Kthall

1 O CONTO DA SEDA


Eu gostava toda a manhã de escalar um morro que subia para um campo cheio de matagal escuro, fruto da queimada que vinha sempre naquela época do ano nos arredores da minha cidade.

No morro, barrancos e buracos eram sempre vistos naquele morro e ninguém sabia o que acontecera a ele. Os buracos sempre tinham uma fumaça que voava para longe por conta do vento que sempre batia por ali. Uma vez, quando subi no mesmo momento em que houvera o que nós, da cidade, chamamos de O Vapor ou O Poder, eu vi aquela fumaça que não era negra, e sim uma fumaça mais clara. Eu pensei que era azul, mas pela a minha impressão alternava para roxo, verde e voltava ao azul.

Ao terminar aquela escalada, me agarrando aos maiores matos que estavam quase secos pela a queimada, alcancei o topo e observei a desolação que eu sempre via ao chegar ali: buracos que lançavam suas fumaças, matos e plantas que sofriam a queimada, levando pássaros ao que minha mãe antigamente dizia que era o Céu. O mundo naquele campo era quente, me levava a perder a respiração e a inalação por um instante me fazia ficar um pouco tonto, sempre quando eu chegava ali e aquelas plantas de formas comprimidas lançavam o seu odor.

Era gostoso. Se não me engano, por favor.

Naquele campo, o que mais me encantava era um carvalho que chamava a atenção de quem morava na cidade sob aquela colina. Seu tronco era bem forte, estava escuro agora e lançava um cheiro forte de queimado, as suas folhas se esvaindo em cinzas e sendo levadas ainda mais para a cidade. Dali de cima, onde eu conseguia ver aquilo tudo que já havia chamado de meu lar, um bom número de pessoas se aglomerava em um ponto distinto, próximo à igreja e estavam com os braços estendidos.

Aquela era a representação de um conto que vivia somente naquela cidade, escrito por um escritor que fizera sucesso aos anciões de onde eu morava. Acredito, se não me esqueci ainda dela completamente, que era assim:

"Quando, um dia, descera dos céus o poder celestial que um anjo dado aos seres humanos decidiu lançar sobre todos, nasceu aquela cidade. Era aquele ser que muitas mulheres da cidade contavam aos seus filhos para que eles tivessem medo, que eles fossem medrosos ao desafiarem-nas. Esse poder, que se dividira e que se tornara um ser ao descer ao solo, recebera um nome, por muitos que era O Salvador ou então Aquele que Guiaria a Todos. Mas era somente o que muitos acreditavam e por quatro gerações essas duas alcunhas dominavam a língua de um vilarejo que nascera na encosta da colina que rodeava um carvalho.

"Quando um homem, este corajoso, decidira se encontrar com O Salvador, para que um pedido seu fosse realizado, algo envolvido à sua mãe. Por dois dias ele criara rituais na colina e por fim, quando já desistia, ele conseguira se comunicar com O Salvador. Foi quando O Carvalho nasceu e foi quando um novo nome foi dado quando esse homem voltara: O Carvalho. E este dissera que O Carvalho havia pedido para que o povo o tornasse seu líder e que seus sucessores também fossem no futuro.

"Novamente, alguém também desafiou os outros líderes, dez gerações depois do que acontecera. Uma mulher e esta foi falar com o Carvalho Velho (um outro nome dado através do tempo) e este lhe respondeu. Foi quando, assim que essa mulher voltou, estava sendo considerada louca e foi correndo para sua casa desenhou algo em um papel e em seguida morreu.

"Nesse papel estava um desenho peculiar, que não se entenderia sem uma legenda embaixo: Bicho-da-Seda. O desenho foi espalhado pela a igreja e por todo o resto da cidade. Assim começou a raiva do Carvalho Velho, que se rebelou e lançou uma queimada nos campos sobre a colina e decidiu lançar o seu nome na grama queimada: Kthall. Tamanha foi a queimada, o fogo chegara a se alastrar pelo o carvalho e este queimou. No fim daquele carvalho, Kthall lançou um alto grito de dor por causa do carvalho que era seu corpo escondido e desse grito, os que não sabiam o seu nome passaram a saber, pois gritara: Kthall.

"O carvalho por tempos retornou à vida, mas as queimadas continuavam. O povo da cidade sob à colina, com medo e alguns admirados, passara a sempre erguer os braços ao carvalho e saudá-lo."

Eu não gostava daquilo, mas era contra aquela história de um ser ali. E eu precisava vê-lo, acreditar que era real. Segundo lendas mais obscuras ainda no interior considerado "doido" da cidade, eu ouvira sobre a entrada para a terra de Kthall. Eu vou lá e o verei.