Notas iniciais
Queridas... Não é um fantasma, assombração ou aviso sem graça, é uma atualização. haha. Eu voltei! Esse foi um ano muito complicado, confesso que faltou ânimo, tempo, disposição, entre outros para escrever. Eu não consegui, nem mesmo, ler. Um livro grande e gostoso ou uma fanfic, consequentemente, ficar sem ler e escrever se tornou uma tortura, me tornei uma companhia chata e atrapalhou, inclusive, meu sono. Por vezes pensei em abandonar, mas essa ideia causava um aperto no peito, eu não conseguia verbalizar esse pensamento, pois isso o tornaria real e antes de escrever, eu leio, e pombas, sei quanto é horrível não poder terminar de ler algo que gosta por abandono. Muitaas de vocês deixaram mensagens para mim, por mais que o tempo passassem, vocês estavam lá, firme e forte. Enfim, saibam que koiwazurai continua hoje, inteiramente, completamente por vocês, leitoras queridas, afinal, se vocês não abandonaram, como eu poderia?! Obrigada, de coração, obrigada, obrigada!

O sol ameno invadiu o quarto logo ao amanhecer, aquecendo minha pele, estranhamente gelada e uma sensação de perda de identidade me atingiu quando olhei na direção da janela e o dia bonito parecia muito longe para mim.

Um relógio digital perto da cama marcava que era cedo, e, pelo visto, Sasuke ainda não havia levantado, logo a casa estava vazia e quieta. Uma ideia chegou até a mim. Eu precisava sair desse lugar.

Senti-me com sorte por encontrar todas as portas abertas. No entanto, antes de sair, fui até o porta recados da bancada do hall, escrevi um bilhete e colei-o na porta de entrada.

“Não chegue perto de mim, se quiser me denunciar a polícia, ótimo, porém saiba que os dois serão, porque tenho marcas das suas agressões por todo meu corpo. S.H”

Corri até a saída e continuei correndo por todos os quarteirões, esbarrando em pessoas com seus cães, cafés, maletas e invejáveis vidas normais até a minha casa que estava aparentemente vazia e confirmei ao entrar que, graças a Deus, meu pai não se encontrava. Meu quarto estava do mesmo modo que deixei.

Separei o uniforme de educação física, me vesti, enfiei alguns livros em uma sacola de lona e dinheiro, na cozinha separei um lanche reforçado e um igual café da manhã composto por sanduíche, leite e fruta.

Para chegar na escola antes do sinal bater eu precisaria de um ônibus e foi isso que fiz. Adentrei os portões andando rápido e encontrei Tenten sentada nos bancos do pátio principal, a morena trajava uma cara preguiçosa e uma garrafa d’água, sentei ao seu lado ofegante e ela ofereceu sua garrafa.

– Só queria te dizer que quero o seu bem Sakura e sou sua amiga de verdade. – ela disse.

– Eu sei disso. – respondi bebendo um pouco de água.

– Não parece.

– Por que está dizendo isso? — Você some, sempre aparece com um machucado novo, cada vez mais reclusa, deprimida e já não acho que seja só seu pai presente nessa situação.

– É que... eu... eu

– Sakura, é claro que você não confia em mim. – suspirou – uma pena, eu só queria ajudar. – não respondendo, minha amiga levanta-se e eu fico só.

Um crescente aperto no peito a medida em que ela vai afastando-se de mim, claramente chateada.

Em um lapso de atitude, levanto e corro atrás dela.

–TENTEN!

A morena olha para mim no mesmo instante e me questiona com os olhos.

– Na verdade, preciso da sua ajuda... mais do que nunca.

– Eu estou aqui, picolé – sorrio com o apelido- sempre estive.

– Então você precisa sentar. As notícias são fortes.

Voltando para o banco, começo a contar tudo, detalhadamente, desde as provas, sexo, agressões, ameaças, as provas concretas, lentamente construindo uma história um tanto quanto trágica. A cada palavra dita, o assombro de Tenten era maior.

– SAKURA! Você tem que denunciar esse babaca para polícia! AGORA!

– Eu não posso! Ele tem aquelas fotos!

– Mas são falsas!

– Ah, de que importa isso? Nada... Seria sempre a voz do cara que tem os melhores advogados do mundo e uma fortuna a sua disposição... Levaria anos para eu provar algo e até lá... Já teria perdido a bolsa na escola e todo o resto...

– Acha mesmo que ele seria capaz de disso? Depois de tudo que vocês já passaram juntos...

– Amiga, ele não parece mais o Sasuke que eu conheci e amei, ele parece possuído por um demônio... tem um ódio quase palpável em seu olhar...

– Isso é assustador! Ele pode ser capaz de tudo, então...

– Eu acredito que sim, acreditar nisso é a única coisa que neutraliza qualquer sentimento meu por ele...

– Ele devia ter acreditado em você...

– Sim, devia... – sussurro- de qualquer forma, agora é tarde demais.

– Então... o que faremos? – abro um sorriso com suas palavras.

– Você ainda consegue sorrir? – exaspera-se. — É que é tão bom ouvir “nós” ao invés de “você”.

– Picolé, você é minha melhor amiga. Eu amo você.

– Ah, meu amor, obrigada, obrigada! Também te amo. – abraço ela fortemente.

Depois de perder a primeira aula, ainda restava alguns minutos para minha proposta final.

– Eu preciso lhe pedir uma coisa, morena.

– O que foi? – retruca desconfiada – não me peça para não fazer nada!

– Ao contrário! – respondo – preciso de um lugar para ficar por algum tempo, até conseguir um novo emprego.

– Sakura – ela estala seus dedos em frente ao meu rosto- claro que você fica lá em casa.

– Eu não posso... eu...

– Sem negativas! É basicamente uma intimação.

– Bem, seu puder trabalhar em sua casa... como empregada ou alguma coisa que esteja faltando...

– Nem pensar, por favor, você não precisa disso.

– Esse é o único modo! Senão não irei! Recuso-me...

– Mas por que essa tem que ser a condição? Não quero que você trabalhe lá em casa.

– Tenten, eu não tenho medo do trabalho, nunca tive e tem mais, estarei ganhando meu próprio dinheiro e só assim me sentirei a vontade.

– O que posso fazer se você tem o coração mais nobre, corajoso e teimoso que conheço? – suspirou ela- sinta-se contratada. E assim ela me arrancou mais um sorriso.

– Eu nunca me esquecerei disso. Obrigada! De verdade.

– Agradeça quando eu pedir que você passe geleia na minha torrada, uniformemente...

– Sim senhora. – nos levantamos para ir ao ginásio em aula de educação física.

– Fale assim novamente e te despeço! – eu ri com sua falsa raiva.

Quando chegamos a quadra, os alunos já estavam reunidos e forcei meus olhos ao chão para não procurar Sasuke por entre os mesmos.

– Você pode correr? – minha morena perguntou preocupada.

– Sim, eu posso.

– Você não tem mais aqueles remédios, né Sakura?

– Não.

– Ótimo. Saiba que estarei de olho, agora com você pertinho de mim.

O professor ordenou quinze voltas em torno da pista e depois de algumas delas, notei que meu ex-namorado não estava nessa aula. E depois das voltas, o suor e cansaço me dominava, mas com espanto, percebi o quanto me sentia bem, bem o suficiente para analisar a hipótese de correr com mais frequência. Depois da aula, passamos no vestiário para tomar um banho e Tenten me emprestou seu uniforme extra. Eu fiquei no banheiro para terminar de pentear meus cabelos longos e a senhorita chocolate saiu com pressa para sua próxima aula que começava antes da minha.

Guardei tudo em minha sacola e fui para os corredores comprar um refrigerante em uma máquina, inseri a moeda e escolhi minha bebida e ao mesmo tempo que ela caiu no espaço para pegar, prensaram-me com força contra a máquina.

– Não é muito inteligente da sua parte fugir para cá, flor – a voz de Sasuke soou embriagada de whisky na lateral do meu rosto.

– Solte-me agora ou gritarei! – disse passiva.

– Grite! Por favor! Grite! – sussurrou com ódio. Virei-me em seu aperto para encontrar um moreno com cabelos bagunçados, olheiras, lábios machucados e um uniforme desmazelado.

– O que aconteceu com você? – assustei-me

– Você aconteceu, vadia – cuspiu em mim e revidei com cuspi também e, assim, ele vira a mão em minha cara com força.

– JÁ CHEGA! DESGRAÇADO, DESGRAÇADO! ODEIO VOCÊ! – debato-me. – PARE DE ME MACHUCAR! PARE! ...PARE! DESGRAÇADO.

– Fique quieta! – diz assustado, mas também dobrando sua força.

– Solte-a agora, Sasuke. – soou a voz atrás dele.

– Seja lá o que vocês tem, solte-a, pois eu ainda posso chamar a polícia. – era Sasori.

O Uchiha que ainda me prendia começou a rir, loucamente.

– Parece que o príncipe encantado apareceu, amor. – disse em minha orelha.

– Solta, Sasuke, por favor, será melhor... depois... depois conversamos. – sabia perfeitamente que Sasori era mesmo capaz de chamar a polícia e a parte doentia em mim, aquela que devia morrer, ainda preocupava-se com ele.

–Você jura? – seus olhos não tinham foco. Esse garoto estava insano.

– Sim.

– De que valem as suas promessas, meu anjo? De que valem... – e então, saiu, cambaleante, sem direção e sem olhar para ninguém, aquele homem que vestia o corpo dele... Olhei até sua silhueta sumir.

– Ele está louco, rosinha – Sasori falou ao meu lado.

– Todos nós somos um pouco – respondi vagamente. – obrigada por aparecer.

– Pegue seu refrigerante antes que esquente mais.

– PICOLÉ – gritou uma Tenten – ainda não foi para aula? – correu até mim.

– Também vim buscar uma bebida, estou... – ela parou de tagarelar ao ver o clima tenso existente.

Olhando em meus olhos, ela entendeu tudo.

– O que ele fez?

– Nada, mas eu preciso de sua ajuda em mais uma questão.

– Qual?

– Preciso que me ensine a lutar.

Notas finais
Não desejarei Feliz Natal, pois postarei antes! u.u GOSTARAM? UM BRINDE A VOCÊS! ;))