Notas iniciais
Oláá,
Obrigada por todos os comentários, me deixaram mais feliz do quê posso expressar com palavras.
Espero que continuem gostando.
Boa leitura.

Fui retirada do meu sono sem sonhos pelo estridente barulho do alarme, a manhã estava chuvosa e eu estava com vontade de xingar e voltar a dormir, mas não foi isso que eu fiz. Peguei o uniforme e Caminhei grogue pela casa até chegar ao banheiro, me despi lentamente e liguei o chuveiro. A droga da água estava congelante, provavelmente a luz havia sido cortada de novo. Depois daquele banho com toda certeza estaria acordada.

Vesti uma calça jeans e a blusa social branca que tinha a sigla do colégio, duas águias reais. Me olhei no espelho com uma careta irônica, nunca fui uma garota vaidosa, embora na época que namorava fosse mais cuidadosa, mas depois do término, piorou. Tinha grandes olhos verdes marcados por olheiras e um cabelo desnecessáriamente rosa, origens malucas . Não achava que tinha muitas curvas, porém definitivamente tinha muito peito. Saí do banheiro.

-SAKURA!

Oh...droga, me pai chegou e com a voz elevada, bêbado. Ele não podia chegar depois? Cogitei a ideia de fingir não estar em casa, mas no final fui até ele.

- Diga pai.
— Não tem nada para comer nessa merda de casa?

Olhei para figura degradante de meu pai, ele não era migalhas do homem que havia sido. As imagens que tenho dele com minha mãe mostram um homem diferente, um homem que eu teria orgulho de chamar de pai, mas esse, não. Ele fazia alguns bicos aqui e ali e com o dinheiro, fazia o quê um alcóolatra faz. Eu me sustentava com o dinheiro da previdência social e o trabalho no estudo de fotografia.

- Não, não tem.
— Você é inútil hein, a merda do seu emprego não te sustenta, vira piranha, pelo menos vamos ter o que comer!
— Eu não vou virar piranha.- manti uma calma que não estava sentindo. – E a razão por não ter nada para você comer é por que você que é inútil.

Ele desferiu um tapa no meu rosto.
— NÃO ME RESPONDA.
Meu rosto latejou, mas não me acorvadei.

- Não te respondi, falei a verdade.

Ganhei outro tapa. No mesmo local. Latejou o dobro.

- FIQUE QUIETA!

Dei as costas a ele e fui para meu quarto.

- NÃO VÁ EMBORA! VOLTE AQUI! COVARDE! PORQUE NÃO MORRE IGUAL A SUA MÃE? Outra covarde....

Sua voz só tinha rancor, no final eu só conseguia sentir pena dele. Eram tantos problemas e a maioria não tinha solução. Fui para meu quarto, peguei meu potinho de remédios e tomei mais 4, será que isso gerava overdose? Peguei minha mochila, saí pela janela do meu quarto e fui andando para escola, não era longe, mas eu odiava andar, conduções públicas não seriam precisas, antes eu tinha minha bicicleta, mas ela não sobreviveu depois de um quase acidente.

Depois de algum tempo andando, o calmante começou a fazer efeito, minhas piscadas ficaram mais longas e demoradas, sorri com a sensação de estupor, pelo menos a escola seria mais aceitável, mas não podia deixar nada afetar meus estudos, nem mesmo Sasuke. O pátio de Camanho já estava muito cheio quando cheguei e por isso foi mais difícil achar Tenten, uma garota brilhante que eu tinha o orgulho de chamar de amiga.

Uma menina linda de madeixas e olhos chocolates, ela era o tipo de garota que animava você independente da situação, ela tinha muito dinheiro, mas suas maneiras demostravam o contrário, ela não era fútil e isso me encantava nela. Não estava achando ela com os olhos, então começei a andar.

Pedindo licença entre as pessoas e perdendo a noção de tempo e espaço, encontrei quem eu não queria ou queria, não sei, enfim, ele estava lindo e eu com cabelos enormes, mais magra, com olheiras e medo. Ele estava rodeado com seus amigos, amigos que ele dizia apenas aguentar, com a boca em uma fina linha, queixo forte, olhos negros, corpo grande e musculoso. Me peguei parada olhando para o grupo.

Uma sensação de dejavú me abateu, nossa, tudo parecia igual ao meu primeiro dia de aula nessa escola, só que algo me dizia que ele não olharia para mim e se encantaria como na primeira vez e como um imã, seus olhos encontraram os meus e eu então tive a certeza, todo aquele encantamento que existia entre nós, acabou. Triste, deviei o olhar.

Precisava mais do quê nunca de Tenten agora, mas antes precisava mais ir ao banheiro, recomeçei a andar e de alguma forma sabia que Sasuke se mantinha olhando para mim, porém sabia também que era com frieza, escárnio e mais alguma coisa que não consegui captar. Decepção talvez?

Abri a torneira da pia com força e joguei água em abundância no meu rosto, livre de qualquer tipo de cosmético, levantei o olhar para o espelho, talvez tenha sido por isso que Sasuke tenha cansado de mim. Ri sem humor. Olhei para as cabines sanitárias do banheiro luxuoso da escola que eu sabia que não pertencia, fiquei tentada a ficar trancada nelas pelo resto do dia, mas nada ia atrapalhar meus estudos, não mesmo.

Concentrada da minha outra tarefa voltei a procurar Tenten, cada vez pior, agora parecia que eu tinha labirintite. Esbarrando em alguém saindo do banheiro, me virei para pedir desculpa, recebi um grande abraço, finalmente havia achado Tenten. Aquele abraço era inconfundível e me apeguei com força.

- Que saudade picolé!
— Odeio quando me chama assim! – nos separamos e ela disse.

- Senti muita saudade.
— Não foi só você, acredite.

Ela sorriu levemente.

- Você está bem? Parece um pouco tonta.
— Ah, deve ser por que não tomei café, mas nada demais. – menti.
— Você que é tão inteligente devia saber que assim não vai conseguir se concentrar.
— Estava atrasada quando saí de casa, mas de qualquer forma, não estou com fome.
— Acho melhor você comer algo antes da aula.
— Não quero agora, talvez depois.
— Você secou Sakura.
— Hãm, aumentei meus exercícios físicos.
— Você sabe que não está colando essa, né? Quer conversar? Não acha que vai melhorar um pouco desabafar?
— Eu estou bem, estou bem, só preciso de tempo.
— Sakura, a quem você quer convencer? Eu ou você?

Quase ajoelhei e agradeci quando um garoto ruivo chegou e chamou por Tenten e ela parou nossa conversa com o olhar de “conversamos depois” e apresentou o menino.

- Esse é Sasori, a gente se conheceu lá na Itália. Nessa férias. Primeiro ano dele aqui.Ele está no segundo ano.
- Prazer Sasori, sou Sakura. – sorri.
- Ah você é a famosa Sakura, Tenten fala muito de você.
- Espero que bem.
- Ah, com certeza. – ele olhou para Tenten. – Você vai me mostrar minha sala, né?
- Claro. Você vêm Sakura?
- Ah, não, não, depois a gente se vê?
- E conversa também.



Me sentindo um pouco perdida, saí dali, com a cabeça latejando e com a certeza de quê Sasuke não saí da minha mente, eu não conseguia entender a falta de explicações, como tudo pode acabar assim, sem nem uma conversa decente, será que eu não merecia isso? As tonturas estavam se agravando, leve ânsia de vomitar, queria sentar e chorar, odiava essa confusão emocional, essa vunerabilidade e odiava mais a mim mesmo.

O sinal tocou e eu estava indo contra o fluxo, esbarrando em muitas pessoas, até que uma me segurou pelo ombro, levantei a cabeça pronta para reclamar.

- Sakura. – aqueles olhos negros...
Ficamos apenas ali, parado entre as pessoas que estavam indo para suas salas. Eu não falei nada, só olhei para ele, prestando atenção em casa traço daquela face perfeita.

- Espero que tenha aproveitado suas férias. – Ele falou lentamente e depois saiu. Fiquei parada, olhando ele se afastar até sumir do meu campo de visão.

“Por que agora vou fazer da sua vida um inferno

Não sei o por quê, mas acho que para ele, essa frase deveria terminar assim.

Notas finais
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Beijinhos.