Alice permanecia desacordada nos braços de Red, que ainda sentia seus olhos arderem por causa do suor que escorria vorazmente pelo seu rosto. Ali diante dele, havia seis policias com suas pistolas apontadas. Dois deles estavam mais próximos e caminhavam lentamente em sua direção, com palavras de ordem.

— Mãos para cima! Ordenou um deles.

Red não obedeceu, apenas olhou para Alice, que estava com o rostinho sujo de fuligem, e passou a mão na pele da garota. Por um momento, Red não soube o que fazer. Sentiu-se desnorteado, sem rumo. Foi aí que naquele momento, ele levantou com a garota em seus braços. Os policiais tornaram a berrar ainda mais alto.

— Não se mova!

Porém, Reddington era incapaz de dar atenção para as palavras de ordem naquele momento. O mundo parecia girar devagar, apesar do calor que emanava da casa em chamas, a poucos metros de onde eles estavam, Ray sentiu um frio percorrer seu corpo. Sua pressão havia baixado, mas ele teria que agir. Ele não poderia ir preso e nem deixar sua filha ao léu, sob o cuidado de desconhecidos.

— Solte a garota! Ordenou um dos policiais.

Naquele momento, o oficial que estava mais próximo de Red , foi atingido por um balaço na mão. Red viu o sangue espirrar quando o projétil acertou o membro do policial. Naquele momento, todos se viraram para o local de onde veio o tiro. Dembe e cerca de sete homens, contratados de Reddington, haviam chegado com seus armamentos pesados e agora disparavam contra os policiais. Uma troca de tiros começou e Red aproveitou para se abaixar novamente, e pegar a pistola que o policial havia deixado cair. O homem estava de joelhos no chão, com o ferimento que havia estraçalhado a sua mão.

— Por favor, não me mate! Pediu o policial. – Eu tenho família.

Red olhou para ele e franziu o cenho. Logo depois desarmou a pistola e jogou o cartucho para longe. O homem pareceu aliviado ao perceber que Red não o mataria.

Logo depois, Reddington seguiu abaixado, com Alice nos braços, tentando se proteger dos tiros. Ele precisava agir rápido e sair daquela situação. Dembe avançou para tentar se aproximar e ajudar Red a fugir. Foi naquele momento, que um barulho forte chamou a atenção de todos. Uma van colidiu contra uma viatura da polícia, que estava fechando a via. O veículo seguiu até próximo do local onde Red estava. O homem olhou assustado para ver de quem se tratava.

Kaplan! Pensou

Red correu para alcançar o veículo e foi nesse momento que todos os homens lhe deram cobertura.

...

Do outro lado, o policial que estava com a mão moída com o tiro, arrastou-se até uma das viaturas para pegar uma segunda pistola. Ele aproveitou e pegou uma farda que estava no veículo e envolveu a mão.

Depois disso, levantou-se paulatinamente e tentou ver onde Red estava. Foi naquele momento que ele avistou o homem seguindo para uma van parada. O oficial não hesitou e disparou contra Red.

...

Reddington seguia correndo para a van quando algo atingiu-lhe o tríceps direito. O seu corpo pendeu para frente e ele percebeu que havia acabado de ser baleado. Dembe não hesitou e disparou contra o homem, que foi atingido no tórax. Mesmo sentindo uma forte dor, Red segurou a garota como pôde, e entrou na van.

Kaplan saiu às pressas com o veículo, que fez barulho com os pneus no asfalto. Entre os balanços da van, Reddington apoiou a garota em si e deu um jeito de rasgar a manga de sua blusa, e amarrar sobre o seu próprio ferimento. O veículo andou por cerca de dois minutos, até parar bruscamente em uma viela. Imediatamente, Kaplan desceu do veículo e abriu a porta da traseira do carro.

Do lado de fora uma ambulância aguardava. Red desceu imediatamente com Alice e colocou-a dentro sob os cuidados dos paramédicos. A garota foi imediatamente colocada no suporte de oxigênio e as portas do veículo foram fechadas. A viatura saiu também às pressas para um dos galpões anteriormente reservados, para o caso de urgências médicas que envolvessem Red, Alice ou Lizzie.

Depois de poucos minutos, a ambulância freou e o paramédico abriu as portas. Red ajudou a descer a maca e a guiou para dentro de um galpão. Homens contratados por Reddington faziam a guarda do local. Lá dentro, Nick, médico ex-noivo de Elizabeth e também contratado por Red, aguardava a chegada da garota.

— O que aconteceu com ela? Questionou ele, já ouvindo os batimentos cardíacos da garota.

— Inalou muita fumaça.

— Ok, Sr. Reddington, vou precisar analisar o quadro de saúde dela.

Informou ele colocando a máscara. Red, que já estava dentro da divisória feita para procedimentos médicos, foi saindo e olhando para a garota que permanecia desacordada. Do lado de fora, ele observou os profissionais trabalhando na tentativa de melhorar o quadro da garota.

Red sentou-se em uma cadeira que estava próxima e apoiou o rosto nas mãos. Elizabeth havia sumido e Alice havia corrido grande perigo. Naquele momento, ele sentiu uma enorme raiva tomar cada centímetro do seu corpo. Afinal, mais uma vez o desgraçado do Kraus havia triunfado sobre ele. Ele sentiu uma mão apoiar em seu ombro.

—Vai ficar tudo bem! Disse Kaplan.

Com uma raiva que não pôde ser controlada, Red virou uma mesa que estava ao seu lado. Kaplan assustou-se com a reação do homem, mas manteve-se calada.

— Dembe! Gritou Red, — Tente achar qualquer paradeiro de Kraus! Aquele filho da mãe pegou a Lizzie.

Encerrou Red, dando as costas e saindo daquele compartimento. Ele seguiu até o banheiro, fechou a porta do local e lavou o rosto. Seu braço latejava por causa do tiro. Ele desabotoou a blusa e olhou pelo espelho como estava o ferimento. A cicatriz em suas costas o deixou pensativo por alguns instantes. Até que um barulho chamou-lhe a atenção. Alguém estava batendo a porta.

— Raymond, precisamos cuidar desse ferimento.

Disse Sr. Kaplan. Red seguiu até a porta, abriu-a e saiu. Ele seguiu até um local reservado, onde Kate já havia pegue todo o material necessário. Enquanto a mulher tentava tirar a bala, Red permanecia calado e pensativo. O homem estava sem blusa e sua cicatriz estava totalmente à mostra. Naquele momento, Nick entrou na sala e não conseguiu disfarçar o susto ao ver o tamanho da marca nas costas de Red.

— Sr. Reddington, tenho boas notícias. Alice está bem. Só precisará ficar sob observação.

Red fez uma cara de dor quando Kaplan puxou a bala com a pinça e a jogou dentro de um recipiente de metal. Depois disso, ele respirou aliviado, principalmente pela notícia de que sua filha estava bem.

— Ok, Nick. Obrigado...

Respondeu Red sucintamente. Nesse momento, o médico deu as costas e saiu da sala. Kaplan estava agora limpando o ferimento para pontea-lo.

— Raymond, você precisa ter calma nesse...

— Desculpa, Kate, mas hoje vou dispensar seus conselhos.

Naquele momento, Kaplan apenas observou a reação de Red, que agora se mantinha de cabeça baixa, cansado e aparentemente sem rumo. Quando finalmente terminou de costurar o ferimento, Kaplan tirou as luvas e observou Reddington levantar-se. Ele vestiu uma blusa que estava dobrada ao canto e virou-se para sair do local. Quando abriu a porta, foi surpreendido pelas palavras de Kaplan.

— Sabe porque Kraus triunfa tanto sobre você, Red? Porque você o teme.

Red ficou parado, absorvendo as palavras da mulher antes de respondê-la.

— Tenho fortes motivos para temê-lo.

Naquele momento, o homem saiu da sala e seguiu até o local onde Alice estava. Ele entrou na divisão onde a garota permanecia desacordada sob observação, sentou-se em uma cadeira e ficou assistindo sua filha. Ele segurou a mãozinha da garota e colocou entre as suas, e apoiou a cabeça nela. Ficou ali, cabisbaixo, pensativo e cansado. Ele precisava só de algumas horas ali com a sua filha e agradecer pelos poderes superiores por nada ter acontecido a ela.

...

Liz não conseguia enxergar nada. Um pano preto havia sido colocado em seu rosto e aquilo a sufocava. Ela estava presa, com os braços amarrados para cima. Naquele momento, ela sentiu alguém se aproximar e tirar o pano da sua cabeça. Um homem loiro, com aparência russa, agora estava diante dela com um olhar malicioso.

A agente ficou nervosa com o olhar do homem, e assustou-se ao deparar Kraus saindo do canto da sala, que estava escuro, e seguindo até ela.

— Masha, podemos ser bem breves. Você sabe bem o que quero.

Lizzie olhou para o homem com um jeito apavorado.

— Onde estão os arquivos secretos de Katarina?

— Eu não sei de nada, seu doente.

Kraus sorriu.

— Tudo bem, Masha, eu não estou com pressa.

Disse ele colocando a mão esquerda no bolso e apoiando a direita no próprio peito.

— Podemos fazer isso bem devagar então.

Naquele momento, ele seguiu para uma mesa e desenrolou um pedaço de pano preto, onde continha vários objetos cortantes. Ele pegou um bisturi e pressionou sobre a própria mão e abriu um pequeno corte na palma de sua mão.

Liz começou a chorar e sua respiração acelerou. Definitivamente, ela estava sem chance de defesa naquela situação. Kraus percebeu o nervosismo e aproximou a mão meio ensanguentada do rosto da agente, que tentou desvencilhar-se.

— Calma querida sobrinha, não sou eu que vou cuidar de você.

O homem havia manchado a bochecha de Liz com sangue.

— Eu acho bom que você fale o que sabe. Meu amigo aqui é bem malvado sabia? Ou você está contando com uma ajuda sobrenatural de Red? Bom, porque eu acredito fielmente que ele esteja morto.

Kraus agora enxugava as lágrimas de Liz, e o sangue manchava ainda mais o rosto da agente.

— Não chore querida sobrinha. De uma certeza você já tem: A morte.

Disse ele sorrindo e dando as costas. Naquele momento, o capanga de Kraus pegou um maçarico e começou a esquentar uma espécie de chicote, que era feito com um tipo de metal. O fogo fez as pontas do chicote mudarem de cor. O homem sorriu ao ver a reação da mulher.

— “Dois coelhos em uma cajadada só”, é o que você vai sentir agora, mulher!