Kupidon
80 Capítulo Cinquenta e Oito
Notas iniciais
Depois que Felicity desmaiou, vários agentes apareceram, entre eles, Mike, Collin e Gregory, e no mesmo instante, Oliver correu para pegar a esposa e levá-la ao hospital, deixando o corpo do Cooper nas mãos dos agentes, estava preocupado com ela e os bebês; lembrar-se dos filhos fez com que dirigisse de forma irracional, passando por todos os sinais vermelhos que encontrava no caminho. Durante o trajeto, ele ligou para Tommy, avisando sobre estar chegando ao hospital com a esposa, que daria os detalhes quando estivessem todos reunidos e antes de desligar pediu para que o amigo avisasse a todos; imaginava já a ansiedade de cada um dos amigos e claro, da família. Seus olhos desviavam da estrada para a esposa pelo retrovisor, vez ou outra, completamente apreensivo; a esposa não havia acordado ainda, para seu total desespero.
Chegou ao hospital derrapando o carro. Assim que estacionou, entrou com a esposa grávida nos braços, pedindo, aflito, por ajuda; enfermeiros se aproximaram em imediato, com uma maca, onde Oliver colocou a mulher, vendo-os se afastar rapidamente. Pediu para que chamassem por Meredith, pois ela era sua médica, e a enfermeira que havia ficado para acompanhá-lo até a sala de espera, o fez no mesmo instante, deixando-o sozinho. Naquele momento, a cabeça dele não parava de trabalhar, imaginando várias coisas, principalmente com a saúde mental de Felicity. Depois de tudo que ela passou, não seria surpreendente encontrá-la completamente inerte ou fora de si; ele se preocupava com o estado mental dela. Além disso, Oliver não sabia se seus filhos estariam bem depois de todo aquele inferno no qual a mãe deles havia passado.
Sua mão suava, seu coração batia de forma acelerada, não conseguia deixar de andar de um lado para o outro, ansioso, a respiração estava absolutamente anormal. Ele percebia os olhares sobre eles, e imaginava já a manchete, já que era muito conhecido, mas ele não estava preocupado com aquele tema naquele momento, tudo que importava para ele era notícias de sua esposa e filhos e ele esperava que fossem boas, muito boas; pedia mentalmente para que fosse assim. Outra ação que Oliver fazia regularmente, era olhar no relógio de pulso, contando os minutos. Suas mãos passavam nos cabelos de vez enquando, de forma nervosa. Odiava aquela situação com todas as suas forças, odiava não ter notícias dela, odiava não saber o que estava acontecendo, odiava não saber se os filhos estavam bem, odiava definitivamente, que a mulher que amava estivesse mais uma vez naquele hospital, em estado crítico; esperava que fosse a última.
Os amigos chegaram alguns minutos depois, tão desesperados quanto ele, com a diferença de que eles não sabiam um terço do que ele sabia ou tinha presenciado. Inacreditavelmente, haviam chego todos juntos; a família Merlyn, Allen, Palmer, Queen e Lance – para a surpresa de Oliver. Eles viram a aflição do Queen, o que os deixou extremamente preocupados. Malcom havia sido o primeiro a se pronunciar, perguntando pela filha. Oliver então disse que explicaria tudo, mas antes que pudesse fazê-lo, Tommy e Barry o interromperam, preocupados, pedindo para que ele se sentasse, ao ouvir a voz tremida, enquanto que Helena se afastava, depois de avisar que pegaria água para o amigo. As mãos dele tremiam e isso foi percebido por cada um dos presentes.
Quando Helena finalmente voltou, Oliver pode contar os detalhes do que havia acontecido no maldito lugar onde Cooper mantinha Felicity. Eles ficaram surpresos ao saberem que ela havia atirado no homem que a atormentava; ninguém esperava por tal ação vindo da loira. Malcom não sabia se ficava surpreso por não ter sido o genro a matar o maldito Sheldon ou se pelo fato de que a filha nem mesmo havia tremido ao fazê-lo. Enquanto que as mulheres se preocupavam com o estado dos bebês, os outros se preocupavam com o estado de saúde mental de Felicity; algo que ainda não havia passado na mente de Laurel, Caitlin e Helena. Todos ouviram atentamente ao relato, sem interromper nenhuma vez, e quando Oliver terminou, ninguém sabia o que dizer.
— Ela estava sangrando? – Foi a primeira coisa que Caitlin pensou, quando alguns minutos se passaram depois do relato.
— Não. Estava pálida e um pouco fria demais, mas não sangrava.
— Então é possível que os bebês estejam bem.
— Mas não é certeza. – Caitlin balançou a cabeça.
— Mas é uma chance muito grande. – Helena diz. – Não vamos pensar no pior antes da hora, Ollie.
— Impossível. O estado em que ela se encontrava... – Passou as mãos nos cabelos. – Não viram o mesmo que eu. – Thea, que estava entre ambos os pais, estremeceu.
— Não gosto nem de imaginar. – Sussurrou. – Eu vi a forma que ele a olhava, eu quase levei uma bofetada, Felicity que me salvou... – Olharam para a mais nova. – Não gosto nem de pensar no que ela passou nesses dez dias com ele.
— Se eu estivesse lá, provavelmente teria matado o desgraçado com minhas próprias mãos. – Malcom rosna.
— O pior é que não tenho certeza de que ele está morto. – Cada um dos presentes o olhou com o cenho franzido, com exceção de Thea, que voltou a estremecer.
— Como é? – As vozes de Malcom, Robert e Quentin soou por todo o hospital.
— Como assim? Você disse que a Felicity atirou no maldito. – Roy diz.
— Mas eu não verifiquei se ele estava morto.
— Quer dizer que ele pode estar vivo? – Laurel pergunta com a voz tremida, segurando a mão de Caitlin, que tremia tanto quanto ela.
— A Lis atirou no peito?
— Sim, Cait. Eu o vi sangrando, mas não pensei em ficar observando-o ou mesmo verificar se estava morto, me preocupei em trazer minha mulher para cá. Ela havia desmaiado.
— Não estamos te acusando, nem nada. – Malcom diz, tendo o apoio dos outros.
— Você fez o certo, filho, Felicity precisava de você, assim como seus filhos.
— Mesmo assim, é melhor verificar, porque ela vai querer saber. – Barry diz, fazendo com que o amigo concordasse.
— Eu vou ligar para Mike, ele, Gregory e Collin ficaram encarregados do corpo.
— Espero que esteja no inferno nesse momento. – E todos ali concordaram com Helena.
— E se ele não estiver? – Ray não conseguiu segurar a pergunta. – Ele vai ser preso novamente, e o que? – Olhou para o pai de Laurel.
— Não acho que ele mereça a prisão.
— Concordo, Rebecca, mas se ele estiver vivo, voltará para a cadeia. – Quentin diz com certeza.
— Isso não vai ser o suficiente para deixar minha mulher em paz.
— Não mesmo. – Laurel sussurra. – Papai, ele fugiu uma vez, pode fugir novamente.
— Não se pode fazer nada, querido?
— Não vamos pensar nisso agora. – Robert interrompe a resposta do Lance. – Não sabemos a real situação dele.
— Verdade. Não sofreremos antecipadamente. – Moira se aproxima do filho. – Vai ficar tudo bem, querido.
No instante seguinte Meredith apareceu com notícias – boas, para a alegria de todos; Felicity estava bem, apesar de ainda estar adormecida. Os exames em relação aos bebês seriam feitos assim que ela acordasse, então a preocupação voltou aos olhos de todos ao ouvirem tal coisa da médica. Mesmo que a loira estivesse fora de perigo, ainda havia chances de ela ter perdido os filhos que ela e o marido haviam esperado tanto tempo para ter, e se isso fosse confirmado, cada um dos presentes – incluindo Oliver –, se preocupavam com a reação de Felicity. Eles sabiam como havia sido difícil para ela aceitar aquela gravidez, havia sido difícil acreditar naquela gravidez, depois de ter perdido dois filhos, sendo que um deles, ela nem mesmo sabia que estava esperando, e eles tinham noção do choque que seria para ela se os trigêmeos já não existissem mais; Oliver temia mais que tudo uma resposta negativa em relação aos exames de seus filhos, não só pela esposa, mas por ele mesmo.
Todos queriam vê-la, e sabendo que era uma situação complicada e bastante sensível, a médica levou todos até a UTI, onde a grávida estava, até que acordasse e pudesse ser dirigida a um quarto. Apenas Oliver poderia entrar, por ser o marido, os outros teriam que observá-la pelo vidro, mas isso não desanimou nenhum deles, pelo menos dessa forma, poderiam ver a mulher depois dos angustiantes dez dias. Enquanto Oliver era levado para que se higienizasse e vestisse roupas adequadas, os outros já se encontravam observando Felicity, que estava deitada sobre uma maca com alguns fios conectados ao corpo pálido – puderam perceber mesmo que pelo vidro –, que mostrava em especial, seus batimentos cardíacos. Havia hematomas arroxeados e avermelhados por todo o corpo, que parecia magro demais – apesar da barriga grande que evidenciava sua gravidez –, na concepção da família.
Oliver demorou um pouco para se aproximar; ficou estarrecido por vê-la com os hematomas, que antes não havia observado minuciosamente. Quando finalmente o fez, pegou na mão pequena – que antes estava fria demais, mas que agora estava em sua temperatura normal –, acariciando levemente, sem deixar de olhar no rosto belo apesar dos machucados. Ele pedia mentalmente para que ela acordasse, pedia, para que ela abrisse os olhos para que pudesse ver novamente aquela linda cor que sentia tanta falta, pedia para que pudesse ouvir a voz que o acalmava por inteiro; ele precisava de cada uma dessas ações para que pudesse respirar aliviado. Por um instante, desceu os olhos até a barriga elevada, tocando com uma das mãos e de imediato, alisando por um determinado tempo, antes de começar a se pronunciar.
— Olá, é o papai. – Sussurrou, sorrindo. – Imagino que estejam com tantas saudades quanto eu. Eu busquei por vocês por todos esses dias, vocês sabem disso, né? – Não houve chute algum e Oliver engoliu em seco. – Eu sei que devem estar assustados, e que provavelmente seja por isso que ainda não se mexeram..., mas estão a salvo agora. Eu estou aqui para certificar isso. Mas eu preciso saber que estão bem, assim como a mamãe. – Fechou os olhos por um momento. – Então por favor, me deem um sinal.
O som da máquina que captava os batimentos cardíacos de Felicity, mudou de repente, fazendo o Queen se assustar por um momento, por não esperar ouvir tal som. Oliver desviou os olhos, nervoso, se perguntando o que estava acontecendo. Ele não conseguia se mover e nem mesmo dizer uma palavra. Seus olhos voltaram-se para a esposa, e no mesmo instante, a viu abrir os olhos de uma só vez, com a respiração alterada, como se ela estivesse assustada. E ela estava, afinal, acordou com o som do tiro, o último som que ouviu antes de desmaiar.
— Felicity. – Ela olhou para a voz que sentiu tanta falta, e de imediato, sentiu os olhos lacrimejarem.
— Oliver. – Diz com a voz embargada. – Você está aqui. – Diz com a voz tremida ao mesmo tempo em que pegava em sua mão lentamente, por conta do fio conectado ao braço. – Estava com medo de ter sido tudo um sonho.
— É real. Você está a salvo, meu amor, e ao meu lado, lugar no qual eu não vou deixar você nunca mais sair.
Beijou sua testa, sentindo-se aliviado, emocionado, feliz por ter a esposa de volta em seus braços. No instante seguinte, Meredith entrou com outros dois médicos, pedindo para que ele deixasse o quarto, pois precisaria fazer alguns exames em Felicity. Prometeu aos dois, já que a grávida não queria soltar a mão do marido, que em algumas horas estariam um com o outro novamente. Oliver saiu devagar, sem tirar os olhos dela, que continuava com os olhos fixos no homem que amava. A porta se fechou e Oliver foi dirigido para retirar a roupa que haviam o instruído vestir antes de entrar no quarto de UTI, ainda pensando nos olhos verdes da esposa lacrimejados, pensando na emoção dela em vê-lo, ansioso para poder voltar para perto dela.
Cada um dos familiares – e isso incluía os amigos – já estavam sabendo que Felicity estava desperta, finalmente; eles não conterão o alívio e a animação por essa notícia, mesmo que não soubessem sobre a situação dos bebês. Ainda que quisessem continuar observando pelo vidro, um residente os levou de volta para a sala de espera, explicando que a paciente faria mais alguns exames, agora que estava desperta, e que logo poderia receber visitas; isso foi o suficiente para que seguissem o garoto de apenas 23 anos até a tal sala na qual estava vazia por demais. Não demorou muito para que Oliver aparecesse e fosse questionado pelo momento em que presenciou. Não tinha muito para contar, afinal, não houve muita conversa, infelizmente, mas ele contou o que aconteceu, desde o primeiro momento em que entrou no quarto, em especial, sobre a curta conversa que teve com os trigêmeos.
Quando o celular de Oliver tocou, poucos minutos depois de terminar o relato – que nem era tão grande assim –, todos o observaram se afastar, mas já sabendo que era algo importante. Além de Tommy e Barry, mais ninguém havia visto o nome no visor: Mike. Eles ficaram ansiosos para saber o que o agente queria com o amigo, principalmente porque tinham certeza de que falariam sobre o maldito psicopata. Percebendo o nervosismo e a ansiedade dos dois, Caitlin não conseguiu conter a vontade de perguntar o que estava acontecendo, e eles, sabendo que Oliver não esconderia nada do que seria falado, contaram que o amigo falava com Mike, o agente responsável por Cooper. E então todos os outros passaram a ficar tão ansiosos quanto o Merlyn e o Allen, principalmente Malcom. Quando o Queen voltou, ele não parecia com uma cara nada boa, e isso fez cada um dos familiares, ficarem tensos.
— O que houve, filho? – Oliver passou as mãos nos cabelos, em nervosismo.
— Era o Mike. Ele e Gregory levaram Cooper para o hospital geral de National City. – Suspirou. – Ele está em coma.
— Coma? – Perguntaram todos juntos, alguns revoltados.
— Então está vivo? – A voz de Laurel tremeu.
— Com muito pouca reação neurológica, é quase impossível ele despertar, segundo os médicos.
— Mas tem possibilidade. – Malcom diz, nervoso. – Esse desgraçado tem sete vidas, por acaso? – Rosna, socando a parede com a mão direita.
— Fique calmo, meu amor, o importante é que Felicity está bem.
— Não vamos ficar pensando em algo que pode nunca acontecer. – Moira diz, passando a mão no braço esquerdo do filho. – Você só precisa se preocupar com sua esposa e os seus filhos.
— Sua mãe está certa. – Robert se pronuncia, com os braços cruzados. – Ele está sendo monitorado, certo?
— Pelos agentes e pela polícia.
— Então não vamos nos preocupar antecipadamente. – Oliver balançou a cabeça, apesar de não conseguir parar de pensar na possibilidade daquele homem voltar a vida.
— Como a Lis vai reagir a isso? – Todos olham para a Lena.
— Ela com certeza não vai reagir bem. Ela deve estar achando que o matou.
— Ela tem a nós para apoiá-la, Cait. – Barry diz, abraçando a esposa pela cintura.
— Mesmo assim, não deixa de me preocupar.
— Nem a mim. Ela ficou abalada emocionalmente quando aconteceu na primeira vez, como ela vai ficar com o que houve pela segunda vez e ao saber que Cooper não está morto, apesar de ela tentar fazê-lo?
— Estamos todos preocupados, Lena, mas no momento precisamos estar firmes por ela.
— Isso mesmo. – Tommy concordou com Ray. – Precisamos ser fortes por ela. – Olhou para o pai. – O senhor precisa se controlar, quando for entrar.
— Eu sei. – Bagunçou os cabelos. – Eu sei.
— Por que não vai ligar para a Thea? Ela e Roy estão esperando por notícias.
Eles haviam ido mais cedo, pouco antes de Felicity acordar, por causa das crianças que haviam ficado sobre os olhos e cuidados de Raisa. Thea estava ansiosa demais para ver a irmã, e por isso, apenas daquela vez, ela não ficou em casa quando recebeu a notícia de que a irmã do meio estava a salvo. Precisava vê-la para que a cena na qual não parava de passar em sua cabeça, desde que voltou para casa, deixasse de a atormentar, pelo menos um pouco. Roy, sabendo que a namorada ainda não estava emocionalmente bem, e sabendo que ela precisaria de ajuda com as curiosas crianças, a acompanhou para a mansão Queen, não sem antes a ouvir pedir que dessem notícias, sejam elas qual forem.
— Tudo bem. – Murmurou, se afastando para fazer como a esposa havia o instruído.
— No lugar dele estaria da mesma forma, ele só precisa de um tempo. – Ela assentiu ao comentário de Robert.
— Todos nós ficaremos bem. – Barry diz, depois de um longo suspiro, beijando os cabelos da preocupada esposa.
— E isso inclui Felicity. – Tommy diz, abraçando o melhor amigo pelos ombros.
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Felicity não tinha conseguido ouvir nenhuma palavra de sua médica. Sabia que a mulher falava com ela, mas não conseguia parar de pensar no inferno que passei nos últimos dez dias; tempo esse que ela soube por um dos residentes que estava com Meredith. Naquele momento, ela estava deitada de lado, com o dedo indicador da mão direita tocando a boca, seus olhos estavam completamente abertos, mas ela não estava ali de verdade, as lembranças a levavam para os momentos que passou com Cooper. Seu corpo arrepiava, sentia-se gelada, mas não conseguia mover um músculo. Era como se Felicity estivesse em outro plano, apesar de o corpo estar ali, pousada sobre a cama. A respiração se tornou anormal no momento em que sua mente a levou para o primeiro toque dele, na primeira vez que ele a obrigou a ser dele, horas depois de ele ter deixado sua irmãzinha a salvo. Ela não queria se lembrar, mas não conseguia comandar o cérebro para esquecer dos piores momentos de sua vida.
Meredith havia avisado a Oliver assim que o encontrou, sobre a forma como a Smoak estava inerte a tudo e a todos. Ela não havia dito uma palavra desde que ele a deixou com os médicos. Apesar de preocupado, ele já esperava por isso; depois de tudo que ela passou era impossível que ela não estivesse assustada, perturbada. Os amigos e familiares haviam ficado na sala de espera, por pedido da médica, e eles sabiam que o casal precisava não só de um momento a sós, como que Oliver precisava ser o primeiro a ser visto por Felicity, depois de ser novamente examinada pelos médicos; por mais que Malcom quisesse muito ver a filha, ele não se opôs em momento algum, em não ser o primeiro a vê-la. Cada um dos presentes estava ansioso para vê-la, mas muito preocupados com o estado que a encontraria. Podiam imaginar o inferno que ela havia passado, e tinham certeza de que ela precisaria de um tempo para superar tudo que houve.
Oliver foi informado de toda a situação na qual a esposa se encontrava, durante o caminho da sala de espera até o quarto, que ficava no andar de cima. Seu corpo tremeu por inteiro, de raiva, ao descobrir que ela estava com hematomas por todo o corpo, não só no rosto e nos braços. Estava revoltado por saber que ela havia não só sofrido o abuso por parte de Cooper, mas também havia sofrido violência física; ele havia a machucado de todas as formas possíveis e isso fazia o sangue do Queen ferver. Ele precisava se acalmar, se controlar para poder apoiar a mulher que amava, era o que dizia a si mesmo, várias vezes, durante o caminho enquanto ouvia o relatório da médica; era difícil, mas ele o faria, por ela, pelo bem dela e de seus filhos. Seus filhos. Ele se lembrou no mesmo instante, e antes que pudesse mais uma vez perguntar por eles, Meredith avisou que haviam chego ao quarto. Deixou para fazê-lo depois, estava ansioso demais para ver a esposa, e por isso abriu a porta, entrando e fechando-a logo em seguida. Mesmo que a porta fizesse o som de que estava sendo aberta, Felicity não saiu da posição na qual estava desde que os médicos haviam a deixado.
Meu amor. – Chamou, mas ela não fez movimento algum.
Felicity não estava naquele plano, não ouviu nem o marido chamando-a e nem mesmo os passos dele se aproximando. Seu corpo tremia completamente, a respiração estava alterada, seus olhos mesmo que abertos, fixos em um único ponto, não viam nenhuma imagem, estava concentrada no que via em sua mente, mesmo que essa não fosse sua intenção. Ela queria fechar os olhos, queria se mexer e descobrir que estava a salva, queria sentir que estava bem e finalmente livre de Cooper, mas não conseguia, seu corpo e sua mente dizia totalmente o contrário. Oliver percebeu que ela estava em meio aos pensamentos ruins pela forma que ouvia sua respiração pelo monitor que estava conectado a ela, assim como seu coração que batia de forma desenfreada. Cauteloso, não querendo assusta-la de forma alguma, se deitou ao lado dela, beijando seus cabelos, alisando com dois dedos da mão esquerda, o braço exposto da mulher que amava, e essa ação simples, foi o que fez Felicity acordar, voltar a si.
— Está tudo bem, agora, meu amor. – Sussurrou em seu ouvido, beijando os cabelos loiros mais uma vez. – Estou aqui. – No instante seguinte, os olhos dela encheram de água e ela se virou, devagar, ainda com medo de fazê-lo.
— Oliver. – Sentiu a mão que antes estava em seu braço, acariciar seu rosto, colocando uma mexa de seu cabelo atrás da orelha. – Não está nada bem. – Diz com a voz embargada. – Eu não paro de me lembrar..., aquelas imagens não param de passar como um filme em minha mente.
— Foi um terrível pesadelo, mas já passou. – Ela apertou a mão direita na camisa que o marido vestia. – Passou, baby, eu estou aqui com você.
— Mesmo assim, meu corpo não sente que está tudo bem. – Oliver engoliu em seco só de imaginar na reação dela ao descobrir que Cooper estava em coma. – Estou tremendo ainda, mesmo que você esteja aqui, ao meu lado.
— Tudo bem, vai se sentir bem daqui a pouco.
— Não acho. – A voz quase não saiu. – Foi um verdadeiro inferno.
— Mas acabou. Acabou, meu amor, e você nunca mais vai passar por isso novamente. – Afundou o rosto no peito dele. – Estão todos querendo vê-la. – Diz contra os cabelos loiros, e no instante seguinte ela o olhou.
— As crianças. Lyon e as gêmeas.
— Eles estão bem. Ficaram assustados, não posso negar, mas estavam muito preocupados com você também.
— Eu nunca quis que eles passassem...
— Ei, a culpa não é sua. – A interrompeu de imediato. – Ninguém a culpa pelas coisas que os três passaram, ninguém.
— Lyon viu Noah atirar em Tyler. – Arregalou os olhos. – Tyler.
— Ele está bem. Muito bem, não se preocupe. – E ela se aliviou. – Posso deixar que seu pai entre? Ele está muito preocupado e ansioso para te ver.
— Uhum. – Balançou a cabeça. Oliver pegou o celular e ligou para Malcom, ele não deixaria a esposa sozinha, não quando ela ainda tremia em seus braços. – Thea. Como ela está?
— Está bem, preocupada com você, mas bem. Ela está cuidando das crianças, mas pediu para te mandar um beijo, e que vem vê-la amanhã.
— Não, amanhã não. Eu quero vê-la. Eu quero ver as crianças, nossas filhas, Lyon...
— Tudo bem, eu vou falar com ela e Roy. – A viu assentir, um pouco mais calma. Ele sabia que ela precisava ver com seus próprios olhos as filhas, o sobrinho e a irmã para acreditar de que estava tudo bem, e ele a compreendia.
— Com licença. – Ela se virou, encontrando o pai na porta. Oliver se levantou, sentando-se na poltrona, mas sem deixar de tocá-la, já que ela segurava sua mão com força.
— Papai.
— Oi, querida. – A abraçou quando chegou até ela, beijando os cabelos loiros. – Você está bem?
— Não. – O olhou nos olhos. – Eu ainda sinto meu corpo ficar tenso, mesmo com vocês aqui. – Genro e sogro se olham por um instante. – O que estão me escondendo?
— O que? Nada, baby.
— Não minta. – Se agita, preocupando os outros dois. – Eu sei, eu conheço essa troca de olhar. Me diga o que está acontecendo, Oliver.
— Okay, fica calma, meu amor.
— Felicity, só não queremos que se preocupe.
— Eu já estou, vocês ficam me escondendo as coisas. – Oliver apertou a mão da esposa.
— Olha para mim. – Ela o faz de imediato. – Mike ligou. Ele, Gregory e Collin estavam com Cooper, e...
— E? – Insiste quando ele faz uma pausa longa demais para ela.
— Ele está em coma.
— Não morreu? – A voz quase não saiu, voltando a tremer, ainda mais.
— Não. Mas os médicos não acham que ele vá acordar, as chances são mínimas.
— Não, não. Era para ele estar morto. Eu atirei.
— Filha, ele não vai mais te machucar. – Ela o olhou. – Se ele acordar, vamos ser avisados.
— Além disso Mike colocou dois agentes para vigiar o quarto dele. – O marido completou.
— Por isso sinto meu corpo estremecer, por isso sinto que não estou...
— Está tudo bem agora, você está a salvo, está em casa, filha. – Diz com convicção.
— Eu já disse isso a ela.
— O importante é que está bem, minha filha, e que está finalmente com sua família. – Sorriu. – E logo verá suas filhas.
— Minhas filhas. – Sussurrou e de repente arregalou os olhos, como se lembrasse de algo importante; os outros dois se preocuparam por vê-la daquela forma. – Meus filhos. – Colocou a mão na barriga.
— Felicity? – Ouve a voz do marido.
— Eles não se mexem. – Oliver se colocou sentado ao lado dela, na cama. – Não se mexem desde antes de eu..., desde antes de Oliver... – Não conseguia terminar a frase.
— Fica calma, está ficando agitada e isso não é bom nem para você e muito menos para os nossos filhos. – Malcom olhava para o monitor.
— Filha, precisa respirar com calma, por favor. – Diz preocupado.
— Eu os perdi? – Os olhos voltaram a lacrimejar.
— Eu vou chamar Meredith. – Malcom correu para fora do quarto.
— Meu amor, respira comigo, por favor. – Ela o acompanhou na respiração, ainda nervosa – Isso mesmo, isso mesmo. Vai estar bem, vai estar tudo bem.
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Felicity tentava não pensar no inferno que passou com Cooper, enquanto Meredith trazia a máquina de ultrassom até a cama-hospitalar onde ela estava deitada. Oliver estava ao lado dela, sentado na poltrona, enquanto a mulher arrumava tudo para olhar como estavam os bebês. Estavam ambos ansiosos, nervosos, com medo. Era uma imersão de sentimentos que nenhum dos dois conseguiam conter, e era completamente normal, afinal, estavam passando por mais uma situação tensa. Felicity tentava conter a vontade de chorar, por temer que fosse algo ruim. Não parava de pensar que havia perdido os bebês que sonhou tanto; eles não se mexiam desde que pouco antes do resgate, quando estava completamente desesperada naquela horrível cama no qual passou por tanta violência. Quase não acreditava que estava a salvo, e que Cooper estava em coma.
Assim que voltou a ver o marido, e nos poucos minutos no qual passou com ele, soube que o maldito que havia feito de sua vida um inferno, estava em um hospital a algumas horas de Star – lugar escolhido por Mike e Gregory – em coma. Mesmo que sua intenção nunca fosse aquela, porque na realidade o queria morto, agora ela se sentia um pouco em paz. Os médicos haviam dito que as atividades cerebrais estavam mínimas e que seria um milagre ele acordar, e Felicity só conseguia pensar no momento em que ouviu o relato do marido, que era pouco. Esperava que ele morresse de uma vez, porque ele na mesma terra que ela, não a faria viver completamente em paz. Ela era ruim ao pensar assim? Se sim, não se importava; depois de tudo que ele a fez passar, tudo que ele merecia era finalmente ir para o único lugar que o merecia, o quinto dos infernos, foi o pensamento da loira.
Despertou quando a médica pediu para que ela levantasse a roupa que estava vestindo, até aos seios. Fez isso sem dificuldade alguma, apesar de ter a ajuda de Oliver; sua mão tremia enquanto o fazia, assim como a do marido. A loira sentiu o gel quente em sua barriga, e em seguida o equipamento pequeno, que se mexia vez ou outra. Meredith estava focada na tela do computador, enquanto os pais esperavam ansiosos para saber se os bebês estavam bem. Mesmo que dissessem que estava tudo bem, que eles se mexerem não era anormal, nenhum dos dois conseguia se convencer disso. Não era uma certeza, não depois de eles passarem por momentos tão estressantes. E por isso o casal precisava de uma prova, e era por esse motivo não deixavam de olhar para a mesma tela na qual a médica olhava, examinando a situação dos trigêmeos. Felicity não conseguiu conter a mesma pergunta de pouco mais cedo.
— Está tudo bem mesmo? – A grávida se fez ouvir, e ver a outra sorrir, a fez respirar com calma novamente, assim como Oliver.
— Tudo ótimo. Como eu disse, eles estão perfeitamente saudáveis, só muito quietos.
— Por isso eles ficaram tanto tempo sem se mexer?
— Sim. Eles passaram por algo estressante, como vocês mesmo disseram..., é completamente normal que fiquem tão quietos por tanto tempo. – Sorriu novamente, antes de usar um dos dedos da mão livre para tocar três vezes com um pouco de força, na barriga da grávida.
— Oh. – Oliver a olhou, preocupado, ao ouvir sua pronuncia. – Mexeu. Eu senti agora.
— Mesmo, baby? – Ela pegou na mão dele e a colocou sobre a barriga ainda melecada com o gel. – Senti. – Sorriu. – Estão se mexendo.
— Os três. – Diz a médica, olhando para a tela do computador. – Eu sei que é emocionante, mas me deem trinta segundos e vou dar algo mais legal que isso.
Oliver retirou a mão e deixou que a pequena máquina fosse colocada novamente sobre a barriga da esposa. Estava tão ansioso quanto ela. Sua mão tocou o braço da esposa, e passou, de forma carinhosa, a acariciá-la, tentando se distrair, enquanto a médica fazia seu trabalho. Felicity colocou uma das mãos nos lábios, demonstrando o quão ansiosa estava. Ela não conseguia parar de olhar para a médica vez ou outra, ou tentar ver o que tinha na tela do computador. Eles viram quando a Dra. Meredith franziu o cenho, e então sorriu, parecendo satisfeita, antes de virar a tela do computador para que eles pudessem ver o que ela via.
O oxigênio pareceu sair dos pulmões de Felicity, assim como dos de Oliver, enquanto olhavam para a imagem em preto e branco, de seus bebês. Eles se mexiam, muito, e Felicity podia sentir. Eles estavam animados, pelo que puderam perceber. Um dos bebês bocejou, e ambos os pais sorriu. para eles, era absolutamente incrível. Era tudo que eles desejavam na vida, ver que estavam saudáveis, e completamente felizes. Eles ouviram a médica dizer algo como "eles estão tão saudáveis quanto poderiam ser", mas não responderam, estavam focados demais nos filhos, para fazer tal coisa.
— Então..., querem ver os sexos? – Ambos os pais a olharam.
— Mesmo? Já dá para nós vermos?
— Claro que sim, senhor Queen. – Sorriu. – Os bebês estão em uma posição muito boa agora. – O casal se olhou, sorrindo.
— Quer apostar de que são dois meninos e uma menina?
— Meu amor, nós compartilhamos uma conta bancária, se esqueceu? – Diz rindo, mais feliz por vê-la mais animada, do que pela pergunta em si.
— Então..., um copo gigante de sorvete de sensation com bastante calda e M&M, de que são dois meninos e uma menina.
— Felicity, se essa é uma forma de dizer que você quer sorvete, não precisamos apostar, você sabe que eu vou com todo o prazer te comprar, não sabe? – Ele gargalhou quando a viu arquear as sobrancelhas e fazer um biquinho fofo.
— Então? – Meredith olha para Oliver.
— Okay, baby, tudo por você. – Beijou seus lábios rapidamente. – Vamos apostar. Meredith?
— Parece que você deve um copo gigante de sorvete para a sua esposa, porque são mesmo dois meninos e uma menina.
Oliver sentiu seu peito esquentar ao ouvir a doutora, assim como a esposa. Eles já haviam escolhido os nomes, mesmo não sabendo o sexo, e estavam tão felizes de finalmente descobrirem. Felicity agradecia a Deus, por estar com o marido naquele momento, descobrindo algo que eles desejavam saber desde o terceiro mês; o marido bem antes que ela. Eles viram os dedinhos dos pés e das mãos, viram eles voltarem a se mexer, incessantemente, viram o mesmo de antes, bocejar novamente, era o que menos se mexia.
— O que mexe menos, é um menino? – Felicity apontou para a tela, onde seu filho ou filha estava.
— É sim. – Responde sorrindo. – Por que? Ele já tem nome?
— Eles já têm nome. – Oliver corrigiu.
— Bryden. – O casal se olhou. – Bryden é o que está quase dormindo. – Ele riu, feliz.
— Combinado. – Beijou sua bochecha, voltando os olhos para a tela. – Então os outros dois são Bryan e Brooke.
— Eu já estou ansiosa para pegá-los em meus braços, meus filhos.
A máquina de ultrassom permitiu que a Dra. Meredith salvasse e enviasse por e-mail um pequeno vídeo e algumas fotos para o e-mail de Felicity, antes de desligá-lo, entregando alguns lenços para que pudesse tirar o gel da barriga elevada. Oliver os pegou antes que a esposa o fizesse, e com carícias leves, limpou a pele suavemente. Uma vez que terminou, ele deu alguns beijos na barriga, murmurando baixinho seus sentimentos sobre o que acabou de descobrir, enquanto falava com os filhos. A Smoak–Queen sempre gostava quando ele tinha suas "conversas privadas de papai e bebês" – como ela deu o nome desde a primeira vez em que aconteceu –, principalmente porque um tempo depois, ele lhe dava toda a atenção do mundo, como se a recompensasse por presentear a ele a oportunidade de ter conversas caladas com os bebês crescendo dentro dela. Ela se sentia feliz por novamente ver tal ação feita pelo marido acontecer, por realizar o sonho de estar com ele novamente. E por principalmente por seus filhos continuarem sendo reais.
Estava tão assustada a um tempo atrás, e naquele momento, tudo que ela pensava era na descoberta dos sexos dos filhos, no fato de eles estarem se mexendo tanto quanto estavam ou mais, antes da tragédia acontecer e claro, por finalmente estar ao lado do homem que amava. Estava tão feliz, que não se lembrava do horror que passou a alguns dias, não se lembrava de que Cooper estava internado por conta do tiro que deu nele. Seus pensamentos e sua atenção estavam completamente em seu marido e nos filhos que mexiam incessantemente, chutando suas entranhas, e por mais que isso às vezes fosse irritante, ela esperava que eles não parassem pelos próximos minutos.
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