Kraus Rostova No 02
11 Devidos conformes
Notas iniciais
Em mais um dia normal de trabalho, Elizabeth estava sentada a uma mesa e olhava paralisada para o vazio. A agente agora trabalhava em outro setor no quartel geral do FBI. A única pessoa conhecida que ainda permanecia com ela, era Aram. As horas corriam, mas ela sentia uma angústia enorme com o retorno de Reddington. Temia que ele pudesse se aproximar muito de Alice e colocá-la em perigo. Além do fato que ele poderia mais uma vez decidir ir embora e abandonar a filha, que ele cativara com tanta facilidade.
-Você está bem, Liz? Questionou Aram.
Eram visíveis as feições de tristeza no rosto da agente. Ao ouvir a pergunta de Aram, os olhos dela encheram de lágrimas.
— Nossa, venha aqui. Apressou o agente, ao ver que Elizabeth estava prestes a cair no choro. Ele a segurou pelo braço e a guiou até um local mais reservado. – O que está acontecendo? Foi algo com Alice?
— Red voltou.
O homem não acreditou nas palavras e tentou dizer algo, mas faltaram palavras.
— C...como assim Red voltou?
— Ele esteve ontem na minha casa. Depois de quatro anos desde o dia que ele decidiu ir embora e nos abandonar, ele resolveu voltar. Sendo que há tempos ele vem tendo contato com a Alice. Só não sei como ele conseguiu isso.
Elizabeth falava de forma desenfreada enquanto as lágrimas banhavam-lhe o rosto.
— Keen, ele pode ser preso. O FBI não fará um novo acordo com ele.
— Eu sei disso, Aram. Por isso eu afirmo que não há como essa história sair com um final feliz. Eu mato aquele desgraçado se ele fizer minha filha sofrer.
Aram olhava com um jeito penoso para Lizzie.
— Você já falou para o Ressler?
— De jeito nenhum. Eu não posso fazer isso.
Naquele momento, os dois foram interrompidos por um terceiro agente, que gesticulou algo para Aram, cujo assentiu.
-Olha Keen, falamos sobre isso depois. Tenta ficar bem.
Disse ele apertando o ombro da agente.
...
Do outro lado da cidade, o antigo diretor da força-tarefa, Harold Cooper, arrumava-se para mais um dia de trabalho. Ele havia sido transferido para comandar uma equipe, que tentava desmanchar uma forte rede de pedofilia atuante em todo o mundo.
Ele estava ajeitando a gravata, enquanto tomava uma xícara de café. Naquele momento, ele procurou a carteira em seu bolso e não achou. Foi aí que ele decidiu ir até a sala para checar se estava em algum local por lá. Ao chegar no cômodo, um frio percorreu-lhe a espinha, quando ele viu um homem de costas, com as mãos para trás e observando as fotos em seus porta-retratos. O choque foi tão grande, que Cooper derrubou a xícara de café no chão.
— Reddington!
— Ora, veja só isso. Harold você tinha o cabelo tão incrível quando o de Lionel Ritchie, no tempo da banda The Commodores.
— O que você faz aqui?
Red sorriu, tirou seu chapéu e sentou-se em uma poltrona.
— Temos muito trabalho a fazer. A lista negra nunca acabou e você sabe disso.
— Sim, continuamos a prender bandidos por muito tempo, Reddington, mas não havia como manter a força-tarefa e muito menos o seu acordo.
— Eu tenho um dos mais fortes nomes da lista e estou prestes a entregar nas mãos de vocês.
Red mantinha uma face séria.
— Talvez o seu país tenha ânsia de enfraquecer grupos terroristas como Al Qaeda e Estado Islâmico. Por que não começar por um homem que é o maior fornecedor de armas desses grupos?
Harold mantinha o olhar intrigado para Red, que naquele momento, levantou-se e colocou seu icônico chapéu.
— Você sabe que não conseguirei outro acordo para você, Reddington.
Ao ouvir tais palavras, Red depositou um pen drive sobre a mesa ao lado de Cooper.
— Dê isso em troca para eles. Eu tenho absoluta certeza de que seu país ficará muito feliz com o que vou dar em troca para eles.
Concluiu Red dando as costas e seguindo para a porta de saída.
...
Cinco dias se passaram desde o surpreendente encontro de Red com o ex-diretor Harold Cooper. Em uma manhã de segunda-feira, Elizabeth chegou ao quartel general com dois copos de cafés. Um deles, ela entregou para Aram.
— Bom dia Keen! Ah obrigado! Agradeceu – Está tudo bem?
— Na medida do possível, sim.
Naquele momento, ela sentou-se ao lado de Aram.
— O que temos para hoje?
— Bom, temos que analisar algumas gravações de ligações telefônicas, de suspeitos de fazerem parte do cartel de Juarez.
Antes que Lizzie pudesse fazer qualquer pergunta, um grupo de homens entrou no local onde os agentes estavam.
— Agente Keen e Agente Mojtabai?
Os dois encararam um homem negro, de quase dois metros, que parecia liderar o grupo.
— Sim, somos nós. Respondeu Aram.
— Me chamo Agente Brooks e preciso que vocês dois me acompanhem.
— Sobre o que seria exatamente? Questionou Lizzie
— Não podemos informar no momento, agente Keen. Peço que nos acompanhe.
Liz e Aram se entreolharam, mas concordaram em acompanhar o tal homem. Foram transportados nas viaturas oficiais do FBI, até um quartel secreto próximo ao Lincoln Memorial, na própria capital americana. O local parecia uma espécie de museu em reforma, com estrutura característica dos prédios maçons de Washington. Ao passarem por um saguão vazio, foram levados até um elevador grande, que lembrou a entrada do antigo QG da força-tarefa. Lá no fundo, Lizzie sabia do que se tratava tudo aquilo, mas optou por não comentar nada.
Ao saírem do compartimento, Lizzie e Aram foram guiados até uma sala. O agente Brooks a abriu e deu espaço para os dois passarem. No compartimento, uma mesa grande onde Ressler e Navabi também se encontravam.
— Podem aguardar aqui. Informou Brooks.
Todos se entreolharam, até que Ressler quebrou o silêncio.
— Alguém sabe do que se trata tudo isso?
Aram olhou para Navabi e depois para Elizabeth.
— Sabemos tanto quanto vocês.
Naquele momento, Brooks abriu a porta novamente.
— Por favor, peço que todos me acompanhem.
Naquele momento, todos saíram de seus locais e subiram por uma escadaria. O agente parou diante de uma porta, situada logo à esquerda no fim das escadas. Gesticulou para a tal e depois cruzou as mãos na frente do corpo.
— Estão ao aguardo de vocês.
Navabi assentiu e foi a primeira a abrir a porta. Logo em seguida, os demais entraram e ficaram estupefatos com a cena que viram.
— Mas o quê? Protestou Ressler, deixando-se pensar em voz alta.
Ali diante deles, Harold Cooper estava sentado à mesa juntamente com Raymond Reddington. Elizabeth olhou para Red, cujo retribuiu o olhar com um jeito levemente cínico. Logo em seguida, Donald encarou a agente com um jeito intrigado.
— Por favor, sentem-se! Pediu Cooper.
Red continuava com um sorriso debochado, que se intensificou quando ele percebeu que Ressler o metralhava com os olhos.
— Olá Donald, sentiu minha falta?
— Nem um pouco, Reddington.
Ao ouvir tais palavras, Red soltou uma risada. Elizabeth sentiu-se tensa com a troca de palavras entre os dois. Ali, diante dela, estava o homem que ela amava. Um criminoso, que soube lhe dar amor e cuidados, mas que a abandonara com uma filha recém-nascida. Enquanto do outro lado, estava Ressler. Um companheiro, que esteve com ela em um momento difícil, mas que jamais conseguiria ocupar o lugar de Reddington.
—Imagino que saibam o motivo de estarem aqui. Disse Cooper.
— A volta da força-tarefa. Apressou-se Aram.
— A volta daquilo que na verdade nunca se foi. Disse Red
— Incrível, Reddington! Fico me perguntando como você conseguiu fazer um novo acordo com o governo americano. Zombou Ressler
— Existe algo que queira falar, Donald? Está com medo que eu possa reivindicar o meu lugar.
— Seu filho da mãe...
Naquele momento, Ressler levantou-se para cometer uma agressão física sobre Red, mas Navabi e Aram o seguraram. Lizzie manteve-se estupefata com a cena.
— Ressler! Gritou Cooper — O que diabos está acontecendo com você?
Red mantinha um sorriso ainda mais zombeteiro no rosto, o que irritou o agente.
— Sente-se, agora! Ordenou Harold. – A força-tarefa voltará sim e Reddington conseguiu um novo acordo. Eu não sei como você conseguiu isso, Raymond, mas recebi ordens para voltarmos às atividades. Disse Cooper virando-se para encarar Red e logo depois voltando a encarar os demais. – Retornaremos a antiga equipe e já temos um próximo nome da lista negra. O nosso quartel voltará ao local de sempre, esse aqui é somente um dos muitos pontos secretos do FBI, mas o post-office nos aguarda.
— Quando isso tudo vai terminar hein, Red? Questionou Elizabeth, com a voz arrastada, como se sentisse cansaço diante de tudo aquilo. Todos ficaram impressionados com o questionamento, inclusive Reddington. O homem que até então mantinha um sorriso cínico no rosto, agora encarava Lizzie com seriedade.
— Eu não tenho essa resposta, agente Keen. Mas algo muito ruim está a caminho e durante esses anos todos, eu não estive de braços cruzados.
Naquele momento, Elizabeth balançou a cabeça negativamente. Ressler, que já estava impaciente com a situação, decidiu levantar-se.
— Quando começaremos, Harold?
— Amanhã mesmo estaremos de volta, Ressler.
O agente assentiu e saiu da sala. Elizabeth olhou por cima dos ombros e sabia que seria metralhada por uma série de questionamentos vindos de Donald. Logo em seguida, ela também se levantou e saiu da sala.
Lizzie seguiu pela escadaria e viu que Ressler a aguardava no saguão.
— Algo me diz que você já sabia da volta de Reddington.
— Você esqueceu que ele é pai da Alice? Retrucou Lizzie.
— E por que você não me falou, Elizabeth?
Diante de tal questionamento, a agente não soube o que responder e ficou olhando para Ressler de uma forma confusa. Irritado, o agente deu as costas e saiu calado do local.
Era realmente surpreendente o poder, que Reddington tinha de bagunçar a vida de Elizabeth em tão pouco tempo. Ela sentiu um misto de raiva e tristeza com tudo aquilo, mas optou por tentar se acalmar, a fim de manter sua sanidade metal, que já havia sido tão ameaçada nos últimos tempos. Ela seguiu para o seu ainda posto de trabalho, no quartel geral do FBI, para arrumar suas coisas. Afinal, na manhã seguinte, ela já seguiria para o post-office.
À noite, quando estava saindo do trabalho, recebeu uma ligação de Ressler perguntando se poderia encontrá-la para conversar. Ela concordou e quando chegou em casa, já se deparou com Donald aguardando na porta.
—Nossa, por que você não bateu a porta? Alice está aí com a babá.
— Eu cheguei há pouco, então preferi ficar aqui fora enquanto você chegava.
Elizabeth assentiu e abriu a porta. Quando passou pelo corredor de entrada, se deparou com a babá arrumando algo na cozinha.
— Onde está Alice? Questionou Lizzie.
— Srta Keen, o Sr. Reddington a levou para passear. Imaginei que a senhora soubesse.
— Ah meu Deus... Apressou-se Lizzie, pegando novamente e chave do carro e seguindo para a porta de saída.
— Espera, Lizzie! O que você vai fazer? Questionou Donald
— O que você espera que eu faça? Vou atrás da minha filha! Protestou Lizzie, pegando o casaco e discando o número de alguém.
Quando a agente abriu a porta, se deparou com uma voz de Alice.
— Mamãe! Gritou a garotinha que estava em êxtase de alegria e havia acabado de descer do carro de Reddington.
Ao ver Alice, Elizabeth suspirou aliviada. A garota correu até ela e deu-lhe um abraço.
— Mamãe, o Red me levou para comprar um montão de presentes.
Naquele momento, Dembe passou por elas com várias caixas de presente e levou para dentro de casa. Ressler também entrou para evitar encarar Reddington.
— Nossa filha, que legal! Disfarçou Elizabeth, demonstrado uma alegria forçada. Red encarava a cena à distância, encostado no veículo.
— Mamãe, deixa ele jantar com a gente.
— Filha, eu... Hesitou Lizzie. Reddington muito atento percebeu o convite de Alice, e sabendo como aquilo seria constrangedor, se aproximou da garota e de Keen.
— Ei garotinha, venha cá. Disse ele se abaixando e ficando da altura de Alice. – Eu tenho algumas coisas para resolver agora. Podemos deixar para outro dia?
Ao dizer isso, Red sorriu e inclinou a cabeça, com seu jeito icônico. Alice não gostou do que acabara de ouvir, e fez uma cara de reprovação. Foi aí que o homem a colocou nos braços e deu-lhe um abraço.
— Por que você não quer mais ficar aqui comigo?
— É claro que eu quero, mas hoje eu não posso.
— Você não quer ficar aqui por causa da minha mamãe? Você não gosta dela?
Pela primeira vez, Elizabeth viu Red ficar vermelho de vergonha diante de uma pergunta. Somente a inocência de uma criança seria capaz de tal proeza. Ele olhou para Alice e deu um sorriso, logo depois encarou Lizzie.
— É claro que eu gosto da sua mamãe. Na verdade, eu a amo.
Naquele momento, Red percebeu que os olhos da agente se encheram de lágrimas e foi aí que ele percebeu que era o momento de ir.
— Não se preocupa, tá? Eu vou voltar amanhã.
— Tá bom, Red. Disse Alice dando-lhe um abraço, e deitando a cabeça no ombro do homem.
Logo depois, ele a colocou no chão e se despediu com um aceno de mão. Encarou Elizabeth por alguns segundos e logo depois lhe deu as costas.
Reddington entrou no veículo e sentiu um enorme nó em sua garganta. Estava sentindo falta de Elizabeth. Vê-la não era suficiente para suprir aquela saudade gigantesca que tomava conta de seu peito. Porém, o abismo entre os dois ainda era de proporções inimaginável, mas ele faria o impossível para tê-la de volta. Humildade a parte, ele era Raymond Reddington e isso seria questão de tempo.
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