Um mês havia se passado desde o casamento, e a todo momento flashes daquela noite voltavam na mente de Kakashi.

Ele se lembrava dela virando as costas com lágrimas nos olhos e saindo, se lembrava de ter sido covarde por não ir atrás dela, por não pedir desculpas, e por ter dito as coisas que disse.

Lembrava que minutos depois, pelo menos pareceram minutos mas poderiam ter sido horas, Obito e Rin vieram na sua direção perguntando onde estava Tessa, ao que ele só respondeu dando de ombros e dizendo que estava de saído.

Obito, obviamente, foi atrás do melhor amigo para descobrir o que tinha acontecido. Mas Kakashi só disse que num outro dia falaria, não queria estragar o casamento de Obito.

Naquele momento, o professor dava aula na turma 203. Ele estava claramente distraído e com a mente longe do local, mas a turma estava distraída demais para ligar, afinal dali duas semanas seriam os jogos escolares.

Os jogos escolares daquele ano seriam realizados em Suna, isso graças ao pai de Gaara e Temari. Apenas alunos do segundo ano poderiam participar dos jogos, os times já estavam montados, mas Ino queria montar uma equipe de torcida.

— Vou falar com a senhora Tsunade hoje. — A loira falou durante a aula. — Vão participar comigo né?

— Ai Ino, você sabe que eu e Tenten estamos em mais de uma equipe nos jogos. — Temari falou e Ino revirou os olhos. — Acho que deveria falar com mais meninas. Meninas que não não do nosso grupinho. E também falar com os meninos, Deidara com certeza toparia ser líder de torcida.

Ino fez biquinho.

— Tudo bem.

— Mas fala primeiro com a Tsunade, porque não vai adiantar nada montar uma equipe se ela não liberar ter a equipe. — Temari avisou.

— Do que é que vocês falam tanto? — Neji se meteu na conversa.

— Ué você não era o senhor presta atenção na aula? — Temari falou implicante.

— Eu era, mas parece que nem o Kakashi ta conseguindo focar na aula dele.

Neji falou e os três olharam para Kakashi, que estava parado de costas para o quadro olhando para a janela com um olhar perdido.

— Será que ele ta pensando em alguém? — Ino perguntou. — Uma namorada? Sei lá.

— Acha mesmo que o Kakashi tem namorada? — Temari falou. — Sempre achei ele meio robotizado sabe, assim como o Neji.

— É, eu também. — Neji concordou. — Mas ei, como assim "assim como o Neji"? — Ele perguntou fazendo aspas com os dedos.

— Ah Neji, você é meio robotizado sim, não finge que não.

— Concorda com isso Ino?

— Eu estou mais interessada em saber o que se passa com nosso professor. Sabe, eu tava pensando aqui... — Ela falou séria fazendo com que Temari e Neji prestassem total atenção no que ia dizer. — Desde que ele voltou daquela viagem ele ta estranho, distante, pensativo. Kakashi nunca foi normal, mas ele sempre foi focado nas aulas, mesmo chegando atrasado na maioria, ele sempre foi um ótimo professor e agora... — Ela apontou pra ele. — Ele nem parece que está numa sala de aula.

— E qual é o seu palpite? — Neji perguntou.

— Uma mulher. Eu diria que eles está assim por conta de uma mulher.

— Eu realmente não duvido, mas o que a gente poderia fazer? — Temari perguntou. — Nem sabemos direito que tipo de viagem foi essa que ele fez.

— Nós não sabemos, mas conhecemos alguém que pode conseguir essa informação.

— Quem? — Temari perguntou desacreditada.

— Naruto. — Ino respondeu certeira.

— Por que caralhos o Naruto iria conseguir essa informação? — Neji perguntou franzindo as sobrancelhas.

— Pensa um pouco gente. Vocês nunca notaram que o Kakashi ter um certo apego pelo Naruto? E se o loiro não conseguir com o próprio Kakashi, ele consegue essa informação com o Jiraiya.

— Faz um pouco de sentido, mas eu não sei. — Temari falou. — Fora que o Naruto é meio... Vocês sabem...

— Ele é meio burro. — Neji interrompeu Temari.

— Não era bem isso que ia falar, mas serve. — Temari disse.

— O que a gente tem a perder? — Ino perguntou.

— Tempo. — Neji respondeu.

— Para de ser chato garoto, a gente vai ta ajudando um professor querido.

— Um professor que talvez não queira ajuda. — Neji retrucou.

— Não é questão de querer, é questão de precisar. Olha a carinha dele de cachorro que caiu da mudança.

— Eu não concordo 100% com isso, mas eu topo. — Temari falou.

As duas loiras encararam Neji com olhos pidões

— Ta, eu também topo, mas parem de me olhar assim.

...

Naruto estava parado em um dos corredores da escola com Ino, Temari e Neji. O trio explicava pra ele o que ele deveria fazer.

— Eu topo, mas eu não entendi muito bem o que tenho que fazer. — Ele falou dando uma risada e coçando a parte de trás da cabeça.

— Eu disse que ele era meio burro. — Neji falou.

— Eu não sou burro Neji. — Naruto falou irritado.

— Não falei que você era burro, e sim meio burro.

— Burro é você e o Kiba, que fizeram aquela cagada com a Tenten. — Naruto retrucou e Neji ia avançar em cima dela.

— OW, OW, OW. Vamos com calma garotos. — Temari falou se metendo no meio dos dois. — Neji não precisava falar isso de você, mas você também não precisava falar aquilo dele.

Naruto respirou fundo.

— Tudo bem. Mas qual é o plano mesmo?

...

Sasuke estava sozinho em seu quarto. Eram raros os momentos como aquele, geralmente Suigetsu sempre estava junto com ele, mas com os jogos e o garoto na equipe de natação Sasuke agradecia por esses momentos de sossego. O resto dos integrantes do apartamento só iam para o local na hora de dormir.

O Uchiha olhava algumas fotos antigas em seu celular. Havia uma dele e de Naruto em um clube de piscina, o loiro havia subido em suas costas para uma briga de galo e Chouji tirou aquela foto. Havia uma outra de Kiba e Naruto no dia em que ambos pegaram o celular de Sasuke e tiraram dezenas de foto, o Uchiha não quis excluir aquela porque ficou realmente boa.

Ele sentia falta daquilo, sentia falta dos amigos, mas não podia deixar que eles atrapalhassem seu caminho, seu afastamento foi necessário, mas se ele pudesse mudar uma coisa, essa coisa seria nunca ter se aproximado dela.

E bem nesse momento, ele passou por uma foto dela. Ela estava sorrindo meio de lado, os ventos batiam em seu cabelo e o sol se punha atrás dela, era uma foto poética que ele bateu sem pensar nisso.

Ele se lembrava daquela tarde, haviam estudado juntos e depois começaram a conversar coisas da vida, ele puxou o celular do bolso para ver as mensagens, e logo em seguida apontou a câmera pra ela, o que resultou naquela foto.

Sentia tanta falta de Sakura, do seu sorriso, seu jeito, sua voz, de tudo nela. Se pudesse voltar no tempo ele nunca teria se aproximado dela. Ele sabia que ela devia se sentir confusa com toda a situação com ele, mas Sasuke não sabia o que fazer para ajudar, precisava alcançar sua meta.

Queria excluir aquela foto, mas não conseguiria, e nem poderia. Já havia dado fim a todas as outras fotos que ela aparecia, mas aquela não, aquela tinha significado demais pra ele simplesmente fingir que nunca existiu.

— Um dia tudo vai fazer sentido. — Ele falou encarando a foto e desligando o celular em seguida.

...

Ino havia acabado de sair da sala da senhora Tsunade e agora andava pelos corredores com um sorriso radiante no rosto, pois a diretora havia liberado uma equipe de torcida para os jogos, porém teriam que ter no máximo dez alunos e no mínimo oito.

A loira sabia que Sakura e Hinata participaria, mesmo que ela precisasse insistir um pouco. Deidara era outro que com certeza toparia, ela só precisaria arranjar mais quatro pessoas.

Avistou um grupo de meninas no corredor e foi falar com elas.

— Oi, desculpa incomodar.

— Ah relaxa. — A menina de cabelos curtos disse.

— Então, eu to organizando uma equipe de torcida pra ir no jogos, será que alguma de vocês teria interesse?

— Foi mal gatinha, mas eu não curto esses rolês.

— E você? — Ino perguntou para a menina de cabelos verdes que estava concentrada no celular.

— Ah, a Fuu vai participar dos jogos, mas na parte dos jogos digitais. E a propósito me chamo Yuri.

— Prazer Yuri, me chamo Ino.

— Então Ino, acho que quem toparia ser líder de torcida seria a Karui. — Yuri se virou para a menina de pele morena e longos cabelos pintados de vermelho ao seu lado. — Karui.

— Hum? — Ela resmungou tirando os olhos do celular.

— Quer fazer parte da equipe de torcida com a Ino? — Yuri perguntou e Karui encarou Ino de cima a baixo.

— Vamos nessa, precisa de mais quantos? — Karui perguntou.

— No mínimo mais três pessoas, e no máximo mais cinco.

— Hum. — Karui ficou pensativa por um tempo. — Eu consigo mais três. Me passa seu whats que eu confirmo até depois do jantar.

— É sério? — Ino falou com os olhos brilhando.

— Sim.

— Aaahh muito obrigada. — Ino falou indo abraçar Karui.

— Alto lá, não gosto de abraços loirinha. Mas de nada. — Karui falou. — A gente se fala mais tarde.

Ino agradeceu mais uma vez e saiu saltitante.

— Quem são os outros três? — Yuri perguntou com um sorriso cínico no rosto.

— Chojuro, Omoi e Kurotsuchi.

— Ah ta. — Yuri riu irônica. — Boa sorte. Duvido que eles topem.

— Omoi me deve uma, Kurotsuchi vai ser um pouco difícil, mas eu consigo. E Chojuro tem uma queda por ela, então qualquer coisa que ela peça ele faz.

— Karui eles vivem em pé de guerra... Como que ele tem uma queda por ela?

— É coisa de hétero minha querida Yuri.

— Sendo assim eu nem quero tentar entender.

...

Sai estava sentada com seu caderno de desenhos no colo. Ele folheava o caderno, haviam inúmeros desenhos de Ino. O garoto não entendia, mas depois que a conheceu ela não saiu mais de sua cabeça e toda vez que ele ia desenhar sempre tinha alguma relação com ela.

Eles nem eram tão próximos como ele gostaria que fossem, talvez até por culpa dele. Sai sempre muito fechado, tinha medo de se relacionar e se abrir com as pessoas, mas quando estava com Ino isso parecia mudar completamente.

Ele conseguia e queria se abrir com ela, mas as vezes se retraía por medo da reação que ela pudesse ter. Sai cresceu praticamente sozinho, a mãe morreu no parto e ele nunca soube quem era seu pai. Foi criado pelo avô, que era o bibliotecário de Konoha High School, que nunca foi muito presente em sua vida, e não demonstrava emoções, por isso Sai se tornou recluso e fechado.

O garoto nunca soube conviver muito bem em sociedade e assim começou a desenhar. Isso era sua grande paixão, era nos desenhos que ele expressava seus mais profundos sentimentos, mesmo ninguém nunca os vendo. Ele também nunca havia tido vontade de mostrar seus desenhos para alguém.

Mas isso mudou quando Ino apareceu. Com ela, ele queria mostrar seus desenhos, e alguns até havia mostrado, ela gostou tanto que pediu pra que ele a desenhasse.

Sai se lembrava do dia que a havia desenhado, ela estava sentada num dos bancos da escola e não parava quieta, ele sorria desse jeito dela inquieto, mesmo que estivesse atrapalhando seu trabalho, ele gostava. Depois desse dia todos os desenhos que ele fazia tinham alguma relação com ela, e Sai se sentia extremamente confuso com relação a isso, pois ele não sabia como lidar.

...

Os alunos estavam todos reunidos para o jantar, mas a comida ainda não havia sido servida. Desconfiavam que Tsunade teria algum aviso, pois a comida só demorava a ser servida quando ela tinha avisos para dar. E a desconfiança logo se tornou real.

A diretora se posicionou no meio do salão de refeições com um megafone na mão.

— Boa noite alunos, prometo ser rápida se todos fizerem silêncio. — O salão se calou naquele momento. — Pois bem, devido alguns pedidos, decidimos acrescentar de última hora duas novas equipes para ir ao jogo. Uma delas é a de torcida que foi organizada pela senhorita Yamanaka e eu espero ter todos os nomes dos integrantes em cima da minha mesa amanhã. E a outra equipe vem sendo formada desde o inicio do ano letivo, porém só agora eu pude confirmar com as outras escolas participantes se seria possível e viável. E a resposta é sim, esse ano haverá um torneio envolvendo alguns jogos digitais, não me perguntem o nome porque eu não sei, mas o professor Iruka já têm alguns integrantes na equipe, então se mais algum aluno se interessar é só falar com ele. Bom jantar.

Assim que ela acabou de falar a maioria dos alunos se levantou para ir pegar a comida, mas Shino não. Shino permaneceu sentado vidrado com a ideia de competir pela escola em algo que amava e era bom.

— Essa é a minha grande chance. — Foi o que ele disse para si mesmo.