Krytus
16 Almost there
Na ”hora da historia”, perguntamos para o velho George. Fiquei feliz que ele conseguia se lembrar de tudo hahaha. Ele disse que seu pai lhe contava às historias que o pai dele contava. Havia um pastor vindo de algum lugar do mundo, cujo George não se lembrava, este falava de pestes, pragas que tomariam as menores cidades ate que se espalhassem pelo mundo. Ele induziu todos do vilarejo em que morava a acreditarem que corriam perigo e que ele era a única salvação. Idolatravam-no como um Deus que livraria o mal de todos, ate que uma noite de lua cheia mudou a historia.
– Jay, acho tenho uma noção de quem é o homem de quem estamos falando, mas...
Roncos! George havia dormido apoiando a mão sobre o queixo de barba grisalha e malfeita Hahaha
–Senhor!
Jess chamou sua atenção.
– Ah, sim... onde eu parei? Claro, claro... O homem não era homem. Era monstro, era à noite e escuridão fundidos em carne...
– Haha que poesia macabra
–Quieto Jay. Senhor Georg... ?
Ele dormira de novo. Ri, mas tampei a boca antes que Jess me esbofeteasse.
– GEORGE!!!
O velho George quase caiu da cadeira com aquele berro. Não caiu, mas derrubou a xicara de café que estava a sua frente e levantou-se rápido, virou-se para a pia e pegou o papel toalha para limpar a sujeita antes que se espalhasse. Continuou:
– Essa era a descrição de meu avo. Ninguém sabia ao certo como o sujeito era, pois aqueles que viram não voltaram para contar os detalhes. As pessoas apenas acreditavam em sua palavra. Nas luas cheias ele ficava trancado na igreja, mas os gritos vindos do interior saiam para as ruas e assustavam a todos.
– Espere. Não voltaram?
– No começo eram elas. Algumas “impuras” iam para as igrejas. Sim, o sujeito não era lento não. Falo isso, pois meu pai dizia que viu. Ele não obedecia ao toque de recolher e se escondia próximo a igreja...
Uma pausa longa e dolorosa para George. Lagrimas. Sentou-se novamente.
– Foi assim que ele não voltou mais para casa... Eu era pequeno ainda, o pastor nos deu a noticia pela manha dizendo que as pragas haviam levado muitos dos curiosos. Ingênuo, eu e todos acreditamos. Somente quando os Gragan foram mortos, percebemos o verdadeiro perigo.
Okay, Gragan é o sobrenome da nossa mãe, ou seja... Não, nossa mãe estava viva!
– Deixe-me adivinhar, os McGurat foram os próximos!
– Sim, minha jovem. Dois anos depois eu fugi com minha amada mãe para outra cidade e nas passagens fiamos sabendo de outra tragédia. Familias amarrada a cruzes em frente a igreja. Famílias apenas ate o dia em que um vilarejo foi tomado por completo de chamas.
Uou. Parem tudo! Um vilarejo inteiro, uma cidade inteira. Acordamos em um lugar de cinzas. Bem, na primeira vez pelo menos!
– Esse foi o ultimo ataque. Dizem que havia famílias escondendo as pragas em suas casas, mas a cidade toda foi julgada ao mesmo fim. Não se sabe se houve sobreviventes do massacre.
– Certo, o senhor sabe algo sobre Krytus?
– JESS!!!
“Temos que ir direto ao ponto” ela me olhou e esta frase veio em minha mente. Agora já sabemos sobre a lenda do homem que não era homem. Lenda ou algo mais? George fica pálido, como se tivesse medo, ele sabia algo que não estava nos contando. A campainha toca livrando-lhe da resposta para nossa pergunta.
– Senhor, não queremos atrapalhar...
– Sabemos que o senhor não tem nada a esconder.
Duas vozes masculinas vindas da porta da frente. A terceira era de George, não tinha o mesmo tom calmo, parecia com os velhos bêbados e nervosos que víamos saindo de bares discutindo o preço da cerveja. Silencio de repente. A viga solta do piso em frente a porta rangeu. Espiamos pela porta da cozinha e olhamos para a porta, mas na porta não havia nada, nem dois homens, nem George... Apenas aberta, deixada.
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