Konoha Chibi
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Aquilo definitivamente não era o que Sasuke esperava. Ele conseguira voltar para Konoha, conseguira derrotar Itachi, descobrindo que isso não foi o melhor de seus movimentos, conseguira derrotar Orochimaru e manter seu corpo consigo mesmo. Mas ele não esperava que uma escapada quinze anos atrás tivesse dado frutos, e muito menos que tivesse sido com alguém que ele conhecia e estimava. E agora, ela estava a sete palmos abaixo do chão, após tentar cumprir uma missão de salvar uma vila pequena de uma doença.
Pensar que ele nunca pode dizer adeus.
Depois de descobrir o que Itachi realmente tinha feito, e quase ter sido enganado por um certo homem de máscara, ele havia se tornado um andarilho, devido à vergonha de voltar. Não era como se ele tivesse coragem para olhar para os amigos depois daquilo, ou pra qualquer um da vila da folha. Nos primeiros dias, ele resolveu beber um pouco numa vila que encontrou, se divertir um pouco, e sumir novamente para algum outro lugar. Foi uma grande surpresa que esta lembrança que havia quase desaparecido fosse se tornar algo importante. Afinal, nenhum dos dois se permitiram reconhecê-los, devido a um jutsu de transformação e Sakura só notou o que houve quando os frutos da relação apresentaram Sharingan mais tarde.
Naruto, o atual Hokage, conseguiu livrar ele de uma prisão perpétua, considerando que ele não apresentou real perigo à Konoha por todos esses anos, mesmo durante a guerra, e voltou pacificamente. Teve que passar uns três meses passando por interrogações e provar que não, não trairia a vila novamente, e sim, ele seria um cidadão comum para não dar chance de oferecer qualquer forma de perigo. Assim que conseguira sair, ao perguntar da garota de cabelo rosa que dizia amá-lo, recebera um passeio guiado pelo próprio Hokage até onde o corpo jazia há três anos, no cemitério.
Pode-se dizer que não foi uma experiência agradável. Parecia até brincadeira, eles sempre foram três mais o sensei. Agora eles tinham Sai, que era para substituir o moreno, mas no fim substituiu a única garota do grupo. No fim, aquilo não era mais um teste, como quis acreditar.
— Naruto, e as duas crianças que você disse que existiam? Os m-meus filhos. — Perguntou, com um gosto amargo na boca. O loiro sorriu melancólico, mas não disse nada, apenas fez um movimento para que o seguisse. O lado bom de estar quase anoitecendo era que não havia muita gente nas ruas, então não tiveram de lidar com olhares estranhos. O "último" Uchiha ainda era novidade, afinal.
Eles chegaram numa casa simples, com uma circunferência branca na sua porta, símbolo do clã Haruno, um dos menores clãs. Apenas mais duas casas vizinhas tinham o mesmo símbolo, afinal. Ao bater, uma criança de sete anos atendeu, sendo praticamente a cópia da falecida. Ela ofereceu um sorriso inocente ao ver o loiro.
— Tio Naruto! — Ela o abraçou animada. — O senhor veio para brincar comigo? E quem é esse homem? E cadê Koichi, ou Hikari? Eu quero brincar com Hikari!
— Olá, Asuka-chan. Este é o pai de seus irmãos, eles já estão em casa? — Naruto lidou calmo com a menina.
— Oh, eles sairam faz pouco tempo, comprar meu presente de aniversário! O senhor sabia que é hoje? Os outros já disseram que viriam, mas eu quero que eles venham logo! — E ao notar que eles vieram mais para falar com seus irmãos, ela tentou se acalmar por si só, e passar uma imagem de madura. Tentou. — Bem, os senhores podem esperar na cozinha por Akane-nee e Koi-nii também.
O loiro agradeceu, fazendo carinho no cabelo curto da garota, e puxou o velho amigo para a cozinha, que olhava para a garota confuso.
— Sai e ela acabaram juntos para cuidar dos dois, e Asuka nasceu disso também. — Naruto sussurrou, para clarear as dúvidas, enquanto preparava um chá para os três da casa e para os dois que estavam vindo. Para esses últimos, um chá para acalmar os nervos.
Eles não precisaram esperar por muito tempo. Logo a porta se abriu e a garotinha correu para recebê-los.
— Hey, Asuka-imo-chan, demoramos muito? — A voz feminina soou, quase baixa e doce. Não era possível ouvir o irmão, no entanto, mas pelas exclamações felizes da menor, ele devia estar também.
— Vocês não demoraram pra mim, mas tem visita pra vocês dois na cozinha, tio Naruto trouxe um cara esquisito e disse que é papai de vocês. — A criança contou. Os dois irmãos entraram no cômodo, o garoto com a menina no colo, e Sasuke quase se engasgou com o chá.
A garota era alta, de longos cabelos rosados e olhos negros que o encaravam em desafio. Usava uma blusa vermelha com o símbolo dos Haruno, shorts pretos que mostravam as pernas torneadas e algumas bandagens em certas regiões, a faixa com o símbolo da vila em sua testa. O rapaz era quase da mesma altura, de madeixas que começavam negras e terminavam rosas, o comprimento impedindo que ficasse rebelde como o pai. Tinha os mesmos olhos da irmã, uma expressão mais entediada, bermuda preta e uma camisa vermelha escura com o mesmo símbolo.
Era um tanto óbvio que eles não aceitavam a ideia de serem Uchiha, não importava o quanto seus pais tivessem sido amigos de Sasuke.
— Olá, Hokage-sama. O que esse estranho está fazendo aqui? — Ela não parecia a fim de conversa também.
— É, o que esse estranho iria querer com a gente? — Koi soltou, a voz raspante e nada convidativa.
— Bem, vejamos, este "estranho" é pai de vocês. E já que ele já foi considerado traidor, seria uma ótima missão para vocês ficarem de olho nele? É isso. — Naruto riu de nervoso. Foi uma ideia de última hora considerar aquilo como uma missão.
— Eu não vou cuidar de um traidor covarde que abandona nossa mãe e a vila inteira. — Akane recusou-se, a voz pingando em desprezo, antes de sair para o próprio quarto, antes que o irmão a puxasse e sussurrasse algo em seu ouvido. Os dois sorriram de forma travessa então.
Sasuke engoliu em seco.
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