Konseki
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Capitulo 9
Ruki’s POV
Um rosto desconhecido...
Aquela senhora deitada naquela cama, naquele quarto luxuoso... não lembrava nem de longe a mulher que um dia chamei de mãe.
- Engraçado... você ser o único a vir me visitar — A voz rouca e quase inaudível saiu de seus lábios e eu me aproximei mais, não me impedindo de segurar sua mão com as minhas... eu sabia... naquele momento todo o passado não importava mais.
-Não se esforce muito! – Pedi, baixo, depositando um beijo nos dedos trêmulos.
- Pedi para telefonarem para todos eles... e apenas você veio me ver... – Ignorou meu pedido, um sorriso fraco e melancólico...
-Tudo bem! Tudo bem! – Assenti, e naquele momento nada mais importava, eu não iria culpá-la, julgá-la ou recriminá-la pelos erros do passado, não agora... não mais.
Ela puxou a mão, usando de certo esforço para isso. Eu me surpreendi, não soube o que fazer
-Justo quem eu não queria que viesse! – Finalizou em sua tão conhecida altivez... e aquela sim, me lembrava muito àquela senhora que me criou até os meus 16 anos antes de me expulsar como um cachorro sem se importar qual destino me aguardava.
“O que eu esperava?”
-Sachiko ligou para o Aoi! – Expliquei, me afastando. Não iria mostrar mais fraqueza na frente dela, mesmo que aquelas palavras tivessem me rasgado o peito... idiotice baixar a guarda... o que eu esperava?
- É... imaginei, alguém precisava assinar os papéis de entrada... mas pode deixar, meu marido vai ficar responsável pelos gastos... quando ele voltar de viagem... não vai precisar dinheiro algum que você ganha de modo tão imundo! – Continuou, o ar pesado e os olhos fixos em mim... desprezo... sempre desprezo.
-Entendo! – Sussurrei, uma máscara cruel se colocando sobre minha face... esse era um dos momentos onde minha atuação teria que ser o mais indiferente possível... ela não poderia saber que me machucava, ela... não merecia que eu ainda sofresse tanto – Bem para sua informação, eu não me prostituo há muito tempo, sou um decorador e faz dois meses que estou com o meu próprio escritório, e caso não se lembre eu entrei naquela vida porque a senhora e o meu pai me jogaram na rua, sem nada, eu precisava comer, não acha? – Eu não queria que minha voz tivesse saído tão descontrolada, mas minhas emoções estavam fortes demais... mesmo depois de tanto tempo... ainda assim... isso dói tanto!
-Se já assinou os papéis... pode ir embora... já desonrou demais o nome dessa família... – Foram a últimas palavras dela antes de ser acometida por um ataque de tosse, uma enfermeira se apressou em entrar no quarto e eu me apressei em sair.
Meus pés pereciam pregados ao chão enquanto eu fazia o caminho de volta àquela sala de espera vazia, atônito...
“O que eu estava esperando?”
Que ela fosse pedir desculpas? Dizer que sentia muito, que me amava? Idiotice, Takanori! Treze anos e você ainda espera por isso?
Meus olhos não enxergavam nenhum dos corredores, mas meu subconsciente me guiou de volta, até eu conseguir focalizar Aoi, a expressão preocupada...
“Como eu gostaria de ter visto a mesma expressão no rosto dela!”
Eu não agüentava mais.
Me joguei em seu braços assim que o alcancei, desmoronando... doía muito... machucava muito...
E mesmo quando eu penso que não poderia mais chorar ou sofrer por isso... sempre estou errado.
-Está tudo bem, tudo bem! – A voz calma e suave de Yuu, a mão carinhosa em minha cabeça e o abraço caloroso... quantas vezes eu já precisei disso?
Vezes demais!
-Me tire daqui – Pedi, não reconhecendo minha própria voz.
Aoi se abaixou rapidamente para pegar algo no chão, e logo já estava de pé, me conduzindo para fora daquele hospital.
Koron saltou em meu colo assim que a porta do automóvel foi aberta, choramingou e lambeu meu rosto. O apertei contra mim, mesmo Koron sendo um cachorro ele se preocupava comigo mais do que qualquer um deles jamais se preocupou... inclusive ela.
Quando eu ia aprender que não tinha e nunca tive uma família? Que toda minha referência familiar se resumia a Aoi e a Koron? Até quando eu continuaria com essa esperança tola dentro de mim? Até quando?
O caminho até o apartamento de Aoi foi mais curto do que eu me lembrava, levou tempo insuficiente para que pudesse me organizasse emocionalmente. Estava tudo tão bagunçado! Eu não sabia mais o que sentir, o que não sentir, o que fazer. Ignorar? Chorar novamente? Fingir que nada aconteceu? Me enganar? Treze anos... treze anos tentando manter essa dor longe e... em alguns minutos ela volta, me arruína, me confunde, me bagunça...
-Ru-san! – Despertei quando já estávamos dentro do imóvel luxuoso do moreno, só agora percebia que estava parado na entrada da sala... talvez a um bom tempo.
Observei bem o local, um bom gosto de ambiente, cores harmônicas... Afinal fui eu quem o decorou... Tão diferente daquela época! “Tão diferente!”. Sorri minimamente, me apegando a qualquer coisa que me tirasse daquele fundo alagado e frio que teimava em me puxar.
-Oh! Um sorriso! – Aoi exclamou em uma voz animada, provavelmente por ver finalmente alguma expressão que não fosse de dor e sofrimento em meu rosto.
-Eu lembrei de quando morávamos naquele cubículo! Tão diferente de como vivemos agora! Naquela época até comer era difícil! – Comentei nostalgicamente, entrando finalmente no cômodo, sentando-me no sofá confortável, soltando Koron-chan, que não quis sair do meu colo – A sala... é tão diferente da sala que tínhamos naquela época!
-Que sala? Aquela coisa só tinha dois cômodos Ru-san, nossa sala era nosso quarto, sala e cozinhas juntos! – Rebateu com humor e eu ri exageradamente, me prendendo a qualquer alegria por menor que fosse.
-E hoje ambos somos donos de nossos próprios negócios, temos apartamentos confortáveis e espaçosos, carros novos, comida a qualquer hora! – Continuei, e uma nova dor me invadiu, a dor daquela época... aquela dor...
-Nós vencemos, Ru-san, somos vencedores, estamos aqui, vivos, bem sucedidos... nós vencemos – Aoi afirmou em uma força madura e determinada, me encarando com olhos gentis e firmes... eram nesses momentos que ele realmente parecia ter a idade que tinha!
-Sim! Nós vencemos – assenti, com firmeza semelhante à dele... tudo estava bem agora... eles não podiam mais me afetar tanto assim, ela não podia me afetar tanto assim... não mais, eu deveria saber disso... – Obrigado, Aoi!
-Me agradeça depois que eu fizer uma boa xícara de chocolate quente para o meu anão favorito! – Falou em uma comicidade natural, se dirigindo a cozinha que eu sabia também tinha decorado.
Sorri para mim mesmo e encarei o teto de gesso, com belos efeitos esculpidos e um lindo candelabro – Eu fui o responsável por tudo ali, e o meu próprio apartamento ainda tinha ficado melhor, modéstia a parte.
O recente desligamento da antiga empresa para qual eu trabalhava e abertura de meu próprio escritório tinham me deixado em um racionamento de custos que duraria ao menos mais três meses... mas eu tinha um ótimo padrão de vida! Tinha meu teto bem decorado, meu carro, minhas coisas, minhas roupas de marcas, podia sair e me divertir quando quisesse, eu tinha Aoi – minha única família, mas era o suficiente –meu cachorro, minha realização pessoal, meus colegas...
“Bem diferente do garoto de 16 anos que chegou a vender o corpo por um pouco de comida!”
Pela primeira vez lembrar daquela época não me jogou para o fundo.
Pela primeira vez eu não me senti a pior pessoa do mundo ao me recordar daquilo!
O que eles tinham? Dinheiro? Prestígio? Apenas isso... todos eles, tinham apenas isso... nada de amor, nada de realização pessoal, nada de família ou de satisfação... todos eles eram podres e secos, vivendo de aparência, se sufocando em seus egoísmos e falsidades...
Ela estava naquela cama agora, morrendo... e ninguém foi visitá-la... e provavelmente não iriam, mandariam um cartão com flores, telefonariam... aquele homem pagaria as contas... e se ela não fosse desta vez, se recuperaria, voltaria a brincar de dama, que não vê as traições do marido, que vê os filhos apenas como artefato de luxo e beleza para mostrar a todos daquela tão “respeitável” sociedade! Jamais conheceriam o que é ser humano de verdade...
“Eu venci”
“Eu venci”
“Vocês é que perderam!”
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AOI’s POV
Um rosto desconhecido...
E ainda por cima entranho e mal encarado.
-Aoi-san, ele disse que quer falar com você! – O pobre caixa parecia amedrontado ao anunciar àquele estranho em minha sala. Geralmente eu fico na loja, ajudando os vendedores, recebendo os clientes... mas hoje eu realmente não estou com ânimo e nem humor para atender ninguém.
“Talvez seja o efeito de ficar um dia sem falar com ele!”
-E quem seria você? – Perguntei, não me preocupando em ser gentil, como eu disse... meu humor não estava bom!
-Você é o Aoi-san? – A voz da estranha figura era mais grossa e mais profunda do que eu pensei, e o tom rude dele realmente não me agradou nada... “Eu queria ouvir a voz profunda, grossa, suave e sexy do meu Uruha”
-Sim, algum problema? – Revidei, dando permissão para o jovem caixa que parecia implorar para sair dali... “o que será que esse cara disse para fazê-lo trazer até a minha sala? Eu tinha deixado claro que não queria ver ninguém”
Não que ele não fosse bonito, pois ele com certeza era do tipo que deixaria garotas apaixonadas, tinha um bom físico e usava um faixa misteriosa cobrindo o nariz... era másculo, tenho que admitir, mas sinceramente... não fazia nada o meu tipo, sou amante de uma beleza mais elegante, como a do loiro de sorriso infantil de ontem...de qualquer forma... Tudo que eu quero é o Uruha... eu já deveria ter ligado para ele, mas fiquei receoso de atrapalhar... afinal eu nunca ligava pela parte da manhã, e nem sabia a que horas ele se levantava também...
“Já são onze e meia... será que ele já está de pé?”
“Por que esse cara me encara como se me odiasse profundamente? Eu nem o conheço!”
-Qual tipo de relacionamento há entre você e o Ruki-san? – A pergunta foi direta e intimidante... eu fiquei surpreso
-O que você tem haver com o Ru-san? – Perguntei de volta, não gostava de ser intimidado, e não recuava diante de nada do tipo... e ainda... como eu disse, meu humor estava incrivelmente ruim.
-Eu sou o mecânico dele – Respondeu ainda sério, chegando a se aproximar, ainda tentando me intimidar...
“Eu realmente não mereço isso!”
-Ah! Sim, e me diga, senhor “mecânico do Ruki”, por que diabos eu teria que responder isso? – Rebati, espalmando minhas mãos em minha mesa e encarando-o fixamente nos olhos... “Eu não tenho medo de você, desnarigado estranho!”
-Por que eu estou perguntando – Falou simplista, também espalmando as mãos na minha mesa... “Por que diabos um cara chega na minha loja, na minha sala e acha que tem direito de ficar me pressionando por respostas enquanto tenta me amedrontar?”
- Eu não o conheço, não sei o seu nome, nem de onde vem ou que faz, não posso confiar em você e muito menos no que diz, por favor, se retire – Ditei por fim,voltando a me sentar em minha confortável cadeira.
-Meu nome é Suzuki Akira, sou mecânico, atualmente estou concertando o carro do Ruki-san e estou interessado nele, fiquei sabendo que ele não namora homens que não sejam gays e eu sou hetero, me disseram que você é o melhor amigo dele e que está com ele há muitos anos... quero respostas e vou fazer qualquer coisa para você desembuchar o que quero! – Explicou ainda em seu tom rude e mal educado, sentando-se na cadeira a minha frente.
Respirei fundo e engoli toda a minha raiva no momento... a coisa que eu menos precisava agora era um confusão dentro da minha loja e pelo tipo dele ele realmente começaria algo ali.
“Como Ruki foi se meter com esse cara?”
-Olhe aqui, Suzuki-san, eu e o Ruki somos amigos há muitos anos, nada além disso, quanto a regra de ele só namorar gays, pode ter certeza de que ele a cumpre a risca, sinto se o senhor estar interessado nele, mas Ru-san não vai passar por cima disso, e eu peço para que modere o seu tom e sua agressividade quando falar comigo, eu não estou em um bom dia e não gosto quando tentam me intimidar, em outro lugar eu compraria essa briga, mas estamos na minha loja e qualquer comportamento mais ofensivo eu vou ter que acionar a polícia – Me resumi, deixando bem claro que estava falando sério.
O loiro de cabelo meio bagunçado, camiseta simples e jeans folgado levantou as mãos em um sinal de paz e abriu um sorriso... “Ele fica melhor quando sorri!”
-Ei! Tudo bem... desculpe pela abordagem ofensiva, é o meu jeito , mas já que me confirmou que são apenas amigos mesmo não tenho porque te botar pra correr, mais ainda vou querer mais respostas – Respondeu em um tom mais amigável
-E por que eu teria que te dar respostas? – Inquiri, erguendo uma sobrancelha para o tal Suzuki-san.
-Por que eu estou interessado no Ruki-san e vou fazer de tudo para conseguí-lo!
Não consegui segurar meu riso... nunca pensei que passaria por isso nos auge dos meus 32 anos...
-Se está tão interessado, por que não pergunta tudo para ele? – Rebati, controlando meus risos... “Talvez esse cara veio animar o meu dia afinal!”
-Eu não posso, ele não vai me responder, muito mais depois de eu tê-lo agarrado a força! – Murmurou em algo que parecia constrangimento. E apesar de um bom momento para risos, eu sabia que aquela parte não era engraçada.
-Você fez errado! Ru-san odeia ser forçado a algo, não deveria obrigá-lo a nada! – Falei, fechando meu semblante para o mecânico, só eu sabia as memórias ruins que algumas coisas poderiam trazer ao pequeno.
-Eu não sabia! É que... nada tava dando certo, e eu acabei perdendo o controle! – tentou se explicar – Você não poderia me ajudar? Com certeza quer ver a felicidade do seu amigo não?
-Eu não sei se você pode fazê-lo feliz, na verdade ele nem sequer me falou de você, Ru-san é como um irmão mais novo para mim, e eu farei qualquer coisa para protegê-lo, por isso... se ele disse não, é não! – Rebati
-Por favor? Eu sei que ele gosta de mim, eu vejo isso no olhar dele, mas por causa dessa regra idiota dele de não namorar heteros ou bis ele não vai me dar ao menos uma chance! – Tornou a falar, sem constrangimentos e em uma determinação que me surpreendeu... Ruki não namorava tipos daqueles... geralmente era mais educados, reservados e gays
-Não é uma regra idiota, há um bom motivo para ele agir dessa forma, e se está tão decidido ache outro meio, eu não vou interferir nas decisões dele e não vou agir em suas costas, sinto muito, não é nada pessoal! – Finalizei, levantando-me de minha cadeira e abrindo a porta de minha sala, deixando claro que o queria fora dela.
- Vocês gays são difíceis! – Ele bradou, impaciente enquanto passava pela porta, o segui para me certificar de que Suzuki-san sairia sem mais problemas.
-Eu não sou gay, sou bi, mais uma coisa pra te deixar tranqüilo, não? – Provoquei em um humor ácido... não tinha ido muito com a cara dele.
-Hunf! Então é verdade mesmo! – Para minha surpresa ele sorriu de volta – Só pra checar!
-Você é realmente estranho! – Comentei em um franzir voluntário, meus olhos passearam ao redor e eu avistei novamente o loiro bonito de sorriso infantil de ontem. Mais uma vez do lado de fora, namorando a Les Paul da vitrine... de alguma forma... eu meio que gostava de vê-lo ali.
“E mais uma vez, se eu não tivesse inegavelmente apaixonado pelo Uruha, eu até iria lá e puxaria algum assunto”
Ele fazia totalmente o meu tipo, alto, magro, loiro, um belo sorriso, aparência elegante e delicada...será que Uruha se pareceria com ele? Tudo que eu sei é que Uruha era loiro, tinha belas coxas, um ótimo oral e... uma voz linda!
“Esse loiro tem belas coxas!”
Mas eu não podia achar que todo belo loiro com coxas grossas fosse o Uruha... talvez nós devemos nos encontrar...
“Será que ele ficará chateado se eu pedir isso?”
Meus pensamentos cessaram quando vi o loiro da vitrine sorrir em minha direção e acenar, quase levantei a minha mão para devolver o aceno até perceber uma movimentação ao meu lado e ver que Suzuki-san já acenava de volta.
Estranhei quando o maior do lado de fora fez um sinal para que Suzuki-san se aproximasse... e por que não dizer que eu fiquei meio... enciumado! Quer dizer! Eu era notavelmente um partido melhor do que o estranho de faixa ali
-Pensei que estivesse morrendo de amores pelo Ruki – Bradei
-Não fique fantasiando, aquele ali fora é o meu irmão! – Ele respondeu mais gentil do que eu pensei que ele fosse capaz — se me disser o porquê da regra do Ruki-san eu te apresento.
Minha boca se abriu em indignação e eu tive que sorrir para acreditar no que estava ouvindo.
-Não obrigado, ele é lindo, mas eu já tenho alguém! – Respondi enquanto negava levemente com a cabeça e me virava de costas para a vitrine – Mas para não dizer que eu sou má pessoa, o Ruki gosta de chocolate e tem uma queda por peitorais, gosta de coisas românticas apesar de negar veemente e se conquistar o Koron já vai ter andado meio caminho para agradá-lo – Falei em um sorriso amigável, voltando a andar para dentro da minha sala enquanto ouvia um “Obrigado!” do estranho mecânico de faixa.
Antes de adentrar o cômodo reservado a mim encarei os dois irmãos se cumprimentando em um toque companheiro e caminhando juntos. O loiro mais alto ainda lançou mais um sorriso para mim e eu o correspondi...
“Sinto muito, Senhor loiro lindo, meu coração já pertence a alguém”
A alguém que eu nem conheço, mas... me conquistou de uma forma improvável!
Olhei para o relógio e percebi que era quase meio dia... talvez eu devesse ligar para ele...
-Aoi-san, tem outro senhor querendo falar com você – A voz do garoto de antes me impediu de entrar em minha sala e eu me virei arredio para ele.
Meu semblante se franziu e eu senti a raiva me consumir ao mirar o rosto que eu não queria ver pelas próximas mil encarnações.
-O que esta fazendo aqui? – Bradei em impaciência.
-Quer conversar aqui? Vai atrapalhar os negócios! – Ele respondeu em seu cinismo e sorriso falso de sempre.
Quem olhava aquele homem de covinhas e bem afeiçoado não imaginaria como ele vivia e o quão cafajeste ele podia ser.
-Me acompanhe – Ditei, abrindo a porta de meu escritório e o fuzilando até que ele entrasse o local – Não deixe ninguém nos incomodar, eu e o senhor Uke Yutaka estamos em uma reunião e nada pode interromper – Ordenei em bom tom ao caixa e dois atendentes que assentiram veemente com a cabeça.
“Que Kami me desse paciência, por que o dia hoje realmente não parecia estar nada bom!”
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