Kraus Rostova No 02
23 O Diabo também ajuda os dele
Notas iniciais
A chuva batia com força na janela de vidro, enquanto Aram estava sentado a mesa, comendo macarrão instantâneo. Era quase impossível ele ouvir qualquer barulho ao seu redor, tamanha era a sua concentração vendo a série Game Of Thrones, com seus fones ensurdecedores. Quando acabou um dos episódios, ele levantou e foi até a pia da cozinha deixar o recipiente sujo. Olhou para o relógio e viu que já passavam das 23 horas. No dia seguinte ele não precisaria levantar para trabalhar, por isso estava se dando ao luxo de ficar acordado até mais tarde.
No momento que ele retornava para a mesa, alguém tocou a campainha. Aram assustou-se pois obviamente não estava aguardando visitas, ainda mais aquela hora da noite. Foi então que ele observou pelo olho mágico para ver quem era. Sentiu um frio percorrer-lhe a espinha, ao ver quem estava do outro lado. O agente destrancou a porta e a abriu devagar.
— Sr. Reddington...
Disse com a voz tremendo.
— Boa noite agente Mojtabai.
Cumprimentou Red, com feições sérias.
Aram deu passagem e o homem entrou. Dembe dessa vez não estava o acompanhando.
— Em que posso lhe ser útil, Sr. Reddington? Fiquei sabendo que Liz está a salvo.
— Ela sempre estará a salvo, Aram. Enquanto eu estiver vivo, a vida de Elizabeth será poupada porque farei o que for preciso para que ela fique bem.
Aram concordou e mesmo tendo contato há anos com Red, o agente ainda ficava nervoso na presença do criminoso.
— Mas vamos ao que interessa, Aram. Preciso que rastreei todas as ligações realizadas em uma única localização.
Red entregou um papel com o endereço para Aram. O homem pegou o papel e leu os dados escritos no pequeno pedaço de folha de caderno. Em seguida, o agente concordou e foi para a frente de seu computador. Lá, ele começou a digitar de forma frenética em um dos programas ultrassecretos utilizados pelo polícia federal americana . Raymond mantinha um jeito sério, mais do que o normal. Fato que deixava o agente ainda mais nervoso. O homem começou a bater os dedos na madeira da mesa, inquieto. Apesar do frio, o suor na testa de Mojtabai começou a escorrer. Aproximadamente 10 minutos depois, ele virou a tela do notebook para Red.
— Todos os números realizados nas últimas 24 horas. O incrível é que antes disso, a última ligação que teve foi há 10 dias.
Aram virou novamente a tela para si e tornou a digitar de forma frenética.
— Contudo, apenas um número foi chamado inúmeras vezes...este! Disse Aram novamente virando o computador.
Red sorriu
— Procure a localização deste número.
— Eu já fiz isso sr. Reddington. A última localização foi...
— O quê? Questionou Red.
— No endereço onde está Liz e as instalações médicas.
Red levantou-se imediatamente, pegou o celular e ligou para Dembe. Ele abriu a porta do apartamento e seguiu pelo corredor, descendo as escadas do prédio e segurando o aparelho em seu ouvido.
— Onde está você, Raymond? Perguntou Dembe nervoso.
— Dembe, preciso que monte uma equipe. Elizabeth não poderá ficar aí e quero o maior número de homens possível. Kraus descobriu a localização.
Após entrar em sua Mercedes e ligá-la, Aram apareceu na janela do veículo. Fazendo gesto para que Red destravasse a porta.
— O quê, Aram?
— Eu...eu vou com você.
Disse o agente abrindo a porta e entrando no carro. Naquele momento, Red arrancou com o veículo, em direção ao galpão onde estava Elizabeth e Alice.
— Por que Kraus está caçando a Liz?
Indagou Aram. Red continuou dirigindo rápido e assustou o agente.
— Porque ele sente prazer em impor medo. Ele torturou Elizabeth, mas antes disso ele quase vitimou Alice. Vulnerabilidade é o hobbie dele. Ele vê em Lizzie a figura de Katarina. Ou seja, a pessoa que ele mais odiou nesta vida.
Naquele momento, o celular de Red tocou.
— Para onde, Dembe?
— Plano J.
— Ok.
Disse Red encerrando a ligação.
— Aram, preciso que rastreei novamente aquele número e veja onde foi a última ligação.
O agente abriu o computador e começou a digitar.
— Foi há um minuto.
— Onde, Aram?
— Avenida 3 x Rua Abraham, no... espera aí, mas é aqui no...
Antes que o agente pudesse concluir a frase, uma moto colidiu na lateral da Mercedes.
— Meu Deus! gritou Aram e o veículo derrapou no asfalto
Os homens ficaram estupefatos com o que havia acabado de acontecer. Red olhou e percebeu que o homem estava armado e vestido com uma jaqueta preta. Em seu braço, ele viu uma tatuagem, reconhecendo que era um dos mercenários contratados por Kraus. Naquele momento, ele arrancou o carro e tornou a atropelar o homem, que já se preparava para colocar a arma em punho. O motoqueiro caiu sobre o capô do carro e girou desnorteado, caindo pela lateral. Aram estava tão assustado, que balbuciava as palavras.
Red desceu do veículo com uma escopeta e chutou a arma do homem para longe.
— Aram! Chamou Red e o agente veio com uma pistola glock em punho.
Ele o capacete e o homem estava desacordado. Em seguida, checou o pulso do motoqueiro e viu que ele ainda estava vivo.
— Devo acionar os demais agentes? indagou Aram.
— Não. Ele será interrogado por mim. Disse Red puxando o homem e gesticulando para que Aram o ajudasse. O mercenário foi então colocado no porta-malas da Mercedes. Depois, amarraram os pulsos do homem, que seguia desacordado. O agente se abaixou e viu uma carteira de couro no chão. Ele a apanhou e abriu para ver o nome do mercenário, mas Raymond tomou os documentos e os guardou em seu bolso.
— Vamos, Aram.
Red seguiu para o local onde Liz havia sido transferida. A agente e todas as instalações foram levadas para a mansão onde Reddington havia revelado para Liz o porquê de seu sumiço há quatro anos. Era também o local onde eles haviam feito amor pela última vez.
Na casa, que ficava em um local mais afastado do centro de Washington, Red desceu do carro e gesticulou para que os homens tirassem o motoqueiro do porta-malas. Quando Raymond entrou na propriedade, ele foi imediatamente verificar como estava Elizabeth, que ainda permanecia desacordada.
— Onde está Alice? Questionou à Kaplan.
— Está dormindo.
Ele foi até a cama de Elizabeth e segurou em sua mão.
Saudade
Era o que mais ele vinha sentindo nos últimos tempos. Kaplan se aproximou dele e colocou a mão em seu ombro.
— Raymond.
— Está tudo bem, Kate.
— Não, está Red, você está cansado e descontrolado querendo resolver tudo isso.
Red virou de uma vez, com o cenho franzido.
— Como você espera que eu reaja? Vendo o Kraus em busca de repetir a desgraça que ele já me causou uma vez?
Kate olhava pra Red com uma olhar penoso e isso pareceu irritá-lo.
— Kate, eu não preciso de condolências agora.
— Não estou me compadecendo de sua situação, Red. Mas peço que aja com mais cautela.
Red tornou a segurar a mão de Liz e beijou-a. Kaplan, percebendo que ele apenas queria ficar a sós com a agente, decidiu sair do quarto. Em seguida, ele a beijou na testa e acariciou seus cabelos. Seu rosto estava abatido e cansado, e aquilo o matava por dentro. Em seguida, ele soltou a mão da agente lentamente e saiu do quarto. Ele foi até o lado de fora da casa, para um casebre onde uma luz incandescente iluminava o ambiente. O motoqueiro, que tinha o rosto fino, cabelos castanhos claros e pele clara, estava com um ferimento na boca. O mercenário estava sentando em uma cadeira, com as mãos para trás e lúcido. Ao redor, estava Dembe.
Red colocou seu chapéu cinza sobre a mesa e pegou a carteira de documentos pertencente ao homem. Ele abriu o acessório e viu uma identidade com o nome Az Mudhon.
— Az Mudhon. Disse Red lendo o documento.
Naquele momento, Red sacou sua beretta e deu um tiro no pé do homem. Ele baixou a cabeça, com o rosto tão vermelho de dor que Red pensou que ele fosse gritar. O criminoso encarou Raymond com um feições de ódio.
— Onde está Kraus?
O homem se manteve calado. Raymond novamente atirou, mas dessa vez no ombro do homem.
— Onde está Kraus?
O homem novamente não respondeu e dessa vez sorriu para Reddington. Para a surpresa dos demais homens, Red também sorriu e balançou a cabeça, enquanto puxava uma cadeira para sentar-se frente a frente com o torturado. Naquele momento, ele o encarou por alguns instantes.
— Az, você certamente já passou por muitas sessões de tortura. E sei também que vai ser bem difícil de fazer você falar. Mas eu também já fui muitas vezes torturadas e sei como conjugar o verbo torturar.
Red levantou e foi até algumas ferramentas que estavam no local. Ele pegou uma chave de fenda e seguiu até o homem, verificando a espessura do apetrecho. Naquele momento, Red foi para a frente de Az e começou a enfiar o ferro na cavidade feita pela bala, em seu ombro. O homem estremeceu de dor, mas permanecia calado.
— Eu não vou falar. Disse o homem serrando os dentes.
— Raymond, é melhor chamarmos o Sr. Brimley. Interrompeu Dembe.
Red encarava Az com um olhar cheio de ódio.
— Raymond! chamou Dembe
Red tirou a ferramenta de uma vez e olhou para Dembe, com uma das suas feições bem características e balançando a cabeça. Em seguida, ele foi até uma parte nos fundos do compartimento e pegou um maçarico, mas não o ligou.
Ele abaixou a cabeça e coçou os olhos. Por fim, apoiou a mão em uma prateleira e respirou. Era doentia algumas reações, mas ela se faziam necessárias de vez em quando. Era um preço que precisava ser pago.
— Dembe, saia.
Dembe hesitou e quando pensou em retrucar, Red tornou a falar.
— Saia daqui agora. É uma ordem! Disse Red calmamente, porém incisivo.
O homem então olhou para Az e tornou a olhar para Red, que permanecia de costas. Em seguida, descruzou os braços e saiu do compartimento. Raymond olhou por cima dos ombros e se aproximou do comparsa de Kraus. Ele colocou o maçarico sobre a mesa e voltou a olhar os documentos de Az.
— Az, pela sua tatuagem no braço, sei que você é Argelino. Eu estive uma vez em uma comunidade na Argélia e confesso que amei a simplicidade de algumas coisas em seu país. E ao mesmo tempo, adorei a forma como vocês cultuam suas religiões.
Red falava calmamente enquanto limpava a ferramenta suja de sangue.
— No entanto, repudio a forma doente, como alguns rebeldes matam e torturam aqueles que pensam diferente. Conheço a cultura do seu bando. Foram torturados e hoje são rebeldes. Falando mais popularmente e sem muita cerimônia, você foi cordeiro, mas hoje você é lobo. Ou pelo menos se acha um. No seu grupo, uma das formas mais doentias de se torturar é usando o fogo.
Ao dizer isso, Red sentiu vontade de matar Az com aquela ferramenta. Lembrou da dor que Liz sentiu ao ser torturada, mas controlou-se. Ele precisava de informações que somente o homem poderia passar. Naquele momento, Reddington acendeu o maçarico e o homem o encarou.
— Eu sugiro que você seja breve e me conte logo onde está Kraus. Porque o odor da sua própria carne queimando é insuportável até mais do que a dor.
Lá fora, Dembe, que estava diante da porta do casebre, ouviu os gritos do homem. Ele abaixou a cabeça e sentiu apenas compreensão. Pois ele faria o mesmo caso alguém mexesse com sua filha.
...
Kraus estava diante de alguns homens, que faziam uma linha de produção bélica. Ele checou o celular e viu que não tinha nenhuma ligação de Az Mudhon. Fato que chamou sua atenção, mas ele preferiu não contatar o homem naquele momento. Esperaria mais alguns instantes até contatá-lo. Ele subiu até um gabinete, que dava uma visão panorâmica de todo o local. Sentou-se em uma poltrona e acendeu um charuto. Em seguida, ele pegou um revólver python 357 magnum, prata, e tirou seu barril de munição. Ele pegou uma das cápsulas e ficou observando e sorrindo, enquanto tragava o charuto.
— É cômico imaginar que somente uma coisinha mínima dessas seja capaz de matar. Queria colocar somente uma na sua cabeça, Red! Em breve eu farei. Sussurrou ele apontando a arma para um espelho diante dele.
Naquele momento, o celular tocou.
Az
— Me traga boas notícias.
— Sei onde...eles estão. Respondeu Az.
— Retorne a base.
— Ok. Concluiu Az.
...
Do outro lado, Red acabara de desligar o telefone. Ele olhou para Az, que estava com o rosto desfigurado pelas chamas do maçarico. Ele sacou a arma e atirou na cabeça do homem. O disparo foi tão próximo, que o argelino caiu para trás sem vida. Red tinha ódio em seus olhos. Ele virou nos calcanhares e saiu do compartimento.
— Dembe, reúna todos.
Dembe concordou e Red seguiu para a mansão. Ele subiu as escadas longas do imóvel, até o quarto onde estava Alice. Ele abriu as portas devagar e viu a menina dormindo, segurando o urso de pelúcia. Era uma daquelas cenas quase cinematográficas de tão perfeita. Ele sorriu e se aproximou da garota. Bem lentamente, sentou-se na cama e ficou acariciando os cabelos da filha. Alguns minutos depois, Dembe apareceu na porta do quarto.
— Raymond...
Red olhou para ele e concordou. Em seguida, o homem saiu.
Red tirou um cordão prata, que estava pendurado em seu pescoço, e deu um jeito de colocá-lo na garota. Nele tinha um crucifixo, que embora Red não fosse um homem religioso, mas guardava o objeto como um presente do seu passado. Depois, ele deu um beijo na cabeça da garota e sussurrou.
— Amo você minha filha.
Em seguida, ele se levantou, pegou o chapéu que estava sobre a mesa e saiu. Por fim, foi até o quarto onde estava Elizabeth e viu que Kaplan estava adormecida e sentada em uma poltrona, bem ao lado da cama. Ele se aproximou da agente e deu um beijo em seu rosto e acariciou sua cabeça enquanto sentia o aroma da sua pele. Raymond sentiu um nó na garganta.
— Eu sinto muito por tudo isso. Sussurrou ele.
Em seguida, ele deu as costas e saiu do quarto. Lá embaixo, todos os mercenários de Red o aguardavam.
— Red! chamou Dembe entregando-lhe um colete.
Red o encarou e pegou o apetrecho. Todos entraram em seus veículos e seguiram até o ponto indicado por Az, que ficava na saída de Washington. Red vestiu o colete, embora odiasse a peça. Dembe percebendo a cara do homem pelo retrovisor, não se conteve.
— Vamos a uma fábrica de armas, Raymond. Não permitira, jamais, que você fosse sem colete.
— O seu trabalho é este mesmo, Dembe. Mas ainda assim, odeio coletes. Disse Red colocando munição em uma escopeta.
...
Horas haviam se passado e Kraus se perguntava onde estava Az. Ele pegou o celular para ligar e a ligação foi direcionada para caixa postal. Tentou novamente e mais uma vez escutou a mesma mensagem. O homem olhou para o relógio e percebeu que havia algo errado. Az não ficaria tanto tempo sem se comunicar.
3:30 am
Naquele momento, Kraus sentiu-se sem chão.
A ficha caiu
— Reddington!
Ele imediatamente pegou sua arma e seu casaco e desceu as escadas.
— Senhor Rostova! Gritou um de seus comparsas. Kraus olhou e viu o homem vindo em sua direção.
— Todos aos seus postos! Gritou Kraus.
— Precisamos tirá-lo daqui senhor!
— Eu não vou sair daqui, seu bastardo! Respondeu Kraus. — Vamos dar ao nosso pequeno Red o que ele quer!
...
Do outro lado, os contratados de Red entravam pelas laterais do prédio e matavam as sentinelas. Três dos homens subiram por uma estrutura abandonada e ficaram a postos, observando o que se passava no interior da fábrica. Todos com armas longas e esperando o momento certo para uma ofensiva.
Dembe copiou no rádio o áudio de uma equipe que havia se separado.
— Dembe, existe apenas uma porta. Precisamos explodi-la e não podemos entrar sozinhos.
Ao ouvirem a mensagem, Red e Dembe seguiram para a tal entrada. Raymond pegou o rádio e ordenou para os demais.
— Preciso de todos aqui!
Os homens então passaram a instalar explosivos ao redor da porta, que tinha aproximadamente dois metros de altura e dois de largura.
...
Lá dentro, cerca de 20 homens se preparavam. Kraus ficou em um ponto com visão panorâmica. O seu alvo era Red!
Quando todos menos esperavam, um barulho ensurdecedor veio da lateral da estrutura.
Que filho da p...
Praguejou Kraus ao ver um lança foguete vindo na direção do prédio.
—Todo mundo pro chão! Gritou um dos homens e Kraus se jogou de um conteiner para outro, no intuito de não ser atingido. O míssel atingiu o muro lateral e explodiu na altura do gabinete onde Rostova esteve anteriormente. O fogo se alastrou pelo local e atingiu uma caixa com munições. O calor das labaredas fez as balas dispararem sozinhas.
Naquele momento, outro barulho forte veio da dianteira do prédio. Dessa vez eram os homens de Red entrando no local após explodir a porta. Kraus se manteve abaixado, temendo ser atingido pelas balas que disparavam sozinhas por causa do calor do fogo, mas seguiu se arrastando até um ponto seguro. Dembe ficava sempre a frente de Red, o protegendo de qualquer emboscada. Mas Raymond era incisivo e chegou a ser imprudente em um determinado momento, sendo puxado por Dembe.
A raiva causa cegueira
Enquanto os homens avançavam e trocavam tiros com os comparsas de Kraus, Red viu seu inimigo subindo outras escadas, que ligavam para um prédio anexo. As chamas aumentavam e Raymond, por instinto, seguiu em direção a Kraus.
— Raymond! Gritou Dembe.
Red correu com a escopeta em sua mão e sentiu o peso da arma.
A idade está chegando para mim Pensou.
De repente, ele ouviu um zumbido passando próximo ao seu ouvido e uma fumaça branca. As balas ainda estavam disparando sozinhas e uma delas haviam acabado de atingir um extintor de incêndio. Red ficou imaginando que Kraus conseguiu se evadir pelas escadas sem sequer ser atingido ou pelos menos sofrido com o campo de visão comprometido, como ele estava agora.
O Diabo também ajuda os dele. Pensou
Ele subiu as escadas rápido e abriu uma porta, onde viu apenas um bréu. Em seguida, foi andando devagar, temendo alguma armadilha. Embora o ambiente escuro, ele conseguiu ver alguns pontos graças às gretas de luz no telhado do local. Ao lado, ele viu um quadro de energia e ligou um disjuntor. Todo o local foi iluminado e embaixo haviam vários contêineres. De cima, lembrava a visão de um labirinto.
Ele foi andando devagar, descendo as escadas que levavam até o andar onde estavam as caixas gigantes. Um barulho metálico veio do lado esquerdo de Red, e o homem percebera que Kraus havia tentado acertá-lo com um disparo. Raymond revidou e o homem novamente correu.
O "concierge do crime" seguiu em direção ao local onde avistara Kraus e foi andando a passos lentos, olhando para todos os lados.
— Você é imprudente, Raymond! Disse Kraus rindo.
A voz do homem estava próxima, mas Red não conseguiu identificar por causa do eco. No momento que Red identificou o local de onde vinha Kraus, ele foi surpreendido com um tiro na mão. De imediato, ele se abaixou e por impulso, soltou a escopeta. Ele se abaixou e sentiu a dor forte do disparo, que acertou bem no inicio do seu polegar, pendendo para a palma da mão.
Ele apertou o ferimento, mas o sangue praticamente jorrava. Ele levantou a visão e viu Kraus vindo em sua direção. O homem estava sorrindo e tinha a arma apontada para a cabeça de Red. Ele parou diante dele e ficou observando o sangue escorrer pelos dedos de Raymond.
— Você é um perdedor, Reddington! Disse Kraus sorrindo. — Eu admirei tanto a bala que te mataria hoje.
Red encarou o homem e ficou aguardando o pior. Lembrou de Liz e de Alice e como seria o futuro das duas. Lembrou do abraço da agente e das vezes que enxugou as lágrimas dela, mas também sentiu remorso pelas vezes que ele foi o culpado da dor. Lembrou também do sorriso de Alice, sua filha, e ficou esperando apenas o momento que tudo isso seria deixado para trás. Foi então que ele ouviu apenas o barulho da arma.
O disparo, sem bala.
Kraus parecia não acreditar e apertava o gatilho insistentemente. De tanto admirar a bala, Rostova havia esquecido de colocá-la de volta no barril.
Sem perder tempo, Red, mesmo com a mão encharcada de sangue, se jogou em cima de Kraus e os dois entraram em luta corporal. Kraus tentou fugir, mas foi pegue por Raymond que o jogou sobre algumas caixas de madeira. Em seguida, Red começou a esmurrar o homem, com um ódio incontrolado, que ele já não sabia se o sangue no rosto dele era de sua mão ou de Kraus. Em seguida, Reddington puxou Rostova e o colocou de frente a frente com ele. O olho esquerdo do homem estava vermelho em decorrência dos golpes sofridos. Em seguida, Red o soltou e Kraus caiu para trás sem força.
Sua mão estava com uma dor insuportável e se levantou para amarrar algo nela e estancar o sangramento. Ele ficou próximo a uma janela grande de vidro, que ia do chão ao teto do local. No momento que fazia isso desesperadamente, Red sentiu um sopapo forte em sua costas e seu corpo sendo arremessado pela janela. Kraus havia acabado de se jogar contra ele, em um ato suicida e os dois passaram pela janela de vidro. No entanto, Red conseguiu se segurar numa espécie de parapeito, com uma única mão. Ele sentiu os cacos de vidros entrarem no seus dedos por causa de seu peso. Com uma força monstruosa, ele se esforçou para agarrar o ponto com a outra mão, que mesmo ferida, amenizou o esforço sobre a outra. Ele olhou para baixo e viu o corpo de Kraus no chão e o sangue ao redor da cabeça do homem. Kraus havia se matado na tentativa de matar Red.
Ele foi se apoiando devagar, fazendo força e sentindo os vidros penetrarem na sua mão. Aos poucos foi conseguindo subir e voltou ao local seguro. Ao puxar a mão e sentir os vidros saindo, Red se ajoelhou no chão e pediu força aos céus. Da visão que tinha da cidade diante dos seus olhos, Red viu as sirenes da Polícia chegando. De imediato, ele envolveu um pano nas mãos e saiu do local por uma porta que tinha próxima. Em seguida, entrou em um dos veículos e tentou ligar para Dembe.
— Raymond, onde você está? Indagou Dembe
— Estou bem. Vão embora. Disse Red encerrando a ligação e tentando sair com o carro.
Suas mãos estavam tão feridas, que o pano estava encharcado e começava a pingar sangue. Ele saiu com o veículo e pegou uma estrada próxima, diferente das utilizada pelos policiais que seguiam rumo a fábrica. Enquanto dirigia, Red viu o dia amanhecer e os primeiros raios de sol surgirem. Estava sentindo vertigem, mas queria chegar ao local onde estava Elizabeth e Alice. Após dirigir cerca de 15 minutos, ele finalmente chegou a tal mansão. Desceu do carro, foi cambaleando até a entrada do local e subiu a escada.
Quando chegou no quarto, viu que Elizabeth continuava lá. Dessa vez, Kaplan já não estava com ela. O homem tirou o colete e o arremessou para longe. Sua visão estava branca e ele começou a suar frio, ali, diante da mulher que ele amava. Sem força nas pernas, ele se sentou no chão e segurou a mão de Elizabeth com a sua. Depois deitou sua cabeça no colo de sua amada. Sentiu o calor dela e ficou quieto.
— Amo você, Liz!
Depois de dizer isso, Red perdeu os sentidos.
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