Kryptonite

1 1x00 - Sophie and the Breadstix Mission


Notas iniciais
Então, espero que gostem, e... É isso.

Kurt

Para Kurt, sua vida não poderia estar mais na fossa. Seu pai tinha dificuldade em aceitar que o filho era gay, a população de Lima tinha dificuldade em tolerar um gay ali, Kurt era constantemente humilhado no colégio, e tinha como única amiga uma nariguda que parecia só o querer por perto por conta de suas habilidades musicais, que ele desperdiçava num Clube do Coral fracassado, cujo só o havia feito ser mais humilhado. Como se ser gay e amigo de Rachel Berry no McKinley High não fosse o bastante.

E toda aquela reflexão sobre Kurt ter chegado ao fundo do poço estava acontecendo ali, no banheiro do McKinley High, enquanto Kurt tentava salvar seu sobretudo da Burberry do Slushie de morango que haviam jogado nele. O Slushie de morango era uma delícia e o favorito de Kurt, mas os retardados do time de futebol (que Kurt acreditava terem tirado seus cérebros para fora apenas para terem espaço pra mais músculos, pornô barato e bacon) nem sequer haviam pensado em realmente beber a raspadinha. Era demais para as mentes afetadas por esteróides deles. Hummel odiava os caras do time de futebol. Todos. Todos menos Finn. Finn Hudson era o Quarterback do time do McKinley High, era extremamente alto e tinha expressões gentis no rosto. Ele era lindo, e Kurt nutria uma paixão secreta e infinitamente clichê por ele. Finn era o único que não jogava Slushies em Kurt. Literalmente o único. Mas os outros garotos faziam questão de jogar o líquido gelado em Hummel, e, em alguns dias, eles jogavam duas vezes ao dia. Na entrada e depois do almoço. E aquilo havia acontecido naquele dia. Os olhos de Kurt já estavam vermelhos pelo líquido que havia ali batido, e o choro que se seguiu após a primeira vez do dia que ele recebeu o Slushie no rosto não o havia ajudado. Então ali ele estava. Humilhado, morrendo de vontade de chorar, mas se segurando, em primeiro lugar porque o rosto dele já estava inchado, e em segundo porque já era hora dele pegar seu turno no Breadstix.

Kurt levantou o rosto e, logo após desistir de seu sobretudo, passou água por seu rosto, numa tentativa de acalmar os ânimos. Respirou fundo, e com um suspiro colocou seu sobretudo em seu braço e caminhou em passos curtos para fora do banheiro. Era hora de encarar a parte da tarde de seu pesadelo diário.

Os passos de Hummel eram tímidos e amedrontados pelos corredores do McKinley, e o garoto só relaxou um pouco mais ao sair do local e entrar em seu carro. Respirou fundo mais uma vez e girou a chave na ignição, era hora de ir ao Breadstix, vestir o uniforme horrível e servir vários idiotas que o tratariam como se ele fosse retardado.

Ruas, ruas e mais ruas, era tudo o que Kurt podia ver enquanto balbuciava a letra de G.U.Y, a música que passava na rádio naquele momento. E então, a entrada de trás do Breadstix se materializou na frente de Kurt. Ele saiu do carro, entrou no local, evitou cumprimentar as garçonetes burras que ali estavam e foi até o pequeno vestiário, colocou as roupas e bateu seu ponto.

– Atrasado de novo, Hummel? Ainda não sei porque não te despedi. – A voz do Sr. Lightshade, o gerente do restaurante, soou dura, e Kurt fez questão de ignorar o insulto. Era hora de garantir um novo sobretudo da Burberry, ele estava precisando. Porém, assim que Kurt olhou para as mesas que esperavam atendimento, seu olhar vagou para a mesa cheia de Cheerios. Ah, as Cheerios. As versões femininas dos odiosos garotos do time de futebol. E ele as odiava tanto quanto. Dessa vez sem exceções. E, logo ao lado, uma garota loira de estatura pequena sozinha. Podiam dizer que ele estava louco e que deveria ser internado, mas ele não escolheria atender as Cheerios com uma perfeita e inofensiva garota logo ali do lado. E ele também não iria se forçar a olhar o resto das mesas do local (que estava lotado).

Então, seguiu seu andar até o corpo diminuto da garota, agradecendo a um deus inexistente por não precisar atender as Cheerios. Chegando mais perto, pode observar os olhos azuis e grandes da garota, que parecia não ser detestável como o resto das pessoas que ele conhecia.

– Bom dia, seja bem-vinda ao Breadstix, eu sou Kurt Hummel e vou te atender hoje. – Kurt falou, a voz preguiçosa. – O que deseja?

– Oi Kurt, eu sou a Sophie. No momento desejo um namorado, mas parece que está em falta. – ela revirou os olhos e Kurt riu vagamente.

– Realmente, não servimos esse prato.

– Tem certeza? – Sophie perguntou, a voz teatralmente triste.

– Acredite, se servíssemos, eu já teria pedido há muito tempo. – Kurt reclamou, já se sentindo mais confortável com a garota, que riu.

– Gostei de você, Kurt. – a garota sorriu, simpática. – Me recomenda algo?

– Ah, o bolo de chocolate, é claro. É a melhor coisa que existe. – Kurt parecia apaixonado pelo tal bolo.

– Sério? Uma garota me disse que eu não pedisse o bolo de chocolate de jeito nenhum.

– Quem foi? – Kurt parecia chocado.

– Santana Lopez. – Sophie falou como se o nome nada significasse.

– Ah. – Kurt deu uma risada. – Isso foi porque antes de entregar a ela, eu comi um ou dois pedaços. – Sophie riu. – E depois que comi cuspi no bolo, é claro. – Sophie gargalhou.

– Pra quê tanto ódio no coração, Kurt? – ela perguntou, ainda com um sorriso no rosto.

– Vou dizer simplesmente que não sou obrigado a gastar meu dinheiro com roupas de marca pra uma Cheerio estragar todas com slushie de uva, que é horrível, por acaso. – Kurt reclamou.

– Sabe, uma vez um homem muito sábio disse: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”. – Kurt não conseguiu conter uma risada fraca.

– Do jeito que minha vida está uma bosta, não tem muita coisa que vá estragar mais. – Hummel reclamou, revirando os olhos.

– Então, Kurt Hummel. – Sophie se aproximou dele, e parecia determinada. – Me traga aquele bolo de chocolate, porque nós vamos o dividir, e a partir daí, a sua vida vai ficar bem melhor. Ou eu não me chamo Sophie Rivera.

Zach

Lima, Ohio. Como diabos ele havia escolhido aquela cidade para morar mesmo? Ah, sim, ele, Arthur e Emily haviam sorteado estado e cidade. Zach nunca tivera sorte em sorteios, por mais irônico que parecesse.

E então, Zach estava em sua nova casa. Um humilde apartamento de quatro quartos num prédio de míseros cinco andares, mas que era próximo ao colégio. Três quartos seriam ocupados por Zach, Arthur e Emily. E infelizmente, Emily havia conseguido o quarto suíte, e Zach não entendia o porquê.

– Emy, por que você tem que ficar com suíte mesmo? — Zach perguntou, olhando para a amiga. Zach e Emily estavam sentados no sofá felpudo da sala deles, com as costas apoiadas no sofá, e organizando algumas pilhas de CDs e gibis.

– Porque eu sou uma garota, Super Z. — A morena falou, observando o amigo. Zach possuía olhos extremamente azuis, cabelo castanho, um sorriso infantil e ombros largos, enquanto Emily tinha os cabelos escuros, olhos castanhos, pele morena e tinha cerca de um metro e setenta.

– Eu… não entendi. — Zach falou, claramente confuso, com um gibi do quarteto fantástico em mãos.

– Não entendeu o quê? — Emily indagou, mais focada em dividir os CDs por seu respectivo dono.

– Só porque você é menina tem que ter o melhor quarto? Nada a ver. — Zach tinha uma expressão emburrada no rosto, e Emily riu ruidosamente.

– É porque eu preciso de mais privacidade que vocês. — Emily tentou explicar, mais uma vez.

– Isso é injusto. Mas tudo bem, eu não ligo. — Zach deu de ombros, finalmente colocando o gibi do quarteto fantástico em seu lugar correto. E Emily sorriu, voltando a organizar os CDs, e foi naquele momento que Arthur abriu a porta.

– Olá, súditos! — Ele ergueu os braço para o alto, com várias sacolas de super-mercado nos braços. Emily riu, e Zach se levantou, prontamente indo ajudar o amigo a deixar todas as sacolas na mesa de jantar deles.

– O que comprou, Arthur? — Emily levantou-se, seguindo até a mesa de jantar para olhar os alimentos nas sacolas.

– Comida pra caralho. — Arthur falou, pegando uma das sacolas e indo sentar-se no sofá confortável do apartamento dos três. — E, é claro, vodka! — ele disse, levatando uma garrafa de vodka que estava na sacola que ele tirara da mesa. Emily e Zach riram, enquanto Arthur abria a bebida.

– Você ainda vai fazer uma merda grande por causa desse seu vício em vodka. — Emily avisou, buscando um copo para o amigo.

– Claro que não, eu tenho tudo sob o controle. — O garoto sorriu de lado, como sempre. Arthur tinha cabelos num tom de castanho claro, e olhos azuis, porém mais acizentados que os de Zach. Os ombros de Arthur eram um pouco mais curtos que o de Zach, porém a cintura deste era mais fina, e ele era mais alto. Emily sentou no chão, onde antes estava e estendeu o copo para Arthur,que pegou e serviu-se com Vodka.

– Arthur? — Zach chamou, ainda olhando os alimentos comprados recentemente.

– Que foi, Super Z? — Arthur perguntou, sem tirar a atenção de sua bebida.

– Você comprou meu achocolatado? E meus biscoitos? — Zach continuava a procurar os alimentos.

– Merda. Não, Zach, eu esqueci. — Arthur praguejou antes de responder o amigo.

– O quê? — Zach quase gritou, e parecia verdadeiramente assustado. — Não, eu preciso do meu achocolatado e do meu biscoito! Ou eu não consigo dormir. — ele reclamou.

– Você sobrevive. — Arthur falou, tomando mais um gole de sua vodka. Emily revirou os olhos.

– Pode deixar que eu vou comprar, Super Z. — Emily falou, levantando-se do chão.

– Obrigada, mamãe Emy. — Zach sorriu como uma criança.

– Olha, Zach, vamos fazer um combinado, ok? — Arthur sugeriu.

– Qual? — Zach perguntou, sentando no sofá ao lado do amigo.

– Você compra seus próprios lanches, e eu levo as garotas que eu for comer pra um motel pra você poder ver seu desenho animado tranquilo. — ele sugeriu, dando mais um gole em sua bebida, e Zach percebeu que morar com Arthur não seria tão legal, mesmo Arthur sendo seu grande amigo.

Notas finais
E então? O que acharam? Comentem, por favor, e digam no que posso melhorar.