Notas iniciais
Desculpem-me a demora, mas ando demasiadamente ocupada. Espero que gostem do capitulo.

Elizabeth foi acordando aos poucos e se deu conta que ainda estava deitada sobre o confortável tapete da sala, da mansão. Seu corpo, ainda nu, estava coberto por um lençol longo e grosso. Ela levantou-se devagar, segurando o pano que cobria seus seios, e observou ao redor do enorme cômodo para ver se Red estava em algum canto por ali. Porém, a mulher percebeu que estava só.

Nossa, onde ele deve estar...Pensou

Com calma, ela levantou e pegou suas roupas. Com cuidado, ela começou a vestir-se. Seria um tanto constrangedor alguém chegar ali e vê-la naquela situação. Logo, ela estava pelada na sala de uma casa que ela sequer sabia a quem pertencia.

Depois de vestir-se, ela foi até as enormes vidraças da sala, e observou além da cortina. A Mercedes de Red ainda permanecia no mesmo lugar, estacionada. A mulher franziu o cenho e ficou se perguntando onde estava Reddington. Ela foi até o quarto, no andar de cima, chamou pelo nome do homem, mas não obteve nenhuma resposta. Imediatamente, Liz desceu e foi para o lado de fora da casa. Quando já ia tentar ligar para Red, viu um caminho ao lado da casa, que levava para uma íngreme escada de pedra. Elizabeth, por curiosidade, seguiu pelo caminho e ficou na ponta da escadaria. Assustou-se ao se deparar com a linda vista que estava ali diante dos seus olhos.

Um lago fazia parte da propriedade. Com o dia nublado, as águas estavam meio turvas, mas isso não tornava o lugar menos atraente. Lá embaixo havia um banco, feito propositalmente para quem quisesse sentar e ficar observando a vista. Lá, estava Raymond, sentado sozinho e com um casaco preto protegendo-lhe do frio. A mulher desceu calmamente, tomando cuidado com o jeito íngreme dos degraus. Não queria atrapalhar o momento de Red com barulho, por isso foi cuidadosa. Infelizmente, no antepenúltimo degrau, a mulher levou um pequeno escorregão que chamou a atenção do homem; cujo imediatamente olhou para trás e levantou-se.

— Liz!

— Nossa, com tanto cuidado que eu tomei, ainda cai nessa escada.

Red sorriu com o modo meio desajeitado de Liz.

— Não se preocupe, eu também quase cai nesse degrau.

— Sério? Mas o que tem de anormal nele?

— Todos tem o mesmo tamanho, menos ele. E perceba que é um pouco mais inclinado do que os demais. Geralmente você se acostuma depois de ter descido várias vezes.

Liz assentiu com a explicação de Red. A mulher esfregava a palma da mão e fazia uma cara de dor.

— Você machucou a mão. Deixe-me ver.

Red pegou a mão de Liz e massageou por alguns instantes.

— Você acha que vou ficar bem, doutor Reddington? Brincou Liz.

Red sorriu antes de responder.

— Você vai ficar bem sim.

Disse ele dando um beijo na mão de Liz e soltando-a bem devagar. Logo depois, ele deu as costas e caminhou lentamente rumo ao banco, mas não sentou. Ficou de pé observando a visão a sua frente. Elizabeth seguiu rumo ao homem e sentou-se no banco.

— Red, precisamos conversar.

Red assentiu, mas abaixou a cabeça. Com as mãos dentro do casaco, respirou fundo para sentir o ar gelado entrar em suas narinas. Soava cômico, mas não havia cenário que retratasse melhor a conversa que os dois teriam a seguir. Uma nuvem carregada ao horizonte anunciava que ia chover, enquanto isso Red procurava a palavra certa para começar a falar de seu passado.

— Antes de qualquer coisa, preciso que escute com atenção o que vou contar para você. Informou Red em um tom de voz firme. — Foi numa manhã de natal, Liz. Eu não tive como chegar em casa. Uma forte nevasca atingiu toda a cidade, meu veículo simplesmente não tinha como passar por aqueles caminhos. Estava tudo deserto, por recomendação do próprio governo, as pessoas optaram por ficar dentro de suas casas. Eu deixei meu carro em um posto de combustível e tive que caminhar quilômetros até chegar meu destino. Eu morava numa área não tão habitada da cidade de Washington. Depois de quase uma hora caminhando, eu finalmente cheguei. Feliz por ter chegado ao meu destino...feliz por ter a chance de encontrar...

Naquele momento, Red sentiu um nó na garganta, mas respirou fundo.

— ...de ter a chance de encontrar minha esposa e minha filha.

Liz ouvia com atenção cada palavra dita por Red.

— Mas ao mesmo tempo triste porque não havia conseguido trazer os vários presentes que a minha filha havia pedido. Nossa, ela passou o ano inteiro esperando pelo natal, tirando boas notas na escola, com um comportamento impecável; mas por ironia do destino, ela teria que esperar talvez por mais um dia depois do natal, porque o papai dela não havia conseguido chegar antes da nevasca.

Red sorriu com a lembrança.

— Fiquei pensando se ela entenderia, mas como criança ficaria triste inevitavelmente. Enquanto a minha mulher, tudo que eu queria naquele momento era apenas abraçá-la. Eu olhei pela janela para tentar vê-las, mas a casa estava misteriosamente no escuro. Estranhei, mas segurei na maçaneta da porta. O objeto estava liso, mais do que o normal. Eu estava com luvas pretas, então não percebi nada de anormal nela. Quando a tirei e peguei novamente no objeto na tentativa de abrir a porta, percebi um sujo na minha mão. A maçaneta estava suja de sangue. Não hesitei e saquei minha arma e entrei feito em total desespero. Tomando cuidado, checando cada cômodo, mas não havia ninguém. Chamei pela minha esposa, mas foi ai que vi minha mulher caída ao chão, próximo ao nosso quarto. Corri e ajoelhei-me ao lado dela.

Red parou por alguns instantes e respirou fundo, procurando forças.

— Eu a coloquei em meus braços, mas ela havia sido baleada no peito. Estava morta. Eu segurei a mão dela com a minha e a abracei contra o meu peito. Eu não contive o choro...a dor de ver minha esposa morta em plena manhã de natal.

Red calou-se por alguns segundos antes de continuar.

— Naquele momento, eu peguei corpo dela e coloquei sobre a nossa cama. Depois segui em busca de minha filha. Subi desesperado para o andar de cima, gritando pelo nome dela. Eu temi o pior...e por um momento eu não suportei a dor da possibilidade de vê-la morta. Eu entrei no quarto dela, que estava com a porta aberta, mas ela não estava lá. Levei as mãos a minha cabeça, no desespero de saber onde minha filha poderia estar.

Naquele instante, lágrimas começaram a cair dos olhos de Red.

— Foi aí que eu ouvi um sussurro chamando “papai”. Abaixei-me imediatamente, e vi que minha filha estava com o corpinho encolhido, debaixo da cama. Imediatamente levantei a cama e joguei-a para lado, e peguei minha filha nos braços. Ela estava com um ferimento no estomago. Peguei um pano e o pressionei forte. “A mamãe disse que eu não saísse de baixo da cama enquanto ela não aparecesse, papai.”. Disse ela para mim, com a voz tão fraquinha. Os dedinhos dela tocando o meu rosto, sentindo as lágrimas que escorriam nele.

Red tocava o próprio rosto como se sentisse o toque de sua filha.

— Eu corri, Lizzie. Eu corri para tentar salvá-la. Até que as últimas palavras de minha filha foram: “Papai, por que você está chorando?”.

Red calou-se novamente por alguns instantes, sentindo a dor da lembrança.

— Eu quase nunca me lembro do que eu fui, Lizzie, como já disse a você. Mas fui obrigado a não se lembrar do passado, por tão doloroso que ele foi. Kraus Rostova matou minha família, Liz.

Liz levantou-se. Lágrimas também começaram a cair de seus olhos.

— E por que ele fez isso?

Red respirava forte, buscando forças para conseguir falar.

— Porque eu era o maior aliado de sua mãe, e ele a odiava. Odiava porque seu avô era um dos maiores contrabandistas de armas da Europa Oriental. E todo o império dele foi deixado para a sua mãe. Nada menos do que um castigo do patriarca pela ingratidão de Kraus. Depois disso, ele se tornou inimigo mortal dela e jurou que derrubaria aqueles que funcionassem como pilar de seu império. Ele sumiu por anos, mas quando retornou, a primeiro atingido fui eu. Ele não conseguiu o mesmo feito comigo. Não conseguiu me matar, nem eu consegui matá-lo. Depois de tomar conhecimento sobre você e eu, foi a chance que ele teve de emergir das sombras que se escondera por anos.

Naquele instante, Liz caminhou devagar até Red, e o abraçou por trás. Apoiou sua cabeça das costas do homem e o apertou forte.

— Me desculpa, Lizzie...

— Desculpa pelo quê, Red?

Questionou a mulher, pasma ao ouvir aquelas palavras. Imediatamente, ela o virou para poder encará-lo.

— Não ouse a me pedir desculpas! Disse a mulher de forma incisiva.

— Eu não abandonei vocês duas. Eu fiz para poder protegê-las. Eu não suportaria essa dor de novo, Liz. Eu não aguentaria a dor de ver algo acontecendo a você ou a Alice.

— Não vai acontecer nada, meu amor. Disse ela o abraçando forte. – Vamos ficar bem, Red.

Naquele instante, Liz beijou Red. Acariciou o rosto do homem enquanto seus lábios o tocavam carinhosamente.

— Eu amo você, Raymond. Já passamos por muitas coisas...passaremos por essa também.

Ao ouvir aquilo, Red abraçou Liz. Ele a segurou contra seu peito. Eram exatamente aquelas palavras que ele precisava ouvir naquele momento.