Kupidon

76 Capítulo Cinquenta e Quatro


Notas iniciais
Primeira parte dos capítulos em que Felicity está com Cooper! Se preparem, porque vai ser de abalar as estruturas. Esse vai ser mais... Leve. Boa Leitura!!

Felicity abriu os olhos, assustada. Ela se lembrava de tudo o que tinha acontecido. Sua respiração ficou irregular. Olhou ao redor, com medo de se mexer, mas respirando fundo, obrigou o corpo a se mover. Se assustou com o que viu. O quarto era idêntico ao quarto em que ela divide com Oliver. A cama, a cor das paredes, o closet. Se levantando, ainda apavorada, se aproximou da janela e ao abri-la, viu que não era verdadeira. Passou ambas as mãos nos cabelos, desesperada. Se aproximou de uma porta e a abriu, vendo o banheiro. Como ele sabia? Até o banheiro era idêntico ao do apartamento. Ela não entendia como ele sabia. Okay, ele esteve no apartamento, mas será que ele teve tempo de decorar como estava a decoração de tudo? Estava entrando em desespero, não sabia nem mesmo quantos dias havia se passado, e então ficou ainda mais temerosa ao ouvir passos, correu para a cama e se deitou, apertando as cobertas. A porta se abriu e viu a pessoa que lhe dava arrepios.

Olá, meu amor. – O sorriso dele lhe deu medo. – Que bom que está acordada. Você gostou do seu quarto?

Você é louco. – Ele continuou lhe sorrindo. – Cadê a minha irmã?

Eu achei que gostaria de ter algumas coisas que lhe traz lembranças.

Cadê.a.minha.irmã? – Rosnou pausadamente.

Ela está bem. Não tem com o que se preocupar. – Felicity se sentou, irritada, apesar do medo.

Eu exijo ver minha irmã.

Querida, você não está... – Ela a interrompeu.

Quero ver Thea agora, Cooper. – Gritou. – Ela não tem nada a ver com isso. Sua obsessão doentia é por mim, deixe ela ir.

Você a verá. – Se aproximou da cama, colocando a mão no queixo de Felicity que estremeceu. – Mas ela ficará aqui, conosco, você gostando ou não.

Se afastou saindo do quarto. Felicity olhou ao redor, tentando encontrar algo que pudesse lhe ajudar a se defender, mas nada. Não tinha nada que pudesse machuca-lo a não ser um abajur que ela podia apostar, não era de verdade. Olhou para a porta ao ouvi-la se abrir, Felicity se levantou ao ver a irmã que correu até ela, abraçando-a.

Thea. – Sussurrou, aliviada por vê-la bem. – Você está bem.

Eu não sei onde estamos. – Sussurra de volta.

Você vai continuar bem, eu prometo.

Nós vamos. – Corrigiu. – Ele te machucou?

Acordei agora, então... – Balançou a cabeça. – Onde estava?

No quarto ao lado. Não sabe como eu fiquei desesperada quando não te vi. – Olhou redor e se assustou.

Eu estou bem.

Esse quarto... – Felicity engoliu em seco. – Ele é um doente, Felicity. Olha esse quarto..., meu Deus. – Começou a tremer.

Você vai ficar bem. – Repetiu, tentando acalma-la. – Eu vou fazer o que for para te deixar segura.

Não. Não só eu. – Felicity pegou nas mãos da irmã.

Eu não posso deixar você pagar pelos meus erros.

Você não fez nada de errado. A culpa não é sua.

Você está aqui. E por pouco, as gêmeas e Lyon também estariam. – Diz se lembrando do momento em que foram interceptadas. – Confia em mim, sei o que fazer para deixar você longe dele. Para fazê-lo deixar você ir. – Thea ia retrucar, mas a porta sendo aberta a interrompeu.

E então? Estão mais calmas? – Elas o olharam. – Ótimo. O almoço está pronto e hoje..., deixarei que comam aqui.

Eu não quero nada de você. – Thea rosnou e Felicity a puxou para mais perto.

Ver você desse jeito me faz lembrar do quanto vocês duas são parecidas. – Balançou a cabeça. – Não vai querer me peitar, Thea. – Disse o nome maliciosamente.

Não faça nada, Thea. – A irmã a olhou.

Ouça sua irmã. – Se aproximou das duas. – Tão parecidas, mas ao mesmo tempo tão diferentes..., apesar de eu gostar de você morena... – Pegou no cabelo de Felicity. – Amei sua mudança para o loiro.

Não me toque. – Felicity se afastou com a irmã.

Até quando você acha que isso vai durar, querida? – Ela estremeceu ao se lembrar da última vez que esteve nos braços nojentos dele. – Bom, não quero atrapalhar a refeição das irmãs. Aproveitem. – Saiu com um sorriso no rosto.

Como vamos sair daqui? – Elas se olharam, temerosas.

**-- **--**

Oliver tinha chego dois dias depois. A sorte era que estava em National City. Quando Mike recebeu a ligação de que Felicity tinha sido levada, ficou transtornado, mas Oliver havia ficado muito mais. Estava desesperado. Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Suas filhas estavam assustadas, seu sobrinho mais ainda, e ainda tinha sua esposa e irmã nas mãos daquele desgraçado. Seus amigos todos já estavam sabendo, e tinham comunicado a Quentin, que já estava procurando o maldito. Haviam descoberto que ele tinha fugido em meio a uma rebelião, e que por isso estava nas ruas; algo que Oliver e Tommy ainda não sabiam. Quando chegou em casa, as gêmeas não estavam, seus amigos acharam melhor ficarem com elas. E Oliver agradeceu mentalmente por isso. Estava surtando, e não sabia se conseguiria segurar aquela revolta, se estivesse com as filhas. Assim que Cooper e Noah fugiram com as irmãs Merlyn, Luke e outros cinco conseguem seguir um dos dois carros prata. Por pura sorte, haviam conseguido jogar o carro no qual Noah estava, para fora da pista. O carro capotou, mas o maldito sobreviveu. Os seguranças que estavam seguindo o carro apontaram a arma para o mesmo em seguida, e dois deles tirou Noah de lá de dentro, desacordado. Agora Oliver ouvia tudo o que tinha acontecido, revoltado, destroçado; além de Tommy e Roy, mais nenhum dos seus amigos estavam ali.

Não é possível que isso esteja acontecendo. – Socou a mesa do escritório que tinha no apartamento. Sua voz havia saído tão alta, que todos se perguntavam se o prédio inteiro não havia ouvido.

Eu..., eu sinto muito. – Oliver olhou para Collin.

Você não tem culpa.

Eu deveria saber que Noah estava armando alguma coisa. Quando ele pediu para ir junto, eu achei que não seria um problema porque eu estaria lá com Tyler e Trevor, além dos outros que estariam espalhados pelo shopping. – Fechou as mãos em punhos. – Mas o desgraçado nos traiu, e quase matou o Tyler. Trevor está com uma concussão. – Balançou a cabeça. — Eu deveria ter agido de alguma forma...

Se você tivesse agido, o que seria das minhas filhas e do meu sobrinho?

Oliver está certo, Collin. – Tommy se pronuncia. – Foi bom você não agir sozinho, seria morto. E meu filho e minhas sobrinhas estariam em perigo.

Nós já devíamos saber. – Todos os presentes olham para Dimitri. – Já aconteceu algo assim antes.

Como assim? Do que está falando? – Oliver pergunta, tão confuso quanto os outros.

Há alguns anos, nós tivemos um caso parecido. Uma mulher que estava sendo perseguida. O marido dela, era parte da nossa equipe, ele era nosso líder. – Suspirou. – Um dia ele apareceu na agência pedindo que cuidemos da segurança da mulher e dos filhos gêmeos dele.

O que aconteceu?

Nos traíram. Levaram-na, e ficamos meses sem saber dela. — Jonathan quem respondeu.

Meses?

Três meses e dez dias, para ser mais exato. – Quem respondeu foi Collin. – Um dos traidores se arrependeu, e nos levou até onde a mulher do nosso chefe estava, e a encontramos inconsciente, e muito machucada.

E por isso Dimitri disse que essa não é a primeira vez que somos traídos. – Ethan completa.

Deveríamos ter ficado mais atentos. Principalmente por não ser a primeira vez que entramos em um caso como esse. — Os outros concordam com Logan.

Como a mulher ficou? – Oliver pergunta, pensando em sua esposa. Os seguranças presentes se olham, tensos. Nem Oliver, nem Roy e muito menos Tommy gostou de ver os seguranças se olharem daquela forma.

Digam de uma vez. – Tommy ordena.

Ela ficou grávida..., do sequestrador. – Alan responde, fazendo Oliver sentir o estômago revirar, assim como Roy e Tommy.

Preciso achar a minha mulher. – O Queen se pronuncia de forma desesperada. — Ela está grávida, e ele..., ele pode matar meus filhos.

Eu não vou deixar que isso aconteça com meus sobrinhos e muito menos que aquele maldito tente engravidar a minha irmã. – O Merlyn rosnou. – Não vou.

Vamos fazer de tudo para encontrá-la.

O mais depressa possível. – Nike completa, depois de Adam.

Como Tyler está?

Está com ódio.

Mas está bem. – Andrew responde segundos depois de Liam.

Gregory está com muito mais ódio. – Oliver se virou para a porta, encontrando Mike. – E ele não é o único.

Onde está o filho da puta? – A pergunta do Queen sai em um rosnado.

Está preso na agência, não vai sair tão cedo. Ele está sendo muito bem vigiado. – Oliver e Tommy assentiram. – Eu deveria ter ficado.

Felicity insistiu para que você e Gregory fossem comigo, Mike, não se culpe.

A sorte foi que eu percebi que tinha algo errado.

Fez muito bem em seguir o carro Liam.

Na verdade, Luke quem agiu primeiro que eu. – Diz para Mike.

Precisamos achar minhas irmãs. – Mike suspirou.

Então, eu estava tentando rastrear as duas, mas..., o rastreador que estava no celular delas foi destruído.

Maldito. Ele pensou em tudo.

Noah sabia dos rastreadores, já era de se esperar que fossem destruídos. – Trevor diz, depois de Brandon.

Eu não me conformo com o que aconteceu. Aquele louco pode fazer qualquer coisa com as duas, e nós não temos nada. – Collin diz, revoltado. – Não temos nada que possa nos levar até ele.

Tem certeza de que mais nenhum segurança está do lado daquele maldito do Sheldon? – Roy pergunta.

Certeza absoluta. Estão todos revoltados com o que aconteceu. Estão procurando pelo Sheldon, mas nada foi encontrado, é como se ele tivesse desaparecido. – Dylan responde.

Eu ainda não entendo como é que soltaram aquele desgraçado.

Não soltaram, ele fugiu. – Oliver e Tommy olharam para Mike indignados.

Como é? Fugiu? – Os outros assentiram à pergunta revoltada de Tommy, Oliver e Roy.

Como é que o maldito fugiu? – Oliver rosnou.

Uma rebelião no presídio em que estava. – Philip explica.

Isso mesmo. Ele conseguiu fugir no mesmo dia em que sequestrou as mulheres. — Mike completa.

Como Malcom está? – Diggle, que estava em silêncio até pouco tempo, pergunta, com os braços cruzados, encostado em uma das paredes.

Meu pai está revoltado assim como todos nós. Quer encontrar Thea e Felicity de qualquer jeito, mas ele sabe que vai ser difícil, ainda mais agora que os rastreadores não estão mais funcionando.

Vocês têm alguma ideia para achar as duas?

Sem os rastreadores será difícil, mas..., tenho uma ideia de como encontrar o Sheldon, Diggle. Mas eu vou precisar de alguém que seja um hacker de primeira.

Felicity. – Oliver diz, lembrando-se da esposa. Sentia tantas saudades, e estava com tanto medo do que poderia acontecer a ela, aos seus filhos e claro, à sua irmãzinha. — Ela sabia disso como ninguém.

Precisamos de alguém tão bom quanto ela.

O Palmer. Ele meche com essas coisas tecnológicas, não?

Mas ele não é hacker, Roy. – A porta foi aberta assim que Oliver terminou de falar, e então todos olharam para ela.

Para a sorte de todos nós, eu conheço alguém que sabe encontrar pessoas. E ele é tão bom quanto Felicity.

Você deveria estar de repouso. Prometeu a médica de que não faria esforço...

Quando Mike revelou sobre o sequestro para os familiares, tanto Caitlin quanto Laurel passaram mal. Ambas desmaiaram, na frente de todos que estavam presentes, deixando todos, inclusive os agentes, preocupados. Foram atendidas pela mesma médica, foram medicadas, e descobriram que havia sido a pressão. Prometeram não fazer esforço, não passar por nervoso e ficarem de repouso, e só assim a médica deu alta. Laurel teve duas notícias naquele dia, uma ruim e uma boa; o sequestro da melhor amiga e a gravidez que ela tanto esperava. Ouvir da médica que ela estava grávida não foi como ela esperou. Ela ficou feliz, mas não pode se sentir emocionada, ou seu marido, por estarem preocupados demais com Felicity e Thea. Caitlin se sentia da mesma forma, ela havia descoberto uma coisa maravilhosa. Algo surpreendente e assustador sobre a gravidez, mas muito emocionante também, e por conta da situação angustiante, ela não pode sentir essa emoção junto do marido.

Eu estou bem, não se preocupe. — O marido suspirou.

Como Laurel está?

Está bem também. Barry está com ela, e eu estou verificando sua pressão a cada quinze minutos. — Suspirou. — Mas eu estou aqui por outro motivo.

Você disse que conhecia alguém que podia nos ajudar... — Roy diz, se lembrando da frase que a amiga disse a pouco.

Sim, eu tenho.

De quem está falando, Cait? – O marido pergunta, tão curioso quanto os outros que estavam presentes.

Um amigo do tempo da faculdade. Cisco Ramon.

**--** **--**

Felicity e Thea estavam na cama, pensando em um modo para saírem daquele lugar. A Queen sabia que não tinha como, mas a irmã não queria desistir. Ela já passou por aquilo, ela sabia como eram as coisas, e não havia, de jeito nenhum, um modo para saírem daquele lugar. Duvidava que fossem encontradas rapidamente, isso se conseguissem encontrar o cativeiro. Era horrível pensar daquela forma, mas era a verdade. Ela passou semanas com Cooper, na primeira vez que ele a sequestrou. Quantos meses passaria com ele? Olhou para a barriga de quatro meses. Quatro meses. Seus bebês podiam estar em perigo. Tremeu de medo. Não. Não podia acontecer nada com eles. Já os amava. Estava feliz. Em cinco meses ela os teria em seus braços. Será que ainda conseguiria vê-los em seus braços? Será que Cooper faria algo a eles? Ele odiava Oliver, ela tinha certeza disso. Será que odiaria seus bebês também? Os passos do lado de fora do quarto, chamou a atenção das irmãs.

É ele. – Felicity tinha certeza disso. A porta foi aberta em seguida.

Comeram bem? – Olhou para a bandeja. – Muito bom. Agora você vai para o seu quarto, que eu e Felicity... – A olhou maliciosamente. – Temos muito que conversar.

De jeito nenhum. – Cooper a olhou, raivosamente. Felicity se levantou, temerosa pela irmã.

Cooper. – Chamou sua atenção. – Você diz que me ama, certo?

É claro que eu amo, querida. – Afirma com a voz carinhosa.

Então, por favor..., eu te imploro..., deixe minha irmã ir embora.

Não. – Thea grita.

Ela não serve para você. Não será garantia de nada. – Diz, ignorando a irmã.

Felicity, não. – Pegou no braço da irmã.

Você a deixa em paz, a devolve para a família dela..., e eu não resisto em ficar aqui. Eu juro. Não vou tentar fugir desse lugar.

Não sei não. Ela pode ser um trunfo. Conheço você muito bem...

E é por isso mesmo que você pode confiar em mim. – O interrompeu. – Eu não sou de mentir. E o que eu prometo..., eu cumpro. Você sabe. Pela minha irmã, pela minha família... – Engoliu em seco. – Eu fico aqui com você, sem resistência, sem tentar fugir.

Para com isso, Felicity. Eu não aceito isso.

Cala a boca, garota. Conversa de gente grande aqui. – Rosnou. Ficou em silêncio por um tempo, olhando nos belos olhos verdes, antes de sorrir de lado. — Eu vou confiar na sua palavra... – Felicity sentiu um alívio. – Mas com uma condição.

Condição?

Sim. Eu devolvo sua irmã para a família dela, deixo eles em paz para sempre..., confio na sua palavra de que não tentará fugir... – Se aproximou com um sorriso, e Felicity teve que ser muito forte para não se afastar. – Mas vai ter que me dar um beijo, querida.

Não mesmo. – Thea grita. – Ela não vai beijar você. Não tem trato algum com você, seu maldito asqueroso.

Não. – Entra na frente da irmã, segurando a mão de Cooper. – Eu beijo. Mas eu vou querer uma prova de que ela está com nosso pai. – Ele sorriu, pegando no rosto dela com uma das mãos.

Me beije.

Felicity respirou fundo, fechou os olhos, e mesmo tendo nojo, ela o fez. Cooper a puxou pela cintura, e introduziu a língua dentro da boca dela. Ela queria se afastar, mas não o fez. Queria mordê-lo, mas também não o fez. Tudo por sua irmãzinha. Ela poderia estar se arriscando, e provavelmente cairia em desespero, mas não se arrependeria por deixar sua irmã mais nova longe de tudo aquilo, longe da pessoa que poderia lhe causar tanto mal. Por isso não se afastou como desejava. Correspondeu ao beijo, mesmo querendo vomitar. Ela tinha a certeza de que estava sendo observada por Thea. Seu corpo tremia, mas sentiu um alívio enorme quando deixou de ter aqueles lábios encostados aos seus. Ele quem se afastou quando o ar faltou. E sua em sua mente ecoou um “finalmente”.

Sua boca continua gostosa. – Thea fez uma careta. – Ela vai para casa hoje mesmo. – Felicity fechou os olhos, aliviada. – Vou preparar tudo. – Ele saiu, e Felicity se virou para a irmã.

Por que fez isso? – Gritou quando ele saiu. – Você não tem que se sacrificar por mim, Felicity!

Mas eu fiz. – Gritou de volta. – Eu te amo. Você é a minha irmãzinha. Como posso deixar você ficar aqui, quando pode se machucar? Você não vai segurar a língua, e ele não vai segurar a mão. – Colocou as mãos nos braços dela. – Por você..., eu faço qualquer coisa. – Thea a abraçou, chorosa.

Não quero que nada aconteça com você.

Eu ficarei bem.

E os bebês?

Farei com que fiquem bem. – Promete, mesmo que não confiasse tanto em suas palavras.

E eu nunca mais vou te ver? – Felicity a afastou.

Oliver não vai desistir de vir me buscar.

Mas, Lis...

Eu prometi que não fugiria. Mas eu não prometi que não iria com Oliver, caso ele me encontre. – Ela sorriu fraco. – Confio nele, e nos meus seguranças.

Pensar nessa palavra me faz lembrar do maldito.

Me pergunto o que aconteceu com ele.

Espero que ele morra. – Diz com ódio.

A porta se abre novamente — de forma brusca —, o que as faz assustar, dando um pulo para trás, por não terem ouvido os passos.

Pronta para ir, mini Merlyn? – Thea abraça a irmã novamente.

Vou sentir sua falta.

Eu também, irmãzinha. – Beijou sua bochecha. – Não faça nenhuma loucura, me prometa.

Prometo.

Prometa que ninguém tocará nela. – Seus olhos se encontraram com o de Cooper.

Ela chegará viva, e intocável, na mansão Merlyn. – Estendeu a mão. – Venha logo. – Thea olhou para a irmã, uma última vez, mas antes que ela se afastasse, Felicity a puxou para um último abraço.

Diga ao Oliver que eu o amo. – Sussurrou. Thea assente, e então segue Cooper, quando ele a puxa para fora do quarto. – Te amo, irmãzinha.

**--** **--**

Quando eles imaginavam que tinham encontrado uma solução, eles descobrem que não era bem assim. Achar Felicity, mesmo com o homem de cabelos e olhos negros, seria mais difícil do que imaginavam. Ele não conseguia achar nenhuma pista sobre Cooper, nenhuma informação que pudesse levá-los até onde ele estava. Cisco Ramon era bom, muito bom, eles tinham que admitir. Ele tinha conseguido descobrir em menos de dez minutos, tudo que eles não haviam encontrado sobre Noah. O maldito tinha contas no exterior, havia se encontrado com Cooper várias vezes, durante aqueles anos em que esteve "protegendo" Felicity.

Os seguranças ficaram possessos quando descobriram que ele estava por trás do pacote que chegou até Felicity e Oliver na lua-de-mel deles. Que ele havia deixado a caixa com o rato morto, no quarto, no dia do casamento do casal. Eles já estavam desconfiados, mas ficar sabendo, ter provas de que realmente havia sido ele, era completamente diferente. A culpa de Thea e Roy quase serem mortos, também tinha sido dele, pelo que o Ramon havia descoberto.

Oliver se perguntava como ele tinha sido tão burro a ponto de deixar Noah, o homem que ele estava desconfiado, com sua esposa. Ele não culpava nenhum dos outros seguranças, muito menos Collin. Trevor estava protegendo as gêmeas e Lyon, e por pouco Cooper não usa suas filhas como moeda de troca também. A sorte delas, era que já estavam dentro do carro quando tudo aconteceu. Ficaram assustadas. Na verdade, elas e Lyon ainda estavam assustados. Mal conseguiam dormir, temerosos, ainda se lembrando do que havia acontecido. Eles estavam a três dias sem nenhuma informação, não conseguiam compreender o que tinha acontecido, e estavam tendo pesadelos desde o maldito sequestro.

Olha, ele fez vocês de trouxa por tanto tempo, que eu me pergunto como é que não conseguiram provas contra ele. – Cisco se fez ouvir. – O cara pegava folgas, e as usava para se encontrar com o psicopata.

Maldito. – Tyler rosnou.

Você não deveria estar no hospital?

Estou bem, senhor Queen.

Você não consegue hackear as redes sociais do Sheldon? – Tommy pergunta, se voltando para Cisco.

Eu tentei, mas parece que ele virou um fantasma. Não encontro nada sobre o cara.

Ele deve ter alguém muito bom, ajudando-o a se esconder.

Mike, ainda não conseguiu fazer Noah falar?

Não. Mas não sou eu que está interrogando-o, senhor Queen.

Quem? – Barry pergunta.

Gregory e Dimitri.

Oh. Ele realmente não teve muita sorte, não é? – Barry comenta, adorando o que acabou de ouvir. E ele não era o único.

Espero que esteja sofrendo muito durante esses interrogatórios.

Eu espero que ele vá para o inferno. – Tommy diz depois de Ray.

Antes, ele precisa falar. – Oliver diz em um rosnado.

Eu queria poder ajudar mais.

Você fez muito, Cisco. Obrigado.

Mike. – Eles olham para trás, encontrando Dylan. – Eu não acho que o que Gregory e Dimitri estão fazendo vai fazer efeito. O cara ri enquanto apanha, o maldito não está com medo. Ou se preocupando com o que está acontecendo com ele.

Esse é mais louco do que eu imaginava. – Cisco comenta.

Me deixa falar com ele.

Não mesmo, Senhor Queen. Isso seria perigoso.

Ele é o culpado da minha mulher e dos meus filhos estarem com o desgraçado do Sheldon.

Eu sei, mas...

Mike, e se chamássemos alguém pior que Gregory? – A esposa o interrompe, fazendo todos olharem para ela de forma curiosa.

Do que está falando, Heyley?

Estou falando do nosso antigo chefe.

Os amigos, incluindo o marido, se surpreendem com a ideia da mulher, e os outros, que não sabiam de quem ela falava, ficam curiosos. Quem era o homem que tinha a fama de ser pior que Gregory? Eles nunca imaginaram ouvir o que ouviram, e esse era mais um motivo para ficarem curiosos a respeito desse homem, além de ficarem ansiosos. Se tinha alguém que podia fazer o traidor falar, então eles se sentiam mais confiantes.

**--** **--**

Hora de dormir.

Assim que entrou no quarto anunciando que era hora das filhas dormirem, encontrou os olhos claros tão idênticos aos seus lhe olharem de forma triste. Elas estavam sentadas na cama, segurando uma foto da mãe. Ele se conteu para não desabar na frente de ambas, e se aproximou. Ele precisava ser forte por elas. Precisava estar inteiro para poder apoiar as duas garotinhas. Não estava sendo fácil. Dias haviam se passado e ambas estavam desesperadas, com saudades, com medo. E ele podia entender esses sentimentos, afinal, ele sentia o mesmo, principalmente quando ele não conseguia ter uma notícia boa em relação a situação em que estava passando.

Não encontrou a mamãe.

Sinto muito. — Sussurrou ao ouvir as palavras sofridas de April. — Eu estou tentando.

Sabemos, papai. — Amily diz. — Mas estamos com tantas saudades.

Eu também estou, e eu tenho certeza de que ela se sente da mesma forma. — Além do medo angustiante que deve estar sentindo e dos horrores que deve estar passando, ele pensou.

Papai, Lyon disse que a mamãe parecia conhecer aquele homem. — Ele suspirou.

Seu sobrinho era outro que estava sofrendo com aquela situação. Ele viu tudo, ao contrário das filhas, que não viram metade do que ele viu. Ele viu a tia se desesperar, ele viu o homem atirar em um dos agentes, viu ambas as tias serem sequestradas. O garotinho ficou em choque até o momento em que viu ambos seus pais; Barry e Tommy. Oliver ficou com o coração na mão quando percebeu o quão abalado ele estava, até mais que suas filhas, e ele sabia que era por ver tudo que viu. Assim como suas filhas, ele tinha pesadelos, não conseguia dormir bem, não conseguia esquecer o horror em que presenciou, não conseguia deixar, nem por um segundo, de se preocupar com as amadas tias.

Sim, ela conhecia. — Não podia mentir e nem mesmo queria.

Por que ele está fazendo isso, papai?

Porque ele queria sua mãe, April. Porque ele..., é uma pessoa... — Trincou os dentes. — Doente. — Desequilibrado, maldito, um filho da puta, completou em pensamento.

Ele vai machucar ela? — Amily pergunta, preocupada, e Oliver, não soube como responder pelos próximos minutos. — A mamãe vai ser machucada por ele?

Eu..., eu não sei. — Mentiu em sussurro. Como dizer a verdade para suas garotinhas? Como dizer que a mãe delas seria machucada de todas as formas possíveis e imagináveis? — Mas eu vou resgatá-la. Os agentes vão trazer alguém para ajudar.

Quem?

Não importa no momento. O importante é que logo terão a mamãe de volta, está bem? — Elas assentiram. — Agora vamos dormir.

O papai também vai dormir?

Eu vou observar o sono de vocês. — Se encostou na cabeceira da cama, puxando suas garotinhas para deitarem sobre os travesseiros que estavam encostados em cada uma de suas pernas. — Vou estar aqui a noite toda.

Boa noite, papai.

Boa noite. — Beijou os cabelos de ambas as filhas, vendo-as fechar os olhos, e ele pediu, mentalmente, para que elas não tivessem pesadelos naquela noite.

**--**

Oliver não estava acreditando no que seus olhos estavam vendo. Ele tinha pego o carro tão desesperado quando recebeu aquela ligação, que passou em vários sinais vermelhos para chegar até ali. Ele entrou naquela casa, correndo, passando pelas pessoas sem se importar com nada. Ele viu a irmã abraça ao pai, chorosa, desesperada. Haviam entregue Thea encapuzada, na frente da mansão Merlyn. Sem nenhum arranhão. O próximo a abraçá-la foi Roy, que estava tão desesperado quanto os outros. Ela abraçou o namorado, forte, sem querer soltá-lo. Tommy também estava ali, beijando os cabelos da irmã, passando tranquilidade, dizendo que estava tudo bem, e tudo que Oliver conseguia pensar, era que sua mulher estava sozinha com aquele louco.

Se recriminou em não agradecer por sua irmãzinha estar de volta e se aproximou. Ele foi abraçado por ela. Ele pode sentir o cheiro do perfume de sua esposa. Elas estiveram juntas. Aquele cheiro foi a certeza, e agora ele tinha mais uma certeza, sua esposa havia feito um trato com aquele maldito. Qual outra explicação teria? Sua irmãzinha estava ali, a salvo, sem nenhum arranhão. Isso era obra de Felicty.

Ollie. – Eles se olharam. – Eu tentei. Eu tentei fazer ela mudar de ideia.

Ela fez um trato para você poder voltar para casa. – Todos em volta ouviram a afirmação de Oliver. – Não fez? – Continuou, apesar de não precisar mesmo de uma resposta.

Ela prometeu não fazer nada, não fugir dele, se me deixasse ir.

Ela fez o que? – Malcom rosnou. – Sua irmã ficou maluca?

Ela queria deixar Thea a salvo Malcom. – Robert se pronuncia. – Ela queria a irmã fora de perigo.

Foi o único jeito, papai. – Malcom passou a mão no rosto.

Inacreditável.

Ela não vai tentar fugir por conta própria, mas... – Voltam a olhar para a menor. – Ela não prometeu não fugir caso vocês a encontrem.

E nós vamos encontrar. – Mike afirma, sério. Os outros concordam.

Precisamos fazer alguma coisa, a cada dia que ela passa com aquele maluco, mais tempo ela fica à mercê dele. – Thea estremeceu nos braços do irmão.

Ele é louco. O quarto..., Ollie, o quarto é idêntico ao quarto de vocês no apartamento. Cada detalhe.

Filho da puta. – Rosnou. – Ele vai acabar com o emocional da minha mulher. E para piorar tudo, ela está grávida. – Passa as mãos nos cabelos, desesperado.

Minha irmã está com aquele louco a três dias...

Não gosto nem de pensar no que ele pode estar obrigando-a fazer. – E a frase dita por Malcom só fez Oliver trincar os dentes, tentando conter para si mesmo, o ódio que sentia de Cooper.

**--** **--**

Felicity pedia aos céus que seu tormento demorasse a começar. Pedia para que a irmã estivesse bem e a salvo. Horas haviam se passado, e imaginou que Cooper estivesse lhe dando um tempo, esperando ter notícias de que sua irmã, assim como ela pediu, estivesse sido entregue sã e salvo. Ele sabia como era aquela mente diabólica, infelizmente. Ela queria poder ter algo que fizesse com que ela soubesse a quantos dias estava naquele lugar. Ela não sabia se havia se passado apenas horas, ou dias, que estava ali. Não conseguia pregar o olho, completamente assustada. O tempo passava, e nada de noticiais. E mesmo quisesse muito saber como estava sua irmãzinha, ela temia vê-lo novamente. Temia que seu tormento começasse mais cedo. Temia que ele a obrigasse a fazer o que não queria. Ela não conseguiria suportar.

Sentiu os chutes dos seus bebês e isso a fez se lembrar dos pequenos, inocentes e sensíveis de seus filhos. Os três estavam sentindo tudo que ela estava sentindo e por isso ela tentou respirar fundo para se acalmar. Por eles, pelo bem deles. Colocou as mãos na barriga. Ela não podia perdê-los. Seus bebês tinham que ficar bem. Ela sonhou tanto com eles, desejava os três mais que tudo, se os perdesse, não sabia se conseguiria suportar. Ela não podia irritar Cooper, não podia retrucar nada que ele falasse, ou ele poderia descontar a raiva em seus filhos, e ela não poderia deixar isso acontecer. Respirou fundo, tentando passar pensamentos positivos para os trigêmeos. Eles sentiam tudo, não é? Então eles tinham que sentir, que tudo ficaria bem, e que eles ficariam bem.

O papai vem nos buscar. Eu sei que vem. — Sussurrou, sentindo uma vontade incontrolável de chorar.

Não era justo ela estar passando por aquela maldição novamente. Por que acontecia aquilo com ela, e justo quando esperava os filhos que tanto ela e o marido pediram? Ela não podai perdê-los, não agora que os amava com todas as suas forças, que sentia que tudo ficaria bem. Ela estava sentindo-se bem. Contou aos amigos, contou ao pai, a madrasta, aos seus irmãos, sogros, filhos. Estavam todos sabendo daqueles seres lindos e precisos. Ela estremeceu e olhou para a porta quando ouviu passos, puxou o edredom para cima do seu corpo, e então a porta se abriu, e ela sentiu a vontade de chorar voltar.

Então, meu amor..., eu cumpri minha promessa... – Sorriu enquanto se aproximava da cama. – E agora, eu quero uma recompensa a mais. – Ela estremeceu por inteira.

Notas finais
Felicity se sacrificou pelo bem de sua irmãzinha. Quem não faria o mesmo, não é? Quero saber sobre o que acharam. Estarei esperando pelos comentários. Amanhã tem a parte dois. Espero por vocês. Kissus