Kokoro no Kizu
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Kokoro no Kizu
Revisado por Vane
História escrita para o Amigo Oculto de Fanfics 2009, promovido pela comunidade Saint Seiya Superfics Journal.
Capítulo I
A neve que caía levemente do lado de fora era observada pelo o rapaz de tez tão pálida quanto os flocos que se juntavam, forrando o chão e encobrindo o telhado das casas, as copas das árvores, os carros nas ruas... Descolorindo de vez, tal como um líquido corretivo, a paisagem outrora em tons apagados de outono.
O jovem japonês suspirou, e o seu hálito quente fez com que a vidraça diante dos seus olhos se embaçasse. Foi então que notou seu reflexo no vidro espelhado da janela; era quase um fantasma. A pele pálida e o jaleco branco que vestia faziam-no quase desparecer em meio ao branco das paredes e do piso do lugar. Se não fossem seus olhos e os cabelos, naquele tom tão claro de verde, poderia dizer que também havia sido descolorido, tal como a paisagem do lado de fora.
A neve trazia um sentimento de angústia nauseante àquele jovem residente, parado ali, sozinho, no fim do corredor que levava à ala de repouso dos funcionários de um dos hospitais mais renomados de Tóquio: a Clínica Sekai.
“Tarde de inverno... Queria ser como os animais que hibernam nessa época, e só acordar quando a primavera chegasse recolorindo tudo...”, ele pensou, soltando mais uma vez um suspiro, que novamente criou um círculo branco – que se esvaía rapidamente — no meio do vidro da janela.
Shun, o jovem médico residente, considerava o inverno uma estação depressiva. Mas muitas vezes ele se repreendera dizendo que não deveria pensar assim, já que era este o período onde se celebravam tantas datas importantes como o Natal e a passagem para um novo ano. Era quando as pessoas trocavam presentes e as famílias se reuniam para que todos compartilhassem a ceia.
Talvez fosse exatamente este ponto que o fazia se deprimir ainda mais. Pois era exatamente este clima cálido, tão diferente da temperatura da época, que tornava o inverno a estação mais deprimente de todas para o recém formado doutor Shun Amamiya.
Shun não tinha família. Ou melhor, tinha: Ikki, o irmão três anos mais velho. Aquele que decidira dedicar-se à reconstrução do Santuário de Athena na Grécia, desde que todos retornaram da última batalha. A partir dali, poderia contar nos dedos o quanto se viram: no máximo duas vezes ao ano, o que somava, no espaço de nove anos, uma quantia inferior a seis meses.
Shun sorriu, um sorriso deprimido, carregado de melancolia, ao deduzir tal fato. Logo ele, que nunca pensara que viveria sem o irmão. Mas Ikki tomara uma decisão oposta à sua. E no início, Shun compartilhara da decisão do mais velho de ficar na Grécia, e aceitara reerguer o Santuário, antes destruído pela grande guerra contra os espectros seguidores de Hades, o deus do mundo inferior.
Saori, a reencarnação de Atena na época atual, conseguira salvá-los no momento da destruição de Hades, teletransportando-os com o seu poderoso cosmo de volta ao Santuário.
Contudo, foram inúmeras as vidas perdidas naquela batalha; na grande maioria, companheiros e mestres. Em uma guerra que fora praticamente deles, silenciosa, omitida dos habitantes do mundo, exceto dos chefes das grandes nações. Era assim que os Cavaleiros do Zodíaco agiam desde a Antiguidade: nas sombras. Só eram reconhecidos dentro do seu próprio mundo, que se resumia praticamente ao Santuário grego.
Mas a fama ou reconhecimento não eram algo por que Shun ansiasse. Nunca fora pretensioso. O que ele desejava na verdade era uma redenção para sua alma. Afinal, mesmo que houvesse sido pelo bem do planeta, sua alma fora corrompida, tingida pelo sangue de várias vítimas. Tirara inúmeras vidas em nome da deusa, mesmo não se achando no direito de fazê-lo. Além de tudo, fora o hospedeiro daquele ser maligno, e quase dera cabo da vida dos irmãos de guerra, e do próprio planeta.
Se tivesse ficado para morrer em Elíseos — o último campo de batalha -, talvez não sentisse tanta agonia, vazio e culpa por todos que morreram.
Porém, mesmo com os poucos sobreviventes, a senhorita Kido anunciara que reergueria o Santuário — o seu legado — e, para isso, necessitaria da ajuda dos remanescentes. Contudo, ela fora condescendente em anunciar que não forçaria àqueles que já haviam doado tanto por ela, e os liberou da tarefa. Acrescentou que, se alguns deles decidissem partir para seguir uma nova vida, a milionária fundação Graad — da qual era herdeira — se encarregaria de ajudá-los em tudo que fosse necessário.
O desejo de Shun na época fora óbvio: ir para o mais longe possível daquele lugar e enfim, respirar em paz. Porém, seu irmão mais velho contradissera o desejo que ele nem chegara a pronunciar, informando-o de que iriam ficar e ajudar na tarefa de reconstrução.
Naquela época Shun era muito novo — treze anos — e, apesar de ter sido forçado a amadurecer, não sabia se conseguiria viver uma vida normal sozinho, longe do irmão que tanto amava. Desta forma, compartilhou da decisão de todos.
Todavia, assim que a reforma terminou, um ano depois, iniciaram-se as primeiras desavenças entre o grupo. Exatamente, quando Saori anunciara que faria a nomeação do novo Mestre. Todos já imaginavam que a deusa concederia a Seiya – seu favorito – o privilégio. Contudo, veio a grande surpresa: seu irmão se opusera à indicação deste, dizendo que o cavaleiro de Pégaso não tinha maturidade suficiente para governar, e ainda acusou Athena de estar agindo de acordo com sentimentos pessoais.
Apesar de ofendida com a acusação grosseira de Ikki, Saori reconheceu como qualidade a petulância do guerreiro em ser o único a se opor à sua decisão, e por isso, prometera a ele que iria analisar a nomeação com mais cuidado antes de oficializá-la. A mulher então cogitou indicar Shiryu, mas este se recusou, dizendo que a única coisa que queria no momento era ser nomeado, oficialmente, o sucessor da armadura de Libra que pertencera ao seu mestre. E assim, ter permissão para voltar a Rozan na China, para rever e cuidar de sua amada Shunrei.
Saori concedeu o desejo ao chinês, porém, com uma condição: que ele treinasse e preparasse o novo cavaleiro de Dragão, condição aceita com prazer pelo guerreiro. E antes das discussões sobre quem seria o sucessor de Saga findarem, Shiryu deixou o Santuário ao lado de Kiki, que fora consagrado o substituto de Mu, não só como cavaleiro de ouro de Áries , mas como ferreiro. Ele levou consigo para Jamir a missão de recuperar todas as armaduras danificadas na guerra, que seriam consagradas aos futuros cavaleiros, os quais começariam sua jornada a partir daquele momento.
Shun lembrou-se então do motivo que o fez desertar da sua condição de cavaleiro, e uma dor irritante lhe contraiu as entranhas. Aquilo que lhe ferira mais que as inúmeras batalhas pela qual passara: as palavras ferinas do irmão chamando-o de fraco, só porque pedira a ele que deixasse de implicar com Seiya e parasse de interferir nas decisões de Athena.
Ikki sempre fora seu protetor, e Shun nunca imaginara — ainda mais depois das batalhas e da aparente paz no mundo — que ele retomasse a ambição da infância, quando dizia que se tornaria o mais forte e poderoso.
Naquela ocasião, o seu onii-san lhe dissera sem nenhum receio que, se quisesse viver sem lutar, que deixasse o Santuário e fosse viver às custas da Fundação.
Não pensara nem duas vezes. Mesmo depois de Hyoga ter praticamente lhe implorado para reconsiderar a decisão, não se deixando levar por atitudes tomadas com a cabeça quente, Shun clamara por uma audiência imediata com Athena, e sem vacilar, solicitara a ela a deserção.
Nove anos se passaram depois daquele dia...
E nesse tempo, o ex-cavaleiro de Athena não se arrependeu em nenhum momento da sua resolução. Ficou sabendo, bem depois, que Athena proclamara Marin — que era uma das sobreviventes mais experientes da guerra — como a Grande Mestra. Quebrara-se assim o ciclo machista do cargo. Seu irmão fora nomeado cavaleiro de ouro de Leão, e se tornara o capitão das tropas, o que deveria estar a seu contento, pois desde então não houve mais protestos da parte dele.
Seiya, como já era de se esperar, tornara-se cavaleiro de ouro de Sagitário, e o responsável ao lado de Shina em recrutar e dar os primeiros treinamentos aos novos aprendizes. Hyoga tornara-se o cavaleiro de ouro de Aquário e, assim como Shiryu, voltara ao seu antigo vilarejo com a missão de formar o futuro sucessor da sua antiga vestimenta, a de Cisne.
Aos poucos a guarda da deusa foi sendo recomposta; as leis, reformuladas; e o ambiente sacral e rústico das ruínas que compunham o templo, modernizado.
Um ano depois da saída de Shun do legado de protetores de Athena, June veio lhe dizer que havia sido convocada para ser a nova instrutora dos aspirantes a guerreiro de Andrômeda, em uma nova ilha no Mar Mediterrâneo. Shun soube, no momento que a viu, que a intenção da amiga era na verdade lhe pedir permissão para instruir este aprendiz.
Ele sabia que a amiga nunca aprovara sua deserção e ainda o considerava o cavaleiro de Andrômeda. Porém, tornou as coisas fáceis para ela, respondendo-lhe que era necessário que alguém repassasse os ensinamentos do mestre Albiore à nova geração, e já que ele havia abdicado dessa função, ela era a pessoa ideal.
June foi amiga e gentil como sempre, e antes de partir, ela pediu que o amigo procurasse se entender com Ikki. Na verdade, ele só fez tranquilizá-la; afinal, os dois já estavam entendidos. Um mês depois de chegar ao Japão, Shun recebera milhares telefonemas de Ikki, ordenando que voltasse. Mas tentara ser firme na explicação que dera a ele, alegando que já havia feito sua escolha, mesmo que tivesse que recomeçar sozinho.
Não estava mais bravo com Ikki, e sim agradecido. Se não fosse por aquele estouro, talvez ele continuasse se enganando e forçando-se a ser o que não era: um cavaleiro.
No começo ficara demasiadamente triste, por estar sozinho na grande mansão Kido. Mas de vez em quando recebia as visitas de Saori e Seiya. Tatsume estava sempre presente também, cuidando dos interesses da eterna patroa.
Depois que começara a frequentar a escola e ajudar o mordomo nos afazeres da Fundação, Shun ocupara sua mente. E a dor de estar sozinho se amenizou.
Foi em uma das suas tarefas, que era prestar serviços no Hospital Mitsumasa Kido cuidando de uma ala de crianças com câncer, que Shun encontrou sua verdadeira vocação. Apaixonou-se pela garra que os pequenos tinham de viver e serem crianças normais, e aquilo o tocou profundamente. Assim, passou a desenvolver um serviço voluntário nos finais de semana naquele local.
Ao terminar o Ensino Médio, foi Medicina a área que Shun escolheu para prestar vestibular. Estava verdadeiramente satisfeito com sua escolha: salvar vidas era uma forma de se redimir do pecado de tê-las tirado antes.
Dedicara-se muito aos seis anos de curso e vencera cada etapa com muita força de vontade. Enfim, colhia os louros: estava ali, era um médico recém-formado, de vinte e três anos, residente de uma das maiores clínicas do Japão.
Suas maiores preocupações no momento eram duas. A primeira: a especialização que iria seguir. De início seu desejo era a área de Cancerologia, conhecida também como Oncologia, a especialidade que estuda os tumores malignos, o câncer. Mas gostara tanto das crianças de que cuidara na época em que estava no Hospital da Fundação, que seu coração também lhe indicava a Pediatria. E ultimamente, até uma área que não lhe chamara atenção antes, começava a ganhar mais espaço dentro de sua mente: a Cirurgia.
Tudo graças ao seu mestre, Sakamotto, um grande neurocirurgião. Ele era quase um pai para Shun. Era ele quem vivia lhe dizendo com entusiasmo:
– Se quer salvar vidas, a melhor área é a Cirurgia, Shun! Pois é ali, na mesa e com um bisturi nas mãos, que você sente o milagre acontecendo. Ali, você sabe que está realmente devolvendo a vida a alguém...
A sua segunda preocupação era a jovem chamada Sayume, que conhecera no Hospital da Fundação na época em que era apenas um voluntário. Sayume, naquele tempo, era estagiária em Psicologia, tinha vinte e um anos e pertencia a uma família estruturada. Já ele era só um garoto de dezesseis anos, estudante do Ensino Médio, sem pais, sem nada de grandioso a oferecer. Mesmo assim, surgira uma bela amizade entre eles.
Poder-se-ia dizer também que fora ela a primeira pessoa a lhe dizer que ele tinha jeito para médico. Depois disso, ele passara a estudar a possibilidade de fazer a faculdade na área, e quando se inscreveu no vestibular, ela fora a única pessoa que comemorara com ele.
Apesar de gostar muito dela, Shun nunca tivera coragem de pedi-la em namoro. Mesmo sabendo que Sayume sentia algo por ele. Seu medo se dava por dois fatores: ela ser quatro anos mais velha e a família ser rica. Além do quê, mesmo estabilizada financeiramente, a psicóloga ainda recebia ajuda dos pais para manter certos luxos, como um apartamento na área mais nobre de Tóquio e o carro importado.
Assim, caso chegassem a se casar, os pais cortariam a ajuda de custo que ofereciam a ela todo mês, para que o marido começasse a arcar com as responsabilidades. Era este o medo maior do jovem clínico. Pois até o momento, Shun só tivera despesas. Se não fosse a ajuda financeira da Fundação Graad, não conseguiria arcar nem com a sua faculdade. Até mesmo da mansão saíra, passando a viver em um pensionato próximo ao Hospital só para não ter gastos com locomoção.
Poder-se-ia dizer que, durante aqueles dez anos, Shun não aproveitara em nada a vida. Era só estudo, trabalho, e viver duro. Como poderia ter coragem de pedir uma garota como Sayume em namoro, sendo que só agora ele iria começar a ganhar dinheiro?
Porém, ele passou a ter receio de perdê-la para sempre. Percebeu que, durante esses anos, a amiga sempre se arriscara em algum namoro, mesmo que nenhum engrenasse — o que enchia Shun de esperanças.
Todavia, tinha que se decidir de uma vez, pois soubera por terceiros, que havia um novo candidato rondando a área; e o fato de ela não ter lhe contado nada sobre este novo pretendente era estranho.
Mas Shun sentia que não eram só os fatores financeiros que o impediam de pedir Sayume em namoro. Havia algo no fundo da sua alma que parecia implorar para que não o fizesse; que lhe dizia que aquilo seria um erro. Mas não sabia desvendar o que era. Já pensara na possibilidade de ter que resolver algo pendente antes de tocar sua vida adiante. Contudo, não sabia desvendar o que era essa pendência.
Deixara o Santuário ressentido com o irmão, mas eles já haviam se reconciliado. Pelo menos duas vezes por ano, os dois trocavam visitas; matavam saudades. Não tivera mais tanto contato com Seiya e Saori depois que deixara a mansão Kido, mas quando os dois estavam na cidade, sempre o chamavam para jantar. Shiryu também já viera visitá-lo junto com Kiki e até o convidara a passar as férias, qualquer dia desses, com ele e com Shunrei no vale dos Cinco Picos.
Porém, havia uma única pessoa que nunca mais lhe dera notícias.
Era naquela época, em que a neve cobria tudo de branco, que ele — o ex-cavaleiro de Andrômeda — sentia como se um buraco negro estivesse se expandindo em seu peito. A neve e o frio tornavam aquele sentimento de angústia ainda mais forte e lacerante, remetendo-lhe a uma única pessoa: Hyoga.
Desde que saíra afoito do Santuário havia nove anos, sua mente encobrira parcialmente as lembranças dele. O amigo havia lhe falado tantas coisas antes de partir; mas Shun não conseguira assimilá-las, graças ao nervosismo e ao choro.
“Talvez, eu devesse ir visitá-lo...”
– Ainda esta por aí, Shun? – ouviu a voz de um dos seus colegas lhe interromper os pensamentos. Era Shogo, que vinha ao longe; Shun o percebeu através da imagem refletida nitidamente no vidro escuro.
Retirou a mão de dentro do bolso do jaleco, trazendo consigo o aparelho de celular e consultou as horas, após acender o display: “Nossa, já é tudo isso? Dez e meia. Acho que me perdi em devaneios”, pensou. Voltou-se para o colega que se aproximava, esfregando as mãos uma na outra, e o cumprimentou:
– Boa noite, Shogo. Ué, porque está aqui? Não estava de férias?
O rapaz parou diante dele com um sorriso um pouco forçado, e respondeu sincero:
– É que eu vou cobrir o plantão da Minoru por um mês. Ela pegou licença-casamento, lembra? Eu ainda não acredito que a garota mais kawaii do Sekai vai se casar! E só de pensar que ela era louca por você, hein, Shun? Você nunca deu bola pra ela.
Shun sorriu sem graça, e desconversou:
– Não sei do que está falando...
– Ah, Shun! Pôoxa! Eu queria que as garotas babassem em mim, como ficam salivando em você. Apesar disso, eu nunca te vi com uma namorada, cara! O que há de errado?!
– A nossa faculdade ocupava muito nosso tempo, Shogo. Agora é o trabalho.
– Arre! Que bobeira – o colega esbravejou, levando a mão à nuca e coçando-a. — Eu sempre me diverti à beça, e estou aqui, não estou?
– Ah, certo... – Shun comentou, desinteressado, abrindo seu armário entre os vários que estavam acoplados na parede do lado esquerdo; retirou de lá sua bolsa e retomou o outro assunto: — Eu estou entrando de férias também, hoje – informou ao colega, enquanto esvaziava o armário, depositando seus pertences de forma ordenada dentro da bolsa. — A gente só vai se ver o ano que vem agora.
– Já decidiu a especialidade? – o amigo residente perguntou curioso, encostando-se no armário ao lado do dele, observando-o arrumar a bolsa.
– Me decido na viagem...
– Vai pra onde? Europa, ver o seu irmão carrancudo de novo? – o outro perguntou debochado, percebendo Shun fechar o armário e retirar o estetoscópio do pescoço para guardá-lo em um dos compartimentos da bolsa; por último, viu-o retirar o jaleco, deixando à mostra o suéter verde que ele vestia por baixo.
– É. Talvez... — Shun respondeu duvidoso, fechando o zíper da bolsa e colocando a alça desta transpassada no peito. — Eu ainda não tenho certeza, preciso descansar pra pensar melhor.
– Eu queira ir para um lugar bem quente nesta época do ano. Estou enjoado de frio! Já ouvi falar que o Brasil tem umas praias maravilhosas. Estive até babando em umas imagens que vi pela internet... Por que não aproveita?
Shun sorriu para o amigo e, após prender o jaleco usado na alça da mochila, respondeu:
– Vou pensar...
– Então... — ele desencostou-se do armário e abriu os braços com intenção de cumprimentar o colega. — Boa viagem, meu amigo. Seja lá pra onde for. Boas festas, também!
– Obrigado, Shogo. – Shun respondeu, indo de encontro ao abraço. – Você também, boas festas e tenha um... bom período cobrindo licença-casamento?
– Cara! – eles se desvencilharam do abraço. — Não precisa fazer essa cara de que vou ficar na masmorra. Um dia eu vou casar e vou precisar que alguém faça isso pra mim... – ele respondeu, apertando o ombro do colega.
Shun apenas sorriu em concordância, fez um aceno para o colega e logo se afastou. Estava cansado; só queria passar na lojinha de conveniência da esquina, pegar uma comida pronta para aquecer no microondas e descansar confortavelmente na sua cama, para que no dia seguinte pudesse pensar em sua viagem. Até esqueceu-se de retomar os pensamentos que o colega havia lhe interrompido.
Continua...
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