Komugi
1 Oneshot: Komugi
Notas iniciais
Meruem, definitivamente, não entendia os humanos.
Sendo mais específico, ele não conseguia entender uma humana em especial: Komugi. Aquela albina sempre estava surpreendendo-o e, sem ele notar, mudando seus pensamentos. Sempre vencia-os nas partidas de Gungi. Não se preocupava consigo mesma. Era desastrada. Idiota. Fraca. Modesta e frágil demais.
Para ele, era somente um objeto que tirava-o do tédio, enquanto o dia da Seleção não chegava.
Ou pensava assim.
Um dia antes da Seleção, depois de uma conversa com seus Guardas Reais, ele decidiu dar um basta naquilo. Não precisava mais de Komugi. Ela de nada servia para si. Fora somente um passatempo para entretê-lo antes da Seleção.
Não sabia o motivo, mas estava hesitante.
Contudo, ao abrir a porta ao qual estava a tão estranha garota, sentiu o coração acelerar rapidamente. Não estava acreditando no que estava vendo: uma ave atacando-a e Komugi com as mãos na cabeça, tentando se proteger, contendo as lágrimas e os gritos de dor. Por instinto Meruem atacou o animal, matando-o em um golpe.
Perplexo com aquilo, ele questionou-a. Sua voz tinha um quê de desespero e preocupação. Aquela criatura... Porque diabos não tinha pedido por ajuda? Ela era muito fraca! - E que diabos de resposta era aquela, que não queria incomodar ninguém?
Sem entender, Meruem tratou de dizer que a garota era muito importante.
Como sempre, a albina começou a chorar e pedir desculpas. Sempre chorava por tudo, aquela era Komugi. Meruem ficou sem saber o que dizer, quando a mesma afirmou que ninguém nunca tinha sido tão gentil com ela.
“O que é essa criatura? O que eu quero fazer com ela?”, pegou-se pensando, enquanto observava-a aos berros. “O que eu faço?”
A resposta veio logo em seguida.
Sem perceber, ele agachou-se e a abraçou. Seus braços passaram por cima daqueles ombros e ele, mais uma vez, notou o quanto seu corpo humano era pequeno e frágil. Os olhos da albina esbugalharam-se com aquilo, enquanto, fungando e soluçando, sussurrou:
“Líder Supremo?”
Meruem não respondeu. Droga, o que ele estava fazendo? Há alguns minutos queriam matar Komugi, transformá-la em montes de carnes. No entanto... No entanto... Agora estava abraçando-a e morrendo de preocupação com a mesma.
Não quero vê-la machucada, o pensamento inesperado fez com que apertasse mais o abraço. Komugi é fraca... Frágil... Seu corpo humano não aguenta muita coisa. Pode machucar-se e morrer por algo bobo... Preciso protegê-la. Preciso cuidar dela. Espera! O que diabos estou pensando?”
Não compreendia tais pensamentos. Não conseguia entender seu coração acelerado e a vertigem. Não conseguia compreender a si mesmo, seus pensamentos e emoções. Não sabia o motivo de não querer soltar mais Komugi. Ele, Meruem, Rei e Líder Supremo, não estava conseguindo entender algo. E tudo por causa daquela humana, era sempre ela. Komugi, desde a primeira vez que se encontraram, sempre deixava-o confuso e intrigado.
Meruem, subitamente, notou que gostava daquilo.
A albina sempre fazia-o voltar atrás de sua palavra. Tinha uma habilidade no Gungi que era extraordinária, cujo Meruem jamais pensou que poderia existir. Sua alegria o deixava feliz e a cada jogada notava que, além de si mesmo evoluir naquilo, Komugi também melhorava suas jogadas.
Cada batalha ali era de extrema importância. Pensando agora, não melhorava só na questão do jogo, mas si em tudo. Imaginava-se usando estratégias em lutas. Melhorava sua questão lógica e... Psicológica, mental e sentimental.
Tudo por causa de Komugi.
“Líder Supremo?”
“Sente dor, Komugi?”
“Não... Estou melhor. O que está acontecendo, Líder Supremo?”
Droga, ele gostava quando ela chamava-o de tal maneira.
“Quer que Pitou dê uma olhada? Isso pode transformar-se em um problema mais sério depois, Komugi.”
“Não... Eu estou bem, de verdade.”
Percebeu que a garota estava chorando novamente. Ela o segurou forte, apertando-o com aquelas mãos pequenas e frágeis de humanos. Deixou as lágrimas caírem no ombro de Meruem, que fez carinho em seus cabelos.
“Conte-me sobre sua família.”
Pediu, afastando-a um pouco e sentando-se, enquanto a encarava profundamente.
Para muitos, aquilo soaria como uma ordem brusca. Mas Komugi notou o tom curioso dele. Assentindo hesitante e gaguejando, ela contou. Contou sobre sua infância, partidas de Gungi, adversários aos quais enfrentou e estratégias criadas. Contou tudo e mais um pouco.
Ficaram bastante tempo assim. Meruem só notou que o tempo tinha passado quando viu que a garota estava quase caindo e desmaiando de sono. Deixou um sorriso escapar e deitou a cabeça dela em seu ombro.
“Líder Supremo?”
“Conte-me mais sobre Gungi, Komugi.”
E ela contou. Meruem sorria fracamente. Gostava da voz dela. Gostava daquela voz sonolenta. Quando a Seleção passasse, iria passar mais tempo com ela. Iriam jogar todo dia e toda hora. Iriam conversar mais. Meruem ia ajudar sua família e daria tudo que ela quisesse e precisasse.
Assustou-se com o pensamento repentino, mas deixou-o de lado ao ver a voz da garota ficar mais fraca.
“Já está bom, Komugi. Descanse um pouco.”
“Ahn? Ah. Claro... Só um pouquinho, Líder Supremo. Já, já continuo a contar. Só vou fechar os olhos e...”
Meruem segurou o riso. A albina já estava cochilando.
Ficou por um momento daquele jeito. O calor que emanava daquele pequeno corpo humano era gostoso. Não via a hora da Seleção passasse. Queria que Komugi lhe mostrasse mais do mundo Humano, queria conhecer as coisas que via nos livros que Pitou lhe entregava. Queria saber mais e mais. Komugi ia ajudar-lhe, disso ele sabia.
Com cuidado, pegou a pequena no colo. Levou-a até sua cama e a deitou. Secou algumas lágrimas que ainda estava em sua face e analisou-a. Tão pequena, Komugi poderia muito bem se passar por uma criança. Aquela face sonolenta combinava com ela...
Meruem curvou-se e, sem notar, beijou a testa dela.
“Líder Supremo...”
Ouviu-a sussurrar em seus sonhos. Sorriu novamente com aquilo e lhe cobriu com o cobertor.
Poderia passar a noite toda ali, observando-a dormir. Mas tinha de preparar-se para a Seleção e também teria de chamar Pitou, para que desse uma olhada em Komugi. Nunca que ele deixaria ela naquele estado.
Virando-se e caminhando para a porta, Meruem deu uma última olhada nela. Encarou brevemente o tabuleiro de Gungi e reconheceu a estratégia que a garota estava treinando: uma das últimas que estavam jogando. Moveu uma peça e sussurrou um comando, como se estivesse jogando com Komugi.
Logo em seguida foi para a porta. Encarou Komugi pela última vez. Poderia estar confuso com tudo aquilo, mas de uma coisa ele sabia: preocupava-se com ela e queria seu bem. E não mediria esforços para que isso acontecesse.
Notas finais
Não ficou grande coisa, mas faz tanto tempo que queria escrever algo sobre esses dois... Dá pra fazer tantas coisas com os mesmos mas não tem quase nada no fandom, poxa 3. Daí, aqui está a minha contribuição o/ (agora posso dormir mais relaxada -qq, já que eu queria MUITO escrever algo sobre eles)
Bom, agradeço ao Felipe, que tá sempre me obrigando e incentivando a escrever fics zzzz (mesmo que não leia depois -q) e a quem leu o/
Ficaria grata com comentários, haha XD
Um abraço o/
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