Kokoro = Locked

6 Desculpas e Dúvidas.


Notas iniciais
(Se já leu essa estória antes desse capítulo entrar: Releia a fanfic, por favor. Pois corrigi tudo, enchi de cenários e descrevi tudo mil vezes melhor!)

Este capítulo já havia sido postado, mas como eu mudei bastante coisa, decidi excluir o que tinha e repostar.
3 Fucking Meses sem postar nessa fic -q Que vergonha cara!
E pra quem não sabe, eu estava revisando todos os capítulos e agora vou continuar.
O legal disso tudo é que eu pretendo terminar essa fic o Certeza /o/
Aproveitem~

Após a chegada repentina da garota, um pequeno espaço de tempo onde um silêncio lotado de significado entre a ruiva e o loiro se seguiu. Provavelmente teria durado por muito mais tempo mas a senhora Lórien, alheia aos últimos acontecimentos entre o filho e a amiga, se endireitou de pé enquanto botava o cabelo curto para trás da orelha, proferindo:

– Venha cá Luca, vamos subir para o seu quarto. — Estendeu os braços e debruçou-se em direção a ele, pegando-o pela mão e o auxiliando a levantar. — Kimi, ajude-me aqui, sim?

– Claro.

A garota se aproximou e passou um dos braços dele por seu pescoço, abrindo um sorriso culpado para ele e então desviando os olhos. A mãe dele fez o mesmo com seu outro braço, mas o sorriso que direcionou a Luca era de puro carinho.

Lia vinha atrás dos três seguindo-os de perto enquanto subiam as escadas devagar. Cada movimento acompanhado de um gemido dolorido do garoto e vez outra, uma pequena crise de tosse.

Finalmente o pequeno grupo chegou à porta do quarto do garoto, logo penetrando o cômodo de tamanho médio e bastante organizado. Conduziram Luca até chegarem a cama, onde ele foi deitado com todo cuidado. Kimiko puxou as cobertas de baixo do seu corpo e o tampou até o pescoço com este.

– Vou pegar alguns paninhos úmidos e alguns remédios para tosse e febre. — Comunicou a mais velha com seu tom baixo e calmo já habitual, depois de acariciar os cabelos do filho de forma afável como se este fosse uma peça muito preciosa.

Saiu do quarto devagar deixando os três ali. Lia, captando uma chance de deixá-los sozinhos para se acertarem, logo arrumou a seguinte desculpa e se escapulindo do quarto em seguida:

– Vou pegar os remédios para dor e alguns curativos para o pé dele.

Assim que se viram sozinhos, um silêncio incômodo e cheio de tensão rondou o quarto por um tempo apenas quebrado pelas recorrentes crises de tosse. Luca tremia e sentia todo o corpo dolorido, com destaque para o pé torcido, mas só isso não era suficiente. O que piorava era estar em um clima tão ruim com ela. Kimiko, que estava sentada em um pequeno sofá próximo da janela, brincava com os dedos enquanto perdida em pensamentos.

De repente, Luca decidiu cortar aquele silêncio. Respirou fundo e disse:

– Me desculpe. — Ambos se surpreenderam ao perceber que haviam falado juntos.

Kimiko ergueu o olhar assustada apenas para ver Luca no mesmo estado.

– O que você espera que eu desculpe? — A ruiva perguntou, confusa, enquanto ele tossia mais uma vez.

– Nada disso teria acontecido se eu não fosse um babaca e... Atchim! ...Tivesse te beijado do nada. Eu sei que sou o... Atchim! ...Culpado. Eu entendo o porquê de você... Atchim! ...ter feito aquilo. Sei que não foi querendo meu mal pois nenhum de nós sabíamos que... Atchim! ...Meus pais não estavam. Sinto muito por toda essa... Atchim! ...Preocupação que estou te dando.

Kimiko deu uma risadinha e então disse, com um sorriso:

– Tudo bem. Mas só se você me desculpar por agir tão impensadamente, te expulsando de casa no meio da noite. Eu realmente não queria que nada disso tivesse acontecido e estou muito arrependida do que fiz. — Baixou o olhar neste ponto e então continuou a falar em tom baixo. — E-e é ó-óbvio que me preo-preocupo com você.

– Está desculpada.

Os dois se encararam: Ela abrindo um enorme sorriso radiante e ele um sorriso estranho e pequeno, apesar de verdadeiro. Luca fungou um pouco depois, desfazendo o sorriso, mas Kimiko não deixou de se sentir satisfeita. Não gostava de vê-lo triste, seu sorriso lhe era muito importante. Contudo, sua curiosidade em saber mais sobre o ocorrido ainda era grande, deixando-a eufórica.

– Luca eu... Que-Queria saber... O por-porquê...

– Queridos, cheguei. — A sra. Lórien comunicou, entrando no quarto com as coisas que pegara nas mãos.

Novamente o silêncio — Dessa vez um estranho — reinou no cômodo. Kimiko havia se calado e aprisionado sua curiosidade por culpa da interrupção e agora permanecia retesada, tensa. Luca ficou em silêncio, tirando os espirros, se perguntando o que ela iria perguntar. Observando o silêncio, a mulher perguntou com um sorriso estranho:

– Atrapalhei algo?

– Não, sra. Lórien. Não estava acontecendo nada para a sra. poder atrapalhar. — Kimiko respondeu depressa antes que Luca pudesse concordar. — Eu... Vou ligar para uma amiga.

– O.K., Sinta-se a vontade.

Kimiko deixou o quarto rapidamente, puxando o celular do bolso. No corredor, topou com a figura baixa e quase albina que possuía cabelos compridos e castanhos soltos sobre a parte superior do macacão. Lia lhe lançou um olhar estranho, como se soubesse de algo que ela não sabia. E normalmente sempre era uma sensação real. Evitou pensar muito sobre isso, voltando a percorrer o caminho até o segundo andar e discando o número que desejava.

A morena a observou por um segundo e então entrou no quarto. Jessica, sua mãe, estava debruçada sobre Luca e exalando sua aura de mãe super-protetora pelo quarto enquanto lhe massageava o pé torcido — Depois de tê-lo feito engolir os remédios e posto um paninho úmido em sua testa. O irmão mais velho olhou para Lia por um segundo e esta em resposta, olhou para a mãe um pouco rancorosa, mostrando ter entendido tudo.

– Lia, querida, não saia batendo a porta desse jeito. Pode machucar o ouvido do Luquinha. — Pediu a mulher, acariciando o rosto do dito cujo, grudenta de tão carinhosa.

– Estou... Atchim! ...Bem, mãe. — O garoto mentiu, afastando a mão da mãe de si.

– LUCA LÓRIEN, NÃO MINTA TÃO DESCARADAMENTE PARA SUA PRÓPRIA MÃE!

– ... — Ele afundou na cama, os olhos arregalados com o susto. Jessica quase nunca gritava, ainda mais daquele jeito histérico.

– Não grite assim, mamãe. — Pediu Lia num choramingo, tampando os ouvidos com as mãos para dar ênfase. — Assim não é só o Luca que vai ficar com o ouvido machucado.

– Oh, me desculpe querida. — A mãe pediu, puxando-a para perto e beijando-lhe o topo da cabeça afavelmente.

Mulheres doces como ela não podiam ser alvo de algum rancor, Lia comprovou mais uma vez isto depois daquele simples gesto.

A menina e a mulher cuidaram de Luca da melhor forma que podiam e enquanto isso no andar de baixo, Kimiko contava o que havia acontecido no dia anterior para Kiyoko, pelo celular.

"O QUÊ?".

– É, isso mesmo que você ouviu.

"O LUCA? O LUCA LÓRIEN TE BEIJOU? O SEU MELHOR AMIGO?".

– É.

"Eu sempre soube que vocês dariam um belo casal".

– Mas... Yoko... Além de ser meio estranho eu nos imaginar como um casal... Eu... Você sabe.

"Aquele negócio do ser lésbica ou não ainda está rondando a sua cabeça, né?".

– É. Com certeza está.

"Olhe, eu ainda acho que isso tudo é besteira. Tenho certeza que você não é, pois antes do Yaoi você nunca tinha se interessado". – Dizia em tom calmo, cuidando para não magoá-la.

– É... Mas eu também nunca tinha pensado sobre isso antes...

Kiyoko bufou cansada do outro lado da linha e a ruiva pode até mesmo imaginá-la mordendo o polegar.

"Certo! Se quer ter certeza se é ou não, por que não beija logo a Bea? Está óbvio que ela farejou sua dúvida e se aproximou, pensando que ia descolar algo".– Ela pareceu exitar um pouco antes de continuar. — "Até porque você sabe que ela é louca por você. E é bissexual assumida".

– Eu não sei... Ela é legal mas não me inspira confiança...

"E o Luca? Ele te inspira confiança? Como foi o beijo?".

– Eu não sei, foi... Muito rápido. Como um choque. Não estava preparada para aquilo.

"E agora, você está?".

– Não... Quero dizer, eu não sei! Não faço a mínima ideia. E também acho que isso já passou. Ele se desculpou agora a pouco e eu me desculpei. E também não tive tempo de perguntar porquê me beijou. — Dizia rápido e em tom nervoso, mordebdo um maço de seus cabelos ruivos. — Além de tudo, você o conhece. Não irá tentar de novo, seja qual for sua motivação. Não sei como me sinto sobre...

Antes que pudesse terminar o que falava ou Kiyoko pudesse questionar algo, um homem alto de cabelos castanhos repicados e feições sérias saiu do interior do escritório, fechando a porta enquanto falava ao telefone, que estava apoiado entre seu rosto e ouvido.

– Sim, senhor. — o senhor Lórien falava com o tom de voz sério e profissional mas seu rosto mantinha uma feição contente. — Vai ser uma honra. — E fez sinal para que Kimiko fizesse silêncio.

– Um segundo, Yoko. — Sussurrou enquanto escondia o celular entre as mãos, impedindo Yoko de falar ou ouvir.

– ...Irei informar agora mesmo a minha esposa. Sim, senhor! Provavelmente irá gostar da ideia e partiremos hoje mesmo. Sim, senhor! Um segundo, por favor.

O homem imitou o último gesto de Kimiko, tapando o celular com a mão e andando até estar parado em frente a escada, gritando:

– Jessica, minha querida, meu chefe está nos convidando para ir há uma exposição de arte no norte do país! Se trata de um artista novo, uma revelação. Será muito bom para o meu trabalho se comparecermos. Posso confirmar nossa ida?

– Eu não sei, Roger... — Disse a Jéssica em resposta, parando no alto da escada enquanto arrumava o cabelo curto atrás da orelha e observava o marido com seus olhos castanhos claros brilhando em incerteza. — É uma boa proposta mas o Luquinha está doente pois passou na rua.

– Recuso então? — Ele perguntou, parecendo muito abatido.

Kimiko olhou de um para outro e mordeu o lábio, novamente sentindo o peito arder em culpa. Então respondeu:

– Eu posso falar com o meu irmão e a gente poderia ver isso... A Lia e o Luca poderiam ir lá para a minha casa...

– Seu irmão vai também. Ele e o namorado também estão convidados e já confirmaram, pelo que soube. — Respondeu o homem, já se conformando com o fato de não poder ir. — É uma pena.

– Eu confiaria em deixar Luca aos cuidados da Kimiko, Roger. — Disse a mulher de rompante, os olhos presos na garota que já considerava como filha. — Ela, não sei, poderia trazer uma amiga e poderiamos chamar o Trevor. Então os cinco poderiam ficar aqui em casa.

– Não sei... Tem certeza?

– Será divertido! Eles se divertem aqui, enquanto nós nos divertiremos lá!

– É muito suspeito deixar dois meninos e duas meninas em uma casa sozinhos por uma semana...

– SR. LÓRIEN! — Kimiko gritou abismada ao seguir a linha de raciocínio do homem. — Que terrível! Nunca faríamos isso! Você nos conhece!

– Pode ser então. — Respondeu Roger, se divertindo com o grito da garota. — Pode realmente ser divertido.

– Mas escute bem Kimiko! Não está permitido fazerem besteiras, queimarem a casa ou fazerem festas! — Ordenou a mulher. — Você estará a cargo da casa pois sei que é mais responsável que o Luca. Se acontecer alguma coisa, você irá nos ligar IMEDIATAMENTE e então voltaremos direto para casa!

– Certo, sra. Lórien. — Ela respondeu, sorrindo sem mostrar os dentes.

– Vamos logo Roger! Temos malas a aprontar! Saíremos quando?

– Esta noite!

– Oh, céus! — Ela exclamou se desesperando. — Venha logo!

Jessica puxou Roger pela mão escada acima e ambos deixaram Kimiko sozinha na sala.

– Alô, Yoko?

"Que demora, criatura. Pensei que tinha morrido".

– O que acha de vir passar uma semana aqui na casa do Luca comigo?

"Que? Como isso?".

– Eu te explico depois! Está afim?

"Sim! Vamos dar um fim a esse rolo todo!" – Ela disse, animada — "Vou chamar a Bea, posso?".

– Acho que sim!

"Chego aí quando?".

– Acho que as sete está bom. Eu, Luca e Lia estaremos esperando vocês!

"Até as sete!". — Se despediu, encerrando a ligação.

~ Nyah! Nyah! ~

– Luca! A mamãe e o papai vão sair em uma viagem com o irmão da Kimi e o namorado dele! Os chefes deles convidaram!

– Sério?

– Sim!

– E como ficamos nós três? Atchim! Eles nunca nos convidam para esses eventos...

– Disseram que vamos ficar aqui em casa, todos juntos. E que podiamos chamar uma amiga da Kimi e um seu! Ela já ligou para a Yoko!

– Como você já sabe... Atchim! ...De tudo isso?

– Oras! Mesmo uma dama deve se dispôr a ouvir o que lhe interessa.

– Ou seja: Você estava escutando a conversa... Atchim! ...Alheia. Que educação, pequena!

– Não finja que nunca o fez. — Ela resmungou em tom azedo. — O importante é que agora nós sabemos e poderemos preparar algum plano para você conquistar a Kimi!

– É, pode... Atchim! ...Ser. — Ele respondeu, fungando baixinho depois de tossir. — Ligue para o... Atchim! ...Trevor. Meu celular está ligo ali. Atchim!

– Ok! — Respondeu, pegando o celular e já pondo para discar. — Meu sexto sentido feminino diz que nessa semana os seus problemas e o da Kimi irão sumir!

– Mas você ainda é... Atchim! ...Uma pirralha. — Ele respondeu, rindo arrastado e acariciando o cabelo dela.

– Seu bobo! Já funcionam!

– Eu espero... Atchim! ...Que sim, pequena.

Notas finais
Troquei capa, troquei sinopse... O que eu não mudei nessa história? Ah é, o enredo e os personagens! Mas o resto eu mudei tudo ★~(◡ω◕✿)
Até o próximo capítulo~