Notas iniciais
Depois da noite intensa de amor, Bulma e Vegeta retornaram para a Corporação Cápsula. Era domingo, e a casa estava vazia. O casal Briefs tinha saído para um piquenique com os amigos, e os empregados robôs estavam desativados. Sabendo que o saiyajin provavelmente estava com fome – assim como ela – Bulma foi à cozinha preparar algo para os dois comerem. Já Vegeta assim que chegou, foi direto para a cápsula de gravidade. “Esse aí é um lunático... Maldita hora em papai criou essa nave” pensava Bulma enquanto preparava a comida. Ela deixou a comida no fogão e pegou o telefone. Pela primeira vez depois de sair às pressas da casa da família Maki na Cidade do Leste, Bulma lembrara-se do cientista que Vegeta deixara desacordado. Ela sentia preocupação e culpa pelo o que tinha acontecido.
– Alô? Aqui é a Bulma. Gostaria de saber se o Glen pode atender.
– Ah, é você mocinha? – respondia Bá com desdém ao perceber que se tratava de Bulma – Espere um pouco que eu vou saber se ele quer atendê-la.
“Se ele quer me atender? Ora quem essa velha pensa que é?”. Em poucos minutos Glen atendeu o telefone.
– Bulma, o que aconteceu com você?!
– Comigo? Nada, estou bem. Na verdade eu queria saber como você está.
– Eu? Bulma, aquele sujeito te machucou? Bá me disse que você saiu com ele.
– É Glen, eu tive que ir embora. Se eu não fizesse o que ele queria, você poderia estar morto agora. Você está bem?
– Estou só com uma contusão no braço e um corte na cabeça. Daqui a pouco um dos empregados vai me levar de volta para a cidade do Oeste. Não quero mais ficar aqui. Essa casa não me traz boas recordações e pelo visto não é agora que vai começar a trazer.
– Estou me sentindo tão culpada pelo o que aconteceu...
– Não tem porque você se sentir culpada. Mas sugiro que você se livre de uma vez por todas desse maluco.
– Me livrar dele? Bom, as coisas não podem ser assim tão radicais...Você sabe muito bem porque ele está aqui. Agora você tem sua parcela de culpa também Glen... Não deveria ter insistido nada comigo. Muito menos me forçar a algo que eu não queria fazer.
– Mas o que isso tem a ver com o saiyajin? Acho que isso só diz respeito a mim e a você, ou não?
– Claro, claro... – ela desconversava — Bom, você vem jantar comigo e com a Lunch amanhã?
– Irei sim. Afinal ela é a nossa última esperança em descobrir algo sobre o meu avô, não é?
– É sim... Então amanhã te aguardo, ok?
– Claro Bulma. Só espero que o seu “amigo” não crie problemas...
– Não se preocupe. Ele não vai criar problema algum. Então tchau, até amanhã. – disse ela secamente desligando o telefone.
– Tchau Bulma. – disse ele para si mesmo. Naquele momento, ele teve certeza do que estava acontecendo entre ela e o saiyajin.
***
Embora estivesse chateada com Glen, por ele tê-la beijado à força, ela se sentia mal pelo clima ruim entre eles. Procurou parar de pensar nele, pelo menos até a hora do jantar do dia seguinte. Foi à cozinha, terminou de preparar a comida que deixara no fogão, e foi chamar Vegeta para comer.
– Vegeta! – gritava ela do lado de fora da nave. – Vamos logo comer!
Sem responder nada ele saiu em direção à casa. Bulma o seguia. Ele sentou na mesa de jantar e começou a se servir de tudo o que havia na mesa. Sabendo que os saiyajins comiam como desesperados, ela preparou uma grande quantidade de comida. Mesmo acostumada com isso, não pode deixar de ficar impressionada com a quantidade de comida que o saiyajin ingeria. Percebendo que ela o olhava, Vegeta falou:
– O que está olhando terráquea? Nunca me viu não?
Ela sorriu e respondeu:
– Nada não Vegeta. É que ninguém na Terra come desse jeito.
– Não me compare com nenhum terráqueo inútil.
– Calma! Que coisa hein? Bom, amanhã darei um jantar aqui na Corporação. Imagine que encontrei uma amiga de longa data no restaurante outro dia... – Ela desandou em falar de Lunch. Vegeta ouvia sem dar muita atenção, estava mais preocupado em devorar a comida disponível na mesa. Ela continuava:- ... então, eu e Glen vamos jantar com ela para descobrir se ela lembra de algum detalhe sobre a Red Ribbon, afinal ela esteve conosco naquele tempo.
– Como é que é? Aquele verme insolente que quis te agarrar à força vem aqui? Eu não vou permitir!
– Olha Vegeta, você não tem que permitir ou deixar de permitir nada. Aqui é minha casa, e Glen é meu amigo você goste ou não. E embora eu esteja um pouco chateada pelo o que aconteceu, não posso esquecer que ele foi um ótimo amigo quando eu precisei – falou ela lembrando-se do fim do namoro com Yamcha e de quando o saiyajin deixou a Terra. – portanto, ele virá aqui quando eu quiser.
– Humfp! Se ele tentar algo contra você não espere que eu vá te salvar! – disse ele entre os dentes. – Não esqueça que você tem um acordo comigo.
– E eu pretendo cumprir Vegeta. Mas eu não vou me afastar dos meus amigos só porque você quer.
Ele se levantou, e caminhou em direção a saída.
– Onde é que você vai? –perguntou ela.
– Vou treinar. — disse ele saindo da sala de jantar deixando-a sozinha.
***
Ela passou o resto do domingo, revisando alguns projetos que deixara incompletos na Corporação. Com a rotina na universidade, deixou muitas coisas inacabadas. Projetos que ela tinha quando ainda namorava com Yamcha e até de antes de viajar para Namekusei. Mas naqueles quase três anos desde que Raditz chegara à Terra, ela não teve muito tempo para se dedicar à Corporação Cápsula. E ela sabia que em alguns anos, ela seria a presidente da organização. Estava decidido: já que aquela era a sua última semana na universidade, se dedicaria mais à empresa. Ela sabia que seu futuro era incerto por conta da ameaça dos androides, mas decidiu que se doaria mais para a empresa que o pai criou. Até então era uma jovenzinha que vivia de um lado para o outro em busca das Esferas do Dragão, fugindo de bandidos, assistindo torneios de artes marciais e de vez em quando inventava algo útil para a Corporação. Agora era hora de compensar o Dr. Briefs pelo trabalho que teve durante tanto tempo.
Dormiu cedo aquele dia, pois Vegeta não saiu da Cápsula de gravidade desde da última conversa entre eles.
No dia seguinte, aproveitando ainda a licença que ela e Glen pediram da universidade para a viajem, Bulma tratou de organizar o jantar daquela noite com a ajuda da mãe. A senhora Briefs adorava organizar, festas, jantares e Bulma parecia ter herdado isso dela. A moça de cabelos azuis estava empolgada em receber a amiga que há tantos anos não via. Já era quase a hora do jantar quando Bulma subiu para se vestir. Escolheu um vestido azul Royal de mangas compridas. O vestido não era justo nem muito curto, mas tinha um decote generoso nas costas. Prendeu os cabelos em um rabo e cavalo, deixando as costas expostas e uma franja lateral. Estava terminando de se arrumar quando a campainha tocou. Desceu as escadas correndo e quando chegou à sala a versão tímida de Lunch estava conversando com a Srª. Briefs.
– Oi Lunch! – cumprimentou Bulma abraçando a amiga.
– Olá Bulma! — respondeu a moça.
– Agora sim podemos conversar. Sente aqui no sofá e me conte: por onde você andou este tempo todo?
– Ah, Bulma. – suspirou Lunch sentando-se no sofá — Depois que os tais saiyajins vieram para a Terra e o Tenshinhan morreu eu fiquei meio sem saber o que fazer... Aí decidi encontrar um emprego pois tinha que ganhar a vida de alguma forma, não é?
– E porque você não voltou para casa do mestre Kame?
– É que eu não conseguiria ficar ali onde vivemos felizes por tanto tempo. Para onde eu olhasse me lembraria do Tenshin e dos outros rapazes... Afinal o que aconteceu depois?
– Você não sabe Lunch? – perguntou Bulma assustada. Quer dizer que Lunch ignorava tudo o que tinha acontecido desde Namekusei?
– Saber o quê?
– Os rapazes foram ressuscitados.
– Ressuscitados?! – perguntou Lunch espantada – Mas como?! Piccolo morreu, e com ele as Esferas do Dragão deixaram de existir!
– Isso é verdade... Mas muitas coisas aconteceram depois disso... – E Bulma começou a contar sobre os eventos que se sucederam depois do ataque dos saiyajins. Lunch ouvia tudo com atenção sem acreditar no que estava ouvindo.
– Quer dizer que o Tenshinhan está vivo? — perguntava ela emocionada.
– Sim. Eles ressuscitaram já tem quase uma ano. E pelo o que eu sei ele está treinando com o Chaos em algum lugar nas montanhas. Acho que foi isso que ele disse para os rapazes quando o jovem do futuro veio contar sobre os androides.
– Mas Bulma, você disse que o saiyajin que matou os nossos amigos está morando aqui na sua casa?
– O Vegeta? Está sim.
– Mas Bulma, co o você pode deixá-lo aqui?
– Ora Lunch, ele é muito forte. Ele pode ajudar na luta com os inimigos do futuro.
– Mas por que ele nos ajudaria?
– O maior objetivo dele é derrotar o Goku. E ele sabe que não poderá fazer isso enquanto não houver essa batalha.
– Ainda não consigo entender...
Neste momento a campainha tocou novamente. Bulma pediu licença para Lunch e foi atender a porta. Era Glen. Ele estava com o braço esquerdo em uma tipoia e um hematoma com corte na têmpora.
– Glen! – exclamou ela abraçando-o. – Nossa, como você está?
– Não se preocupe, Bulma estou bem. Só espero que aquele troglodita não esteja por aí...
– Vegeta, está na cápsula de gravidade e não vai nos incomodar.
– Hum...
Bulma o conduziu à sala onde estava Lunch. Ele estava um pouco diferente, mais frio e reservado. Mas depois do que aconteceu na Cidade do Leste, era compreensível.
– Vocês já se conhecem não é? – perguntou Bulma aos dois.
– Sim, claro. Você nos apresentou no restaurante na semana passada. – falou Glen. E virando-se para Lunch cumprimentou tomando um das mãos dela e beijando-a. — Boa noite senhorita.
– Boa noite senhor... — respondeu ela envergonhada.
Agora com uma iluminação diferente, Glen pôde observar melhor a garota. Tinha um corpo delicado, mas sensual, além de feições meigas. Era bonita. E muito bonita. A roupa que vestia destacava isso. Ela usava uma blusa preta justa de mangas curtas e uma calça de couro preto. Era atraente, sem dúvida. O único incômodo era essa personalidade tão tímida que ela tinha.
–Então Lunch — perguntou ele tentando uma aproximação com a garota – Você e Bulma são amigas há muito tempo?
– Sim. – respondeu ela – Mas tinha tempo que não nos falávamos...
– É percebi isso no dia em que você se encontraram no restaurante.
– Já que estamos todos aqui, o que vocês acham de irmos logo jantar? –Perguntou Bulma.
– Por mim tudo bem... – responderam os dois simultaneamente.
Os três seguiram para a sal de jantar, onde o casal Briefs já estava esperando.
– Ora, querida você não vai chamar o Vegeta bonitão para vir jantar conosco? — perguntou a senhora Briefs.
– Acho melhor não mamãe. – Bulma olhava de soslaio para Glen — Você sabe que ele não é muito sociável.
– Poxa, é uma pena... Mas olhem. Eu e a Bulma preparamos uma receita ótima. Experimentem.
Todos experimentaram a comida ao mesmo tempo. Tinha um sabor ótimo, mas era demasiadamente apimentada. Ainda na primeira garfada, Lunch não conseguiu evitar o espirro. Todos, exceto Bulma, ficaram espantados ao ver que Lunch se tornara loira.
– Mas que droga eu estou fazendo aqui! – perguntou a versão loira de Lunch levantando-se da cadeira – Bulma?
– Lun-Lunch... – balbuciou Bulma que já sabia o que esperar.
– Quem são esses velhos e esse mané aqui? – perguntou Lunch.
–São meus pais Lunch, você não se lembra? E este aqui é o Glen.
– Ah, sim... Estou me lembrando. Eu vim aqui para jantar não foi? Então... Ei sua sucata velha! – gritou ela chamando Quimmy – Sirva logo a minha comida! – disse ela sentando-se novamente.
Glen olhava estupefato para ela. Como assim ela se transformou? Aquela garota tímida agora era essa gata selvagem que estava ali? Ele estava achando aquilo cada vez mais interessante.
– Como é que é? — Vocês vão logo comer ou vão ficar me olhando com essa cara de paspalhos? –perguntou ela com a boca cheia de comida.
De repente, ao sentir o sabor da pimenta, ela espirrou novamente.
–O que aconteceu? — perguntou Lunch em sua versão meiga.
– Nós é que perguntamos: o que aconteceu? — indagou Glen.
Lunch olhava para todos sem entender o que estava se passando. Ao olhar para o rosto de Bulma, finamente compreendeu.
–Oh Kami! Eu fiz de novo! — exclamou ela desesperada.
– Calma pessoal. – dizia Bulma tentando normalizar as coisas. – Lunch tem apenas um problema de alergia, não é? Nada sério... Vamos terminar de comer, sim? – e virando-se para Lunch disse: — Acho melhor você não comer mais isso. Vou pedir para Quimmy trazer outro prato para você.
Após o incidente, o jantar transcorreu normalmente. Bulma e Glen ainda puxaram conversa com Lunch sobre a Red Ribom, mas a garota não lembrava de muita coisa. Não era dessa vez que eles descobririam algo sobre o Dr. Maki Gero.
Depois do jantar Glen pediu para conversar reservadamente com Bulma. Ela deixou Lunch na companhia do casal Briefs e foi com ele para a área da piscina, lugar onde tantas vezes eles passaram a noite conversando.
– E então Glen? – perguntava ela meio aflita. No fundo ela sabia a natureza daquela conversa.
– Em primeiro lugar Bulma, eu gostaria de lhe pedir desculpas pelo último sábado... Você sabe que eu sinto algo forte por você. Eu não me perdoaria se eu não pelo menos tentasse te conquistar. Sei que fiz isso maneira cretina, mas não tinha mais argumentos com você. Isso não se faz, peço que me perdoe.
– Claro que te perdoo Glen. Você é uma amigo querido e representou muita coisa para mim nesses últimos seis meses. Eu sinto muito mesmo em não poder te corresponder...
– É eu já entendi isso. Seu coração já tem dono.
– Como?
– Eu já entendi tudo. O saiyajin. Só espero que saiba onde está se metendo.
Bulma o olhou profundamente. Como ele tinha compreendido tudo? Era tão óbvio assim?
– Como assim Glen? – ela se fez de desentendida.
– Ora, Bulma. Você está com ele. Mas acho que ele não é o tipo de cara que quer ter um relacionamento sério. Você pode se machucar seriamente. Tanto fisicamente, quanto aqui. – disse ele apontando para o coração dela.
– É Glen... Mas eu tenho consciência do que eu escolhi. — disse ela decidida.
– Imaginava isso. Bom, só o que eu posso fazer neste momento é me afastar de você.
– Se afastar de mim?! Por quê?!
– Eu gosto de você Bulma. Acho que seria meio masoquismo se eu ficasse ao seu lado como amigo enquanto sei que você está se relacionando com outro. Mas não quero que pense que a nossa amizade acabou. Só preciso de um tempo para me acostumar com a ideia. Você entende?
– Claro que entendo. Vou sentir a sua falta — dizia ela com os olhos marejados.
– Calma aí... — disse ele abraçando-a ternamente. – Ainda temos essa semana de trabalho, não esqueça.
– É sim...
Ele levando o rosto dela e olhou-a profundamente. Teve o impulso de beijá-la novamente, mas se conteve. Ela não era para ele, tinha que conformar com isso. Ainda estava mergulhado nos olhos azuis da cientista quandoa Lunch loira apareceu com uma bazuca na mão. “De onde essa mulher tirou isso?” perguntava-se Glen.
– Ei você mané! — chamava Lunch — Você tem um carro?
– Carro? Tenho aqui na cápsula, mas não estou dirigindo por causa do meu bra...
– Vamos, me dê ele logo! – gritou ela interrompendo- a fala dele.
– Dar? Ficou maluca?
– Vamos logo! – gritou ela encostando a bazuca nele. Bulma não acreditava no que estava acontecendo e procurava acalmar a loira.
– Lunch, o que é isso? Eu... Eu posso te dar um carro...
– Não quero perder tempo, vamos logo! – ameaçava Lunch.
Sem alternativa, Glen entregou a cápsula. Ela ativou o carro entrou e deu a partida, porém o carro não funcionava.
– Mas que droga é essa, porque não funciona?
– O carro é ativado por comando de voz. E está programado para funcionar com a minha voz. – explicava Glen.
– O quê?! – admirou-se ela. Sem querer perder tempo, ela ordenou: — Entre no carro.
– Como? – perguntou ele.
– Você é surdo, seu mané? Entre logo neste carro! – falava ela incisivamente apontando a arma para ele.
Sob a coerção da arma, ele obedeceu. Bulma olhava tudo aquilo sem saber o que fazer. Lunch nesse estado podia ser muito perigosa. Em segundos, o carro de Glen deixava a Corporação Cápsula a toda velocidade.
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