Notas iniciais
Nos vemos ali embaixo! Boa leitura ;)

– Hope? Está acordando? — a mãe da menina estava sentada em uma cadeira nada confortável ao lado da cama do quarto de hospital no qual a filha estava internada há dois dias com coma alcoólico e desacordada.

– Mãe? — a menina resmungou. Os cabelos mais bagunçados que o normal estavam soltos, o penteado de dias atrás desfeito. O vestido preto de paetê fora trocado por uma camisola branca de hospital e as cobertas cobriam-na até a cintura. Ela esticou o braço e colocou a mão no rosto, esfregando os olhos.

– Está tudo bem? — a mãe se levantou, segurando a outra mão da filha.

– Acho que sim. Por que estamos no hospital? O que aconteceu?

– Você não se lembra de nada? — a menina negou com a cabeça, olhando assustada para a mãe. — Mesmo? — ela negou novamente. A mãe abaixou a cabeça e olhou tristemente para a filha. — Você foi à festa daquela sua amiga, Brooke. Voltou para casa bêbada, muito bêbada mesmo. Estava com marcas de chupões no pescoço e várias manchas roxas nos pulsos e nas pernas. Havia alguns cortes na sua perna com cacos de vidro ainda na pele. Sua boca estava horrível, cheia de sangue e cortada. Assim que chegou em casa você me chamou gritando, vomitou sangue e bebida no tapete e caiu no sofá. Faz dois dias que está dormindo. Os médicos diagnosticaram como coma alcoólico, mas tinham esperança de saber o que aconteceu pelo seu corpo e sua boca. E também o que ocorrera para você vomitar sangue.

A menina sentou-se na cama, tentando lembrar-se da festa da amiga. Divertiu-se bastante, brigou com o namorado por causa de um copo de vodca, mas depois estavam bem novamente, dançou e bebeu muito. Depois voltara para casa, lembra-se de alguns garotos andando de skate e de um homem com casaco longo na rua, depois seguiu para casa e caiu no sofá.

– Hope? — a mãe chamou-a.

– Não me lembro de ter me machucado durante ou depois da festa — ela respondeu. A mãe suspirou indignada e foi andando em direção a porta do quarto. — Mãe, onde você está...

– Vou chamar alguma enfermeira. Só um momento — ela abriu a porta e saiu, fechando-a novamente. Hope tentou lembrar-se do que acontecera, mas não conseguia. Procurou pelo celular na cômoda, mas lembrou que não estava em casa e sua mãe provavelmente não tirara o celular de dentro de seu quarto, afinal não levara-o para a festa.

– Olá Hope — uma mulher vestida de branco, jovem e rechonchuda abriu a porta delicadamente. Entrou no quarto com uma bandeja com alguns utensílios médicos postos sobre ela e sentou-se na cadeira ao lado da cama. A mãe a seguia e se colocou ao lado da filha. — Finalmente acordou, hein? — Hope sorriu. — Vou medir sua pressão, temperatura e te dar um remédio para dor de cabeça, afinal, que ressaca, hein? — a mulher riu. Hope olhou dela para a mãe e sorriu falsamente.

A mulher colocou o aparelho de pressão no pulso da menina e apertou alguns botões. 11/7. Anotou em uma cadernetinha na cabeceira da cama e pegou o termômetro. Hope colocou-o debaixo do braço e esperou ele apitar. 36,4. Em seguida vinha o remédio para a dor de cabeça, que na verdade Hope não estava sentindo, mas tomou-o para prevenir.

– Vou chamar o Doutor para dar uma olhadinha em você, tudo bem? — a menina assentiu e aconchegou-se na cama. A enfermeira então sorriu e recolheu a bandeja.

Jamais gostara de hospitais apesar de sentir-se segura quando estava sobre os olhos cuidadosos de enfermeiras e de médicos. A mãe encarava-a com interesse apreensivo, passando os olhos pelos machucados do rosto e dos braços expostos da menina. Hope tentou ao máximo sorrir para acalmar a mãe, mas os músculos da bochecha doíam.

– Bom dia, senhorita Williams — o médico alto e loiro, vestido com um jaleco branco com o emblema do hospital e o nome gravado em letras azuis no bolso do mesmo entrou no quarto com uma caderneta de anotações. Rolan James era seu nome. — Está melhor?

– Acho que sim — sorriu. O homem tinha olhos azuis, brilhavam refletindo a luz da lâmpada do quarto. Ele sorriu de volta mostrando dentes claríssimos.

– Ia perguntar se se lembra de algo, mas acredito que não, certo?! — a menina negou. — Ok. Vou pedir para a senhora — olhou encarecidamente para a mãe de Hope. — ir até a delegacia mais próxima e delatar o acontecido. Não acredito que tenha sido um estupro, mas temos marcas visíveis e uma mão masculina pelos braços e pernas de Hope. Quem sabe há câmeras de segurança em alguma das casas pelo caminho onde ela percorreu.

– O que acha que pode ter sido? — a mãe perguntou preocupadamente.

– A senhorita Williams não se lembra de nada da festa? Algum rapaz, ou seu namorado talvez, alguém tentou fazer algo com você de que não gostaria? — ele vidrou os olhos nela.

– Estava dançando com minhas amigas, só peguei bebidas e conversei com algumas pessoas, mas a maior parte do tempo estava dançando. O único menino com o qual falei foi o irmão de Brooke, mas ele não fez nada de mais. Briguei com meu namorado, mas nada sério ou preocupante — ela explicou, lembrando-se das luzes e das músicas altas.

– Quantos copos de cerveja você bebeu?

– Três garrafas, mas dividi com minhas amigas e dois copos de vodca — ela respondeu envergonhada. Já tinha ido a muitas festas, sempre se divertia com as amigas e bebia, mas jamais bebeu exageradamente como na festa de Brooke.

– Alguém em algum momento mexeu nas suas bebidas, além das suas amigas?

– Estávamos sempre em três, contando comigo. Quando elas me pediam dava a garrafa ou copo para elas, mas somente nós três estávamos bebendo.

– Foi o que imaginei. Fizemos exames de sangue em você enquanto estava desacordada, espero que não se sinta incomodada. Não há registros de nenhum tipo de substância em seu corpo, além de álcool — ele fez algumas anotações na caderneta enquanto falava e encarou a escrita. — Vou passar alguns remédios para você tomar e recomendo chegar em casa e descansar um pouco, tome bastante água e um café preto sem açúcar, tudo bem? — ele sorriu, arrancando a folha da caderneta e entregando-a para a mãe. — Um dos remédios é para dor de cabeça, apesar de recear de que não sinta nada, acho bom receitá-lo. O outro é para regular a glicose no sangue. Se começar a vomitar faça uma batida de maçã, mamão, cenoura e beterraba. Vovó dizia que ajudava — ele riu verdadeiramente, mas continuou com a postura de médico. — Está liberada, mocinha, mas tome cuidado na próxima.

O Doutor saiu do quarto, deixando a menina e a mãe sozinhas. A mãe de Hope adiantou-se em pegar uma roupa que estava dentro de sua bolsa e entregá-la para a filha.

– O banheiro é ali – a mãe apontou para uma porta em um dos cantos do quarto. A menina levantou-se da cama sem nenhuma dificuldade e pegou suas roupas, caminhando lentamente em direção a porta que a mãe indicara-lhe. Entrou, acendeu a luz e fechou a porta. A primeira coisa que viu foi seu reflexo no pequeno espelho pendurado na parede. Uma menina com a boca cortada, os olhos fundos e com olheiras que ela duvidava até que uma maquiagem disfarçasse-as e o cabelo despenteado e bagunçado, encarava-a de volta no espelho. Ela até se assustou com seu próprio reflexo, encarando a si mesma por alguns segundos para ter certeza de que realmente havia acordado do coma. Decidiu vestir-se a olhar para si mesma naquele estado deplorável. Deu-se ao trabalho de tentar ajeitar o cabelo penteando-o com os dedos para abaixá-lo e saiu do banheiro com uma calça de moletom preta e uma regata branca.

– Vamos? – perguntou para a mãe assim que saiu. A mãe encarou-a ainda preocupada com tudo o que havia acontecido e assentiu com a cabeça, levantando-se da cadeira na qual ficara dois dias observando preocupadamente a única filha praticamente vegetando. As duas saíram do quarto lado a lado, sem olharem uma para a outra e percorreram os corredores que dois dias antes Hope percorrera desmaiada em uma maca. Ao chegarem à recepção, a mesma enfermeira que fora no quarto antes estava esperando-as com um sorriso.

– Tudo certo? – ela perguntou para Hope, que sorriu timidamente. – Bom dia para vocês – ela sorriu e abriu a porta para que as duas pudessem passar e fechou-a em seguida voltando aos seus afazeres.

– Seu pai está furioso, Hope – a mãe informou enquanto iam andando em direção ao carro estacionado não muito longe delas. – Mas fique tranquila que daremos um jeito nisso. Eu acho que o máximo que poderá acontecer é você ficar algumas semanas sem ir a uma dessas festas novamente – ela sorriu carinhosamente para a filha. Hope sempre se comportava em festas como aquela, realmente não sabia o que havia acontecido para ter exagerado tanto para chegar àquele ponto. Estavam se aproximando do carro da família quando as palavras da mãe invadiram seus devaneios: – Quer passar na delegacia agora ou deixar para ir amanhã? Você deve estar exausta e...

– Se não se importa, pode apenas me levar para casa? Não quero falar sobre nada disso até entender exatamente o que aconteceu. Ainda não sei direito o que aconteceu depois que fui embora, quero pensar – ela disse delicadamente para não magoar a mãe. Não gostava de ser estúpida com a mãe, muito menos agora, depois que a preocupara tanto. A mãe sorriu com pena e assentiu. Elas em seguida entraram no carro e a mãe deu partida, andando pelas ruas calmas de Hunter's Valle em silêncio absoluto. Em quanto isso, a mente de Hope fazia todo o barulho que ela e a mãe não faziam. Estava pensando em como poderia ter se machucado tanto, e porquê de ter vomitado sangue, mas não se lembrava de nada. Seria possível ela estar tão bêbada que caíra em algum lugar e não se lembrava? Mas isso não explicaria seu sangue no vômito. Falaria com Brooke ou qualquer outra de suas amigas para saber o que acontecera, elas provavelmente estavam tão bêbadas quanto ela, mas iriam se lembrar de algo. Ela esperava.

Notas finais
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo. Não recebi nenhuma review no prólogo então espero que pelo menos uns dois eu consiga com esse capítulo. Início de fanfic nunca é fácil, eu entendo ;) Mas sabem que uma motivação é sempre bom! Acho que na semana que vem eu já posto o capítulo dois se eu conseguir terminá-lo até lá. Minhas aulas começam semana que vem então as atualizações ficarão um pouquinho mais complicadas de agora em diante, mas tentarei o máximo possível postar uma vez por semana. ESPERO REVIEWSSSSS :D Gray Girl xoxo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.