Kupidon

67 Capítulo Quarenta e Cinco


Notas iniciais
CAPÍTULO NOVO, GENTE! Como eu atualizei Cross Destination... Tive que vir aqui postar Kupidon. Seria injusto postar um e não postar outro. Vou aproveitar que posso fazer isso hoje, porque não é sempre que consigo postar todas as minhas histórias em um dia só. É triste, mas é a verdade. * Quero agradecer a Gotdrew do Smile Edits pela betagem. * Quero agradecer a cada leitor que comenta nos capítulos. Não sabem como isso é gratificante. Esse é o capítulo que vocês mais queriam ver. A descoberta de Felicity. Vai mostrar como ela está se sentindo. Boa Leitura

Fazia uma semana desde que voltaram para o apartamento. Uma semana que Felicity estava percebendo algo errado em seu corpo, uma semana que ela estava com medo do que poderia significar todos aqueles sintomas. Felicity pensou muito antes de tomar aquela decisão. Ela estava com muito medo. Tinha se controlado, e muito, para ninguém perceber seu nervosismo e seu descontrole emocional. Se controlando para que ninguém percebesse a fome absurda que estava sentindo.

Ela ouvia os comentários de que estava comendo bastante e também ouvia que estava estranha. Seus hormônios estavam insuportáveis, e foi por esse motivo que ela decidiu ir até a farmácia. Mike estava com ela, assim como Gregory, Renee, Tyler, Collin, Philip e Noah. Os outros ficaram com os gêmeos em casa.

Ela ficou mais nervosa ainda quando pediu aqueles palitinhos, nos quais ela pensou que nunca mais pegaria. Quando entrou no carro, seu nervosismo só cresceu, ela sabia que o marido tinha ido visitar Tommy e que não demoraria a chegar, e por isso precisava ser rápida. Respirou fundo e então o carro parou. Ela agradeceu e subiu. Os filhos estavam bem, assistiam TV. Ela avisou que ia tomar um banho e então subiu as escadas.

Sentia seu corpo inteiro tremer. Nervosismo não era a única definição para o que sentia. Passava as mãos uma na outra, andava de um lado para o outro, dentro do quarto. Respirava fundo várias e várias vezes, tentando se acalmar. Nada. Nada a fazia se acalmar. Ela precisava descobrir, mas ao mesmo tempo, sentia um medo gritante. Ela deveria fazer isso com o marido por perto.

Não. Ela precisava descobrir sozinha, para poder se acostumar com a ideia, caso fosse mesmo verdade. Soltou o ar bem alto e entrou no banheiro, onde tirou todas as roupas. Ela realmente iria tomar um banho. Precisava relaxar. Sentou-se na tampa do vaso e abriu as quatro caixinhas.

Quatro. Precisava ter certeza; apesar de que fez um exame de sangue mais cedo, sem que o marido soubesse. Apreensiva, Felicity fez como da última vez e colocou na bancada. Mesmo que estivesse com muito medo, e ansiosa com o resultado, ela foi tomar um banho. Ficou poucos minutos lá dentro, mesmo que o resultado aparecesse em cinco minutos. E conseguiu relaxar pelos 20 minutos de baixo d'água.

Se enrolou na toalha roxa e se aproximou, pegando um dos palitinhos. Positivo. Ela tremeu, e olhou para os outros. Positivo. Era o que estava escrito em cada um dos palitinhos. Ela estava grávida.

Seus olhos lacrimejaram. Não era de felicidade. Era de medo. De angustia. Respirou fundo e correu para sua bolsa, onde colocou os palitinhos. Se assustou quando a porta se abriu. Oliver percebeu, assim que entrou, como a esposa ficou assustada. Ele percebeu também os olhos vermelhos, o que significava que ela estava chorando.

— Meu amor, o que houve? – Ela não conseguiu abrir a boca. – Por que estava chorando, Lis?

— Eu... Eu...– Ela não conseguia pensar em nada. Se sentou na cama devagar e respirou fundo, fechando os olhos.

— Meu amor. – Ela soube que ele estava abaixado à frente dela, mesmo sem ver. – O que aconteceu? – Ela abriu os olhos. Ela não poderia contar ainda, precisava de um tempinho. Antes, o resultado do exame, depois ela contaria.

— Estava pensando na minha mãe. – Mentirosa, seu subconsciente gritou. – Sinto muitas saudades dela. – O que não era mentira, principalmente agora, com essa gravidez, ela sentia falta da mãe. Ela ficaria tão feliz, Felicity pensou. – Ela... me faz tanta falta. Ela não está presenciando tantas coisas na minha vida, e não vai presenciar tantas outras... – Os netos nascerem e crescerem por exemplo, pensou.

— Eu sei. Deve ser difícil para você passar por todas essas coisas sem ter ela do seu lado. Eu sei que mais que tudo, você sentiu falta dela no nosso casamento.

— Sim, ela ficaria extasiada. – Oliver deu um sorriso, e ela não pôde deixar de corresponder. – Minha mãe teria amado.

— Iria sim. Tenho certeza disso.

— Eu..., estava pensando... Vou pedir ao Barry para me levar lá amanhã.

— Para vê-la? – Ele perguntou.

— Você pediu para eu não ir mais sozinha. E você vai estar ocupado... – Respondeu.

— Tudo bem. Contanto que não vá só. Acho que vai te fazer bem.

— Tenho certeza. – Sorriu. – Eu vou estar na Laurel mais cedo, com Caitlin e Helena, falo para o Barry me acompanhar até lá mais tarde.

— Isso quer dizer que vamos ficar o dia todo sem nos ver? – Se levantou para se sentar ao lado da esposa.

— Desculpa. Mas eu preciso de um dia com as meninas, e... Estou com saudades da minha mãe.

— Tudo bem. Eu só vou chegar em casa depois das 17h mesmo.

— Vai ser seu primeiro dia de volta na empresa.

— Sim. Mas eu não vou me esforçar tanto, prometo. – Ela assentiu.

— As gêmeas estarão em uma brinquedoteca, você as pega?

— Onde? Com quem?

— É uma festinha de um dos amiguinhos da escola, eu disse para você.

— Ah, claro. No shopping. – Ela assentiu. – Eu tinha me esquecido, amor. Eu vou tentar buscá-los, mas qualquer coisa, eu peço à Thea.

— Tudo bem. – Ele beijou o pescoço exposto. – Oliver...

— Você já tomou banho...

— Uhum... – Morde o lábio, sentindo a mão dele subir por suas coxas, por dentro da toalha.

— Mas eu preciso de um... – Ela geme ao senti-lo mordiscar seu lóbulo direito. – Me acompanha?

Felicity não respondeu com palavras, apenas o beijou. Oliver se levantou, trazendo-a junto dele, sem que parasse o beijo, e no caminho até o banheiro, ele tirou a toalha roxa do corpo dela.

**--**

Apesar de ficar agoniada de estar com aquele resultado dentro da bolsa, Felicity tentava não pensar sobre ele. Tentava não pensar no que estava acontecendo com ela. Queria muito ficar feliz, mas não conseguia. Estava com muito medo. Medo de perder, medo de não dar certo, medo de que Cooper descubra. São medos demais. Impossíveis de não pensar.

As amigas não tinham percebido nada de estranho, mas Barry sim. Ele viu a agonia nos olhos dela. Caitlin, a que mais conhecia a amiga, não havia percebido nada, e Felicity agradecia aos céus. Ela tinha percebido os olhares de Barry sobre ela, mas fingiu não ver. Ele brincava com Kitty, mas vez ou outra olhava para a amiga loira.

Felicity tinha passado no hospital antes de ir passar o dia com as amigas. Ela precisava ver o resultado. Ela ainda tinha esperanças de que tinha sido um erro. Suas esperanças foram para o ralo ao ver o positivo naquele papel. Ela ficou tão desnorteada, que a médica teve que pegar uma água para ela. Ela sabia que poderia dar aquele mesmo resultado, mas saber era diferente ver. E então ela percebeu que estava totalmente errada. Ela estava grávida.

A médica pediu por um ultrassom. E isso a deixou pior do que estava, tanto que ela não esperou que a médica dissesse que ela podia sair da maca, pegou a bolsa e correu para fora do consultório. Ela sabia que aquilo ficaria em segredo. A médica havia lhe prometido. E ela era de confiança. Havia cuidado dela algumas vezes, quando perdeu aqueles dois bebês. Agora ela estava naquela situação desesperadora. Ela não conseguia parar de pensar no resultado dentro da bolsa, mesmo que se esforçasse.

— Oliver foi para a empresa, mas você não. Por que? – Laurel perguntou, estranhando.

— Eu precisava de um dia com vocês. Estou – fez uma breve pausa antes de retomar sua fala — com a cabeça cheia. – E foi sincera.

— Você ainda está tendo aqueles pesadelos?

— Quase todos os dias. – Suspirou. – É sempre o mesmo.

— Mas você tem conseguido dormir, mesmo com esses pesadelos?

— Quando eu acordo Oliver, na maioria das vezes com os meus gritos, ele me ajuda a voltar a dormir tranquilamente. – Elas assentem. – Mas sabe, eu sinto que... — Hesitou — Que ele está perto de conseguir o que quer.

— Credo, Lis. Bate na madeira, pelo amor. – Todas as amigas bateram na mesa.

— Mas é a verdade. Eu sinto. Como eu senti no dia em que minha mãe morreu, como eu senti no dia em que tentaram matar Oliver... – Franziu o cenho. – Como eu senti, quando ele explodiu o prédio da empresa do meu pai e quase matou três pessoas que eu amo.

— Okay. – Caitlin diz, arrastando a palavra. – Não vamos falar disso.

— Sim. Vamos falar sobre meu próximo sobrinho. – Caitlin revirou os olhos ao ouvir a cunhada. – Eu quero mais sobrinhos, Cait.

— E eu com isso?

— Você não pensa em ter mais filhos?

— Kitty é muito pequena. – Laurel riu.

— Essa não é uma justificativa.

— Mas de que lado você está? – Todas riram.

— Kitty com certeza quer um irmãozinho.

— Ela tem a Natty. – Retruca mais uma vez.

— Cait, agora sem brincadeira... – Helena se pronuncia. – Não pensa em ter mais filhos? – Felicity queria tanto que não tocassem naquele assunto. Por que? Por que tinham que mudar logo para aquele assunto? Filhos. Ela olhou para a barriga por alguns minutos.

— Eu penso sim, não posso negar. – Thea começou a pular no sofá, animada, e as outras riram. – Mas eu quero esperar mais um pouco.

— Aff...

— Thea, eu me casei a pouco tempo, e Kitty só tem dois anos.

— E daí? Ela precisa de crianças ao redor dela, para ela brincar.

— E Lyon precisa de irmãos para cuidar.

— Tenha você outro filho, então. – As outras riram.

— Natty está muito pequena, ainda, mas não é uma má ideia.

— Isso quer dizer que você pensa em ter outro?

— Eu e Barry pensamos sim.

— Tomara que venha menina de novo. – As outras riram. – Assim eu vou poder deixar Barry maluco quando elas forem maiores. – Elas voltam a rir.

— Eu ouvi meu nome. – Elas olham para Barry que puxava Kitty para seu colo. Ela já dormia.

— Thea está dizendo que caso eu fique grávida novamente, tem que vir menina.

— Você por acaso gosta de um malfeito? – Todas riram, inclusive Felicity. – Tinha que ser irmã do Tommy, né?

— Fazer o quê? – Deu de ombros. – Eu não duvido que venha outra garotinha. – Barry revirou os olhos.

— Minha filha ainda nem completou 6 meses, e você já está pensando em uma irmãzinha para ela?

— Sim. Na verdade, Laurel, acho que já é hora de você engravidar. – Laurel começa a tossir exageradamente, envergonhada.

— Você é tão indiscreta. – Felicity a cutucou.

— Mas ela mesma disse que está tentando.

— Thea. – Gritou, repreendendo.

— Vou deixar vocês mulheres conversarem. – Barry não estava afim de falar sobre aquilo com Thea, que era uma fofoqueira.

— Estou me arrependendo por ter contado isso para você.

— Sim, deveria ter contado para nós. – Helena diz, apontando para ela mesma, Caitlin e Felicity.

— Quando foi que decidiu isso?

— Faz pouco tempo. – Fuzilou a ex-cunhada.

— Barry, antes de ir, pode pegar um comprimido na minha bolsa?

— Está sentindo alguma coisa? – Laurel pergunta.

— Dor de cabeça. – Barry abre a tal bolsa, e então Felicity se lembra. – Espera, eu pego. – Eles se olham.

— Já achei. – Ele diz baixo, tentando não demonstrar a surpresa. – É esse, não é? – Ela engoliu em seco.

— Uhum. – Ela pegou o comprimido. – Vou pegar água.

— Eu vou com você.

— Ei Lis, volte logo, que a gente tem coisas para tirar da boca da Laurel. – Ouviu Caitlin. Felicity estava preocupada. Ele tinha visto. Não era para ninguém saber. Tinha se esquecido momentaneamente. Quando era para ela se lembrar, ela não se lembrava. Bufou. Agora Barry sabia. Primeiro que seu marido.

— Desde quando sabe disso? – Ouviu dele.

— Descobri hoje. – Não adiantaria fingir que não sabe do que ele estava falando. – Na verdade, fiz os exames dos palitinhos ontem e peguei o resultado do exame de sangue hoje.

— E contou ao Oliver?

— Não.

— Por que?

— Porque estou tentando me acostumar com isso. – Tomou o remédio e se virou. – Estou assustada. Eu não acreditava que isso era possível. Eu estava tomando os remédios, não esqueci de tomar em nenhum dia.

— Tem certeza? – Ela pensou um pouco.

— Eu tenho.

— Não foi muito convincente. – Ela bufou.

— Eu tive uma alergia a algumas semanas. Mas mesmo assim, eu me cuidei.

— Isso não importa no momento...

— Lis? – Gritaram por ela.

— Vai lá. Conversamos sobre isso depois. – Ela assentiu, mas antes que pudesse se afastar, ele a abraçou. – Estou feliz por você. – Ela o abraçou de volta. — Parabéns.

— Preciso de um favor. – Diz ao se afastar.

— O que quiser.

— Pode me acompanhar até minha mãe mais tarde? – Ele sorriu.

— Com certeza.

**--** **--**

Felicity realmente tinha ficado surpresa com o que ouviu de Laurel. Não que ela não achasse bom, ela ficava feliz, mas achava que era muito cedo, ao contrário do que Thea e Helena achavam. Laurel e Barry queriam outro filho. Eles queriam que Natty, Kitty e o outro bebê tivessem idades próximas.

Thea tinha ficado tão animada, que ela não parava de falar sobre. Helena já queria falar sobre os nomes, e Caitlin e Felicity achavam graça de como Laurel ficava envergonhada de alguns dos comentários da Queen mais nova.

Apesar de achar era cedo, e que eles deveriam esperar mais um pouco, ela concordava que se eles queriam mais um filho, não podiam esperar muito, ou a diferença de idade entre ele e Natty seria um problema. A conversa sobre a gravidez, e filhos passou, e Felicity deu graças a Deus. Ela ainda não queria pensar sobre a sua. Precisava de mais tempo para processar. Esperava que quando conversasse com sua mãe, ela lhe desse uma sensação de que tudo ficaria bem.

— Então finalmente vocês vão se casar? – Thea se pronuncia, animada. – Não acredito. – Levou as mãos para o alto e as amigas riram. – Ouviram minhas preces.

— Que engraçado, Thea. – A Queen riu.

— E quando vai ser?

— Já escolheu o vestido? – Laurel perguntou.

— Eu posso organizar a cerimônia?

— Gente, deixa ela falar. – Felicity pede.

— Obrigada, Lis. – Sorriu. – Eu e Ray decidimos nos casar só no civil.

— O que?

— Não, Lena. Você tem que se casar de véu e grinalda.

— É isso mesmo.

— Ela não quer. – As outras olham para Felicity. – O que? Estou do lado da noiva.

— Eu quero algo simples. Eu e Ray não temos pais, por isso decidimos que nos casaremos apenas no civil.

— Que pena.

— Nós ficamos felizes por você mesmo assim. – Diz depois da irmã. – Todas nós compreendemos você.

— Sim. Se é assim que vocês querem, apoiamos. – Laurel concordou.

— Por favor, me diz que vai ter festa? – Todas riram.

— Diz, Lena, ou a Thea vai ter um troço.

— Sim. Nós vamos fazer uma festa só para nós, os mais chegados.

— Então eu vou organizar.

— Você gostou mesmo, né irmãzinha?

— Eu amei. Me deixa calma, sabe.

— Thea, eu deixo então tudo nas suas mãos. Mas fique sabendo que não quero nenhuma comida muito chique. E por favor, os doces da festa de casamento da Felicity estavam divinos.

— Estavam mesmo. – Felicity concorda.

— Maravilhosos.

— Você devia ter contratado eles para o meu. – Caitlin disse. – Não que os doces do meu casamento não estivessem gostosos, mas...

— Os da Felicity estavam mais. – Caitlin concorda com Laurel.

— Pode deixar, eu vou contratar eles.

— Pede uma porção só para a Felicity.

— Ei. – Elas riram. – Não tem graça.

— Você anda uma lombriguenta.

— Oliver me disse que você anda acordando de madrugada para comer doce.

— E meu filho disse que naqueles dias em que vocês ficaram aqui, ele viu você comendo do bolo de brigadeiro, às 2h da manhã. Perguntou se você estava com verme. – Todas gargalharam. Felicity tinha a expressão indignada no rosto.

— Que garotinho...

— Seu sobrinho. – Thea diz.

— Seu também. – Retrucou.

— Ele pegou o gene Merlyn. – Ninguém pôde retrucar.

**--** **--**

Oliver aproveitou que saiu mais cedo do trabalho, para passar no shopping muito mais cedo, para encontrar com Tommy e Ray. Suas filhas e sobrinhos estavam participando da festinha, e não acabaria tão cedo, por isso decidiu ficar por ali aquelas horas. Não tinha mesmo o que fazer, se fosse para casa. Ele não gostava de ficar sem a esposa. Parecia que o dia não passava. Era a mesma reclamação quando estava com ela, mas ao contrário, o tempo passava rápido demais.

Ele pôde ouvir a gargalhada de April assim que chegou na porta da brinquedoteca. Em seguida, ele ouviu um Killian gritar um “Ei, não é justo”, e em seguida Lyon concordar. Com tantas crianças na brinquedoteca, e mesmo assim ele conseguia distinguir as vozes dos seus.

— Ei. Os pais dessa aniversariante devem estar ficando loucos. – Oliver riu ao ouvir Tommy.

— Isso se já não ficaram. – Ouviu Ray.

— Ouvi as vozes das nossas crianças.

— Você conseguiu distinguir? – A resposta foi um “Jogo sujo, Hanna”, vindo de Lyon.

— Ouviram?

— Se eu ouvi? Pareceu que meu filho estava usando um microfone. – Os amigos riram.

— Bom, pelo menos estão se divertindo.

— Ei, Mon–el. – Tommy chama. – O que faz aqui a essa hora?

— Tommy é sempre discreto, né? – Oliver riu.

— Sempre. – Debochou.

— Eu podia perguntar o mesmo, mas não o farei. Eu vim comprar uma torta que Kara gosta.

— Oh, sim. Fiquei sabendo que ela está grávida.

— Está sim.

— Eu não sabia disso. – Oliver diz.

— Nem eu. Quanto tempo?

— Seis meses. É uma menina.

— Está ferrado. – Oliver e Ray balançaram a cabeça. – Isso quer dizer que você vai ter duas meninas.

— Por favor, não quero pensar nisso. – Os outros riram.

— Se eu fosse você pensaria. Oliver já está sofrendo desde já.

— Não estou nada. Minhas filhas tem sete anos.

— Isso mesmo. Falta pouco para elas chegarem aos 13. – Oliver o fuzilou e os outros riram novamente.

— E como está a filha do Barry?

— Está linda.

— E uma pestinha. – Os amigos o olham. – O que? É verdade. A menina tem cinco meses e meio, e já consegue ficar de pé. Tem que se segurar em algo, mas já fica de pé.

— Uau. Meu Deus... – Riu. – Coitado dos pais dela.

— Eu disse para Barry que ele sofreria.

— Tommy gosta de um malfeito, percebeu, Mon-el?

— Quem não, Ray?

— Ele pega no pé do Barry porque ele tem duas filhas. – Oliver revirou os olhos. – Eu quero muito que você tenha uma filha para eu jogar na sua cara que daqui uns anos vai perder ela para um namoradinho. – Os outros riram, enquanto Tommy o fuzilava.

— Quando a Cait ficar grávida, vai vir menino.

— Pois eu espero que venha menina. – Ray concordou.

— Eu vou rezar muito para que venha uma menina.

— Vocês são terríveis. – Mon-el diz, rindo. – Onde é que estão suas mulheres?

— Todas juntas, na casa do Barry.

— Para o desespero dele.

— Deixa a Cait te ouvir.

— Vou contar para ela. – Os outros riram ao ouvir Oliver, com exceção de Tommy.

— Você vai me dedurar? Seu melhor amigo? – Barry e Mon-el riram.

— Ah, não vem com essa não, seu chantagista. – E eles voltam a rir.

— Eu vou indo. Tenho que levar essa torta para a minha mulher.

— É melhor mesmo você ir logo. Desejo de grávida não é brincadeira. – E dessa vez os outros concordaram com Tommy.

**--** **--**

— Como a Felicity está? – Eles estavam sentados na praça de alimentação.

— Está bem, mas ainda tem tido aqueles pesadelos infernais.

— Eu fico com pena. – Ray diz. – Ela está passando por tantas coisas, e tudo por culpa daquele desgraçado.

— Eu fico a cada dia com mais ódio daquele cara.

— Ele quase me matou. Eu fico me perguntando..., ele queria acertar nós três, ou só você? – Oliver deu de ombros.

— Felicity acha que ele queria acertar nós três, em especial a mim.

— Claro. Na mente doentia do cara, você a tirou dele. – Tommy e Oliver assentiram. – É cada retardado, desequilibrado que tem no mundo...

— Esse é pior. – Tommy bufou. – Felicity surtou, né? Fiquei sabendo que ela desabafou pra caramba.

— E chorou também. – Ray completa. – Na verdade, eu não achei que foi certo todo mundo ficar pressionando-a, e dando sermão. Ela estava em um momento de fraqueza.

— É. E eu ainda gritei com ela.

— Você estava preocupado, foi compreensível. Falei com a Lena, e eu disse que ela errou em ter dado sermão em Felicity. A deixou mais machucada do que já estava.

— Ninguém sabe o que é, estar sendo perseguida por um psicopata.

— Felicity compreendeu todos nós, mas ficou chateada. – Suspirou.

— Mas deu tudo certo. Elas se perdoaram, e tudo voltou a ficar bem.

— Espero que isso acabe logo. – Ray diz. – E eu digo isso por todos nós. Esse cara pode atingir qualquer um de nós. Até mesmo meu filho.

— Eu e Felicity não queríamos envolver vocês...

— Oliver, eu sei disso, cara. Não estou te culpando, ou nada parecido. Somos amigos. – Tommy concordou.

— Meu filho poderia ter se machucado, naquele dia em que Felicity levou um tiro, assim como Laurel, Caitlin, Kitty, as gêmeas..., por acaso alguém culpou a minha irmã? – Oliver balançou a cabeça. – Estamos juntos nessa. E eu sei que o Barry diria o mesmo.

— Com certeza. – Respirou fundo. – Então, mudando um pouco de assunto, eu vou me casar. – Os amigos franziram o cenho. – Marcamos a data.

— Finalmente.

— Que dia?

— Em duas semanas. Mas vai ser no cartório.

— Não vai ser tradicional?

— Não, Tommy. Eu não tenho pais, Helena também não, por isso decidimos assim.

— Cara, você e a Lena estando Feliz... – Tommy diz sorrindo.

— Nós ficamos felizes por vocês. — Oliver completa.

— Obrigado.

— Thea deve estar surtando por não poder organizar uma cerimônia.

— Ah, nós vamos fazer uma festa lá em casa. Só para nós mesmo, entende? – Eles assentem.

— Isso vai deixar nossa irmã mais feliz. – Tommy concordou.

— E quando é que você e a Helena vão ficar grávidos? – Ray começou a tossir exageradamente, e Oliver balançou a cabeça.

— Tommy, quando é que você vai aprender a ser mais discreto? – O outro apenas deu de ombros.

**--** **--**

— Oi, Mãe. – Felicity deu um sorriso triste enquanto olhava a lápide. Respirou fundo e colocou as flores preferidas dela em frente a lápide. – Acabei de perceber que é o seu aniversário. É uma droga. – Reprimiu o choro que vinha. – Ainda assim, eu comprei uma coisa para você. Três coisas, para falar a verdade. Vou lhe poupar os detalhes...

Caminhou até um banco de granito que tinha do lado direito da lápide.

— Mas vai acontecer. – Suspirou e ficou olhando para a lápide por alguns minutos, em silêncio. – Estou grávida. – Ela sorriu e fechou os olhos, sentindo a brisa tocar seu rosto e cabelo. Mordeu o lábio e abriu os olhos, pouco tempo depois. – Eu costumava imaginar nós duas tendo essa conversa. Eu ia até você para dizer que seria avó e você estaria...

Parou de falar, seus olhos lacrimejaram.

— Bem, viva. — Abaixou a cabeça, mas logo seus olhos voltaram para a lápide. – Eu não imaginei estar grávida de novo... Eu até pensei: Isso não vai dar certo. Eu fiquei grávida duas vezes e abortei em ambas, por que daria certo dessa vez? E então eu ouvi o coração deles... – Deu um meio sorriso. – Pareciam tão perfeitos. Eu quase enlouqueci quando soube que seriam três. – Riu pelo nariz. – Mas são meus. Minha responsabilidade. Tenho que fazer isso direito.

Passou as mãos nos cabelos.

— Mas eu não faço a menor ideia do que fazer. Eu tenho medo de que... De que eu não consiga ter eles. Eu tenho medo de que com qualquer movimento meu... Eu os machuque de alguma forma. – Respirou fundo. – E é por isso que eu ainda não contei para o Oliver. Eu só descobri a pouco... E estou com medo. – Lágrimas começaram a descer pelo rosto alvo. – Sabe o que eu queria? Eu queria me sentar na bancada da cozinha enquanto você queimava nosso jantar e fazer um milhão de perguntas. Ouvir seus conselhos. – Soluçou. – Eu queria que você pudesse conhecê-los. – Soluçou mais uma vez. – Deus. Eu sinto saudades. – Limpou as lágrimas com dois dedos da mão esquerda. Barry colocou a mão direita em seu ombro e ela o olhou.

— Vamos? Está ficando tarde e eu prometi ao Oliver que a deixaria em casa antes das 20h. – Ela respirou fundo e então assentiu. – Quando vai contar a ele?

— Eu... – Se levantou. – Eu não sei como dizer...

— Lis, você não pode esconder mais uma vez... – Ela o interrompeu.

— Não. Eu não quero isso. – Ela balançou a cabeça enquanto dizia. – Estou com medo.

— Medo de que?

— Não sei se estou pronta, Bar. – Sussurrou.

— Lis... – Pegou nos braços dela. – Você já é mãe. – Sorriu. – Sei que as gêmeas já tinham cinco anos quando as conheceu, mas... Você soube cuidar delas, soube o que fazer quando elas precisaram. Vai ser fácil para você cuidar desses bebês. Você não tem que ficar com medo. Não têm que fazer isso sozinha. Conte ao Oliver.

— O problema não é esse. Eu tenho medo de que não dê certo novamente.

— Felicity...

— Você sabe que eu perdi duas vezes. Eu não queria filhos por isso, porque eu sei que não daria certo, e aí isso acontece.

— É porque era para ser.

— Como das outras vezes? – Barry suspirou. – Fiquei grávida duas vezes, e na primeira eu nem mesmo sabia disso..., e perdi. Nas duas vezes. Você sabe como eu me senti?

— Eu entendo que deve ser muito ruim. Compreendo seu medo, de verdade, mas você precisa ter fé.

— Eu não sei mais como é ter isso, se só tem acontecido coisa ruim. – Barry balançou a cabeça. Ele entendia aquele sentimento de medo vindo da amiga. – Uma gravidez, Barry, nessas circunstâncias...

— Ei. Ele está sentindo tudo que está sentindo. Ele te ouve. – Ela respirou fundo. Sabia que ele tinha razão. – Não fique pensando nessas coisas.

— Eu não consigo.

— Tente pensar de forma diferente.

— Eu – fez uma pausa antes de continuar — tenho uma mistura de sentimentos. Sinto medo, felicidade, agonia, desespero. Em especial, o desespero. Desespero de amar e me apegar a esse bebê e o perder.

— Coloque tudo o que está sentindo para fora. Conte ao Oliver, e deixe ele te ajudar. – Ela assentiu. – Vai te fazer bem, vai ver.

— Eu irei fazê-lo. Hoje. – Ela o abraçou. – Obrigada, Bar.

— Sempre que precisar. – Sussurrou perto de seu ouvido.

Notas finais
Momento emocionante esses da Felicity, não? Ela não quer, mas quer. Ela tem medo. Alguém pode culpá-la por isso? Espero que comentem. Quero saber o que acharam desse capítulo Não sei quando sai o próximo. Mas ele sai, viu?! Prometo. Até Kissus