Kokoro no Kizu

Revisado por Vane

História escrita para o Amigo Oculto de Fanfics 2009, promovido pela comunidade Saint Seiya Superfics Journal.

Capítulo III

– Mestre?! – Jacob demonstrou espanto ao ver o cavaleiro de ouro.

O que fez Shun confirmar que aquele homem barbudo, aparentando uma idade avançada, era mesmo seu amigo Hyoga.

– Não deveria estar de pé – o jovem pupilo acrescentou a advertência.

– Onde esteve, Jacob? – Hyoga inquiriu, não dando importância à advertência do mais jovem. — Porque saiu do vilarejo sem minha permissão?! Estou procurando por você há dias! Fiquei preocupado!

– Perdão, mestre – o menino pediu, ajoelhando-se diante de Hyoga. – Mas eu precisava trazer um médico pra ver seu estado.

– Eu já disse que não estou doente! – esbravejou. Porém, o esforço em gritar trouxe como resultado uma tosse seca, que contradisse sua recente afirmação.

Isto fez Shun arregalar ainda mais os olhos, assustado: “Essa tosse... Isto está aparentando ser...”

– Teimoso! – a mulher de repente esbravejou, chamando atenção de todos. Ela passou por Shun pisando duro e caminhou até Hyoga, retirando a filha do colo dele. – Deixe-o morrer, Jacob! Será que não entende que esse é o desejo dele... Vem, Maria! Vamos pra casa. – Ela se afastou com a criança em seu colo.

– Mas mamãe! – a pequena protestou. — Eu quero ficar mais um pouco com o papai.

– É melhor ir se acostumando à ideia de não ter pai, minha filha – a mulher pareceu ter feito questão de ser ferina em suas palavras.

– Shaila... – Hyoga a chamou para tentar impedi-la de seguir, devido a noite que caía. – Fique lá em casa, está tarde.

Porém, a mulher fingiu que não o ouviu, balançou os ombros, e continuou andando, enquanto a pequena acenava sobre o ombro da mãe.

– Tchau, papai! Tchau, tio Jacob! Tchau, moça!

Jacob e Hyoga responderam ao aceno da pequena. Já Shun, que nunca sentira tanto aperto no coração como estava sentindo naquele momento, não teve forças para responder à criança.

Hyoga tinha uma filha. Tinha uma mulher. Era um cavaleiro de ouro. Era mestre do novo cavaleiro de Cisne. Deveria ter uma vida boa. Contudo... havia envelhecido mais do que se podia imaginar.

Shun sentiu-se deslocado, perdido. Sem ao menos saber o que falar. Sentiu-se como um verdadeiro estranho, um “forasteiro”, como foi chamado pela mulher que se fora. O amigo não lhe dirigira nem um olhar, nem mesmo de desprezo, de repúdio, de arrogância, nada. Era simplesmente como se não estivesse ali.

Um vento soprou de leve, e aquele silêncio mortal que se instaurou entre eles fez as entranhas de Shun se contorcerem com mais força. Não tinha como Hyoga não o reconhecer; diferente dele, ele – Shun – não havia mudado tanto assim.

O ex-guerreiro de Andrômeda não conseguiu direcionar seus olhos para aquele homem que não parecia em nada o Hyoga que um dia conhecera.

Foi quando um ataque forte de tosse do loiro quebrou o silêncio. Shun enfim teve coragem de olhá-lo. Jacob havia se levantado e ido até ele para tentar socorrê-lo, mas este o afastou com um empurrão.

– Mestre?!

A tosse aumentou.

– Hyoga?! – Shun decidiu se mover. Mas o loiro deteve sua aproximação, imobilizando-o com seu golpe Círculo de Gelo.

O golpe de defesa consistia em finas argolas feitas de ar e cristais de gelo, que giravam em torno da vítima, prendendo seus movimentos. Mesmo parecendo algo simples, o poder do cosmo que as sustentava ali era gigantesco. Shun estava surpreso.

Hyoga então pigarreou, limpando a garganta, e após passar a mão que encobrira a boca na capa, pousou seus límpidos olhos azuis sobre os verdes claros de Shun. A pessoa que menos queria ver naquela vida.

– O que está fazendo aqui? – perguntou com uma voz cansada, carregada de rancor.

– Eu vim vê-lo...

– Jacob o trouxe? – ele o interrompeu, e voltando-se para o pupilo com as sobrancelhas cerradas, perguntou: — Porque, Jacob? Eu pedi tanto que não se intrometesse na minha vida!

– Além de seu pupilo, eu sou seu amigo, mestre – o garoto replicou. — Depois que o vovô se foi, você se tornou minha única família. Além de tudo, é o único pai da Maria. Não pode deixar-se abater por uma doença.

– Eu não estou doente!

– Está! – Shun confirmou, fazendo sua voz soar firme e audível. Esforçou-se para erguer o dedo indicador do círculo que o prendia e apontar para o manto sujo. – Está tossindo sangue. Sua voz está diferente. Pode ser tuberculose. Além do problema de coração que Jacob disse que tem. Eu trouxe equipamentos para examiná-lo. Mas para confirmar se é tuberculose precisaremos ir até a cidade e tirar um Raio-X do seu pulmão... Cavaleiros não têm corpos tão resistentes quanto suas armaduras. Não somos sobre-humanos, Hyoga! Você precisa se tratar ou pode morrer, sim!

– Não “somos”? – Hyoga o inquiriu, com seu tom carregado de amargura. — Um mero desertor como você quer usar o termo “nós somos”... Eu não sou sobre-humano, Shun! Você... eu não sei. Não é mais um cavaleiro. Não é nada. Você desistiu de mim há nove anos. Agora reaparece só porque meu pupilo viajou milhas para implorar a sua pena. Faça-me o favor, volte de onde veio! Eu não quero nada que venha de você.

Hyoga deu as costas para o ex-cavaleiro de Athena e aquele gesto feriu Shun de um jeito que este não tinha podido prever. As lágrimas mornas, que o ex-guerreiro há muito não vertia, escorreram por seu rosto. Logo, elas foram se solidificando, devido ao frio que começava a se intensificar. Fungou, observando Hyoga se afastar.

– Mestre, espere! Desfaça o golpe!

– Humpf. – Hyoga sorriu de lado, sem deter seus passos. — Apesar de esta pessoa dizer que não é mais um cavaleiro, ele não pode se livrar do cosmo que crepita em seu interior. Tenha certeza, Jacob. Ele é capaz de sair desse golpe ridículo.

– Mas... mestre!

– Deixe-o ir, Jacob – Shun pediu.

Então o jovem de olhos verdes mais claros que o do japonês viu o chamado “Lendário” forçar seus braços, acender o cosmo pela primeira vez, e sem muito esforço, conseguir destruir a barreira circular que fora feita pelo seu mestre, um cavaleiro de ouro.

Jacob ficou impressionado ao sentir o calor impressionante do cosmo de Shun.

– Não é à toa que o senhor é um lendário – o menino comentou, sem muito entusiasmo. Ainda estava preocupado com a reação de seu mestre. — O senhor não vai desistir, não é? – o menino de repente perguntou, olhando dentro dos olhos de Shun.

– Eu só preciso descansar um pouco da viagem, Jacob – Shun lhe respondeu, desviando os olhos dos dele. — Eu o magoei muito. – Shun inspirou profundamente. – Só agora pude entender o quanto eu o magoei. Nunca vou me perdoar por tê-lo feito. O Hyoga é muito especial... – as lágrimas verteram rápido dos olhos de Shun. – Eu nunca percebi, Jacob! Porque eu nunca percebi, por quê? O meu peito está doendo tanto agora, acho que essa é a dor que ele sentiu...

Shun foi abatido por uma vertigem, e antes de tombar, foi amparado pelo atual cavaleiro de Cisne.

– Senhor? O que houve?


...

Algumas horas depois...

O fogo da lareira crepitava diante dos olhos estáticos de Shun. Ainda sentia o coração dolente, e a sua respiração pesada só tornava a sensação pior. O copo de chá que Jacob lhe preparara antes de dormir estava gelado e inerte em suas mãos.

Não conseguia tirar da sua mente os olhos e a reação perturbada de Hyoga. Nunca imaginou que depois de nove anos o reencontraria naquele estado: como se estivesse envelhecido uns vinte anos. Além do quê, não conseguia deixar de imaginar que a culpa era sua.

Percebeu Jacob roncando no sofá do pequeno quarto de pensão que alugaram. O pupilo lhe dissera que morava junto com o mestre em um chalé, um pouco afastado da vila, mas que iria dormir com ele naquela noite para que não se sentisse mais deslocado do que já estava.

Shun havia ficado curioso sobre Shaila, e, antes de o menino pegar no sono, os dois conversaram bastante. Sua primeira curiosidade foi saber como Hyoga havia conhecido a Chukchi e qual era o motivo de os dois estarem aparentemente brigados, mesmo tendo uma filha, o que comprovava o envolvimento entre eles.

O menino lhe explicou que os dois se conheceram quando ele ainda estava em treinamento. Shaila estava sendo atacada por um urso das montanhas, e Hyoga a salvara.

– Na época, ela ficou bastante grata e surpresa, pois nunca havia visto um homem com a força de deter um urso. Naquela noite nós dormimos no acampamento dos Chukchis. Os pais dela, felizes por Hyoga ter salvo a filha, pediram para que ele a aceitasse... Er... eu não entendi muito bem o isso significava. Mas naquela noite, eles tomaram alguma bebida estranha, o mestre ficou alegre, era a primeira vez que o via rindo em muitos anos, e... Ele acabou dormindo na mesma tenda que ela. No dia seguinte, nós dois nos despedimos. Alguns meses depois, ela apareceu no vilarejo com uma grande barriga.

– Era a Maria? – Shun quis ter certeza.

– Isso – o jovem confirmou, soltando um bocejo, para em seguida prosseguir com a narrativa: — O mestre ficou muito atordoado com a notícia e, antes de tomar qualquer decisão, foi até ao Santuário para conversar com Athena. Voltou mais tranquilizado e pronto para assumir a família. Porém, houve muitos problemas. Shaila não se adaptou à vida no vilarejo; ela sentia falta das tundras, de cuidar das renas e viver livre na planície. Fora que era visível que o mestre a aceitara devido ao estado de gravidez. Ele nunca a amou. Qualquer pessoa era capaz de sentir isso, e ficou ainda mais visível quando a Maria nasceu...

Jacob fez uma pausa, admirando o fogo alto da lareira. Sem observar Shun, que estava atrás dele, prosseguiu:

– O mestre Hyoga ama a filha incondicionalmente, como se ela fosse um tesouro precioso. Isso acabou enciumando até a esposa. Então, um belo dia, quando chegamos do treinamento, a bebê estava em casa, sozinha e queimando de febre. A mãe só chegou horas depois, dizendo que havia saído pra caçar. O mestre ficou atordoado. Foi a primeira vez que os dois discutiram. No outro dia, quando chegamos do treinamento, elas não estavam mais lá. Nem a filha e nem a mãe. Hyoga saiu atrás delas desesperado, e as encontrou no acampamento. Porém, Shaila foi incisiva na decisão de não voltar mais para o vilarejo, justificando que o coração do mestre não se abria pra ela. Só para a filha.

Jacob fez outra pausa e Shun aguardou. Depois de outro bocejo, o jovem continuou:

– Ela disse que a menina estaria sempre lá na aldeia, que ele poderia ir visitá-la quando quisesse. Da mesma forma que ela também sempre a traria até a vila, para vê-lo. Foi assim, desde então. A Maria passa alguns dias aqui no vilarejo com ele. Depois ele vai ficar um tempo lá com ela.

– E quando ele começou adoecer, Jacob? – Shun emendou sua próxima curiosidade, com receio de que ele pegasse no sono.

– Logo depois que a mulher levou a filha, naquela época ela tinha uns três anos. O mestre pareceu ter perdido sua única razão de sorrir, entende? A Maria era como um aquecedor pro seu coração sempre gelado. Então, quando ela se foi, ele ficou deprimido. Passou a não comer direito; ficar dias e dias sem dormir, e muitas vezes, ficava lá fora durante a noite, observando o céu, o tempo, sem se importar com a temperatura baixa. Passou também a não cuidar da aparência. – Jacob suspirou. Fechou os olhos, sentindo o sono querendo lhe abater, e sussurrou: – Até que começaram as dores fortes no peito...

– Deus... – Shun murmurou, sentindo a vontade de chorar apertando novamente seu peito.

– E... de uns meses para cá... começou essa tosse... – Jacob concluiu, para em seguida começar a ressonar.

Shun suspirou, remexeu-se na cadeira, sentindo sua mente lhe trazer de volta ao momento atual, agora o fogo mais baixo na lareira. Passaram-se três horas depois que Jacob pegara no sono. Mas a sua cabeça — que não parava de doer — não lhe permitiu fazer o mesmo. Deixou a xícara na mesa e calçou as botas. Enrolou um cachecol no pescoço, colocou a touca para cobrir seus cabelos, que agora eram curtos — na altura das orelhas -, pôs luvas, apanhou sua bolsa e saiu para a rua. Não ia deixar Hyoga de lado mais nem um minuto.

Do lado de fora, abraçou seus próprios braços, sentindo o quão rigoroso era o inverno daquela região. Deveria estar no mínimo uns quarenta graus abaixo de zero. Caminhou entre as ruas vazias, e agradeceu em pensamento o fato de, pelo menos, não estar nevando. Apesar de que era sempre mais frio quando a neve não estava caindo. Caminhou até sair dos limites da vila e perceber, ao longe, o chalé que Jacob lhe descrevera.

Novamente, sentiu aquela dor lhe contrair as entranhas. Mas desta vez, estava certo do que queria: ajudar Hyoga de qualquer maneira. Custe o que custasse. Nem que fosse golpeado. Nem que para isso precisasse lhe doar sua própria vida, como aliás já fizera uma vez, nas Doze Casas. Alcançou o patamar de madeira, e após soltar um breve suspiro, ergueu o punho. Mas no momento em que iria bater, a luz da entrada se acendeu e a porta se abriu.

– Vai embora! – Hyoga, parado diante de Shun, ordenou.

Pelo que lhe pareceu, Hyoga também não conseguia dormir e devia ter sentido sua aproximação.

– Não – Shun respondeu, trêmulo de frio, porém seguro em sua determinação. Mesmo assim, engoliu em seco perante a altivez do combalido Hyoga. – Eu vim para conversarmos. Deixe-me entrar?

Hyoga esturrou, mas saiu da porta, deixando-a aberta. Shun, após soltar um suspiro gelado, seguiu-o, fechando a porta atrás de si. Então, pôde observar rapidamente a sala onde estava. Não era um lugar ruim. Parecia um lar normal, confortável. Piso de taco, uma lareira no meio da sala, poltronas confortáveis, várias almofadas, um carpete de urso no piso.

Nas paredes da casa havia muitas fotos, de Hyoga com a filha, com Shaila, com Jacob, fotos dos amigos em Atenas, Seiya, Shiryu e até mesmo de Ikki, vestido com a imponente armadura dourada de Leão. Não viu nenhuma sua. “Pudera, né, Shun? Queria o quê? Um altar de santo, depois de tê-lo ignorado durante nove anos?”, ele se auto-recriminou em pensamentos.

Mas Shun notara algo peculiar entre todas as imagens, de um tempo em que o amigo ainda tinha uma boa aparência: os olhos nas fotos eram os mesmos que via naquele momento, encarando-o cheio de tristeza e remorsos.

Hyoga estacou no meio da sala e ali ficou, contemplando Shun por algum tempo. Passaram-se nove anos; não eram nove dias, nove meses, nove semanas: foram nove anos. Mesmo assim, Shun ainda tinha aquela bela e pálida face infantil da qual se lembrava tão bem. A mesma que lhe atormentara durante noites e noites de delírios, onde se imaginava tocando aquela pele, beijando aquela boca, cheirando aqueles fios...

Ele ainda tinha os mesmos olhos esperançosos de longos cílios e de íris incrivelmente verdes. Os anos foram gentis com Shun; ele parecia mais bonito do que sempre fora. Enquanto que com ele, não. Só dor, feridas e mais feridas, castigando seu coração já martirizado. Hyoga sentiu as margens dos olhos arderem, suspirou e levou a mão ao rosto barbudo, esfregando-o, tentando conter a comoção.

Amava Shun. Nunca fora forte suficiente para confessar seu sentimento. Havia centenas de empecilhos que nublavam sua mente naquela época. Primeiro: o fato de serem homens. Segundo: o fato de serem irmãos. Terceiro: o fato de serem guerreiros lendários, protetores de Athena. Quarto: sua religião. Quinto: Suas doutrinas, seus princípios. Todavia, mesmo com tantos e tantos motivos para não se deixar consumir por aquele sentimento proibido, seu coração fizera ao contrário. Carregara-se de mais e mais desejos, cada vez mais e mais mundanos e impuros. Torturando sua mente, tragando sua alma, entorpecendo-o em devaneios.

Quantas noites foram? Noites em que adormecera ali naquele mesmo carpete onde estavam pisando, enquanto esperava por uma notícia dele, ou por apenas uma mera visita. Quantas madrugadas? Sonhara em tê-lo ali, possuí-lo em amor ardente, no meio daquela sala, levando-o consigo ao céu dos prazeres da carne e embebedando-o com seus beijos... Quantas vezes? Deixara-se dominar por seus pensamentos pecaminosos, até propiciar prazer a si mesmo, enquanto se imaginava enfiando-se impiedosamente dentro dele.

Imaginara tanta sujeira. Depois vinha a aurora, a culpa, a ressaca, o remorso e a dor. A dor da raiva por Deus lhe castigar com um amor proibido. A dor por deixar-se dominar por pensamentos impuros. E a pior delas: a dor por não ter seus desejos correspondidos. Mesmo sabendo que se os tivesse, estaria indo contra as leis naturais.

Por isso, Hyoga apegou-se com afinco às ideias de destino: se fosse para acontecer, se fosse certo, se lhe fosse permitido viver aquele amor, a iniciativa deveria partir de Shun. Jamais o procuraria. Porém, se um dia ele viesse procurá-lo, mandaria o pudor para os ares e se declararia. E se ele lhe correspondesse, seria porque o destino quisera assim, e viveria aquele amor sem remorsos.

Porém, o tempo passou. Ele não viera... Mas a esperança em seu peito não morria. Contudo, a dor e a ferida só aumentavam. Quando Shaila apareceu, interpretou aquilo como um aviso divino: os deuses dizendo para seguir o caminho natural das coisas, e esquecer o amor pecaminoso por aquele ser agora diante dele.

Mas... seu coração não aceitou. Rejeitou. Martelou. Martirizou-o cada vez mais. Se não fosse o sorriso da sua pequena jóia, talvez já tivesse sucumbindo há mais tempo. Shaila não tinha culpa, Maria não tinha culpa, Jacob não tinha culpa... Nem o próprio Shun tinha culpa dos seus sentimentos...

“Ele ainda me olha com aqueles mesmos olhos inocentes... Deus! Eu disse que o amava, e ele respondeu: “Eu também te amo, irmão”. Irmão?! Irmão?!”

Shun permaneceu estático, admirando naquele semblante tão desgastado uma grande melancolia. Os olhos azuis e lindos que sempre sorriram e brilharam para ele estavam opacos, cheios de água. Hyoga estava chorando por dentro? Segurando-se para não chorar externamente?

Sem pensar se seria novamente imobilizado por um golpe ou não, avançou em direção ao amigo. E enlaçando suas costas, abraçou-o com extrema força, encostando sua face naquele peito tão debilitado. As lágrimas escorreram pelos dois rostos de uma forma avassaladora.

E como choraram então...

Continua...

Notas finais
Gostaria de agradecer a todos que estão deixando reviews! E, por favor, quem está lendo e curtindo a história, digam nem que seja um alô aí na review! Assim, vou saber que têm mais leitores esperando pela atualização, e me animo a fazê-la mais rápido! Grande beijo! ;* See you next! o/