Notas iniciais
Gente, desculpa pela demora. Eu costumo postar os capítulos sempre muito rápido, mas algumas coisas me impediram de publicar com mais agilidade. Bom, espero que gostem. Abraço

4 anos antes...

– Hora de levantar, preguiçosa.

Sussurrou Red no ouvido de Elizabeth.

– Sério? Não to com vontade.

– Eu conheci você mais disposta, sabia? Zombou

Ao ouvir as palavras de Red, ela se virou na cama e encarou o homem com uma expressão de fúria.

– Ontem demorei um bom tempo para dormir, porque eu estava sentindo uma enorme falta de ar.

Red a encarava com um leve sorriso. Ele amava como ela ficava irritada quando era contrariada. Lizzie levantou a sobrancelha esquerda e concluiu:

– E você é homem. Não tem a mínima noção do que uma mulher passa quando está grávida.

Ao ouvir tais palavras, Red soltou uma gargalhada. Elizabeth que até então estava sentada na cama, se levantou e seguiu até o banheiro. Os nervos da agente pareciam estar à flor da pele e Raymond a compreendia.

Nove meses haviam se passado desde que Cooper havia tomado conhecimento da gravidez de Elizabeth, e muita coisa estava sendo acobertada. A direção-geral também estava ciente, mas a agente alegara que o filho seria de um relacionamento posterior a Tom Keen. Havia dois fortes receios: o primeiro se referia ao temor que ela passasse a ser investigada sobre ainda possuir contato com Tom. O segundo era que a relação dela com Red fosse descoberta. Harold era a única pessoa que realmente sabia de toda a verdade e Ressler era aquele que também tinha conhecimento, mas optava por não questionar nada.

Elizabeth estava esperando uma menina, que seria chamada de Alice. Quando era questionada o porquê do nome, ela era enfática: “Minha personagem preferida de infância.” O nome havia sido escolhido por ela e obviamente que Reddington havia assentido totalmente com a escolha.

...

Red havia se levantado e estava preparando uma refeição matinal para a agente. Enquanto o café passava na cafeteira, ele ficou observando o líquido por alguns instantes e permitiu desligar-se por alguns minutos. Ele ficou refletindo sobre a vida que tinha antes de se tornar um criminoso. Família, amigos, datas especiais, com uma vida regrada e simples. Uma vida que a maioria das pessoas tem. Um bom emprego e com o sonho de apenas poder envelhecer em paz e com uma boa poupança. Basicamente, era isso que ele tinha em mente até tudo mudar. Elizabeth Keen lhe trouxera de volta esses sentimentos, mas ele temia tudo aquilo. Mas não por ele em si, mas pelos erros cometidos no passado e por tudo que ele viveu. Raymond não queria que a vida criminosa dele refletisse em Elizabeth e na criança.

Naquele momento, os pensamentos de Red foram cortados pela mão de Elizabeth que repousou sobre a dele. Ela estava ao seu lado e o encarava com certa doçura nos olhos.

– Está mais calma? Perguntou sorrindo e envolvendo a agente em seus braços

– Desculpa, Red. É que...

– Ei, tudo bem! Interrompeu – Não precisa ficar se desculpando. Sabia que eu amo você dez vezes mais quando te vejo zangada?

– Ah então é por isso você faz tanta questão de me irritar não é? Questionou Elizabeth, dando uma tapinha no peito de Red, cujo sorria com a reação dela. Naquele momento, ele se aproximou e beijou os lábios macios de Lizzie.

– Não liga para os estresses da mamãe, filha! Qualquer coisa, grita pelo papai. Disse ele se aproximando do ventre de Elizabeth, cuja sorriu satisfeita com a brincadeira de Red. Quando já ia saindo de perto dela, para verificar o café, Lizzie o puxou de volta.

– Espera! Disse a agente serrando os dentes e ao mesmo tempo com um sorriso.

– Sim, senhora. Estou aqui.

Keen o encarou por alguns segundos.

– Nossa, Red, como eu amo você...

Reddington, que retribuía o olhar, ficou sério e disse:

– Não...

– Como assim, “não”?

– Não, porque eu amo mais. Eu te amo muito mais, Elizabeth Scott Keen!

Ao proferir tal declaração, Red beijou Elizabeth e depois a abraçou.

– Estou indo até Cuba. Só voltarei amanhã. Vou me encontrar com um dos meus sócios. Informou ele.

A agente o encarou e Reddington já pressentia quais seriam as palavras a seguir. Ele se desvencilhou dos braços dela, sentou-se em um dos bancos próximo ao balcão da cozinha e cruzou os braços.

– Red, sabe no que mais eu tenho pensado durante esse período de gravidez? Se em algum momento nós poderemos ter uma vida normal.

– Lizzie, existe muito a ser feito. Você sabe que eu não posso deixar tudo da “noite para o dia”.

– E eu não estou pedindo para que isso seja feito da “noite para o dia”.

Naquele instante, a conversa foi interrompida por Dembe.

– Bom dia! Raymond, já está tudo pronto.

– Ok, Dembe. Obrigado.

Ele assentiu, sorriu para Lizzie e saiu.

– Bom, eu tenho que ir. Disse Red pegando o casaco e seu chapéu. – Se você sentir alguma coisa ou precisar de algo, me ligue, por favor.

Ao dizer tais palavras, Reddington deu um beijo na testa de Lizzie. Sua mão esquerda deslizou calmamente pela lateral do rosto dela.

– Te amo.

Elizabeth levou as mãos até a gravata do homem, deu uma última ajeitada antes de retribuir as palavras.

– Também te amo.

...

Naquela manhã, Elizabeth seguiu para o QG da força-tarefa. Um dos últimos nomes repassado por Reddington havia sido o chefe de um grupo responsável por sequestrar crianças e adolescentes, para a prática de filmes Snuffs. Elizabeth chegou a pedir dois dias de licença depois de resolver tal caso. Snuffs são filmes em que pessoas reais são mortas de forma altamente brutal, na frente das câmeras. É um mercado que pode render milhões, porque muitos cineastas do submundo pagam altos valores por pessoas a serem utilizadas nas gravações. A história em si já revolta bastante, e como se tratavam de crianças, Elizabeth ficou demasiadamente chocada.

Inclusive, a agente já estava com nove meses. Não demoraria muito até chegar o dia que entraria em trabalho de parto. Por enquanto, a força-tarefa estava caminhando em casos simples, até que Red passasse o próximo nome da lista negra. Assim como todos os dias, ela sempre chegava antes do horário do seu expediente. Entrou no elevador com o seu casaco no braço, e por alguns instantes chegou a sentir vertigem por estar naquele cubo se movendo. Ela alisou seu ventre e fechou os olhos por alguns segundos. Quando finalmente a porta se abriu, ela suspirou aliviada enquanto a tontura passava. Cooper e Ressler foram as primeiras pessoas que ela viu.

– Bom dia, Keen. Cumprimentou Harold – Você falou com Reddington?

– Sim, eu falei. Mas ele não me passou nenhum nome.

Cooper assentiu.

– Pois bem, enquanto ele não passa nenhum caso, vamos trabalhar na investigação dos crimes do traficante James Page. Parte do caso já foi resolvido, mas há uma pista que ainda não conseguimos desvendar. Ela vai ser fundamental para a sentença de James. Aram passará detalhes e Ressler acompanhará você.

Elizabeth assentiu e virou-se para os monitores onde Aram explicaria a missão passada por Cooper.

...

Enquanto Elizabeth começava mais um dia no QG do FBI, Red seguia em seu jatinho particular rumo a Cuba. Ele permanecia sentado e encarando a janela a sua esquerda.

– Está tudo bem, Raymond? Questionou Dembe

Ele desviou o olhar e fitou Dembe com um leve sorriso.

– Só um pouco pensativo, meu amigo.

– Elizabeth?

Red voltou a olhar para a janela e suspirou transparecendo preocupação.

– Sabe, Dembe, por um tempo eu vi muita escuridão na minha vida. Quantas coisas eu impedi que iluminassem meu caminho. Porque lá no fundo era muito melhor sentir-se aparentemente bem estando no breu, do que viver na luz e sentindo medo.

Dembe olhava para Red e escutava cada palavra com atenção.

– Elizabeth me completa de todas as maneiras. A cada dia eu consigo amá-la ainda mais. E quando penso na nossa filha... eu só consigo sentir uma explosão de sentimentos bons que se no passado eu senti, eu quase nem lembro.

Dembe continuava a encará-lo e dessa vez transparecia um leve sorriso.

– Mas será que eu vou conseguir dar o amor que elas necessitarão? Que eu conseguirei ser o abrigo, o pilar que elas tanto vão precisar?

Ao dizer tais palavras, Red ficou encarando o vazio até que enfiou a mão no bolso direito da calça e tirou uma pequena caixa preta. Ele abriu e um lindo anel de diamantes reluziu com o brilho que atravessa a janela do avião.

– Será que eu vou conseguir ser um bom marido e um bom pai?