sentiu o choro incomodar a garganta.

— Tudo bem, tia, eu não quero te deixar triste, então não precisa falar. – Ela não pode deixar de sorrir. – Eu estou feliz por estar de volta.

— Todos nós estamos.

Ela ouviu a voz da melhor amiga, e no instante em que subiu o olhar para a porta, encontrou todos seus amigos, com seus filhos; mas as primeiras crianças que encontrou, foram suas princesinhas.

— Mamãe.

Lyon se afastou apenas um pouquinho, o bastante para as primas abraçarem sua tia. Ele sabia o quanto elas, assim como ele, estavam preocupadas, cheias de saudades.

— Meus amores. – As abraçou, forte, parecendo temer que fosse um sonho. – Que saudade. – Sussurrou. – Tantas saudades.

— Nós também, mamãe. – Respondem juntas, no mesmo tom, sem soltar a mãe, enquanto os outros apenas observavam.

Mas não demorou muito para que a cama da Smoak—Queen ficasse cheia; as outras crianças também estavam com saudades.

— Mamãe, o que vai cantar hoje? – A voz de Amily interrompeu suas lembranças.

— Vocês querem escolher?

Ambas se encontraram sentadas, já na cama, com as costas apoiadas na cabeceira.

— Lembra da música que cantou para nós quando nos colocou para dormir pela primeira vez, mamãe?

Felicity sorriu de imediato, ao ouvir a pergunta de April.

— Faz tanto tempo que não canta ela. – Completou a irmã.

— Então será ela.

— Mamãe? – A voz delas saíram ao mesmo tempo.

— Sim? – Se sentou de frente para suas princesas.

— A partir de hoje, vai fazer isso toda noite? – April quem perguntou, apesar de ambas quererem a resposta.

— Estávamos com tantas saudades. – Completou a outra.

— Eu também estava, mas precisava me sentir bem comigo mesma antes. Entendem? Eu não queria de alguma forma, assustar vocês. Mais do que já faço.

— Não nos assusta, mamãe. – Dizem juntas, rapidamente.

Felicity suspirou.

— Vamos dormir?

Fez com que ambas se deitassem, e puxou o edredom sobre elas.

— Fechem os olhos, e esperem pelo sono. – Sussurrou, tocando os cabelos lisos de ambas.

— Nós amamos você, mamãe. – Dizem olhando nos olhos claros da mãe, que sorri abertamente.

— Eu também amo vocês.

Havia sentido tanta falta de cantar para elas, de observá-las dormir; eram tão lindas. A tranquilidade das filhas era a tranquilidade delas, pelo menos por algumas horas. Mesmo depois de tanto tempo, mesmo estando com quase nove anos, ambas ainda dormiam juntinhas, na mesma cama, agarradas uma a outra, como se uma fosse a segurança da outra, e isso a deixava abobalhada; eram encantadoras de toda forma.

Não pode deixar de sorrir ao ouvir um “mamãe” em meio a um suspiro.

Mesmo que elas tivessem caído no sono no meio da música, Felicity continuou cantando até terminá-la, e ainda agora, continuava a observá-las, apenas para matar a saudade; ela não se cansaria de fazer tal ação, e enquanto elas desejassem, continuaria fazendo.

Oliver parou no batente da porta, com os braços cruzados, observando o carinho no qual a esposa olhava para a filha deles; ela estava pensativa, e isso o deixou curioso, se perguntando sobre o que ela pensava. Mesmo que estivesse ali, para dar um beijo nas gêmeas e levar sua esposa grávida para a cama, ele não pode deixar de ficar ali um tempinho, apenas olhando suas garotas, sentindo a felicidade o abater com força, porque ele sonhou com aquela mesma cena, por dias incansáveis; dez, para ser mais exato.

Não havia sido fácil ver suas garotinhas tristes, passando por situações complicadas, tendo pesadelos toda noite, e se lembrar que tudo seria diferente se a esposa estivesse com eles.

Mas finalmente havia acabado.

O tormento havia passado, e eles podiam ser felizes agora, completamente.

A viu beijar as gêmeas; um beijo de boa noite, e sorriu, apenas por ver aquela cena acontecer, depois de tanto tempo.

— Ei, baby. – Decidiu por chamar sua atenção; os olhos dela caíram sobre ele no mesmo instante.

— Está aí a muito tempo?

— Só um pouquinho. – Sorriu ladino. – Estava com saudades dessa cena.

— Eu também estava. – Desviou os olhos de volta para as filhas. – Eu não quero deixar de fazer, enquanto elas quiserem.

— Estava tão pensativa, a pouco... – Os olhos deles voltaram a se encontrara. – Posso saber sobre o que pensava?

— Na nossa situação, na situação na qual nossas filhas e Lyon passaram...

— Felicity... – Diz após um suspiro, cansado. – Meu amor, você precisa esquecer isso e focar no presente. – Caminhou até ela. – Nós estamos juntos novamente, as gêmeas e o Lyon estão bem, apesar de tudo, estará apenas se machucando se continuar se culpando pelo que houve.

— Eu não posso deixar de pensar, que se eu não tivesse entrado na vida de vocês, nada disso teria acontecido.

— E você também não teria conhecido seu pai. Ou mesmo seus irmãos. E não teria o amor das gêmeas, dos nossos sobrinhos, dos nossos amigos..., não teria me salvado da solidão que eu sentia por perder Sara, e definitivamente... – Se abaixou, tocando o ventre da esposa, sentindo seus bebês se mexerem, fazendo-o dar um sorriso, antes de voltar a olhar nos olhos verdes da esposa. – Não teríamos os trigêmeos.

Ela colocou a mão por cima da do marido.

— Não teríamos a vida que temos hoje, e por Deus Felicity, eu não consigo ver minha vida sem você. Eu não sei o que teria sido de mim e das minhas filhas se não tivesse aparecido na nossa vida, e eu agradeço todos os dias por ter te conhecido.

— Mesmo depois de tudo?

— Mesmo depois de tudo. – Diz com firmeza. – Tudo aconteceu da maneira que tinha que acontecer, e agora acabou. Acabou, meu amor! – Exclamou, beijando a mão que estava por cima da dele; a que tocava a barriga saliente.

— Eu ainda me sinto presa, por causa desses malditos pesadelos.

— Mas isso vai passar. É questão de tempo, eu juro que vai chegar um momento, que você não vai mais se sentir presa, ou temerosa, ou mesmo relembrando o que aconteceu. Porque vai ficar no passado.

Ela balançou a cabeça, abaixando o olhar, para as mãos entrelaçadas.

— Vamos nos focar no nosso presente, vamos nos focar no nascimento dos trigêmeos em quatro meses. Combinado?

Ela respirou fundo, olhando nos olhos azuis dele.

— Combinado.

Ele sorriu, se levantando.

— Vamos dormir? Você deve estar cansada.

— Antes, posso tomar um Gatorade? – Pede, enquanto o marido a ajudava a se levantar da cama; a barriga dificultava a fazê-lo sozinha.

— Eu me impressiono que depois de tudo que comeu a poucas horas atrás, você ainda queira um Gatorade.

— Ele vai me ajudar com o enjoo.

Ele a olhou como se disse “eu disse que sentiria enjoo”.

— Me impressionaria se me dissesse que não estivesse se sentindo enjoada.

— Você vai me dar sermão?

— É claro que não, meu amor. – A puxou para fora do quarto, apagando o interruptor, deixando apenas o abajur aceso.

— Claro, mas você não deixaria de me dizer um “eu te disse”, mesmo assim.

— Agradeça aos céus por não ter vomitado todo seu jantar.

Ela fez um biquinho, mordendo a parte interna da bochecha, fazendo-o segurar uma risada pela forma “infantil”.

**--** **--**

Oliver já estava acostumado em acordar com os gritos da esposa; os gritos por conta dos pesadelos.

Mesmo com Cooper internado em coma em um hospital a quase quatro horas de onde moravam – e isso porque não o queriam em Star City –, ela continuava a sofrer por conta dele, por conta do que ele fez. As lembranças ainda estavam muito frescas em sua memória. Isso preocupava o Queen. Ela estava grávida, faltavam ainda três meses para o nascimento dos trigêmeos, e aquela situação em que ela se encontrava, o nervosismo, o medo, a agitação, não fazia bem a eles.

Assim que ouviu seus gritos, a acordou do mesmo jeito de antes, chamando-a e puxando-a para se deitar com parte do corpo por cima do dele. Os braços em volta do corpo dela, apoiando-a, lhe trazendo um pouco de tranquilidade, o afago nos cabelos, tentando acalmá-la, os sussurros em seu ouvido, tentando fazê-la acreditar que estava tudo bem agora, que ela estava a salvo, que ele estava ali com ela. Não era fácil. Ele levava pelo menos uma hora para fazê-la se acalmar completamente, e um pouco mais para que ela dormisse. Vê-la chorando daquela forma o fazia se sentir um inútil. Queria poder fazer mais, queria poder tirar todo o medo, a angustia e os malditos pesadelos da vida dela. Mas tudo que podia fazer era estar ali, apoiando-a e mostrando que não a deixaria sozinha nem por um momento.

Quando ela enfim adormeceu, ele beijou os cabelos loiros e a arrumou melhor na cama, puxando o edredom na intenção de cobri-la. Estava cansado, mas ficaria mais algumas horas acordado, para poder observar o sono dela, e esperava que ele fosse tranquilo, ela merecia. Os filhos estavam agitados. Sentiu os três se mexerem quando colocou a mão direita sobre a barriga avantajada e sorriu. Ultimamente eles vinham mexendo muito, e apesar de isso cansar sua esposa, ambos adoravam sentir tal sensação.

Naquele momento, Oliver imaginava que assim como ele, os três estavam preocupados com a mãe, mas se encontravam mais calmos que alguns minutos atrás, quando sua esposa estava agitada por conta do pesadelo.

— Ei, filhotes, eu sei como deve ser difícil ver a mamãe ficar tão sensível e tão agitada, mas fiquem quietinhos por algumas horas, por favor? O bastante para que ela descanse. Combinado? – Sentiu três chutes, um de cada vez, mas bem de leve, e por isso sorriu; era como se eles respondessem a ele. – A mamãe agradece e o papai também. – Beijou a barriga elevada, demoradamente, antes de voltar a colocar a cabeça sobre o travesseiro. – Mal posso esperar para vê-los, melhor ainda, para tocar vocês, pegá-los no colo. Se com meus sobrinhos, foi uma sensação maravilhosa, com vocês deve ser algo indescritível. Posso imaginar a emoção. – Suspirou, se lembrando da época em que conversava com as gêmeas, quando elas estavam na barriga da mãe biológica delas. – Eu sei que pode ser besteira, e provavelmente possa ser uma preocupação atoa, mas por favor, que venham saudáveis e que a mãe de vocês tenha um parto tranquilo, sem perigo algum. Por favor.

Sussurrou a última palavra, como se estivesse implorando; o medo que ele tinha de algo dar errado, como deu com a ex-mulher, não parava de o atormentar, e isso era irritante, principalmente porque ele não queria transparecer tal preocupação. Sentiu um chute forte em sua mão, depois outro e mais outro; eles estavam quietinhos até a pouco, e agora não paravam de chutar.

Olhou para a esposa, preocupado que isso a incomodasse o bastante para acordá-la.

Desviou os olhos fazendo um “shiiii”.

— A mamãe, filhotes, a mamãe... – Sussurrou, enquanto acariciava a barriga. – Fiquem calmos. – Percebeu que sua voz os acalmava novamente. – O papai está aqui, está bem aqui. O que acham de dormir um pouquinho e dar um descanso a mamãe? Não vão querer acordá-la, não é? – Ele não mais sentia os chutes, mas continuava com as carícias. – Boa noite, meus bebês, o papai ama vocês.

**--** **--**

O dia amanheceu um pouco nublado, mas o solzinho começava a aparecer quando terminou de preparar todo o café-da-manhã; havia todas as coisas que suas garotas gostavam, além é claro, de seu precioso café; com certeza sua esposa insistiria mais uma vez por tomar um gole, e por esse motivo fez o descafeinado, apesar de não ser o mesmo. Depois do terrível pesadelo de algumas horas atrás, ele não conseguiu voltar a dormir, ficou observando o sono – que graças a Deus foi tranquilo –, falou com os filhos, até que seu despertador tocou, lembrando-o que deveria se levantar, tomar seu banho, se vestir e descer para fazer o desjejum; suas filhas não teriam aula naquele dia, e por isso estava preparando-o um pouco mais tarde. Elas acordaram um hora depois dele, o ajudou com o que faltava, aprontaram a mesa – algo que elas adoravam fazer, desde que perceberam que podiam –, e quando estavam decididas a chamar pela mãe, Oliver as parou rapidamente, dizendo para que a deixassem dormir mais um pouco; afinal, não havia terminado de preparar os adorados Waffles com lascas de chocolate que a esposa comia toda manhã; de acordo com ela, era o desejo dos bebês.

Oliver não soube por quanto tempo ficou ali, ouvindo música e preparando os Waffles, quando finalmente percebeu que as gêmeas não se encontravam no cômodo. Ele não precisava deixar seu trabalho para procurá-la, tinha certeza absoluta de que elas não haviam conseguido fazer como ele pediu por muito tempo, e naquele instante, se encontravam com a mulher na qual elas chamavam de mamãe. Pensou em ir até lá, para impedir que elas acordassem sua mulher, mas o Queen tinha certeza de que àquela hora, não sabendo quando elas haviam o deixado, a grávida já estaria desperta, e por isso continuou a terminar seu trabalho – o que não demorou. Colocou o que faltou sobre a mesa, já organizada, e para realmente, finalizar, pegou o achocolatado no qual suas garotinhas não haviam conseguido pegar por estar na porta de cima do armário, colocando-o junto as outras coisas na mesa de vidro.

Enquanto isso, no andar de cima, April e Amily adentravam o quarto dos pais com cautela; elas queriam acordar a mãe, mas não de uma forma que pudesse assustá-la e muito menos fazê-la perceber sua presença com o som de seus passos; por isso elas andavam na ponta dos pés, dando risadinhas, gostosas, bem baixinho, enquanto caminhavam até a cama. O pai havia explicado que a mãe havia tido mais um pesadelo; elas sabiam disso, afinal, ouviram os gritos. Naquele dia, elas realmente haviam se assustado, e só se acalmaram quando já não ouviram mais nada; sabiam que o pai havia conseguido acalmar e tranquilizar a mãe delas. E era por saber que a mãe havia tido mais uma noite agitada, que elas queriam acordá-la de forma diferente; alegrá-la um pouco, e elas não poderiam estar fazendo coisa melhor.

— Mamãe, mamãezinha... – Cantarolaram juntas, ouvindo-a resmungar; ambas sorriram.

— Mamãe, hora de acordar. – Amily aperta o rosto da mãe, com carinho, fazendo-a piscar algumas vezes.

— Acorda, acorda, acorda... – Balança o corpo da mãe, e mesmo assim ela não abre os olhos, mesmo que tenha resmungado.

— Ai, ai, ela não vai acordar do nosso jeitinho, maninha.

— Então..., é só dar um sustinho. – Sussurrou, sorrindo, fazendo a outra sorrir também.

— Você tem alguma ideia, Apple?

— Sempre. – Ambas se viraram para a mãe, agora, cada uma de um lado da grávida. – Mamãe? Você perdeu a melhor parte do dia.

— Os Waffles. – A irmã completou, colocando a mão na boca, para não rir.

— Já está quase na hora do almoço, mamãe.

— O que? – Ela abriu os olhos de imediato, e as filhas gargalharam. – Suas pestes, vocês me enganaram? – Pergunta, deixando um sorriso aparecer em seus lábios.

— Só um pouquinho. – Dizem juntas, mostrando com os dedinhos.

— Então eu vou voltar a dormir.

— Não! – Gritaram, fazendo a mãe franzir o cenho. – Acorda, mamãe! – Gritam mais uma vez, mas a mulher não o fez apenas para contrariá-las, enquanto se perguntavam o que elas fariam a seguir. – Mamãe, acorda. Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda...

— Estou achando que nem vou sair da cama hoje. – Provocou mais um pouco.

— Mamãe, deixa de ser preguiçosa.

— O que? – A pergunta saiu junto de uma risada, enquanto abria os olhos. – Como é que pode, duas garotinhas de quase oito anos chamar a própria mãe de preguiçosa? – Elas riram. – Acho que eu deveria castigá-las.

— Nós te amamos, mãezinha. – Amily concordou, balançando a cabeça, enquanto dizia "sim, sim, amamos muito".

— Eu acho que estão me dizendo isso apenas para eu me esquecer do castigo. – Ao mesmo tempo, ela vê ambas balançarem a cabeça para os lados. – Hum? Será?

— Mamãe, os bebês estão com fome, certeza.

— É, vamos descer logo. – April completa, ajudando a irmã a mudar de assunto.

— E não são vocês quem estão com fome, não? – Diz de forma divertida.

— Quer dizer que os bebês não estão com fome? – Perguntam juntas, de forma completamente surpresas.

— Não, não, eles estão famintos. – As meninas gargalharam. – Tudo bem, eu vou me levantar. – E então ela viu as filhas pularem – com os joelhos – ao seu lado na cama. – O papai já fez o café?

— E nós ajudamos. – Amily responde, sorrindo.

— Então eu vou tomar um banho rapidamente... – Parou de falar, ao sentir os bebês chutarem; sorriu, colocando a mão na barriga avantajada.

— Mamãe?

— São seus irmãozinhos. – Sorriu para suas garotinhas, que tocaram a barriga, ambas com a mão direita.

— Oi, irmãozinhos, bom dia.

— Quase boa tarde, né?! – Elas riram. – Vocês são muito dorminhocos. Mais que a mamãe, talvez vocês três sejam muito, muito parecidos com ela.

— Eu acho que isso não foi um elogio. – Brincou, fazendo as garotinhas rirem.

— Será que eles terão os mesmos cabelos negros que você, mamãe? – April pergunta.

— Hum..., vai saber! – Sorriu. – Mas eu realmente espero que se pareçam com o pai de vocês.

— Tudo bem, mas que tenham seus olhos. – O sorriso da mamãe alargou.

— Vocês gostam da cor dos meus olhos?

— Sim, muitíssimo. – Dizem juntas.

— Eu sabia que estariam aqui.

Felicity levou a mão em direção ao peito, enquanto que as gêmeas dão um pulinho, balançando o colchão.

— Que susto, papai.

— Eu não disse para deixar a mãe de vocês dormir mais um pouco?

— Mas nós deixamos.

Ele levantou uma das sobrancelhas, e elas se encolheram.

— Não se preocupe, já dormi o bastante.

Eles olharam para a grávida.

— Na verdade, estou faminta, quer dizer, estamos...

Oliver não pode deixar de sorrir.

— Os trigêmeos estão chutando muito agora, acho que estão implorando por Waffles.

— Você realmente dormiu o bastante?

— Claro que sim. – Piscou para as filhas, que sorriram.

— Papai, os trigêmeos são tão dorminhocos quanto a mamãe, não concorda?

— Eles poderiam ser mais, Amy.

As garotinhas franziram o cenho, enquanto viam o pai ajudar a mãe a descer da cama; depois de lhe dar um selinho, ele completa, tocando o ventre da esposa.

— De uns dias para cá, eles andam chutando cada vez mais.

— Isso é todo o DNA do pai de vocês. Ele era uma peste quando mais novo.

As filhas gargalharam.

— Se os trigêmeos forem como o pai de vocês, estaremos perdidas.

Elas voltam a rir, junto da mãe dessa vez, enquanto seu pai franzia o cenho.

— Eles terão uma infância bem divertida. – Retrucou.

— Nossos filhos conhecerão a palavra: limites. – Diz a última palavra, devagar, tocando a ponta do nariz do marido com o dedo indicador, se virando em seguida, caminhando até o banheiro.

— E quem disse que eu não conhecia essa palavra?

A esposa se virou, antes de chegar ao cômodo desejado, com a sobrancelha arqueada; Oliver segurou uma risada.

— Okay, pequenas, vamos deixar a mamãe aprontar.

— Não demora, mamãe, estamos famintas.

— E os bebês também. – Amy completou, antes de seguir o pai, junto da irmã, deixando a loira sozinha; ela ria enquanto entrava no banheiro, decidida a tomar um banho rápido, antes de finalmente descer; estava realmente muito faminta.

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Os Queen estavam nos Allen a mais de uma hora.

Felicity ajudou as amigas a preparar o almoço, sentada, já que seus pés doíam por conta da gravidez, ajudou a preparar as sobremesas, da mesma forma, e mesmo que o marido pedisse para que ela descansasse, ela insistiu em ajudar no lanche das crianças, e era isso que estavam fazendo naquele momento.

Um dos bolos estava no forno, enquanto Felicity e Caitlin batiam outros dois, de sabores diferentes. Laurel fazia a cobertura enquanto que Thea olhava as crianças que brincavam no jardim; era sua parte preferida do dia, principalmente porque os ajudava a aprontar. Helena, que havia chego mais tarde com o marido, colocava as massas prontas nas formas, depois de untá-las.

Todas conversavam sobre os gêmeos da antiga Snow.

Os pais estavam ansiosos para a chegada deles, mas não mais que os avós; ambos. Eles visitavam os filhos todo final de semana, perguntavam sobre as consultas, e até mesmo ganharam um CD gravado com o som dos coraçõezinhos batendo, já que haviam pedindo tanto; assim como as mães dos bebês imaginaram, os avós eram verdadeiros corujas, e Felicity entendia isso muito bem, já que seu pai e sua madrasta apareciam toda semana para vê-la e saber dos trigêmeos.

A loira sabia que com ela era diferente, porque ele não só aparecia para saber de seus filhos, mas também por causa dela. Depois de tudo que passou seu pai se tornou ainda mais protetor, e sempre que não podia aparecer – o que era raro de acontecer –, ligava para Oliver para saber como o dia dela havia sido; era bom ter esse carinho, ela tinha que confessar, principalmente porque ela se sentia cada vez mais querida, e a fazia se esquecer, mesmo que momentaneamente, dos seus pesadelos constantes.

Ter seu pai por perto era como ter uma parte de sua mãe, porque ele era protetor como ela era; apesar de eles serem completamente diferentes no jeito de agir; sua mãe era muito elétrica e exagerada. Mas ela gostava de se lembrar desses momentos que tivera com a mulher, mesmo que na maioria das vezes tivesse sentido vergonha e às vezes, sentindo-se irritada. Se soubesse que a perderia, nunca teria gritado com ela por conta dos seus exageros, nunca teria discutido por ela querer se meter em sua vida, nunca teria brigado com ela e ficado tanto tempo sem vê-la, por conta da omissão de quem era seu verdadeiro pai; tudo isso era nada, comparado a sorte de tê-la em sua vida.

— Lis?

Piscou várias vezes, voltando a si.

Seus olhos haviam lacrimejado por um momento, em meio as lembranças, em meu ao seu arrependimento.

Não queria chorar, mas estava grávida, estava mais sensível, principalmente nesse final de gravidez, por isso, mesmo que as outras ficassem preocupas, ela não fingiu estar bem.

— O que houve?

— Estávamos falando sobre os gêmeos e de repente você ficou estranha. – Cait completou depois de Helena.

— Eu estava me lembrando de alguns momentos que tive com minha mãe.

— Ownn... – Dizem juntas.

— Lis, eu sei que deve ser difícil, principalmente agora no fim da gravidez... – Laurel se aproximou, abraçando-a pelos ombros. – Mas tenho certeza de que ela está vendo tudo lá de cima. – Lhe sorriu. – E está muito feliz.

Devolveu o sorriso.

— Eu sei, só queria que ela estivesse aqui.

— Você pode não ter a presença dela, mas tem as lembranças, o amor que ela sentia por você, tudo guardado bem aqui. – Helena diz, tocando onde ficava o coração de sua amiga.

— O que acha de ir descansar um pouco?

— Cait, eu estou grávida e emocionada, não doente.

Cada uma das amigas riu.

— Além disso, eu gosto de estar aqui com vocês.

— Também gostamos de ter você aqui conosco... – Caitlin diz sorrindo.

— Mas você está cansada.

— Eu concordo.

Elas desviam os olhares uma das outras e olharam para Oliver, que entrava na cozinha, concordando com o que Laurel havia dito.

— Não acha que deveria ficar um pouco na sala?

— Para ver vocês jogarem videogame?

As amigas gargalharam ao ver o outro franzir o cenho.

— Você pode jogar.

Mais gargalhadas vindas das mulheres.

— Vamos lá, só um pouco, meu amor.

— Tudo bem. – Respondeu devagar depois de um suspiro. – Mas eu quero mesmo jogar.

Seguiu o noivo ouvindo a risada das amigas novamente, junto a dele.

Tinha que confessar, mesmo que para si mesma, que estava cansada. Aquele final de gravidez não era fácil, mas já havia ouvido falar sobre aquilo de suas amigas. Sentia ainda mais sono, mas os trigêmeos não a deixavam dormir por tanto tempo por serem tão agitados, sentia uma fome absurda, que ela andava tentando se controlar para não ficar maior do que já estava, suas pernas e seus pés inchavam, suas costas doíam...

Ela entendia bem o porquê de suas amigas reclamarem antes.

Estava sentindo na pele, agora que estava grávida.

Os enjoos haviam parado – vinham apenas quando comia demais –, o que ela agradecia aos céus.

— Você é uma vergonha para o mundo dos jogos.

Ouviu Barry provocar Tommy, que o empurrou, fazendo-o cair do sofá.

— Você é um péssimo perdedor.

— E você vai atravessar o chão, se não calar a boca.

Ray não conseguiu conter a risada junto de Roy.

— As crianças não estavam brincando no jardim?

Ao mesmo tempo em que a Smoak-Queen chamava a atenção dos outros, seu marido ria ao seu lado.

— Ha-ha-ha, que engrado, irmãzinha.

— Se for pensar bem, você é realmente uma criança.

— Calado, Allen.

O outro riu, se divertindo em provocá-lo.

— Sente-se no meu lugar, Felicity.

— Obrigada, Ray. – Sentou-se no sofá-cama de um lugar, tendo onde apoiar as pernas.

— Você não estava se divertindo na cozinha?

— Oliver foi me buscar.

— Estraga-prazer. – Tommy, Barry e Roy dizem juntos.

— Calados os três. – Bufou, sentando-se ao lado de Tommy, enquanto que Barry voltava a se sentar no sofá, só que dessa vez, tendo o amigo entre ele e o Merlyn.

— Acha que ainda vai demorar a sair o lanche? Estou faminto.

— Roy, as crianças não estão reclamando, aprenda com elas.

Os outros riram alto.

— Você é má.

E ela não pode deixar de rir da forma que o cunhado disse.

— Quando é que vocês vão nos dizer os nomes dos bebês, hein?

— Que mudança repentina de assunto.

— Não tente fugir da minha pergunta. – Roy retrucou, fazendo-a revirar os olhos.

— Vai, dizem aí.

— Já dissemos que é surpresa, Tommy.

— Poxa, vocês são dois farinha do mesmo saco mesmo, viu. – Roy diz, fazendo os outros rirem, balançando a cabeça.

— No dia do nascimento vocês saberão.

— Por que não perguntam ao Tommy os nomes dos gêmeos? – Completa depois da esposa.

— Eu e a Caitlin ainda não decidimos.

— Eu ajudo. – Olharam para Roy que se levantou. – Que tal se o do menino for..., Roy? Eu não ficaria ofendido.

E então uma chuva de almofadas voaram nele, mas ao invés de reclamar, ele riu.

— Ignorem o retardado do meu cunhado, e vamos jogar, por favor. – Pegou um dos controles, entregando a irmã. – Faça melhor que eu.

— Qualquer um faz melhor que você.

— Barry, a próxima provocação e eu juro que Laurel vai criar as filhas sozinha.

E novamente mais risadas preenchem o cômodo.

— O que vocês tanto riem?

Se viraram para trás, encontrando as outras mulheres, lado a lado, totalmente curiosas.

— O mesmo de sempre.

— Barry provocando Tommy. – Oliver completou depois de Ray.

— Roy fazendo suas piadas infames.

— O único que faz piadas infames aqui é o seu irmão. – Retrucou.

— Vocês quando se juntam parecem crianças. – Helena diz, revirando os olhos.

— Isso porque não viram o que eu vi quando estava chegando aqui.

— Mamãe!

O som das vozes das crianças saiu ao mesmo tempo, e tão alto que eles tinham quase certeza de que o condomínio inteiro havia escutado.

Não demoraram para eles entrarem com Thea os acompanhando; por incrível que pareça, eles continuavam limpinhos, apesar de pequenas, mas quase imperceptíveis, manchas de terra nas roupas.

— Estamos famintos.

— Eu entendo vocês completamente.

Os outros riram ao ouvir Roy, até mesmo as crianças.

— O último bolo está quase pronto. – Laurel tranquiliza as crianças.

— Enquanto isso... – Caitlin se aproximou. – O que acham de enfeitarmos alguns cupcakes?

— Legal! – Dizem juntos.

— Vai ser uma verdadeira bagunça. – Thea comentou. – Mas a casa não é a minha mesmo.

Apenas as mulheres riram, já que os homens não puderam escutar.

— Eu estou nessa.

— Roy, a minha esposa chamou as crianças.

— E você é o que?

Cada um dos pequeninos gargalhou ao ver o Merlyn jogar várias almofadas do Harper.

— Okay, crianças, vamos para a cozinha. – Thea chamou, enquanto via seu irmão e namorado se divertindo como seus sobrinhos a pouco, jogados no sofá, por um ter jogado o outro nele.

— Pai, podemos fazer competições?

— É pai, daquelas que fazemos em casa. – Os gêmeos completaram depois do irmão.

— Por que não?

— Só se quiser que Barry tenha um infarto, Ray.

O marido riu.

— Que isso, adoro essas competições.

— E depois eu é que sou a criança. – Roy e Tommy dizem juntos.

— Pai, só faltou você e o tio fazerem um bico e cruzarem os braços.

— Ora, garoto...

O menino correu para trás de Barry, rindo, mas pedindo que o outro pai o proteja.

— Ele não disse nenhuma mentira.

— Você! – Apontou para o amigo. – É o culpado por isso.

— Por que eu?

— Porque ele vê você me provocando vinte e quatro horas por dia e se vê no direito de fazer o mesmo.

— Que isso, Tommy, está exagerando, são apenas 20h.

Os outros riram.

— De que lado está, Judas? – Reclamou com Oliver que riu da revolta do amigo.

— Vamos logo com isso. – As gêmeas dizem juntas.

— É! Estamos com fome. – Os outros dizem ao mesmo tempo, depois das primas.

— Tudo bem, vamos lá.

— Oliver, podemos ir também? – Sorriu abertamente, mostrando os dentes.

— Vai ajudar a decorar os cupcakes.

— É.

Oliver franziu o cenho, cruzou os braços e olhou nos olhos da esposa ao não acreditar muito na resposta que ela deu.

— Você quer é comê-los, não quer?

— Eu nem ligo para as decorações. – Confessou depois de morder o lábio.

Ele gargalhou.

— Eu imaginei. – Diz, puxando-a para a cozinha.

Notas finais
Quem amou esse capítulo de montão? Eu amei escrevê-lo, do começo ao fim. Quem se emocionou na cena de Felicity com Lyon? [O flashBack, eu digo] Eu chorei enquanto escrevia. Me digam qual foi a cena que mais gostaram, o que gostaram mais no capítulo, por favor. Vejo vocês, em breve, se Deus quiser! Até logo Kissus