Notas iniciais
Olá de novo, amoras. Capa nova :) Espero que gostem ^^

“Que merda, Órion! ” – Exclamo tentando socar seu ombro direito enquanto ele se esquivava. — “Nossa, Heaven. Três semanas sem me ver e esse é seu ‘que saudade? ’ – Ele fala rindo – Muito engraçado. Viro de costas para ele e entro em sua casa que estava com a porta já aberta, assim que passo pela soleira da porta, consigo sentir o cheiro forte vindo lá de dentro. Onde Drake consegue esse tipo de coisa? Viro o rosto para olhar para Órion e ele me empurra entrando primeiro: “Sim, meu irmão está em casa. ” – Ele fala levantando ambas as sobrancelhas e dando de ombros. Ele pede para subirmos, deixo meus sapatos perto da porta repetindo o que ele fazia. Não era o tipo de casa convidativa, não da primeira vez que se olha, mesmo sendo exatamente como todas as do quarteirão: janelas grandes para que a luz do Sol pudesse entrar, uma chaminé, paredes em tons pastéis, mas aquela era diferente.

Enquanto andava em direção a escada atrás de Órion, pude ver algumas pessoas no sofá da sala, à minha direita, todas aparentemente cansadas, a tevê estava ligada em algum canal bobo de culinária sem ninguém para assisti-lo. Assim que chegamos juntos a seu quarto, me lembrei de perguntar a Órion de Savannah e ele respondeu que ela provavelmente estaria no quarto do outro lado do corredor só que não achava muito seguro ir checar. “Argh. ” – Brinquei arrancando um sorriso dele. Ele se sentou na cama dele e deu dois tapinhas do seu lado, indicando para que eu fizesse o mesmo. “Então, bambini me fale como estão sendo as férias. ” “Normais, o de sempre. Tem falado com a Lily? ” – Perguntei. Ele me respondeu com uma careta. “No fundo vocês gostam um do outro” – falei levantando com um sorriso de lado – “Tem algumas lentilhas? Acabei não comprando depois que alguém quase me matou do coração no caminho. ” Ele riu. “Claro, vamos lá em baixo. ” Refizemos o caminho de poucos minutos, passando pela sala onde quase tropecei em algumas pessoas. Assim que peguei me despedi e sai novamente pela porta da frente, pedindo para que mantivesse contato e dizendo que senti saudades e que o desculpava. “Eu sei que você me ama. ” – Foi o que ele disse depositando um beijinho na minha testa. “Está corada, Heaven! ” – Ele riu de mim. “Não estou! ” – Exclamei.

Podia sentir seu olhar queimando na minha nuca enquanto andava dois quarteirões de volta para casa. Já estava bem escuro, quanto tempo havia passado fora? Estava cansada, meus passos foram ficando cada vez mais lentos até que pude enxergar a minha casa no final da rua. As luzes estavam todas apagadas, menos a da cozinha, podia ver a silhueta da minha mãe pela janela. Fui impedida por duas mãos que agarraram meu braço. “De novo não” – pensei

“Oi, maninha. ” – Savannah fala ofegante segurando em meu ombro enquanto tenta recuperar o folego. Ela vestia o mesmo vestido azul que usava quando a vi pela última vez na noite passada. Parecia ter acabado de correr uma maratona. “O que houve com o seu cabelo? ” – Foi a única coisa que consegui perguntar. “Chama isso de cabelo? Está parecendo mais com o ninho de passarinho que sua amiga hippie tem na cabeça. ” – Sah disse rindo. Ela exalava um cheiro forte de bebida, muita bebida. “Mamãe vai matar você” – falei enquanto ela disparou para casa na minha frente, rindo de algo ou alguém que não conseguia enxergar. Savannah havia herdado os cabelos do papai, tinha um nariz reto, nem comprido nem largo demais. Seus olhos, de um azul cerúleo também era de nosso pai, ela era como ele e como eu sentia falta dele, como doía olha-la naqueles dias que a saudade apertava mais forte. Vovó gostava muito dela, principalmente aos domingos, quando íamos com o Cadillac bege do papai até a igreja. Ela chegava em nossa casa sempre bem cedo, mergulhava Savannah na banheira, a secando e perfumando em seguida. Desembaraçava seus brandos cabelos claros e os ondulava, depois a vestia com os melhores vestidos do guarda roupa. Sempre durante os cultos, Sah ficava no colo dela, ela brandia e chorava mas continuava mesmo assim. Eu costumava ficar no último banco com Joseph. Meu vizinho Joseph era um cara engraçado que tinha uma tatuagem de um par de asas nas costas. Uma vez eu perguntei a minha mãe quando eu poderia fazer uma tatuagem como a de Joseph e ela disse que eu poderia quando terminasse a faculdade e tivesse a minha própria casa. Joseph estava no último ano da escola e falava de ir para a faculdade como se fosse o paraíso. Ele sempre repetia a mesma coisa “Os adultos falam que vou sentir falta dos meus tempos no colégio, só que não é verdade. ” Eu não gostava quando ele falava isso, eu não gostaria de sair da minha escola e abandonar meus amigos de jeito nenhum.

Finalmente em casa, me desfiz do meu chapéu no hall de entrada e do casaco que mamãe havia feito para mim no último inverno, Savannah parecia já estar em seu quarto. Fui direto para a cozinha, junto de minha irmã e minha mãe, o forno aquecia o ambiente deixando tudo muito aconchegante. Me fez sentir viva, como se reestabelecesse a energia em cada fibra do meu corpo. Entreguei as lentilhas para a minha mãe que retribuiu com um sorriso, como a amo. Perguntei se ela tinha visto a minha irmã chegar, ela acenou com a cabeça em afirmação sem olhar para mim, depois soltou um longo suspiro. A abracei e então subi para o meu quarto onde tirei meus sapatos e me joguei na minha cama. Fiquei pensando em tudo e em todos. Em Órion, Drake, Lilith, papai, Joseph... Ele morava na casa a direita da minha, com o pai e a madrasta. Já deveria estar na faculdade hoje em dia, como sempre sonhou. Pensei em colocar alguma música para tocar para poder me ajudar a acalmar os pensamentos e dormir em paz, nossa vizinha da esquerda Margaret com certeza reclamaria caso não tivesse sido internada em um hospital com insuficiência cardíaca a dois meses atrás.

Fui interrompida dos meus pensamentos quando minha mãe entrou empurrando a porta com cuidado. “Desculpa se te acordei, querida, só vim dar um beijo de boa noite. ” – Ela disse docemente – “Não, tudo bem. ” Ela me deu um beijinho no topo da cabeça, notei que não era a primeira a fazer isso hoje. “Obrigada por trazer a Sah de volta para casa em segurança” – ela sussurrou em meu ouvido, deu um sorriso e saiu.