Koi no nazonazo (Os mistérios do amor)
14 Cobranças
Notas iniciais
Amanhecia na Cidade do Oeste. Embora odiasse acordar cedo, Bulma já se acostumara à rotina da Universidade. A chegada do saiyajin, por outro lado, deixava-a sem vontade de sair, sentia uma estranha necessidade de ficar em casa, “sabe-se lá o que esse desequilibrado pode aprontar” pensava.
A noite anterior tinha sido agitada. A descoberta da relação entre Glen e o Dr. Maki Gero a deixaram realmente perplexa. O que ela estava procurando estava ali ao lado o tempo todo. Ela deveria ter desconfiado que houvesse algo de estranho quando viu as pesquisas de genética no laboratório. Envolvida pela nova amizade de Glen, deixou seus objetivos de lado. Agora com essa nova revelação, deveria junto com ele, encontrar alguma solução para o problema dos androides.
Ainda existia o fato de Glen estar apaixonado por ela. Em outros tempos ela se sentiria nas nuvens e provavelmente tiraria vantagem disso, mas agora era diferente. Depois do término da relação com Yamcha ela se sentia mais madura. Acabar com aquela relação fora libertador! Passou a olhar a vida de outra forma. A ameaça dos androides também contribuiu para isso. Sempre confiara em Goku para salvar a Terra, mas agora sabia que existia uma possibilidade muito grande de ele não conseguir vencer o inimigo. Aliás, até usara essa desculpa para manter Vegeta em sua casa. A ajuda dele seria muito importante na batalha é claro, mas aquele não era o único motivo de ela chamá-lo para morar na Corporação. Inconscientemente já estava apaixonada pelo saiyajin desde a chegada de Namekusei. Achava-o tão obstinado e seguro de si que para ela era impossível não admirá-lo. Tinha conhecido poucos homens assim, talvez até ele tenha sido o primeiro. Mas Vegeta não era um homem o qual se pudesse manter um relacionamento. Era, frio, assassino, desprezava a Terra e tudo o que vivia nela. Mas isso não impediu de que ela cometesse a maior absurdo que ela poderia cometer: apaixonar-se por ele. Se ele soubesse disso... Ela não queria nem pensar. Por outro lado sabia que ele não era assim tão indiferente a ela. Ela pôde sentir a excitação dele quando a beijou há seis meses antes de partir. “Ele pode até me odiar, mas não pode resistir a minha beleza!” pensava ela. Ria de si mesma quando tinha essas ideias descabidas. Mas não podia deixar de imaginar que uma noite com Vegeta seria uma coisa mágica. Pela pequena amostra que teve, pôde concluir que Vegeta seria um amante voraz. “Uma noite com Vegeta hein?” pensava ela. Só tinha que ter em mente que se fizesse sexo com ele, as coisas não passariam disso. Não poderia esperar um namoro, noivado ou casamento. Não com ele. “Até parece que ele se rebaixaria estando com uma terráquea”. Mas e Glen? Este poderia oferecer a ela uma vida comum. Ele era educado, gentil, inteligente, bonito. E apaixonado. Ele era definitivamente para casar. “Mas quem disse que eu quero casar?” pensava ela. “Bom, o fato é que eu não posso parar a minha vida por causa do Vegeta. Tenho que ir para a universidade. Eu e Glen temos muitas coisas para decidir.” Enquanto pensava isso, se arrumava para sair.
***
Vegeta também acordara cedo aquele dia. Depois de descansar da longa viagem de seis meses, precisava elaborar uma estratégia de treinamento para os dois anos seguintes. Esperava firmemente que a terráquea tivesse preparado os equipamentos que ele mandara. E também que ela ficasse a disposição dele para quando os equipamentos pifassem. Ainda estava deitado quando percebeu o KI de Bulma agitado no quarto em frente. Estranhou, pois ela não tinha o hábito de acordar cedo. Lembrou-se do episódio há meses atrás em que quis arrancá-la à força da cama e se surpreendeu pela forma a qual ela estava vestida, ou melhor, despida. A lembrança da proximidade com ela incomodava o saiyajin.
Ele tomou banho e vestiu um uniforme de treino. Ficou surpreso – e irritado — quando percebeu que Bulma não estava mais na Corporação. “Onde ela teria ido a essa hora? Ela não passava de uma preguiçosa...”. Ao descer para o café-da-manhã amaldiçoou todos os seres do universo por encontrar o casal Briefs à mesa. A refeição foi silenciosa, exceto pelas perguntas do Dr. Briefs sobre o funcionamento da nave cápsula que Vegeta respondia monossilabicamente. Vegeta tinha vontade de perguntar por Bulma, mas não iria se rebaixar perguntando por alguém inferior. Por isso, não contestou quando o Dr. Briefs disse que iria arrumar a cápsula. Vegeta preferia que fosse a terráquea que fizesse os reparos, mas não iria perder mais tempo de treinamento. Tinho logo que virar um supersaiyajin.
***
– Que bom que você chegou! – exclamou Glen ao ver que Bulma chegara – Estava preocupado com você.
– Preocupado? – perguntou ela enquanto vestia o jaleco – Por quê?
– Por que?! Ora, com aquele maluco lá na sua casa sabe lá o que se pode acontecer!
– Ah, o Vegeta? Não se preocupe. Ele é inofensivo. Eu acho – disse ela dando uma risadinha.
– Inofensivo? – disse ele incrédulo – Ele tentou te matar Bulma!
– Não tentou não. Se ele quisesse me matar já teria feito. – disse ela lembrando-se das palavras de Vegeta.
Glen ficou em silencio por alguns instantes olhando-a. Depois, finalmente entendeu:
– É ele não é?
– Ele o quê?
– O homem pelo o qual você está apaixonada.
– Pirou Glen? – disse ela irritada – Você está igual ao meu ex-namorado Yamcha.
– Desculpe Bulma, mas é difícil entender o que uma mulher como você vê nesse troglodita.
– Chega Glen! Se você quer continuar sendo meu amigo, é melhor parar de se intrometer na minha vida. Já te contei sobre o Vegeta. Ele é um saiyajin muito forte que vai nos ajudar no combate contra os androides.
– E por que ele faria isso?
– Bom, ele tem suas razões... – disse ela sem revelar a rivalidade de Vegeta com Goku. – O fato que é ele não tem lugar para onde ir no universo inteiro, então eu o convidei para morar na minha casa.
– Entendo... Perdoe-me Bulma. Mas mudando de assunto, ontem: antes do seu amigo chegar, nós...
– Já sei o que vai dizer Glen. – disse ela sabendo se tratar do beijo que eles dariam antes da chagada de Vegeta — Bom, acho que temos coisas mais importantes para tratar agora, não? Depois falamos sobre isso...
– Certo. – disse ele resignado — Você tem razão.
Assim os dois se debruçaram sobre as pesquisas do Dr. Maki que estavam em poder de Glen. Existiam cálculos e mais cálculos que mostravam o quanto um ser humano pode sobreviver ao ter peças eletrônicas introduzidas no seu corpo. Dr. Maki descobriu que existiam pessoas geneticamente mais resistentes às transformações, portanto, elas seriam a base ideal para um androide. Glen já tinha identificado esse resultado nas pesquisas anteriormente, mas Bulma se atentou para outro detalhe que passara despercebido pelo cientista: a pesquisa datava 4 anos antes de que Goku enfrentara a Red Ribon. Lembou-se do androide #8 de quem Goku ficou amigo. Então seguindo a lógica, ele já tinha criado 7 androides anteriormente. Ou seja, se o cientista sumiu na época dessas pesquisas, é provável que ele já tivesse construído outros androides quando ainda morava com Glen. Agora bastava descobrir se esses androides ainda existiam.
– Eu nunca reparei nesse detalhe Bulma – dizia ele impressionado pela perspicácia dela – Mas você acha que podemos encontrar esses androides? A nossa antiga casa onde ficava o laboratório está fechada há anos... E realmente, não estou disposto a voltar lá...
– Bom, temos que verificar... Se você não quiser ir eu vou sozinha. Claro, se você permitir.
– Sozinha Bulma? Eu não me incomodo que vá lá, mas me incomoda que vá sozinha. Acho que não tenho outra escolha não é? Terei que te acompanhar...
– Podemos ir no próximo fim de semana?
– Claro... O que eu não faço por você?
Ela sorriu. Sabia que ele só faria isso por que estava apaixonado por ela. Ela não gostava de se aproveitar dessas coisas, mas também não queria ir só.
***
Na Corporação Cápsula, Vegeta aguardava o reparo da nave cápsula. Resolvera treinar mentalmente em seu quarto naquela dia. Passou o dia em seu quarto, de onde não saiu sequer para comer. Já era fim da tarde quando sentiu aquele KI que o deixava desestabilizado. Ele tinha que falar com ela, como ela ousava a ficar o dia inteiro fora sem se preocupar em consertar a nave dele? Quem aquela terráquea estúpida pensava que era?
Quando sentiu que ela já estava no quarto, se dirigiu até lá e abriu a porta sem bater. Encontrou Bulma vestida de calça jeans e sutiã, visto que ela estava se despindo quando ele entrou. Ela não se intimidou.
– Ora Vegeta! Não sabe bater na porta não? – indagou ela irritada com as mão na cintura. E maliciosamente disse – Acho que você queria era me ver sem roupa de novo.
– Não me venha com os seus absurdos, sua vulgar! – bradou ele
– Ah, eu sou vulgar é? Que eu saiba foi você que entrou aqui sem bater. Estou em meu quarto, e seu quiser dançar a ula-ula pelada aqui eu posso.
Ele ficou com a garganta seca ao imaginá-la nua dançando o que quer que fosse. Mesmo um pouco desconsertado om a situação, manteve a pose:
– Não me faça perder tempo. Quero saber por que você saiu e não consertou a minha nave?
– Ah, senhor príncipe dos saiyajins, saiba que o mundo não gira ao seu redor. Eu tenho uma vida sabia? Eu não te devo satisfações. Além disso meu pai está aí e pode cuidar disso pra você. – disse ela pegando uma toalha limpa no armário.
– O velho já fez isso. Mas era a sua obrigação. Parece que você está muito a fim de morrer na mão dos androides.
– Não estou a fim de morrer nas mãos de androide nenhum! E se você não quiser me ver mesmo nua, acho melhor você sair daqui!
– Ninguém expulsa o príncipe dos saiyajins desse jeito! E duvido muito que você seria capaz de tirar a roupa comigo aqui dentro – disse ele provocando.
– Ah é? Pois então...
Dizendo isso ela baixou a calça jeans e ficou apenas de sutiã e calcinha. Ele não pode deixar de notar o quanto ela era perfeita. A pele alva, os seios fartos, a cintura fina, a barria lisa e o sexo dela deliciosamente marcado pela calcinha.
– Sua VULGAR!!!!!!!!!! – gritou ele a plenos pulmões — Como ousa a fazer isso?!
– Fazer o que Vegeta? Já disse que estou no meu quarto e faço o que quiser! Se está incomodado vá embora! – disse ela. Por dentro, estava morrendo de rir.
Sem argumentos, ele saiu batendo a porta furiosamente. Não sabia nem por que tinha ido atrás dela. Não conseguira admitir para si mesmo que queria vê-la e muito menos, que gostara de vê-la com aqueles trajes tão íntimos. Cedendo à raiva que voltara sentir de si, ele foi para a nave cápsula – que ficara como nova depois dos ajustes do Dr. Briefs — e começou a treinar em uma gravidade aumentada em 500 vezes.
***
“Vegeta ficou constrangido com o que viu, foi isso?” pensava Bulma enquanto morria de rir em seu quarto. Depois de tomar banho e jantar, voltou para o seu quanto e ficou deitada na cama pensando na reação de Vegeta. Era divertido ver como ele ficava constrangido com as ousadias dela. “Será que ele pensa naquela última noite dele aqui como eu? Hum... Como ele pega bem...” Ria de si mesma. Estava nesses devaneios tolos quando ouviu golpes muito fortes vindo da nave cápsula. “O que esse lunático está aprontando agora?” pensou ela descendo rapidamente as escadas vestindo um robe branco curto de seda por cima de uma camisola mais curta ainda. Antes de ir à nave, foi à cozinha e pegou uma garrafa de água mineral. Se dirigiu à neve e percebeu que a gravidade estava muito alta, pois a máquina trepidava. Munindo-se de coragem para enfrentar uma chuva de reclamações de Vegeta, ela bateu na porta da nave. Ficou surpresa quando sentiu que ele parara de treinar quase que imediatamente, pois da última vez em que interrompera um treinamento dele ficou um bom tempo batendo na porta, ele só a atendeu quando ela começou a esmurrá-la. Ao ver que a porta se abriu, Bulma entrou um pouco relutante, mas estava disposta a fazer Vegeta parar, pois a nave poderia explodir novamente.
– O que faz aqui? – perguntou ele ofegante.
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